displasia

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  • 1

    UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO

    CURSO DE ESPECIALIZAO EM CLNICA MDICA E CIRGICA DE PEQUENOS

    ANIMAIS

    DISPLASIA COXOFEMORAL

    Brbara Costa Ribeiro da Silva

    Braslia, Dez. 2006.

  • 2

    BRBARA COSTA RIBEIRO DA SILVA

    Aluna do Curso de Especializao em Clnica Mdica e Cirrgica de Pequenos

    Animais

    DISPLASIA COXOFEMORAL

    Trabalho monogrfico de

    concluso de curso de

    Especializao em Clnica Mdica

    e Cirrgica de Pequenos Animais,

    apresentado a UCB como requisito

    para a obteno do ttulo

    Especialista em Clnica Mdica e

    Cirrgica de Pequenos Animais,

    sob a orientao da Prof Alexandre

    Mazzanti

    Braslia, Dezembro de 2006

  • 3

    SUMARIO

    INTRODUO ........................................................................................................................04

    CAPTULO II - SINAIS CLNICOS..........................................................................................05

    CAPTULO III - DIAGNSTICO..............................................................................................07

    3.1 -- Sinais Radiogrficos........................................................................07

    3.2 -- Exames Fsicos...............................................................................08

    3.3 Diagnstico Diferencial................................................................ ...10

    CAPITULO IV TRATAMENTO.............................................................................................11

    4.1 Terapia Conservadora.....................................................................11

    4.2 Terapia Cirrgica.............................................................................12

    4.2.1 Osteotomia Tripla.........................................................................14

    4.2.2 Osteotomia Intertrocantrica........................................................16

    4.2.3 Ostectomia de Cabea e Colo Femorais.....................................17

    4.2.4 Alongamento do Colo Femoral....................................................17

    4.2.5 Substituio Total da Articulao Coxofemoral...........................18

    4.2.6 Miectomia Pectnea.....................................................................19

    4.2.7 Sinfisiodese Pbica Juvenil.........................................................20

    CONCLUSO..........................................................................................................................21

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS.......................................................................................22

  • 4

    1 Introduo

    Em meados de 1930, Schenelle descreveu pela primeira vez a displasia

    coxofemoral, como uma afeco rara. Denominava-se, na poca subluxao

    congnita bilateral da articulao coxofemoral (SMITH, 1997).

    A displasia coxofemoral caracteriza-se por um desenvolvimento falho da

    articulao coxofemoral caracterizado por vrios graus de frouxido dos tecidos

    moles ao redor, instabilidade, malformao da cabea femoral e acetbulo, os

    quais permitem subluxao em idade precoce (OLMSTEAD, 1998).

    Embora todas as raas se encontrem em risco, a displasia afeta mais

    comumente ces de raas grandes e gigantes. Esta afeco a causa mais

    importante de osteoartrite coxofemoral do co (OLMSTEAD, 1998; BRINKER,

    PIERMATTEI, FLO 1999). Entre as raas mais acometidas encontram-se o So

    Bernardo, Golden Retrievers e Rottweillers. Embora de incidncia elevada, os

    casos comprovados devem ser menores que os de fato, uma vez que os

    proprietrios tendem a submeter os animais no displsicos ao exame

    radiolgico (SMITH, 1997).

    No Brasil, esta afeco apresenta elevada incidncia e h registros de

    ndices de 72,4% em Pastores Alemes em Minas Gerais, 72,2% em uma

    amostra de raas de grande porte na regio de Marlia, e 75% na raa

    Rottweiler na regio metropolitana do Recife (SOUZA, TUDURY, 2003).

    A instabilidade articular ocorre medida que o desenvolvimento e a

    maturao musculares se atrasam com relao taxa de crescimento

    esqueltico. Os primeiros 60 dias de vida correspondem ao perodo mais

    crtico, e quando o estresse e o peso exercidos sobre a articulao coxofemoral

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    excedem os limites da fora dos tecidos moles da sustentao, ocorre

    instabilidade articular (OLMSTEAD, 1998).

    Acredita-se que a displasia coxo-femoral tenha uma causa gentica,

    com significativo grau de hereditariedade (SMITH, 1997). Em suma,

    crescimento excessivo, exerccios, nutrio e fatores hereditrios esto

    relacionados ocorrncia de displasia coxofemoral. A base fisiopatolgica

    dessa afeco uma disparidade entre a massa muscular da articulao

    coxofemoral e um desenvolvimento sseo rpido. Como resultado disso,

    desenvolve-se frouxido ou instabilidade na articulao coxofemoral, o que

    predispe a articulao a aleraes degenerativas, como esclerose ssea

    acetabular, osteofitose, espessamento do colo femoral, fibrose da cpsula

    articular e subluxao ou luxao da cabea femoral (LA FUENTE et al, 1997;

    MERCK, 2001; SOUZA, TUDURY, 2003).

    2 Sinais Clnicos

    Os sinais clnicos da displasia coxofemoral quando discretos, so pouco

    evidenciados pelos proprietrios, e sua manifestao ir variar de acordo com

    a idade do animal. Existem dois grupos reconhecveis clinicamente: o de ces

    jovens entre quatro e doze meses de idade, e o de animais acima de quinze

    meses de idade, que apresentam afeco crnica (BRINKER, PIERMATTEI,

    FLO, 1999).

    A maioria dos pacientes ter sinal de Ortolani positivo, que o estalo

    produzido pelo movimento da cabea femoral deslizando para dentro e para

    fora do acetbulo, conforme se faz movimento de abduo no membro plvico

    (OLMSTEAD, 1998; BRINKER, PIERMATTEI, FLO; 1999; HULSE, JOHNSON,

    2002; NOGUEIRA, TUDURY, 2002;).

    Ces jovens geralmente manifestam sinais agudos de afeco unilateral

    (ocasionalmente bilateral), caracterizada na reduo sbita na atividade

  • 6

    locomotora, associada acentuada dor nos membros plvicos. Nestes animais

    pode-se observar dificuldade em se levantar aps exerccios ou repouso,

    intolerncia a exerccios e atividades como correr e pular, e os msculos das

    reas plvicas e das coxas so fracamente desenvolvidos (BRINKER,

    PIERMATTEI, FLO, 1999; HULSE, JOHNSON, 2002).

    Nesta fase, a cabea femoral pode apresentar-se subluxada, ou com

    luxao completa. J em ces adultos, comum o desenvolvimento de uma

    doena articular degenerativa com graus variando entre discreta a severa

    (SOUZA, TUDURY, 2003).

    Os sinais sbitos que aparecem em ces jovens ocorrem devido a

    microfraturas nas bordas acetabulares que aparecem conforme a cabea

    femoral subluxada. A dor resulta da tenso e ruptura dos nervos do peristeo.

    Ocorre hemorragia e formao de ostefitos no acetbulo e colo femoral. Estes

    geralmente no se tornam radiograficamente visveis at os 17 ou 18 meses de

    idade, embora, em alguns casos, possam ser observados prematuramente aos

    12 meses de idade. Estas fraturas consolidam-se com a maturidade do

    esqueleto, com isso, as articulaes coxofemorais tornam-se mais estveis e a

    dor acentuadamente diminuda. A maioria dos ces displsicos entre doze e

    quatorze meses de idade anda e corre livremente e no tem dor aparente,

    apesar da aparncia radiogrfica da articulao. O padro de locomoo como

    coelho bem caracterstico nesta afeco (BRINKER, PIERMATTEI, FLO;

    1999).

    Em ces mais velhos os sinais so diferentes, pois a afeco articular

    degenerativa crnica associada dor. A claudicao geralmente bilateral,

    embora eventualmente manifeste-se de forma unilateral. Os sinais podem ser

    contnuos, ou podem surgir de forma aguda aps vigorosa atividade que resulte

    em ruptura ou outra leso de tecidos moles da articulao anormal. A maioria

    dos sinais clnicos decorre de mudanas degenerativas prolongadas dentro da

    articulao. O animal pode apresentar claudicao aps exerccio vigoroso ou

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    prolongado, um modo de locomoo alterado, e freqentemente crepitao e

    movimentao restrita da articulao. O co geralmente prefere sentar a

    permanecer em estao e levanta-se com grande dificuldade (COOK,

    TOMLINSON, CONSTANTINESCU, 1996). Com a atrofia dos msculos

    plvicos e da coxa os trocnteres maiores tornam-se muito proeminentes,

    ainda mais se a articulao coxofemoral estiver subluxada. Ao mesmo tempo,

    os msculos do ombro se hipertrofiam em virtude do deslocamento cranial de

    peso e uso maior dos membros torcicos. O sinal de Ortolani raramente est

    presente devido ao arrasamento do acetbulo e fibrose da cpsula articular. A

    displasia coxofemoral torna-se mais severa quando o animal tambm

    apresenta rompimento de ligamento cruzado parcial ou completo, ou problemas

    de coluna tais como afeces de disco ou mielopatia degenerativa. O exame

    clnico e as radiografias ajudam na deteco de problemas adicionais de

    joelho, enquanto um teste de propriocepo retardado ou ausente pode ser til

    na distino de problemas de coluna vertebral (BRINKER, PIERMATTEI, FLO,

    1999), concomitantes ou no.

    3 Diagnstico

    3.1 Sinais Radiogrficos

    O exame radiogrfico essencial para o diagnstico da displasia

    coxofemoral. Segundo Brinker, Piermatei, e Flo (1999) e Fossum (2002), a

    Orthopedic Foundation for Animals estabel