sebenta farmacologia

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 Farmacocinéticaasmadiuréticosv armacocinéticaasmadiuréticosv armacocinéticaasmadiuréticosv armacocinéticaasmadiuréticosv iaoralfarmacodinâmicaantagonis iaoralfarmacodinâmicaantagonis iaoralfarmacodinâmicaantagonis iaoralfarmacodinâmicaantagonis moaldosteronaIECAsalbutamolre moaldosteronaIECAsalbutamolre moaldosteronaIECAsalbutamolre moaldosteronaIECAsalbutamolre ninaDPOCtiazidasanálogosvacin ninaDPOCtiazidasanálogosvacin ninaDPOCtiazidasanálogosvacin ninaDPOCtiazidasanálogosvacin asinflamaçãonociceptorhiperten asinflamaçãonociceptorhiperten asinflamaçãonociceptorhiperten asinflamaçãonociceptorhiperten sãobroncospasmohormonascorti sãobroncospasmohormonascorti sãobroncospasmohormonascorti sãobroncospasmohormonascorti cósteróidesanestésicosgeraisinib cósteróidesanestésicosgeraisinib cósteróidesanestésicosgeraisinib cósteróidesanestésicosgeraisinib idoresexcreçãoneutropéniacasca idoresexcreçãoneutropéniacasca idoresexcreçãoneutropéniacasca idoresexcreçãoneutropéniacasca tadecoagulação tadecoagulação tadecoagulação tadecoagulaçãoGABA GABA GABA GABAalcalóidesd lcalóidesd lcalóidesd lcalóidesd avincaverapamilometoclopamida avincaverapamilometoclopamida avincaverapamilometoclopamida avincaverapamilometoclopamida diabetesfarmacoterapialidocaína diabetesfarmacoterapialidocaína diabetesfarmacoterapialidocaína diabetesfarmacoterapialidocaína varfarinaglucagonglucocorticóid varfarinaglucagonglucocorticóid varfarinaglucagonglucocorticóid varfarinaglucagonglucocorticóid esbecloemtasonaexcipienteefeit esbecloemtasonaexcipienteefeit esbecloemtasonaexcipienteefeit esbecloemtasonaexcipienteefeit osadversosteratogénicobenzodia osadversosteratogénicobenzodia osadversosteratogénicobenzodia osadversosteratogénicobenzodia zepinasparentérica zepinasparentérica zepinasparentérica zepinasparentéricaanfotericinaB anfotericinaB anfotericinaB anfotericinaB  Farmacologia e terapêutica medicamentosa Sebenta CLE 2012-2016 Inês Sofia Ramalho nº4933 Raquel Caramelo nº5349 Rita Puppe nº4961 Victória Esquível nº Hugo Sargaço Escola Superior De Enfermagem de Lisboa

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    Farmacologia e teraputica medicamentosa

    Sebenta

    CLE 2012-2016

    Ins Sofia Ramalho n4933 Raquel Caramelo n5349 Rita Puppe n4961 Victria Esquvel n Hugo Sargao

    Escola Superior De Enfermagem de Lisboa

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    I. Introduo farmacologia

    1. Conceitos introdutrios

    Farmacologia:Farmacologia:Farmacologia:Farmacologia: ramo da cincia que estuda os frmacos

    Vasto leque de conhecimentos:

    Origem dos frmacos

    Aces que provocam no corpo humano e mecanismos pelos quais actuam

    Frmaco:Frmaco:Frmaco:Frmaco: agente qumico que modifica as funes dos seres vivos

    Medicamento:Medicamento:Medicamento:Medicamento: Toda a substncia ou associao de substncias apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenas em seres humanos ou dos seus sintomas ou

    que possa ser utilizada ou administrada no ser humano com vista a estabelecer um diagnstico

    mdico ou,

    MatriaMatriaMatriaMatria----prima:prima:prima:prima: qualquer substncia, activa ou no, e qualquer que seja a sua origem, empregue na produo de um medicamento, quer permanea inaltervel, quer se modifique

    ou desaparea no decurso do processo (Decreto de Lei)

    Excipiente:Excipiente:Excipiente:Excipiente: qualquer matria-prima que, includa nas formas farmacuticas, se junte s substncias activas ou suas associaes para servir-lhes de veculo, possibilitar a sua

    preparao ou estabilidade, modificar as suas propriedades organolpticas1 ou determinar as

    propriedades fsico-qumicas do medicamento e a sua biodisponibilidade (Decreto de Lei)

    Medicamento: substncia activa + excipientes

    Os medicamentos podem ter vrios excipientes. As formulaes lquidas tm muitos

    excipientes.

    DCI:DCI:DCI:DCI: denominao comum internacional recomendada pela OMS para substncias activas de medicamentos, de acordo com regras definidas e que no pode ser objecto de registo de

    marca ou nome

    Nome do medicamento:Nome do medicamento:Nome do medicamento:Nome do medicamento: designao do medicamento, a qual pode ser constituda por uma marca insusceptvel de confuso com a denominao comum.

    MG medicamento genrico

    1 Propriedades Organolpticas: cheiro, sabor

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    Forma farmacutica:Forma farmacutica:Forma farmacutica:Forma farmacutica: estado final que as substancias activas ou excipientes apresentam depois de submetidas s operaes farmacuticas necessrias, a fim de facilitar a sua

    administrao e obter o maior efeito teraputico desejado (Decreto de Lei)

    Dosagem:Dosagem:Dosagem:Dosagem: teor de substncias activa, expresso em quantidade por unidade de administrao ou por unidade de volume ou de peso, segundo a sua apresentao (Decreto de Lei)

    Dose:Dose:Dose:Dose: quantidade que se toma que pode no ser da substncia activa

    Posologia:Posologia:Posologia:Posologia: referncia a uma dose com frequncia a que se administra

    Apresentao:Apresentao:Apresentao:Apresentao: no a forma farmacutica dimenso da embalagem tendo em conta o nmero de unidades (Decreto de Lei)

    Classificao dos medicamentoClassificao dos medicamentoClassificao dos medicamentoClassificao dos medicamentos qus qus qus quanto dispensaanto dispensaanto dispensaanto dispensa Sujeitos a receita mdica

    Receita mdica renovvel

    Receita mdica especial (opiceos, morfinas elevado potencial de abuso)

    Receita mdica restrita, de utilizao reservada a certos meios especializados

    No sujeitos a receita mdica (automedicao)

    Classificao dos medicamentosClassificao dos medicamentosClassificao dos medicamentosClassificao dos medicamentos Com base na estrutura qumica

    Tm em comum a estrutura qumica

    Penicilinas

    Opiceos

    Com base no efeito farmacolgico:

    Analgsicos

    Antipsicticos

    Antidepressores

    Por local de aco

    Agrupados de acordo com a enzima ou o receptor onde interagem

    IECA (inibidores da enzima da converso da angiotensina)

    Anticolinrgicos

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    Classificao ATCClassificao ATCClassificao ATCClassificao ATC Publicado pela OMS em 1976

    Classifica os frmacos de acordo com o rgo ou sistema em que actuam, as suas

    propriedades teraputicas e qumicas, para uma determinada indicao ou uso

    - Um frmaco pode ter mais do que um cdigo

    Exemplo:

    cido acetilsaliclico 100 mg: B01AC06 (anti-agregante de plaquetas)

    cido acetilsaliclico 500 mg: N02BA01 (para as dores)

    Off-label: usar um medicamento com a finalidade que no aprovada

    Classificao farmacoteraputica (CFT) de medicamentosClassificao farmacoteraputica (CFT) de medicamentosClassificao farmacoteraputica (CFT) de medicamentosClassificao farmacoteraputica (CFT) de medicamentos a classificao de medicamentos oficial em Portugal

    Abrange:

    - Processos para a autorizao de introduo no mercado de medicamentos

    - Sistema de comparticipao de medicamentos

    Trabalho autnomo

    1. Ser que os excipientes so sempre inactivos? Ou podem apresentar riscos?

    - Pais, J (2011)

    - Guerreiro, M (2005)

    2. Consulte o pronturio teraputico na edio actual

    - Liste os grupos da classificao farmacoteraputica

    - Identifique o grupo e subgrupo farmacoteraputico a que pertence o paracetamol

    1. Os excipientes so assumidos como inactivos de uma forma equvoca, podendo muitas

    das reaces adversas que ocorrem ser causadas pelos excipientes e no pelas

    substncias activas. As reaces podem ser hipersensibilidades, alergias, reaces

    cutneas ou inflamaes que mucosas os do local da administrao.

    2. Lista de grupos de classificao farmacoteraputica:

    Grupo 1: Medicamentos anti-infecciosos

    Grupo 2: Sistema Nervoso Central

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    Grupo 3: aparelho Cardiovascular

    Grupo 4: Sangue

    Grupo 5: Aparelho respiratrio

    Grupo 6: Aparelho Digestivo

    Grupo 7: Aparelho Genitourinrio

    Grupo 8: Hormonas e medicamentos usados no tratamento das doenas endcrinas

    Grupo 9: Aparelho Locomotor

    Grupo 10: Medicao antialrgica

    Grupo 11: Nutrio

    Grupo 12: Correco da volmia e das alteraes electrolticas

    Grupo 13: Medicamentos usados em afeces cutneas

    Grupo 14: Medicamentos usados em afeces otorrinolaringolgicas

    Grupo 15: Medicamentos usados em afeces oculares

    Grupo 16: Medicamentos antineoplsicos e imunomoduladores

    Grupo 17: Medicamentos usados no tratamento de intoxicaes

    Grupo 18: Vacinas e imunoglobulinas

    Grupo 19: Meios de diagnstico

    Grupo e subgrupo farmacoteraputico do paracetamol: Grupo 2 Sistema Nervoso

    Central e subgrupo 2.10 Analgsicos e antipirticos

    2. Origem dos medicamentos

    Os frmacos podem ter origem natural (mineral, vegetal ou animal) ou sinttica

    - Um mesmo frmaco pode ser obtido de uma fonte natural ou sintetizado quimicamente (ex.:

    cloranfenicol foi inicialmente sintetizado a partir de um fungo (streptomices venezuelae) e

    agora obtido por sntese qumica)

    Actualmente: marcado desenvolvimento da qumica medicinal, que investiga

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    Estudos pr-clnicos:

    Realizados em animais ou in vitro

    Trabalho autnomo

    3. Na base de dados Infomed pesquise o medicamento Ben

    - Indique as formas farmacuticas

    - Indique as dosagens disponveis

    - Com base no resumo das caractersticas:

    Como se classifica o medicamento face

    Face lista de excipientes considera o medicamento indicado para intolerantes lactose?

    Posologia

    Dose diria mxima

    - Indique a classificao ATC do m

    1. Formas farmacuticas disponveis: comprimido, cpsula, p para soluo oral,

    supositrio, xarope.

    Dosagens disponveis: 1000mg, 500mg, 250mg, 125mg, 75mg, 40mg/ml

    Dispensa: MRSM (medicamento sujeito a receita mdica)

    Indicado para intolerantes lactose

    3 a 6 anos - Pesquisa e desenvolvimento do frmaco- Fase pr-clnica

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    in vitro

    Na base de dados Infomed pesquise o medicamento Ben-U-Ron:

    farmacuticas disponveis

    disponveis

    base no resumo das caractersticas:

    e classifica o medicamento face dispensa

    Face lista de excipientes considera o medicamento indicado para intolerantes lactose?

    Indique a classificao ATC do medicamento 500 mg de comprimido

    Formas farmacuticas disponveis: comprimido, cpsula, p para soluo oral,

    : 1000mg, 500mg, 250mg, 125mg, 75mg, 40mg/ml

    : MRSM (medicamento sujeito a receita mdica)

    Indicado para intolerantes lactose: sim

    6 a 7 anos- Fase clnica

    - Aprovao pela

    entidade reguladora

    Farmacovigilncia

    5

    Face lista de excipientes considera o medicamento indicado para intolerantes lactose?

    Formas farmacuticas disponveis: comprimido, cpsula, p para soluo oral,

    Farmacovigilncia

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    Posologia: Dependente da forma farmacutica do medicamento

    DDM: A dose a administrar depende da idade e do peso corporal. A dose nica usual de 10 -

    15 mg de paracetamol por kg de peso corporal e a dose diria total de at 50 mg/kg de peso

    corporal.

    Classificao ATC para comprimido de 500mg: N02BE01 PARACETAMOL

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    II. Vias de administrao de medicamentos

    a forma pela qual o medicamento entra em contacto com o organismo

    Depende do frmaco e da sua formulao em medicamento e de variveis relacionadas com o

    doente

    Tradicionalmente dividida em:

    1. Entrica (utiliza o trato GI, inclui a administrao atravs de sonda

    nasogstrica)

    2. Parentrica (no utiliza a via digestiva, associada a administrao de

    injectveis)

    3. Tpica (administrao feita directamente sobre pele ou mucosas)

    A administrao entrica nem sempre pretende um efeito sistmico e a tpica um efeito local

    1.1 1.1 1.1 1.1 Via OralVia OralVia OralVia Oral Pretende-se geralmente um efeito sistmico, mas existem excepes:

    Administraes de vancominica por via oral para tratamento da colite

    pseudomembranosa causada por Clostridium difficile

    Administrao de messalazina para o tratamento da doena inflamatria intestinal

    Formas farmacuticas:

    Orais slidas

    Comprimido, cpsula, cpsula mole, granulado

    Orais lquidas

    Xarope, soluo oral, emulso oral, suspenso oral, gotas orais, soluo, suspenso ou

    emulso

    Forma de libertao modificada

    Soluo: partculas da substncia activa misturadas nos excipientes

    Emulso: partculas em suspenso lquidas

    Suspenso: partculas em suspenso slidas

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    Vantagens:Vantagens:Vantagens:Vantagens: Conveniente

    No invasiva

    Adaptvel maioria dos frmacos

    Limitaes:Limitaes:Limitaes:Limitaes: Necessria colaborao do doente

    No adequada em caso de vmitos ou diarreia

    Efeito mais demorado (versus via parentrica)

    Efeito de primeira passagem (sistema porta encaminha para o fgado a partir do

    intestino o que foi absorvido, metabolizando o fgado uma parte do medicamento

    absorvido, chegando apenas uma parte do absorvido s clulas)

    Trabalho autnomo:

    1. Que questes devem ser consideradas na administrao de medicamentos por sonda?

    - Mendes, AP (2011). Administrao de medicamentos por sonda

    2. Ser que todos os comprimidos podem ser divididos?

    - Martinho, JF, Guerreiro, MP, Simn, A (2010). O fraccionamento de comprimidos no

    ambulatrio: implicaes para a prtica clnica.

    1. Na administrao por sonda deve ser tido em conta o medicamento que

    administrado, se pode ou no ser triturado ou degradado para que possa ser

    administrado por sonda, a sua forma farmacutica, o local onde se localiza a

    extremidade da sonda, se se localiza no estmago, duodeno ou jejuno, se

    administrado em conjunto com a NE, as horas a que administrado, se tem

    revestimento ou no o medicamento administrado e se corre o risco de causar

    obstruo na sonda pelas suas caractersticas.

    2.1 2.1 2.1 2.1 Via SubcutneaVia SubcutneaVia SubcutneaVia Subcutnea Administrao na hipoderme ou tecido subcutneo

    Requer frmacos solveis, passveis de administrao em pequenos volumes (cerca 2

    ml para um adulto) e no irritantes

    Vacinas

    Insulina

    Heparina

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    2.2 2.2 2.2 2.2 Via IVia IVia IVia Intramuscularntramuscularntramuscularntramuscular Administrao em regies musculares especficas

    Incio de aco mais rpido do que para a via oral e subcutnea

    Podem ser administradas no s solues aquosas mas tambm solues oleosas

    2.3 2.3 2.3 2.3 Via IntravenosaVia IntravenosaVia IntravenosaVia Intravenosa Administrao directa no sangue venoso

    Vantagens Vantagens Vantagens Vantagens Incio de aco imediato

    Permite a administrao de volumes mais elevados

    Evita a irritao ou leso tecidular (diluio no sangue)

    Obvia problemas de insuficincia circulatria

    Pode ser utilizada atravs de um acesso perifrico, de forma contnua

    Limitaes Limitaes Limitaes Limitaes Maior risco de incidentes (normalmente usada quando no possvel outra via)

    3.1 Via Sublingual3.1 Via Sublingual3.1 Via Sublingual3.1 Via Sublingual A absoro ocorre directamente na cavidade oral, o que pode ser til quando se pretende uma

    resposta rpida

    Quando possvel tambm utilizada para frmacos:

    Instveis no pH gstrico ou metabolizados de forma rpida pelo fgado

    Frmacos passam para a circulao sistmica sem entrar no sistema porta (evita-se efeito de

    primeira passagem)

    Exemplo: Nitroglicerina

    Formas farmacuticas:

    Comprimidos sublinguais

    3.2 Via Rectal3.2 Via Rectal3.2 Via Rectal3.2 Via Rectal Efeito local: administrao de anti-inflamatrios intestinais para tratamento da colite

    ulcerosa

    Efeito sistmico: administrao de diazepam em crianas com status epilptico

    A absoro errtica mas esta via pode ser til em doentes com vmitos ou incapazes de

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    colaborar

    Formas farmacuticas:

    Supositrios

    Enemas (soluo/suspenso ou emulso rectal)

    Creme/pomada rectal

    3.3 3.3 3.3 3.3 Via CutneaVia CutneaVia CutneaVia Cutnea Utilizada quando se pretende um efeito tpico na pele

    A maior parte dos frmacos tem uma absoro muito limitada atravs da pele ntegra

    Pode ocorrer absoro, levando a efeitos sistmicos

    Formas farmacuticas:

    Creme

    Gel

    Pomada

    Pasta

    Champ

    Soluo/suspenso/emulso cutnea

    3.4 3.4 3.4 3.4 Via transdrmiVia transdrmiVia transdrmiVia transdrmicacacaca Frmaco incorporado num sistema adesivo, que aplicado na pele

    Hormonas sexuais para teraputica hormonal de substituio ou contracepo

    Nitroglicerina para tratamento da angina de peito

    Libertao do frmaco feita de forma constante e evita-se efeito primeira passagem

    Requer frmacos lipossolveis e aplicao em pele ntegra

    Custo relativamente elevado

    3.5 3.5 3.5 3.5 Via oftlmicaVia oftlmicaVia oftlmicaVia oftlmica Administrao do medicamento no saco conjuntival, para produzir um efeito local

    Acetazolamida administrada para o tratamento do glaucoma, minimiza-se efeitos

    secundrios inerentes administrao oral

    Pode ocorrer efeito sistmico resultante de absoro

    Broncospasmo em doentes asmticos, tratados com timolol em gotas oftlmicas para

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    o glaucoma

    Formas farmacuticas:

    Colrio (soluo/suspenso/emulso)

    Creme oftlmico

    Pomada oftlmica

    Gel oftlmico

    Importante: formulaes estreis, prazo de utilizao limitado

    3.6 3.6 3.6 3.6 Via NasalVia NasalVia NasalVia Nasal Administrao do medicamento nas narinas

    Pretende-se geralmente um efeito local

    Descongestionantes nasais

    Pode ser utilizada para obter um efeito sistmico

    Pensa-se que a absoro ocorra atravs do sistema linfide da mucosa nasal

    Calcitonina em spray nasal, para o tratamento da osteoporose ps-menopausica

    Formas farmacuticas:

    Gel nasal

    Pomada nasal

    Gotas nasais (soluo, suspenso, emulso)

    Soluo/suspenso/emulso para pulverizao nasal

    3.73.73.73.7 Via InalatriaVia InalatriaVia InalatriaVia Inalatria Administrao do medicamento nos pulmes onde pode ser pretendido um efeito sistmico

    - Elevada rea para absoro e marcada vascularizao torna possvel ajustamentos rpidos

    nas concentraes plasmticas (anestsicos gasoso e volteis)

    Tambm pode ser utilizada para efeito local

    Dispositivos:

    Inaladores pressurizados com vlvula doseadora

    Inaladores de p seco

    De dose unitria

    Rotahaler

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    Aeroliser

    Diskhaler

    Spinhaler

    De dose mltipla

    Diskus

    Turbohaler

    4. Incidentes com medicamentos

    So comuns em ambiente hospitalar e no ambulatrio

    Geralmente mltiplos factores contribuintes: erros, infraces e problemas do

    sistema

    Podem resultar ou resultam em dano desnecessrio para o doente

    Os incidentes com dano eventos adversos causam:

    Sofrimento humano

    Custos adicionais

    Insatisfao com os cuidados prestados e perda de confiana nos profissionais

    de sade

    Nas ltimas dcadas esta problemtica tem recebido ateno crescente

    internacional e nacionalmente

    Os cinco certos na administrao de medicamentosOs cinco certos na administrao de medicamentosOs cinco certos na administrao de medicamentosOs cinco certos na administrao de medicamentos Doente certo (orientao da DGS Mecanismos e procedimentos de identificao

    inequvoca dos doentes em instituies de sade, 23.05.2011)

    Medicamento certo

    Tempo certo

    Dose certa

    Via certa

    Alguns autores propem a adio de mais certos

    Documentao

    Razo certa para administrar o medicamento, etc.

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    III. Teraputica medicamentosa em grupos

    populacionais especiais

    1. Farmacologia da mulher grvida

    2% A 3% das anomalias congnitas decorrem do uso de medicamentos

    80% Das grvidas utilizam 4 medicamentos durante a gravidez

    46% Fazem medicamentos no 1 trimestre

    65% Fazem-no sem prescrio mdica

    Medicamentos podem atravessar a barreira placentria (por difuso habitualmente)

    ou ser eliminados atravs do leite materno

    Uso de medicamentos por grvidas

    Uso inadvertido:

    Doenas crnias (epilepsia, hipertenso arterial, diabetes)

    Doenas agudas e controlo de sintomas (diabetes gestacional, eclampsia, pr-

    eclampsia)

    necessrio controlar os riscos no feto ou na criana (digoxina controlar taquicardia

    ou insuficincia cardaca no feto)

    1.1 Farmacocintica dos medicamentos administrados a grvidas

    Alteraes anatmicas e fisiolgicas da mulher grvida alteram a farmacocintica dos

    medicamentos envolvendo os sistemas endcrino, gastrointestinal, cardiovascular, circulatrio

    e renal.

    Sistema Parmetros Modificaes

    Gastrointestinal Motilidade Secreo gstrica Secreo de muco

    Diminuda Diminuda (30-50%) Aumentada

    Respiratrio Ventilao alveolar Volume corrente Volume residual Dbito sanguneo

    Aumentada Aumentada (40%) Diminudo (20%) Aumentado

    Cardiovascular Dbito cardaco Ritmo Volume de ejeco Dbito cardaco perifrico Irrigao: pele, mucosa

    Aumentado (30-40%) Aumentado (0-20%) Aumentado (10%) Aumentado Aumentado

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    Renal Irrigao Filtrao glomerular

    Aumentada Aumentada

    Metabolismo Consumo de oxignio Temperatura corporal Metabolismo heptico Metabolismo placentrio e fetal

    Aumentada (15%) Aumentado 0,5C Inalterado ou aumentado Presente

    Sanguneo

    Volume sanguneo total gua corporal aumentada Colesterol Reservas lipdicas Protenas

    Aumentada (35-40%) Aumentada (7-8L) Aumentada Aumentadas (3-4Kg) Diminuda (40%)

    Absoro: barreira placentria e leite materno

    Placenta Leite materno

    Peso molecular > a 1000g/mol no atravessam a membrana

    Peso molecular

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    15

    Classificao dos medicamentos com base no risco de teratogenecidade (FDA)

    Medicamentos teratognicos

    Agentes andrognicos

    Anticonvulsisivantes em geral

    Anti-inflamatrios no esterides

    Antimetablitos e agentes alquilantes

    Anti-tiroideus (propiltiouracilo e metibazol)

    Bloqueadores dos receptores de angiotensina II

    Hipoglicemiantes orais

    IECAs

    Ltios

    Misoprostol

    Opiceos

    Benzodiazepinas

    Talidomida

    Tetraciclinas

    Varfarina

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    16

    Medicao proibida em grvidas

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    Medicamentos que podem ser administrados com cuidado

    2. Medicamentos nas crianas

    Apenas 20% dos medicamentos so aprovados para crianas

    Clculo das doses de medicamentos nas crianas e adolescentes

    Peso (Kg)

    3 Recm6

    10 20 30 40 50

    recm-nascido at 28 dias

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    Medicamentos que podem ser administrados com cuidado

    Medicamentos nas crianas

    20% dos medicamentos so aprovados para crianas

    Clculo das doses de medicamentos nas crianas e adolescentes

    Idade rea de Superfcie % dose de adulto

    Recm-nascido 0,2 3 meses 0,3

    1 ano 0,45 5,5 anos 0,8 9 anos 1

    12 anos 1,3 14 anos 1,5

    medicamentos peditricos

    idade: at 16 anospeso: at 50Kg

    at 1 ano 2-12 anos

    17

    % dose de adulto

    12 18 28 48 60 78 90

    13-16 anos

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    18

    Idade: Regra de Young

    Dose = dose de adulto x (idade (anos) / idade + 12)

    Peso: Regra de Clark

    Dose = dose de adulto x (peso (Kg) / 70)

    2.1 Farmacocintica nas crianas

    2.1.1 Absoro

    Via oral

    Absoro gastrointestinal

    Acidez gstrica pH gstrico

    Bsico: melhor absoro de medicamentos bsicos Penicilina, Ampicilina

    cido: melhor absoro de medicamentos acdicos Fenobarbital, Fenitona

    Tempo de esvaziamento

    Idade gestacional

    Imaturidade da secreo biliar e pancretica

    Alimentao

    Tempo prolongado pode atrasar a absoro: mais tempo para atingir a

    concentrao mxima e concentrao mxima mais baixa

    Integridade e motilidade intestinal

    Peristaltismo irregular:

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    19

    Rpido: diminui o efeito teraputico

    Lento: possibilidade de toxicidade

    Via rectal

    Absoro rectal

    Rpida e eficaz

    Pode evitar efeito de 1 passagem

    Alternativa a via IV

    Pode ocorrer absoro irregular baixa eficcia ou toxicidade

    Via cutnea

    Absoro intramuscular

    No utilizar nos recm-nascidos

    Absoro percutnea

    Maior absoro no recm-nascido

    Falhas na integridade da pele

    Importante: pode implicar toxicidade (hidrocortisona, cido saliclico)

    2.1.2 Distribuio

    pH

    Composio e volume dos compartimentos do corpo

    gua total do corpo

    gua intra e extracelular

    gua extra corporal aumentada volume de distribuio

    aumentado

    Medicamentos hidrossolveis (aminofilina, ampicilina) implicam

    aumento da dose mg/Kg Tecido adiposo

    % Peso corporal

    Recm-nascido

    prematuro

    1 dia 1 ms 1 ano 10 anos Adulto

    gua 80 77 73 61 61 62 gua

    extracelular 44 38 26 26 20

    Plasma 4 4 4 4 4 Gordura 13 18 28 20 15

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    20

    Pouco tecido adiposo volume de distribuio diminudo

    Medicamentos (diazepam) de doses de mg/Kg baixas recm-nascido

    Ligao s protenas plasmticas

    Diminuda baixa concentrao de protenas ligantes

    Hemoglobina fetal

    Diminui a afinidade para os frmacos

    pH diminudo no plasma

    diminui a ligao das protenas a frmacos acdicos

    Presena de substncias endgenas

    bilirrubina e cidos gordos livres

    Aumento da fraco livre

    Aumento do frmaco livre

    Aumento do frmaco disponvel para se ligar ao receptor

    Possibilidade de efeito txico

    Permeabilidade das membranas

    Permeabilidade barreira hemato-enceflica elevada incidncia das

    depresses respiratrias (mes a fazer analgsicos opiceos morfina)

    Factores hemdinmicos

    Dbito cardaco

    Fluxo sanguneo

    2.1.3 Metabolismo

    Reaces fase I (oxi-reduo) e fase II (reaces conjugao)

    Reduzidas nas crianas por imaturidade do sistema heptico

    Reduzido fluxo sanguneo

    Capacidade reduzida das enzimas hepticas citocromo P450 e outras

    < clearance heptica > t (semi-vida)

    2.1.4 Eliminao

    Filtrao glomerular

    Secreo tubular

    Reabsoro tubular

    Reduzidas medicamentos esto mais tempo em circulao doses devem ser

    diminudas

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    21

    > T 1/2:

    Acetaminofeno

    Diazepam

    Digoxina

    Fenobarbital

    Fenotina

    Salicilato

    Teofilina

    2.1.5 Resposta a um frmaco

    Presena de receptores

    Ligao frmaco-receptor

    Crescimento da criana

    Maturidade bioqumica

    Maturidade estrutural

    Grupos teraputicos com variabilidade farmacodinmica:

    Anti-infecciosos

    Metilxantinas teofilina

    Anti-histamnicos

    3. Medicamentos na pessoa idosa

    Idade cronolgica 60-65 anos grupo muito heterogneo

    Alteraes fisiolgicas

    Multipatologias

    Polimedicados

    Utilizao de servies de sade pelas pessoas idosas

    3.1 Alteraes fisiolgicas com influncia na farmacocintica

    3.1.1 Absoro

    Aumento do pH gstrico

    Diminuio da superfcie de absoro

    Diminuio da perfuso dos rgos abdominais

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    22

    Diminuio da motilidade gastrointestinal

    Importante: no significativa a diminuio da absoro no idoso

    Excepto Indometacina, Digoxina

    Importante: alguns podem retardar a motilidade intestinal

    Anti-depressivos tricclicos

    Opiides

    Anti-histamnicos

    Anti-muscarnicos

    Absoro Oral

    Transporte mediado por transportador

    Taxa mais lenta de absoro:

    Ferro

    Clcio

    Vitaminas

    Absoro cutnea

    Pele atrofiada menor eficincia e menor fluxo menor taxa de absoro

    3.1.2 Distribuio

    A concentrao de um medicamento no plasma inversamente proporcional ao volume de

    distribuio.

    Diminuio do dbito cardaco

    Diminuio do compartimento aquoso

    Diminuio da massa muscular

    Diminuio da concentrao srica de albumina

    Aumento do compartimento adiposo

    Importante: Sndrome da Fragilidade (menor peso, menor volume de distribuio, maior

    concentrao plasmtica, maior risco de efeitos secundrios).

    Composio corporal da pessoa idosa

    % Peso corporal Pessoas 25-30 anos Pessoas idosas 65-80 e mais anos

    gua corporal (% peso) 61 53 Massa magra (% peso) 19 12 Massa gorda (% peso) 26-33 mulheres

    18-20 homens 38-45 36-38

    Albumina Srica 4,7 3,8

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    Medicamentos lipossolveis maior volume de distribuio

    Diazepam

    Lidocana

    Medicamentos hidroflicos menor volume de distribuio

    Aspirina

    Ltio

    Famotidina

    Etanol

    3.1.3 Metabolizao

    Reaces da I fase sofrem alteraes com a idade;

    Reaces da II fase sofrem menos alteraes com a idade;

    Declnio da induo enzimtica.

    Metabolismo no fgado:

    Concentrao elevada no sangue

    Eritromicina

    Anti-depressivos

    Hipnticos

    Bloqueadores de canais de clcio

    Levodopa

    Omeprazol

    Varfarina

    3.1.4 Eliminao

    Aumento do tempo de semi-vida dos frmacos. Diminuio do fluxo renal e da filtrao

    glomerular. preciso monitorizao teraputica.

    Diminuio da clearence da creatinina pode ir at 50% Clearence da creatinina (mL/min) =

    (140 Idade) x Peso (Kg) / 72 x creatinina srica (mg / dl)

    Atenolol

    Digoxina

    Penicilinas

    Quinolonas

    IECA captopril e enalapril

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    24

    3.2. Alteraes fisiolgicas com influncia na Farmacodinmica

    A farmacodinmica estuda as aces farmacolgicas e os seus mecanismos.

    Teoria dos receptores

    Receptores especficos afinidade

    N de receptores intensidade da resposta

    Depende da concentrao do medicamento ao nvel dos receptores

    Da intensidade da resposta celular e dos mecanismos reguladores

    Nos idosos:

    Diminuio do n de receptores: musculatura cardaca e menor resposta dos beta-

    adrenrgicos (menor resposta anti-hipertensiva);

    Diminuio da sensibilidade a determinados medicamentos e aumento a outros:

    sistema nervoso central com diminuio de receptores maior risco de reaces

    extra-piramidais;

    Alteraes dos mecanismos homeostticos condicionam a compensao da resposta a

    determinados medicamentos;

    Diminuio de receptores colinrgicos;

    Maior vulnerabilidade a reaces adversas.

    3.3 Reaces adversas nas pessoas idosas

    Polimedicao aumenta o risco de interaces e reaces adversas

    Erros de prescrio mdica: inadequada avaliao das alteraes farmacocinticas e

    incompatibilidades de medicamentos

    Automedicao: OTC e produtos fitoteraputicos

    Adeso medicao

    3.4 Grupos teraputicos nos idosos

    Medicamentos do SNC

    Grupo Alteraes

    Analgsicos Maior sensibilidade do sistema respiratrio Sedativos-hipnticos Tempo de semi-vida aumentada

    Aumento VD

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    Medicamentos Cardiovasculares

    10 interaces mais perigosas no idoso

    Varfarina AINEs (diclofenac, ibuprofeno)

    Varfarina Sulfonamidas (Sulfametoxazol + Trimetoprim)

    Varfarina Macrlidos (Eritromicina, azitromicina)

    Varfarina Quinolonas (ciprofloxacina, norfloxacina)

    Varfarina Fenitona

    IECAs Suplementos de Potssio

    IECAs Espironolactona

    Digoxina Amiodarona

    Digoxina Verapamil

    Teofilina Quinolonas

    Sensibilidade varivel Anti-psicticos e Anti-

    depressivos Tempo de semi-vida aumentada

    Aumento da fraco livre Diminuio da memria e raciocnio

    Maior probabilidade de hipotenso ortosttica

    Grupo Alteraes

    Anti-arritmicos Tempo de semi-vida aumentada aumento da sensibilidade a efeitos txicos

    Anti-hipertensores Efeitos adversos mais relevantes nos idosos

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    26

    IV. Farmacocintica

    Estudo do percurso dos frmacos e/ou seus metabolitos no organismo

    ADME: o que o organismo faz ao frmaco

    Quantificao das concentraes do frmaco e metabolitos no sangue, tecidos, urina e

    outras secrees, em funo do tempo.

    Descrio matemtica das taxas de movimento do frmaco, entre o exterior e o

    interior do organismo

    Componente cintica: velocidade

    Componente de extenso: quantidade ou fraco da dose que sofre o

    processo

    A farmacocintica permite:

    Prever ou compreender a durao e intensidade do efeito de um frmaco no

    organismo

    Estabelecer via de administrao, forma farmacutica, dosagens e intervalos de

    administrao

    Compreender a variabilidade interindividual na resposta ao frmaco

    Prever e compreender interaces medicamentosas

    1. Absoro

    Passagem do frmaco do local de administrao para a corrente sangunea

    Esta fase, tal como todo o percurso dos frmacos no organismo, depende da

    capacidade destas molculas atravessarem as membranas biolgicas

    Passagem atravs das membranas celulares ocorre por mecanismos de transporte

    membranar

    Difuso passiva

    Transporte mediado

    Pinocitose

    Difuso passiva:

    Ocorre a favor de um gradiente de concentrao e sem consumo de energia

    No saturvel

    No inibido por outras molculas

    Envolve a passagem atravs de:

    Poros aquosos (substncias hidrfilas e de baixo peso molecular)

    Difuso atravs da membrana lipdica (processo mais generalizado)

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    27

    Permeabilidade do frmaco (lipofilia e tamanho da molcula)

    Grau de ionizao do frmaco face ao pH do meio

    Transporte mediado:

    Ocorre:

    A favor do gradiente de concentrao e sem consumo de energia (difuso

    facilitada)

    Contra o gradiente de concentrao, com gasto de energia (transporte activo)

    Utiliza as protenas integrais da membrana plasmtica

    Caracteriza-se por ser selectivo e saturvel

    Importante para:

    Molculas demasiado polares para se difundirem atravs das membranas

    celulares e/ou

    Molculas de maiores dimenses, incapazes de passar atravs de poros

    aquosos

    Pinocitose:

    Menor expresso que a difuso passiva e o transporte mediado

    Ocorre maioritariamente nas membranas capilares e do intestino

    Consiste na formao de uma vescula por invaginao da membrana celular

    Importante para macromolculas

    A velocidade e extenso da absoro depende:

    Da forma farmacutica

    De factores fsico-qumicos do frmaco

    De factores fisiolgicos/patolgicos do indivduo

    Influncia da forma farmacutica

    A libertao do frmaco depende do tipo de forma farmacutica

    Slidas (comprimidos, cpsulas, granulado, supositrios)

    Lquidas (suspenses, emulses, solues)

    Formas farmacuticas slidas requerem desintegrao para dissoluo

    ptima das partculas

    Regra geral os medicamentos em formulaes lquidas so mais

    facilmente absorvidos

    A libertao do frmaco depende do tipo de forma farmacutica

    Libertao imediata versus modificada

    Tambm aplicada via entricas (ex.: anticoncepcional para implante

    SC e glucocorticoide para administrao IM)

    Factores fsico-quimicos do frmaco que influenciam a absoro

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    28

    Solubilidade do frmaco nos fluidos corporais

    Coeficiente de partio lpido-gua

    Molculas lipossolveis atravessam melhor as membranas biolgicas

    Ionizao

    Alguns frmacos so cidos ou bases fracas

    Grau de dissociao das molculas depende do pH do meio

    Estmago (pH cido): frmacos cidos sofrem menor ionizao

    favorece a absoro

    Intestino (pH superior): frmacos bsicos sofrem menor ionizao

    favorece a absoro

    Outros factores desempenham um papel importante na passagem atravs das

    membranas celulares, pelo que mesmo no caso de cidos fracos a absoro ocorre

    maioritariamente no intestino delgado

    Factores fisiolgicos/patolgicos que influenciam a absoro

    Irrigao sangunea do local de absoro

    Zonas altamente irrigadas favorecem a passagem do frmaco para o sangue

    Via SC versus IM

    Aplicao de calor ou massagem no local de injeco IM

    Administrao conjunta do frmaco e vasoconstritor quando se

    pretende efeito local

    Superfcie para absoro

    Quanto maior for a rea para absoro maior ser a sua velocidade

    Intestino delgado versus estmago

    Membranas dos alvolos pulmonares

    Tempo de contacto no local de absoro

    Quanto maior o tempo de contacto com a superfcie absorvente maior a

    velocidade de absoro

    Motilidade intestinal (ex.: diarreia, obstipao)

    Velocidade de esvaziamento gstrico (ex.: alimentos no estmago)

    Espessura da estrutura absorvente

    Por norma a absoro mais rpida atravs de uma mucosa fina

    Mucosa nasal e sublingual apresentam pouca espessura

    Mucosa gstrica apresenta maior espessura que a do intestino delgado

    1.1 1.1 1.1 1.1 BiodisponibilidadeBiodisponibilidadeBiodisponibilidadeBiodisponibilidade Termo que descreve a velocidade e a extenso com que uma substncia activa absorvida

    Equivalentes farmacuticos

    Medicamentos que contm a mesma substncia activa, na mesma dose e na

    mesma forma farmacutica

    Estudo de bioequivalncia

    Compara as biodisponibilidades de dois medicamentos considerados

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    29

    equivalentes farmacuticos ou alternativas farmacuticas e que tenham sido

    administrados na mesma dose molar

    2. Distribuio

    Transferncia reversvel do frmaco da corrente sangunea para o espao

    extravascular (fludos corporais, rgos e tecidos)

    Influncia por factores como irrigao sangunea dos tecidos e ligao do frmaco s

    protenas plasmticas

    Ligao s protenas plasmticas

    No plasma os frmacos podem-se ligar s protenas plasmticas (PP)

    Depende da afinidade pelos stios de ligao

    Albumina a protena mais importante

    Alguns frmacos bsicos podem ligar-se beta-globulina e glicoprotena cida

    A fraco ligada de frmaco:

    incapaz de atravessar as membranas dos capilares (no sofre eliminao)

    farmacologicamente inactiva

    3. Metabolizao

    Alterao da estrutura qumica dos frmacos no organismo, tornando-os mais hidroflicos e de

    maior dimenso

    Facilita processo de excreo (metabolito menos lipossolvel; no reabsorvido nos

    tbulos renais)

    Com poucas excrees a metabolizao passa por vias metablicas de fase I e

    II

    Fase I

    Introduo de grupos funcionais

    Aumento da polaridade, permitem ao frmaco ser metabolizados por

    enzimas da fase II

    Altera pouco a hidrossolubilidade do frmaco, mas leva geralmente sua

    inactivao farmacolgica

    Em certos casos pode levar bioactivao do frmaco: pr-frmacos (ex.:

    levodopa)

    H metabolitos que conservam a actividade farmacolgica da molcula

    original ou que eventualmente so at mais potentes (ex.: benzodiazepinas)

    Fase II

    Formao de conjugados com os grupos funcionais expostos

    Sntese de metabolitos hidrossolveis com PM aumentado

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    30

    3.1 3.1 3.1 3.1 Ciclo enteroCiclo enteroCiclo enteroCiclo entero----hepticohepticohepticoheptico

    3.2 3.2 3.2 3.2 Enzimas metabolizadoras de frmacosEnzimas metabolizadoras de frmacosEnzimas metabolizadoras de frmacosEnzimas metabolizadoras de frmacos Presentes na maior parte dos tecidos

    Preponderncia no fgado

    Existem tambm no intestino e rim

    3.3 3.3 3.3 3.3 Citocromo P450Citocromo P450Citocromo P450Citocromo P450 Responsvel pela maior parte da metabolizao de frmacos na fase I

    Super-famlias de hemoprotenas, todas elas monoxigenases de funo mista

    Agrupadas em famlias e sub-famlias de acordo com o grau de

    similaridade da sequncia de aminocidos

    Apenas 3 famlias intervm no metabolismo de frmacos (1, 2 e 3)

    Famlias: protenas P450 com 40% ou mais de similaridade na

    sequncia de aa

    Sub-famlia: protenas P450 da mesma famlia, com 55% ou mais de

    similaridade na sequncia de aa

    Enzimas (isoenzimas ou isoforma): protenas P450 da mesma sb-

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    31

    famlia, cuja similaridade na sequncia de aa pelo menos 97%

    Nomenclatura das enzimas

    CYP +

    N rabe que designa a famlia

    Letra maiscula para designar a sub-famlia

    N rabe para designar a enzima individual

    3.4 3.4 3.4 3.4 Factores ambientais que influenciam a metabolizaoFactores ambientais que influenciam a metabolizaoFactores ambientais que influenciam a metabolizaoFactores ambientais que influenciam a metabolizao Inibio enzimtica

    Diminuio da capacidade metablica por um agente inibidor

    Resultam na acumulao do frmaco potencial reaco adversa

    Alterao do perfil de metabolitos formados

    Induo enzimtica

    Aumento da capacidade metablica por estimulao especfica da sntese da

    enzima

    Resulta na diminuio da concentrao de frmaco, com potencial

    perda de efectividade

    Pode ocorrer toxicidade se forem produzidos metabolitos activos

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    32

    3.5 3.5 3.5 3.5 Factores fisiolgicos/patolgicos que influenciam a Factores fisiolgicos/patolgicos que influenciam a Factores fisiolgicos/patolgicos que influenciam a Factores fisiolgicos/patolgicos que influenciam a metabolizaometabolizaometabolizaometabolizao

    Idade

    As diferenas mais marcadas encontram-se em indivduos muito jovens e

    muito idosos

    RN

    Expresso pouco significativa de todas as enzimas

    metabolizadoras, excepto CYP 3A7 e SULT

    Padro metablico diferente do adulto

    Idosos

    Reduo da massa e fluxo sanguneo heptico

    Diminuio da actividade de quase todas as enzimas

    metabolizadoras

    Patologias hepticas

    4. Excreo

    Difere da eliminao, sendo uma parte integrante desta mesma

    Sada do frmaco ou dos seus metabolitos para o exterior do organismo

    A via mais importante a renal mas tambm pode ocorrer excreo biliar e atravs do

    ar expirado

    Excreo atravs do suor e da saliva tm pouca importncia teraputica

    Excreo renalExcreo renalExcreo renalExcreo renal Filtrao glomerular

    Secreo tubular

    Reabsoro tubular

    Os frmacos no filtrado glomerular so reabsorvidos por difuso passiva nos

    tbulos renais se forem lipossolveis

    A ionizao dos cidos e bases fracas depende do pH do fluido tubular

    Trabalho autnomo:

    1. Farmacocintica (Falco, 2006)

    metabolizao

    excreo eliminao

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    33

    2. Os 5 certos na administrao de medicamentos (ing.) (Nurse Advisor, 2004)

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    34

    V. Farmacodinmica

    Estudo das vrias formas como o frmaco afecta o organismo

    Um frmaco no cria um efeito novo, ele inicia, estimula ou bloqueia um efeito

    fisiolgico

    No h nenhum frmaco que no tenha efeitos secundrios porque para ter efeitos

    teraputicos tem de ter efeitos secundrios

    1. Efeito teraputico

    Mediado por ligao do frmaco a uma molcula localizada na superfcie ou no interior de um

    determinado tipo de clulas

    Receptor mesmo sem nunca tomar um determinado tipo de medicamento, nas

    clulas existem receptores especficos para esse frmaco porque so parte integrante

    das clulas

    So molculas s quais o frmaco se liga

    Na membrana celular:

    No interior da clula: tm de atravessar a membrana celular

    Receptores:

    Protenas: cujos ligandos so endgenos ou neurotransmissores (frmacos podem

    aproveitar estas protenas para se ligarem quando os ligandos naturais falham)

    Canais transportadores de ies: clulas so impermeveis a ies (permeabilidade

    selectiva); em clulas excitveis e nervosas h grande movimento de ies

    Importante: Nas patologias do sistema nervoso associadas aos canais

    inicos, os frmacos administrados visam alterar a movimentao

    inica actuando nos canais

    Enzimas

    Uma molcula (do frmaco ou endgena) pode ligar-se a mais do que um receptor originando

    mais do que um efeito

    Efeitos teraputicos

    Efeitos secundrios

    Um receptor pode ter a capacidade de ligao a vrias molculas mas da sua estimulao

    resulta uma mesma resposta

    Resposta dependente do receptor

  • Sebenta de Farmacologia e Teraputica Medicamentosa CLE 2012-2016

    35

    A maior ou menor atraco que se estabelece entre as molculas do frmaco e do receptor

    uma medida de intensidade dessa ligao e designa-se por afinidade

    Um frmaco com elevada afinidade para um receptor liga-se e produz um efeito

    mesmo em baixas concentraes

    Frmacos com elevada afinidade tm um efeito agradvel (pretendido) de resposta

    mesmo em baixas concentraes

    Efeitos secundrios imediatos podem ser mais intensos em frmacos de grande

    afinidade

    2. Doses

    A dose que habitualmente usada como dose standart para um frmaco aquela que foi

    determinada como tendo efeito teraputico em 50% da populao DE50.

    A dose que letal para 50% da populao designada por DL50.

    ndice teraputico (IT) = DE50/DL50

    Quando DE50 e DL50 so semelhantes, IT prximo de 1 e diz-se desses frmacos que

    tm um ndice teraputico estreito

    O objectivo administrar o frmaco a um doente, numa dose que origine uma concentrao

    plasmtica acima da mnima eficaz mas abaixo daquela que origina efeitos adversos

    intervalo teraputico

    A intensidade do efeito teraputico bem como os vrios efeitos secundrios que

    podem ou no manifestar-se, com maior ou menor intensidade traduzem a

    variabilidade interindividual da resposta teraputica.

    Deve ter-se em conta:

    Idade: idosos, crianas

    Interaces medicamentosas

    Factores genticos: Farmacogentica (cincia que estuda as diferenas na resposta

    teraputica farmacolgica inerentes a um gene especfico.

  • Sebenta de Farmacologia e Teraputica MedicamentosaCLE 2012-2016

    A estimulao continuada ou a falta da mesma de uma forma crnica pode levar

    alteraes na resposta aos estmulos.

    Alterao na sensibilidade dos receptores

    Hipersensveis:

    Dessensibilizar:

    Alterao na densidade dos receptores

    Tolerncia:

    Necessidade de

    Dependncia:

    Quando ocorre privao surge um quadro de sintomatologia fsica

    de abstinncia

    Tremores

    Suores

    Ansiedade generalizada

    administrao

    absoro

    distribuio

    metabolismo

    excreo

    Sebenta de Farmacologia e Teraputica Medicamentosa

    A estimulao continuada ou a falta da mesma de uma forma crnica pode levar

    alteraes na resposta aos estmulos.

    Alterao na sensibilidade dos receptores

    Hipersensveis: falta de estimulao

    Dessensibilizar: estimulao excessiva (tolerncia, dependncia

    Alterao na densidade dos receptores

    Necessidade de aumentar as doses para obter a mesma eficcia.

    Quando ocorre privao surge um quadro de sintomatologia fsica

    de abstinncia

    Tremores

    Suores

    Ansiedade generalizada

    local de aco

    receptor

    mecanismo de aco

    resposta

    efeito

    eficcia

    efeitos adversos

    36

    A estimulao continuada ou a falta da mesma de uma forma crnica pode levar a

    tolerncia, dependncia)

    aumentar as doses para obter a mesma eficcia.

    Quando ocorre privao surge um quadro de sintomatologia fsica sndrome

    eficcia

    efeitos adversos

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    37

    VI. Frmacos

    1. Agonistas

    Afinidade

    Estimula os receptores, a clula ou a actividade intrnseca2

    2. Antagonista

    Afinidade

    Inibem a clula (no despertam actividade intrnseca bloqueando os receptores e

    diminuindo a sua funo natural

    3. Agonista parcial

    Afinidade

    Tm actividade intrnseca ao se ligarem aos receptores

    Estimulam as clulas mas em menor grau do que o agonista total

    1.1 Agonismo

    A ligao do frmaco ao receptor pode ocorrer no interior da clula ou sua superfcie

    Entra na clula (habitualmente):

    Endocitose

    Transporte activo

    Nas ligaes em canais inicos

    No entra na clula:

    Activao de estrutura interna da clula mensageiro (mecanismo de

    aco via 2 mensageiro) altera o funcionamento da clula sem

    entrar na mesma, criando apenas estruturas porta-voz no interior da

    mesma

    Importante: actividade farmacolgica do sistema nervoso: neurotransmissores ligam-se

    superfcie e comandam o interior sem nunca entrarem na clula (neurnio). Dentro da clula

    actuam as sub-unidades frmacos tm de agir tal como o ligando natural

    2 Todos os frmacos possuem uma molcula interna ligando natural que a que se liga ao receptor

    em condies naturais. Os agonistas reproduzem essa ligao e efeito exactamente da mesma forma

  • Sebenta de Farmacologia e Teraputica Medicamentosa CLE 2012-2016

    38

    2.1 Antagonismo

    Uso simultneo de dois agonistas em efeitos contrrios antagonismo no

    competitivo (anulao total ou parcial)

    Sulfato de protamina (bsica) como antdoto para hemorragias provocadas

    pela heparina (cida)

    Adrenalina e acetilcolina

    Uso simultneo de um agonista e um antagonista dos mesmo recptores

    antagonismo competitivo

    Morfina (agonista dos receptores opiceos) e naloxona (antagonista dos

    receptores opiceos)

    O efeito do agonista diminui de acordo com a ocupao de receptores pelo antagonista,

    podendo o mesmo chegar a ser anulado se a afinidade do antagonista for muito superior do

    agonista

    Competitivo em equilbrio

    Competitivo irreversvel

    4. Efeito teraputico

    O efeito teraputico pode resultar das caractersticas fsico-qumicas do frmaco no

    mediado por receptores

    Anestesia local por diminuio da temperatura

    Cloreto de etilo

    Neutralizao do cido gstrico

    Anti-cidos (no entram na corrente sangunea)

    O efeito manifesta-se a partir de um determinado valor da sua concentrao plasmtica

    concentrao mnima eficaz (CME)

    A intensidade do efeito vai aumentando medida que a concentrao plasmtica aumenta at

    alcanar o mximo

    O efeito teraputico mximo ocorre quando a concentrao plasmtica atinge a concentrao

    de equilbrio (steady-state)

    A concentrao de equilbrio corresponde ao estadio em que a quantidade de frmaco

    administrado iguala a quantidade que eliminada e normalmente atingida aps 4 ou 5 vezes

    o tempo de semi-vida3

    3 Tempo para que a dose seja reduzida a metade: t = 8h; 100mg 50mg

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    39

    VII. Interaces medicamentosas

    Sempre que o efeito de um frmaco alterado pelo facto de se administrar outro em

    simultneo, dizemos que estamos perante uma interaco farmacolgica

    Aumento do efeito sinrgico

    Antibitico + anti-inflamatrio: aumenta o efeito do antibitico)

    Diminuio do efeito - antagonismo

    Vrias definies na literaturaVrias definies na literaturaVrias definies na literaturaVrias definies na literatura Consistem na alterao do efeito teraputico ou txico de um medicamento pela

    presena de:

    Outro medicamento

    Um alimento

    Uma bebida

    Outra substncia qumica

    Habitualmente so abordadas como interaces medicamentosas casos que no se

    enquadram nesta definio estrita (ex.: efeito aditivo de 2 medicamentos)

    Podem ser prejudiciais se resultarem em:

    Aumento da toxicidade do medicamento

    Por potenciao da eficcia teraputica hemorragia por associao

    de varfarina/cido acetilsaliclico

    Por potenciao de efeitos adversos hipercalimia por associao de

    um IECA e diurtico poupador de potssio

    Reduo da eficcia do medicamento

    Tetraciclinas/anticidos com caties di ou trivalentes

    Podem ser benficas

    Antihipertensor/diurtico

    Podem no ter expresso clnica

    1. Interaces medicamentosas versus incompatibilidades

    Alguns autores usam dois termos indiscriminantes, ou consideram as

    incompatibilidades como um tipo de interaces medicamentosas

    No entanto, a maioria dos autores considera que:

    Incompatibilidades dizem respeito a reaces fsico-qumicas que ocorrem

    quando se misturam medicamentos em fludos IV causando precipitao ou

    inactivao (os excipientes podem ter importncia nestes casos)

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    40

    Ex.: Dois fludos IV reagem entre si in vitro antes da administrao, no

    sendo administrado o que seria suposto

    Interaces medicamentosas dizem respeito ao que ocorre in vivo quando se

    administram medicamentos

    1.1 1.1 1.1 1.1 Mecanismo das interaces medicamentosasMecanismo das interaces medicamentosasMecanismo das interaces medicamentosasMecanismo das interaces medicamentosas FARMACOCINTICO: alterao do efeito do medicamento ocorre por interferncia ao nvel da

    absoro, distribuio, metabolizao ou eliminao.

    FARMACODINMICO: alterao do efeito do medicamento ocorre por interferncia ao nvel dos

    receptores, locais de aco ou sistemas fisiolgicos

    As interaces farmacocinticas dependem das caractersticas do frmaco e no se

    podem generalizar para o grupo farmacoteraputico

    A extrapolao da interaco observada com um frmaco para outros do mesmo

    grupo farmacoteraputico aceitvel quando envolve mecanismos farmacodinmicos

    Os mecanismos podem interagir por diferentes mecanismos:

    Farmacocinticos e farmacodinmicos

    Diferentes fases da farmacocintica

    2. Interaces farmacocinticas

    Absoro:

    Adsoro (adeso de molculas de um fludo o adsorvido a uma superfcie slida o

    adsorvente) e quelao (formao de um complexo entre duas molculas, o que reduz a sua

    absoro)

    Carvo activado

    Tetraciclina e anticidos (Al 3+, Ca 2+, Mg 2+, Bi 2+), leite, Zn 2+ e Fe 2+

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    41

    Quinolonas e anticidos (Al 3+, Mg 2+, leite e Fe 2+

    Alterao na motilidade GI

    Antidepressores tricclicos e alguns medicamentos

    Metoclopramida ou domperidona e paracetamol

    Distribuio:

    Ocorrem geralmente por deslocao do frmaco ligado s protenas plasmticas. A relevncia

    clnica depende:

    De uma elevada afinidade para as protenas plasmticas (>90%),como no caso

    da varfarina e fenitona

    Da presena da maioria do frmaco no plasma e no nos tecidos (baixo

    volume de distribuio)

    Da taxa de eliminao do frmaco

    Metabolizao:

    A inibio e induo enzimticas so os mecanismos responsveis pela maioria das interaces

    a este nvel. Os frmacos que sofrem um marcado efeito de primeira passagem so

    particularmente sensveis.

    So de particular relevncia as enzimas do citocromo P450 que catalisam a maioria das

    reaces de oxidao de Fase I. o significado clnico depende do efeito na concentrao

    plasmtica do medicamento afectado (se as concentraes se mantiverem dentro do

    intervalo teraputico a interaco pode no ser relevante)

    Induo enzimtica

    Aumento da capacidade metablica por estimulao especfica da enzima. Demoram algum

    tempo a manifestar-se e pode existir ainda resultados desta induo mesmo aps paragem da

    toma do medicamento por acumulao da enzima no fgado.

    Resulta na diminuio da concentrao de frmaco, com potencial

    perda de efectividade

    Pode ocorrer toxicidade se forem produzidos metabolitos activos

    A sua manifestao depende do frmaco e da dose

    Pode levar desde dias at 2 a 3 semanas a desenvolver-se de forma

    cabal e manter-se por igual perodo aps a suspenso do frmaco

    Pode ocorrer com frmaco no utilizados como medicamentos

    Inibio enzimtica

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    42

    Diminuio da capacidade metablica por um agente inibidor

    Resultam na acumulao do frmaco potencial reaco adversa e/ou

    alterao do perfil de metabolitos formados

    Manifesta-se rapidamente (2 a 3 dias) aps administrao do inibidor

    mais comum que a induo enzimtica

    Excreo:

    Alterao do pH urinrio. Na prtica poucos frmacos so afectados

    cido acetilsaliclico em doses analgsicas e anticidos

    cidos e bases fracas so metabolizadas em compostos inactivos; poucos

    frmacos

    Alterao na excreo renal tubular activa

    Alterao do ciclo entero-heptico

    Contraceptivos orais e alguns antibiticos

    3. Interaces farmacodinmicas

    Efeito aditivo ou sinrgico

    Frmacos tm efeito farmacolgico semelhante

    Potenciao da sonolncia por associao de benzodiazepinas e lcool

    Potenciao da hipocaliemia por associao de agonistas beta e frmacos

    espoliadores de potssio

    Efeito antagnico

    Frmacos tm efeito farmacolgico contrrio

    IECA e AINE ao nvel da presso arterial

    4. Interaces medicamentosas na prtica clnica Efeito e gravidade das interaces podem variar entre os doentes

    Dependem de factores inerentes aos frmacos envolvidos como:

    Dose

    Durao da teraputica

    Dependem tambm de factores relacionados com o doente como:

  • Sebenta de Farmacologia e Teraputica Medicamentosa CLE 2012-2016

    43

    Outras patologias (insuficincia renal ou heptica)

    Idade

    Farmacogentica (metabolizadores rpidos ou lentos)

    Intervenes

    Deve ser decidida casuisticamente

    Depende da informao disponvel sobre a interaco

    Bem estabelecida ou baseada em evidncias pouco robustas?

    Qual a gravidade?

    Depende das caractersticas do regime teraputico e do doente

    Raramente implica a contraindicao utilizao simultnea dos medicamentos que

    interagem

    Gesto de interaces

    Escolher um medicamento alternativo, para evitar a interaco

    Distanciar a toma de medicamentos

    Ajustar a dose do medicamento afectado ou do que provoca a interaco

    Monitorizar o regime teraputico

    Laboratorialmente

    Avaliao de sinais e sintomas

    Determinao da parmetros fisiolgicos

    Conhecer as interaces medicamentosas mais importantes

    Manter os conhecimentos actualizados sobre este tpico

    Em caso de dvida, consultar vrias fontes de informao fiveis e um farmacutico

    Trabalho autnomo:

    1. Estudar a patologia bsica da Asma e DPOC (Essentials of Pharmacology for Nurses e

    Drug Therapy in Nursing)

    2. Estudar a patologia bsica das doenas do tracto GI (Introducing Pharmacology for

    Nursing and Helthcare)

    3. Os 5 certos na administrao de medicamentos: a identificao dos doentes

    (Orientao da DGS, 2011)

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    44

    VIII. Aparelho respiratrio

    Grupo farmacoteraputico 5 do Pronturio Teraputico

    1.1.1.1. BroncodilatoresBroncodilatoresBroncodilatoresBroncodilatores 1.1 Agonistas adrenrgicos beta-2

    1.2 Antagonistas colinrgicos

    1.3 Xantinas

    2.2.2.2. AntiAntiAntiAnti----inflamatriosinflamatriosinflamatriosinflamatrios 2.1 Glucocorticides inalados

    2.2 Antagonistas dos leucotrienos

    3.3.3.3. AntiAntiAntiAnti----asmticos de aco profilcticaasmticos de aco profilcticaasmticos de aco profilcticaasmticos de aco profilctica

    Monitorizao

    Efectividade

    Segurana

    Aspectos do ciclo vital

    1. Broncodilatadores

    1.1 Agonistas dos receptores adrenrgicos beta-2

    Salbutamol

    Indicaes teraputicas Tratamento do broncospasmo na asma e na DPOC

    Tambm usado no tratamento da bronquite crnica, do enfisema pulmonar com

    obstruo reversvel e na preveno do broncospasmo

    Pode ser usado como preventivo antes da prtica desportiva

    Vias de administrao Oral (comprimidos 4 mg, xarope 0,4 mg/ml)

    Inalatria (soluo para nebulizao 5 mg/ml, inalador pressurizado 100 g/dose,

    rotacaps)

    Injectvel (soluo injectvel SC, IM ou IV 0,5 mg/1 ml, soluo para perfuso IV 5mg/

    5 ml)

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    45

    Farmacocintica Absoro por inalatria

    Ocorre broncodilatao em cerca de 5 minutos (rpida aco)

    10 a 20% da dose atingem as vias respiratrias inferior; restante fica retido no

    inalador ou depositado na orofaringe onde deglutido (absoro no

    intestino)

    A fraco depositada nas vias respiratrias absorvida para os tecidos

    pulmonares (sem efeito de 1 passagem)

    Absoro por via oral

    Considervel efeito de

    primeira passagem

    Ligao s protenas plasmticas

    de 10%

    Metabolizao essencialmente

    pelo fgado a sulfato fenlico

    Maioria da dose administrada

    por via IV, oral ou inalatria

    excretada em 72 horas,

    principalmente pela urina, sob a

    for inalterada e de metabolito

    Agonista adrenrgico beta-2

    selectivo: a activao dos

    receptores beta-2 no msculo liso brnquico promove a broncodilatao, diminui a

    resistncia das vias areas, facilita a mucocinese e melhora a capacidade vital

    Activao de adenilciclase atravs de uma protena G, aumentando a sntese

    de AMPc;

    AMPc causa relaxamento do msculo liso brnquico por activao de uma

    protena kinase A.

    Reaces adversas So mais frequentes com a administrao injectvel e oral (versus inalatria). Entre as mais

    frequentes contam-se:

    Tremor (principalmente das mos)

    Agitao

    Nervosismo

    Palpitaes

    Cefaleias

    Taquicardia

    Arritmias

    Aumento da presso arterial

    Importante: no de esperar estas reaces adversas sendo ele um medicamento para

    receptores selectivos. Ocorre porque a selectividade no total, podendo assim ligar-se, mas

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    46

    com menor afinidade, a receptores beta-1, provocando algumas destas reaces adversas a

    nvel cardaco.

    Raramente podem ocorrer reaces de hipersensibilidade incluindo broncospasmo paradoxal,

    urticria e angioedema.

    Hipocaliemia4

    Associada geralmente utilizao de doses elevadas (como na nebulizao e

    administrao parentrica);

    Potenciada pelo tratamento concomitante com xantinas, esterides, diurticos

    e pela hipoxia (como sucede na asma aguda grave).

    Importante: mais comum em doentes que tm cocktails com estes medicamentos.

    Broncospasmo por efeito rebound (ricochete).

    Geralmente associado a suspenso sbita.

    Tolerncia: internalizao dos receptores. Ocorre em doentes que no usam o

    salbutamol de forma indicada.

    Reaces locais de dor (associada via injectvel)

    Tolerncia ao Salbutamol A sua utilizao prolongada bem como de outros agonistas beta-2 pode levar ao aparecimento

    de tolerncia por internalizao dos receptores, causando diminuio no nmero de

    receptores superfcie das clulas musculares, o que conduz a uma resposta decrescente ao

    frmaco, independentemente da via de administrao. A utilizao de corticosterides

    permite obviar este efeito.

    Contra-indicaes Hipersensibilidade substncia activa ou a qualquer um dos excipientes. Outras associadas aos

    efeitos dos receptores beta-2 (interferncia tambm com os beta-1 aces musculares

    cardacas)

    Precaues Doena coronria, outras doenas cardiovasculares

    Arritmias

    Hipertenso

    Hipertiroidismo

    Hipocaliemia

    Diabetes

    Gravidez (considerar se o benefcio esperado para a me for maior do que o possvel

    risco para o feto fenda palatina pode estar associada): pode ser usado

    como tocoltico (evita o parto prematuro)

    Aleitamento (provavelmente excretado no leite materno, desconhece-se se tem o

    efeito prejudicial no recm-nascido)

    4 Diminuio do io potssio no sangue

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    47

    Outros agonistas Incio de aco rpida: salbutamol e terbutalina

    Incio de aco mdia/lenta: salmeterol, formoterol e indacaterol

    Adrenalina e isoprenalina tm aco quase instantnea mas j no so vulgarmente

    utilizados como broncodilatadores.

    1.2 Antagonistas dos receptores colinrgicos

    Brometo de Ipratrpio

    Indicaes teraputicas Por via inalatria:

    Soluo para nebulizao 0,25 mg/2 ml;

    Inalador pressurizado 20 g/dose.

    Tratamento prolongado da DPOC, na bronquite crnica, no enfisema e no tratamento da asma

    (em doentes que no respondem adequadamente aos agonistas adrenrgicos)

    Farmacocintica Absoro por via inalatria

    Incio de aco entre

    15 a 30 minutos; o

    efeito mximo

    atingido em 1 a 2

    horas e a durao de

    aco de 4 a 6 horas

    10 a 30% da dose so

    depositados nos

    pulmes, dependendo

    da formulao e da

    tcnica inalatria. A

    maior parte da dose

    engolida, passando ao

    tracto gastrointestinal

    Fraca absoro

    sistmica

    Ligao s protenas

    plasmticas

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    48

    pequeno calibre.

    Reaces adversas Ocasionalmente:

    Secura da boca

    Reteno urinria

    Obstipao

    Viso turva

    Tosse

    Rouquido

    Irritao da garganta

    Pode ocorrer dilatao pupilar (midrase) e outros sintomas oculares, normalmente associados

    utilizao de um nebulizador sem mscara.

    Raramente podem ocorrer reaces de hipersensibilidade incluindo broncospasmo paradoxal,

    urticria e angiodema.

    Outro antagonista Brometo de tiotrpio: estruturalmente semelhante ao brometo de ipratrpio mas tem

    aco selectiva para os receptores muscarnicos 1 e 3. Tem uma aco

    broncodilatadora longa (permite uma administrao diria) e est aprovado apenas

    para o tratamento da DPOC, estando disponvel em rotacaps 18 g/cpsula e em

    inalador pressurizado 2,5 g/dose.

    1.3 Xantinas

    Exemplo: cafena

    Teofilina

    Indicaes teraputicas Sintomas da asma crnica e do broncospasmo reversvel associado a outras doenas

    pulmonares crnicas.

    Administrao por via oral (apenas!) em comprimidos de aco prolongada 250 mg e

    400 mg.

    Preveno das crises e tratamento dos ataques agudo de asma.

    Administrada em perfuso lenta por soluo injectvel comercializada apenas sob a

    forma de aminofilina.

    Farmacocintica Absoro por via oral

    Bem absorvida

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    49

    Pico de efeito s 2 horas, durao de aco de 4 a 6 horas

    Administrada geralmente em formulaes de libertao prolongada, que

    permite 2 tomas dirias

    Ligao s protenas plasmticas em cerca de 60%

    Excretada pela urina /10% na forma inalterada)

    Efeito relaxante no msculo liso do tracto respiratrio

    Vrios mecanismos de aco propostos:

    Inibio das fofodiesterases

    Inibio competitiva dos receptores de adenosina

    Aco teraputica nas doenas respiratrias conseguida por outras vias:

    Potencia a clearance mucociliar.

    Melhoria da contractilidade diafragmtica

    Reaces adversas A nvel cardiovascular

    Taquicardia

    Palpitaes

    Arritmia ventricular

    A nvel do SNC

    Tremor

    Insnia

    Irritabilidade

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    50

    Cefaleias

    Convulses (via IV rpida)

    A nvel gastrointestinal

    Nuseas

    Vmitos

    Diarreia

    Hemorragia

    Dispepsia (digestes lentas e difceis, dores no estmago)

    Monitorizao das concentraes plasmticas de teofilina Janela teraputica estreita (10-20 g/ml). Recomenda-se a monitorizao srica:

    Quando existem factores de risco (idoso, insuficincia heptica IH insuficincia

    renal IR);

    Sempre que os efeitos esperados no so atingidos com a dose usual;

    Sempre que o doente apresenta reaces adversas;

    Quando se est em presena de factores que alteram a metabolizao da teofilina.

    Contra-indicaes Hipersensibilidade teofilina ou a qualquer um dos excipientes.

    Precaues Enfarte agudo do miocrdio

    Doena cardaca grave

    Hipertenso

    Epilepsia no controlada

    Hipertiroidismo

    lcera pptica

    IH e IR

    Hipocaliemia

    Gravidez (atravessa a barreira placentria, utilizar apenas quando no exista uma

    alternativa segura)

    Aleitamento (excretada no leite materno)

    Interaces medicamentosas Associada a um nmero importante de interaces medicamentosas:

    Com outros medicamentos

    lcool

    Fumo do tabaco

    Plantas medicinais (Hypericum perforatum)

    Muitas interaces descritas ocorrem ao nvel da metabolizao, por induo

    enzimtica.

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    51

    Outras xantinas Aminofilina: mistura estvel de teofilina e etilenodiamina que tem maior solubilidade

    em gua do que a teofilina.

    Diprofilina: menos utilizada que a teofilina na asma e doenas pulmonares crnicas e

    mais tolerada a nvel gastrointestinal que a teofilina (menos nuseas e menos irritao

    gstrica). Aco broncodilatadora menos marcada e monitorizao dos nveis sricos

    menos disseminada

    2. Anti-inflamatrios

    2.1 Glucocorticides

    Beclometasona

    Indicaes teraputicas Tratamento preventivo de base da asma e de outras doenas pulmonares com obstruo

    reversvel

    Administrado por via inalatria por inalador pressurizado 50 g/dose e 250 g/dose.

    Farmacocintica O dipropionato de beclometasona (DPB) um pr-frmaco5 metabolizado no pulmo a 17-

    monopropionato de beclometasona (17-MPB) que um metabolito activo.

    Quando administrado por via inalatria ocorre absoro do pr-frmaco atravs dos

    pulmes, sendo a absoro oral da dose deglutida desprezvel;

    O metabolito activo rapidamente absorvido nos pulmes:

    Quando absorvido para a circulao sistmica, o DPB metabolizado pelas esterases

    existentes na maior parte dos tecidos;

    60% da dose absorvida de DPB e 17-MPB excretada nas fezes.

    Farmacodinmica Modulao da sntese de protenas atravs da ligao a um receptor intracelular

    Diminuio da produo de citoquinas;

    Estimulao da produo de lipocortina: inibe a fosfolipase A2, reduzindo a produo

    de leucotrienos e prostaglandinas.

    Outros mecanismos de aces possveis:

    Reduo da migrao e actividade das clulas inflamatrias;

    Aumento da sntese de receptores beta-2 adrenrgicos;

    5 Um pr-frmaco um frmaco na sua forma inactiva ou substancialmente menos activa quando

    administrado. Sofrem biotransformao in vivo passando a produzir metablitos activos. Melhoram a absoro e aco do frmaco no organismo.

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    Diminuio da produo de muco.

    Reaces adversas Muito frequentes/frequentes:

    Irritao da garganta (pode ser til bochechar aps a administrao)

    Disfonia

    Candidase orofarngea (Geralmente em doses altas >400 g/dia. Pode ser

    minimizada por medidas que diminuam a deposio na orofaringe. Utilizao

    da cmaras expansoras, bochechar e gargarejar aps a administrao)

    Muito raras:

    Broncospasmo paradoxal

    Osteoporose

    Supresso da supra-renal

    Glaucoma

    Cataratas

    2.2 Antagonistas dos leucotrienos

    Antagonistas competitivos e selectivos dos receptores do leucotrieno D4;

    Indicados na profilaxia e tratamento da asma

    No esto indicados na agudizao da asma

    Administrados oralmente por montelucaste comprimidos 10 mg e comprimidos

    mastigveis 5 mg ou zafirlucaste comprimidos 20 mg.

    Importante: O zileuton, que inibe a sntese dos leucotrienos, no comercializvel em

    Portugal6.

    6 Confirmar o esquema no ppt da aula terica sobre asma

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    3. Anti-asmticos de aco profilctica

    Pouco utilizados na prtica clnica: Cromoglicato de sdio e Nedocromil.

    Sntese

    Broncodilatadores Anti-inflamatrios

    Agonistas Beta-2: Aco rpida/mdia: Salbutamol Terbutalina Aco Lenta: Salmeterol Formeterol Indacaterol

    Glucocorticides: Beclometasona Budesonida Fluticasona

    Antagonistas Colinrgicos: Brometo de Ipratrpio Brometo de Tiotrpio

    Antagonistas Leucotrienos: Montelucaste Zafirlucaste

    Xantinas: Teofilina

    Anti-asmticos de aco profilctica: Cromoglicato de sdio Nedocromil

    4. Teraputica medicamentosa da Asma e DPOC

    A via de eleio para a teraputica inalatria.

    Elevada potncia local;

    Baixa frequncia de efeitos adversos sistmicos.

    instituda em degraus, segundo o controlo da doena e factores de risco.

    Recurso a glucocorticides inaladas como anti-inflamatrios geralmente

    recomendado, excepto em situaes de asma com acessos intermitentes

    muito espaados.

    Facilitam o controlo rpido dos sintomas;

    Previnem a deteriorao da funo pulmonar.

    Crianas, adolescentes e adultos:

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    4.1 Monitorizao da efectividade do tratamento farmacolgico da asma4.1 Monitorizao da efectividade do tratamento farmacolgico da asma4.1 Monitorizao da efectividade do tratamento farmacolgico da asma4.1 Monitorizao da efectividade do tratamento farmacolgico da asma Verificao da tcnica de inalao e limpeza do dispositivo inalatrio

    Avaliao de sintomas

    Frequncia dos sintomas diurnos (tosse, pieira ou sibilncia, dispneia)

    Limitao de actividades

    Sintomas nocturnos e ao despertar

    Frequncia de utilizao de medicao de alvio

    Avaliao da funo respiratria

    Dbito expiratrio mximo instantneo (DEMI)

    Verificar reaces adversas mais frequentes

    Antagonistas beta-2, antagonistas colinrgicos (se a teraputica for inalada

    podem indicar uso excessivo de medicao de alvio)

    Corticosterides inalados, me particular em doses mdias ou altas: candidase

    orofarngea (utilizao de cmaras expansoras, gargarejar e deitar fora aps

    inalao)

    Verificar interaces medicamentosas

    Em particular no caso do regime teraputico incluir administrao por via oral.

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    4.2 Tratamento farmacolgico da asma 4.2 Tratamento farmacolgico da asma 4.2 Tratamento farmacolgico da asma 4.2 Tratamento farmacolgico da asma aspectos a considerar ao longo do aspectos a considerar ao longo do aspectos a considerar ao longo do aspectos a considerar ao longo do ciclo vitalciclo vitalciclo vitalciclo vital

    4.2.1 Crianas4.2.1 Crianas4.2.1 Crianas4.2.1 Crianas Medicamentos aprovados:

    Idade pr-escolar

    > 6anos

    Teraputica inalatria:

    6 anos: inaladores de p seco

    Utilizao de anti-asmticos na populao peditrica

    Substncia activa Informao no RCM (medicamento de referncia)

    Salbutamol Toda a populao peditrica (inalador pressurizado)

    Brometo de Ipratrpio > 5 anos

    Teofilina > 6 anos

    Beclometasona > 4 anos

    Montelucaste > 6 anos

    Zafirlucaste > 12 anos

    4.2.2 Idosos4.2.2 Idosos4.2.2 Idosos4.2.2 Idosos Teraputica inalatria:

    Inaladores de p seco so primeira linha;

    Inaladores pressurizados: usar cmaras expansoras em caso de dificuldade em

    coordenar a inspirao com o accionar do dispositivo;

    Podem ser consideradas associaes de dose fixa para facilitar o regime

    teraputico (budesonida + formoterol, fluticasona + salmeterol)

    Via oral em caso de incapacidade em usar via inalatria:

    Antagonistas dos leucotrienos podem ser uma opo no tratamento inicial.

    Trabalho autnomo:

    1. Antitssicos (Drug Therapy in nursing)

    2. Expectorantes (Drug Therapy in nursing)

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    IX. Aparelho Gastrointestinal

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    X. Vacinas

    Vacinas ligadas imunidade mediada por anticorpos Imunidade Humoral

    Antignio (Ag)

    Anticorpo (Ac)

    1. Imunizao

    Processo utlizado para induzir imunidade, no qual se estimula a capacidade de defesa perante

    uma determinada doena ou agresso pela:

    Administrao de antignios vacinao ou imunizao activa

    Administrao de anticorpos especficos imunizao passiva ou seroproteco

    O que uma vacina? Suspenso de microrganismo vivos (atenuados) ou inactivos, completos ou fraccionados, que

    possui a propriedade de imunizar de forma activa o organismo de um individuo contra uma

    doena infecciosa. OMS

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    2. Composio das vacinas

    3. Vias de administrao

    Injectvel

    Intradrmica

    BCG

    SC

    VASPR (vacina contra sarampo, papeira e rubola)

    IM

    Hepatite B

    Ocasionalmente podem ser usadas outras vias (fora do Plano Nacional de Vacinao

    2012)

    Febre Tifide

    liqudo de suspenso

    gua destilada ou soro fisiolgico

    estabilizadores

    para manter vacina inalterada mesmo em condies ambientais que a possam alterar (luz, calor, acidez)

    glutamado de sdio, sulfitos

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    2. Composio das vacinas

    Vias de administrao

    VASPR (vacina contra sarampo, papeira e rubola)

    Hepatite B

    Ocasionalmente podem ser usadas outras vias (fora do Plano Nacional de Vacinao

    Febre Tifide e Clera (Vacinas para quando viajamos

    estabilizadores

    para manter vacina inalterada mesmo em condies ambientais que a possam alterar (luz, calor, acidez)

    glutamado de sdio, sulfitos

    conservantes

    antibiticos -evitar o crescimento de contaminantes nos cultivos vacinais

    neomicina, canamicina e polimixina B

    Anti-spticos-impedem a contaminao dos meios de cultivo por vrus e bactrias

    Formaldedo

    timerosal -contm mercrio

    promovem resposta imunitria mais rpida, potente e duradoura

    estimula a produo de Ac vacinais

    alumnio

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    Ocasionalmente podem ser usadas outras vias (fora do Plano Nacional de Vacinao

    e Clera (Vacinas para quando viajamos via oral)

    adjuvantes

    promovem resposta imunitria mais rpida, potente e duradoura

    estimula a produo de Ac vacinais

    alumnio

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    3. Objectivo da Vacinao

    4. Tipos de vacinas

    1. Vivas atenuadas Inactivadas

    1.1. Virais 1.1.1. VASPR (sarampo, papeira,

    rubola) 1.1.2. Rotavrus 1.1.3. Febre amarela 1.1.4. Varicela 1.1.5. Herpes Zooster

    Inteiras: Virais Bacterianas

    1.2. Bacterianas 1.2.1. BCG

    Fraccionadas: Agentes proteicos sub-unidades Toxides Polisacardicas sub-unidades poliosidicas puras e poliosidicas conjugadas

    1.1.1.1. Vacinas Vivas AtenuadasVacinas Vivas AtenuadasVacinas Vivas AtenuadasVacinas Vivas Atenuadas Constitudas por microrganismos que, por culturas repetidas vo perdendo o poder infeccioso,

    mas mantm a capacidade antignica.

    Vantagens:

    Mantm capacidade de replicao no organismo do individuo vacinado resposta

    imunitria semelhante da infeco natural, sem causa doena ( de esperar apenas

    neste tipo de vacinas).

    Uma nica dose produz imunidade para toda a vida (excepto vacinas administradas

    por via oral).

    Desvantagens:

    Por mutao podem desencadear doena ou induzir sintomas semelhantes aos da

    doena (embora mais ligeiros).

    Erradicar doenasevitar epidemiasproteger o indivduo

    e a comunidade

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    Risco de infeco do feto no caso de vacinao em g

    2.2.2.2. Vacinas InactivadasVacinas InactivadasVacinas InactivadasVacinas InactivadasConstitudas por microrganismos que so inactivados pelo calor, aco qumica ou radiaes.

    Vantagens:

    Total ausncia de poder infeccioso do agente (incapacidade de se multiplicar no

    organismo do vacinado), mantendo as suas ca

    Podem ser administradas em simultneo com qualquer vacina.

    Desvantagens:

    Induz uma resposta imunitria subptima requerendo:

    Associao de adjuvantes ou protenas transportadoras

    Administrao de vrias doses de reforo para in

    anticorpos.

    5. Intervalos de administrao

    Regras gerais a considerar:

    Inteiras / whole-cell vaccines

    vrus ou bactrias intactos

    virais: polio, raiva, hepatite A

    bacterianas: clera, febre tifide

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    Risco de infeco do feto no caso de vacinao em grvidas.

    Vacinas InactivadasVacinas InactivadasVacinas InactivadasVacinas Inactivadas Constitudas por microrganismos que so inactivados pelo calor, aco qumica ou radiaes.

    Total ausncia de poder infeccioso do agente (incapacidade de se multiplicar no

    organismo do vacinado), mantendo as suas caractersticas imunolgicas.

    Podem ser administradas em simultneo com qualquer vacina.

    Induz uma resposta imunitria subptima requerendo:

    Associao de adjuvantes ou protenas transportadoras.

    Administrao de vrias doses de reforo para induzir nveis satisfatrios de

    Intervalos de administrao

    fraccionadas

    contm apenas as fraces do m.o. que so antignicas

    protenas de superfcie

    sub-unitrias: vacina antigripal, vacina contra a clera

    toxoide: vacina contra o ttano e difteria

    polissacardicas

    puras (induzem imunidade curta): vacina antipneumoccica de 23 sertipos

    conjugadas (polissacridos + protenas transportadoras - melhora imunogenicidade): vacina meningoccica do serogrupo C, vacina antipneumoccica (7, 10 e 13 valncias), vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b

    fraccionadas / DNA recombinante

    novas vacinas

    desenvolvidas por recombinao gentica

    o antignio expresso por outros microrganismos (ex. leveduras), o qual recebe o gene viral e o replica: vacina contra hepatite B e contra o papilomavrus humano (HPV)

    60

    Constitudas por microrganismos que so inactivados pelo calor, aco qumica ou radiaes.

    Total ausncia de poder infeccioso do agente (incapacidade de se multiplicar no

    ractersticas imunolgicas.

    duzir nveis satisfatrios de

    fraccionadas / DNA recombinante

    novas vacinas

    desenvolvidas por recombinao gentica

    o antignio expresso por outros microrganismos (ex. leveduras), o qual recebe o gene viral e o replica: vacina contra hepatite B e contra o papilomavrus humano

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    Todas as vacinas injectveis podem ser administradas em simultneo, mas preconiza-

    se que seja em locais diferentes;

    Aumentar o intervalo entre doses de vacina multidose, no elimina a sua efectividade.

    A interrupo do esquema vacinal apenas requer que se complete o esquema

    estabelecido, e no que se recomece o esquema (excepto na vacina oral da febre

    tifide);

    Diminuir o intervalo entre doses pode interferir com a resposta dos anticorpos com a

    proteco e a segurana.

    6. Contra-indicaes das Vacinas

    Verdadeiras Falsas

    Reaco alrgica grave a dose anterior da vacina

    Doena aguda ligeira (diarreia ou afeco das vias areas superiores) Reaco local ou febre moderada em vacinao anterior Histria familiar de alergias ou de reaco alrgica a vacinas