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  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 8

    5. RESULTADO DO PROJETO

    MANUAL DE ROCHASORNAMENTAIS PARA

    ARQUITETOS

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 9

    1. APRESENTAO

    A especificao de placas ptreas como revestimento e/ou

    ornamentao, principalmente pelos arquitetos, est se popularizando no Brasil, fato

    comprovado pelo crescente nmero de projetos com amplas reas revestidas por

    uma grande diversidade de tipos de rochas visando a integrao de aspectos

    prticos e estticos

    No Brasil, h uma lacuna de comunicao entre o setor produtivo das

    rochas ornamentais, a indstria da construo civil e a arquitetura. Especificaes

    incorretas, de granitos ornamentais, so freqentes por arquitetos e engenheiros,

    aspecto que resulta nas profusas patologias ptreas observadas num elevado

    nmero de obras pblicas e privadas. Tal fato reflete-se em desabonos para os

    granitos naturais como matria-prima nobre, para os autores dos projetos com

    especificaes erradas e numa crescente substituio de rochas naturais por

    "granitos sintticos" e cermicas, cujas caractersticas tcnicas so bem definidas e

    constantes por resultarem processos industriais padronizados e rigorosamente

    controlados. Por outro lado existe um crescente nmero de clientes cada vez mais

    exigentes, sob o aspecto esttico de rochas ornamentais. A simultaneidade destes

    dois fatos faz com que cresa a necessidade do arquiteto ter noes mais

    detalhadas sobre a ampla variabilidade das rochas ornamentais, sua natureza e

    caractersticas para garantir uma correta escolha em termos de esttica, resistncia,

    "O trabalho do arquiteto passa, tambm, pelacorreta especificao do material a ser

    empregado na obra. Procuro o melhor e quese adeqe perfeitamente ao projeto a ser

    desenvolvido. Pode ser pedra, vidro oualumnio. Mas claro, que ns sempre

    estaremos usando pedra. Para projetosespeciais ainda a melhor soluo."

    (Arq. Van Mourik Vermenlen, Rochas deQualidade, 1998c)

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 10

    durabilidade, assentamento, limpeza e manuteno. O domnio, algo mais profundo,

    deste conhecimento, que ora no passa da noo de dureza, brilho, cor e

    "movimento" (estrutura), permitir ao arquiteto a especificao correta dos materiais

    para os diferentes ambientes criados em seu projeto. Estes incluem, entre outros,

    ambientes midos (banheiros, cozinhas, reas de servio), ambientes de grande

    trnsito (corredores, praas), ambientes de ampla variao trmica (ambientes

    externos em geral), ambientes que necessitam de intensa e freqente limpeza

    (banheiros, cozinhas, reas de servio e reas de lazer), ambientes submetidos a

    grandes cargas (garagens, depsitos), etc. e inseridos em ecossistemas com

    variveis graus de agresso fsica e qumica (sistemas urbanos, montanhosos,

    perimarinhos, etc.). O domnio da especificao correta de granitos ornamentais

    permitir a diminuio das freqentes patologias ptreas observadas em ambientes

    onde as rochas naturais foram incorretamente especificadas.

    As pedras mais usuais no Brasil tm suas caractersticas tecnolgicas

    conhecidas no meio tcnico e empresarial especfico. Engenheiros e arquitetos

    geralmente no se enquadram nesse cenrio, apesar do arquiteto atualmente

    trabalhar em reas diversificadas incluindo pesquisa, construo civil, marketing,

    urbanismo, decorao, design, resultando numa viso social e esttica muito

    abrangente.

    Deste fato decorre a necessidade de orient-los no conhecimento das

    caractersticas de granitos ornamentais considerando a complexa relao meio

    ambiente/obra, comparando seus desempenhos de materiais sintticos

    padronizados, como as cermicas.

    Este manual pretende orientar os profissionais da rea de construo

    civil e arquitetura quanto correta escolha e utilizao do material de revestimento,

    tendo como conseqncia a satisfao de seu cliente quando o material

    especificado pelo arquiteto corresponde s suas expectativas. Seu principal intuito

    levar ao arquiteto, de maneira clara e direta, o conhecimento necessrio para a

    adequada escolha e especificao do revestimento ptreo. A partir desses

    conhecimentos pode-se atenuar, no processo construtivo, problemas na utilizao

    errnea deste material com diminuio de custos (troca de materiais no

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 11

    satisfatrios) e aumento da demanda dos mesmos pelo incremento da taxa de

    satisfao do cliente aps o encerramento da obra.

    A garantia da qualidade das construes civis e arquitetnicas,

    mantendo unidas a esttica, a tcnica e a funcionalidade, evita o comprometimento

    do conceito idealizado pelos arquitetos em suas obras. Ao mesmo tempo, evita a

    substituio da rocha natural uma matria nobre e de elevado significado ecolgico

    por cermicas e porcelanatos imitando rochas ou ainda por rochas artificiais,

    produzidas com agregados naturais e resinas, muito divulgado ultimamente nas

    principais revistas de arquitetura.

    Adicionalmente, o manual tem como objetivos a substituio de termos

    tcnicos complexos e hermticos por explicaes simples e sucintas de fcil

    assimilao por um profissional no especializado de vrias reas de geocincias e

    engenharia de materiais; a utilizao de vocabulrio que atinja diretamente o tipo de

    raciocnio dos arquitetos por ocasio da escolha do material de revestimento;

    destaque para os numerosos fatores que devem ser considerados na escolha do

    material de revestimento, com destaque para aqueles que sejam de maior

    importncia para o sucesso da aplicao dos principais materiais ptreos

    disponveis no mercado.

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 12

    2. MINERALOGIA DAS ROCHAS

    Rochas so agregados naturais de uma ou mais espcies minerais.

    Quando uma rocha constituda dominantemente por uma s espcie mineral ela

    dita monominerlica. Exemplos so os quartzitos (quartzo), mrmores calcticos

    (calcita), mrmores dolomticos (dolomita), serpentinitos (serpentina). Quando uma

    rocha formada por vrias espcies minerais ela dita poliminerlica. o caso, por

    exemplo, dos granitos (quartzo, feldspatos, micas, anfiblios e piroxnios).

    Tradicionalmente os minerais formadores de rochas so classificados

    em minerais silicatados e no silicatados.

    Os esqueletos dos silicatos so muito variveis em termos de

    complexidade. Englobam 6 grupos estruturais fundamentais, que so a base da

    classificao dos minerais silicticos (ou simplesmente silicatos) . Cada tipo de

    esqueleto silictico confere ao mineral propriedades caractersticas. Os minerais

    silicticos mais comuns nas rochas naturais so o quartzo (incolor, leitoso, rseo,

    esverdeado, cinzento, azulado, castanho, preto), os feldspatos (brancos, cor de

    creme, rseos, cor de carne, cinzentos), os feldspatides (cinzentos, azuis), as

    micas (prateadas, esverdeadas, castanhas, pretas), os piroxnios (cinzas, azuis,

    verde-claros, verde-escuros, pretas), as olivinas (cinza-esverdeadas), as granadas

    (vermelhas), as dumortieritas (azuis), o talco (branco, amarelado, acastanhado), a

    serpentina (branca, verde, castanha, amarelada).

    Entre os minerais no silicticos destacam-se os carbonatos (calcita,

    magnetita, dolomita, siderita), componentes principais dos calcrios e mrmores.

    Nos itabiritos o xido de ferro (hematita, magnetita) constitui um componente

    importante com nfase variedade especularita, que tem aspecto de um espelho

    metlico (ou de um ferro polido). Este mineral confere rocha uma cor escura

    reluzente que pode variar para um preto esverdeado quando a especularita ocorrer

    associada clorita, uma mica verde ou anfiblibo (grumerita e odinolita).

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 13

    2.1. PROPRIEDADES DOS MINERAIS DE IMPORTNCIA PARA ASROCHAS NATURAIS

    Dentre as principais propriedades mineralgicas de maior influncia

    nas caractersticas das rochas ornamentais, destacam-se quatro: dureza, clivagem,

    fraturas e alterabilidade.

    2.1.1. DUREZA

    Dureza a resistncia ao risco. Para os minerais foi definida uma

    escala relativa e progressiva de dureza, denominado de escala de Mohs (Tabela 1):

    TABELA 1 ESCALA DE DUREZA DE MOHS. MINERAIS ARRANJADOS DE ACORDOCOM CRESCENTE DUREZA RELATIVA

    (Fonte: Dietrich, R. V,; Skinner, B. J., 1924, p. 21)

    ESCALA DEDUREZA DE

    MOHS

    MINERAL OBJETO DECOMPARAO

    1 Talco

    2 Gipsita

    (2.2) Unha

    3 Calcita

    (3.5) Moeda de cobre

    4 Fluorita

    5 Apatita

    (5.1) Martelo

    (5.2.) Canivete de ao

    (5.5) Vidro

    6 Feldspato

    7 Quartzo

    8 Topzio

    9 Corndon

    10 Diamante

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 14

    Tendo-se o conhecimentos da escala de dureza de Mohs e

    conhecendo-se a composio mineralgica quantitativa de uma dada rocha, torna-se

    mais fcil a escolha do material ptreo respeitando-se o desgaste abrasivo a que

    ser sujeito em diferentes ambientes.

    Assim rochas ricas em talco, serpentina (pedra sabo, esteatitos) ,

    gipsita e calcitas (calcrio, mrmores) so rochas facilmente riscveis, por exemplo,

    por gros de areia (quartzo) presos na sola de sapatos. Como tal, no devem ser

    utilizados no revestimento de pis

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