a industria de rochas ornamentais

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relatorio tecnico sobre a extração de rocha ornamentais

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Estudo de Mercado 02/04, set. 2004

A INDSTRIA DE ROCHAS ORNAMENTAIS Vera Spnola

Luis Fernando Guerreiro Rafaela Bazan

SUMRIO 1. APRESENTAO 2 2. CARACTERSTICAS GERAIS DOS PRODUTOS E PROCESSOS 2 3. MERCADO MUNDIAL 8 4. A INDSTRIA BRASILEIRA DE ROCHAS ORNAMENTAIS 13

4.1 Dados Gerais 13 4.2 Consumo Interno 16 4.3 Exportaes 16

5. A BEM SUCEDIDA INDSTRIA CAPIXABA DE ROCHAS ORNAMENTAIS 19 6. A INDSTRIA BAIANA DE ROCHAS ORNAMENTAIS 23

6.1. Dados gerais 23 6.2 Principais categorias e distribuio geogrfica 24 6.3. Atividades de beneficiamento 27 6.4 O Mrmore Bege Bahia 28

6.4.1 Dados Gerais 28 6.4.2 Oportunidades de Mercado e Desenvolvimentos Tecnolgicos 30 6.4.3. Alguns entraves ao desenvolvimento do APL de Mrmore Bege Bahia 32

6.5 Beneficiamento de Granito 33 6.6. A insero da Bahia no mercado externo 35

7. CONSIDERAES FINAIS 38 REFERNCIAS 43 ANEXO 45

A INDSTRIA DE ROCHAS ORNAMENTAIS

1. APRESENTAO

Este trabalho se prope a tratar da indstria de rochas ornamentais, mrmores e granitos, enfatizando sua conformao, gargalos e potencialidade no estado da Bahia. Inicialmente, apresentam-se as particularidades dos produtos e processos produtivos desta indstria, incluindo os principais equipamentos utilizados. Descrevem-se as caractersticas do mercado internacional, principais produtores, exportadores e importadores. Em seguida, mostra-se como o Brasil est inserido neste mercado e como est organizada a sua referida indstria, com especial destaque para o parque instalado no estado do Esprito Santo. A ltima parte do trabalho discorre sobre as caractersticas do setor na Bahia, a sua insero nos mercados interno e externo, seus pontos fortes e fracos, as oportunidades e ameaas ao seu desenvolvimento. Dedica-se maior ateno s atividades voltadas ao beneficiamento do mrmore Bege Bahia, para o qual, aparentemente, se encontram boas oportunidades de negcios. Nas consideraes finais, so feitas reflexes sobre os entraves e as perspectivas futuras do setor no Brasil e na Bahia. O anexo contm uma lista de empresas do setor na Bahia.

2. CARACTERSTICAS GERAIS DOS PRODUTOS E PROCESSOS

O setor de rochas ornamentais tem caractersticas inerentes a uma indstria tradicional. Trata-se de uma atividade extrativa cujos traos mais marcantes so: o processamento de recursos naturais; a baixa intensidade tecnolgica; a reduzida exigncia em termos de escala mnima de produo; o carter exgeno da inovao tecnolgica, pois ela costuma vir incorporada nos equipamentos; e o fato da capacidade empreendedora do dirigente ser um fator crtico para a competitividade.

As rochas ornamentais e de revestimento, tambm chamadas pedras naturais, rochas lapdeas e rochas dimensionais, do ponto de vista comercial, so basicamente classificadas em mrmores e granitos. Estas duas categorias respondem por 90% da produo mundial. Os demais tipos so as ardsias,

quartzitos, pedra sabo, serpentinitos, basaltos e conglomerados naturais (PEITER et al, 2001).

O corrente trabalho focado nos mrmores e granitos, categorias predominantes no estado da Bahia. Os granitos so classificados como rochas silicticas e os mrmores como rochas carbonticas. Os mrmores travertinos so destacados no presente estudo porque neles se inclui o mrmore Bege Bahia, amplamente consumido em todo territrio nacional, cujas jazidas ocorrem com exclusividade na regio norte do estado. Os travertinos so rochas calcrias, de cores claras, com grandes poros, gerados por fontes de gua ricas em bicarbonato de clcio, e no raro, com vestgios de plantas (Foto 4). Por sua vez, os granitos tm menor porosidade, elevada resistncia e dureza. Conseqentemente, a serragem destes mais trabalhosa e dispendiosa que a dos mrmores.

Segundo Chiodi (NEGCIOS, 2004), na categoria de rocha carbontica, metamorfizada, o mrmore tem quase a mesma aplicabilidade que o granito. A seu favor est a durabilidade e a nobreza, e seu ponto fraco ser menos resistente a riscos (como arranhes) e mais sensvel ao ataque qumico, como os produtos de limpeza (cido). Por fora da constituio de seus terrenos geolgicos, os mrmores dos pases mediterrneos so mais nobres, possuem massa fina e padres cromticos variados, de acordo com Chiodi (IBID, 2004).

As rochas ornamentais so utilizadas na indstria da construo civil como revestimentos internos e externos de paredes, pisos, pilares, colunas e soleiras. Compem tambm peas isoladas, como estruturas, tampos, ps de mesa, bancadas, balces, lpides e arte funerria em geral, alm de edificaes. As pedras ornamentais podem tambm ser torneadas para revestimento de colunas. A aplicao do granito na construo civil em substituio a outros produtos vem sendo crescente, pelo fato de suas caractersticas apresentarem vantagens de uso: resistncia, durabilidade, facilidade de limpeza e esttica. Seu dinamismo de mercado est fundamentado na sua elevada capacidade de substituio em relao a outros materiais. Como resistente ao ataque qumico, ao desgaste abrasivo, a utilizao do granito em revestimentos externos tem aumentado, tanto em pisos quanto em fachadas (PEITER et al, 2001). Na Figura 1, apresentam-se as principais transformaes tcnicas pelas quais passam as rochas ornamentais, da matria prima ao produto final.

FIGURA 1 Transformaes Tcnicas e Principais Produtos da Indstria de Rochas

Ornamentais

O primeiro estgio de cadeia produtiva das rochas ornamentais a lavra de blocos a cu aberto desempenhada pelas empresas extratoras (Foto 1). O beneficiamento primrio feito nas serrarias. Compreende o corte de blocos brutos em chapas (Foto 2 e 3), por meio de equipamentos denominados teares, ou em tiras e ladrilhos por meio de talha-bloco para a produo de ladrilhos. A grosso modo, cada metro cbico de pedra bruta gera 30 m2 de chapas, variando

Fonte: Villaschi Filho e Pinto, 2000 apud Spnola (2003).

Revestimentos com ladrilhos padronizados.

Blocos Chapas

Tiras P R O D U T O S

Semi- Acabados

Etapas Produtivas

Extrao (Pedreira ou Jazida)

Desdobramento (Serraria)

Beneficiamento (Marmoraria)

Pisos, revestimentos sob medida, soleiras, rodaps, escadarias, mveis, objetos de adorno, bancadas, placas, peas de ornamentao.

Bancos e assentos, meio-fio e pavimentos.

reas de Aplicao

Urbanismo Arte Funerria Arte e Decorao Arquitetura e Construo Civil

de acordo com a espessura da chapa, tipo e qualidade do material. O ltimo processo de transformao ocorre nas marmorarias, cujos principais produtos so materiais de revestimento interno e externo em construes, alm de peas isoladas como bancadas, soleiras, rodaps e objetos de decorao. Para atender demanda do consumidor final, as marmorarias situam-se na fase do corte que d dimenses e detalhes de acordo com as especificaes requeridas.

Os bloquetes so blocos pequenos e irregulares, geralmente com menos de 50 cm de aresta, que sobram nas pedreiras e so aproveitados por algumas serrarias na fabricao de ladrilhos. Atravs de talhas blocos semelhantes a mini teares, os bloquetes so serrados diretamente em ladrilhos. Este tipo de processo, muitas vezes artesanal, comum na regio norte do estado da Bahia na produo de ladrilhos de mrmore bege.

Os materiais, muitas vezes refugados nas pedreiras, que no possuem dimenses apropriadas para blocos ou bloquetes, so utilizados por empresas de artesanato mineral, na feitura de mosaicos para tampos de mesa, esferas, objetos de adorno e utilidades, como abajures, cinzeiros, castiais (NERY; SILVA, 2001).

O equipamento mais comum na serragem de granitos o tear convencional, constitudo por multi-lminas. O corte do bloco se d pela combinao da lama abrasiva (mistura de granalha, cal e gua), conduzido por um conjunto de lminas movimentadas pelo tear. As lminas, geralmente so provenientes de So Paulo ou Santa Catarina, e a granalha, de So Paulo e Cachoeiro do Itapemirim (SPNOLA, 2003).

FOTO 1 Extrao de granito branco Jazida em Medeiros Neto - BA

Fonte: Spnola (2003)

FOTOS 2 e 3 Blocos e Chapas de Granito, na serraria Granitos Vencia

Teixeira de Freitas - BA

Fonte: Spnola (2003)

FOTO 4 Ladrilhos de mrmore do tipo bege ou travertino

Fonte: Spnola (2003)

O tear convencional vem sendo crescentemente substitudo pelo tear de lminas diamantadas, sobretudo na serragem do mrmore bege (Foto 4). Nestes, o corte se d pela ao abrasiva de segmentos diamantados com lminas de ao. Os insumos (lminas de ao e segmentos diamantados) so importados. Segundo o engenheiro de minas e presidente da Associao Comercial de Jacobina, Kurt Menchen, enquanto um tear convencional leva cem horas para serrar um bloco de 6 m3 de mrmore Bege Bahia, o de lminas diamantadas leva dez horas (IBID, 2003). Logo, a produtividade deste pode ser at dez vezes maior que a do convencional. Na mdia, um tear convencional produz 1500 m2 de chapas de mrmore do tipo travertino por ms e o de lminas diamantadas, de 6.000 a 8.000 m2.

Tanto as chapas de mrmores como as de granito, em geral, aps a serragem so polidas. No caso do mrmore, cuja superfcie mais irregular, primeiramente ocorre o processo de estucamento, que tem a funo de fechar os poros existentes na superfcie da chapa bruta com resinas especiais. Em seguida, o polimento d brilho e lustre ao material. Em se tratando do mrmore bege, devido elevada porosidade, o estucamento e polimento so fundamentais. O principal equipamento utilizado a politriz, cujos principais tipos so: manual de bancada fixa, e a multicabea com esteira transportadora. Na primeira as chapas ficam deitadas num balco de concreto, para serem polidas por um cabeote que contm os abrasivos e conduzido por um trabalhador. Por este motivo no d um brilho homogneo ao produto, uma vez qu

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