sebenta - cld.pt

Click here to load reader

Post on 18-Dec-2021

1 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

Anatomia Funcional .................................................................................................................. 8
Componentes Esqueléticos ................................................................................................... 8
Masséter ......................................................................................................................... 14
Temporal ........................................................................................................................ 14
Anatomia e Função do Sistema Neuromuscular ...................................................................... 26
Músculos............................................................................................................................. 26
Recetores sensoriais ........................................................................................................ 32
Função Neuromuscular ....................................................................................................... 35
Ação reflexa .................................................................................................................... 36
Inervação recíproca ......................................................................................................... 38
Funções Principais do Sistema Estomatognático ..................................................................... 40
Mastigação ......................................................................................................................... 40
Contacto dos dentes ....................................................................................................... 42
Forças da mastigação ...................................................................................................... 43
Ciclo mastigatório ........................................................................................................... 43
Fatores e Forças que Determinam a Posição do Dente ............................................................ 52
Alinhamento Dentário Intra-Arcada ........................................................................................ 52
Alinhamento Dentário Inter-Arcada ........................................................................................ 54
Classe I ............................................................................................................................ 56
Classe II ........................................................................................................................... 56
Classe III .......................................................................................................................... 56
Movimento Mandibular Protrusivo ................................................................................. 58
Movimento Mandibular Laterotrusivo ............................................................................. 58
Movimento Mandibular Retrusivo ................................................................................... 59
Tipos de Movimento ............................................................................................................... 62
Movimento de Rotação ....................................................................................................... 62
Movimento de Rotação em torno do Eixo horizontal de rotação ..................................... 63
Movimento de Rotação em torno do Eixo frontal (vertical) de rotação ............................ 63
Movimento de Rotação em torno do Eixo sagital de rotação ........................................... 64
Movimentos de Translação ................................................................................................. 64
Limites Anatómicos dos Movimentos Mandibulares................................................................ 64
Plano Bordejante Sagital e Movimentos Funcionais – Diagrama de Posselt .......................... 67
Movimento Bordejante de Contacto Superior ................................................................. 67
Movimento Bordejante de Abertura Anterior .................................................................. 68
Movimento Bordejante de Abertura Posterior ................................................................ 68
Movimentos funcionais ................................................................................................... 69
Movimento Bordejante Lateral Esquerdo ........................................................................ 70
Movimento Bordejante Lateral Esquerdo continuado com Protrusão .............................. 70
Movimento Bordejante Lateral Direito ............................................................................ 71
Movimento Bordejante Lateral Direito continuado com Protrusão .................................. 71
Movimentos funcionais ................................................................................................... 71
Movimento Limite Lateral Esquerdo em Abertura ........................................................... 72
Movimento Limite Lateral Superior Direito ...................................................................... 72
Movimentos Limite Lateral Direitos em Abertura ............................................................ 72
Movimentos funcionais ................................................................................................... 72
História do Estudo da Oclusão ................................................................................................. 76
Critérios para uma Oclusão Funcional Ideal ............................................................................. 77
Critérios Referentes à ATM ................................................................................................. 77
Critérios Referentes aos Dentes .......................................................................................... 77
Resumo da Condição Oclusal Ideal .......................................................................................... 81
Determinantes da Morfologia Oclusal .................................................................................... 84
Fatores de Controlo Posterior (Guia Condilar) ......................................................................... 84
Fatores de Controlo Anterior (Guia Anterior) .......................................................................... 84
Compreendendo os Fatores de Controlo ................................................................................. 85
Determinantes Verticais da Morfologia Oclusal ....................................................................... 86
Efeito da Guia Condilar (Ângulo da Eminência Articular) na Altura da Cúspide ..................... 86
Efeito da Guia Anterior na Altura da Cúspide ....................................................................... 87
Efeitos do Plano de Oclusão na Altura da Cúspide ............................................................... 87
Efeito da Curva de Spee na Altura da Cúspide...................................................................... 88
Efeito do Movimento Mandibular de Translação Lateral na Altura da Cúspide ..................... 89
Efeito da quantidade de movimento da translação lateral na altura da cúspide ............... 90
Efeito da direção do movimento da translação lateral na altura da cúspide ..................... 90
Efeito do período do movimento da translação lateral na altura da cúspide .................... 90
Determinantes Horizontais da Morfologia Oclusal................................................................... 91
Efeito da Distância do Côndilo Orbitante na Direção das Cristas e Sulcos ............................. 91
Efeito da Distância do Plano Mediano na Direção das Cristas e Sulcos ................................. 91
Efeito da Distância do Côndilo Orbitante e do Plano Mediano na Direção das Cristas e Sulcos
........................................................................................................................................... 92
Efeito do Movimento Mandibular de Translação Lateral na Direção das Cristas e Sulcos ..... 92
Efeito da Distância Intercondilar na Direção das Cristas e Sulcos ......................................... 92
Anexo #1: Embriologia do SE .................................................................................................. 96
Anexo #2: Morfologia Dentária Funcional ............................................................................ 104
Anexo #3: Guia Anterior ....................................................................................................... 112
Anexo #4: Dimensão Vertical de Oclusão ............................................................................. 122
Anexo #5: Dentes Posteriores e Relações Oclusais Excêntricas ............................................ 130
OKESON – CAPITULO #1
ANATOMIA FUNCIONAL E
BIOMECÂNICA DO SISTEMA
8
Sistema Estomatognático:
Unidade funcional complexa do corpo humano, responsável primariamente pela
mastigação, fala e deglutição, mas também com funções importantes ao nível do
paladar, respiração e estética. (situação eficiente)
Composto por dentes, ossos, articulações, ligamentos e músculos.
Associado a um sistema de controlo neurológico – sistema neuromuscular – que regula
e coordena todos os componentes estruturais
Anatomia Funcional
Cada dente pode ser dividido em 2 partes:
Coroa – acima do tecido gengival
Raiz – submersa e circundada pelo osso alveolar
Ligamento Periodontal: conjunto de numerosas fibras de tecido conjuntivo desde a superfície
do cemento da raiz até ao osso alveolar.
Prende o dente ao seu alvéolo ósseo;
Ajuda a dissipar as forças aplicadas ao osso durante o contacto funcional dos dentes.
O arco maxilar é ligeiramente mais largo que o arco mandibular, o que faz com que os dentes
maxilares (superiores) se sobreponham aos mandibulares (inferiores) tanto vertical como
horizontalmente quando ocluidos.
Essa discrepância de tamanho resulta dos factos:
Dentes anteriores da maxila (superiores) são muito mais largos do que os mandibulares
(inferiores) – cria uma maior largura do arco
Dentes anteriores da maxila (superiores) têm uma maior angulação facial do que os
anteriores mandibulares (inferiores) – cria um trespasse horizontal e vertical
COMPONENTES ESQUELÉTICOS
Dos 3 componentes esqueléticos que compõem o SE, 2 suportam os dentes (maxila e
mandíbula) e 1 suporta a mandíbula na sua articulação com o crânio (temporal).
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
9
Embriologia:
o Origem: dois ossos maxilares fundem-se na sutura meso-palatina (a partir dos processos
maxilares e processo fronto-nasal – influenciada pelas cavidades orbital, nasal e oral);
o Processo nasal mediano:
Porção interna (medial): septo nasal
Bordo inferior: processo globular – centro do lábio sup (freio); porção ant do palato
o Processos nasais laterais: porções laterais do nariz
Unida aos ossos da base do crânio (zigomático, esfenóide, etmoide, ossos próprios do nariz e
palatino)
O bordo da maxila estende-se superiormente para formar o pavimento da cavidade nasal e o
pavimento de cada órbita;
Inferiormente, forma o palato e os rebordos alveolares, que suportam os dentes;
Como as maxilas estão pressionadas aos componentes ósseos vizinhos do crânio, os dentes
superiores são considerados como a parte fixa do crânio, e desta forma, a parte estacionária
do SE.
Osso ímpar, em forma de “U”
Embriologia: aparece por volta da 6ª semana com o aparecimento da cartilagem de Meckel –
a partir do arco mandibular, formado pela fusão dos processos mandibulares;
Sustenta os dentes inferiores e forma a parte inferior do esqueleto facial;
É sustentada abaixo da maxila por músculos, ligamentos e tecidos moles, os quais
possibilitam a mobilidade necessária para a função com a maxila (não tem nenhuma
inserção óssea com o crânio – único osso móvel do SE);
O corpo da mandíbula:
o Apresenta: processos alveolares (conferem suporte aos dentes inf) e inserções musculares
o Estende-se posteriormente para formar o ângulo da mandíbula e póstero-superiormente
para o ramo ascendente;
o Apresenta: língula ou espinha de Spix e inserções musculares
o É formado por uma placa óssea vertical que se estende para cima em dois processos: o
anterior (processo coronóide) e o posterior (côndilo);
O côndilo:
o Tem forma ovoide;
o É a porção da mandíbula que se articula com o crânio, em torno do qual ocorrem os
movimentos;
o a superfície articular é maior posteriormente do que anteriormente e é mais convexa
antero-posteriormente do que latero-medialmente;
o Possui duas projeções (cujos eixos passam pelos dois polos e convergem para o bordo
anterior do foramen magno): o polo medial (geralmente mais saliente) e o lateral.
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
10
Temporal
Unido ao occipital, parietal, zigomático e esfenoide;
Articula-se com o côndilo mandibular, na base do crânio, através da porção escamosa (ATM)
composta pela fossa mandibular côncava designada cavidade articular ou glenoide;
Posteriormente à cavidade está a fissura escamo-timpânica que se estende medio-
lateralmente e se divide em fissura petro-escamosa (anteriormente) e em fissura petro-
timpânica (posteriormente);
Anteriormente à cavidade há uma proeminência óssea (eminência articular), cuja
convexidade é variável mas importante pois a sua inclinação determina a trajetória do
côndilo quando a mandibula está posicionada anteriormente;
O teto posterior da cavidade mandibular é fino o que significa que esta área do temporal não
é destinada a suportar forças pesadas.
A eminência articular (anterior), por sua vez consiste num osso espesso e denso, logo mais
tolerante a forças pesadas.
Zigomático
Inserções musculares.
Unido ao temporal, frontal, etmóide, maxila, palatino e vómer;
Inserções musculares.
Sistema Trajetorial:
Composto por:
Pilares/Colunas (Verticais)*
11
(*zonas de maior resistência, capazes de dissipar forças sem fraturar os ossos)
COMPONENTES LIGAMENTARES
Constituídos por tecido conjuntivo colagénico (resistência ao estiramento)
Têm um papel importante na proteção das estruturas: agem passivamente na função da
articulação como agentes limitadores ou de restrição de movimentos (evitando, por
exemplo que o côndilo saia da cavidade glenoide durante os movimentos)
3 principais (ligamentos funcionais que suportam a ATM):
Lig. Colateral
Lig. Capsular
Lig. Temporo-mandibular
2 acessórios:
Lig. Esfeno-mandibular
Lig. Estilo-mandibular
São 2: o ligamento colateral/discal medial e o ligamento colateral/discal lateral;
Ligamento colateral medial: prende o bordo medial do disco ao polo medial do côndilo;
Ligamento colateral lateral: prende o bordo lateral do disco ao polo lateral do côndilo;
Dividem a articulação medio-lateralmente em duas cavidades (superior e inferior);
Restringem o movimento do disco para fora do côndilo atuando passivamente nos
movimentos rotacionais antero-posteriores do disco sobre o côndilo;
São responsáveis pelos movimentos de abertura da ATM;
Têm suprimento vascular e são inervados (inervação dá informação acerca da posição e
movimento da articulação);
Ligamento capsular
Superiormente: ao longo dos bordos das superfícies articulares da fossa mandibular e
eminência articular (temporal);
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
12
Age para resistir a qualquer força medial, lateral ou inferior que tende a separar ou deslocar
as superfícies articulares (ou seja, impede separações laterais ou inferiores das superfícies
articulares);
Envolve toda a articulação, retendo o líquido sinovial;
É inervado (inervação proporciona um estímulo propriocetivo sobre a posição e movimento
da articulação);
Ligamento temporo-mandibular
Composto por fibras fortes e densas, reforçando a parte lateral do ligamento capsular;
Composto por duas porções:
Externa (superficial) e oblíqua: estende-se desde a superfície lateral do tubérculo
articular e processo zigomático até à superfície lateral do colo do côndilo;
Interna (profunda) e horizontal: estende-se desde a superfície lateral do tubérculo
articular e processo zigomático até ao polo lateral do côndilo e parte posterior do disco
articular;
A porção oblíqua limita a extensão da abertura bucal, impedindo a queda excessiva do
côndilo, e influencia a abertura normal da mandíbula, uma vez que tornando-se rígido
impede o côndilo de rotacionar e assim caso a boca tenha que abrir mais amplamente este
tem que se mover para baixo e para a frente através da eminência articular (ou seja, limita o
movimento de rotação de abertura da boca);
A porção horizontal limita o movimento posterior do côndilo e do disco, protegendo os
tecidos retrodiscais de trauma causado pelo deslocamento posterior do côndilo, e protege o
músculo pterigoideu lateral de estiramento ou sobrextensão.
Ligamento esfeno-mandibular
Origina-se na espinha do esfenoide e estende-se para baixo até à língula da mandíbula;
Não tem nenhum significado como limitante do movimento mandibular.
Ligamento estilo-mandibular
Origina-se no processo estiloide e estende-se para baixo e para a frente até ao ângulo e
bordo posterior da mandíbula;
Limita os movimentos protrusivos excessivos da mandíbula ao tornar-se rígido.
COMPONENTES MUSCULARES – MÚSCULOS DA MASTIGAÇÃO
Os componentes esqueléticos do corpo são mantidos juntos e movimentados pelos músculos.
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
13
Os músculos são constituídos por numerosas fibras, que por sua vez são compostas por
microfibrilhas, sendo que cada uma destas contém vários filamentos;
No final do músculo, as fibras fundem-se com um tendão, e os tendões por sua vez, juntam-
se em faixas para formar o tendão muscular que se insere no osso;
Cada fibra é inervada apenas por uma terminação nervosa, localizada mais ou menos a meio
do seu comprimento;
Os vários filamentos das microfibrilhas estão dispostos, lado a lado, sendo estes de niosina e
de actina. Estes constituem grandes proteínas polimerizadas responsáveis pela contração
muscular.
Cardíaco
Involuntário
Estriado
Auto-rítmico
As fibras musculares podem ser divididas em 2/3 tipos consoante a sua quantidade de
mioglobina:
Metabolismo aeróbio bem desenvolvido de ATP – oxidativo (resistência à fadiga)
Tipo II:
Têm poucas mitocôndrias;
Dependem de atividade anaeróbia (capacidade de contração mais rápida mas menor
resistência à fadiga)
Fadiga muito rápida.
Todos os músculos contêm uma mistura de fibras rápidas e lentas em proporções variáveis, o
que se reflete na função de cada músculo.
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
14
Masséter
Temporal
Digástrico*, Geni-hioideus*, Milo-hioideus* e Infra-hioideus*
*embora não seja considerado um músculo da mastigação, desempenha um papel importante
na função mandibular.
Músculo multipenado (grande potência)
Origina-se no arco zigomático e estende-se para baixo até à porção lateral do bordo inferior
do ramo da mandíbula;
Constituído por 2 porções:
Superficial: fibras orientadas para baixo e para trás (62-72% fibras tipo I)
Profunda: fibras numa direção predominantemente vertical (70% fibras tipo I)
Inserção (mandíbula):
o Feixe superficial: desde a região do 2º molar ao nível do bordo inferior até ao ângulo da
mandíbula (inclusive);
o Feixe profundo: acima do superficial
Projeta a mandíbula para cima e os dentes entram em contacto, aquando da contração das
fibras;
Fornece a força necessária para uma mastigação eficiente;
A porção superficial pode ajudar na protrusão da mandíbula sendo que quando tal ocorre e
uma força de mordida é aplicada a porção profunda estabiliza os côndilos contra a
eminência articular.
Temporal (elevador)
Origina-se na fossa temporal e superfície lateral do crânio;
Entre o arco zigomático e a superfície lateral do crânio, as suas fibras aproximam-se para
formar um tendão que se insere no processo coronoide e bordo anterior do ramo
ascendente da mandíbula;
Pode ser dividido em 3 porções:
Anterior: fibras numa direção mais vertical
Média: fibras numa direção oblíqua (para a frente e para baixo)
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
15
Posterior: fibras numa direção quase horizontal (que se dirigem para a frente, acima da
orelha, para se juntarem a outras fibras temporais à medida que passam o arco
zigomático)
Eleva a mandíbula e os dentes entram em contacto, aquando da contração das fibras;
Se apenas partes do músculo se contraírem, a mandíbula movimenta-se de acordo com a
direção das fibras ativadas:
Contração da porção anterior: mandíbula é elevada verticalmente;
Contração da porção média e posterior: mandíbula é elevada e retraída;
É um significativo posicionador da mandíbula, pois é capaz de coordenar movimentos de
fechamento;
Temporal profundo: 81% fibras tipo I
Pterigoideu medial (interno) (elevador)
É um músculo fino
Origina-se na fossa pterigoide e estende-se para baixo, para trás e para fora para se inserir
ao longo da superfície interna do ângulo da mandíbula;
Juntamente com o masséter, forma uma alça que suporta a mandíbula no seu ângulo;
Eleva a mandíbula e os dentes entram em contacto, aquando da contração das fibras;
Encontra-se ativo aquando da protrusão da mandíbula;
A sua contração unilateral proporciona um movimento mediotrusivo (laterotrusão
contralateral – mandíbula desloca-se para o lado oposto da contração)
A sua contração bilateral proporciona um movimento de encerramento e protrusão (em
sinergia com o masséter)
64% fibras tipo I
Pterigoideu lateral (externo)
Está dividido em 2: m. pterigoideu lateral inferior e m. pterigoideu lateral superior.
A maioria das fibras que os constituem é do tipo I, o que significa que são músculos
relativamente resistentes à fadiga e podem ajudar a suportar os côndilos por longos períodos
de tempo sem dificuldades;
A tração destes no disco e no côndilo é significativa na direção medial, sendo que à medida
que o côndilo se move para a frente, a angulação medial da tração destes músculos torna-se
ainda maior. (na posição de abertura máxima da boca, a direção da tração é quase
inteiramente medial)
Pterigoideu lateral inferior: (depressor)
Origina-se na superfície lateral da placa pterigoide lateral e estende-se para cima, para trás e
para fora para se inserir no colo do côndilo;
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
16
A sua contração bilateral provoca a protrusão da mandíbula uma vez que os côndilos são
trazidos para baixo, percorrendo a eminência articular;
A sua contração unilateral provoca um movimento mediotrusivo do côndilo homolateral e
provoca um movimento da mandíbula para o lado oposto – laterotrusão contralateral (isto é,
a contração do pterigoideu lat inf esq provoca um movimento mediotrusivo do côndilo esq e
um movimento da mandíbula para a dta);
Abaixa a mandíbula, aquando da contração bilateral, trazendo os côndilos para baixo e para
a frente nas eminências articulares, aquando do funcionamento conjunto com os
depressores.
70% fibras tipo I
Pterigoideu lateral superior: (elevador)
Menor do que o pterigoideu lateral inferior;
Origina-se na superfície infra-temporal da asa maior do esfenoide e estende-se quase
horizontalmente para trás e para fora para se inserir na cápsula articular, no bordo anterior
do disco e colo do côndilo;
Torna-se ativo apenas em conjunto com os elevadores durante fortes mordidas* ou quando
os dentes são mantidos juntos com força (apertamento dentário – isotonia)
(está inativo durante a abertura)
90% fibras tipo IIB (movimento balístico do disco)
*fortes mordidas: referem-se aos movimentos que envolvem o fechamento da mandíbula
contra resistência (ex: na mastigação, apertamento dos dentes)
Digástrico (depressor)
Posterior:
Fibras direcionadas para a frente, para baixo e para dentro;
Insere-se osso hioide através do tendão intermediário.
Anterior:
Origina-se numa fossa na superfície lingual da mandíbula, bem acima do bordo inferior
próximo da linha média;
Fibras direcionadas para baixo e para trás;
Insere-se osso hioide através do tendão intermediário (tal como o feixe posterior).
Aquando da sua contração bilateral e da fixação do hioide pelos músculos supra- e infra-
hioideus a mandíbula é abaixada e puxada para trás (retrusão) à medida que os dentes
perdem contacto;
Juntamente com os supra- e infra-hioideus, eleva o osso hioide, quando a mandíbula esta
estabilizada (função necessária para a deglutição).
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
17
Milo-hioideu (depressor)
Abaixa a mandíbula
Abaixa a mandíbula
A função mandibular não é limitada aos músculos da mastigação.
Outros músculos, como o digástrico, os supra-* e infra-hioideus**, o esternocleidomastoideu e
os cervicais posteriores, desempenham um papel importante na estabilização do crânio e
permitem os movimentos controlados da mandíbula.
*m. supra-hioideus: desde a mandíbula até ao hioide
**m. infra-hioideus: desde o hioide até à clavícula/esterno.
Agonismo VS Antagonismo
“Só são recrutadas as fibras musculares necessárias para estabilizar ou mover um osso contra
a gravidade ou outras forças resistentes ”
ARTICULAÇÃO TEMPORO-MANDIBULAR
Côndilo mandibular
Disco articular (separa os dois ossos de um contato direto)
A ATM é considerada uma articulação Bi ginglimo artrodia composta.
Bi, pois são ‘2 articulações’ (direita e esquerda)
Ginglemoidal, pois proporciona um movimento de dobradiça num plano
Artrodial, pois proporciona movimentos de deslize
Composta, pois possui um disco articular que possibilita os movimentos complexos da
articulação
18
Nota: Por definição, uma articulação composta requer, pelo menos, 3 ossos, no entanto,
apesar da ATM apenas seja constituída por 2, funcionalmente, o disco articular funciona como
um osso não calcificado (3º osso da art. composta).
O que torna a ATM uma articulação especial?
Disco articular
Compartimentação articular
Disco articular:
Composto de tecido conjuntivo denso fibroso;
Destituído de vasos sanguíneos e fibras nervosas exceto na periferia onde é ligeiramente
inervado;
Espessura:
zona intermediária (central) – mais fina
bordo anterior – mais espesso que a zona central
bordo posterior – mais espesso que a zona central e que o bordo anterior
numa vista anterior (frontal) o disco é mais espesso medialmente do que lateralmente.
Flexibilidade e adaptabilidade:
A morfologia precisa do disco é determinada pela morfologia do côndilo e da fossa
mandibular, sendo este flexível durante o movimento, podendo adaptar-se às demandas
funcionais das superfícies articulares (alterações reversíveis)
(ou seja, a atividade funcional/parafuncional obriga à adaptação morfológica – verifica-se
uma flexibilidade/elasticidade dentro de certos limites);
Caso forças destrutivas ou alterações estruturais ocorram na articulação a morfologia do
disco por ser alterada irreversivelmente (devido à ausência de fibras elásticas),
provocando mudanças mecânicas durante a função.
Compartimentação articular:
zona de tecido conjuntivo frouxo (fibroso laxo) altamente vascularizada e inervada;
a sua parte remanescente está inserida posteriormente a um grande plexo venoso, o
qual se enche de sangue quando o côndilo se move para a frente (importância ao nível
das alterações hemodinâmicas durante os movimentos)
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
19
prende o disco articular posteriormente à placa timpânica.
Inferior:
localizada no bordo inferior do tecido retrodiscal;
prende o bordo inferior do limite posterior do disco articular à margem posterior da
superfície articular do côndilo.
Inserção anterior do disco:
superiormente: margem anterior da superfície articular do temporal
inferiormente: margem anterior da superfície articular do côndilo
A existência do disco articular e suas inserções divide a ATM em duas cavidades distintas:
Superior: delimitada pela fossa mandibular e a superfície superior do disco
Inferior: delimitada pelo côndilo mandibular e a superfície inferior do disco
Estrutura
Histologia das Superfícies Articulares:
As superfícies articulares do côndilo e da fossa mandibular são compostas por 4 camadas ou
zonas distintas:
Zona articular:
Camada mais superficial, adjacente á cavidade articular, formando a superfície funcional
mais externa;
Constituída por tecido conjuntivo denso fibroso (em vez de cartilagem hialina como
acontece nas restantes articulações sinoviais);
As suas fibras são firmemente arranjadas e capazes de suportar as forças do movimento
(resistência a forças compressivas) e, geralmente, são menos suscetíveis aos efeitos do
envelhecimento e têm uma maior capacidade de reparação (do que a cartilagem
hialina);
Apresenta fibras colagénicas dispostas em feixes e orientadas quase paralelas à
superfície articular.
Zona proliferativa:
20
cartilagem articular em resposta às demandas funcionais (e a forças compressivas) das
superfícies articulares durante a carga funcional.
Zona fibrocartilaginosa:
As fibras colagénicas encontram-se arranjadas em feixes num padrão cruzado, podendo
algumas apresentar uma orientação radial;
A fibrocartilagem aparece numa orientação aleatória, dando uma cadeia tridimensional
que oferece resistência contra forças compressivas e laterais.
Zona de cartilagem calcificada:
Constituída por condrócitos e condroblastos distribuídos através da cartilagem articular;
É onde os condrócitos se tornam hipertrofiados, morrem e cujos citoplasmas são
expelidos, formando células ósseas dentro da cavidade medular a partir da morte destes
(ossificação endocondral);
Tem um lado ativo para uma atividade remodeladora, proporcionado pela superfície da
estrutura da matriz extracelular, na medida em que o crescimento ósseo endosteal
continua.
Condrócitos (que produzem o colagénio, proteoglicanos, glicoproteínas e enzimas que
formam a matriz)
Proteoglicanos:
Moléculas complexas compostas por um núcleo proteico e uma cadeia de GAGs;
Formam agregados, que constituem uma grande proteína da matriz, conectando-se a uma
cadeia de ácido hialurónico;
Entrelaçam-se através de cadeias de colagénio;
São hidrofílicos e, assim, tendem a ligar-se à água, ocorrendo uma expansão da matriz, que
por sua vez aumenta a tensão nas fibrilhas de colagénio e a pressão dos agregados
proteoglicanos (fazendo a absorção do impacto e carga articular)
Assim…
O líquido intersticial contribui para suportar a carga na articulação*.
Nutrição
As superfícies internas das cavidades são revestidas por células endoteliais
especializadas que formam a membrana sinovial;
A membrana sinovial juntamente com uma outra sinovial especializada, localizada no
bordo anterior dos tecidos retrodiscais, produz o líquido (fluido) sinovial.
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
21
Tem 2 propósitos:
Prover as necessidades metabólicas* aos tecidos das superfícies articulares
(avasculares) (intercâmbio rápido e livre entre os vasos da cápsula, o líquido e os tecidos
articulares);
Lubrificar as superfícies articulares durante a função (minimizando a fricção durante os
movimentos).
*Nota: Durante a função da articulação geram-se forças entre as superfícies articulares que
levam a que uma pequena quantidade de líquido se desloque para dentro e para fora dos
tecidos (mecanismo pelo qual ocorrem as trocas metabólicas)
A pressão externa resultante da carga articular está em equilíbrio com a pressão interna da
cartilagem articular.
Quando a carga articular aumenta o líquido intersticial extravasa para fora até que um
novo equilíbrio seja alcançado.
Quando a carga articular diminui o líquido intersticial é reabsorvido e o tecido ganha o seu
volume original.
Então…
A difusão do líquido sinovial é a principal fonte de alimentação da cartilagem articular e
depende desta ação de bombeamento durante a atividade normal (base da lubrificação
saturada)
Lubrificação
Redução do atrito
Proteção das superfícies articulares do desgaste e de aderências
A lubrificação das superfícies articulares ocorre por meio de 2 mecanismos:
1. Lubrificação periférica:
É o mecanismo primário da lubrificação articular;
Evita a fricção da articulação em movimento;
Ocorre quando a articulação se move sendo o líquido sinovial forçado de uma área da
cavidade para a outra (o líquido localizado na periferia ou áreas de recesso é forçado
para a superfície articular).
Refere-se à habilidade das superfícies articulares de absorverem uma pequena
quantidade de líquido sinovial (está então relacionada com as características hidrofílicas
dos proteoglicanos);
22
Elimina uma pequena parte da fricção durante a compressão quando a articulação não
se movimenta (podendo, assim, esta fonte de lubrificação esgotar-se caso as forças
compressivas sejam prolongadas);
(Nota: atua principalmente nas forças de compressivas – sob estas forças uma pequena
quantidade de líquido é libertado, agindo como lubrificante e evitando as aderências.
Deste modo a lubrificação ajuda a eliminar a fricção durante a compressão quando a
articulação não se movimenta.)
Inervação
A ATM é inervada pelo mesmo nervo que fornece inervação motora e sensorial aos músculos
que a controlam: n. trigémeo.
A inervação aferente é fornecida por ramos do n. mandibular* sendo a maioria da inervação
feita pelo n. aurículo-temporal** (que envolve a região posterior da articulação);
Inervação adicional pode ser fornecida pelos nervos temporal profundo** e massetérico**
*ramo terminal do n. trigémeo
**ramos terminais do n. mandibular
Vascularização
A ATM é irrigada por uma variedade de vasos sendo que os mais importantes são:
A. temporal superficial (posteriormente)
A. meníngea média (anteriormente)
A. maxilar interna (inferiormente)
Artérias auricular profunda, timpânica anterior e faríngea ascendente
O côndilo recebe irrigação vascular pela a. alveolar inferior e por outros vasos que entram
diretamente dentro da cabeça condilar (anterior e posteriormente)
Biomecânica
Complexidade do sistema articular da ATM:
O facto de duas ATMs estarem conectadas pelo mesmo osso (mandíbula) complica bastante a
função de todo o SE, pois cada uma das articulações pode, ao mesmo tempo, agir de forma
diferente e separadamente mas não completamente sem alguma influência uma da outra
(duas articulações que funcionam em sinergia).
Ideias-Chave da Biomecânica da ATM (retirado da aula)
! O disco articular constitui o 3º osso (não calcificado da ATM);
OKESON – CAPÍTULO 1: ANATOMIA FUNCIONAL E BIOMECÂNICA DO S.E.
23
! A ATM consiste em 2 articulações individualizadas com cavidades articulares separadas;
! Observam-se diferentes movimentos em cada uma das cavidades articulares: rotação na
cavidade superior (complexo côndilo-disco) e translação na cavidade inferior (complexo
côndilo-disco com a fossa mandibular);
! O disco articular possibilita, ainda, a manutenção do contacto intimo entre as superfícies
articulares (papel importante do tónus muscular);
! Verifica-se um controlo do espaço discal, mediante a pressão interarticular;
! Durante o encerramento, há uma limitação do movimento anterior do disco pela lâmina
retrodiscal superior (fibras elásticas) e retração posterior do disco
! No movimento de encerramento e mordida forçada, há uma tração antero-medial do
disco pela inserção do músculo pterigoideu lateral superior no bordo anterior
! O movimento da ATM e do disco articular está dependente da atividade dos músculos
mastigadores e do equilíbrio entre pressão interarticular, tensão da lâmina retrodiscal
superior e tração do músculo pterigoideu lateral superior
Notas:
No estudo da biomecânica da ATM, e importante não esquecer:
1. Os ligamentos não participam ativamente na função normal da ATM
Agem como guias, restringindo certos movimentos da articulação e permitindo outros;
Esta restrição pode ser feita de 2 formas:
Mecanicamente;
O estiramento implica a habilidade de retornar ao comprimento original;
Caso uma força de tração seja aplicada, os ligamentos tornam-se alongados (aumentam
o comprimento) podendo, então comprometer a função articular.
3. As superfícies articulares da ATM devem ser mantidas em contato constantemente
Este contato é produzido pelos músculos que tracionam a articulação (elevadores)
Temporal;
Masséter;
26
Sistema Neuromuscular: Sistema composto por nervos e músculos que permite responsável
por um controlo neurológico altamente refinado que regula e coordena as atividades de todo
o sistema estomatognático.
MÚSCULOS
Constitui o componente básico do sistema neuromuscular;
Composta por numerosas fibras musculares inervadas por um neurónio motor, este por sua
vez ligado a elas através da placa motora;
O mesmo neurónio motor pode inervar várias fibras, sendo este número determinado pela
função da unidade motora (isto é, o nº de fibras inervadas por um único neurónio motor
varia de acordo com a função da unidade motora)
Quanto menos fibras por neurónio mais preciso é o movimento.
Ex:
m. pterigoideu lateral inferior: proporção relativamente baixa de fibras por neurónio, o
que o torna capaz de precisos ajustes;
m. masséter: maior número de fibras por neurónio, o que se adapta à sua função mais
grosseira (produzir força para a mastigação)
A placa motora liberta, quando o neurónio é ativado, pequenas quantidades de acetilcolina o
que inicia a despolarização das fibras musculares, o que resulta no seu encurtamento ou
contração;
O músculo
Conjunto de milhares de unidades motoras juntamente com vasos sanguíneos e nervos
interligados por tecido conjuntivo e fáscia;
Os músculos são necessários para compensar o peso e desequilíbrio da massa dos
componentes esqueléticos da cabeça e do pescoço;
Contração Muscular – Componentes
Sarcolema: membrana celular excitável, que delimita a fibra muscular, capaz de desencadear
e propagar potenciais de ação
Tubos-T: invaginações que se estendem até às regiões centrais da fibra muscular
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
27
Reticulo sarcoplasmático: estrutura de armazenamento de iões cálcio, que faz a associação
entre a excitação da fibra e a atividade contrátil
Miofilamentos proteicos: dispostos sequencialmente ao longo do comprimento da fibra,
formando as miofibrilas, cuja unidade básica é o sarcómero
Sarcómeros: estruturas responsáveis pela produção metabólica de energia, formadas por
diferentes tipos de miofilamentos (finos; espessos – no centro, rodeados pelos finos)
Miofilamentos finos: compostos por 3 proteínas diferentes:
Actina: filamento em dupla hélice
Tropomiosina: segue a forma da actina (2 moléculas ocupam o espaço dos sulcos formados
pela cadeia de actina, inativando-a e impedindo a ligação à miosina)
Troponinas: sensíveis ao cálcio, o que leva a alterações no complexo quando a [ ] deste
aumenta no citosol
Miofilamentos espessos: formados pela miosina, e ao sofrer proteólise divide-se em duas
porções:
HMM (meromiosina pesada) – é depois dividida em S1 e S2.
(S1 representa o local ativo de ligação à actina e o local que serve de união à molécula de
ATP que catalisa a sua hidrólise; liga-se reversivelmente à actina na presença de iões cálcio)
Contração Muscular – Etapas:
2. Acoplamento excitação/contração
Conjunto de mecanismos que desencadeia a atividade das proteínas contráteis, em
resposta à excitação da fibra muscular:
Potencial de ação –(Tubos-T)–> Retículo sarcoplasmático ––> Abertura dos canais de
cálcio –(aumento da [cálcio] citosólico)–> União cálcio-troponina –(alteração da forma
da tropomiosina)–> Ligação actina-miosina
3. Ciclo das pontes cruzadas
Interação entre a actina e a S1 da miosina, que juntos formam complexos actina-miosina
Ocorre:
Deslizamento entre os filamentos finos e espessos
4. Relaxamento muscular
A unidade motora desempenha somente uma ação: contração ou encurtamento
O músculo inteiro tem três funções potenciais:
Contração isotónica/concêntrica
Há um encurtamento muscular durante a contração;
A força gerada pelo músculo é menor que a força máxima;
Tipo de encurtamento sob carga constante, aquando da estimulação de um
grande número de unidades motoras (há uma contração generalizada do
músculo);
28
Ocorre, i.e., no masséter quando a mandíbula é elevada, forçando os dentes
através do bolo alimentar.
Tipo de contração sem encurtamento (ou seja, o comprimento muscular
mantém-se constante durante a contração), aquando da contração de um número
apropriado de unidades motoras em oposição a uma força aplicada;
Tem a função de segurar ou estabilizar a mandíbula;
Ocorre, i.e., no masséter quando um objeto é mantido entre os dentes.
Relaxamento controlado
Estiramento muscular preciso que ocorre pelo controle da diminuição da
estimulação da unidade motora (ou quando o estímulo da unidade motora é
interrompido), provocando o relaxamento das fibras desta e o seu retorno ao
comprimento normal;
Permite movimentos suaves e deliberados;
Ocorre, i.e., no masséter quando a boca abre para receber novo bolo alimentar
para a mastigação.
Aquando do uso destas três funções, os músculos da cabeça e do pescoço mantêm a cabeça
numa posição desejável constante;
Mesmo durante os menores movimentos, cada músculo atua em harmonia com os outros
para desempenhar o movimento desejável:
Por exemplo, na rotação da cabeça, enquanto alguns músculos devem encurtar
(contração isotónica), outros devem relaxar (relaxamento controlado) e outros ainda
devem estabilizar ou manter certas relações (contração isométrica)
Contração excêntrica:
Tipo de contração que se refere ao alongamento de um músculo ao mesmo tempo que
está a contrair (ou seja, apesar de o músculo estar contraído, existe distensão);
Não existe encurtamento real;
Ex: movimento de chicote (extensão-flexão) durante um acidente.
ESTRUTURAS NEUROLÓGICAS
Constitui a unidade estrutural básica do sistema nervoso;
Composto de uma massa de protoplasma (corpo) e de processos protoplasmáticos derivados
desta (dendrites e axónio);
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
29
Na substância cinzenta do SNC (quando localizados na medula espinhal);
Agrupados em gânglios (quando encontrados fora do SNC).
O axónio constitui o núcleo central que forma a parte essencial da transmissão de um
neurónio, sendo uma extensão do citoplasma deste.
Pode formar a fibra de um nervo, quando agrupado com outros neurónios;
Capaz de transferir impulsos elétricos e químicos, através dos seus eixos, permitindo a igual
passagem de informação para dentro e para fora do SNC.
Neurónio aferente: conduz o impulso nervoso em direção ao SNC
Neurónio eferente: conduz o impulso nervoso perifericamente
Interneurónio: permanece completamente dentro do SNC
Neurónios sensoriais/recetores:
Neurónios motores:
Neurónios de 2ª e 3ª ordem: interneurónios
Sinapse:
Junção na qual os processos de dois neurónios estão em estreita proximidade;
É onde ocorre a transmissão do impulso nervoso;
Todas as sinapses aferentes localizam-se dentro da substância cinzenta do SNC
(logo, não há conexões periféricas entre fibras sensoriais)
A transmissão periférica de um impulso sensorial de uma fibra para a outra é anormal.
Informação oriunda de tecidos fora do SNC precisa de ser transferida para este e para os
centros superiores no tronco encefálico e no córtex;
No córtex, a informação é interpretada e avaliada;
Após a avaliação, os centros superiores enviam impulsos descendentes para a medula
espinhal e de volta à periferia, para um órgão eferente a fim de realizar a ação desejada.
Mais precisamente:
O neurónio aferente primário recebe estímulos do recetor sensorial e conduz o impulso para
dentro do SNC através da raiz posterior;
(nota: os corpos celulares destes neurónios localizam-se nos gânglios da raiz posterior)
No corno posterior da medula espinhal, o neurónio primário faz sinapse com um neurónio
secundário;
O neurónio secundário, depois, conduz o impulso através da medula espinhal para o trato
espino-talâmico antero-lateral, ascendendo para os centros superiores;
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
30
Vários interneurónios podem estar envolvidos na transferência do impulso do tálamo para o
córtex;
Pode haver também interneurónios, localizados no corno posterior, que se envolvam com o
impulso durante a sinapse;
Alguns destes neurónios podem fazer sinapse diretamente com o neurónio eferente por
meio da raiz anterior, para estimular um órgão eferente.
Tronco encefálico e cérebro
Núcleo do trato espinhal
No caso de estímulos na face ou cavidade oral, o papel de neurónio aferente primário é
realizado pelo nervo trigémeo;
No entanto, o trigémeo conduz o impulso para dentro, diretamente no tronco encefálico na
região da ponte;
(nota: os corpos celulares dos neurónios aferentes do trigémeo localizam-se no grande
gânglio glasseriano)
Núcleo sensorial principal do trigémeo
Núcleo motor do trigémeo (envolvido na interpretação de impulsos que demandam
respostas motora, como atividades reflexas da face)
Núcleo do trato espinhal do trigémeo
O trato espinhal, por sua vez, está dividido em:
Subnúcleo oral: área significativa do complexo para mecanismos de dor oral
Subnúcleo interpolar
Formação reticular
Porção do tronco encefálico pela qual os interneurónios passam aquando da sua ascensão
para transmitirem o impulso aos centros superiores (após a sinapse no núcleo do trato
espinhal);
31
Apresenta no seu interior concentrações de células ou núcleos que representam “centros”
para várias funções;
Monitorização dos impulsos que entram no tronco encefálico;
Controla as atividades no cérebro, intensificando ou inibindo os impulsos neste;
Tem uma influência importante na dor e noutros impulsos sensoriais.
Tálamo
Localizado no verdadeiro centro do cérebro, circundado por este acima e lateralmente e pelo
mesencéfalo abaixo;
Formado por numerosos núcleos que funcionam em conjunto para interromper impulsos;
Local onde quase todos os impulsos da região abaixo do cérebro são substituídos por
sinapses, antes de continuarem para o córtex;
Age como uma estação de mudança para muitas das comunicações entre o tronco
encefálico, o cérebro e o cerebelo;
Avalia os impulsos e dirige-os para regiões apropriadas dos centros superiores, para serem
interpretados e originar-se uma resposta.
Hipotálamo
Principal centro do cérebro para controlar funções internas do corpo (temperatura, fome,
sede…);
A sua estimulação excita o sistema nervoso simpático por todo o corpo, aumentando o nível
da atividade de muitas partes internas, especialmente do coração causando a constrição dos
vasos;
Estruturas límbicas
O sistema límbico compreende as estruturas limite do cérebro e o diencéfalo;
Funcionam no sentido de controlar as atividades emocionais e comportamentais;
No seu interior encontram-se centros ou núcleos responsáveis por comportamentos
específicos como a raiva, violência e simpatia;
Controlam emoções como depressão ansiedade e paranoia;
Constituem um centro de dor/prazer que, instintivamente, conduz o indivíduo em direção a
comportamentos que estimulam o lado de prazer;
Porções destas estruturas parecem interagir e desenvolver associações com o córtex,
coordenando assim as funções do comportamento consciente do cérebro e subconsciente do
sistema límbico mais profundo;
quando conduzidos para o hipotálamo, modificar funções corpóreas internas controladas
por este;
32
quando distribuídas no mesencéfalo e na medula, controlar comportamentos como sono,
insónia, excitação e atenção.
Formado predominantemente por matéria cinzenta;
Porção do cérebro mais associada com o processo de pensamento, ainda que incapaz de o
criar sem a ação simultânea das estruturas mais profundas;
Região de armazenamento de praticamente todas as recordações;
Área mais responsável pelo adquirir de muitas habilidades musculares;
Diferentes regiões do córtex têm diferentes funções:
Área motora: envolvida primariamente com a função motora de coordenação;
Área sensorial: recebe os impulsos somato-sensoriais para avaliação;
Outras áreas para sentidos especiais (área visual, área auditiva…)
Recetores sensoriais
Recetores sensoriais: estruturas neurológicas ou órgãos, localizados em todos os tecidos do
corpo, que fornecem informação acerca do estado desses tecidos ao SNC através de neurónios
aferentes.
Capsulados / não capsulados (mais sensíveis ao estímulo)
Adaptáveis (quando a partir de um certo nível de estimulação deixam de ser sensíveis ao
estímulo) / não adaptáveis;
Propriocetores: recetores que fornecem informação a respeito da posição e movimentação da
mandíbula e das estruturas orais associadas.
Interoceptores: recetores que conduzem informação sobre o estado de órgãos internos.
A constante informação, recebida a partir destes recetores, permite ao córtex e ao tronco
encefálico coordenar a ação de músculos individuais ou de grupos de músculos para gerar
respostas apropriadas no indivíduo.
1. Fusos neuromusculares (não adaptável, nos músculos)
2. Órgãos tendinosos de Golgi (mecanorrecetores de adaptação lenta, nos tendões)
3. Corpúsculos de Pacini (barorrecetores adaptáveis, na ATM, ligamentos, derme, tecido
celular subcutâneo, tendões e periósteo)
4. Nociceptores (não adaptável, em todos os tecidos do SE)
1. Fusos Neuromusculares
Os músculos esqueléticos consistem em 2 tipos de fibras musculares:
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
33
Extrafusais
Contráteis;
Intrafusais
Fibras em saco nuclear:
Núcleos dispostos ao longo do equador da fibra;
Responsáveis pela contração lenta – manutenção do tónus
Fibras em cadeia nuclear:
Núcleos dispersos pela fibra;
Responsáveis pela contração brusca – “twitch”
Existem 2 tipos de nervos aferentes que suprem as fibras intrafusais:
São classificados de acordo com o seu diâmetro
(fibras com maior diâmetro conduzem os impulsos com maior velocidade e têm limiares
mais baixos);
Consideradas terminações primárias (ou anuloespirais).
Fibras II (A-β)
Consideradas terminações secundárias (ou em inflorescência) ou espargidas ou
rociadas.
Fibras eferentes γ:
Originam-se no SNC;
Provocam a contração das fibras intrafusais (quando estimuladas);
Quando as fibras intrafusais se contraem, as cadeias e sacos nucleares são estirados, o
que é interpretado como estiramento do músculo inteiro (e a atividade aferente inicia-
se)
Fibras eferentes α:
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
34
Então…
Fuso neuromuscular: grupo de fibras musculares intrafusais unidas por um invólucro de tecido
conjuntivo.
Atua, do ponto de vista funcional, como um sistema monitor de alongamento;
Informa constantemente o SNC sobre o estado de alongamento ou contração do músculo;
Dispostos através do músculo e alinhados paralelamente às fibras extrafusais*
Dentro de cada fuso, os núcleos de fibras intrafusais estão dispostos de 2 formas: como
coluna (tipo de coluna nuclear) ou agrupados no centro (tipo de saco nuclear)
*devido a esta distribuição das fibras intrafusais do fuso, quando o músculo estira, estas
estiram também.
Este estiramento:
ativa as terminações anuloespirais ou em inflorescência, sendo estes impulsos neurais
levados para o SNC pelos neurónios aferentes.
Existem, então, duas maneiras pelas quais as fibras aferentes dos feixes musculares podem ser
ativadas:
Estiramento generalizado do músculo inteiro (fibras extrafusais);
Contração das fibras intrafusais através das γ eferentes (pois as intrafusais quando se
contraem levam ao estiramento das áreas da coluna e saco nuclear, o que é interpretado
como um estiramento do músculo inteiro)
Assim, de uma maneira geral…
Quando um músculo é distendido repentinamente, tanto as suas fibras intrafusais como as
extrafusais alongam-se;
O alongamento do fuso estimula as terminações dos nervos aferentes do grupo I e II em
direção ao SNC;
Por outro lado, quando os neurónios eferentes α são estimulados as fibras extrafusais
contraem e o fuso encurta;
A estimulação das fibras eferentes γ também encurta o fuso por fazer contrair as fibras
intrafusais
(possibilita a atividade do fuso mesmo quando o músculo esta contraído);
O sistema eferente γ, apesar de não ter o seu mecanismo bem compreendido no SE:
Ajuda a manter a contração muscular;
Atua como um mecanismo sensibilizador dos fusos neuromusculares;
Age como um mecanismo propensor que altera o início de atividade do fuso neuromuscular
2. Órgãos Tendinosos de Golgi
Mecanorrecetor capsulado de adaptação lenta
Localizados no tendão muscular, entre as fibras musculares e as suas inserções no osso;
Consistem numa fina cápsula fibrosa que envolve um conjunto de fibras nervosas
mielinizadas que se ramificam e inserem entre as fibras colagénicas dos tendões;
Aparecem em série com as fibras musculares extrafusais;
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
35
As fibras eferentes entram mais ou menos a meio do órgão e espalham-se por toda a
extensão das fibras musculares;
São estimulados tanto pela contração como pelo estiramento completo do músculo (tensão
no tendão);
Muito sensitivos e ativos na regulação do reflexo durante a função normal;
Monitorizam a tensão enquanto os fusos neuromusculares primariamente controlam o
estiramento muscular.
Órgãos grandes ovais formados por lamelas concêntricas de tecido conjuntivo;
Amplamente distribuídos mas frequentemente localizados nas articulações (razão pela qual
são considerados responsáveis principalmente pela perceção do movimento e da pressão
firme – não do toque leve);
No seu centro encontra-se um núcleo que contém a terminação de uma fibra nervosa,
sendo que a pressão feita nos tecidos deformam o órgão estimula a fibra nervosa.
4. Nociceptores
São estimulados por dano/lesão e transmitem esta informação ao SNC através de fibras
aferentes;
Funcionam primariamente para controlar a condição posição e movimento dos tecidos do SE;
Em presença de condições potencialmente perigosas ou que causem dano ao tecido, enviam
a informação a SNC como sensações de desconforto ou dor.
Existem diversos tipos de acordo com o estímulo a que reagem:
De resposta a estímulos nocivos mecânicos e térmicos;
De resposta a estímulos táteis e lesões nocivas
De resposta a toques leves, pressão ou contacto do cabelo na face (baixo limiar) –
também chamados de mecanorrecetores
Função dos recetores sensoriais
O equilíbrio dinâmico dos músculos da cabeça e do pescoço é possível através do estímulo de
vários recetores sensoriais.
Fusos musculares e órgãos tendinosos de Golgi: controlam a contração ativa do músculo
Corpúsculos de Pacini: estimulados pelo movimento das articulações e dos tendões
Todos os recetores sensoriais fornecem continuamente impulsos ao SNC.
Tronco encefálico e tálamo: monitorizam e regulam as atividades do corpo (informação
acerca da homeostase normal)
Córtex: não participa do processo regulador
(no entanto, se um estimulo tiver consequências significativas, o tálamo passa a informação
ao córtex para uma avaliação consciente e decisão).
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
36
Atividade reflexa
Constitui a reposta resultante de um estímulo que passa como impulso ao neurónio aferente
e vai até à raiz posterior do nervo espinhal (ou equivalente craniano) onde é, então,
transmitido a um neurónio eferente que o leva de volta ao músculo esquelético;
Esta resposta, apesar de passar pelos centros superiores, é independente da vontade;
Ocorre sem a influência do córtex ou tronco encefálico.
A ação reflexa pode ser:
Monossináptica: quando uma fibra aferente estimula diretamente a fibra eferente do SNC
Polissináptica: quando o neurónio aferente estimula um ou mais interneurónios do SNC,
que por sua vez estimulam as fibras nervosas eferentes
Duas ações reflexas são importantes para o SE:
1. Reflexo miotático
2. Reflexo nociceptivo
Reflexo miotático (estiramento)
É o único reflexo mandibular monossináptico;
É iniciado quando um músculo esquelético é estirado repentinamente, gerando a contração
deste (atividade eferente α);
Ex: m. masséter (força repentina para baixo aplicada no queixo)
Enquanto os fusos musculares estiram repentinamente os fusos neuromusculares geram
uma atividade nervosa aferente;
Os impulsos gerados passam do tronco encefálico para o núcleo motor do trigémeo,
passando pelo núcleo mesencefálico do trigémeo onde se encontram os corpos celulares
das células primárias aferentes;
As fibras aferentes Iα fazem sinapse com os neurónios eferentes α, dirigindo-se de volta as
fibras extrafusais do masséter;
Esta sinapse resulta na contração do músculo, que eleva a mandibula causando o contacto
dos dentes.
Importante na determinação da posição de descanso da mandibula (principal determinante
do tónus muscular);
Tónus muscular: estado médio de contração dos músculos elevadores (e outros) que evita o
abaixamento da mandibula e a separação das superfícies articulares por ação da gravidade.
O reflexo miotático é um importante determinante do tónus muscular dos m. elevadores.
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
37
Enquanto a gravidade puxa a mandibula para baixo, os elevadores estão passivamente
estirados, o que gera também o estiramento dos feixes musculares;
Esta informação é reflexamente transferida, a partir dos neurónios que se originam no
fuso, para os neurónios motores α que retornam as fibras extrafusais dos elevadores;
Assim, o estiramento passivo provoca uma contração reacionária que alivia o estiramento
do fuso neuromuscular.
O reflexo miotático e o tónus muscular podem ser influenciados por:
Impulsos aferentes de outros recetores sensoriais como o da pele ou da mucosa oral;
Centros superiores (através do sistema fusimotor)*
*Os centros superiores podem utilizar o sistema fusimotor para alterar a sensibilidade do
reflexo miotático.
O córtex e o tronco encefálico geram um aumento da atividade eferente γ para as fibras do
fuso;
À medida que esta atividade aumenta, as fibras intrafusais contraem-se, provocando um
estiramento parcial das áreas de coluna e saco nuclear.
Com isto, a quantidade de estiramento necessário para o músculo, antes que a atividade
aferente do feixe seja ativada, diminui.
Assim:
Um aumento na atividade eferente γ aumenta a sensibilidade dos feixes musculares em
estirar-se (reflexo miotático)
Reflexo nociceptivo (flexor)
Ex: objeto resistente encontrado na mastigação
Este reflexo torna-se ativo quando um repentino estímulo nocivo é gerado pelo objeto
no(s) dentes(s), sobrecarregando as estruturas periodontais;
As fibras do nervo aferente primário conduzem a informação para o núcleo do trato
espinhal do trigémeo, onde fazem sinapse com os interneurónios;
Os interneurónios enviam a informação para o núcleo motor do trigémeo;
A resposta motora é executada coordenando a atividade de vários grupos de músculos:
Os músculos elevadores são inibidos (relaxam) para prevenir um maior encerramento
mandibular sobre o objeto duro;
Os músculos de abertura da mandíbula são ativados (contraem-se) para evitar danos
potenciais sobre os dentes
Para desencadear esta resposta, duas ações distintas ocorrem, quando a informação
aferente dos recetores sensoriais alcança os interneurónios:
Estimulação de neurónios excitatórios (que se dirigem para os neurónios eferentes
no núcleo motor do trigémeo dos músculos de abertura da mandibula)
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
38
Estimulação de neurónios inibidores (que se dirigem para os neurónios eferentes no
núcleo motor do trigémeo dos músculos elevadores da mandibula)
Resultado final: a mandíbula desce rapidamente e os dentes são afastados do objeto que
causou o estímulo nocivo.
Este processo é chamado de inibição antagónica, ocorrendo em muitas das ações reflexas
nociceptivas do corpo.
Em suma:
O reflexo miotático protege o SE do repentino estiramento de um músculo;
O reflexo nociceptivo protege os dentes e as estruturas de suporte dos danos criados por
uma força súbita muito pesada.
Inervação recíproca
Mecanismo de controlo neurológico para grupos musculares antagónicos;
Importante para o funcionamento diário do corpo e para o tónus muscular;
Permite um controlo exato e suave do movimento mandibular;
Para um equilíbrio muscular da cabeça:
Cada músculo que sustenta a cabeça e em parte controla a função tem um antagonista que
contrabalança esta atividade;
Para a abaixar:
Elevadores devem relaxar e distender.
Tónus muscular
Para se manter a relação esquelética do crânio, mandíbula e pescoço, cada grupo antagónico
de músculos deve permanecer num estado constante de tónus muscular.
Músculos que se encontrem totalmente contraídos ativam muitas fibras musculares as
quais podem comprometer o fluxo do sangue, resultando em fadiga e dor;
Em contraste, o tónus do músculo requer a contração de um número mínimo de fibras,
estando estas constantemente a ser revezadas, o que permite um fluxo adequado de
sangue e não produz fadiga.
Assim, o tónus muscular:
Consiste numa contração ligeira e permanente do músculo em repouso;
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
39
Permite uma resistência passiva do músculo ao estiramento;
Requer a contração de um número mínimo de fibras, sendo estas constantemente revezadas
Permite o correto fluxo sanguíneo e não produz fadiga;
É alterado por vários factores:
Aprendizagem
Relaxamento mental
Posição corporal
Alterações bioquímicas/hormonais
Centros medulares (através de impulsos vindos de outros grupos musculares e recetores
cutâneos)
Posição Postural
É uma posição mandibular em que não existe atividade de mastigação, deglutição ou fonação
e em que não ocorre contacto entre os dentes das duas arcadas;
Na posição postural mandibular o espaço existente entre as superfícies oclusais apresentam
aproximadamente 1-3mm
Fatores psicogénicos
Alterações oclusais
Sensibilidade muscular
O córtex, com influência do tálamo, hipotálamo, formação reticular, estruturas límbicas e
GPC determina a ação a ser tomada, em termos de direção e intensidade;
Esta ação é frequentemente automática, embora seja consciente;
Estados emocionais:
Na ausência de um estado significativo, a ação é normalmente previsível e acompanha a
tarefa eficientemente;
Em caso de altos níveis (medo, ansiedade, frustração e raiva) podem ocorrer as seguintes
principais modificações da atividade do músculo:
1.
Um aumento no stress emocional excita as estruturas límbicas e hipotálamo, ativando
o sistema γ eferente;
Esta atividade do sistema aumentada induz a contração das fibras intrafusais o que
resulta num estiramento parcial das regiões sensoriais dos fusos do músculo;
Aquando deste estiramento parcial, menor o estiramento total necessário para
desenvolver uma ação reflexa, o que afeta o reflexo miotático e resulta num aumento
do tónus muscular;
40
Assim, os músculos tornam-se mais sensíveis a estímulos externos, os quais induzem a
uma maior tonicidade do músculo;
Estas condições conduzem a um aumento da pressão intra-articular da ATM.
2.
A atividade γ eferente aumentada pode também aumentar o total de atividade
irrelevante do músculo;
A formação reticular, com influência do sistema límbico e hipotálamo, pode gerar uma
atividade adicional do músculo, não relacionada com a realização de uma tarefa
específica;
Muitas dessas atividades assumem o papel de hábitos nervosos como morder as
unhas ou lápis, apertar os dentes ou bruxismo.
Funções Principais do Sistema Estomatognático
Funções principais do SE:
Funções secundárias: auxílio na respiração e expressão de emoções (expressão facial)
MASTIGAÇÃO
Representa o estágio inicial da digestão, quando a comida é dividida em pequenos pedaços
(sendo, portanto, o ato de mastigar os alimentos);
Precede a deglutição;
orais), dentes, ATM, estruturas periodontais de suporte, lábios, língua, palato e glândulas
salivares;
Utiliza a sensação do paladar, tato e olfato;
É, na maioria das vezes, uma ação prazerosa e pode ter um efeito relaxante que diminui o
tónus muscular e atividades extenuantes;
É uma atividade funcional geralmente automática e praticamente involuntária (no entanto,
se necessário pode ser utilizada sob controlo voluntário)
Nota: músculos da mastigação
O temporal é o músculo mais activo na mastigação.
O masséter está activo quando existe alimento interposto na região molar (sendo quase
inativo quando sem alimento)
41
Kinesiografia:
Permite estabelecer traçados nos 3 planos do espaço para movimentos mastigatórios
Quantifica a amplitude e a velocidade dos movimentos
Gnatofotografia:
Permite obter registos dos movimentos mandibulares e possibilita visualizar as alterações
feitas durante um tratamento reabilitador
Começa a ORC, passa a MIC, protrusão, abertura máxima e encerramento
Permite avaliar a intensidade dos traçados e a dificuldade para realizar movimentos e a
amplitude dos mesmos:
O movimento da mastigação
A mastigação é composta por movimentos rítmicos e movimentos bem controlados dos
dentes superiores e inferiores, ou seja, é um movimento tridimensional resultante da
conjugação de movimentos de abertura, encerramento, lateralidade, protrusão e retrusão;
Força de mastigação: corresponde a cada movimento de abertura e encerramento realizado
pela mandíbula
Plano Frontal
Plano Horizontal
Sequência do movimento de mordida, observando a mandíbula de um plano frontal:
Fase de abertura:
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
42
A partir da posição de intercuspidação, a mandíbula desce até um pontos onde os bordos
incisais dos dentes se encontram a uma distância de 16-18mm;
Daí, movimenta-se lateralmente 5-6mm da linha média, conforme o encerramento toma
início.
Intervenientes:
Quando ocorre contacto dos molares começa a atividade do masséter e pterigoideu medial
Sem alimento interposto a atividade é quase exclusiva das fibras verticais do temporal
1ª etapa: fase de amassamento
Quando a comida está segura pelos dentes;
Os dentes aproximam-se, diminuindo o deslocamento lateral, até ficarem a uma distância
de 3mm, ponto em que a mandíbula fica a 3-4mm para lateral da posição de início da
mordida;
2ª etapa: fase de trituração
Mandíbula é dirigida pelas superfícies oclusais de volta a posição de intercuspidação;
Durante este movimento, as vertentes das cúspides cruzam-se permitindo o corte e a
trituração do alimento.
Movimentos de lateralidade
Movimentos protrusivos
Relaxamento das fibras do temporal
Contacto dos dentes
Estudos anteriores afirmam que, durante a mastigação, os dentes não se contactam devido:
À interposição do alimento entre os dentes;
Resposta rápida do sistema neuromuscular.
No entanto…
Menor quando o alimento é levado à boca (inicialmente)
Aumentado à medida que o bolo alimentar é dividido
Maior nos estágios finais da mastigação, pouco antes da deglutição, ocorrendo contacto a
cada mordida.
OKESON – CAPÍTULO 2: NEUROANATOMIA FUNCIONAL E FISIOLÓGICA DO S.E.
43
Forças de mastigação
A força máxima de mordida (que pode ir até aos 443 kg) varia de indivíduo para indivíduo, no
entanto, estudos mostram que esta:
É maior nos homens (53,6 – 64,4 kg) do que nas mulheres (35,8 – 44,9 kg);
Aplicada por um molar (41,3 – 89,9 kg) é, geralmente, muito maior do que a aplicada por
um incisivo (13,2 – 23,1 kg);
Parece aumentar com a idade até à adolescência;
Pode ser aumentada com a prática e exercícios (uma dieta com uma alta percentagem de
alimentos duros desenvolve a força de mordida);
Varia com as relações esqueléticas faciais (pessoas com divergências entre a mandíbula e
a maxila não têm a mesma força nos dentes como pessoas cujos arcos dentários são
relativamente paralelos)
Durante a mastigação:
A maior quantidade de força é aplicada na região do 1º molar, sendo que com alimentos
mais duros a mastigação ocorre predominantemente nas áreas do 1º molar e 2º pré-molar;
A mordida de indivíduos com próteses totais é apenas ¼ da dos indivíduos com dentes
naturais.
Lábios:
Guiam e controlam a ingestão, à medida que o alimento é colocado na boca;
Encerram a cavidade oral;
Língua:
Distribui o alimento dentro da cavidade oral;
Inicia o processo de divisão do alimento apertando-o contra o palato duro;
Empurra o alimento para as superfícies oclusais para este ser amassado e dividido
(enquanto a língua atua do lado lingual, o músculo bucinador desempenha a mesma tarefa
do lado vestibular);
Limpa os dentes, removendo alguns resíduos de comida que tenham ficado aderidos à
cavidade oral.
Ciclo Mastigatório
A mastigação pode ser encarada como função autónoma com u