lavra de rochas ornamentais

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  • 41 INTRODUO

    Este trabalho apresenta uma viso global da indstria extrativa do setor de rochas

    ornamentais no Brasil, com abordagem de conceitos bsicos sobre as tipologias, as

    metodologias e as tecnologias de lavra atualmente em uso no pas 5 maior produtor

    mundial de rochas ornamentais e de revestimento. A importncia desta indstria no

    Brasil est vinculada sua destacada geodiversidade, com grande disponibilidade de

    variedades de materiais em todo o seu territrio, e apoiada na expanso das

    exportaes e do seu fabuloso mercado interno.

    Tambm so analisados os princpios bsicos e gerais das atividades que compe um

    projeto bsico de lavra, com a descrio do conjunto de estudos tcnicos e econmicos

    necessrios a implantao de uma indstria de minerao, mostrando a importncia do

    planejamento e gerenciamento desta atividade.

    2 METODOLOGIAS DE LAVRA

    Considera-se metodologia o conjunto de escolhas inerentes evoluo de uma

    pedreira, sua configurao geomtrica, a seqncia de ataque que se estabelece, os

    volumes a serem isolados, enfim, trata-se de como se realiza a extrao.

    2.1 LAVRA A CU ABERTO

    Como o prprio nome sugere, as atividades de extrao acontecem exclusivamente em

    uma rea aberta luz do sol. A lavra a cu aberto de rochas ornamentais no Brasil

    realizada em macios rochosos, atravs de bancadas com alturas variveis

    (bancadas baixas e bancadas altas), capeados e mataces.

    2.1.1 Macios rochosos

    Nos macios rochosos, a localizao das pedreiras, em relao ao contexto

    geomorfolgico, se d em flanco de encosta, em fossa ou em poo.

    Pedreira em flanco de encosta

  • 5So desenvolvidas nas vertentes dos relevos pouco ou muito ngremes, permitindo

    uma fcil ampliao lateral da superfcie explotvel, com boa possibilidade de um

    progressivo rebaixamento.

    Pedreira em encosta do granito Giallo Califrnia, da Monte Santo, no municpio de Dores deGuanhs-MG.

    Pedreira em fossa

    A explotao realizada completamente abaixo do plano do terreno, com as frentes de

    lavra acessadas por meio de rampas previamente construdas. Deve-se observar que o

    escoamento da produo feito de maneira ascendente e a interferncia com a

    camada fretica pode limitar o aprofundamento da cava.

  • 6Pedreira em fossa do granito Branco Cear, da Granistone, no municpio de Santa Quitria-CE.

    Pedreira em poo

    Localizadas abaixo do nvel do terreno, as pedreiras em poo so delimitadas por

    paredes verticais, sem presena de rampas para acesso direto s frentes de extrao,

    tornando indispensvel o uso de meios de elevao fixos, para o iamento de blocos,

    mquinas e equipamentos. O acesso de pessoal feito atravs de escadas.

  • 7Pedreira de mrmore em poo, da Imil, no municpio de Cachoeiro de Itapemirim-ES.

    2.1.1.1 Lavra por bancadas

    A extrao nas pedreiras localizadas em flanco de encosta, em fossa ou em poo

    feita progressivamente atravs de nveis de rocha, procedendo de cima para baixo, de

    forma a se obter um progressivo rebaixamento da jazida. Os nveis de rocha a ser

    extrados tomam a forma de degraus, cujas paredes verticais representam as frentes

    de lavra propriamente ditas. As atividades de extrao podem acontecer em um nico

    degrau ou em degraus mltiplos, dependendo das condies morfolgicas da rea da

    jazida e, principalmente, das exigncias produtivas.

    Em funo das condies qualitativas e estruturais da jazida e/ou das dimenses dos

    blocos a ser produzidos, a altura desses degraus pode variar de 1,80/3,00 m

    (bancadas baixas) at 12 m (bancadas altas).

  • 8Bancadas baixas

    A lavra por bancadas baixas, cuja altura no ultrapassa a uma das dimenses do bloco

    comercializvel, permite a obteno de blocos diretamente no prprio macio,

    apresentando uma boa flexibilidade, com a orientao da frente de lavra podendo ser

    facilmente modificada, em funo dos motivos estruturais presentes. Por outro lado,

    este mtodo pouco seletivo, sendo aplicvel somente em macios homogneos

    (raros no Brasil), com pouca presena de defeitos do ponto de vista comercial.

    Uma situao que torna imperativo o seu emprego quando o macio apresenta

    grande incidncia de fraturas sub-horizontais (estrutura cebolar), pouco espaadas,

    delimitando naturalmente a altura das bancadas, que passa a ser varivel, em funo

    da prpria esfoliao esferoidal presente.

    Pedreira do granito Verde Eucalipto, lavrado pela Itanas Minerao, no municpio de NovaVencia-ES, atravs de bancas baixas, em funo do sistema de fraturas existentes no macio.

    Bancadas altas

    Os macios rochosos caracterizados por uma grande heterogeneidade qualitativa e

    estrutural exigem o emprego de uma metodologia que oferea opes de ataque, e

  • 9com possibilidades de selecionamento de blocos de qualidade. Para tanto, devem ser

    utilizadas bancadas altas com desenvolvimento lateral em forma de L, atravs do

    isolamento de volumes primrios de rocha, de formato paralelepipdico, e o

    desdobramento desses volumes em painis verticais (files ou pranchas). A altura

    desses painis igual a um nmero mltiplo de uma das dimenses do bloco

    comercializvel (6 a 12 metros) e espessura igual a uma das dimenses desse bloco.

    Trata-se, portanto, de um mtodo seletivo, que favorece o aumento da recuperao

    das pedreiras, que dada pela relao entre o volume lquido de blocos

    comercializveis e o volume total bruto de rocha desmontada.

    Pedreira de mrmore da Marbrasa (pedreira da Sambra), sendo explotada por bancadas altas,no municpio de Cachoeiro de Itapemirim-ES.

  • 10

    Um outro aspecto que deve ser analisado a conduo de pedreiras de granito com

    geometria em U, muito comum na extrao de granitos, com incio da frente de lavra

    geralmente nas cotas mais inferiores do macio. Esta prtica compromete o avano da

    frente, que passa a ganhar altura muito rapidamente, dependendo da inclinao do

    macio, limitando o progresso da pedreira.

    Pratica-se, tambm, na configurao em U, o que se pode denominar de lavra

    ambiciosa, com a extrao processando-se somente no material interessante, sem a

    preocupao de se desenvolver lateralmente a pedreira. Tal prtica favorece o

    estrangulamento da pedreira, comprometendo a sua vida til.

    2.1.2 Capeados

    Os fatores estruturais so vantajosos para este tipo de extrao, aproveitando-se da

    estrutura cebolar existente no macio rochoso (fraturas sub-paralelas que

    acompanham a morfologia do macio). Lateralmente, esses volumes (capas) so

    delimitados pela presena de planos de fraturas verticais ou pela prpria superfcie do

    macio.

    Normalmente, a topografia acidentada, tornando imperativo o emprego de uma lavra

    por desabamento, aproveitando-se da gravidade, para o desmonte de volumes

    primrios de rocha com uso de explosivo (plvora negra). Nos pontos de queda (p da

    encosta), o volume desmontado desdobrado em volumes secundrios

    (files/pranchas), que em seguida so esquadrejados em blocos. um mtodo cujas

    condies de segurana so crticas.

  • 11

    Lavra de capeado, por desabamento, do granito Giallo Esperana, da Rocha Branca Minerao,no municpio de Boa Esperana-ES..

    J em topografias suaves, so isolados e tombados files/pranchas diretamente na

    frente de lavra, no havendo o desabamento propriamente dito.

    2.1.3 Mataces

    A lavra de mataco envolve tecnologias de grande simplicidade operacional e de baixo

    custo, alm do baixo investimento inicial. Esse tipo de lavra pode apresentar problemas

    ligados manuteno dos nveis produtivos e qualitativos desejados, como

    conseqncia das prprias condies de formao desse tipo de jazimento

    (intemperismos fsicos e qumicos).

    Os depsitos de mataco podem ser in situ, cujas pores individualizadas da rocha

    no sofreram transporte, ao longo do tempo geolgico, ou essas pores podem ter

    sido transportadas e foram depositadas nos flancos ou vales de encostas.

    Normalmente, a lavra se processa com grande movimentao de solo, para desaterro

    desses volumes de rocha individualizados. Uma vez expostos, os mataces so

    desdobrados em talhadas, normalmente empregando-se a tcnica de fogo raiado,

  • 12

    com uso de plvora negra. Em funo da freqente obteno de cortes irregulares,

    gradativamente esta tcnica est sendo substituda pelo emprego de agente

    expansivo.

    Lavra de mataco do granito Preto Aracruz, da Marsal, no municpio de Aracruz-ES, comemprego de plvora negra.

    2.2 LAVRA SUBTERRNEA

    A atividade em subsolo ocorre quando se requer a remoo de grandes volumes de

    rocha estril sobrejacente ao material til, o que implicaria em vultosas despesas

    operacionais, alm do impacto ambiental provocado sobre a paisagem.

    A explotao acontece, pois, num local no interior da massa rochosa, adotando-se o

    mtodo de abertura de sales com preservao de pilares de sustentao, devido a

    importncia dos problemas de controle de estabilidade, para os vazios de grande

    volume submetidos a grandes esforos de tenso. Geralmente esses pilares de

    sustentao so isolados nas zonas de baixa qualidade comercial do macio.

  • 13

    Lavra subterrnea do quartzito Azul Imperial, da Rossittis Brasil, no municpio de Oliveira dosBrejinhos-BA. Observar o emprego da tecnologia do fio diamantado nos cortes realizados.

    3 CICLO DE PRODUO DA PEDREIRA

    O principal objetivo de uma pedreira a produo de blocos comerciais, ou seja,

    blocos que atendam a certos requisitos de volume, dimenso e esttica. De modo

    geral, as operaes de lavra seguem as seguintes fases:

    Isolament

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