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POTENCIAL ECONMICO DAS JAZIDAS DE ROCHAS ORNAMENTAIS NA ZONA DE OSSA - MORENA Lopes, J. Lus. G. 1 & Gonalves, F.1 1 Departamento de Geocincias da Universidade de vora, Colgio Lus Antnio Verney, Apartado 94 - 7001 EVORA CODEX, Portu-gal. email: lopes@evunix.uevora.pt

ABSTRACT

Portugal is now one of the world most important country when regarding the production of ornamental rocks. This short review of the ornamental rocks mining at Alentejo portuguese country shows up that the great economical values of these rocks are still unknown. Nevertheless, all the Alentejo production in ornamental rocks is originated in the Ossa-Morena Zone tectonostratigraphic terrain. It makes more than 90% of the portuguese production in ornamental stones, including marbles, slates and granites.

These facts show the need of deeper studies that can provide a more correct evaluation of the real potentialities, this work is already being done at the Geosciences Department of vora University.

RESUMO

No panorama internacional das rochas ornamentais, Portugal ocupa um lugar cimeiro. Na ltima dcada esta posio foi reforada pela iniciativa empresarial. Efectivamente, na Comunidade Econmica Europeia, produz-se 45,7% das rochas ornamentais do mundo, onde Portugal ocupa o quinto lugar em termos de produo com 7,3% da produo da CEE, o que considerando, por um lado, a dimenso do Pas e, por outro que 42,1% desta produo provem de Itlia, constitu percentagem proporcional significativa no contexto mundial.

Por outro lado, em Portugal, cerca de 90% da produo nacional de rochas ornamentais extrada no Alentejo, mais precisamente na Zona de Ossa-Morena. Do que atrs ficou exposto podemo-nos aperceber da importncia desta zona tectonoestratigrfica como produ-tora de rochas ornamentais. No entanto o alto valor econmico das rochas ornamentais permanece, em grande parte, ainda desconhe-cido. Neste trabalho faremos uma sntese dos principais ncleos de rochas ornamentais que se encontram em explorao ou que tm potencialidades para vir a ser explorados para tal fim.

INTRODUO

Pedra natural - Um produto nico em cada obra.

Esta ideia ope-se uniformizao de padres e texturas dos produtos sintticos, concorrentes nas aplicaes com as pedras naturais. Vender a pedra como produto ni-co e irreprodutvel deve ser um argumento de fora para a valorizar em relao aos pro-dutos sintticos onde a identidade de uma aplicao final no existe.

A explorao de rochas ornamentais constitui hoje, no vasto campo dos recursos naturais, uma das mais importantes actividades econmicas do nosso pas. Em particular no Alentejo, devido s condies geolgicas favorveis e actual escassez de alternati-vas, esta indstria pode mesmo considerar-se fundamental num qualquer modelo de desenvolvimento econmico regional (Lopes & Lopes, 1996). Embora o peso das rochas ornamentais no PIB no seja muito significativo, acontece que nos maiores centros de explorao (e.g. Estremoz - Borba - Vila Viosa, Alpalho, Trigaches) e transformao (e.g. Pro Pinheiro, Vila Viosa) constituem o principal dinamizador econmico e agente empregador.

O papel e importncia da indstria de rochas ornamentais portuguesa no contexto mundial pode ser avaliado pela anlise do Quadro I:

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Quadro 1 - Produo nacional de rochas ornamentais na Comunidade Econmica Europeia , em 1995 e incidncia de acordo com a rea e o nmero de habitantes.

Produo Produo / rea Produo / habitante

Pas 000 tons % 000 Km2 tons. Km2 Hab. mill kg / hab.

Itlia 7.500 42.1 301 24.9 57.40 130.7

Espanha 3.500 19.7 501 7.0 37.40 93.6

Grcia 2.050 11.5 132 15.5 10.15 202.0

Frana 1.500 8.4 544 2.8 56.60 26.5

Portugal 1.300 7.3 92 14.1 10.25 126.8

Alemanha 600 3.4 357 1.7 79.48 7.5

Blgica 400 2.2 31 12.9 9.95 40.2

Finlndia 430 2.4 338 1.3 4.98 86.3

Sucia 280 1.6 450 0.6 8.55 32.7

Irlanda 150 0.8 69 2.2 3.50 42.8

Outros 100 0.6 332 0.3 75.90 1.3

Total CEE 17.810 100 3.147 5.7 354.16 50.3

% Mundial 45.7 - 2.3 - 6.3 -

Fonte: http://www.marbleintheworld.com/

Deste quadro resulta que a nvel europeu Portugal ocupe o 5 lugar em termos de produo e o 3 em relao s produes por rea e por habitante. A nvel mundial situa-se em 10 lugar a nvel de produo mantendo o 3 lugar nos restantes parmetros. Para alm dos pases da CEE com maior produo que Portugal, e constantes do Quadro I, os outros so: China (5.000.000 tons), Brasil (1.700.000 tons), ndia (1.800.000 tons), Coreia do Sul (1.400.000 tons) e Estados Unidos da Amrica (1.400.000 tons).

Estes recursos geolgicos tm sido explorados desde a mais remota antiguidade (e.g.: monumentos megalticos, edificaes romanas, etc.). Nesta regio com rea total de 26091 Km2, 12% dela ocupada por rochas granticas, 3% por rochas diorticas e gabros e 2% por rochas carbonatadas (Gonalves & Lopes, 1993).

A explorao de rochas ornamentais depende em primeiro lugar da geologia das jazidas, mais ou menos propcias e depois da competncia, audcia e diligncia dos industriais e ainda, em larga medida, do comportamento do mercado (principalmente do mercado externo uma vez que cerca de 56% de toda a explorao nacional se destina a exportao).

Existem exploraes de rochas ornamentais um pouco por todo o Pas mas no Nordeste alentejano que se concentram os mais importantes centros de explorao tanto

de rochas carbonatadas (mrmores do anticlinal de Estremoz) como de granitos (Alpa-lho, Monforte - Santa Eullia) (Fig. 1).

Fig. 1 - Localizao dos principais centros de explorao de rochas ornamentais. Adaptado de Martins (1991)

Neste trabalho damos uma retrospectiva do estado actual da indstria extractiva de rochas ornamentais no Alentejo, indicando onde e quais os tipos petrogrficos explorados. Por outro lado, fazemos referncia a algumas rochas que no sendo actualmente explo-radas, apresentam caractersticas que podero viabilizar o seu aproveitamento para tal fim. A ttulo de curiosidade refira-se que no primeiro semestre de 1996, no Brasil foram descobertas e iniciou-se a explorao de vinte novas pedras naturais, nicas pelas suas cores e texturas.

As rochas exploradas nos diferentes ncleos extractivos podem ser separados segundo vrios critrios (idade, afinidades petrogrficas, localizao geogrfica, interesse econmico relativo, etc.). Consideramos, pois, em primeiro lugar, uma diviso petrogrfica e em segundo a localizao geogrfica, enumerando de norte para sul cada tipo petrogr-fico considerado.

Em cada um dos referidos ncleos extractivos apresentamos o seu enquadramento geolgico, localizao das exploraes, aspectos gerais mais relevantes das exploraes, anlise petrogrfica mesoscpica da rocha explorada e perspectivas das exploraes no contexto nacional e internacional da indstria extractiva de rochas ornamentais.

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1. ROCHAS SILICIOSAS (GRANITOS E AFINS)

As rochas granticas apresentam uma extenso aflorante de cerca de 3 118 Km2. Ocorrem em macios batolticos dispersos em vrios sub-domnios da Zona de Ossa-Morena (Oliveira et al., 1991). Esta designao engloba rochas com composio diversa, desde granitos alcalinos a calco-alcalinos, incluindo granodioritos, de textura porfiride e no porfiride, com idades e graus de deformao diversos.

Estas rochas encontram-se intimamente relacionadas com a evoluo geodinmica da Zona de Ossa-Morena. A existncia de rochas provenientes de materiais fundidos implica necessariamente um percurso de presso e temperatura ao longo do tempo para estes materiais. Os processos de gnese, ascenso, diferenciao, instalao e arrefeci-mento de materiais fundidos (magmas) apenas se tornam possveis na crusta terrestre se a eles for inerente um dinamismo ao nvel das placas litosfricas. Assim sendo, a existn-cia de tipos petrogrficos gneos to distintos como os que se encontram na Zona de Ossa-Morena so o primeiro indicador de uma evoluo geodinmica com perodos de confrontao entre placas litosfricas, onde se dar o espessamento crustal com conse-quente fuso parcial e gnese de magmas e outros perodos de distenso com adelga-amento crustal, desenvolvimento de bacias sedimentares e ascenso por levantamento isosttico das razes montanhosas anteriormente formadas. Contudo no nosso objec-tivo descrever a evoluo geodinmica da Zona de Ossa-Morena, apenas queremos chamar a ateno para a interligao entre as litologias observadas e os factores geolgi-cos, fsicos, qumicos e mecnicos inerentes sua gnese.

1.1. Ortognaisses granticos ante-variscos

Englobamos neste grupo todas as rochas granticas ortoderivadas que foram, pelo menos, afectadas por uma fase de deformao da orogenia varisca. Na maior parte estes materiais apresentam-se muito deformados, fracturados e alterados o que inviabiliza o seu aproveitamento para fins ornamentais. No entanto existem alguns afloramentos sus-ceptveis de anlise mais pormenorizada, onde ainda no foi efectuado qualquer estudo neste sentido.

Nos domnios mais setentrionais da Zona de Ossa-Morena afloram os denominados "granitos tectonizados de Portalegre", granitos ante-hercnicos (466 10 M.a.) provavel-mente relacionados com a Orogenia cadomiana. So rochas gnissicas derivadas de gra-nitos alcalinos, porfirides de gro grosseiro, grosseiro a mdio ou de gro fino, e no por-firides de gro grosseiro a mdio e fino, situadas na faixa blastomilontica. Neste conjun-to consideramos a existncia de vrios macios com estrutura e idade diferentes dos quais salientamos o macio de Portalegre. Este est instalado entre terrenos do Ordovci-co inferior contactando tambm a ocidente e sudeste com terrenos proterozicos da For-mao de Urra. Na periferia do macio observam-se granitos porfirides de gro mdio a grosseiro com predomnio deste e no ncleo granitos com tex

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