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  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 172

    10. PARMETROS TCNICOS DE ROCHAS ORNAMENTAIS E SEUSIGNIFICADO PRTICO

    Entre os principais ensaios e anlises necessrios caracterizao

    (especificao) tecnolgica do material a ser utilizado na construo civil cabem

    destacar:

    Anlise petrogrfica;

    Anlise granulomtrica;

    Determinao de impurezas;

    Determinao de ndices fsicos (massa especfica aparente,

    porosidade aparente e absoro dgua);

    Determinao do desgaste por atrito (desgaste Amsler);

    Determinao do coeficiente de dilatao trmica;

    Determinao da resistncia ao impacto;

    Determinao da resistncia compresso uniaxial simples;

    Determinao da resistncia compresso uniaxial aps

    congelamento e degelo;

    Determinao do mdulo de deformabilidade esttico;

    Determinao da resistncia flexo;

    Determinao da velocidade de vibrao e da constante elstica de

    ultra-som em rochas

    10.1. ANLISE PETROGRFICA

    A petrografia permite a definio da natureza da rocha, identificao

    dos minerais existentes, seu fraturamento, seus graus de alterao e granulao,

    textura (ou trama) e estrutura (ou desenho e movimentao).

    A norma ABNT-NBR-12.768 sugere um roteiro para a realizao da

    anlise petrogrfica.

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 173

    Inicia-se a anlise petrogrfica com o exame macroscpico da rocha

    para identificao da estrutura, colorao e estado geral de sanidade do material,

    seguido do estudo de lminas delgadas ao microscpio ptico de luz transmitida

    para identificao e quantificao dos minerais, seu estado de alterao, sua

    granulao e avaliao microfissural da rocha, a natureza dos seus contatos e seu

    arranjo espacial. A microscopia pode ser combinada com outras tcnicas, caso da

    colorao seletiva de minerais e difratometria de raios-X, a cor da pedra determinada pela colorao predominante de seus minerais e pode ser afetada pela

    presena de constituintes mineralgicos friveis, alterados e alterveis ou solveis,

    que comprometem o lustro e o desempenho das rochas. A durabilidade da cor

    essencial nos revestimentos, sendo que o polimento da pedra favorece sua

    resistncia ao do tempo. A durabilidade da cor influenciada pela presena de

    minerais que se decompem facilmente liberando substncias que mancham as

    rochas, comprometendo no s o material de revestimento esteticamente, mas

    tambm em sua durabilidade. Dentre esses destacam-se os minerais sulfetados

    (piritas e calcopiritas) e xidos de ferro (Figura 58 e Foto 103).

    A cor tem importncia fundamental nas rochas ornamentais, por seu

    papel de acabamento e decorao. Rochas com cores raras, caso do azul (Granito

    Azul Bahia) e do verde escuro (Granito Verde Ubatuba so de elevado custo.

    FIGURA 58 ESQUEMA MOSTRANDO A ALTERABILIDADE DE MINERAISEM ROCHAS ORNAMENTAIS DE REVESTIMENTO, CUJACARACTERSTICA ESSENCIAL DEVE SER A ESTTICA

    ROCHA ORNAMENTALSEM DETERIORAO

    OXIDAO DE MINERAISFERROSOS

    COMPROMETENDO AAPARNCIA DO MATERIAL

    REAES

    COM AGENTESPOLUENTES E/OU

    MATERIAIS DELIMPEZA

    AGRESSIVOS

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 174

    A textura (trama) da rocha fundamental na caracterizao doselementos mineralgicos de uma rocha ornamental, de acordo com o grau de

    cristalizao, as dimenses absolutas e relativas, forma de seus constituintes, sua

    posio espacial e o tipo de contato entre eles. A textura define as espcies minerais

    que compem a rocha e o grau de fraturamento dos minerais e permite, entre outros

    aspectos avaliar qualitativamente a maior ou menor capacidade de absoro d'gua.

    As microfissuras, pequenas fraturas visualizadas na superfcie polidada rocha (Figura 59), ou a presena de fissuramento razoavelmente intenso (seja

    devido ao intemperismo fsico, ocorrido na jazida, seja no processo de lavra ou na

    prpria serragem), possibilitam a percolao de substncias fluidas quimicamente

    FOTO 103 MINERAIS OXIDADOS EM GRANITO DE PISO DE SACADA EM APARTAMENTO,REVESTIDA COM GRANITO - BOTUCATU, SP

    2,5 cm

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 175

    ativas pelo material rochoso, tais como gua carregando impurezas, produtos de

    limpeza, leos, agentes manchantes, etc.

    Decorrente dessa alterao, o granito muitas vezes perde sua aptido

    ao polimento, no apresentando um fechamento eficaz no polimento (Foto 104). Ao

    se procurar alcanar o grau de polimento desejado, promove-se uma solicitao

    mecnica excessiva que conduz a danos na trama mineralgica da superfcie da

    placa que inicialmente imperceptvel a olho nu manifesta-se, posteriormente pelo

    surgimento de aspereza na superfcie, perdendo lustro, ou pelo desenvolvimento de

    manchas pela percolao de substncias.

    A origem, quantidade, dimenses e o embricamento dos minerais, alm

    da porosidade influenciam a resistncia mecnica das rochas. Rochas silicificadas,

    cuja composio predominantemente quartzosa, como o granito so mais

    resistentes que as calcrias, como o mrmore. Em outro caso, duas rochas de

    mesma origem diferem-se quanto resistncia mecnica, de acordo com o tamanho

    relativo das partculas (minerais), pois pedras com granulometria fina so mais

    resistentes que as de granulometria grossa.

    FIGURA 59 ESQUEMAMOSTRANDO A OCORRNCIADE MICROFISSURAS, QUEAUMENTAM A POROSIDADE DAROCHA E INTENSIFICAM OPERCOLAMENTO DE FLUIDOSNO SEU INTERIOR

    FOTO 104 FOTO ILUSTRANDO OESQUEMA: MICRO EMACROFISSURAS EM MRMOREPREENCHIDAS POR CALCITADISSOLVIDA E REPRECIPITADA

    1 cm

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 176

    10.2. NDICES FSICOS

    Denominam-se ndices fsicos, na qualificao das rochas ornamentais,

    a densidade (ou massa especfica), a porosidade e a absoro dgua.Na determinao desses ndices segue-se a norma da ABNT NBR

    12.766, que especifica 10 amostras cilndricas com 5 a 7 cm de dimetro. Esses

    corpos-de-prova so lavados e levados estufa ventilada submetida a temperatura

    entre 110o e 115o C, por 24 horas. Aps a secagem so pesados (massa A) e, em

    seguida, so saturados em gua, com auxlio de bomba a vcuo por 24 horas, e

    pesados (massa B). Depois so submersos novamente e pesados (massa C).

    10 CORPOS DE PROVA

    MASSA A

    SATURAO (24 HORAS)

    PESAGEM AO AR MASSA B

    SUBMERSO

    PESAGEM SUBMERSA MASSA C

    PESAGEM AO AR

    ESTUFA (110O a 115O C)

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 177

    Esses valores obtidos so substitudos nas seguintes expresses,

    Massa especfica aparente seca: CB

    A

    (Kg/ m3)

    Massa especfica aparente saturada: CB

    B

    (Kg/ m3)

    Porosidade aparente (em %): 100

    CBAB

    Absoro dgua (em %): 100A

    AB

    A massa especfica expressa pela relao entre a massa da rocha eseu volume. Esse ndice reflete o estado de sanidade do material, pois rochas

    alteradas possuem massas especficas menores que as mesmas no estado so.

    Dessa maneira a massa especfica representa importante diagnstico para a

    caracterizao tecnolgica da rocha e preveno de problemas tcnicos aps seu

    assentamento.

    A maior densidade de uma rocha revela uma maior resistncia da

    mesma, por outro lado, representa inconvenientes para sua utilizao, pois refletir

    em maior peso morto, requerendo-se cuidados adicionais no dimensionamento das

    placas para compatibilizar com a resistncia dos dispositivos de ancoragem.

    Porosidade o volume de espaos "vazios" (poros) de uma rocha, eest relacionada ao tipo de rocha (Tabela 7) e seu grau de alterabilidade da rocha.

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos 178

    TABELA 7 - POROSIDADE DE ALGUMAS ROCHAS(Fonte: POPP, 1984)

    Esta propriedade no determina, isoladamente que a rocha seja

    impermevel ou que apresente baixa absoro, pois estes fatores dependem alm

    da porosidade tambm de sua permeabilidade.

    Permeabilidade, por sua vez, a intensidade do fluxo de um fluidoatravs de uma rocha, isto , depende da maior ou menor conexo entre os

    espaos vazios de uma rocha. Esta conexo pode ser direta ou indireta. No caso de

    conexo direta, os poros se tocam diretamente. No caso de conexo indireta, o

    contato entre os poros promovido por microfraturas. Portanto, o grau de

    fraturamento e a disposio espacial (orientada ou no) das fraturas, caractersticas

    determinadas pela anlise petrogrfica, so fatores importantes para a porosidade.

    A porosidade e a permeabilidade so controladas, basicamente pela

    granulao, textura e sanidade da rocha.

    As Figuras 60 e 61 mostram a mudana da porosidade e

    permeabilidade em rochas compostas apenas por gros de uma mesma dimenso,

    apresentando apenas mudana de textura.

    As Figuras 62 e 63 mostram a alterao da porosidade e

    permeabilidade em relao s Figuras 60 e 61, pela variao das dimenses dos

    gros constituintes dessas rochas.

    As Figuras 64 e 65 mostram, novamente, a influncia de gros com

    mesmas dimenses e com dimenses variveis na porosidade e permeabilidade das

    rochas e ressalta a importncia do tipo de contato entre os minerais constituintes da

    rocha.

    ROCHA POROSIDADE (%)

    Granito 0,5% a 1,5%

    Arenito 10% a 20%

    Calcrio 5% a 12%

    Argila 45% a 50%

  • Manual de Rochas Ornamentais para Arquitetos

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