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Apresentao

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CARLOS MAGNO FACCION JUNIOR

BIBLIOTECA COMUNITRIA: UMA ALTERNATIVA A BIBLIOTECA PBLICA E A BIBLIOTECA ESCOLAR.

Rio de Janeiro

2005

CARLOS MAGNO FACCION JUNIOR

BIBLIOTECA COMUNITRIA: UMA ALTERNATIVA A BIBLIOTECA PBLICA E A BIBLIOTECA ESCOLAR.

Trabalho de concluso de curso apresentada ao Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal Estado do Rio de Janeiro, como requisito parcial para a obteno do grau de Bacharel em Biblioteconomia.

Orientadora: Prof MS. Maura Escndola Tavares Quinhes

Rio de Janeiro

2005

CARLOS MAGNO FACCION JUNIOR

BIBLIOTECA COMUNITARIA: UM EQUIPAMENTO INFORMATO CULTURAL A SERVIO DA SOCIEDADE.

Trabalho de concluso de curso apresentada a Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal Estado do Rio de Janeiro, como requisito parcial para a obteno do grau de Bacharel em Biblioteconomia.

Aprovado em de 2005

BANCA EXAMINADORA

Prof. MS Maura Escndola Tavares Quinhes Orientadora

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Prof. MS Simone da Rocha Weitzel

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Prof. BS Maria Tereza Reis Mendes

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Dedico esse trabalho a Deus pelos dias vividos

minha Familia, pela constante ateno ao meu desenvolvimento permitindo-me retornar sempre a um porto seguro de amor e respeito.

Aos meus filhos que tornaram minha vida melhor de ser vivida.

Ao Prof( Mario Luz que mostrou-me o caminho da Biblioteconomia

Aos professores que contribuiram no s para meu crescimento profissional mais acima de tudo tornar-me um cidado digno a ocupar sua cadeira na sociedade.

AGRADECIMENTOS

As mulheres que viveram comigo suas vidas.

A cidade do Rio de Janeiro por tanto matria de memria.

[EPGRAFRE]

A comunidade o espao natural em que o homem concreto vive e respira. (Ferreira, 1968).

RESUMO

Aborda a questo da informao e memria em comunidades sem incentivo ao acesso a leitura e ao livro, carentes de instituies de informao e cultura enfocando suas relaes de harmonia. Analisa a Biblioteca Comunitria e sua relao com o usurio. Trata a questo da acessibilidade a partir de um estudo focado na Biblioteca Comunitria, local de convergncia de varias ramificaes sociais. Prope alguns objetivos a serem alcanados pela Biblioteca Comunitria descrevendo as realidades e conceitos das bibliotecas analisadas, tendo como base o universo das necessidades informacionais das pessoas dessa comunidade. Conclui que a Biblioteca Comunitria tem um papel relevante na sociedade sendo uma instituio capaz de promover a incluso informacional, social e cultural da localidade onde ela esta inserida e assumir o papel de facilitadora entre o livro, a leitura e seu pblico.

Palavras-chave: Biblioteca Comunitria, Comunidade.. Biblioteca Pblica, Organizao e Administrao de Bibliotecas Comunitrias.

ABSTRACT

It approaches the question of the information and memoria in communities without incentive to the access the reading and the book, devoid of institutions of information and culture focusing its relations of harmony. It analyzes the distanciamento of the public of the library of the social spaces between the group that access has the Libraries and the group that this does not have exactly access and the necessity of if conquering this public space. It deals with the question the accessibility from a study focado in the Comunitaria Library, place of convergencia of you vary social ramifications considers, then, some objectives to be reached for the Comunitaria Library describing the realities and concepts of some types of libraries, having as base the universe of the informacionais necessities of the people of this community. It concludes that the Comunitaria Library has an excellent paper in the society being an institution capable to promote the inclusion informacional, social and cultural of the locality where it this inserted one. When assuming the paper of facilitadora between the book, the reading and its public.

Word-key: Comunitaria Library, Community. Public library, Organization and Administration of Comunitarias Libraries.

SUMRIO

1INTRODUO..................................................................................10

2COMUNIDADE..................................................................................12

3BIBLIOTECA COMUNITARIA...........................................................17

4 AS BIBLIOTECAS COMUNITARIAS: UM BREVE HISTORICO.......23

4.1 BIBLIOTECA COMUNITARIA PAULO FREIRE...............................24

4.2 BIBLIOTECA COMUNITARIA TOBIAS BARRETO..........................27

4.3 BIBLIOTECA COMUNITARIA ESPAO DA LEITURA.....................29

4.4 BIBLIOTECA COMUNITARIA CANTO DA LEITURA.......................32

5 CONCLUSO......................................................................................35

REFERNCIAS...........................................................................................38

APNDICE..................................................................................................41

ANEXOS.....................................................................................................42

1 INTRODUO

O tema escolhido para desenvolver o trabalho de concluso do Curso de Biblioteconomia foi Biblioteca Comunitria.

A justificativa deste trabalho est relacionada a dois fatos. O primeiro se relaciona com o desejo de conhecer mais esse tipo de Biblioteca, anseio de um grupo de habitantes de um determinado lugar. O interesse em conhecer e verificar se atende a seus usurios. Verificar se a Biblioteca Comunitria pode substituir a Biblioteca Publica e a biblioteca Escolar.

O objetivo foi fazer uma descrio geral de cinco Bibliotecas Comunitrias e a atuao das mesmas em prol de seus usurios. As bibliotecas so: 1) Biblioteca Leitura e Ao no bairro de Cermica em Nova Iguau; 2) Biblioteca Paulo Freire no Centro de Duque de Caxias; 3) Biblioteca Tobias Barreto na Vila da Penha; 4) Biblioteca Ler e Agir em Vargem Grande; 5) Bibliotecas Canto da Leitura no Horto e em Vilar Carioca-Inhoaiba, as unidades foram selecionadas a partir da sugesto de minha orientadora.

A metodologia utilizada para fundamentar o tema escolhido foi: reviso de literatura, acessada em suportes como livros, peridicos documentos eletrnicos, sobre Biblioteca Comunitria e entrevista com as pessoas que atuam nas bibliotecas e para complementar fotografou-se as instituies. A entrevista explorou dados como: ORIGEM, DESIGNAO, OBJETIVOS, ESPAO FSICO, ACERVO, USURIOS, SERVIOS E PRODUTOS, RECURSOS: MATERIAIS; FINANCEIROS E HUMANOS e FUNCIONAMENTO. As questes da para a entrevista foram formuladas a partir das referencias bibliogrficas utilizadas.

Espera-se que este pequeno trabalho sirva apenas como gerador de um servio bibliotecrio til, capaz de ser respeitado, conhecido e apoiado. Um servio que ultrapasse a imagem da biblioteca como local s para os livros e se modifique sempre, refletindo a vontade social.

2 COMUNIDADE

O termo comunidade refere-se a um agrupamento humano que desenvolve sua vida em comum, tendo idias e sentimentos partilhados por todos. Comunidade vem do latim communitas, de cum mais unitas, quando muitos formam uma unidade. Deriva do termo latino comunis, que significa pertence a muitos (Houaiss, 2001, p. 782). O vocbulo do portugus comunidade usado em sentidos diversos. A comunidade, em geral, definida como unidade constitutiva de uma sociedade mais ampla. Mas as sociedades tribais podem ser consideradas prottipos de comunidades, representam, muitas vezes, unidades auto-suficientes e soberanas (FERNANDES, 1973, p. 56). E ainda, comunidade um grupo de pessoas conscientemente organizadas onde se reconhece certo grau de interdependncia, como os elementos implcitos de sua interao social na prtica da interdependncia, cooperao, colaborao, unificao e que vivem numa rea geograficamente determinada (rural ou urbana), unidas por interesses comuns e que participam das condies gerais de vida (MIRADOR, 1975, p. 2698).

Segundo Fernandes (1973, p.13) as comunidades variam profundamente quanto ao tamanho e organizao, compreendendo tipos diferentes de estruturas sociais, como, a aldeia e a grande cidade. Entre esses dois extremos observa-se grande nmero de formas intermedirias. Essa amplitude conceitual somente se justifica pelo fato de haver, pelo menos, duas qualidades comuns a todas elas: o habitat definido e instituies sociais suficientemente desenvolvidas para satisfazer as necessidades tradicionais da populao. O termo comunidade designa uma forma de associao muito ntima, um grupo altamente integrado cujos membros se encontram ligados uns ao outros por laos de simpatia (FERNANDES, 1973, p. 57).

Nesse sentido, qualquer grupo pode constituir uma comunidade, como uma seita religiosa, por exemplo: A comunidade, em oposio sociedade, um grupo local, altamente integrado, em que predominam contatos primrios, sendo a cultura tradicional e homognea.

Tnnies (FERNANDES, 1973, p. 60) introduziu o dualismo sociedade (Gemeinschaff) e comunidade (Gessellschaff) no discurso cientifico contemporneo, em 1887. Ele caracteriza bem a oposio entre vontade natural e vontade racional. Desenvolve a dicotomia das relaes de unio e sua motivao a que chamou, comunidade a vontade natural ou essencial e sociedade a vontade racional ou de arbtrio. E, as estruturas de comunidade e sociedade se sucedem nesta ordem e somente assim, a comunidade s pode transformar-se em sociedade. Esta precede sempre a sociedade. Este processo nunca reversvel (FREYER, 1942, p. 82). A vontade racional distingue-se da vontade natural pelo fato de as pessoas suprirem seus desejos naturais em busca de um objetivo, encontrando, desta forma, motivao para formar uma sociedade. Vontade natural so as relaes humanas mais simples, de amizade, simpatia e agrado reciproco. Enquanto a vontade natural acentua a estrutura, a vontade racional valoriza a funo.

Segundo Tonnies (1942, p. 223) a relao do homem com a mulher situa-se entre as relaes elementares e importantes da formao da comunidade, tanto pela atrao sexual como pela necessidade de procriao. Uma relao do tipo natural de carter autoritrio e igualitrio. Natural por ser uma relao com motivao primitiva, baseada no desejo sexual e totalitria porque se estabelece a partir da autoridade do homem sobre a casa e toma um vies igualitrio pela necessidade de conduzir a casa e os filhos. Essa relao forma a estrutura da comunidade e, por conseguinte a sociedade. Tonnies (1942, p. 224) descreve as relaes sociais a partir da famlia, a casa, os servos e outras famlias.

Se, entre as comunidades destaca-se a famlia a comunidade de sangue, a aldeia a comunidade de vizinhana e a cidade a comunidade de colaborao, englobando tanto as comunidades de esprito como as comunidades de lugar, j entre as sociedades coloca-se a empresa, indstrias e comerciais, bem como outros grupos constitudos por relaes baseadas em interesses (TONNIES, 1942, p. 60).

Bauman (2003, p. 43), afirma que embora os meios de comunicao (rdio, televiso, cinema, Internet), tenham estreitado as reas de convivncia existe, sobretudo, uma distncia a ser percorrida no cotidiano. Essas localidades mesmo com seus horizontes de convivncia dilatados atravs das mdias, ainda praticam um mnimo irredutvel de atividades bsicas, seja o caminho percorrido de casa a escola, igreja ou a fabrica. O que mantm fixo os laos comunais. Neste sentido, os bairros residenciais e os condomnios surgem como comunidades. Onde cada vez mais auto-suficientes transformam-se em guetos e prev que tudo que externo quele gueto perigoso, onde os outros so sempre uma ameaa e a segurana toma o lugar da liberdade.

Pode-se utilizar alguns critrios para se definir comunidade, por exemplo: os interesses dominantes que ligam um grupo de pessoas por algum objetivo comum relevante; ser um grupo de pessoas conscientemente organizadas com certo grau de interdependncia; ter um espao reconhecido como pertencente a um grupo. (FERREIRA, 1968, p. 40).

O entendimento compartilhado de onde nasce a comunidade natural que para Bauman (2003, p. 17), no pode ser constituda artificialmente, por isso, no pode ser contemplado e analisado, por que algo que surge naturalmente. Como por exemplo, os clubes esportivos e as sociedades religiosas. Ela no pode ser analisada nas suas relaes, pois o entendimento compartilhado como o ar que respiramos, sendo evidente e natural no o notamos a no ser que esteja mal-cheiroso. O entendimento mtuo no pode ser expresso, determinado e compreendido... O acordo real no pode ser artificialmente produzido. (Bauman, 2003, p. 17)

Bauman afirma que (2003, p. 19) a comunidade anterior revoluo industrial estava protegida pela distncia que a separava de outras comunidades. O tempo que a informao levava para circular contribua para a manuteno da comunidade. na sociedade da informao que as comunidades perdem a proteo do espao que as separa do mundo, devido evoluo dos transportes e circulao mais rpida da informao por meio das novas tecnologias principalmente a Internet.

O dentro e fora da comunidade j no podem ser contido, ou seja, no possvel preservar mais a comunidade das influncias e relaes com o mundo externo. O entendimento natural envolvido pela produo artesanal feita no tempo das coisas substitudo pela produo industrial cujo tempo o da mquina.

(BAUMAN, 2003, p. 87).

Cada vez menos as relaes sedimentadas sejam nacionais, regionais, comunitrias, etc., se apresentam como estveis o que dificulta uma auto-imagem coerente (BAUMAN, 2003, p. 88).

Viver prximo, no mesmo bairro, rua, prdio, condomnio, no significa viver em comunidade, por vezes, cerca-se eletronicamente de toda sorte de equipamentos para evitar-se justamente o outro, ou, o intruso.

Nenhum agregado de seres humanos sentido como comunidade a menos que seja bem tecido de biografias compartilhadas ao longo de uma histria duradoura e uma expectativa ainda mais longa de interao freqente e intensa. (BAUMAN, 2003, p. 48).

A comunidade s se estabelece quando os diversos indivduos partilham do mesmo propsito resguardando o grupo das diferenas inerentes a si.

E, depois de esclarecer sobre o termo comunidade, sero destacados alguns conceitos sobre bibliotecas em geral, seguidas de uma breve anlise sobre Biblioteca Comunitria, destacando a importncia dos mesmos no tocante ao acesso ao livro, leitura e informao em geral. Dessa forma ser delineado o embasamento terico para a pesquisa em questo. Aps esclarecer o termo comunidade, destacaremos o termo Biblioteca Comunitria delineando o embasamento terico para a pesquisa.

3BIBLIOTECAS COMUNITRIAS

Na viso de Gil, Trautman e Gay (1973, p. 26), Biblioteca Comunitria aquela de carter popular e livre que presta servio aos habitantes de uma localidade, distrito ou regio. sustentada com fundos governamentais ou da prpria comunidade.

A biblioteca comunitria surge do desejo de uma comunidade em querer uma biblioteca prxima sua casa (ALMEIDA, 1997, p. 87). Esta necessidade de obter informao e lazer e no quer recorrer ao centro da cidade para, usufruir a biblioteca pblica ou procurar a biblioteca da escola para suprir suas necessidades informacionais. Deve-se levar em considerao que quando se pensa na criao de uma biblioteca alternativa a distncia que o usurio tem de percorrer para ir a uma biblioteca deve ser levada em considerao (ALMEIDA, 1997, p. 87). O que se percebe um verdadeiro isolamento das comunidades marginais dos centros urbanos no que diz respeito ao acesso Biblioteca.

As bibliotecas comunitrias so criadas como iniciativa de um indivduo ou mais ligados uma comunidade que, no intuito de benefici-la, promove o acesso ao livro, leitura e a informao em geral de interesse para toda a populao.

nesse espao compartilhado que nasce a biblioteca comunitria reflexo do grupo que tem no seu espao dela uma identidade. Vm somar-se igreja, escola e s associaes. Neste sentido, a biblioteca comunitria melhor seria se fosse chamada de biblioteca associativa ---- uma vez que seres sociais se organizam para a realizao de um interesse comum. Com a alcunha de biblioteca comunitria pode-se dizer que o que se pretende que ela seja comum a todos no seu uso e na sua construo.

As bibliotecas comunitrias seguem a misso da biblioteca pblica, que devem promover o acesso aos registros do conhecimento, o estmulo leitura e sua interpretao atravs de atividades como a hora do conto, concurso de poesia e literatura, e ainda, focar questes do cotidiano da comunidade como: sade, transporte, segurana, esportes, etc, (MILANESE, 1986, p. 69).

A biblioteca comunitria deve ser uma referncia de acesso informao em todos os nveis e para todos os fins. E, como a exemplo da biblioteca pblica, instrumento educativo e prioriza o suporte da informao ao invs da informao por si (LOPEZ, 2003, p. 5). Assim sendo, a biblioteca comunitria comete o mesmo erro da biblioteca pblica, pois quando prioriza o suporte e no a informao, a biblioteca s alcana o alfabetizado, mas no o analfabeto. Para isso preciso valorizar a informao em qualquer suporte e fazer uso de vdeos, fitas sonoras, exposies, debates, palestras, etc. Deve ainda utilizar-se de voluntrios envolvidos com a capacidade de assimilao da informao na tentativa de assegurar o desenvolvimento do conhecimento.

Stumpf (apud Almeida, 19997, p. 107) diz que bibliotecas pblicas so mantidas pelo governo e servem a uma populao maior, como uma cidade ou estado. As comunitrias podem ou no ser subordinadas ao governo, mas atendem a populaes menores como bairros e vilas. A esta denominao (biblioteca comunitria) estabelece, tambm, um sentido de maior vnculo entre a biblioteca e seu pblico, levando a crer que ela parte integrante da comunidade (ALMEIDA, 1997, p. 99).

Segundo Almeida (1997, p. 92) as bibliotecas alternativas (dentre as quais a biblioteca comunitria) devem fixar-se em trs pontos: O pblico a ser atingido deve ser aquele que constitui as classes populares; O objetivo de trabalho deve ser a informao e, a comunidade deve efetivamente participar da definio de polticas e objetivos.

A incorporao da informao pela Biblioteca Comunitria pode trazer consigo as diversas informaes utilitrias de interesse da comunidade.

A funo informacional quando assumida, exige um vnculo maior, um relacionamento mais prximo da comunidade, na medida em que as informaes oferecidas devem atender as necessidades e os interesses daqueles que a utilizaram (ALMEIDA, 1997, p. 138).

Segundo Almeida (1997, p. 126) uma caracterstica marcante das bibliotecas comunitrias a aproximao do pblico com o responsvel pelos livros, pela afinidade natural por morarem na mesma localidade.

E se a biblioteca comunitria promove palestras, cursos, exposies, eventos, debates, etc., propiciar atividades em grupo cujos resultados so to ou mais importantes que as pesquisas ou consultas individuais (ALMEIDA, 1997, p. 100).

A respeito da formao dos acervos das bibliotecas comunitrias Almeida faz uma crtica pertinente:

Freqentemente iniciado com campanhas de arrecadao de livros, principalmente entre os membros da comunidade. Tais campanhas no determinam critrios prvios, recolhendo livros e revistas aleatoriamente, inchando o espao da biblioteca com materiais pertinentes e com outros totalmente inadequados sob o ngulo dos interesses da comunidade (1997 p. 118).

Na aquisio de suportes informacionais, a biblioteca comunitria observa sua comunidade e constitui seu acervo a partir dos registros das manifestaes populares, artsticas ou no, como poesia, contos, filmagens de dramatizao de leitura de poesia e peas teatrais ou gravao de imagem e som das reunies de associaes e documentos gerados pela comunidade e de interesse arquivistico.

Na Era do conhecimento ou Era da informao, a educao considerada como um instrumento essencial na conquista da cidadania. Mas para que a educao seja um instrumento de cidadania deve assegurar o desenvolvimento dos potenciais humanos para a autonomia moral e intelectual. E a biblioteca uma instituio que se faz necessria nesse processo (SUADEM, 2000, P. 55).

Segundo Freire (1998, p. 56) a situao brasileira em relao educao para a cidadania pode ser considerada deficitria. Primeiramente por que esse direito ainda no garantido a todos os brasileiros, e segundo, porque a educao oferecida hoje pelo Estado, se aproxima mais da doutrinao do que da autonomia. Assim, acredita-se que a Biblioteca Comunitria em seu processo de construo a partir do resgate e preservao das experincias da comunidade torne-se um espao tanto de participao como de expresso local, visando transformar os indivduos em sujeitos autnomos (ALMEIDA, 1997, p. 50). Desse modo a comunidade vai-se reconhecer nas atividades culturais desenvolvidas pela biblioteca nas prticas leitoras e em seu acervo (FREIRE, 1998, p. 49).

Segundo Moraes (1983, p. 65) quando a biblioteca no constituda para o povo, pode ser popularizada, mas no popular. Ela somente popular quando do povo. As bibliotecas criadas pelo poder pblico so reparties publicas e carregam todas as caractersticas que fizeram essas serem rejeitadas e menosprezadas pela populao. Essas reparties pretendem executar servios populao, mas se tornam estranhas a ela e conseqentemente causam prejuzos sociais, educacionais e culturais por essa faltam. A biblioteca comunitria vem como alternativa a essas bibliotecas preenchendo tanto os espaos deixados pela biblioteca pblica tais como desenvolvimento cultural e lazer, como os espaos deixados pela biblioteca escolar como auxilio pesquisa e literatura. E por ser a biblioteca comunitria criada e mantida pela prpria comunidade nada tem o Estado que ver com o tipo de acervo que possui e a ideologia de suas obras sendo a populao ao entorno a prpria beneficiada e permitindo assim, a verdadeira produo do conhecimento e do livre pensar (LOPEZ, 2003, P. 15).

A tentativa de fazer da biblioteca comunitria uma alternativa biblioteca escolar e biblioteca pblica no original. J em 1978 a Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentao em artigo de Carminda Nogueira de Castro Ferreira abordava a experincia americana no incio do sculo XX que tentou articular estas bibliotecas no que ficou conhecido como biblioteca conjunta comunitria. No principio, o termo biblioteca comunitria designou aquelas bibliotecas que atuavam junto aos segmentos mais pobres das grandes cidades principalmente em bairros perifricos.

A biblioteca comunitria deve oferecer, caso no haja biblioteca pblica ou os servios desta no cumpram com seus deveres, acesso livre e ilimitado ao conhecimento ao pensamento, a cultura e a informao (MANIFESTO DA UNESCO, 1995, p. 2).

A biblioteca comunitria vem criar elos entre a manifestao cultural, a educao e a comunidade. Ela deve-se fiar no voluntariado e nas manifestaes de interesse da comunidade em atuar na construo do seu desenvolvimento ---- isso certamente refletir no desenvolvimento da comunidade. Preparar os trabalhadores voluntrios da biblioteca com tcnicas biblioteconmicas garante ao indivduo instrumentos para enfrentar as exigncias do mundo moderno e faz conhecida essa instituio to cara ao desenvolvimento humano.

O aprendizado do voluntrio no se esgota no desenvolvimento dos aspectos tcnicos do trabalho em bibliotecas, mas desenvolve sua cultura, educao e sociabilidade. Portanto, os voluntrios da rea de teatro, msica, artes plsticas e literatura, pertencentes comunidade ou no, devem fazer parte do universo da biblioteca comunitria. Para uma Biblioteca Comunitria funcionar no preciso registro no Conselho nem a contratao de um Bibliotecria com isso o acesso a essa instituio facilitado.

Aps a exposio terica concernente Biblioteca Comunitria, cabe relatar um breve histrico das instituies escolhidas.

4AS BIBLIOTECAS COMUNITARIAS: UM BREVE HISTORICO

As Bibliotecas selecionadas para este estudo foram: 1) Biblioteca Leitura e Ao no bairro de Cermica em Nova Iguau; 2) Biblioteca Paulo Freire no Centro de Duque de Caxias; 3) Biblioteca Tobias Barreto na Vila da Penha; 4) Biblioteca Ler e Agir em Vargem Grande; 5) Bibliotecas Canto da Leitura no Horto e em Vilar Carioca-Inhoaiba as unidades foram selecionadas a partir da sugesto de minha orientadora.

Assim, foram feitas cinco entrevistas junto aos responsveis pelas Bibliotecas, a saber: Marcelo da Biblioteca Comunitria Paulo Freire, Evando da Biblioteca Comunitria Tobias Barreto, Luciane da Biblioteca Comunitria Espao da Leitura e Maria Nilda da Biblioteca Comunitria Canto da Leitura. As Bibliotecas esto localizadas nos municpios do Rio e Grande Rio. O ingresso s instituies para aplicao das entrevistas e o registro fotogrfico foi permitido devido elaborao de uma Carta de apresentao entregue aos responsveis (apndices A e B).

Fizemos as entrevistas explorando alguns itens, a saber: IDENTIFICAO DO RESPONSVEL; ORIGEM; DESIGNAO; OBJETIVO; ESPAO FISICO; ACERVO; USUARIO; SERVIO E PRODUTO; RECURSO MATERIAL FINANCEIRO E HUMANO.

4.1COMUNITARIA PAULO FREIRE DUQUE DE CAXIAS

A idia de criar a biblioteca comunitria Paulo Freire surgiu quando um grupo de amigos comeou a se reunir periodicamente na casa do Pedagogo Marcelo Sanuto em 1999 para a leitura de poesias e para discutir literatura.O nome foi uma homenagem a Paulo Freire e suas trabalho. Quanto utilizao do termo comunitria o idealizador o emprega acreditando ser justamente o termo que melhor define a aproximao da biblioteca para junto da comunidade. A Biblioteca est instalada em sua casa desde de que comeou a funcionar e desde ento vem funcionando durante todos os dias da semana das 18:00 s 21:00h e nos fins de semana de 09:00 s 18:00h. A biblioteca, no incio, contava com 300 livros e hoje so mais de 12.000, armazenados num espao de 50m. O acervo constitudo de doaes que chegam freqentemente. A biblioteca se localiza na Rua: Quintino Bocaiva, 119, casa n 2. Duque de Caxias.

Os diversos profissionais envolvidos com a biblioteca entre eles um Administrador, um Pedagogo, algumas Donas-de-Casa, dois Pedreiros e um Mecnico.

Os objetivos traados para a atuao da biblioteca so: buscar atravs da difuso da informao que o cidado se forme, se fortalea e que possa obter cultura e educao. A poltica de seleo prev que haja critrio de contedo e critrio fsico, ou seja, que ele no esteja rasurado, rasgado ou defasado. Marcelo afirmou que biblioteca no faz arrecadao de livros, os livros chegam de forma espontnea, mas o espao j est ficando saturado. No h nenhum tipo de tratamento com relao ao acervo.O salo de leitura no suporta muitos leitores e a iluminao deficiente. Mas apesar de todas essas ressalvas a biblioteca uma iniciativa de estudo em poesia e literatura.

Os usurios da biblioteca so formados principalmente por estudantes e pessoas que esto se preparando para fazer concursos. A sugesto dos usurios que se faa divulgao nas escolas do entorno para dar acesso aos outros que ainda no conhecem a biblioteca.

A biblioteca procura treinar e orientar os usurios na pesquisa bibliogrfica para consulta in loco ou para emprstimo. O idealizador acredita ser bom para o desenvolvimento das atividades da biblioteca fazer uso do conhecimento biblioteconmico, principalmente no que tange a referncia e classificao.

As atividades que do incentivo leitura ficam restritas s possibilidades de ao dos envolvidos com a biblioteca. No h incentiva a leitura. A biblioteca no se utiliza nenhum outro meio como TV, vdeo ou Teatro para oferecer acesso informao e tornar a leitura algo agradvel.

A comunidade participa voluntariamente da organizao e limpeza da biblioteca. Essa atividade alm de beneficiar a todos os usurios da biblioteca aproxima as mulheres historicamente excludas do acesso ao livro que, geralmente, so quem mais se interessam por essa atividade voluntria que tornam-se assim leitoras e usurias da biblioteca.

A utilizao da biblioteca como espao para unir a comunidade como espao de discusso e organizao social no tem sido praticado pela Paulo Freire, mas tem aplicado seu interesse na prtica Literria.

Percebeu-se que a maior preocupao da biblioteca no auxlio pesquisa escolar, acentuando o carter escolarizante da Biblioteca Comunitria. No foi relatada nenhuma atividade que a descrevesse como Centro de Informao ou Centro de Cultura ou como depositaria do material escrito sobre a regio.

A biblioteca no conta com nenhuma parceria para desenvolver seus projetos. No possui nenhum tipo de investimento externo sendo somente seu idealizador quem participa das solues financeiras para a biblioteca. Mesmo assim, a pretenso de expandir a iniciativa para outras ruas do Bairro.

4.2COMUNITARIA TOBIAS BARRETO VILA DA PENHA

A biblioteca comeou em 1998 com 50 livros. O nome uma homenagem a Tobias Barreto possuidor da maior biblioteca particular de seu tempo. A biblioteca est localizada na Rua Engenheiro Augusto Bernachi, 130, Vila da Penha. A biblioteca funciona todos os dias da semana desde cedo at tarde da noite. O acervo est acomodado na garagem da casa de seu idealizador num espao de 18m, com um acervo de 40.000 livros. A biblioteca conta com diversos profissionais associados, Bibliotecrio, Pedreiro, Engenheiro, Policial, Mdico, Professor. Todos membros fundadores.

O objetivo da biblioteca espalhar livros e bibliotecas e tem alcanado seus objetivos uma vez que aplica uma poltica nica de acesso aos livros, toda pessoa pode requerer um livro e ret-lo pelo tempo que precisar. No h registro de retirada do livro nem data para devoluo. Fica a critrio do requerente apurar o tempo que pretende ficar com o livro, podendo at no devolv-lo. realmente uma atitude voltada distribuio de livros que, a princpio entusiasma qualquer indivduo, mas que, num segundo momento, o conhecimento desenvolvido faz querer organizar, seja para doar, seja para consultar in loco. A partir da Tobias Barreto oito bibliotecas foram criadas inclusive uma em Moambique.

No h fundo que financia a biblioteca. Os livros so todos frutos de doaes. Os livros chegam com freqncia sem campanha de arrecadao. E a biblioteca no se utiliza outro meio que no o livro para oferecer acesso informao.

Os usurios so em geral estudantes cuja reclamao mais freqente sobre o difcil acesso ao acervo. No entanto, os usurios podem contar com a ajuda do idealizador para o auxilio pesquisa. Chama-nos a ateno o abandono do conhecimento biblioteconomico e maneira emprica e pessoal na lida com os livros. A poltica de desenvolvimento da leitura na Tobias Barreto est intimamente ligada a distribuio de livros e no est envolvida em desenvolver a questo da qualidade da leitura.

A biblioteca no criou um ambiente de reunio de grupos organizados, no tendo nenhum desenvolvimento organizacional da comunidade. No entanto, a biblioteca tem encontrado parceiros valiosos como a Escola Pblica do bairro. Percebeu-se que a Tobias Barreto pretende atingir uma comunidade maior que aquela circunscrita no entorno biblioteca atravs do incentivo a criao de outras Bibliotecas Comunitrias.

A biblioteca em parceria com alguns pesquisadores lanou um Dicionrio Bibliogrfico sobre as pessoas mais tradicionais da Penha e A histria da Penha. Mas no se tem feito Centro de Informaes e/ou Centro de Cultura. Como descrito por Almeida.

4.3 COMUNITARIA ESPAO DA LEITURA NOVA IGUAU

A biblioteca foi inaugurada com a iniciativa da estudante de biblioteconomia Luciene Soares moradora da comunidade da Cermica em Nova Iguau que sob a orientao da bibliotecria e professora da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO Maura Tavares Quinhes, formaram a biblioteca. A idia surgiu quando em agosto de 2003 Luciene desenvolvia estagio curricular no Colgio de Aplicao da UERJ percebeu que havia diferena de oportunidade entre os alunos do Colgio de Aplicao e os moradores de sua rua. Conhecedora da importncia da biblioteca no desenvolvimento do estudo procurou implantar uma biblioteca com a ajuda da Associao de Moradores, da Prof. Maura Quinhes e da ONG Leitura e Ao fundada pelos moradores da comunidade para buscar recursos para a biblioteca. A biblioteca foi instalada na sede da Associao de Moradores (ACOMAR). Ocupa o espao de 9m com um acervo de 12.000 livros j processados. Fica localizada na Rua Gisela Urin, 110, Bairro Cermica no Municpio de Nova Iguau. Funciona durante a semana no horrio de 8:00 as 17:00 hs.

O termo Comunitria trouxe consigo a idia de uma biblioteca local mais prxima das pessoas uma idia oposta a sentida pelas pessoas sobre o que seja Biblioteca Pblica. A biblioteca atende quase sempre estudantes em busca de apoio s atividades nas escolas. Pretende cumprir na comunidade as funes da biblioteca pblica e biblioteca escolar. A reclamao mais freqente quanto ao acervo, os usurios pedem livros de consulta atualizados. O hbito da leitura incentivado atravs da contao de histrias. A Espao da Leitura tem se tornado um auxiliar no estudo escolar, mas no pode atender os usurios que no sejam alfabetizados por no ter programas para os no-alfabetizados ou analfabetos funcionais.

A idealizadora nos afirma que a participao da comunidade junto a biblioteca grande, mas poderia ser maior se houvesse mais divulgao. Os voluntrios tm se apresentado em maior nmero a biblioteca porque uma outra ONG instalada no Bairro oferece cursos gratuitos que a condio para frequent-los ser voluntrio nos projetos da comunidade. A biblioteca atrai pessoas de outros Bairros, mas ainda no consegue ser um espao de ordenao social. Ressalta-se que a diretoria da ONG toda formada por pessoas da comunidade.

A biblioteca tem um objetivo que o de permitir que as pessoas da localidade tenham acesso ao emprstimo de livros. E ela tem alcanado seus objetivos na medida do possvel, pois as pessoas tm podido ler tanto na biblioteca como nas suas casas. Alm disso, procura orientar os usurios na pesquisa e consulta do material. Faz-se uso das tcnicas biblioteconmicas como a catalogao a classificao e de referncia. A Espao da Leitura no tem se apresentado como um Centro de Informao e Centro de Cultura e Depositria da Memria local sendo o acesso ao livro sua maior contribuio a comunidade.

A aquisio toda constituda por doao e a biblioteca mantm uma poltica para a aquisio e o descarte. Duplicatas, livros muito velhos ou impossibilitados de uso so descartados. A seleo visa livros educativos didticos e para-didticos. O espao pequeno e as doaes esto sofrendo um critrio cada vez mais rigoroso.

A partir da Associao de Moradores foi possvel estruturar um espao de acomodao e leitura dos livros, a Associao ofereceu o lugar para a instalao e doou mveis e material para escritrio. A ONG Leitura e Ao administra a biblioteca, estas so as duas parceiras da biblioteca. E os profissionais envolvidos com a biblioteca vo desde Pedreiros, Motoristas e Donas de Casa at Universitrios e Professores. Mas tambm a comunidade est envolvida e faz a biblioteca funcionar. Por tudo isso se acredita que a Espao da Leitura pode servir como exemplo para a sociedade do que se pode fazer a partir do conhecimento biblioteconmico.

4.4 O PROJETO BIBLIOTECA COMUNITARIA CANTO DA LEITURA HORTO E VILAR CARIOCA

O projeto teve incio em 2000 quando a economista Maria Nilda se interessou pela comunidade de Rio das Pedras. A economista percebeu que no havia nenhum tipo de biblioteca na regio, nem escolar, nem pblica. Juntou-se a amigos e fundaram a ONG Ler e Agir e a biblioteca cujo nome escolhido a partir da idia ldica de cantar a leitura. A idia do projeto a de instalar bibliotecas em regies carentes desta instituio com o auxlio da iniciativa privada. Ento, buscaram parceiros e amigos e a primeira biblioteca desenvolvida pela ONG. Foram desenvolvidas desde ento mais trs bibliotecas. Todas tm o mesmo horrio de funcionamento, das 10:00 s 17:00 de Segunda-feira a Sexta-feira. O projeto prev que estejam acomodadas em espaos de aproximadamente 50m. Conta-se com o apoio de diversos profissionais, como, dois Cientistas Sociais, um Educador, uma Economista, duas Historiadoras, um Arquiteto e uma Comunicloga.

J havia uma movimentao na comunidade de Vilar Carioca com arrecadao de livros e um curso pr-vestibular, foi a que a biblioteca juntou-se a essas atividades em 2001.

Os acervos foram adquiridos por doao e so constitudos assim: Horto possui 3000 publicaes, Vilar Carioca possui 2000 publicaes. Todas levam o nome de Canto da Leitura e ficam nos seguintes endereos: Vilar Carioca-Inhauma, R: 100, Sem nmero. Horto, R: Pacheco Leo, n 1818. O critrio de aquisio simples, incorpora-se ao acervo todo livro em condio de uso. A iluminao e o espao para leitura so satisfatrios.

Os usurios so heterogneos e a incidncia maior de estudantes. Eles reclamam do horrio de funcionamento e do acervo, pois gostariam que a biblioteca funcionasse aos sbados e domingos e que houvesse gibis e jornais. Percebe-se uma caracterstica escolarizante voltada para o apoio a escola com acervo didtico.

Os usurios contam com Oficinas e Rodas de Leitura que procuram criar a interao entre eles para ler e debater. Aplica-se o conhecimento biblioteconmico e inclusive as pessoas ligadas biblioteca fizeram o Curso de Tcnico em Biblioteconomia na Biblioteca Pblica do Estado do Rio de Janeiro.

Verificou-se que em nenhuma das bibliotecas h voluntrios trabalhando, todos as pessoas so remuneradas, pois se acredita que no possvel fazer um trabalho contnuo sem remunerao. Mas procura-se desenvolver a percepo de que o bem pblico deve ser preservado e os usurios que participam mais freqentemente reconhecem aquele espao como deles e preservam. A biblioteca de Vilar e do Horto vem se tornando um ponto de encontro e de socializao cada vez mais freqente.

Os objetivos das bibliotecas so: estimular a leitura, disponibilizar o livro, socializar o espao interno e o livro e afirmar a identidade local a partir da construo do acervo da memria local. Os objetivos tm sido alcanados, no entanto, o processo continuo e em longo prazo. As Oficinas da Biblioteca em Vilar Carioca gerou um livro com textos produzidos nas oficinas. E a biblioteca tem se esforado para tornar-se um Centro de Informao e um Centro de Cultura, mas ainda est no comeo de suas atividades no tendo atividades sedimentadas e peridicas. No Horto a ONG reuniu o relato dos moradores mais antigos da regio e fizeram um livro que preserva a memria local.

A Biblioteca de Vilar contou com uma verba de 50.000 reais no momento de sua inaugurao que a manteve durante um ano e formou toda a estrutura existente. A biblioteca do Horto obtm financiamento atravs do clube dos amigos da biblioteca. Sobre a administrao das bibliotecas, a ONG pretende instala-las e gerenciar a implantao do projeto at a comunidade poder assumir a administrao da biblioteca.

A seleo do acervo feita a partir da anlise da idealizadora fazendo uso de conceitos elementais da aquisio de acervo. Ela afirma que no pretende ser neutra na disseminao e na constituio do acervo e que existe um objetivo na seleo do acervo, todo adquirido por meio de doaes. As doaes chegam por meio das campanhas de arrecadao.

A ONG v que ainda h perspectivas de crescimento para o projeto em outras regies do Rio.

As bibliotecas mostram-se prontas para continuar a se desenvolver e a alcanar objetivos alm daqueles traados inicialmente.

5 CONCLUSO

Atravs da anlise dos resultados espera-se apresentar uma pequena contribuio sobre a questo da Biblioteca Comunitria no Rio de Janeiro, aos estudantes de Biblioteconomia e pesquisadores que desejam se aprofundar sobre esse assunto.

A pesquisa visa instituies especficas e seu pblico-alvo a populao dos bairros perifricos ou das cidades satlites do Rio. Buscou-se alcanar o objetivo desta pesquisa, por intermdio dos dados colhidos por meio de entrevista com os responsveis pelas Bibliotecas.

Verificou-se que o responsvel pela biblioteca tem um relacionamento prximo com os moradores, movimentos organizados, associaes e entidades existentes naquele espao por ser ele mesmo um membro da comunidade. Confirmou-se que as bibliotecas fazem s vezes de biblioteca escolar e biblioteca pblica, mas no como orienta a formao destas bibliotecas pelo conhecimento biblioteconmico, e sim, por ser a nica opo de acesso a livros naquela localidade. Oferece acesso aos livros em um ambiente de estudo e consulta a partir de um acervo organizado.

A justificativa foi demonstrada atravs da reviso de literatura sobre Biblioteca Comunitria, no sentido de se obter uma viso mais ampla e profunda do que seja Biblioteca Comunitria e como ela pode com poucos recursos e alguma organizao solucionar a falta das Bibliotecas convencionais como equipamento de formao e cidadania. Foram consultadas publicaes referentes Biblioteca Comunitria e, atravs da reviso bibliogrfica pode-se perceber que Biblioteca Comunitria ainda um termo vasto e seu desenvolvimento representa um importante fator de crescimento e desenvolvimento para a sociedade. A aplicao das entrevistas foi uma forma de ligao da teoria arrolada com a prtica realizada pelas Bibliotecas Comunitrias. No entanto, preciso ressaltar que a literatura que trata desse tema ainda escassa e incipiente, assim como, os debates, discusses e reflexes.

Os acervos de todas as bibliotecas pesquisados foram construdos a partir de doaes cuja oferta consideravelmente grande. E esse um dos motivos que leva o idealizador da biblioteca comunitria Tobias Barreto a no ter um controle efetivo da entrada e sada de livros da biblioteca cabendo ao usurio a devoluo espontnea do livro ou a reteno do livro sem nenhum constrangimento. As Bibliotecas Comunitrias procuram ser tambm propagadoras de cultura oferecendo mediante as possibilidades de seus responsveis, formas de expresso artstica como a msica, o cordel e a poesia. Quatro bibliotecas possuem espao para leitura na biblioteca, somente uma no possui rea pra leitura.

A metodologia projetada foi alcanada, pois os mtodos de levantamento de informaes satisfizeram o objetivo.

Percebeu-se que as comunidades esto separadas de suas bibliotecas no tendo em sua comunidade voluntrios que ocupem seus diversos cargos. A Espao da Leitura possui uma organizao mais favorvel ao entrosamento comunidade-biblioteca, no entanto, vale ressaltar que a idealizadora uma estudante de Biblioteconomia. J a Tobias Barreto possui diretoria e estatuto, mas ningum alm de seu idealizador tem ocorrido em administrar a biblioteca. A Paulo Freire sustentada e administrada pelo idealizador e seus familiares. E, o Projeto Canto da Leitura tem uma diretoria mista que inclui membros da ONG fundadora e membros da comunidade. Somente a Espao da Leitura permite que membros da comunidade atuem efetivamente na administrao da biblioteca nenhuma das outras apresentam projetos onde membros da comunidade possam opinar e decidir qual o caminho que a biblioteca deva seguir. A biblioteca comunitria ideal poderia se apresentar numa concepo verdadeiramente cidad baseada na participao nas decises e ateno s necessidades da comunidade. Ter origem e gerncia da comunidade. Segundo Milanese (1996, p. 43) exclui-se como exemplo a biblioteca pblica devido a suas caractersticas de natureza elitista, impositiva e distanciada da comunidade e a escolar pela inexistncia desta nas escolas pblicas.

A importncia desse trabalho se revela pelo fato de o Banco de Monografias existentes na Biblioteca Central da UNIRIO no possuir trabalho semelhante. Obteve-se com esta pesquisa, a anlise de informaes sobre modos, hbitos das bibliotecas e suas relaes com a comunidade.

Conclu-se que as bibliotecas da amostra no representam integralmente a biblioteca comunitria que a literatura descreve. Uma caracterstica todas tem em comum, todas privilegiam o suporte informao. vlido ressaltar algumas sugestes para o aprimoramento das Bibliotecas Comunitrias: estas devem mostrar a comunidade local o quanto a informao, a comunicao, a cultura e a educao so importantes para o aprimoramento e a formao do ser cidado.

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APENDICE A CARTA DE APRESENTAO S BIBLIOTECAS COMUNITARIAS

Rio de Janeiro, 20 de maio de 2005.

Ao responsvel pela Biblioteca Comunitria

Venho por meio desta, solicitar autorizao para visitar a Biblioteca. Estou no 9 perodo do Curso de Biblioteconomia, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, situada no Centro de Cincias Humanas e Sociais (CCH), Av. Pasteur, 458 URCA RJ. Sou morador da Rua Correa Dutra, 29, ap.504. Flamengo.

Pretendo desenvolver meu Trabalho de Concluso de Curso a partir das Bibliotecas Comunitrias. Pretendo aplicar uma entrevista com perguntas referentes ao perfil da biblioteca e do usurio para auxiliar no desenvolvimento do problema que pretendo desenvolver.

Desde j agradeo a colaborao,

________________________________

Carlos Magno Faccion Jnior

APENDICE B QUESTIONRIO.

I - ORIGEM

1) Como e quando surgiu a Biblioteca?

II - DESIGNAO

2) Porque escolheu esse nome?

3) Oque voc pensa a respeito do termo Comunitria?

4) Qual a diferena da Biblioteca Comunitria para a Biblioteca Pblica ou a Biblioteca Escolar?

III - OBJETIVOS

5) Quais os objetivos da biblioteca?

6) De que forma ela alcana os objetivos?

IV - ESPAO FSICO

7) Onde a biblioteca est funcionando?

8) Qual o tamanho da biblioteca?

V - ACERVO

9) Quais e quantos so os materiais do acervo ?

10) Como o acervo foi constitudo?

11) H uma seleo crtica na incorporao do acervo?

12) Existe liberdade no acesso ao acervo?

13) A biblioteca tem feito campanha de arrecadao de livros? Para que serve?

VI - USURIO

14) Qual o perfil do usurio?

15) Quais so as reclamaes mais freqentes?

VII - SERVIOS E PRODUTOS

16) Quais os servios prestados pela biblioteca?

17) A biblioteca tem desenvolvido o potencial social das bibliotecrias comunitria?

18) Desenvolve-se o hbito da leitura junto aos leitores?

19) Existe uma conscientizao por parte da biblioteca para uma maior participao comunitria, para a preservao do bem pblico e do trabalho voluntrio?

20) A biblioteca um elo de integrao da comunidade?

21) A biblioteca comunitria deve ter uma caracterstica escolarizante alfabetizadora?

22) A biblioteca atende a algum destes itens: ser um centro de informao, ser um centro de cultura ou depositria do material escrito sobre a regio.

23) A comunitria tem a preocupao com o resgate e preservao da histria e memria da comunidade?

VIII - RECURSOS: MATERIAIS, FINANCEIROS E HUMANOS.

24) Quais as parcerias da biblioteca?

25) Qual o oramento da biblioteca?

26) H perspectiva de crescimento?

27) A biblioteca se utiliza outros meios como a TV, o vdeo e a msica para transmitir a informao e transformar a leitura em algo transformador?

28) Quais so os profissionais envolvidos com a biblioteca?

29) Qual a participao da comunidade na administrao da comunitria?

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