são valentim: um dia para amar de verdade · no dia de são valentim envie-nos a sua história ou...

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O moçambicano que marcou Maradona Cova ameaça engolir moradores Guava São Valentim: Um dia para amar de verdade Ali Hassan Desporto Internacional Tema de Fundo 13 21 16 Cultural Exclusivo Jornal Gratuito Edição Nº 025 • Ano 1 Director: Erik Charas Sexta-Feira, 13 de Fevereiro de 2009 Quando a luta deixa de ser contra a morte e passa a ser contra a vida Adebayor O melhor africano em 2008 Gwaza Muthine: Um rito ao ritmo da marrabenta Entrevista com Jorge Palma em Maputo Eluana Conte-nos como AMOU no dia de São Valentim Envie-nos a sua história ou foto por e-mail [email protected] ou SMS 8415152 821115

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  • O moambicanoque marcouMaradona

    Cova ameaaengolir moradores

    Guava

    So Valentim:Um dia para amarde verdade

    Ali Hassan

    DesportoInternacionalTema de Fundo 13 2116

    Cultural

    Excl

    usiv

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    Jornal Gratuito Edio N 025 Ano 1 Director: Erik CharasSexta-Feira,13 de Fevereiro de 2009

    Quando a luta deixa de ser contra a morte e passa a ser contra a vida

    Adebayor

    O melhor africano em 2008

    Gwaza Muthine:Um ritoao ritmo da marrabenta

    Entrevista com

    JorgePalma em Maputo

    Eluana

    Conte-nos como amouno dia de So Valentim

    Envie-nos a suahistria ou foto

    por [email protected] ou SMS 8415152 821115

  • Grande Maputo

    So 22 horas de sbado noite, estamos debaixo de um prdio algures na baixa, cidade de Maputo. Soube-mos que aqui, de tempos em tempos, se organizam festas privadas, noites de dana, sexo e drogas. Do outro lado da rua jovens e adolescentes vo chegando. Juntmo-nos ao grupo e subimos at um sexto andar esquerdo. No trio defronte a porta est um monte de msculos. A carapinha farta e os ma-neirismos de um guindza no deixam perceber que o porteiro apenas um ado-lescente, como grande parte dos convivas. O rosto trans-borda um sorriso malandro, que serve em dose dupla: impor medo e respeito. Mostrmos a mensagem que nos garantia o acesso desde que chegssemos antes das 22 horas. Entrmos. O cho da sala estava todo riscado. No bar descobrimos que, enquanto o mundo dor-me, no silncio dos nons, um outro mundo se revela: o mundo das possibilida-des infinitas, dos amantes ocasionais e dos encontros proibidos.Sexo. lcool. Droga. Msica alta. Montes de maquilha-gem e de vedetismo. Rostos adolescentes. Ausncia de dilogo. Roupas extrema-mente curtas. Assim escrito parece que ficaram ali ali-nhados alguns dos ingre-

    dientes essenciais para criar uma dischouse como esta. Escusado ser dizer que, na escala etria adolescente, esse tipo de festas passou logo a estatuto de culto. nestas dischouses que a droga se cruza com a miu-dagem gira, rica e dema-siado concentrada nas suas obssesses.

    as personagens

    Num canto escuro da sala, no meio de outros adoles-centes, sentada num banco, Ermelinda*, 14 anos, vestida rameira, mas com um ros-to a transbordar inocncia,

    o centro das atenes. Alis, no dicionrio de Linda ino-cncia um termo ultrapas-sado desde os 12 anos, altura em que comeou a frequen-tar ambientes do gnero. No resistindo curiosida-de, atrevemo-nos a ingag-la: Os teus pais deixam-te sair assim vestida? . No, visto-me em casa de ami-gas, responde com pronti-do.No que diz respeito a sexo, Linda j tm quilmetros de rodagem. Ao contrrio do que aparenta, esta ma-ratonista do sexo no pro-vm duma famlia humilde como deixa transparecer. As

    razes que a levaram quele submundo so outras. Refi-ra-se que Ermelinda nunca passou fome. Em casa o seu maior drama foi sempre a rotina: Fartei-me de brin-car com bonecas, de trocar canais na televiso por cabo, da escola privada, onde os pais pagam uma mensali-dade que duas vezes o sa-lrio mnimo. E, hoje, para fugir da rotina, comeou a frequentar ambientes nada recomendveis. Num dia indistinto, do ano em que completara 12 anos, Ermelinda recebeu uma mensagem que mudou o rumo da sua vida. A men-sagem era um convite para participar numa festa, mas s podia entrar se mostras-se a respectiva sms na por-ta. Foi com umas amigas da escola e relata na primei-ra pessoa o que aprendeu: Aprendi a fumar e cheguei a fazer sexo com quatro ho-mens, confessa.- Qual foi o prazer? Nenhum, mas tambm no h nenhuma quando se faz com apenas um homem, di-lo sem ro-deios. A vida no um mar de rosas e o sexo um dos meios para que as mulheres sejam convidadas, garante Ermelinda. Diz o ditado que noite to-dos gatos so pardos, mas, entre silhuetas distorcidas, amplificam-se sons e chei-ros que passam despercebi-dos quando o sol ainda no se ps. Nesse cenrio devas-so, Ermelinda apenas uma

    personagem-tipo. Personagem-tipo tambm Rogrio, 16 anos, calas estilo 50 cent, brincos e fala fcil, viciado em drogas pe-sadas h dois meses, porque as chamadas drogas leves consome desde os 14 anos. Hoje, frequenta esse tipo de festas porque pode drogar-se vontade. Aqui os kotas no atrapalham, pensam que estou em casa de um brow , refere. Os 5000 Meticais de mesada so gastos na ntegra em co-cana que vendida em tam-pinhas de refrigerante pela

    mdica quantia de 1000 Meticais, um pouco mais do que um saco de arroz de 50 quilos. Alis, como 1000 Meticais no dinheiro de se apanhar facilmente, a so-luo para os consumidores funcionarem em micro-so-ciedades, pois assim podem adquirir com maior facilida-de as doses de cocana.Eram sete horas quando saram os ltimos convida-dos. Na porta, descobrimos que o que mantm a eficcia dessas festas a surpresa re-lativamente ao local do pr-ximo evento. O porteiro fica com uma lista onde passa os nmeros e os nomes dos presentes. E atravs desses contactos que se anuncia, a dois dias da festa, o local e hora. Samos com a sensao de que, em norma, 80 porcento dos presentes bebem e dro-gam-se a valer, mas h tam-bm o sexo desprotegido e em grupo, onde Rogrio e Ermelinda participam ac-tivamente. Chamin, poeta moambicano, disse um dia: Haja mais motis e discote-cas, em lugares de escolas e bibliotecas. Quando ironizou, no pen-sava, obviamente, que isso viesse a suceder, mas bastou entrarmos nesse mundo res-trito onde a ausncia de re-gras a nica regra para lhe associarmos o pensamento. Por isso, hoje, aos fins-de-semana, adolescentes en-trada dos 15 anos permane-cerem no conforto de suas casas depois das 18 horas no passa de um objecto de culto dos devotos das causas perdidas...

    www.verdade.co.mz Texto: Rui Lamarques v

    No bar No bar onde o lcool sai a rodos, uma simples cerveja no para qualquer bolso. Custa 100 Meticais quando produto nacional, 150 a importada. Depois tem as secas e os vinhos que custam os olhos da cara: um clice cus-ta 200 Meticais e um copo de vinho branco 150. tambm nesse bar improvisado que se compra todo o tipo de drogas. Um olhar atento deixa perceber que o que sai mais um p branco em tampas de refrigerante. As tampinhas so organizadas num balco, cerca de 100, mas desaparecem num pice. Na outra ponta, vende-se soruma, e ecstasy- uma droga psicadlica que colocada nas bebidas para ajudar os corpos a passarem a noite.

    oS orgaNizadorESUm grupo de adolescentes a ponta visvel na organizao da festa, mas pelas quanti-dades de droga e lcool que circulam, pode-se depreender que h gente grada por trs, que no d o rosto mas que, com o seu bra-o invisvel, controla tudo.

    vereadores vo gerir nos prximos quatro anos o municpio de Maputo, conforme a composio do elenco governativo apresentado por David Simango, novo edil da capital do pas17

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    Nos ltimos tempos, em Maputo, um grupo de pessoas sem rosto organiza festas em es-paos exclusivos onde no entra quem quer, mas s quem pode. E para poder no basta ter dinheiro, preciso nome e contactos, mas uma sms pode abrir a caixa de pandora.

    Maputo by night

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  • Grande Maputo

    Hoje em dia tudo isso est depreciado. Falar de namo-ro falar grosso modo de uma brincadeira com vista a encontrar o prazer caprichoso, sem qualquer inteno sria, pois so pou-cos aqueles que namoram, nos dias que correm, com um fim construtivo, embora se saiba que o amor no vai aparecer logo no primeiro contacto. Ele constri-se. O amor tambm um tra-balho, como dia diria Otis Redding: love is a job.

    avenida do namoro J passmos algumas ve-zes pela Avenida Frederich Engels, tambm pela Mar-ginal, na cidade de Maputo, particularmente nos fins de tarde, onde pudemos apre-ciar casais abraando-se e beijando-se, alguns deles beira do atentado ao pu-dor. Olhamos para aquelas cenas e o que nos sugere que se trata de casais de na-morados, que podem estar a relacionar-se a srio ou a brincar, como se tem brin-cado muito por a.O Bispo Dinis Sengulane, no ano passado, por estas alturas, j chamava a aten-o dos jovens para o sig-nificado do namoro, o valor que se deve dar a este pri-meiro passo de um relacio-

    namento que se pretender srio e construtivo. Muitos desses jovens nem querem saber: podem namorar (tan-to rapazes como raparigas), mais do que um parceiro ao mesmo tempo, sem qual-quer responsabilidade. Os pais tambm entram no jogo. No se escandali-zam se uma filha ou se um filho, lhes apresenta um(a) namorado(a) hoje e, pas-sando algum tempo, trazem outro(a) amanh. Mesmo que no lhes seja apresenta-do o namorado(a), que ser encontrado(a) na sala de vi-sitas, aos beijos, pelos pais, tudo continuar na mesma no seio da famlia.Logo nos primeiros passos, vamos perceber que esses namoros j so uma si-nagoga. Os namoros de hoje transportam muitos interesses, particularmente materiais, o que, a priori, lhes vai esvaziar automati-camente de qualquer valor e futuro. Os namoros de hoje so tambm orientados fortemente pelo sexo, que se comea a praticar mui-to cedo, tornando-se - os principiantes em vidos animais que querero sem-pre novas experincias, com novos parceiros.Namorar, hoje por hoje, o acto mais do que banal. Bas-ta ter dinheiro para o fazer e, se voc no tiver esta mola de impulso, encontrar, com certeza, muita dificul-

    dade em ter uma parceira. Estamos numa era em que o dinheiro toma cada vez mais a dianteira dos sentimentos. Numa dinastia em que o interesse pelo casamento est a esboroar-se. Em conversa com um gru-po de jovens, bonitas, bem trajadas, comendo hambr-gueres e sorvetes numa pas-telaria, fomos esfregados com uma frase lapidar, dita quase em coro: casar para qu? O que ns queremos ter um pito para curtir, para alm de que vocs os homens no prestam.Essas raparigas falavam connosco sem respeitarem as nossas idades, - somos da faixa etria dos seus pro-genitores - mastigando os hambrgueres e os sorvetes nas nossas caras com o maior vontade. Pra alm disso tudo, ao lado delas estava um grupo de rapazes que as beijavam explicita-mente.

    De acordo com Jubileu Massangai, reformado ban-crio e trabalhando por conta prpria, agora j no h namoro. Namorar um perodo de estudo entre os futuros cnjugues. No nos-so tempo voc nem toca-va na mida antes de estar tudo ok. Namorar, naque-le tempo, era algo bastante srio, agora no, at uma criana de dez anos j sabe beijar; o que isso? Namo-ra-se calada da noite, onde tudo acaba no sexo, antes de tudo comear. Jardim dos namorados

    De Jardim dos Namorados tem muito pouco. Fica lo-calizado numa zona privile-giada da cidade de Maputo, com vista para o oceano ndico. um lugar bem cui-dado, aprazvel, atractivo,

    amoroso, muito verde, re-pousante. J se tornou um espao com grande atracti-vo para os dias de npcias. E as npcias sero o ponto mais alto do namoro. Os ca-fs que esto ali instalados cortam um pouco a liberda-de daquilo que seria verda-deiramente um namoro, em que os pares se abraariam como dois pombinhos, nos bancos dos jardins, com as cabecinhas encostadas umas s outras. O Jardim dos Namorados ganhou ou-tra vocao, acolhendo at homens de negcios, que combinam para ali as suas negociaes, com whisky e mais. No deixa de ser, mesmo assim, um local eleito, que ganhar pelo seu tratamen-to, no tendo perdido, com-pletamente, a sua orientao inicial.

    No refro de Rui Veloso est tudo sintetizado: j no h cartas de amor, como havia antigamen-te. E no ser o Dia de So Valentim que vai trazer de volta esses sentimentos. O namoro uma prospeco, uma interiorizao, um terreno desconhecido onde se pode achar o verdadeiro amor, ou o dio na sua plenitude. O namoro pode ser uma espcie de antecmara do amor.

    Namorar de sinagoga em sinagoga

    Foto: istockphotoTexto: Alexandre Chaquev

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    Dia de So Valentim A histria do Dia de So Valentim remonta a um obscuro dia de jejum j tido em homenagem a So Valentim. A associao com o amor romntico chega depois do final da Idade Mdia, durante o qual o conceito de amor romntico foi formulado.O dia hoje muito associado troca mtua de recados de amor em for-ma de objectos simblicos. Smbolos modernos incluem a silhueta de um corao e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no sculo XIX, a pr-tica de recados manuscritos deu lugar troca de cartes de felicitao produzidos em massa. Estima-se que, mundo afora, aproximadamente um bilio de cartes com mensagens romnticas so mandados a cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano..

    aliaNa 2010uma estratgia nacional que visa capitalizar as oportunida-des que adviro do Mundial de Futebol, que se realiza no pr-ximo ano, na vizinha Africa do Sul, foi lanada pelo Governo moambicano na passada sexta feira.

    O Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Ma-puto, David Simango, hoje investido no cargo, disse, no seu primeiro discurso como Edil da capital do pais, que a sua governao vai apos-tar na melhoria da qualidade de infra-estruturas urbanas, como factor dinamizador do desenvolvimento e bem estar dos cidados. David Simango destacou, na sua interveno, que a melho-ria da qualidade das infra-es-truturas urbanas um factor dinamizador do desenvolvi-mento e bem-estar dos cida-dos de qualquer cidade.Por essa razo, - frisou -, durante o seu mandato (2009-2014), uma das gran-des prioridades ser trabalhar para melhorar a qualidade das estradas da capital moambi-cana, abrindo novas vias de acesso, sobretudo na zona pe-ri-urbana, de modo a permitir a circulao rodoviria fluida e segura.Simango sublinhou que s um sistema de transportes eficaz e eficiente pode contribuir para aliviar a cidade do espectro de desorganizao em termos de circulao rodoviria, pro-porcionando, desse modo, o seu desenvolvimento.Ainda na componente infra-estruturas, Simango subli-nhou que os mercados so importantes no esforo de prestao de melhores servi-os aos muncipes.Desta feita, Simango defende a necessidade de os mercados estarem melhor estruturados e equipados para que sejam atractivos aos seus utentes, sejam eles vendedores, clien-tes ou consumidores.Numa aco participativa, urge que adoptemos meca-nismos que garantam o pleno funcionamento dos mercados municipais e o melhor en-quadramento das actividades comerciais informais no Mu-nicpio, frisou.O Edil sublinhou que a sua governao ser orientada pelo princpio de transparn-cia, prestao de contas, bem como participao dos mun-cipes. /AIM

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  • Tiragem Edio 24:50.000 Exemplares

    Certificado por

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    A tiragem desta edio de 50.000 exemplares e tem alcance semanal superior a 300 mil leitores

    Opinio

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    MXIMA DA VERDADE TEMPOSexta-Feira 13 Sbado 14 Domingo 15 Segunda-Feira 16 Tera-Feira 17

    Mxima 31C Mxima 32C Mxima 31C Mxima 31C Mxima 31CMnima 22C Mnima 23C Mnima 24C Mnima 24C Mnima 24C

    A Semana

    Porm, minha convico que, os Portugueses foram os piores colonizadores de que h memria. Da que, pessoalmente, continuo a achar que para ns como Povo Moambicano, uma das piores seno a pior coisa que nos aconteceu, foi o termos sido colonizados pelos Por-tugueses, Kandiyane Wa Matuva Kandiya, in Domingo.

    A ausncia da RENAMO [das comemoraes do 40 aniversrio da morte de Eduardo Mondlane] revela a sua falta de conscincia histrica e a sua invulgar ca-pacidade de auto-superao (...) perdeu uma nobre oportunidade de se reconciliar com a Histria e est a mostrar porque que no nenhuma alternativa para a governao do pas, dson Macuacua, in Lusa

    Sumbana acumula car-gosO ministro do turismo, Fernando Sumbana, pas-sou a ter a seu cargo mais um pelouro, depois que foi indicado esta semana pelo Presidente da Repblica para assumir o de ministro da Juventude e Desportos, em substituio de David Simango, candidato vence-dor das eleies autrquicas de 19 de Novembro ltimo para presidente do Conse-lho Municipal da Cidade de Maputo. Esta no a primeira vez que Sumbana acumula funes, uma vez que j teve essa in-cumbncia, em simultneo, quando o governador de Inhambane, na altura Lza-ro Vicente, foi acometido por uma doena.

    interessante observar o que, por estes dias, se passa na Repblica da Guin, mais conhecida por Guin Conacri. Tudo se explica em duas penadas. Nas vsperas de Natal, o Presidente Lansana Cont, de 74 anos, faleceu vtima de uma longa agonia - sofria h muito de diabetes e leucemia. Na sua agonia arrastou tambm a Guin, que na ltima dcada agonizou prostrada numa letargia para a qual ningum previa um fim. Cont governou - esta palavra, sobretudo em relao aos ltimos anos, no faz qualquer sentido no caso da sua presidncia - na lgica de Lus XIV na Frana do sculo XVII: Aprs moi le dluge (depois de mim o dilvio). Cont, no poder desde 1984, nunca teve a preocupao que os seus anos frente do pas fossem recordados como uma poca de desenvolvimento, de prosperidade e de elevao do nvel de vida dos guineenses. Sem qualquer guerra que perturbasse a sua governao, ao contrrio dos seus vizinhos, Cont optou, todavia, por manter os seus conterrne-os na misria absoluta, na fraqueza, na doena - os corpos fracos so mais controlveis exactamente porque se encontram debilita-dos - no marasmo do analfabetismo - os ignorantes manipulam-se tambm muito melhor do que os espritos esclarecidos. E por isso, durante anos a fio, a Guin, um dos primeiros pases de frica inde-pendente, desceu sucessivamente no ranking das Naes Unidas em todos os ndices - no de corrupo mesmo o lder do continen-te. Nos ltimos anos, o leo Cont encontrava-se demasiado debili-tado para se entregar caa dos bens pblicos. Ento foi a vez das hienas necrfagas (a sua clique) entrarem em aco para rapinar os despojos, exaurindo os indigentes guineenses. E quando tudo pare-cia que ia ficar na mesma aps a sua morte - de acordo com a Cons-tituio o poder devia ser entregue provisoriamente ao presidente da Assembleia Nacional, Aboubacar Sompar e no perodo de 60 dias deviam realizar-se eleies - eis que um grupo de jovens oficiais do Exrcito, denominado Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento, cansado da perenidade deste estado de coisas, resolve, num golpe de fora, embora sem derramamento de sangue, tomar o poder, suspendendo a Constituio e anunciando eleies li-vres para 2010. As Unies (Africana e Europeia) e os EUA apressam-se a condenar o golpe, temendo o efeito domin. Aqui, em frica, em relao a isso, caso para dizer que quem no pecou que atire a primeira pedra.

    Moussa Camara, o novo lder do pas, um jovem capito que goza de uma fama impoluta. Camara prometeu imediatamente combater a corrupo que gangrena completamente o pas e lanou o alerta: Quero dizer a todos aqueles que pensam que me podem corromper ou corromper os meus agentes: dinheiro no nos interessa. Detesto a corrupo.

    A implacabilidade de Moussa Camara est a colocar em desassos-sego permanente a clique dos intocveis e muitos destes abutres, antes que seja tarde, j levantaram voo. Efectivamente, as suas ti-radas so violentas, algo samorianas, e fazem tremer quem tem rabos-de-palha: Quem comeu conta do Estado vai vomitar. Quem roubou vai para a priso. Quem matou ir ser morto. Camara pare-ce seguir risca a pena de Talio: o castigo deve ser igual ofensa. A conceituada Ernst & Young foi contratada para, autenticamente, auditar o pas. Os contratos de concesso mineira desfavorveis ao Estado, esto a ser renegociados e alguns deles foram mesmo anu-lados, tal como a concesso do Porto Autnomo de Conacri Getma Internacional. Para o combate ao trfico de droga foi criado uma secretaria de Estado especfica. Foram tambm criadas brigadas fis-cais que junto das empresas j recuperaram milhes de dlares de impostos que nunca ningum julgou ser possvel. A operao Mos Limpas promete no olhar a meios para atingir os seus fins. Porque no h razo plausvel para um pas que possui as maiores reser-vas de bauxite do mundo, grandes minas de ouro e diamantes e uma agricultura rica estar no estado em que est! S a corrupo, o compadrio, o roubo e a delapidao constante dos recursos do pas por parte de quem manda tem capacidade para o tornar to pobre e miservel.

    At agora, e at ver, se h males (golpes de Estado) que vm por bem, este parece ser um deles. Estejamos atentos porque, em caso de sucesso, o capito Camara devolver a honra, h muito perdida, no s Guin - a mesma Guin que corajosamente disso No ao general De Gaulle arrancando a sua independncia com honra e dig-nidade - como a frica. Nessa altura sugiro ento que o dinheiro dis-pendido com as doaes internacionais seja entregue aos homens de mo do capito para estes auditarem o continente. Sem dvida que se prestava um melhor servio a frica e aos seus povos, cansa-dos desta moderna escravatura.

    Estamos juntos capito

    OBITURIO: Hans Beck (1929 - 2009) 79 anos

    O criador dos bonecos ar-ticulados Playmobil, Hans Beck, faleceu na passada sexta-feira, dia 30 de Janei-ro, vtima de doena pro-longada na sua casa nas margens do lago Constana, na fronteira entre a Sua, a Alemanha e a ustria, anun-ciou a Geobra-Brandsttter, a empresa alem que fabrica os brinquedos. Hans Beck

    contava 79 anos.

    O desenhador industrial escreveu uma importante pgina na histria dos brin-quedos com o desenvolvi-mento dos versteis bonecos de plstico que chegaram aos quartos infantis dos quatro cantos do mundo, destacou a empresa no co-municado. O primeiro Play-mobil, boneco de plstico de 7,5 centmetros de altura, foi comercializado em 1974 e a inveno de Hans permitiu empresa vender cerca de 2,2 bilies de bonecos, des-de o incio da produo at hoje.

    Nascido em 1929, no es-tado alemo de Turingia (centro do pas), Beck fez os seus estudos na cidade de Zirndorf, onde aprendeu o ofcio de carpinteiro espe-

    cializando-se na produo de brinquedos, principal-mente automveis e avies. Hans iniciou o seu percurso profissional na Geobra em 1958, concentrando-se ini-cialmente em maquetas de avies, maquinaria e vecu-los industriais. Treze anos depois, foi transferido para o departamento da loja de brinquedos, com a incum-bncia de desenvolver uma nova gama de produtos para crianas, desde automveis a modelos humanos. A cria-o do Playmobil surge no auge da crise do petrleo no incio dos anos 70. A Hans, devido ao preo proibitivo que o plstico atingiu, a em-presa pediu que concebesse um boneco pequeno, que utilizasse pouca matria-prima mas que conservasse a expressividade. Foi assim que surgiu o primeiro Play-

    mobil. O primeiro boneco media 7,5 centmetros, era facilmente manejvel por uma mo infantil e movi-mentava braos e pernas. As figuras originais eram um cavaleiro, um operrio da construo civil e um ndio americano. Mas rapidamen-te, o imprio dos brinquedos criou outras figuras como bombeiros, enfermeiras, la-dres de jias, egiptlogos, prisioneiros, polcias, pes-soal de segurana de aero-porto, etc. Lanados inicial-mente para uma clientela infantil (at aos 4 anos), ra-pidamente deixaram de ser um produto exclusivamente infantil conquistando colec-cionadores em todo o mun-do. A Geobra-Brandsttter emprega actualmente 3 mil pessoas e exporta os seus bonecos para 70 pases do mundo.

    Cerca de 80 membros da Marinha de Guerra moam-bicana esto desde segunda-feira at quinta-feira a rece-ber capacitao em matrias sobre segurana martima, primeiros socorros, pilota-gem e manuteno de na-vios de combate. O curso ministrado por quadros do Exrcito norte-americano e decorre a bordo da fragata USS Robert G. Bradley,

    atracada no Porto de Mapu-to na passada quinta-feira.Instrues sobre como a Marinha Nacional de Guer-ra pode lidar com a pesca ilegal, que anualmente custa acima de trinta milhes de dlares norte-americanos ao pas, a pirataria no mar, bem como o contrabando de pessoas e drogas constituem outros assuntos a serem tra-tados no decurso da forma-o. O pas ainda no possui um navio de guerra, pelo que estas aces em que parte dos marinheiros tem vindo a tomar parte so apontados como forma de preparao de uma base intelectual que no futuro poder vir a ser responsvel pelo manusea-mento de um instrumento blico daquele gnero.

    Detidos magistrados do ministrio PblicoTrs magistrados afectos ao Palcio da Justia da Provn-cia de Nampula, encontram-se detidos na Cadeia Civil daquela provncia, acusados de actos de corrupo. Os procuradores, sonegavam processos em troca de valo-res monetrios.Os juzes, cujos nomes no foram revelados, arquiva-vam processos que eram remetidos quela instncia para que o assunto no fosse a julgamento.No a primeira vez que funcionrios da justia se envolvem em corrupo. H trs semanas, trs funcion-rios do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (TJCM) foram detidos, por prtica de actos ilcitos.

    www.verdade.co.mz Joo Vaz de Almadav

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    SE InCERto quE A VERDADE quE VAIS DIzER SEJA CoMpREEnDIDA, CALA-A.

    MAETERLINCK, MAuRICE

    marinheiros de guerra melhoram performance

  • Vozes

    Antes de mais gostaria de parabenizar o vos-so jornal, mas tambm fazer um reparo: a junta militar da Guin-conacri, est a mos-trar ao mundo que naquele pas no h imunidade.

    Gosto muito do jornal @Verdade, ensina e veicula informaes teis para a sociedade. Mas a for-ma como escrevem, sobre-tudo, na pgina de desporto internacional deixa transpa-recer o brasileirismo na es-crita. amad

    Sr. Nhancale o bairro de Bedene, no Munci-pio da Matola, o nico que no dispe de transporte e de iluminao pblica. So-corro porque o povo sofre. Pedro muianga

    Nas estradas da vila de Marracuene, reabilita-das com os ltimos 7 bilies destinados aos distritos, possvel cavar com as mos, principalmente ao redor da casa do Administrador.

    Amor a f no parceiro uma conquista dficil, pois exige combates dirios para ser mantida, por isso no deixe que essa luta pela vida te domine. Feliz 14 de Fevereiro.Amo-te. Graa.

    Al @Verdade, meu nome Elsa e moro na zona da Mozal, adimiro muito o vosso trabalho, agradecia que fizessem o jornal chegar at ao bairro de Djuba. Elsa Conzo

    Jamais ser possvel trazer para a Praa dos Hrois todos que merecem

    ser designados como tais por variadssimas razes que no caberiam aqui, tais como os critrios para no mencio-nar os hrois annimos. Pa-rabns e muita fora amigos. alfeu matola. Boa Ferrovi-rio de Maputo.

    Al @Verdade. Agra-deo por poder usar o vosso jornal para falar de um problema que no apenas meu, mas de tantos outros estudantes do ESEG. Aconte-ce o seguinte: parte dos pro-fessores que no aufereri-ram alguns salrios e resolveram no apresentar as pautas com as notas dos exames da 2 poca e o pior de tudo, que as inscries para o ano de 2009 j inicia-ram. Que faremos se no sa-bemos se transitamos? Ma-triculamos? Para que classe?

    QuE bitoNga bluES?

    HEriS dE FEVErEiroO mundo andou, nos l-timos tempos e para no variar, preocupado com mais um conflito no M-dio Oriente. Durante se-manas a fio, televises, jornais, rdios e demais meios de informao mostraram-nos o efeito de mais uma guerra: des-truio, desespero, mor-tos e feridos. Centenas de manifesta-es foram organizadas em solidariedade com o povo da faixa de Gaza e os cerca de mil mortos re-sultantes deste confron-to. Declaraes dos mais importantes e poderosos dirigentes foram feitas e centenas de enviados es-peciais foram para a zona do conflito para tentar negociar a paz. Ainda bem, digo eu: os homens preocupam-se com os seus irmos.H, porm, irmos de di-ferentes categorias. Me-

    lhor, somos todos iguais mas h uns que so mais iguais do que os outros. A cada ms morrem no Congo entre 45.000 e 73.000 pessoas, depen-dendo das fontes (Inter-national Rescue Com-mittee, Muse Project ou Human Rights Watch) e estima-se que j tero morrido cinco milhes de pessoas desde que a guerra comeou em 1998. Ou seja, morrem mais pessoas por ms no Congo do que na Guerra do Iraque desde o incio da guerra.A grande poeta portugue-sa Sophia de Mello Brey-ner escrevia: Vemos, ouvimos e lemos, no podemos ignorar. Pode-mos, podemos. Podemos fingir que no sabemos que no Congo homens e mulheres como ns so chacinados, violados e torturados, que as crian-as so usadas como soldados, que o que a

    guerra no mata, mata a fome e a doena. Podemos tambm olhar para o lado e no ver que, tal como as guerras do Mdio Oriente, esta exis-te, em grande parte, para que pessoas como eu te-nham acesso a comodi-dades que, no fundo, no reconhecemos s outras o direito de ter. Quantos milhares de mortos vale o meu telemvel, para o qual o coltan minrio fundamental, bem como para estaes espaciais e armamento sofisticado, e que tem 80% das reser-vas mundiais em territ-rio congols?A globalizao e a proli-ferao dos meios de co-municao transformou, de facto, o mundo. No vale mais a pena dizer que no sabemos. Ns sabemos e este conheci-mento como todo, alis mudou-nos. O proble-ma que at agora no foi para melhor.

    VErdadE traNSatlNtiCa

    ProCuraNdo @ VErdadE

    luaNda E biSSau rEForaM laoS

    uMaS VidaS MaiS iguaiS do QuE outraS

    SElo d VErdadE

    No entendo porque pode se dar ao luxo de criar bitonga blues, uma espcie de mis-tura entre o bitonga moam-bicano e blues americano, para referir sei l o qu e ao mesmo tempo, este mesmo criador, questionar os jovens cantores numa comparao com Zena Bacar e ministros a mistura. Ou melhor, o que tem o sucesso e reconheci-mento dos jovens com o no reconhecimento segundo diz da Zena Bacar? O Sr. Vive o tempos do Estado-nao, uma lingua, uma msica, um traje, etc, mas ja imaginou que com o transnacionalismo estes Estados-nao perdem o seu poder de controlo? En-

    to, esses jovens no so fru-to do Governo como foram os CNCD, RM, Ghorowane, etc que primeiro era o Estado que reconhecia bons rapazes e depois seguiam-se as orien-taes para que o Povo ema-nasse. A Zena foi vtima do prprio Eyuphuro (olha para ela enquanto um processo e no somente a situao actu-al), ao passo que estes jovens compraram a sua t.shirt, shoes, computadores, est-dios, instrumentos e criaram a sua msica. Resultados en-chem pavilhes, praas, dan-am pobres, velhos, jovens, s alguns intelectuais da nos-sa praa que no gostam ou sabem diferenciar a macro e

    a micro music como diz Slo-ben, podem falar assim dos jovens. Para vocs os bons msicos so Jose Mucavel, Hortncio Langa, Zena Ba-car, Chico Antnio, ser que por serem d vossa gerao ou no se terem criado mais msicos, estilos e linguagem musicais em Moambique? Falar de um acto cvico de abraar e elogiar um jovem por parte do ministro da...cul-tura, como algo condenavel no minmo bizarro.Deixem os ministros trabalharem, dei-xem os msicos trabalharem, no misturem as coisas. Se quiser alguns estudos sobre isto ofereo com muito gosto. Genito

    No Quando se aproxima o ms de Fevereiro, do que mais se fala de heris moambi-canos. Chegam-nos atravs dos meios de comunicao social felicitaes sobre o 3 de Fevereiro de diversas ins-tituies estatais, privadas, ONGs, Associaes, etc. Des-brava-se o vocabulrio portu-gus em busca de adjectivos para qualificar os ditos heris. Creio que se os tais heris fossem vivos no aceitariam alguns dos adjectivos que chegam a ser um exagero. Atemo-nos a uma dzia de heris cujos nomes esto ins-critos na cripta da Praa dos Heris e por tudo quanto avenida, rua, praa e esquina espalhada por todo pas. Na sua maioria, destacaram-se nos departamentos nome-ados, assim como qualquer um naquela poca se poderia

    destacar se tivesse a mes-ma oportunidade. O que me impressiona que ningum fala daqueles homens que, hierarquicamente, estavam por baixo dos lderes que hoje chammos ou chamaremos de heris. Homens esses que tambm deram a vida pela libertao de Moambique. Homens que deixaram espo-sas e filhos por uma causa na-cionalista. Homens que com determinao combateram estoicamente por um Moam-bique melhor. Homens exclu-dos, martirizados e pisados pelo colonialismo portugus. Homens e mulheres que vi-ram a morte por um Moambi-que novo.Esquecemo-nos dos verdadeiros protagonistas, os combatentes annimos, aqueles que sentiram na pele a fria do material blico por-tugus. Aqueles que ajuda-

    ram Chipande a dar o primei-ro tiro, pois creio que se este estivesse sozinho seria ele a levar o tiro. Enfim, homens e mulheres que se fossem vivos e vissem a actual situao que vivem os moambicanos tanto se poderiam orgulhar ou arrepender por terem li-bertado Moambique. Na minha modesta opinio, na praa de heris moambica-nos no esto todos os heris. Faltam aqueles que atravs da sua coragem derramaram o seu sangue para glria dos seus lderes e para que Mo-ambique fosse dos moam-bicanos. Por que que no se constri lpides em memria de todos moambicanos que tombaram na Luta de Liberta-o de Moambique? Viva os filhos desta ptria que deram a sua vida por ela!Genito

    Logo aps ter assumido o cargo de Primeiro-Ministro da Guin-Bissau, Carlos Gomes Jnior deslocou-se a Luanda. Para alm de agradecer o apoio angolano ao processo eleitoral guineense, esta vi-sita pretendeu aproveitar o bom momento no relaciona-mento poltico, para promo-ver o aprofundamento das relaes econmicas entre os dois pases. O modo amistoso como Car-los Gomes Jnior foi recebido em Luanda, reflecte bem o agrado das autoridades an-golanas pela vitria eleitoral do PAIGC, partido com quem o MPLA sempre teve, desde a poca da luta pela inde-pendncia, boas relaes. Com os seus aliados natu-rais de regresso ao poder, Luanda pretende estender para Bissau o seu crescen-te poder financeiro e pol-tico. Esta pretenso bem acolhida pelo governo de Bissau desejoso de cativar investimento estrangeiro de modo a ultrapassar a quase endmica crise econmica e poltica. Os angolanos so responsveis por um impor-

    tante investimento: o Pro-jecto de Desenvolvimento da Bauxite na zona de Bo. Este projecto, que estar em pleno funcionamento daqui a trs anos, envolve um investimento de 321 mi-lhes de USD.A aproximao a Luanda um reconhecimento, por parte de Bissau, da cres-cente importncia que este pas est a assumir, quer no continente africano, quer no mundo lusfono. No final da visita, Luanda prometeu estudar a possibilidade da abertura da linha de crdito solicitada pelo Primeiro-Mi-nistro guineense. Esta linha essencial para o pagamen-to dos salrios em atraso dos 12 mil funcionrios pblicos guineenses, e, assim, garan-tir a estabilidade social no pas. Por outro lado, e com vista a apoiar a Guin-Bissau a ultrapassar as dificuldades socioeconmicas, Luanda aceitou reescalonar a divida deste pas, estimada em 43 milhes de USD.Esta inteno guineense idntica iniciativa das autoridades so-tomenses logo aps a ascenso de Rafael Branco ao cargo de

    Primeiro-Ministro. Tambm aqui foi importante o regres-so ao poder do partido hist-rico de So Tom e Prncipe, o MLSTP, o qual, tal como o PAIGC, sempre teve boas re-laes com o MPLA. A aproximao de So Tom e Prncipe e da Guin-Bissau a Angola marca uma fase importante dentro da Luso-fonia. Embora no margi-nalizem a antiga potncia colonial, a verdade que reconhecem a crescente im-portncia que Angola vem assumido, esperando que esta os possa ajudar a ultra-passar as suas fragilidades econmicas. Esta realidade refora a ideia de que Angola, juntamente com o Brasil, tem-se vindo a assumir como um actor determinante para o futuro da lusofonia e da CPLP. Ao Brasil caber desempenhar um papel de destaque na Amrica Latina, enquanto que Angola assumira uma influncia crescente no con-texto africano. No aceitar esta realidade contrariar os ventos de mudana e s complicar a afirmao dos interesses da lusofonia no mundo.

    envie sms para o jornal nos n 821115 / 84 15 152

    Docente universitrio Lus Castelo Branco

    Cronistapedro Marques Lopes

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  • Nacionalfoi o nmero de alunos graduados pelo IEG (Instituto de Educao em Gesto) numa cerimnia que teve lugar no passado dia 7 de Dezembro120

    Pela pontual normali-dade dos factos, a clera no eclode, como mal se diz, ela aparece no seu tempo, constroem-se-lhe as tendas, alocam-se fundos, meios humanos e materiais, leva algumas vtimas, deixa uns tantos decrpitos e l vai.....at prximo ano, que Deus sempre quer e manda. Ora, este o grande pro-blema sobre o qual as au-toridades sanitrias e o pblico tm de agir com determinao.De acordo com a explica-o que o doutor Hlder Lopes d sobre as causas da clera, num programa que j tem mais de dois anos no ar, fica-nos a sen-

    sao de que preciso de-senvolver algum esforo para podermos manter viva esta doena. E, com efeito, h factores que ob-jectivamente sustentam a clera.O moambicano, particu-larmente aqui na capital, convive com o lixo, um lixo putrefacto, nause-abundo, que pavimenta locais de maior concen-trao das pessoas. E no preciso chover para que estes resduos constitu-am uma espcie de papa lamacenta nos locais em que se concentram.E as moscas, claro est, circulam to livremente como as pessoas, acompa-nhando-as at junto dos alimentos.No conhecendo as carac-tersticas da mosca que

    transporta o vibrio co-lrico, vou falar da abun-dante mosca ou moscar-do verde metalizado, que surge do nada mal, se tira a casca de uma manga ou uma pata choca defeca ou, ainda, quando, inadverti-damente, um ovo podre se parte. esta mosca que durante todo o santo dia paira por cima do peixe e do camaro que se vende na Tendinha, bem na ber-ma da estrada.Esta mosca consegue co-brir quase por completo as carnes que se vendem nos mercados do Xipama-nine, Chiquelene, Benfi-ca, T3, Patrice Lumumba, mercado da Matola, pe-rante a total indiferenas das vendedeiras, que s as sacodem para o cliente atestar a boa qualidade do

    produto. Que garantia de qualidade pode oferecer uma carne quando temos de pedir licena s moscas para apreci-la?Em concluso, toda essa carne fresca, o peixe, o camaro que se adquire nos nossos mercados e esquinas de especialidade comida que passou ne-cessariamente pelas mos-cas, que pem mil ovos por hora. Quantos que a nossa higiene nos alimen-tos pode eliminar?Estamos a falar de alimen-tos lavveis. Mas nesses mesmos stios, vendem-se po, bolos, chamussas, badjias, para no falar das refeies que so a servidas. As moscas par-tilham directamente esta comida. Quanto ao po, basta olhar para as mos

    de quem o vende e para o cho em que se encon-tra sentado para perce-ber quanta porcaria vai boca do cidado. A facul-dade de escolher dada ao cliente permite perceber que muitas mos passam por cada po, deixando os seus lixos pessoais, uns de coceira e outros de uri-nis pblicos.Nessas zonas perifricas, que onde est a maio-ria da populao de Ma-puto, a latrina acaba por ser apenas um smbolo ou mera possibilidade de se defecar sem se ser vis-to por outros. De resto e no mais, a distncia entre a latrina de um e a cozi-nha de outro morador a espessura de um canio, com as bvias folgas para as moscas passarem sem

    custos de portagem.Como o nmero de vti-mas da clera extrema-mente reduzido, quase insignificante em relao ao daqueles que vivem na imundcie, podemos estar confiantes por via da imu-nizao progressiva, ou pela certeza de que foram outros os que morreram. Por isso aqui estamos para contar a histria.E a mdica chefe da ci-dade de Maputo h-de aparecer anualmente para dizer que hoje deram en-trada trinta e um casos de clera, talvez pela inten-sificao das chuvas. E a cidade de Inhambane no teve clera, mesmo com chuva que fez de algumas casas autnticos navios. Em Maputo, somos su-nos?

    Vemo-nos na prxima clera

    Crise internacional afecta praias de Cabo Delgado

    Foto: Srgio CostaTexto: Filipe Ribasv

    www.verdade.co.mzTexto: Lusav

    Cabo Delgado, a provncia no norte de Moambique onde se situam algumas das mais procuradas e afamadas praias do pas, registou em 2008 uma quebra na procu-ra turstica, atribuda pre-sente crise financeira inter-nacional. De acordo com o presidente da Associao de Hotelaria e Turismo em Cabo Delgado (AHTCD), Chabane Cumbe, a provn-cia foi visitada em 2008 por 35 mil turistas, uma quebra de 16 mil turistas face aos 51 mil registados em 2007. Chabane Cumbe atribuiu esta quebra na procura tu-rstica deve-se presente

    crise financeira internacio-nal, j que a maioria que turistas que visitam as praias desta provncia so oriun-dos de pases ocidentais, afectados pela subida do preo do transporte areo. Para contornar esta que-bra numa provncia onde se situam algumas das mais belas praias do pas (casos de Pemba ou do arquipla-go das Quirimbas, onde a oferta sobretudo de gama mdia-alta), as autoridades moambicanas esto a apos-tar no turismo nacional. Vamos investir na constru-o de novas estncias turs-ticas que possam beneficiar tambm pessoas com menos posses, sobretudo turistas moambicanos, para asse-

    gurar a sustentabilidade da indstria hoteleira nacional, caso se registe uma drstica diminuio no fluxo do tu-rismo internacional, disse o responsvel da AHTCD. Recentemente, o Ministrio do Turismo moambicano revelou que o investimento do sector do turismo que representa cinco por cento do PIB do pas caiu 24,3 por cento em 2008, consti-tuindo esta a primeira que-bra depois de vrios anos de crescimento. Em 2007 foram investidos cerca de 977 mi-lhes de dlares neste sector em Moambique, nmero que caiu para cerca de 740 milhes de dlares no ano passado. Apesar disso, em 2008 foram apresentados e

    aprovados mais projectos do que em 2007 (237 con-tra 171 projectos aprovados, respectivamente), embora o volume de investimento te-nha sido menor.

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    O ano da clera, diziam os povos medievais, ao recordar uma daquelas chacinas que a epidemia ha-via feito entre eles. Os sobreviventes iam, assim, se situando, de poca em poca, num mundo em que s as guerras apinhavam pessoas e dificultavam o saneamento. O que acontece aqui connosco uma certeza to cclica da clera, como o perodo das frias ou do Natal. Podemos, seguramente, falar de um calendrio de actividades associadas poca da clera. Vamos, deste modo, planear uma viagem para a altura da clera ou, j agora, a segunda volta das eleies durante a clera.

  • Nacionaloficiais e 5 marinheiros moambicanos vo embarcar na fragata norte-americana USS Robert G. Bradley para receber formao ministrada pela marinha de guerra dos Estados Unidos.2

    Mundial de Futebol 2010, uma oportunidade para o turismo nacional

    J est na fase executiva um plano operativo aprovado pelo Governo moambi-cano, com vista a tirar o maior proveito possvel da realizao do Mundial de Futebol na vizinha frica do Sul. Trata-se de um projecto atravs do qual se pretende beneficiar das oportunida-des do Mundial 2010 visan-do divulgar a imagem posi-tiva do Pas, colocando-o no mapa do turismo mundial.A necessidade de conver-gncia de aces de diversos sectores para optimizar o projecto ditou a nomeao de um Comit de Ministros para implementar uma es-tratgia em prol de um mo-

    vimento para a capitalizao do ensejo que o Mundial oferece.A alocao de recursos finan-ceiros e tcnicos, e projectos tais como a modernizao do Aeroporto Internacional de Maputo, a construo de um posto nico de fronteira em Ressano Garcia, a cons-truo e reabilitao de es-tdios de futebol, o reforo e capacitao das foras de lei e ordem, so, entre outras, aces que se encontram numa fase avanada de im-plementao.Portanto, todas as entidades nacionais e internacionais em Moambique que sin-tam o dever de contribuir para esta causa nacional de fazer a diferena em 2010 esto convidadas a aderir

    a este amplo movimento. Esperam-se como beneficios do evento: o crescimento do volume de investimentos, um legado de infra-estrutu-ras tursticas, desportivas de qualidade, de transporte, de comunicao e de rodovias, sem descurar a imagem do pas que resulta melhorada e um maior fluxo de turistas.De acordo com as projec-es que tm sido disponi-bilizadas, a vizinha Africa do Sul vai receber cerca de 600000 visitantes durante o perodo do Mundial. Ora, para Moambique geografi-camente melhor localizado, um momento mpar para optimizar a combinao do turismo costeiro com o do interior. Gauteng, Mpuma-langa e Natal so provincias

    sul-africanas que vo aco-lher jogos e que tm uma fcil acessibilidade para Mo-ambique.Mais do que estas previses que neste momento se po-dem fazer sobre as vantagens do Mundial, h uma srie de aces cujos impacto e lega-do vo para alm de 2010. So estes os mais importan-tes, porque com base neles que se pode, hoje, desenhar um pas melhor, capaz de ombrear com os demais no tocante a padres e qualida-de de vida.A abordagem 2010 e de-pois prev que as infra-estruturas que esto a ser preparadas, tendo em vista este grande evento mundial, sero usadas mesmo a poste-riori, constituindo, por isso,

    um valioso testemunho para os pases e para o continente africano em geral.Neste contexto, uma das funes do Gabinete Tc-nico do M2010 garantir, atravs dos representantes dos ministrios, a imple-mentao das tarefas do res-pectivo sector constantes no plano de aces do Gabinete Tcnico e assegurar a prepa-rao e realizao de activi-dades conducentes ao apro-veitamento da mais-valia do evento.O Gabinete Tcnico M2010 foi formalmente estabele-cido no dia 17 de Maro de

    2008, por despacho conjun-to dos Ministros do Turismo e da Juventude e Desportos.O Gabinete tem a respon-sabilidade de fazer uma coordenao estratgica e supervisionar os compro-missos que o pas tem no aproveitamento do Campe-onato Mundial 2010, fazen-do convergir as aces que vo acontecendo de forma dispersa pelos vrios inter-venientes e assegurar que as oportunidades econmicas, culturais, desportivas e so-ciais, sejam identificadas e desenvolvidas como um le-gado duradoiro.

    Aps oito mulheres confessarem ser donas dos rpteis

    Os habitantes de Malinga-pansi, posto administrativo que dista cerca de 62 qui-lmetros da vila de Marro-meu, em Sofala, esto desde h algum tempo a esta parte livres de ataques de croco-

    dilos, supostamente mgi-cos, que pululavam no

    rio Cu, um dos bra-os do rio

    Z a m b e z e , em virtude de

    oito mulhe-res terem confessado ser donas dos

    rpteis, s autoridades ad-ministrativas locais.J acabmos com esses ac-tos, na sequncia dos encon-tros que mantivemos com as comunidades, donde saram oito mulheres que confessa-ram possurem crocodilos

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    Foi formalmente lanada a campanha moambicana de aproveitamento das opor-tunidades que o Mundaial 2010 pode oferecer ao nosso pas. Numa cerimnia oficial dirigida pelo Ministro do Turismo, cumulativamenete da Juventude e Desportos, foi posto em marcha o amplo movimento com que se pretende uma actuao coor-denada entre os pertinentes sectores do Governo na implementao da Estratgia e na execuo do Plano de Aco. Assim, Governo e privados fazem parte desta aliana para o aproveitamento das oportunidades que o Mundial oferece, quer para lanar a imagem do pas, quer para atrair investimentos.

    www.verdade.co.mzTexto: Filipe Ribasv

    www.verdade.co.mzTexto: Antnio Marnguv

    Habitantes de Malingapansi livres de ataques de crocodilos mgicosmgicos, que matavam pes-soas para trabalharem nas machambas, e que supera-vam a produo, compara-tivamente s outras pessoas sem esse poder supernatu-ral contou o chefe do pos-to administrativo de Malin-gapansi, regio que possui 4.575 habitantes.Raposo explicou que as mu-lheres mandavam, de forma mgica, os crocodilos para atacar as pessoas, e as vti-mas visadas, quando se diri-gissem ao banho ou pesca, no rio Cu, perdiam a vida. Houve casos que, felizmente resultaram somente em feri-mentos.Sem mencionar os nomes das mulheres em referncia,

    o nosso interlocutor disse que antes as pessoas no pes-cavam, nem iam buscar gua e tomar banho no rio Cu mas, depois de resolvido o problema, j reina o sossego e as pessoas j se regozijam, porque este curso natural de gua j no constitui perigo para as suas vidas.Pelas contas feitas e segundo os registos oficiais, devido a ataques de crocodilos, num ano morreram oito pessoas, cinco das quais adultas e as restantes trs jovens. Quatro das vtimas so mulheres, que deixaram igual nmero de bebs, agora ao cuidado das autoridades administra-tivas de Malingapansi, que providenciam leite e papas

    enriquecidas.Segundo a fonte, a questo de ataques de pessoas por crocodilos constitua um al-canhares de Aquiles para os habitantes de Malingapansi. Acontecia que nessa regio as famlias nunca iam aos cemitrios para sepultar os seus entes queridos, porque os corpos desapareciam nas guas do rio Cu.Mas depois deste ganho que tivemos, as pessoas j respiram de alvio, regis-tam-se mortes por doenas, mas de forma espordica. Estamos num vontade e eu prprio navego de canoa livremente, facto que no se experimentava antes, quero dizer, nos primeiros meses

    da minha chegada a Malin-gapansi afirmou Raposo, explicando que antes intei-rei-me da tradio local e as comunidades explicaram-me que havia um problema que durava h sculos e da reuni com as vrias comuni-dades, em que acabaram por aparecer aquelas mulheres confessas.Outro conflito homem-animal em Malingapansi envolve bfalos da Reserva Especial de Marromeu. No ano passado, uma crian-a foi atacada, tendo contra-do inmeros ferimentos. Esses animais inquietam tambm, mas o mais grave eram os crocodilos ano-tou Raposo a terminar.

  • frica

    Os depoimentos das tes-temunhas provam que Charles Taylor exportou a guerra da Libria para a Serra Leoa com vista a apoderar-se das riquezas diamantferas. Como con-trapartida Ebony (o nome de cdigo rdio de Taylor) apoiou e armou os rebel-

    des serra-leoneses da Fren-te Unida Revolucionria (RUF, sigla em ingls). No banco dos rus, Charles Taylor, The Pa, mostrou pouco emoo, revelando-se um arguido modelo, bem diferente de outros chefes de Estado como Slobodan Milosevic ou Saddam Hus-sein, que gesticulavam mui-to e falavam alto em sua de-fesa. Nas suas intervenes,

    Taylor revelou-se calmo, ponderado, passando a sua mensagem em pequenos pa-pis para os seus advogados. O tribunal especial tinha igualmente em vista des-lindar as supostas ligaes entre o trfico de diaman-tes e o terrorismo. Charles Taylor fomentou a sua re-voluo na Lbia, nos cam-pos de treino de Kadhafi. Vrias testemunhas, algu-

    mas das quais emergiriam posteriormente nas foras especiais de segurana da Libria, testemunharam a presena de grupos terro-ristas em Tripoli, com vis-ta a fornecer uma formao acelerada guerrilha libe-riana que combatia o regi-me de Samuel Doe. Nesses tempos, o vizinho do Bur-quina Faso, de Blaise Cam-paor, teria, segundo algu-

    mas testemunhas, apoiado Taylor.

    Diamantes dissimu-lados em frascos de

    maionese

    O tribunal provou ainda que o clebre traficante de armas, Viktor Bout, deti-do em Maro de 2008, em Banguecoque, tambm ali-mentou a guerra de Char-les Taylor. As armas eram entregues na capital da Libria, Monrvia, onde o chefe de guerra havia sido eleito presidente em 1997, aos rebeldes da Serra Leoa. Em troca, os homens da RUF forneciam diamantes dissimulados em frascos de maionese, sendo estas pedras preciosas posterior-

    mente entregues na White Flowers, a residncia oficial de Charles Taylor. Com armas pesadas, os re-beldes aliados de Taylor apoderaram-se de zonas diamantferas da Serra Leoa. catanada, amputaram mos direitas que no eram indispensveis para a ex-traco das pedras preciosas vendidas posteriormente em Nova Iorque, Anturpia ou Telavive. Uma vez de mos amputadas, um gran-de nmero de testemunhas jurou, com a mo esquer-da pousada sobre o Coro, dizer toda a verdade. No decurso da segunda etapa do processo, prevista para a Primavera, sero ouvidas as testemunhas chamadas por Charles Taylor.

    O at h pouco lder da oposio do Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, prestou na quarta-feira, juramen-to no cargo de primeiro-ministro perante o presidente Robert Mu-gabe, para formar um Governo de unio nacional que retire o pas da crise poltica e econmica em que se encontra.

    A cerimnia decorreu s 12:00 locais nos jardins do palcio presidencial de Harare, com um grande nmero de convidados. Tsvangirai pronunciou o jura-mento perante Mugabe, tendo ambos em seguida assinado os documentos que transformam o opositor em primeiro-ministro, antes de apertarem as mos, no meio aos aplausos dos convida-dos. Com este acto, Mugabe, que completa 85 anos no prximo dia 21, partilha pela primeira vez o poder que monopoliza no Zimba-bwe desde a independncia do pas do Reino Unido, em 1980.

    Aps o juramento de Tsvangi-rai, lder da faco maioritria do Movimento para a Mudana Democrtica (MDC), tambm ju-rou como vice-primeiro-ministro Arthur Mutambara, dirigente da faco minoritria do mesmo grupo. O novo Governo, cujo ga-binete de ministros ser constitu-do hoje, tem o desafio de retirar o pas de uma crise poltica que gerou uma situao econmica desastrosa e uma catstrofe hu-manitria. Tsvangirai j divulgou a sua lista de ministros, na qual se destaca a designao como responsvel de Finanas de Ten-dai Biti, que at semana pas-sada era acusado de traio pelo regime do presidente Mu-gabe. At h pouco tempo, Biti rejeitava um Executivo conjunto com a governante Unio Nacio-nal Africana do Zimbabwe/Frente Patritica (Zanu/PF), de Mugabe, que continuar como presidente, segundo um acordo obtido com a mediao da Comunidade para o Desenvolvimento da frica Aus-tral (SADC).

    Segundo a ONU, sete milhes dos 12 milhes de habitantes do Zimbabwe precisaro este ano de ajuda alimentar para sobreviver, enquanto uma epidemia de cle-ra infectou cerca de 70 mil pes-soas e causou 3,4 mil mortes nos ltimos meses.

    zimbabwe:tsvangirai presta juramento

    Recrutamento de crianas-soldado diminui

    A MONUC, misso da ONU na Repblica Democrtica do Congo (RDC), congratulou-se com a retirada, no passado dia 4 de Fevereiro, de 195 crian-as aos grupos armados Ma Ma que operam no Nodeste Kivu. Estas desmobilizaes so consequncia de um pro-cesso de integrao acelerada dos grupos armados no seio das FARDC (o exrcito con-gols), informou a MONUC. A misso lembrou ainda que o recrutamento e utilizao de crianas nos conflitos armados constituem um crime contra a humanidade. Segundo dados do UNICEF, cerca de 2 mil crianas encontram-se ainda incorporadas nas milcias que operam no Kivu Norte. Nos ltimos tempos, sob o ponto de vista poltico, fo-ram efectuados numerosos progressos, estima Rebecca Symington, a responsvel pelo departamento de pro-teco da infncia em perigo do UNICEF. Segundo esta responsvel, os Acordos de Paris, assinados em Feverei-ro de 2007 e adoptados por 75 pases, transmitem, apesar de no terem uma obrigato-riedade jurdica, uma grande credibilidade na luta contra o recrutamento ilegal de crian-as-soldado. Doravante, te-remos um tratamento de igual para igual com os governos,

    explica ela.No decurso dos trs ltimos meses, o UNICEF pde assi-nar acordos de desmobiliza-o de crianas no Sri Lanka, no Nepal e nas Filipinas. Se-gundo dados recolhidos pe-los observadores no terreno, o fenmeno persiste em 15 pases contra os 27 regista-dos em 2007. Muitas vezes utilizadas como combatentes, mas igualmente como guias, espies ou escravos sexuais, estima-se que o nmero de crianas-soldado ascenda ainda aos 250 mil em todo o mundo. Para os activistas, o caso de Thomas Lubanga representa um avano significativo. An-tigo chefe de uma milcia con-

    golesa, Lubanga encontra-se actualmente a ser julgado pelo tribunal internacional penal de Haia, acusado de crimes de guerra pelo recrutamen-to de crianas. Este proces-so constitui uma importante mensagem a todos os chefes de guerra que recorrem ou recorreram ao recrutamento de crianas-soldado, sendo a prova que um dia qualquer podem ser condenados por isso, revela Jo Becker da co-nhecida ONG Human Rights Watch (HRW). No terreno, os responsveis constatam que este exemplo - de poder ser um dia perse-guido pela justia internacio-nal - est a obter resultados concretos. Conseguimos

    erradicar o recrutamento sis-temtico pelas foras armadas congolesas, afirma Judith La-voie, encarregada da protec-o da criana no seio da mis-so da ONU na RDC. Mas h tambm o reverso da meda-lha: para fugir s perseguies, os grupos rebeldes escondem mais as crianas do que o fa-ziam h dois anos. As agentes internacionais de proteco criana experimentam, deste modo, mais dificuldades em aceder aos menores nas zonas controladas pelas foras em conflito.

    Sociedade de Criminosos

    As ONGs esto tambm pre-

    ocupadas devido utilizao sistemtica de crianas por grupos armados cada vez que os conflitos se reacendem. De acordo com a HRW, mais de uma centena de menores foram recrutados pelas mil-cias no leste da RDC desde a intensificao dos combates no final do Vero de 2008. As associaes insistem assim na necessidade de se trabalhar mais na preveno do fen-meno junto das foras arma-das, mas tambm das comu-nidades locais, para que um adolescente entre os 14 e os 18 anos possa j ser considerado um adulto????. Nos seus programas de rein-sero o UNICEF e as ONGs desejam igualmente reforar os acordos efectuados com as comunidades locais. neces-srio fazer ver s comunida-des que as crianas no tm um preo, no esto venda, sublinha Elose Ruaudel, da Coligao para o fim da uti-lizao de crianas-soldado. O regresso comunidade tanto mais difcil para estes jovens quando sabemos que muitos foram obrigados pelos seus raptores a se revoltarem contra as suas famlias no mo-mento do seu rapto. Para Lavoie, uma reintegrao bem sucedida destas crianas na sociedade depender es-sencialmente dos progressos registados nas regies afec-tadas. Tudo deve mudar ao mesmo tempo, insiste ela, estas crianas no conhecem seno a violncia. Se no lhes for permitido um regresso vida social com perspectivas reais, corre-se o srio risco de se estar a criar uma sociedade de criminosos.

    crianas morreram na Nigria, nos ltimos trs meses, por causa de um medicamento para dentes que continha uma substncia txica, de acordo com o ministrio da Sade. 84

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    Texto: Cheikh Seck/ Jeune Afrique www.verdade.co.mzv

    Texto: Redaco/com EFEFoto: google.comv

    O procurador do tribunal especial para a Serra Leoa encerrou a primeira eta-pa do processo movido contra o antigo presidente da Libria, Charles Taylor, acusado de crimes contra a humanidade e de crimes de guerra, cometidos entre 1996 e 2002. Desde as primeiras audincias, em Janeiro de 2008, de-puseram 91 testemunhas, 31 delas ex-aliados do chefe de guerra.

    Dois anos aps a assinatura dos Acordos de Paris, destinados a proteger crianas contra o recrutamento ilegal, ainda existem em todo o mundo 250 mil crianas-soldado. Todavia, o UNICEF e as ONGs revelam-se satisfeitas por constatar que houve uma franca diminuio no recrutamento militar de menores.

    Primeira etapa do julgamento chegou ao fim

  • 1. Entre as 07h00 e as 11h002. Mdia;

    3. Durante 5 horas (No perodo das 14h00 as 18h00).

    Horrio das 09h00 as 10h00

    Formao e Estudos de Mercado nos meses de Novembro e Dezembro/08, em todas as Capitais

    Provinciais. Inqurito aplicado a 17.547 indivduos predominantemente na rea urbana.

    Comprove

    Lidera a audincia de Segunda a Sexta na Provncia de Gaza durante toda

    O Mira Shop o Programa Informativo de Compras mais visto pelos

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  • Internacional

    Na quarta-feira, o fogo con-tinuava a arrasar os Estados australianos de Victria e Austrlia do Sul, consumin-do 330 mil hectares de flo-restas, fazendo mais de 200 vtimas mortais e destruin-do mais de 750 habitaes. As autoridades acreditam que o pior ainda est para vir quando os bombeiros e os servios de emergn-cia acederem s reas mais afectadas pelo fogo. Cerca de 100 pessoas continuam dadas como desaparecidas na onda de incndios que teve incio no sbado, e j considerado o mais letal da histria do pas.

    Na segunda-feira, o primei-ro-ministro australiano, Ke-vin Rudd, declarou, numa conferncia da imprensa, que o relatrio policial a que teve acesso aponta para uma origem criminosa na maior parte dos fogos. Rudd apeli-dou por isso os seus autores de assassinos em massa.Encontrmos cadveres dentro de carros, como se tivessem decidido fugir mas j era tarde. Encontrmos corpos nas suas proprieda-des e nas suas casas. Tam-bm encontrmos crianas, refere o porta-voz da polcia estatal de Victria. Segundo fontes mdicas, h muita gente com queimaduras em 30% do corpo. O Governo australiano orde-

    nou no sbado que o Exrci-to se juntasse aos bombeiros no combate ao fogo, que devorou povoaes inteiras. As autoridades tentam ago-ra aceder s zonas mais afec-tadas de forma a localizarem as cerca de 100 pessoas que continuam desaparecidas. Peritos na luta contra incn-dios e bombeiros tm estado a visitar os municpios mais crticos explicando aos seus habitantes como devem ac-tuar no caso de o fogo che-gar s suas habitaes. Teme-se que o fogo conti-nue a propagar-se durante as prximas semanas e que s as chegada das chuvas possa pr cobro a este autntico inferno. Na segunda-feira as condies meteorolgicas

    melhoraram um pouco com a baixa das temperaturas permitindo que os bombei-ros e o exrcito pudessem retemperar foras. Na quar-ta-feira, 30 fogos continu-avam activos no Estado de Victria com vrias povoa-es ainda acossadas pelas chamas. Nos outros Estados afectados pelos incndios, Nova Gales do Sul e Aus-trlia do Sul, grande parte j estava controlada e afastada das reas residenciais.

    Chovia fogo

    At onde a vista alcana est tudo queimado, expli-cava a uma emissora local um vizinho de Glenburn, 90 quilmetros a noroeste de Melbourne, a zona mais afectada pelo fogo. Cho-viam bolas de fogo do cu antes de vermos a muralha de chamas avanando so-bre as rvores, falava a uma cadeia de televiso outro sobrevivente das povoaes arrasadas pelas chamas. O drama por que passa hoje a Austrlia superou o vi-vido naquilo que ficou co-nhecido por quarta-feira de cinzas, em Fevereiro de 1983, quando uma onda de incndios deixou um rasto de 50 mortos em Victria e 28 na Austrlia do Sul. Foi uma tragdia para o Estado e cremos que medida que o rescaldo for feito a cifra

    de mortos ir aumentar, declarava na quarta-feira o subcomissrio da Polcia de Victria, Kieran Walshe. O inferno com toda a sua fria visitou a gente tranquila e pacata de Victria nas lti-mas 24 horas. uma trag-dia para a nao, admitia este domingo o primeiro-ministro australiano.

    Comisso de Investigao

    Os incndios florestais so um fenmeno habitual na Austrlia. Contudo, este ano, a combinao das al-tas temperaturas com os fortes ventos rapidamente fizeram com que as chamas fugissem completamente do controlo dos bombeiros e das autoridades competen-

    tes. Devido gravidade dos incndios, o Governo do Es-tado de Victria j anunciou que por em marcha uma comisso de investigao, que ir abordar todas as cir-cunstncias que rodearam as causas e os efeitos dos incndios, centrando tam-bm a sua actividade numa reviso das polticas gover-namentais contra os fogos. O governador do Estado de Victria, John Brumby, j anunciou que tudo ir ser investigado sobre os incn-dios. Queremos estar cer-tos de que qualquer questo, qualquer factor, qualquer coisa relacionada com o que se passou neste terrvel fim-de-semana, seja investigado e descoberto, reafirmou Brumby.

    negro, elegante, eloquen-te, moderado e apresenta-se bem na televiso. Porm no Barack Obama. Ou melhor, h quem lhe chame o Obama dos Republicanos mas o seu nome Michael Steele e a ele que o parti-do Republicano, a atravessar uma grande crise, decidiu entregar as rdeas do comit nacional. Michael Steele, de 50 anos, que curiosamente foi adop-

    tado por uma famlia de posses democrata, o pri-meiro chairman negro nos 155 anos de histria do par-tido Republicano. Em 2003, como governador de Ma-ryland, foi o primeiro afro-americano deste partido a tentar conquistar um lugar no Senado Federal mas a sua candidatura fracassou. Ca-sado, pai de dois filhos e ad-mirador de Ronald Reagan, Steele um catlico devoto ao ponto de ter passado v-rios anos pelo seminrio an-tes de optar pela advocacia e

    pela poltica. Com o seu catolicismo mi-noritrio nas fileiras republi-canas, a pele negra de Steele contrasta com as bases do seu partido que, aps suces-sivas derrotas, so cada vez mais brancas. Depois de ter sido eleito numa sexta vo-tao nos finais de Janeiro, Steele prometeu mudanas com promessas de reabilitar a desacreditada marca pol-tica dos republicanos. Entre os grande desafios de Steele encontram-se um partido sem uma clara lide-

    rana, com grandes divises internas e um retrocesso eleitoral que desde as legis-lativas de 2006 se traduziu na perda de 49 assentos na

    Cmara Baixa e de 14 no Senado. Tambm os cismas ideolgicos ficaram bem evi-denciados durante a ltima campanha eleitoral com a

    candidatura McCain/Palin. Aps seis votaes em ca-deia, em contraste com ou-tras eleies internas quase por aclamao, o novo pre-sidente do Comit Nacional Republicano reconheceu alguns destes desafios pen-dentes defendendo que os problemas do partido so mais de percepo do que de substncia: Temos um pro-blema de imagem. Temos sido mal definidos. Somos definidos como um partido que no se preocupa, insen-svel, ao qual no importam as minorias nem se preocu-pa com o quotidiano, com as expectativas e os sonhos do americano mdio.

    Foto: LusaTexto: Redaco/com EFEv

    Foto: LusaTexto: Redaco/com agnciasv

    Agentes, entre eles um comandante da polcia, morreram na se-gunda-feira num ataque da guerrilha maosta no estado de Bihar, norte da ndia, informou uma fonte policial.11

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    A onda de incndios que devora o sudeste da Aus-trlia j fez 200 mortos. As autoridades temem que muitos mais corpos carbonizados apaream entre as cinzas nos prximos dias.

    Calor LetalQuando o calor supera os 36,7 graus, a temperatura normal do corpo humano, este ajusta o ritmo cardaco e respiratrio. Contudo, se a di-ferena muito grande como, por exemplo, quando as temperaturas atingem os 44 ou 45, os ajustes podem fracassar e a temperatura corporal dispara. A partir da a conscincia altera-se e os rgos co-meam a sofrer danos. Este golpe de calor origina uma falha mltipla dos rgos que acaba por ser mortal na maioria das vezes se no se consegue baixar imediatamente a temperatura do corpo. Para evitar isso, deve-se procurar espaos menos quentes, hidratar o corpo e evi-tar qualquer esforo fsico.

    Inferno australiano

    O Obama republicano

  • Internacionalmortos o balano final efectuado pelas autoridades brasileiras em rela-o ao despenhamento de um avio ocorrido no passado sbado na sel-va amaznica. Vinte das vtimas mortais pertenciam mesma famlia.

    A italiana Eluana Englaro, de 38 anos, em coma pro-fundo desde um acidente de automvel em Maio de 1992, morreu segunda-feira noite, quatro dias depois de lhe ter sido interrompi-da a alimentao artificial. A notcia foi dada pela cl-nica La Quiete, na cidade de Friul (Noroeste), onde estava h anos. A sua mor-te ocorre no meio de uma tempestade poltica que fracturou a Itlia.O pai, Beppino Englaro, que durante anos se bateu para que a deixassem mor-rer, apenas disse: Sim, ela deixou-nos. Mas no quero dizer nada. Quero apenas estar s. O Senado italiano, que discutia o caso, obser-vou um minuto de silncio. Segundo a edio on-line de La Repubblica, as primei-ras complicaes clnicas comearam a surgir tarde. Os mdicos consideravam que o estado vegetativo em que se encontrava era irre-versvel, mas frisavam que ela no tinha leses fsicas, respirava por si e, portanto, poderia resistir talvez dez dias. Apenas lhe esta-vam a ser adminis-trados sedativos. Aguarda-se a autpsia.

    Morte pe cobro a 17 anos de coma

    Durante anos, a sua agonia comoveu a Itlia. A cris-pao estalou quando, em Novembro, a pedido da fa-mlia, e ao fim de uma longa batalha judicial, o Supremo Tribunal autorizou a inter-rupo da alimentao. A hierarquia catlica lanou uma campanha. O jornal do Vaticano, o Observatore Romano, denunciou o rela-tivismo dos valores sobre a vida e o risco de uma orien-tao fatal para a eutansia. Um cardeal argumentou que h sempre a possibili-dade de um milagre. o primeiro homicdio de Esta-do, declarou um deputado catlico. Pediram que a tute-la de Eluana fosse retirada famlia. Beppino Englaro respondeu que a Igreja no lhe podia impor os seus valores porque a Itlia um Estado laico.

    a politizaoA interrupo da alimenta-o apenas comeou sexta-feira. Nesse dia, o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, abriu um confronto. Fez aprovar um decreto que suspendia a aplicao do acrdo do Supremo. O Presidente da Repblica, Giorgio Napolitano, recu-sou a promulgao, argu-mentando que o decreto era inconstitucional por violar a separao dos poderes e a independncia da Justia.Para contornar o veto, ra-rssimo no sistema poltico italiano, Berlusconi recor-reu a uma lei de emergncia, que o Senado deveria votar hoje. Segundo o dirio La Stampa, Berlusconi estaria inicialmente alheado do caso, at porque a maioria da opinio pblica apoiava os pais de Eluana. Presses do Vaticano tero sido de-cisivas na sua viragem de ltima hora. A Santa S desmentiu. Napolitano encontrou um inesperado aliado: o vetera-no senador Giulio Andre-otti, um poltico do Vati-cano e smbolo do antigo regime. Numa entrevista a La Stam-pa, confirmou a inconsti-tucionalidade do decreto e apelou decncia: O cal-vrio de Eluana no deve ser transformado num caso poltico, sob pena de o des-naturar culposamente. H assuntos em que a poltica deve parar porta da casa das pessoas. Pediu uma lei pon-

    derada e apelou conten-o do Vaticano. O mais violento libelo con-tra a lei foi lanado pelo antigo juiz Antnio Di Pie-tro. Berlusconi disse que no queria ser acusado de abandonar uma pessoa em perigo. Por amor de Deus, Berlusconi caminha sobre o corpo de Eluana, respon-deu Di Pietro. Eticamente, dizia-se dividido. A gravidade do caso, fri-sou, era poltica: Berlusconi aproveitou a ocasio para partir o pas, torn-lo ingo-vernvel e instvel, a fim de poder dizer que a Consti-tuio no funciona e deve ser mudada.Sintomaticamente, a ques-to tambm abalou a es-querda. Walter Veltroni, l-der do Partido Democrtico e da oposio, declarou que votaria contra a lei mas dei-xou liberdade de voto aos seus deputados. A sua ala catlica, encabeada pelo antigo presidente de Roma Francesco Rutelli, inclina-va-se para votar sim. Se a esquerda se divi-diu, tambm na di-reita uma escassa minoria defen-deu que o caso fosse

    tratado como problema de conscincia.A opinio pblica acabou por se partir ao meio. A vi-rulncia do confronto im-possibilitou um debate so-bre a eutansia e os limites do encarniamento mdi-co. O dirio Corriere della Sera lamentava ontem em editorial: O conflito entre os defensores da liberdade de escolha e os defensores da sacralidade da vida de-generou em militarizao das conscincias. Conclua: A politizao da morte a mais grave falta que uma democracia pode cometer. Que se seguir? semelhante ao coma, mas, por vezes, o pa-ciente no parece estar a dormir. Os olhos podem abrir-se, e d o - s e movi-

    mentos espontneos dos olhos. Este estado prova-velmente o resultado da re-cuperao de algumas fun-es que governam os ciclos de sono e viglia, mas sem que o crtex cerebral esteja a funcionar. So apenas sinais do tronco cerebral e talvez algumas ilhas de crtex disfuncional que re-cuperam alguma funo, dizia a revista Na-ture em 2007.

    Foto: LusaTexto: Jorge Almeida Fernandes/ pblico v

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    Morreu Eluana Englaro, aps 17 anos de coma e no meio de uma tempestade po-ltica. A longa agonia serviu de pretexto para uma batalha campal que impossi-bilitou uma discusso sria sobre a eu-tansia e os limites do encarniamento mdico.

  • Economia

    O clebre jantar luz de velas e a troca de presentes parece muito longe, ainda, do chamado cair em desu-so. Para os apaixonados, quando chega esta data, a deciso unnime: oferecer um presente, jantar fora, dar um passeio em muitos luga-res de diverso, de prefern-cia os mais calmos. Sorrir, vibrar, agarrar a vida e at mesmo cantar, so igual-mente algumas das aces que condimentam a data. Quem namora sabe muito bem que um dia de festa. o dia de pr a rotina de lado e viver o romantismo gran-

    de. Em noites destas, o fogo tende sempre a acender-se, proporcionando momentos com direito a lembranas para toda uma vida.As lojas (de venda de pre-sentes diversos) e as casas de pasto (que oferecem janta-res) esto a desbobrarem-se em esforos para que este dia se torne, efectivamente, inesquecvel e que a oferta de presentes se acontea.O vermelho a cor domi-nante em muitos estabeleci-mentos de venda de roupa, cosmticos, entre outros brindes que constituem su-gestes de prenda para esta data. Os presentes mais co-muns so perfumes (j en-feitados), postais, relgios

    de cabeceira, buoquets de flores vermelhas, entre ou-tros. Os preos variam de 150 a mil Meticais, podendo ainda os pequenos cabazes serem embalados escolha do cliente, bastando esco-lher a cor, enfeite, tamanho e o feitio. A, o preo varia conforme o recheio enco-mendado.Os vendedores ambulantes, que operam no comrcio informal, salvam os finan-ceiramente menos providos. Neste sector, os presentes partem de dez Meticais e no vo alm de cem.Portanto, para comemorar o Dia dos Namorados, h brindes para todos os bol-sos.

    A cifra (843.701 ton) cor-responde a uma subida na venda de produtos agrcolas na ordem de 43 por cento, quando comparado quan-

    tidade comercializada no ano anterior, 2007, que foi de 586.722 toneladas.Segundo dados apresentados pelo Ministrio da Indstria e Comrcio (MIC), no seu V Conselho Consultivo Alar-gado, recentemente havido

    na cidade da Matola, pro-vncia de Maputo, o milho, o feijo e a mandioca so os produtos mais vendidos no perodo em referncia.At Setembro, j haviam sido comercializadas cer-ca de 140 mil toneladas de

    mandioca, superando a pre-viso anual que era de 136 mil toneladas, acontecendo o mesmo com o feijo cuja previso indicava para 93 mil toneladas sendo que at Setembro j haviam sido negociadas mais de 300 mil

    toneladas. No tocante ao milho, das 355 mil tonela-das projectadas para todo o ano, at finais do terceiro trimestre, os agricultores j haviam vendido cerca de 331 toneladas.

    270 mil novas ligaes foram feitas pela empresa pblica de distribuio de energia, Electricidade de Moambique, entre 2006 e 2008.

    Preosno

    consumidor

    brEVES ...PoPulao rural da zaMbzia tEM baNCo MVEl

    O Banco Oportunidade de Moambique (BOM) acaba de lanar os servios bancrios mveis destinados popula-o rural da provncia central da Zambzia. O banco mvel, um projecto que conta com um financiamento de 188 mil dlares norte-americanos, ir providenciar servios finan-ceiros a nove mil clientes e assegurar acesso ao crdito a outras trs mil pessoas.O estabelecimento funciona numa viatura equipada que se ir deslocar semanalmente para junto das comunidades rurais.Este banco ir servir a mi-lhares de pessoas residentes nas zonas rurais que no so abrangidos pelos servios financeiros tradicionais at agora. As famlias que no ti-nham tido a oportunidade de poupar o seu dinheiro antes, agora devero guard-lo com segurana, nas suas contas bancrias e ter acesso a ele quando precisarem, refere um comunicado de imprensa do Fundo das Naes Unidas para o Desenvolvimento do Capital (UNCDF), instituio que juntamente com o Pro-grama das Naes Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) financia este projecto em Moambique.A outra componente procura construir a capacidade dos provedores de diversos ser-vios visando garantir forma-o de qualidade em gesto, anlise de crditos, e desen-volvimento do produto. En-quanto que a terceira compo-nente est relacionada com o desenvolvimento de produtos financeiros e abordagens de provedores dos servios fi-nanceiros rurais. / aiM

    dEutSCHE baNk rEgiSta PriMEiro PrEjuzo da HiStria

    O maior banco alemo, o Deutsche Bank, registou, em 2008, o primeiro prejuzo da sua histria, de cinco bilhes de dlares, anunciou nesta quinta-feira a instituio, que destacou, no entanto, que pa-gar dividendos a 50 centavos de euro (US$ 0,64) por aco.O Deutsche Bank atribuiu os maus resultados s condies operacionais sem precedentes do quarto trimestre, que evi-denciaram certas fragilidade no modelo de negcios.Mas como a confiana e o apoio dos nossos acionistas vital para ns, recomenda-mos um dividendo para 2008 de 50 centavos por aco, afirmou o presidente do ban-co, Josef Ackermann.No entanto, o ganho muito inferior aos 4,50 euros pagos por aco em 2007./ aFP

    Foto: istockphotoTexto: Xadreque Gomes v

    Texto: Xadreque Gomes v

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    Partilha de afecto, presentes e programas visando tornar a alma gmea feliz, para o dia de amanh, 14 de Fevereiro, so mais que muitos. o Dia dos Namorados, tambm designado por Dia de So Valentim. Para esta ocasio, h brindes para todos os bolsos.

    Entre Janeiro e Setembro de 2008, a venda de excedentes agrcolas superou as expectativas anuais, em 43 por cento. O plano traado para todo o ano apontava para 801.600 toneladas, tendo, at o final do terceriro trimestre, sido comercializadas 843.701 toneladas.

    Presentes para todos os bolsos

    Comercializao agrcola supera expectativas

    PrESENtES E agENdaS do dia

    Vou jantar fora com a minha namorada, na ocasio vou oferecer um bouquet de flores, foi com estas pa-lavras que Lcio da Silva, jovem de 29 anos de idade, respondeu quando abordado pela nossa Reportagem sobre o que estava agendado para celebrar o Dia dos Namorados.O nosso interlocutor completa neste ms cinco anos de namoro, sendo por isso que o dia 14 ser comemo-rado em pompa. Estou h cinco anos com a minha namorada, nunca lhe levei a jantar fora, mesmo em anteriores celebra-es do Dia dos Namorados. Porque este ano comple-tamos, ainda neste ms de Fevereiro, cinco anos de namoro, a comemorao vai ser a valer, ajuntou.Quanto aos preos, Lcio disse ter consultado o res-taurante onde tenciona jantar. Ao todo (valor do jan-tar e do presente), o nosso interlocutor disse prever gastar perto de mil Meticais.Encontrmo-lo numa loja aqui na capital, empenhado em escolher um presente. Jos Macamo, de 41 anos de idade, disse que pretendia escolher um vestido vermelho como presente para a sua esposa. Vou comprar um vestido vermelho para ela e vou passar o dia em casa com a famlia. Mas certamente que ser um dia diferente de tantos outros. Vamos preparar um jantar especial luz de velas. Numa outra loja, ainda aqui na praa, abordmos Lu-cinda Azevedo, jovem de 28 anos, que na altura apre-ciava presentes diversos, Estou ainda a apreciar os preos, vou comprar na prxima semana porque ain-da no tenho dinheiro. Ser uma boa surpresa para ele, disse Lucinda para quem os preos so acess-veis. Ainda no temos nada agendado, talvez ele tambm esteja para me fazer uma surpresa. Vamos ver at l, acrescentou quando abordada sobre a agenda para o dia. Importa, entretanto, referir que nem todos os pases celebram o Dia dos Namorados a 14 de Fevereiro. Em Brasil, por exemplo, a efemride comemorada a 12 de Junho.

    Produtos zimpeto Xipamanine Fajardo Central Shoprite Vosso Super. Hiper Maputo Mohamed & Comp.tomate 25/Kg 25/Kg 25/Kg 25/Kg 50/Kg s/info. 45/Kg s/info.Cebola 10/Kg 15/Kg 15/Kg 25/Kg 22/Kg s/info. 18/Kg s/info.batata 20/Kg 22/Kg 22/Kg 25/Kg 26/Kg s/info. 22/Kg s/info.ovos 40/Duzia 35/Duzia 35/Duzia 40/Duzia 48/Duzia 44/Duzia 43/Duzia 48/Duzialeite 40/L 35/L 35/L 35/L 40/L 50/L 43,5/L 33/Larroz 25/Kg 22/Kg 22/Kg 25/Kg 22/Kg 40/Kg 30/Kg 22/Kgaucar 25/Kg 25/Kg 25/Kg 22/Kg 23/Kg 25/Kg 25/Kg 25/Kgoleo 55/L 50/L 50/L 60/L 99/L 65/L 50/L 55/LSabo 8/Barra 8/Barra 7,5/Barra 8/Barra 9/Barra s/info. s/info. 8/Barra

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  • Tema de Fundo

    Isto acontece igualmente com as lnguas nacionais, que se escarrapacham sem acabar, do Rovuma ao Maputo, mostrando uma riqueza que s nos ir orgulhar a todos. Com as nossas lnguas subjaz - quando o debate esse - a seguinte questo: a termos que escolher uma para cada regio, qual se-ria? Para alm de que, nas faculdades universitrias onde se pretende ensinar essas lnguas, parecer ser pouco o interesse dos po-tenciais estudantes.Depois da realizao do Festival da Marrababen-ta, que teve o seu incio no dia 30 de Janeiro, no Centro Cultural Franco-Moambicano, passando por Marracuene, Mata-lana indo terminar em Chibuto, ficou esta ques-to no ar: ser que valeu a pena esta iniciativa? Que repercusso ter tido para o pas?No suplemento cultural do jornal Notcias da semana passada, Gimo Remane, conceituado msico mo-ambicano e fundador da clebre banda Eyuphuru, questionava a realizao do Festival da Marraben-ta. Para ele, se formos por essa via, teremos mui-tas dificuldades porque Moambique tem muitos ritmos. Ele ainda nos diz: imagina realizarmos um festival de tufo, festival de mapico, etc!.Mas ns temos outra for-ma de pensar, de ver as coisas: olhando para todo um percurso que Moam-bique trilhou, em termos de msica e ritmos, che-gamos concluso de que necessrio que se exalte cada uma dessas facetas, porque cada uma delas

    assume uma importncia particular. Por exemplo, temos o festival anual de timbila, que se realiza em Quissico-Zavala, para onde so mobilizados meios e pessoas de vrias tendncias culturais e at polticas, com o fim de as-sistir a uma das manifes-taes mais retumbantes que este pas tem. No se pode olhar para a timbila com lunetas tribais, mas sim prestar ateno sua efervescncia, perguntar aonde que os regentes que dirigem aquelas or-questras foram aprender soberbas partituras. As-sim como se pode fazer esta pergunta: quem o autor daquela magnifi-cncia? Julgo que h toda uma necessidade premen-te de se manter a timbila, assim como todos os rit-mos existentes no nosso pas.A marrabenta acarreta todo um peso histrico dos tempos de uma cidade segregacionista, que era a

    antiga Loureno Marques, passando pelas minas do Rand. Ela ergue nomes pujantes, que sero o or-gulho dos moambicanos, casos de Francisco Mahe-cuane, Alexandre Langa, Fany Mpfumo, Lisboa Matavele, Alberto Mhula (o manjacaziano), Dilon Djingi, Ernesto Ximan-ganine e tantos outros. So estas figuras que no tempo colonial e durante a vigncia do Apartheid, dedilhavam e cantavam, manifestando os seus sen-timentos atravs de um ritmo que ficou conhecido como marrabenta. A mar-rabenta ser sempre uma arma valorosa, que dever ser mantida por tempos de nunca acabar.Falamos da marrabenta e da timbila, como evocare-mos sempre e com orgu-lho, o nyau, distinguido agora com divisa de Patri-mnio da Humanidade. No vemos qualquer pro-blema em promover um festival de nyau, onde ire-

    mos sentir a trepidao de um feitio da alma, levan-do-nos para as profunde-zas da terra e para tempos de muito longe. So coisas bastante srias que iro constar nas grandes anto-logias musicais deste pas e, uma das formas de as manter nessas seleces, ser a realizao regu-lar de festivais. Temos o nyau, assim como temos o fervoroso mapico, que nos levar irreverncia dos macondes no planal-to de Mueda e a todos os lugares de Cabo Delgado onde estaro para sem-pre os correligionrios de Reinata Sadimba, um dos nomes macondes mais co-nhecidos em Moambique e no mundo.Provavelmente ser um debate importante, ques-tionar a importncia da realizao de um festival de marrabenta, mas tam-bm pensamos que lcito que ele se realize anual-mente, em nome da nossa histria. @

    Promover um festival musical em Moambique, seja de que ritmo for, ser sempre um problema, assim como pode no ser, porque o nosso pas uma constelao de culturas, cada uma com o seu prprio valor. Cada uma desenvolvendo-se de mote prprio. Cada uma com capaci-dade de, a partir dela mesma, alargar-se a todo o territrio nacional. Mas tambm, levar a cabo uma manifestao desta ndole, ser, com certeza, uma elevao da nossa histria.

    Do mito ao ritoMarrabENta E gWaza MutHiNi

    Foto: Srgio CostaTexto: Alexandre Chaquev

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    NEM tudo MarrabENta

    ENtrE a CHuVa E a CaNCula

    Aquilo a que tivemos ocasio de assistir e ou-vir neste festival, no ser tudo marrabenta. Podemos aceitar que seja algo que gravitou volta disso. Sentimos algumas influncias que passam por exemplo pelo kwela e outros ritmos. Alis, um dos poucos que ainda se pode orgu-lhar de tocar marrabenta ser, provavelmente, Dilon Djindji. Mas essa queda no poder cons-tituir problema, ainda por cima numa poca em que a pureza j faz parte do passado.H pouco tempo questionava-se a integrao de alguns msicos moambicanos no ltimo festival de jazz realizado na Matola. Dizia-se que esses mesmos msicos nada tinham a ver com aque-le ritmo criado pelos negros norte-americanos e celebrizado em New Orles. Mas a explicao veio depois: verdade que esses msicos con-denados no tocavam jazz, mas as suas msi-cas tm alguma coisa a ver com o jazz. Algum dizia tambm que aquilo que Jimmy Dludlu toca no jazz. Pode ser verdade, mas tem a ver com o jazz.Ento, se as pedras so colocadas desta maneira no tabuleiro, podemos aceitar que haja misturas de ritmos nos festivais de marrabenta, inclusi-ve receber um Timbila Muzimba e outros jovens que roagam a nossa marrabenta, ou pegam nela para, a partir dali, fazerem outras coisas.Mas mais do que isso, o poeta Sangare Okapi, seguindo a esteira de Gimo Remane, concorda que os festivais de marrabenta devem ser abran-gentes. Acho que os organizadores ficariam a ganhar muito e ganharamos muito todos ns se, para alm, de trazerem apenas os gurus, convidassem outras bandas que no tenham propriamente nada a ver com a marrabenta. Isso daria outro ar festa. Voc j imaginou o que abrir o um festival de marrabenta com a exibio de limbondo, por exemplo, e deixar o espao nobre para os donos? Eu acho que a festa ficaria mais rica.

    No dia 30 de Janeiro - entre o fim da tarde e o princpio da noite - comeou a chover e j ha-via sido anunciada a abertura do festival, que levaria, previsivelmente, muita gente ao Centro Cultural Franco-Moambicano. No dia 25 de Ju-nho de 1975, Gulamo Khan, reprter da Rdio Moambique, falecido na tragdia de Mbuzini, dizia, em directo para todo o pas, citando pa-lavras de um sbio que, quando chove, algo de importante vai acontecer. E chovia naquele fim de tarde e princpio de noite na cidade de Mapu-to, nos arredores do Festival da Marrabenta. Uma chuva que afugentou muitas pessoas que gostariam de l ter estado, a conviver com os kotas, ouvindo msica de um tempo que no acaba. A sala do Franco no esteve cheia (es-tava um pouco para alm da metade), sem que isso, porm, tenha constitudo algum impeditivo para que o espectculo acontecesse. Os madalas no se fizeram de rogados. Abri-ram as mos e as vozes e os coraes e entre-garam-se ao ritmo. Fizeram um espectculo amplamente aplaudido, que deixou marcas num dos locais mais importantes de acolhimento mu-sical na cidade de Maputo,.Depois foi a vez de Marracuene, num dia de grande cancula, tambm de tristeza, pois o som esteve uma grande lstima. No se pode permi-tir que um espectculo desta magnitude, onde perfilam nomes que merecem o nosso respeito e se toca em homenagem a um ritmo histrico, sejam maltratados daquela maneira. Do princi-pio ao fim foi um som que no atingiu o nvel desejado, com interrupes aborrecidas, que chegaram a matar a alma de alguns artistas convidados a dar a sua prestao.Apesar de tudo, foi bom terem aberto espao a artistas locais, que deram asas aos seus senti-mentos, num dia de calor brutal.

  • Tema de Fundo

    Os tempos de Massingui-tane j l se foram. Para trs ficaram os Magaia e os Mahazule e o parente de Massinguitane (pro-movido a rgulo), Fer-nando Mabjaia. Lembra-mo-nos dela naquele dia desrespeitado. Porque se voc quer falar com os espritos, faa-o no limiar da aurora, quando ainda se podem encontrar as gotas do orvalho. Eles (os espritos), gostam de ser ad