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  • Atuação fisioterapêutica no tratamento das fraturas tibiais com

    ilizarov

    Ana Carolina Alves Peixoto

    [email protected]

    Pós-graduação em Reabilitação em Ortopedia e Traumatologia com Ênfase em Terapia Manual –

    Faculdade FAIPE

    Resumo: A tíbia é um dos ossos longos que ocorrem fraturas de alta energia, o tratamento

    cirúrgico necessita de uma fixação externa e o mais utilizado é o método de Ilizarov, porém

    para o tratamento ocorrer sem muitas complicações é importante uma reabilitação

    adequada com uma proposta fisioterapêutica diferenciada. O objetivo desse estudo foi

    dissertar sobre os aspectos gerais relacionados a este método, discutindo recursos

    fisioterapêuticos que podem ser utilizados no processo de reabilitação. Este estudo consistiu

    em uma revisão sistemática de literatura realizada de Marco a Setembro de 2015 junto aos

    seguintes bancos de dados científicos: SCIELO, GOOGLE ACADÊMICO e LILACS. A

    pesquisa foi ampliada a sites de fisioterapia, medicina, livros, trabalhos de conclusão de

    curso e revistas científicas, abrangendo trabalhos nos últimos quartoze anos (2000 – 2014).

    O resultado consiste em poucos protocolos fisioterapêuticos que estão descritos de forma

    detalhada, e dentre os citados estão a crioterapia, cinesioterapia, eletroterapia e

    orientações gerais, diminuindo as chances do paciente desenvolver hipotonia, perda de

    força muscular, hipotrofia, diminuição da amplitude de movimento, perda da

    funcionalidade do membro acometido e demonstrando a eficácia do tratamento

    fisioterapêutico. Conclui-se que o tratamento é indispensável para esses pacientes e sendo

    realizada da forma correta minimiza os efeitos negativos sobre a qualidade de vida e

    aperfeiçoa a funcionalidade do membro inferior ajudando o paciente a habituar-se em suas

    condições atuais.

    Palavras chaves: Fixador Externo; Ilizarov; Tratamento Fisioterapêutico.

    1. Introdução

    Na anatomia humana a tíbia é o segundo maior osso, fortemente vinculado à fíbula,

    possui uma forma triangular apresentando três bordas: anterior, medial e lateral, podendo ser

    palpada na borda anterior e face medial, nela encontram-se inserido os músculos tibiais

    anteriores e posteriores que juntos realizam a dorsiflexão, flexão plantar, inversão e eversão

    do tornozelo (DREEBEN, 2010).

    mailto:[email protected]

  • A tíbia é medial e mais resistente que a fíbula articulando–se com o fêmur pela sua

    extremidade proximal. Estes ossos articulam-se distalmente com o talús, sendo que a tíbia é

    responsável pela transmissão do peso (DANGELLO e FATINNI, 2005).

    Conforme Reis et al (2005), a vascularização da tíbia é diminuída e há pouca

    cobertura de tecido, devido a isso são as mais acometidas por traumas. Entre as causas mais

    frequentes estão os traumas de alta-energia, os acidentes automobilísticos, motociclísticos e

    atropelamentos, além das fraturas em consequência de ferimento por projétil de arma de

    fogo. Nesses traumas de alta energia é essencial identificar a classificação das fraturas

    diafisárias das tíbias para um tratamento eficaz ao paciente (HUNGRIA e MERCADANTE,

    2008).

    Estas fraturas são classificadas em abertas, fechadas, estáveis e instáveis. As abertas

    ocorrem quando há uma comunicação da fratura com o meio exterior chamada assim de

    fraturas expostas e as fechadas não existem essa relação. Logo, as estáveis ocorrem quando

    os fragmentos estão de acordo com o posicionamento anatômico da estrutura afetada e nas

    fraturas instáveis os fragmentos ósseos estão desviados da posição anatômica (RUARO,

    2004).

    Atualmente, para cuidar dessas fraturas existem dois tipos de tratamento: o

    conservador e o cirúrgico. O conservador ocorre quando não há intervenção cirúrgica

    podendo ou não necessitar de redução incruenta. E no tratamento cirúrgico usa-se quando

    não é possível utilizar o tratamento conservador dando-se através do método cruentos o qual

    se ajustam os fragmentos fraturados, utilizando materiais de síntese interna, como por

    exemplo, a utilização do fixador externo (RUARO, 2004).

    Segundo Ruaro (2004), o fixador externo é o tratamento cirúrgico mais indicado por

    ser eficiente na estabilização e minimizar o sangramento o qual é utilizado quando ocorrem

    fraturas abertas, fechadas cominutivas e segmentares, com lesões vasculares, em pacientes

    com idade avançada, politraumatizados e quando o tratamento conservador não obteve

    resultados positivos. De acordo com os estudos, a utilização do fixador externo é

    predominante em homens entre 21 a 30 anos, principalmente, por acidentes de transito sendo

    eles 35% por motos, 28,50% por derrapagens e 17,32% por automóveis e 5% por trauma

    esportivo (PICADO et al, 2000).

    Segundo REIS et al (2005), o fixador externo mais utilizado é o de Ilizarov por não

    provocar maiores danos ao suprimento vascular da tíbia e por acarretar grande impacto na

    qualidade de vida e na funcionalidade dos seus usuários (ANDRADE e SILVESTRE, 2008).

  • De acordo com Rotbande e Ramos (2000), o sistema de Ilizarov é inovador, pois une

    dois semicírculos conectados tornando um anel o qual é fixado um par de fios de Kirschner

    que transfixam o osso possibilitando a utilização de fios mais finos transfixados em vários

    planos, proporcionando melhor estabilização óssea. Esse tipo de tratamento busca estimular

    a consolidação da fratura para devolver a funcionalidade mecânica do osso, capacitando-o

    novamente para suportar o peso e proporcionar o movimento fluido das articulações

    adjacentes (ALVES et al, 2010).

    Após a fratura é colocado o fixador externo onde são aplicadas forças tensionais

    através da distração. Na instalação o Ilizarov promove uma regeneração óssea a partir de

    dois a sete dias e quando o objetivo é alcançado esta distração é interrompida. A regulagem

    do aparelho inicia-se entre o sétimo e o décimo quarto dia de pós-operatório e o

    alongamento pode atingir um total de dezesseis a dezoito centímetros do aparelho no

    paciente (ALVES et al, 2010).

    Há uma extrema necessidade de identificar a classificação da fratura para obter um

    bom prognóstico e estabelecer um tratamento eficaz, sendo necessário saber o tempo

    aproximado de consolidação de cada tipo de fratura e para compreender os tipos de trauma é

    importante entender as patologias, procedimentos cirúrgicos e precauções associadas, além

    de identificar os comprometimentos e limitações funcionais e possíveis incapacidades. No

    entanto, em todos os casos de fratura a rapidez na consolidação óssea depende do padrão de

    fratura e da amplitude das lesões nos tecidos moles (HOPPENFELD, 2001).

    A programação de tratamento fisioterapêutico geralmente se inicia após a colocação

    do fixador externo devendo ser realizada uma avaliação inicial das condições gerais do

    paciente. Caso não haja o tratamento precoce, há consequências deletérias como edema do

    membro acometido, inflamação dos orifícios dos fios, rigidez ativa temporária, limitação da

    amplitude de movimento das articulações adjacentes, déficit de força muscular,

    propriocepção e entre outros (ALVES et al, 2010).

    O tratamento fisioterapêutico traz componentes essenciais para aperfeiçoar o

    prognóstico e a funcionalidade do paciente, minimizando os efeitos deletérios da

    imobilização bem como no próprio trauma. A fisioterapia atua nas complicações vasculares,

    mudanças posturais para combater as escaras, mobilização muscular e vascular para impedir

    o tromboembolismo, cuidados específicos com a região traumatizada para evitar a perda das

    funções e rigidez muscular (MACRI e tal, 2009).

    Segundo Ruaro (2004), as fraturas dos ossos da perna trazem dificuldades de

    tratamento, seja cirúrgico ou conservador. As possíveis deformidades ósseas consequentes

  • de consolidação viciosa é a presença de sequelas produzidas pela imobilização que leva a

    incapacidade funcional reversível, sendo proporcional a quantidade de energia que gerou o

    trauma (RECKERS et al, 2007).

    Durante o período de imobilização com o fixador externo, a fisioterapia estará

    voltada para as articulações do joelho, tornozelo e pés que terão suas amplitudes de

    movimentos restauradas ou mantidas, realizando exercícios de mobilização passiva e ativa,

    que também influenciarão na circulação sanguínea (LARA et al, 2009).

    Para Lara et al (2009), nos casos de fraturas e métodos de fixação a sustentação do

    peso será tardia, sendo observado um calo nas radiografias e se houver um bom contato

    cortical, o paciente pode sustentar o peso pelo contato dos dedos do pé com muletas ou

    andador. O atendimento é aplicado aos pacientes portadores do fixador de Ilizarov e irá atuar

    com grande coadjuvante, tendo como objetivo a manutenção dos seus sistemas orgânicos, a

    reeducação e recuperação de suas f