apolonio de tiana

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Texto sobre esta enigmática figura histórica, cujos feitos e história rivalizam com os de Jesus Cristo.

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  • 1. ~ APOLNIO DE TANA ~ O Filsofo, Explorador e Reformador Social do Primeiro Sculo depois de Cristo G.R.S.Mead Edio de 1901 Traduo de Ricardo A. Frantz Este livro pode ser reproduzido livremente, desde que para fins no comerciais,e desde que seja citada a fonte: www.theosophical.ws CONTEDO IIntroduo II As Associaes e Comunidades Religiosas do Primeiro Sculo IIIndia e Grcia IV O Apolnio das Primeiras Descries VTextos, Tradues e Literatura VI O Bigrafo de Apolnio VIIPrimeiros Anos VIII As Viagens de Apolnio IX Nos Santurios dos Templos e Retiros Religiosos XOs Gimnosofistas do Alto Egito XI Apolnio e os Governantes do Imprio XIIApolnio, o Profeta e Taumaturgo XIII Seu Estilo de Vida XIVEle e Seu Crculo XV De Seus Ditos e Sermes XVIDe Suas Cartas XVII Os Escritos de Apolnio I. INTRODUOPara o estudioso das origens do Cristianismo naturalmente no h perodo na histria ocidental de maior interesse e importncia do que o primeiro sculo de nossa era; e mesmo assim quo comparativamente pouco conhecido sobre

2. ele de natureza realmente definida e confivel. Se j to lamentvel que nenhum escritor no-Cristo do primeiro sculo tenha tido intuio suficiente do futuro para registrar sequer uma s linha de informao referente ao nascimento e crescimento do que viria a ser a religio do mundo ocidental, igualmente desapontador encontrar to pouca informao definida sobre as condies sociais e religiosas gerais da poca. Os governantes e as guerras do Imprio parecem ter constitudo o interesse principal dos historigrafos do sculo seguinte, e mesmo neste departamento de histria poltica, ainda que os atos pblicos dos Imperadores possam ser bastante bem conhecidos, pois os podemos averiguar por registros e inscries, quando passamos aos seus atos e motivos privados j no nos encontramos mais no terreno da histria, mas geralmente na atmosfera do preconceito, escndalo e especulao. Os atos polticos dos Imperadores e seus oficiais, entretanto, podem no mximo lanar s uma tnue luz sobre as condies sociais gerais da poca, mas j no iluminam nada das condies religiosas, exceto at onde de algum modo estas contatem o mbito da poltica. Tambm poderamos tentar reconstruir uma imagem da vida religiosa da poca a partir dos atos e editos Imperiais tanto quanto poderamos formar alguma idia da religio privada deste pas a partir de um estudo dos estatutos e anais das sesses do Congresso.As chamadas Histrias Romanas, com as quais estamos bem familiarizados, no podem nos ajudar na reconstruo de uma imagem do ambiente onde, de um lado, Paulo conduziu a nova f na sia Menor, Grcia e Roma; e onde, de outro lado, j a encontramos estabelecida nos distritos margeando o sudeste do Mediterrneo. somente reunindo laboriosamente migalhas isoladas de informao e fragmentos de inscries que nos tornamos cnscios da existncia da vida de um mundo de associaes religiosas e cultos privados que existiam neste perodo. No que mesmo assim tenhamos qualquer informao muito direta do que ocorria nestas associaes, guildas e irmandades; mas temos evidncias suficientes para fazer-nos lamentar agudamente a ausncia de um conhecimento adicional.Mesmo que este seja um campo difcil de lavrar, extraordinariamente frtil em interesse, e de lastimarmos que comparativamente to pouco trabalho tenha sido feito nele at agora; e que, como ocorre to amide, em sua maior parte seja inacessvel ao leitor em portugus. O trabalho que j foi feito sobre este assunto em especial pode ser conferido atravs da nota bibliogrfica anexa a este ensaio, na qual dada uma lista de livros e artigos tratando das associaes religiosas entre os gregos e entre os romanos. Mas se procurarmos obter uma viso geral da situao dos assuntos religiosos no primeiro sculo, nos encontramos desprovidos de um guia confivel; pois tratando deste assunto particular h s poucos livros, e neles aprendemos pouco, que no interessa diretamente, ou imagina-se que interesse, ao Cristianismo; enquanto que, no nosso caso, justamente sobre o estado do mundo religioso no-Cristo que desejamos ser informados.Se, por exemplo, o leitor dirigir-se a trabalhos de histria geral como o de Merivale, History os the Romans under the Empire (Histria dos Romanos sob o Imprio Londres, 1865), ele encontrar, de fato, no captulo iv, uma descrio do estado da religio at a morte de Nero, mas aprender pouco de 3. seu estudo. Se ele recorrer Geschichte der rmischen Kaiserreichs unter der Regierung des Nero (Histria do Imprio Romano sob o Reinado de Nero Berlin, 1872), de Hermann Schiller, ele encontrar muitas razes para abandonar as opinies vulgares sobre os monstruosos crimes imputados a Nero, como de fato poderia fazer pela leitura do artigo de G.H.Lewes Was Nero a Monster? (Nero foi um Monstro? Cornhill Magazine, julho de 1863) e ele tambm encontrar no livro IV, captulo III, uma viso geral da religio e da filosofia da poca que muito mais inteligente que a de Merivale; mas tudo ainda muito vago e insatisfatrio, e nos sentimos fora da vida ntima dos filsofos e religiosos do primeiro sculo.Se, ainda, ele acorrer aos ltimos escritores da histria da Igreja que abordaram esta questo especfica, ver que eles esto inteiramente ocupados com os contatos entre a Igreja Crist e o Imprio Romano, e s incidentalmente nos do alguma informao sobre a natureza do que buscamos. Neste terreno especfico, C.J.Neumann interessante em seu cuidadoso estudo Der rmische Staat und die allgemeine Kirche bis auf Dioclecian (O Estado Romano e a Igreja Geral at Diocleciano Leipzig, 1890); enquanto que o Prof. W.M.Ramsay, em seu The Church in the Roman Empire before AD 170 (A Igreja no Imprio Romano antes de 170 d.C. Londres, 1893) extraordinrio, pois ele tenta interpretar a histria romana atravs dos documentos do Novo Testamento, cujas datas em sua maioria so to calorosamente disputadas.Mas, voc pode dizer, o que tudo isso tem a ver com Apolnio de Tana? A resposta simples: Apolnio viveu no primeiro sculo; seu trabalho foi realizado precisamente entre estas associaes religiosas, colgios e guildas. Um conhecimento deles e de sua natureza nos daria uma ambientao natural para grande parte de sua vida; e informao sobre suas condies no primeiro sculo talvez nos ajudasse a entender melhor alguns dos motivos da tarefa que ele empreendeu.Entretanto, se apenas a vida e trabalhos de Apolnio fossem iluminados por este conhecimento, poderamos entender por qu to pouco esforo tem sido feito nesta direo; pois o carter do Tianeu, como veremos, desde o sculo IV tem sido encarado pouco favoravelmente, mesmo por poucos, enquanto que a maioria olha para nosso filsofo no s como um charlato, mas mesmo como um anticristo. Mas quando exatamente este conhecimento sobre estas associaes e ordens religiosas o que lanaria uma torrente de luz sobre a evoluo inicial do Cristianismo, no s a respeito das comunidades Paulinas, mas tambm a respeito daquelas escolas que posteriormente foram condenadas como herticas, espantoso que no tenhamos trabalhos mais satisfatrios feitos sobre o assunto.Entretanto, pode ser dito que esta informao no est disponvel simplesmente porque no encontrvel. De modo geral isto verdade; no obstante, muito mais do que j foi feito at agora poderia ser tentado, e os resultados da pesquisa em direes especficas e nos desvos da histria poderiam ser combinados, de modo que o leigo pudesse obter alguma idia geral das condies religiosas da poca, e fosse assim menos inclinado a se 4. juntar agora estereotipada condenao de todo o esforo moral e religioso no-Judeu ou no-Cristo no Imprio Romano do primeiro sculo.Mas o leitor pode redargir: As coisas sociais e religiosas naqueles tempos devem ter estado em uma condio muito deplorvel, pois, como este ensaio demonstra, o prprio Apolnio passou a maior parte de sua vida tentando reformar as instituies e cultos do Imprio. A isto respondemos: Sem dvida havia muito a ser reformado, e quando no h? Mas para ns seria no apenas mesquinho, mas nitidamente maldoso, julgarmos nossos companheiros daqueles dias somente pelo alto padro de uma moralidade ideal, ou mesmo desclassific-los sob o peso de nossas prprias supostas virtudes e conhecimentos. Nossa opinio no que no havia nada a reformar, longe disto, mas que todas as acusaes de depravao levantadas contra a poca no suportariam uma investigao imparcial. Ao contrrio, havia muito bom material pronto para ser desenvolvido de muitas maneiras, e se no fosse assim, como poderia ter havido entre outras coisas alguma Cristandade?O Imprio Romano estava no auge de seu poder, e se no tivesse tido muitos administradores notveis e homens dignos na casta governante, uma consumao poltica como aquela jamais poderia ter sido conseguida e mantida. Mais ainda, e como jamais no mundo antigo, a liberdade religiosa era garantida, e onde encontramos perseguies, como nos reinados de Nero e Domiciano, isso deve ser atribudo a razes polticas antes que teolgicas. Pondo de lado a disputada questo da perseguio dos Cristos sob Domiciano, a perseguio de Nero foi dirigida contra aqueles que o poder Imperial considerava como revolucionrios polticos Judeus. Assim, tambm, quando encontramos os filsofos presos ou banidos de Roma durante aqueles dois reinados, no foi porque fossem filsofos, mas porque o ideal de alguns deles era a restaurao da Repblica, e isto os tornou passveis da condenao de serem no s agitadores polticos, mas tambm de tramarem ativamente contra a majestas do Imperador. Apolnio, entretanto, foi sempre um ardoroso defensor da regra monrquica. Quando, ento, ouvimos sobre filsofos sendo banidos de Roma ou sendo lanados na priso, devemos lembrar que isto no era uma perseguio total da filosofia por todo o Imprio; e quando dizemos que alguns deles quiseram restaurar a Repblica, devemos lembrar que a sua vasta maioria no se envolvia na poltica, e este especialmente foi o caso dos discpulos das escolas religioso-filosficas. II. AS ASSOCIAES E COMUNIDADES RELIGIOSAS DO PRIMEIRO SCULONo campo da religio bem verdade que