revista tutti condomínios

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Revista Tutti Condomínios 6ª Edição - Fevereiro/Março 2013

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  • Piracicaba |Fevereiro/Maro 2013 | Ano 2 | Edio n 06

    Centenrio do XV

    Presidente fala das comemoraes

    dos 100 anos

    Tcnico exalta raa quinzista

    Condomnio investeem academia

    Turquia: mais quecenrio de novela global

    Torcedoras que so fanticas pelo alvinegro

    Personalidades declaram seu amor ao XV

    Especial

  • Expediente

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    Projeto editorial do MBM Escritrio de Ideias desenvolvido especialmente para os clientes da Brancalion Administradora de Condomnios.

    CNPJ 09461319/0001-99

    Publicao bimestral

    DiretorBruno Fernandes Chamochumbi

    EditoraCristiane Sanches(MTb 21.937)

    Reportagens e textosRonaldo [email protected] [email protected] [email protected]

    Colaboram nesta edioFernando ConneseAlessandra Nalin

    Projeto grfico e paginaoMBM Escritrio de IdeiasAllan Felipe Dalla VillaLvia Telles

    Equipe MBMDbora FernedaFabrcio CoralSusane TrevizanTeresa BlascoThais Alves

    Anuncie na Tutti: 19 [email protected]

    Anncios e informes publicitrios so espa-os adquiridos pelos anunciantes e seu conte-do de inteira responsabilidade de cada um deles, cabendo Revista Tutti Condomnios apenas reproduzi-los nos espaos comercia-lizados. A opinio de colaboradores no necessariamente a opinio da revista. Mat-rias assinadas so de responsabilidade de seus autores.

    Rua Regente Feij, 2387 Vila Monteiro Piracicaba SP CEP 13418-560 Fone: 3371-5944

    Tiragem 7.000 exemplaresDistribuio gratuita, exclusiva e dirigida

    Edito

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    Salve, XV!Quem capaz de explicar do que feito o corao de um

    quinzista? Alguns diro que deve ser de ao pra poder aguen-tar tantas subidas e descidas pelas vrias divises que h no futebol paulista e brasileiro. Haja emoo! Outros arriscaro dizer que o corao quinzista deve ser de gelatina: se derrete todo diante do alvinegro, esteja ele onde estiver, no cu da vitria ou no umbral em que perambulam os derrotados.

    No importa. Ser quinzista transcende a lgica. E isso o que o leitor poder comprovar nas prximas pginas que de-dicamos ao centenrio do nosso glorioso E.C. XV de Novem-bro. Decidimos que a primeira edio da revista Tutti Con-domnios, em 2013, traria essa homenagem ao Nh Quim, mostrando especialmente como as pessoas amam este time, sejam elas nascidas em Piracicaba ou no, como o maestro Joo Carlos Martins, por exemplo.

    Em um sculo, este time acumulou tantas histrias e tan-tos personagens interessantes, que optamos por falar dele ao longo deste ano, em matrias especiais que sero distribudas nas prximas edies. Tem muita histria pra contar sobre o XV e voc vai conhecer as mais importantes. Pode apostar.

    Boa leitura!

    Cheio de planos e projetos para o futuro do E.C. XV de Novembro, o presidente Celso Christofoletti d uma pausa no corre-corre e posa para as lentes de Alessandro Maschio.

    Cristiane SanchesEditora

    @mbmideiasmbmideias

  • 34 - Dois hinos para o XVzo36 - Quinzistas organizados39 - XV Mania40 - Drogas no meu condomnio: o que fazer?41 - Malhao no Araguaia42 - Goleada na tela43 - Cuidados com a beleza44 - Bom Menino46 - Encantos da Turquia50 - Piranews na Revista

    Fevereiro | Maro 2013

    6 - Centenrio em grande estilo10 - Guerreiros do XVzo14 - Dirio de uma paixo16 - Futebol com raa20 - Loucas pelo Nh Quim23 - Novo espao para coletivas24 - Primeira-dama em ao26 - XV, eu te amo!29 - Testemunhas em campo32 - Querido caipira

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    A revista dos condomnios de Piracicaba

    36

  • 100

    anos

    Por Ronaldo Victoria

    Unidos e apaixonados

    So 100 anos de uma histria que j comeou sob o signo da unio. Afinal, o XV de Novembro de Piracicaba surgiu em 1913, depois da fuso de dois times que dominavam o esporte amador na cidade. Eram equipes controladas por famlias tra-dicionais piracicabanas: o Vergueirense, gerenciado pelos Pousa, e o 12 de Outubro, administrado pelos Guerrini.

    O nome foi uma escolha do primeiro presiden-te, Carlos Wingeter, cirurgio dentista e capito da Guarda Nacional. Logo a equipe construiu seu est-dio prprio, o Roberto Gomes Pedrosa, que ficava na rua Regente Feij, onde hoje funciona um hipermer-cado.

    No final dos anos 40, mais precisamente em 1948, o time conseguiu um de seus maiores triunfos: o acesso primeira diviso do Campeonato Paulista, sendo o primeiro do interior a disputar entre os gran-des da capital.

    A histria do XV cheia de pioneirismos, como o fato de realizar excurso pelos pases do Leste Eu-ropeu em 1964, algo que apenas Botafogo e Santos, graas a estrelas como Garrincha e Pel, haviam feito anteriormente. Em 1976, alcanou sua melhor posio no torneio: o vice-campeonato, disputado contra o Palmeiras.

    A trajetria do time, porm, no se explica apenas pelos resultados. Afinal, nestes anos todos, amargou vrias derrotas e chegou a disputar por alguns anos a terceira diviso do Paulisto. Tantos altos e baixos nunca afetaram o nmero de seus torcedores.

    Parece que o que d conta de entender o XV, alm de sua unio, mesmo a paixo, a mesma se o time sobe ou desce, se estiver na A1 ou A3. o sen-timento que fica claro tanto entre o presidente atual da equipe, o administrador Celso Christofoletti, que aprendeu a gritar o nome da equipe no estdio desde criana e promete uma grande festa para comemorar o centenrio (talvez com a presena do maestro Joo Carlos Martins, que se assumiu quinzista, provavel-mente por ser to duro na queda quanto a equipe).

    a saudade da camisa zebrada que toma conta de craques do passado, como Cardeal (um centro-avante rompedor), Russo (que cometeu a faanha indita de bater o escanteio e correr para a pequena rea fazer o gol de cabea) ou Nen, que teve a ousadia de driblar Pel.

    amor o que explica a dedicao dos presidentes das trs maiores torcidas do alvinegro (AR-XV, Es-quadro e Super Raa Quinzista), que rasgam o cora-o e perdem o flego nas arquibancadas, mas nunca deixaram que os grupos tivessem destaque em colunas policiais. E as mulheres, incluindo a primeira-dama

    do time, Silvana, j comeam a ocu-par posio de destaque, no apenas nos estdios, mas na diretoria.

    um time to diferente, que tem o luxo de contar com dois hinos: o oficial, uma marcha solene, e o po-pular, criado por estudantes da Esalq

    (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), nos anos 60, e hoje o mais conhecido. XV, j que t que fique! Por mais 100 anos.

    Histria mostra que o XV de Novembro nasceu sob o signo da unio

    um time to diferente que tem o luxo de contar com

    dois hinos

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    Por Ronaldo Victoria | Fotos: Alessandro Maschio

    Centenrioem grande estilo

    A programao de centenrio do XV de Piracicaba deve ser grandiosa, promete o presidente Celso Christofoletti. Ele j entrou em contato com um quinzista famoso e as-

    sumido: o maestro Joo Carlos Martins, que pode

    fazer um grande espetculo na cidade para marcar

    a data.

    A novidade apresentada nessa entrevista por Chistofoletti, eleito em 5 de novembro do ano pas-sado, por unanimidade de votos de 31 conselheiros (quatro no votaram). Ele atua tendo como vice o empresrio Lus Guilherme Schnorr, presidente do grupo Supricel. Christofoletti atuou por 35 anos no ramo de logstica na Arcelor Mittal. Ele conta que assiste aos jogos do alvinegro desde a infncia.

    Tutti Condomnios - Como est a programao do centenrio?Celso Christofoletti - Desde o final do ano passa-do, quando assumimos, comeamos a organizar o centenrio. Comeou com o lanamento da cami-sa, na Acipi (Associao Comercial e Industrial de Piracicaba). Mas antes j fomos a algumas empre-sas e instituies como a Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), que nos ajudou e lanou o selo do centenrio.

    A programao j est esquematizada ou est sendo construda?Est sendo construda junto com o marketing. Estamos mantendo alguns contatos. Ficamos sa-bendo que o maestro Joo Carlos Martins, alm de torcer pela Portuguesa, se declarou torcedor do XV de Piracicaba.

    Como aconteceu isso?Encontrei com ele num hotel em Campinas. Ele me viu com a camisa do XV, me chamou e disse que o segundo time dele o XV. Fiquei com uma cara de desconfiado e ele me disse: Voc no est acreditando?

    Achou que ele estava fazendo mdia?No, eu no acreditei. A ele me disse: Na dcada de 70, o presidente era o (Romeu talo) Rpoli, o XV foi vice-campeo paulista em 1976 contra o Palmeiras e gol foi do Jorge Mendona. O ano passado quem fez o ltimo gol de pnalti, na de-ciso, foi o Marlon. Eu quase morri do corao. E ele cantou o hino popular.

    O Cxara de Frfe?E depois cantou o hino oficial, o que at me emo-cionou. Pedi camisas para serem dadas a ele e es-posa. Entramos em contato com o assessor dele e est praticamente certo que ele vir pra c, para re-ger a Orquestra Sinfnica de Piracicaba, e j con-versou com o pessoal do (maestro Ernst) Mahle .

    A trajetria do Joo Carlos Martins parecida com a do XV, j caiu, j levantou, se reinventou. Concorda?Sim, acho que o maestro tem a cara do XV mes-mo. Depois de tudo o que passou, ele no trans-mite pessimismo. O XV, independente de estar na 1, na 2 ou na 3 (bate na madeira e diz: nunca vamos voltar pra 3!), nunca perdeu a alegria.

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  • A programao no deve transmitir essa popularidade?Sim, e mostrar essa alegria, esse prest-gio no Brasil todo. Em qualquer lugar do Brasil, todo mundo conhece. Vamos aproveitar e explorar bastante este lado. O time, s vezes, mais conhecido que a cidade.

    Qual o segredo do XV? essa magia. O pessoal, s vezes, explora isso de falar de time caipira, folclore. E coisa do passado ficar bravo por cha-mar de time de caipira, cortador de cana. Hoje, quando chamam a gente de caipi-ra, a gente gosta! Eu tenho orgulho cai-pira. Na apresentao do tcnico Srgio Guedes, eu disse: Mais um caipira para esse bando de caipiras.

    Quando a paixo pelo XV lhe pegou?Eu tinha uns 7 ou 8 anos, e ia com meu pai l no Roberto Gomes Pedrosa, o es-tdio antigo. Logo fui me apaixonando, uma coisa meio inexplicvel.

    E nunca deixou?Nunca! Quando tinha jogo e eu tinha outros compromissos, dava um jeito de desmarcar. Com 14, 15 anos, comecei a participar da torcida Sobrinhos do Nh Quim. Com 18 para 19 anos foi funda-da a nossa torcida, a TUC XV, Torcida Uniformizada Camisa XV. Foi em 1976, quando disputamos o campeonato com o Palmeiras no Parque Antrtica. Foi uma fase boa, porque depois participamos do Campeonato Brasilei-ro. Jogamos contra Grmio, Vasco, Flamengo, Cru-zeiro. Fui ao Mineiro. Estava empatado e perdemos no finzinho com gol contra do Almeida, o lateral es-querdo. Ganhamos aqui do Grmio por 3 a 1.

    E como foi acompanhar esses altos e baixos do time?Nos anos 90 e 2000 aconteceram coisas como tercei-

    rizao e empresas que vieram para c, que nem o caso de citar, o que acaba desmotivando. O XV aca-bou perdendo a identidade. Algumas dessas empresas inclusive foram enxotadas da cidade. A o (ex-rbitro de futebol piracicabano) Joo Paulo Arajo ficou pre-sidente na poca. Em outro tempo, veio ( o ex-prefei-to) Adilson Maluf com a melhor das intenes, mas os resultados em campo no corresponderam.

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  • No adianta nada se o time no ganhar, no ?Exato, foi uma falta de sorte. A o (Lus) Beltrame assumiu, em 2008, e eu voltei como diretor. E era o auge da crise, quase camos para a srie D, que se-ria a quarta diviso. E fomos vice-campees da Copa Paulista, pois perdemos para o Atltico de Sorocaba aos 48 do segundo tempo. At hoje no me esqueo disso, foi um sofrimento!

    Sofrer faz parte do gene do XV?Faz, mas acho que faz parte de qualquer clube. Se voc considerar 2010, 2011, foi s alegria para a gen-

    te. Subimos da A3 para a A2 e depois fomos campe-es da A2. Foram dois anos sem tristeza. 2012 teve o sufoco, quase camos. Mas o ltimo jogo, contra o Mogi, voc pode considerar como resultado positivo, porque no camos.

    O XV luta para no cair. isso?Acho que tem uns 14 times que lutam para no cair. Est nivelado.

    No d para ter o foco de ser campeo paulista?Ns temos esse foco. Tem que ter. E nunca fui de re-clamar de rbitro. s vezes, acontecem alguns lances que a gente fica em dvida, imagine o rbitro!

    E como lidar com as crticas?No tem como aprender a lidar com crtica, ainda mais na minha idade. Depende do perfil de cada um. Quando sou criticado, volto ao passado, lembrando quando criticava e acabo absorvendo da melhor ma-neira.

    Em qualquer lugar do Brasil, todo mundo conhece (o XV). Vamos aproveitar e explorar bastante este lado. O time, s vezes, mais conhecido que a cidade

  • Mem

    ria

    Por Ronaldo Victoria | Fotos: Fbio Mendes

    Guerreirosdo XVzo

    Eles sofreram, correram e suaram a camisa para o time que todos, no importa o nmero de outras equipes que defenderam, consideram o favorito. o mistrio do XV de Piracicaba, da camisa zebrada e da torcida apaixonada. Pelo alvinegro, Rus-so fez o que muita gente considera at hoje uma len-da: bateu escanteio e foi rea fazer o gol de cabea; o centroavante Cardeal dava dribles da vaca de des-moralizar adversrio, e o lateral direito Nen chegou a dar um chapu em ningum menos que Pel.

    Pelo chamado gol incrvel, Russo, ou o advogado Jos Maria Cervi, fluminense de Barra Mansa, hoje residente em So Paulo, ficou famoso. H vdeos so-bre o fato (no h imagens do gol, que aconteceu em 1949, antes da chegada da TV ao Brasil) e recente-mente ele foi tema de uma matria do Esporte Espe-tacular, da Rede Globo.

    O (jornalista) Pedro Bassan veio a Piracicaba e me chamou para explicar o fato, numa simulao no Baro de Serra Negra, conta. que o lance aconteceu no antigo estdio Roberto Gomes Pe-drosa, que ficava na rua Regente Feij. O Arnaldo Csar Coelho no acreditou na histria e me deu carto vermelho. Mas eu no acho que ele entenda muito, dispara.

    Tudo aconteceu na tarde de 28 de agosto de 1949 e o jogo do alvinegro piracicabano contra o Santos j estava em 2 a 1, com vantagem para os santistas. Eram 41 minutos do segundo tempo. O novato no XV, Russo (ele jogou de 1949 a 1951), foi bater um

    escanteio. Era uma tarde nublada, como lembra Rus-so. Ele chutou bem alto, e como a bola daquele tempo era de capoto, permitiu que desse tempo de ele che-gar pequena rea e cabecear contra as redes advers-rias. E o juiz, um ingls chamado Percy Snap, validou. Por isso chamado por alguns de gol para ingls ver. Mas no bateu em ningum e o juiz validou. Est l na smula, defende Russo.

    Ex-jogadores relembram grandes lances que marcaram a histria do alvinegro

    Russo cobrou escanteio e, no mesmo lance, fez um gol de

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  • Grande centroavanteAos 92 anos, Cardeal, ou Antonio dos Santos, outro gran-

    de nome do passado. O centroavante teve atuao destacada na subida do XV primeira diviso em 1948, o que trouxe euforia cidade. Eu tenho uma longa histria com o XV, que comeou nos meus sete anos de idade, quando morava na rua Alferes (Jos Caetano), perto do Estdio. Tinha dois irmos que tambm eram loucos pelo time. Mas quem entrou para o time fui eu, conta Cardeal.

    Ele jogou desde os 12 anos no infantil, e logo passou para o time principal. Era o tpico centroavante oportunista, que sem-pre ficava livre para completar a jogada. Meu gol mais bonito eu no sei dizer, acho que eram aqueles gols que o time precisava para resolver a partida, explica. Cardeal tem uma definio mui-to simples para o XV: O time mora em meu corao. Acabou parando com o esporte depois de uma partida contra o Taubat em que deu um drible da vaca no zagueiro adversrio. A sola da chuteira dele ficou no meu joelho, o que me causou proble-mas, conta. Logo parou a carreira, que nunca foi profissional. Aposentou-se aps 36 anos de trabalho, 12 na extinta Fbrica de Tecidos Boyes e o restante no Departamento de Zootecnia da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

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  • Mat

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    capa

    Goleiros de primeira

    Chapu em Pel

    Hlio Fernando Sacconi, 68, foi goleiro do XV entre 1961 e 1968. Era uma poca em que o time estava bem e conseguiu voltar primeira diviso em 1967, depois de um triangular com o Bragantino e o Paulista de Jundia, conta o pai da jornalista Ellen Sacconi, da EPTV.

    Ele j atuava como profissional naquele tempo, mas destaca que no era como hoje, em que alguns atletas ganham salrios milionrios. A gente treinava coletivo de tera e quinta, e individual de quarta e sexta. A maioria vivia de futebol, mas alguns ainda tinham outras profisses, lembra. Da rivalidade, ele lembra que o pior momento aconteceu contra o Pau-lista de Jundia, na disputa pela volta Primeirona. A gente foi de nibus, teve de trocar de roupa no Lago Azul e fomos at o estdio com a torcida adver-sria jogando rojo. Foi um filme de terror.

    Outro goleiro que marcou poca, Orlando (Anto-nio Orlando da Costa), hoje com 76 anos, era o titu-lar no tempo em que Hlio foi reserva na posio. Ele jogou de 1957 a 1965. Depois fui para Bandeirantes, no norte do Paran, mas eu guardo mesmo no corao a fase do XV, porque eu sou piracicabano, nascido na esquina das ruas Alferes com Monsenhor Rosa, bem perto do antigo estdio, conta.

    Orlando dividiu o futebol com a mecnica de automveis, que passou a seguir depois de terminada sua fase nos gramados. O XV vai morar sempre no corao da gente. Eu tenho de ser sempre quinzista.

    O lateral direito Nen, 60, ou Dejandir Muller, viveu o maior momento do XV, quando o time foi vice-campeo paulista em 1976. Da carreira do time, que durou de 1969 a 1980, ele lembra tambm que chegou a dar um chapu em Pel, que j era mito no Santos. Ele at brincou comigo. Perguntou o que eu tinha contra ele, lembra.

    E conta os altos e baixos de se trabalhar com Ro-meu talo Rpoli, o presidente do XV na poca. Na vspera da disputa pelo campeonato, ele foi numa mesa-redonda e comeou a falar mal de todos os joga-dores do Palmeiras. Os caras chegaram to mordidos que, no primeiro gol, entraram uns oito para pegar a bola de volta, lembra.

    Mas essa rivalidade eram ossos do ofcio. Nen lembra o prazer de conviver com nomes como Ger-son, Ademir da Guia, Tosto, Clodoaldo e Carlos Al-berto, o capito do Tri. Esse foi meu mestre, meu espelho como lateral direito.

    Jos Eduardo Pianelli, 49, o Du Pianelli, tam-bm conviveu com outras feras e teve uma passagem marcante pelo So Paulo. Ele comeou com o futebol em 1981, na escolinha do XV, e passou para o pro-

    Hlio Fernando Sacconi, 68, foi goleiro

    entre 1961 e 1968

    O lateral direito Nen (Dejandir) conseguiu

    dar um chapu no prprio Pel

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  • Seminrio

    fissional dois anos depois. Comecei em 1983, quando o time voltou categoria principal. Mas no ano seguinte fui para o So Paulo, onde fiquei at 1986, conta. Era uma fase em que atuou ao lado de Oscar, Dario Pereira, Muller, Silas, Pita e Careca.

    Depois, Pianelli foi para o Amrica de Rio Preto, o Juventus e o Rio Branco de Americana. Mas o XV foi o time que mais me marcou, por-que tenho esse carinho. Foi o time que me proje-tou, a quem devo tudo. S de lembrar, passa um filme na cabea da gente, conta. Ele acabou in-terrompendo a carreira de futebolista aos 35 anos, passou a dar aulas em uma escolinha de futebol e hoje trabalha numa fbrica de mveis.

    Marcos Antonio Pizelli, hoje com 55 anos, era o famoso goleiro quinzista dos anos 80. Eu co-mecei em 1975, aos 18 anos, quando fomos cam-pees do Torneio Jos Ermrio de Moraes, que hoje a Copa So Paulo. No ano seguinte foi vice-campeo paulista. Trabalhar com o (Romeu talo) Rpoli era bom, ele foi um grande presiden-te, mas voc sabia que ele nunca seria uma pessoa comum, explica. Em 1983, foi novamente cam-peo da segunda diviso.

    O ex-goleiro, que hoje preparador de atle-tas para a posio, e faz um trabalho de base na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), conta que os jogadores sempre tiveram de ter pacincia com a arbitragem. Era comum isso acontecer. O Dulcdio Vanderlei Boschilia, mais famoso juiz da poca, sempre dizia: Esto prepa-rados para empatar no mximo? Porque ganhar vocs no vo! Uma vez eu disse: Dulcdio, voc est assumindo que vai roubar? Ele no se abalou: Que isso? S estou falando que vocs no vo ganhar. diferente!

    A Faculdade de Comunicao da Unimep reu-niu ex-jogadores e ex-dirigentes no seminrio 100 Anos do XV de Piracicaba: Personagens da Hist-ria, que aconteceu nos dias 28 e 29 de janeiro pas-sado, no Centro Cultural Martha Watts.

  • His

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    Arquivo Rocha Netto, no Centro Cultural Martha Watts, tem toda a histria do XV entre os anos de 1919 e 2002

    Por Ronaldo Victoria Fotos: Alessandro Maschio

    A histria do XV de Piracicaba foi contada com rigor e paixo por um pesquisador que tam-bm completaria seu centenrio em 2013: Delphim Ferreira da Rocha Netto. O jornalista nas-ceu em 1913, um pouco antes do time, em junho, e morreu em 2003, aos 90 anos. O acervo que jun-tou ao longo da vida est disponvel para pesquisa no Centro Cultural Martha Watts, mantido pela Uni-mep (Universidade Metodista de Piracicaba).

    Este material nos foi cedido quando Rocha Net-to ainda estava vivo, em 2002, e transferido para o nosso Espao Memria, vindo da casa dele, na rua Gomes Carneiro, conta a diretora do centro, a peda-goga Joceli Cerqueira Lazier.

    O Arquivo Rocha Netto conta com aproxima-damente 30 mil documentos, entre textos de autoria dele, tabelas, matrias de jornais e de revistas. Com-preende um perodo de mais de 80 anos de histria, pois vai de 1919, quando Rocha comeou a colecio-nar figurinhas de chiclete que tinham futebol como tema, e vai at 2002.

    A partir da ele foi sempre ampliando, anotan-do todos os jogos do XV, com dados e informaes precisos, e colees do jornal Gazeta Esportiva e das revistas Placar e Manchete Esportiva, conta Joceli.

    Ao mesmo tempo, Rocha Netto dava vazo nas suas anotaes a uma outra grande paixo: o cinema. Aficcionado por faroestes, ele costuma incluir em suas anotaes sobre as partidas os filmes que estavam em cartaz na cidade.

    As consultas ao material podem ser feitas no hor-rio de funcionamento do Centro Cultural, de segunda a sexta-feira, das 9h s 17h. Se for uma pesquisa mais ampla, ns pedimos que a pessoa especifique porque o material, embora j todo dividido por assunto, ainda no est totalmente catalogado, explica.

    De acordo com a pedagoga, o material funda-mental para quem quiser entender a histria do XV de Piracicaba. Todo o acervo fixo, no pode sair do Espao Memria, mas so tiradas cpias ou escanea-das pginas, ao custo do material que for gasto. Quan-

    Dirio de uma paixo

    Joceli Lazier diz que existem 30 mil

    documentos no acervo

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  • to frequncia, Joceli diz que os primeiros meses do ano so como uma entressafra, por conta das frias na universidade, mas neste ano, por conta do centenrio do time, a previso de um aumento nas consultas, que ficam na mdia de 20 por ms.

    O Arquivo Rocha Netto, que fica no subsolo do Centro Cultural Martha Watts, reproduz logo entra-da o ambiente de trabalho do pesquisador de futebol.

    Na mesa est a velha mquina de es-crever Remington, de teclas verdes, e ao lado um rdio porttil de pilha, com ondas mdias e curtas, da marca Sharp. H tambm objetos hoje an-tiquados como um furador de papel, uma caneta de pena e uma lupa para conferncia das matrias. Nas estan-tes, vrios trofus acumulados por Rocha ao longo da carreira e um de seus orgulhos: a correspondncia que manteve com o escritor Jorge Amado.

    O espao tem quatro grandes pai-nis com fotos de alguns dos jogado-res mais famosos do Brasil. Alm do bvio Pel, h Friedenreich (o favori-to de Rocha), o piracicabano Chico,

    alm de Mazola, De Sordi e Garrincha. Outras curio-sidades so as fichas dos inscritos na Federao Piraci-cabana de Futebol e uma ficha com todos os jogadores que passaram pelo XV.

    O Centro Cultural Martha Watts fica na rua Boa Morte, 1257, no Centro, e o telefone 3124-1889. O site www.unimep.br/ccmw.

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    O irresistvel sabor de festejarHmm! Sou bo demais, uai!

    Hmm... derreto na boca!

    Quedelcia!

    Que macio!

    coxinha po de queijo bolinha de queijo mini kibe quiche empadinha

    Sou muitosaborosa!

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    Anuncio Topp Tutti6.pdf 1 27/02/2013 09:29:42

    Rocha Netto ao lado de Pel

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    Por Ronaldo Victoria Fotos: Alessandro Maschio

    Aos 50 anos ( o centenrio do XV e o meio cen-tenrio meu, ele brinca), o tcnico do XV de Piracicaba conta que j sabia que seria uma ex-perincia de pura emoo, um misto de alegrias e algum sofrimento, quando aceitou o convite para dirigir a equi-pe. Mas, de certa forma eu gosto disso porque combina comigo, com meu jeito, explica.

    que Srgio Guedes acredita que est faltando pai-xo nas quatro linhas do estdio. Ficou muito comer-cial, define, embora sabendo que esse caminho no tem muita volta. Mas acredita que o centenrio XV uma ilha de autenticidade no mar de outros interesses. nisso que acredito.

    Guedes tem uma longa carreira como atleta, e sempre atuou como goleiro. Eu parei at tarde demais, estava quase com 40 anos, conta. Nascido em Rio Claro, num tempo em que o time da cidade, o Velo, estava mal das pernas, era no Baro de Serra Negra que ele vinha para assistir bons jogos.

    Mas nunca jogou pelo Velo. Comeou no Araatuba e teve passagens por Santos, Cruzeiro e Internacional. Na passagem pelo Amrica de So Jos do Rio Preto, foi eleito o melhor goleiro da histria do time.

    Encerrou a carreira de jogador pelo Socarlense, em 2002, e quatro anos depois assumiu como tcnico. Teve atuaes marcantes pela Ponte Preta, pelo Red Bull e, no ano passado, foi tcnico do So Caetano e do Sport de Recife. Est no XV desde outubro de 2012.

    Futebol com raa

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  • Tutti Condomnios - No cargo de tcnico do XV est sempre includa a emoo?Srgio Guedes - Ah, ! Porque voc lida com paixo, voc lida com patri-mnio da cidade, com sentimento.

    Tinha conscincia disso quando acei-tou o convite?Total. E me identifico muito com isso. Eu gosto disso. Eu tambm fui de ar-quibancada, ento eu sei como .

    Voc nasceu na regio, no?Sou de Rio Claro. Na juventude, o Velo Clube era um time menor, no ti-nha tanta ascendncia, e o XV jogava o Campeonato Brasileiro. Quando tinha jogo bom, eu vinha de Rio Claro pra c. E tinha um amigo que era quinzis-ta fantico, e ele me trazia. Voc acaba tendo simpatia.

    Chegava a ser quinzista?Quando vinha, torcia. Vi bons jogos, com Grmio, Flamengo, So Paulo. Eu j tinha noo do que era o XV.

    E a noo de que era um time movido a paixo?Total. Mas, volto a dizer, me identifico muito com isso.

    Porque eu tenho essa essncia de ter nascido numa poca em que o futebol era paixo.

    Hoje no mais?Voc tinha o objetivo de jogar naquele time. No era como hoje, o cara est num clube, mas fica imagi-nando em jogar no Manchester United. O cara no quer ficar naquele time, s vezes o usa como trampo-lim, no pensa no time em que ele est sendo forma-do. Acho que essa relao era muito forte na poca. Voc fazer parte da histria daquele clube, crescer junto com ele, fazer a sua carreira dentro do time que escolheu.

    O futebol efetivamente se profissionalizou, no?, e ganhou uma dimenso comercial demais, mer-cantilista demais. E isso de certa forma me incomoda.

    Voc diria que o XV uma ilha onde essa paixo ainda est presente?Diria sim. O XV e mais alguns outros clubes do Bra-sil. Porque os clubes passaram a ser propriedades de uma pessoa bem-sucedida. Com isso perde a razo maior, o propsito maior, e a torcida abandona. As pessoas que gostavam entendem que h um propsito

    diferente e estranham.

    Por isso que o XV nunca foi abandonado, mesmo com tantos altos e baixos?No, nunca. E essa relao, s vezes, se torna passional, mas o que faz com que a gente se mobilize para sempre poder continuar.

    (O futebol) ganhou uma dimenso

    comercial demais, mercantilista demais

  • ...Eu tenho essa essncia de ter nascido numa poca em que o

    futebol era paixo

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  • Vida de tcnico hoje em dia pior que a de juiz, s vezes ele mais xingado?Voc tem de saber que ser cobrado o tempo todo. E exis-tem muitos interesses envolvidos. Quanto s crticas, voc tem de saber receber, tem de saber avaliar. E tem de pro-curar um equilbrio, em que voc mantenha a sua prpria opinio, mas abrindo espao para a discordncia.

    Mas no adianta, o torcedor sempre passional. Como no entrar em bate-boca?Voc precisa saber ouvir, argumentar, mas sem ser radical de dizer que ele est equivocado. A opinio dele tem de ser levada em conta.

    Desde quando est envolvido com o mundo do futebol?Eu j estou com 10 anos de carreira como tcnico, mas an-tes fui atleta por 22 anos. Creio at que a minha carreira, como goleiro, at se estendeu demais. Quando terminei, no So Carlos, ia fazer 40 anos.

    Passou por quantos times como tcnico?Trabalhei na Portuguesa Santista, So Carlos, Ponte Preta, So Caetano, Sport Bahia... Vida de tcnico assim.

    meio cigano? um pouco assim, voc tem de saber que no existe es-tabilidade. Mas eu fao as minhas prprias escolhas. No deixo isso para os outros.

    E como fica a famlia?A famlia j entende, j sabe que assim. Sou casado e tenho trs filhas j crescidas. Elas no vieram para Piraci-caba porque j tm a vida delas.

    E o que est achando de Piracicaba?Eu j conhecia, mas agora estou morando, em hotel. uma cidade fascinante. Estou otimista para este ano de centenrio do XV, para que a gente deixe uma semente e que ela se propague no futuro.

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    Mulheres falam de sua paixo pelo XV de NovembroPor Ronaldo Victoria Fotos: Alessandro Maschio

    A aposentada Emlia da Rocha Lima, 65, que toda a cidade conhece como Dona Lili, lem-bra at hoje da emoo que sentiu ao v-lo, e faz 50 anos, em 1963. A contadora ngela Barbieri, 55, tem 15% de audio, mas jura sentir os gritos de amor dirigidos a ele. A jornalista Renata Perazzoli, 38, conta que apaixonada por ele desde os cinco anos de idade, mas ficava triste porque o irmo mais velho ia v-lo e ela no.

    Quem ele? O prncipe encantado na vida delas? No, o XV de Piracicaba, o Xvzo que bate forte no peito e na alma dessas trs mulheres que, alm de torcedoras, viraram conselheiras do time. Elas repre-sentam 10% de uma equipe formada por 30 pessoas, uma representao que vem crescendo.

    Lili, que se aposentou recentemente depois de v-rios anos atuando como empregada domstica, conta

    que ficou um tempo afastada da cidade (ela nasceu no Arraial de So Bento), porque foi cedo para a capi-tal. Eu tinha 11 anos. Naquele tempo, a gente podia trabalhar sendo menor de idade. Eu fiquei seis anos numa casa na Penha, como bab, lembra.

    A experincia durou seis anos e, em 1963, ela vol-tou a Piracicaba, onde passou a ser operria na Fbrica de Macarro Aurora. At que um dia, uma amiga a convidou para um passeio que considerou esquisito. Ela me disse: Vamos ao estdio ver um jogo do XV? Eu nunca tinha pensado nisso, mas aceitei, conta. O estdio ainda era o Roberto Gomes Pedrosa, na rua Regente Feij (onde hoje est instalado um hipermer-cado) e foi o que se pode chamar de amor primeira vista.

    Eu j sabia do XV, j gostava daquela camisa ze-brada , desde aquele instante, nunca deixei de gostar.

    Loucas pelo Nh Quim Angela, Lili e Renata: torcedoras fanticas do alvinegro piracicabano

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  • Quando eu trabalhava em casa de famlia, que naque-le tempo era de segunda a segunda, tinha de pedir folga no domingo para no perder jogo, lembra. E a partir da, Lili nunca deixou de acompanhar o time, no importa a fase em que estivesse. Cansei de ir a jogos da A3 e os atletas me dizem que di a humi-lhao.

    Por isso, Lili confessa que j bateu boca com cor-neteiros, como so chamados aqueles torcedores que s reclamam, os pessimistas de planto. s vezes, a gente perde a cabea, mas eu acho que quem s fala mal no vem ao campo. Eu no gosto de ver gente que s sabe chamar os jogadores de vagabundos, mer-cenrios. Parece que isso di nela. Afinal o XV, para Lili, algo que no se explica, ela no pode definir aquele alvinegro. Eu no sei explicar o que eu sinto. Eu nunca vou ao teatro, ao cinema, nada. Meu lazer, minha diverso, o futebol.

    Sons do XVNascida em Pereiras (SP), ngela Barbieri veio

    morar em Piracicaba h 12 anos e se apaixonou. Ado-rei. Hoje sou filha adotiva desta cidade, no troco por nada neste mundo, declara. Ela j conhecia o XV dos tempos da infncia. Quando a gente morou em La-ranjal Paulista, meu pai costumava cantar o Cxara de Frfe e eu achava engraado. Mas ainda era corin-thiana, conta.

    Quando veio para a cidade, co-meou a namorar um radialista e foi ele que a apresentou ao XV. Eu me lembro perfeitamente do meu primeiro jogo, foi no Baro de Serra Negra, contra o Comercial de Ribeiro Preto. Eu estava na cabine de imprensa. Eu juro que na hora que a torcida do XV comeou a cantar e a batucar, e a gritar o nome

    do time, eu consegui ouvir e isso me deixou inteira arrepiada, revela.

    A paixo to grande que ngela tem em sua casa, na Vila Rezende, o cantinho do XV. So 42 camisas de inmeros modelos, canecas, garrafas, chaveiros e todo tipo de lembrana. ngela define a torcida do XV como paz e amor e revela que durante este tempo encontrou amigos verdadeiros. Eu no sei definir o que sinto pelo XV. Pelo meu time eu sofro, eu choro, eu brigo. Eu costumo dizer que se arrumar um namo-rado e ele me pedir para escolher entre ele e o XV, eu no tenho dvida: eu fico com o XV

    Eu no sei definir o que sinto pelo XV. Pelo meu time eu sofro, eu

    choro, eu brigo

    Angela tem mais de 40 diferentes camisas do time

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    Amor incondicional

    Renata Perazzoli conta que era pequena, com cin-

    co anos no mximo, e j sentia a simpatia pelo XV,

    o que depois se tornaria amor incondicional. A av

    da jornalista morava bem prximo ao estdio, na rua

    Manoel Ferraz de Arruda Campos, mas ela demorou

    para entrar no estdio do XV. Meu av ia a quase

    todos os jogos, mas s levava meu irmo. Menina no

    ia, conta.

    Pouco tempo depois, ela foi embora com a famlia

    para So Jos dos Campos, onde ficou por 11 anos, e

    s retornou a Piracicaba em 1993, quando passou a

    acompanhar os jogos. Eu no me lembro quem era o

    adversrio, mas at hoje no consigo esquecer a sensa-

    o de ficar junto torcida do XV. Voc fica arrepiado

    o tempo todo, garante.

    No XV, Renata, que foi a primeira mulher a ocu-

    par o cargo de ouvidor, diz que o torcedor se sente

    em casa. um time que est de portas abertas para

    o torcedor, e uma torcida que no arruma briga. s

    vezes, me perguntam se, alm do XV, eu toro para

    um time grande, mas eu sempre falo que eu toro pro

    time da minha terra, e no preciso de outro.

    Lili no abandona o XV nem nos

    momentos de maior fragilidade do time

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  • Novo espaopara coletivas

    Desde o comeo deste Campeonato Paulista, as coletivas que envolvem o tcnico Srgio Guedes e os jogadores do XV de Piracicaba no acontecem mais no espao antigo do estdio, um auditrio j bastante desgastado.

    Agora os jornalistas so recebidos num local ao mesmo tempo moderno e elegante. E criativo, j que foi instalado pela empresa Bauma, especialista em containers e no seu reaproveitamento para a criao de espaos diferentes.

    A nova sala de imprensa do XV, que surgiu aps a juno de dois containers, fica ao lado da pista de atletismo do Estdio Municipal Baro de Serra Ne-gra, ao lado da entrada da rua Treze de Maio. O am-biente tem 60 metros quadrados, com a colocao de carpete sinttico verde, uma bancada com microfo-nes, cadeiras e televisores de LED.

    De acordo com Antonio Carlos Leo, diretor da Bauma, o investimento total ficou em R$ 85 mil, todo bancado pela empresa. Ns trocamos, fizemos uma permuta por publicidade com o XV, o que acre-dito ser muito interessante, conta. Segundo Leo, a Bauma encarou a criao do espao como um investi-mento, acreditando que trar retorno. muito bom para a empresa ter essa identidade com o XV, o time que representa a alma da cidade.

    Leo lembra que a Bauma, com sede na avenida Dois Crregos, est h dois anos instalada em Piraci-caba. Estamos crescendo e o conceito do nosso tra-balho, de reaproveitar containers, algo novo, j vem sendo assimilado, felizmente. Tanto que a lista de clientes no para de crescer, afirma.

    A instalao no estdio no foi to simples, ele reconhece. Foi difcil, tivemos de levar guincho por-que o porto da Treze de Maio no dava passagem para os containers. Ficamos um dia apenas para esse transporte. Mas no final valeu, porque ficou muito bonito, declara Leo.

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    asEmpresa especializada em container cria e implanta uma sala para entrevistas no estdio

    Por Ronaldo Victoria Fotos: Alessandro Maschio

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    De apoio s mulheres dos jogadores a captadora de patrocnios, Silvana Christofoletti arregaa as mangas pelo XV

    Por Ronaldo Victoria Fotos: Alessandro Maschio

    Para a empresria e nutricionista Silvana de Lima Nogueira Cristofoletti, mulher do presidente Celso Cristofoletti, ser primeira-dama do XV de Piracicaba tem uma primeira definio. abrir mo do marido, conta.

    Mas ela confessa j estar acostumada desde o na-moro, que foi rpido (ela se casou aos 17 anos). Na-quele tempo, a gente s namorava de sbado e domin-go, e com a me de guarda. E quase todo domingo ele fugia para assistir aos jogos do XV, em Piracicaba ou

    outra cidade. Depois chegava de noite com uma cara de santo e uma caixa de bombons para me dar de pre-sente. E s descobriu depois de casado que eu detesto chocolate!, lembra, divertida.

    Silvana explica que nem isso fez com que pegas-se implicncia pelo time ou que quisesse apagar essa paixo do marido. Ao contrrio, tornou-se torcedo-ra tambm. A partir de 2004, quando Lus Roberto Beltrame foi para a presidncia, comeou a ter uma atuao mais expressiva. E confessa que tomou gosto.

    Primeira-dama em ao

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  • Hoje, Silvana o que se pode chamar de primeira-dama efetiva, que no aparece apenas nas fotos, mas arregaa as mangas e tem um trabalho muito im-portante, principalmente junto s esposas dos jogadores. Ela uma espcie de conselheira, guia ou irm mais velha da maioria delas. Elas chegam numa cida-de estranha, os maridos ficam pouco em casa. Se no esto na rotina puxada dos treinos, viajam para os jogos. Muitas tm filhos pequenos e, s vezes, no sabem a quem recorrer em noites de jogos se a criana tem algum problema, detalha.

    Ela tambm entra no lado psicolgico, tentando dar apoio. Mas ressalta que a questo maria-chuteira, aquelas moas especialistas em assediar jogadores, no faz parte do roteiro. Em Piracicaba isso no virou tradio, como nos grandes centros. E se pintasse, a nossa torcedora maior, a Lili (Emlia da Rocha Lima), nem deixaria que fosse adiante, porque ela tem um moral grande junto aos nos-sos rapazes, conta.

    Para ela, o casal Silvana e Celso funciona bem por conta das personalidades diferentes. E complementares. Ele trabalhou muitos anos na Arcelor Mittal, na parte administrativa, sabe lidar com as pessoas. E mais corao mole. Eu j sou mais dura, sou aquela que no tem papas na lngua, define.

    Foi dessa forma que ela conseguiu melhorar o refeitrio do estdio, que serve mais s categorias de base, trocando todos os pratos e talheres, e conseguindo foges e geladeira novos. Tambm no se acanha de passar em frente a uma loja ou empresa e entrar para pedir apoio ou patrocnio. As pessoas acham que no somos uma entidade social. Mas claro que somos! Fazemos um trabalho de base que reconhecido.

    Hoje, Silvana diz que ama o XV e frequenta a maioria dos jogos. E tambm virou uma torcedora apaixonada. Meu pai, que era militar, sempre dizia que se voc no pode com um inimigo, junte-se a ele. Eu percebi isso muito cedo e o inimigo virou paixo.

    Silvana ao lado do marido Celso: Fazemos um trabalho

    de base que reconhecido

  • XV, eu te amo!Pensar no XV traz uma srie de boas memrias. Primeiro, a referncia a

    Piracicaba. uma marca, quase que institucional, da cidade. Junto vm as lem-branas da alegria, do riso, da emoo de se ir ao estdio ver um jogo de futebol do XV. Divertimento com as piadas, das cativas ou da geral, sofrimento com aquele golzinho salvador que s vezes sai nos acrscimos! Sentimento tambm de honra ao se sentir um embaixador do XV, ao se reagir referncia ao Nh Quim feita por algum forasteiro. Sim, sou de Piracicaba, terra do XV, que est na Primeira de novo e que completa 100 anos. XV que agora 100. XV = 100. Pois ento, identidade e harmonia entre romanos e arbicos... (Jos Vicente Caixeta Filho, diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Esalq/USP)

    Para mim, o XV um dos grandes smbolos que representam a histria e a cultura de nossa cidade. Em outros lugares, somos conhecidos e muitas vezes identificados pela terra do XV de Piracicaba. Sem dvida, um smbolo que nos orgulha. E o reflexo desse orgulho a prpria torcida, uma das mais fan-ticas do interior paulista e que enche o Baro em qualquer diviso ou campeo-nato que o time esteja disputando. (Rose Massaruto, secretria de turismo)

    O XV de Novembro o garoto-propaganda de Piracicaba. Um time que-rido, cercado de tradies e abenoado com o amor dos moradores de sua terra. Um time que tem luz prpria e chega ao centenrio de glrias graas a uma trajetria de lutas e determinao. Tanto que a histria de Piracicaba e a do glorioso XV se interligam. Parabns XV, agora centenrio. (Angelo Frias Neto, diretor presidente da Frias Neto Consultoria de Imveis e da Asso-ciao Comercial e Industrial de Piracicaba Acipi)

    Personalidades da cidade declaram seu amor ao alvinegro

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  • Usei muito a camisa do XV em meus shows pela Europa. Tem at sua bandeira em meu clipe Saudade! Pois o XV um membro da famlia piracicabana que, querido por todos, dos distantes aos mais prximos, sempre desperta um carinho enorme. Todos acompanham, querem sa-ber se est bem, e ficam profundamente

    felizes em poca de festa. Parabns pelos 100 anos! (Pa Moreno, cantora)

    O XV, para mim e para os piracicabanos uma paixo e tambm uma questo de orgulho. Para ns, caipiracicabanos, como somos cha-mados, o XV o que nos define. Piracicaba e eu amamos o Quinzo. (Paulo Alcides Tibrio, o Paulo, fotgrafo)

    O XV Piracicaba. O XV So Paulo. O XV Brasil. Por onde voc anda neste pas, quando diz que de Piracicaba, logo vem a per-gunta: E o XV? O XV paixo. Tem a maior torcida do Estado. o XVzo do meu corao. (Roberto Morais, deputado estadual)

    Conheci o XV ainda menino, que, ento, passou a ser o clube da minha preferncia. No perdia os jogos no antigo estdio da Rua Re-gente; assistia inclusive treinos, pois morava a trs quadras desse local. Assisti jogos quando de seu acesso diviso principal em 1949. Anos mais tarde, de torcedor, passei a cartola integrando seu Conselho Deli-berativo e a diretoria, ambos como presidente. At hoje vibro com o XV. Rejubilemo-nos com o seu centenrio. (Gustavo Jacques Dias Alvim, reitor da Universidade Metodista de Piracicaba - Unimep)

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  • O XV de Piracicaba um dos brases mais importantes da minha querida cidade natal. Nos meus concertos em outros estados brasileiros, e mesmo em outros pases, quando digo que sou piracicabano, sem-pre me perguntam: E o XV? Vai muito bem, obrigado, respondo. E na sequncia toco o Nh Quim, um choro que fiz em homenagem ao velho e bom XV. Muito sucesso pra ele! (Alessandro Penezzi, violonista)

    Eu tinha nove anos de idade quando o XV foi campeo da Lei do Acesso, o primeiro clube interiorano a chegar Primeira Diviso. O prefeito convocou o povo para ajudar a reformar o estdio da rua Regente Feij, exigncia da Federao. Meu pai, apaixonado pelo clube, foi e me levou junto. Senti-me adulto carregando tijolos e ajudando a preparar o cimento. Naquele momento, o XV passou a fazer parte de minha vida. Entrou-me na alma. E nunca mais deixou. Joguei futebol no infanto-juvenil, fui associado desde criana, tornei--me diretor e, com Romeu Italo Rpoli, conquistamos o vice-campeonato da Federao. O XV paixo e o Nh Quim, o smbolo e a grife de nosso piraci-cabanismo. Que caipira, no Brasil, mais famoso do que ele? (Ceclio Elias Netto, jornalista)

    Desde que cheguei em Piracicaba , no incio dos anos 80, me identifiquei com o nosso XV, primeiro pela cor preto e branco, segundo pelo hino popular: Xis V, Xis V... Popular, criativo e muito ligado s nossas razes, assim eu admiro muito este time pela paixo que ele desperta e pela unio que ele provoca, seja nos momentos ruins, ou nos momentos de glria. (Marcelino Sacchi, diretor industrial da Oji Papis Especiais e secretrio-executivo da Oscip Pira 21)

    Pequeno ainda, entrei no Baro pela primeira vez com meu pai. Senti logo a verdadeira emoo do que torcer pelo XV e celebrar as vitrias com hu-mildade e alegria. O Nh Quim representa h 100 anos Piracicaba e o nosso autntico jeito caipira de ser num mundo cada vez mais parecido com uma bola de futebol. Difcil descrever. Deixe ser XV, simples assim. Sou XV roxo! Pra ser mais sincero, alvinegro, meio tipo assim da cor asara de barata ou io de breque. (Jairinho Mattos, diretor da rdio Jovem Pan Piracicaba)

    Eu acredito que, para todos os torcedores, o XV representa a garra, a disposio de lutar, a vontade de sobre-viver e resgatar um cone que se confunde com a prpria cidade. Mesmo passando por tudo que passou, no foi abandonado e est se refazendo. Acima de tudo, o XV representa o renascer, representa a fora e a unio. E, por outro modo, representa a cidade de Piracicaba. (Lus Beltrame, advogado e ex-presidente do XV)

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  • Jornalistas veteranos contam histrias do XV que no foram publicadas

    Por Cristiane Bonin Fotos: Alessandro Maschio

    Transmitir por imagens ou pelas ondas do rdio a paixo pelo futebol uma situao nica no jornalismo. A presena do profissional no cam-po, a convivncia com os jogadores e equipe tcnica e toda a aproximao deste universo que a comunica-o proporciona, do ao profissional a possibilidade de colecionar experincias e histrias, muitas vezes, no so compartilhadas com o pblico por meio da foto ou da narrao. Nesta matria, o leitor poder conhecer algumas passagens do XV de Piracicaba narradas por reprteres veteranos de rdio e jornal da cidade.

    O premiado fotgrafo Paulo Alcides Tibrio, o Paulo, 56, acompanha o alvinegro desde a dcada de 80. Clicando momentos dentro do campo ou viajando dentro do nibus com o time, Paulo viveu grandes momentos com o seu time do corao. A sensao de fazer meu trabalho dentro do campo, fotografando e torcendo, diferente de fazer qualquer outro tipo de foto. O acervo de Paulo est em exposio no Centro Cultural Martha Watts, na galeria de imagens do histo-riador Rocha Netto.

    Sobre os jogos que Paulo acompanhou, ele cita a partida em Volta Redonda (RJ), quando o XV foi cam-

    peo da srie C com um nico gol de Biluca, fazendo o time subir para a srie B; e de 2011, o fotgrafo destaca o empate em jogo contra o Comercial de Ribeiro Pre-to, placar que colocou o XV na srie A.

    Entrando pela seara das histrias pitorescas, o fot-grafo conta o episdio que se passou em uma pizzaria quando o ento presidente do XV, Romeu Italo Rpoli, proibiu os jogadores de tomar cerveja. Estvamos no restaurante, na divisa entre So Paulo e Rio de Janei-ro, juntamente com o time do Cruzeiro, com quem tnhamos jogado um amistoso. O Rpoli era bravo e mandou o garom parar de trazer cerveja. Combina-mos com a mesa dos adversrios e eles pediam e nos passavam a bebida. Era muito gostoso esse clima.

    Numa outra viajem, desta vez a Taubat (SP), o nibus parou em um restaurante de beira de estrada e Rpoli comprou um saco de biscoito de polvilho. Ele sempre ocupava os dois primeiros bancos. E ia fuman-do o charuto dele. Desta vez, ele dormiu. O Pitanga pegou o biscoito, passou para todo mundo e devolveu cheio de ar. O Rpoli acordou, viu a situao e o Pitan-ga gritava: Camaro que dorme a gua leva.

    Desta vez sem datas, Paulo conta sobre o jogador Uriel. Sentado no banco de reserva e com o tcnico do XV suspenso, ocupando um lugar atrs do alambrado, Uriel queria entrar em campo para ganhar o bicho do jogo. Ele estava precisando de dinheiro, conta o fo-tgrafo. Com o jogo praticamente ganho e fcil, Uriel levantou-se e pediu ele mesmo a substituio ao juiz sim, ele conseguiu entrar na partida por conta prpria. O tcnico queria mat-lo, lembra Paulo.

    Testemunhas em campo

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    Dinival entrevistando o cronista esportivo

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    aO episdio de violncia aconteceu em Braslia

    (DF). Jogando contra o Gama e podendo perder por at dois gols, o estdio lotado assustou os quinzistas. A torcida local chegou em massa, arrebentou o porto e invadiu o estdio. Durante o jogo, eles balanavam o alambrado que separava as duas torcidas. Faltan-do cinco minutos para o jogo acabar, Paulo conta que se escondeu no vestirio do Gama. J acontecia uma chuva de pau e pedra em cima de ns. A polcia montou um cordo humano para podermos chegar ao nibus.

    Diferente da recepo no DF, quando acessou a srie B contra o Volta Redonda, a volta olmpica do XV pelo campo com a taa em mos foi aplaudida de p pela torcida adversria.

    Um ltimo episdio, lembrado por Paulo, remete camaradagem intrnseca entre imprensa e jogadores. Na boca do tnel, entrando para o jogo, China fala-va pra mim: Paulo, acende um cigarro para eu dar um trago. O fotgrafo e torcedor destaca que hoje as coisas mudaram. Antes, viajvamos (imprensa) jun-to com o time. Hoje, quase nem conseguimos chegar perto, diz com pesar.

    Torcedor do XV desde pequeno, Paulo atribui a paixo pelo time identidade com a vida no interior. Sentimento compartilhado entre tantos e constatada durante um passeio dele por Ilha Comprida (SP). Es-tava na praia e passou um ambulante vendendo isopor para latas de bebida. Todas tinham emblemas de time. Perguntei se ele tinha do XV. Para minha surpresa, o vendedor tinha e me disse que era a mais vendida.

    RDIOPode-se dizer que o rdio e o futebol nasceram um

    para o outro. Dinival Tibrio, 70, Rogrio Achilles Tomaziello, 58, e Gerson Mendes, 64, todos radialis-tas de brilhante carreira, nasceram amando o rdio, o futebol e o XV de Novembro de Piracicaba.

    Dinival Tibrio, irmo do fotgrafo Paulo, no ar atualmente na rdio Educadora AM com o Bola na Vrzea, do meio-dia s 13h30, tem 50 anos de profis-so e coleciona empregos como comunicador despor-tivo no Desafio ao Galo, da TV Record; como repr-ter atuante junto a Fausto Silva, o Fausto; reprter de campo na rdio Alvorada, quando acompanhou o incio da carreira do jornalista Roberto Cabrini.

    Hoje, Dinival, alm de radialista, presidente da Associao Varzeana de Futebol de Piracicaba, que

    fica alocada no Estdio Baro de Serra Negra, onde ele decorou uma grande parede com v-rias fotos de momentos da sua carreira.

    Ele comea a entre-vista falando do jogo de 1983. Ele lembra do ano, de Romeu ta-lo Rpoli (a quem ele chama de professor do XV), classificando-o como o melhor pre-sidente de todos os tempos do time. Sobre o mesmo perodo, Di-nival fala a respeito de um time selecionado com jogadores como Jos Eduardo Pianelli e de um jogo decisivo contra o Bandeirante de Birigi.

    Entrou um cara no campo com um frango vivo e soltou o bicho no gol do Birigi. O jogo ficou paralisado por 20 minutos. Era goleiro e todo mundo correndo atrs do frango. Este foi um fato, digamos, folclrico, conta Dinival.

    Gerson Mendes natural da fluminense e serrana Petrpolis e tem quase 30 anos de profisso. Ferre-nhamente apaixonado pelo XV, ele est em Piracicaba desde 1986, atua na rdio Difusora AM, em programa jornalstico que mescla notcias gerais e do esporte, das 9h30 ao meio-dia, e quando o XV joga aos finais de semana.

    Entre os jogos, ele recorda de episdios como o do ttulo de campeo do Brasileiro, em 1995, e do acesso srie B depois de muito tempo.

    Com um grande repertrio de histrias, algumas impublicveis, ele lembra do bordo do reprter Ed-valdo Tietz, que se voltou contra seu prprio criador. Quando o XV fazia gol, ele gritava sonoramente: Chuuuuupa que a cana doce.

    O fotgrafo Paulo acompanhou o XV por vrios anos

    Gerson Mendes narra os jogos do XV pela Difusora

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  • Entretanto, em um jogo contra o Taquaritinga (SP), nos anos 90, durante uma partida praticamente ganha para o XV, o adversrio empatou e quase com-plicou a vida do alvinegro no campeonato. (Com o gol convertido pelo Taquaritinga) o meu amigo teve que ouvir o mesmo bordo de toda torcida adversria, alm de toda zoao.

    Em uma outra partida, h alguns anos contra o Bragana Paulista, um pnalti a favor do XV coloca to-dos os reprteres em campo. Gerson, na cabine de im-prensa, chama o reprter de campo. O radialista per-cebe que h algo estranho quando ele fala da cobrana e o reprter vai apenas confirmando suas informaes.

    Ao final da partida, Gerson descobre que o reprter estava com uma diarreia e passou a fazer suas entradas na rdio do banheiro. Naquele tempo, os microfones tinham um frio comprido, de 200 metros, lembra ele, rindo muito.

    Mas a diarreia no a pior companheira do mundo desportivo. Depois que entrou muito dinheiro no fu-tebol, tecnicamente, o esporte piorou, afirma Gerson. Dinival tambm faz a sua crtica ao mundo atual da bola. O futebol perdeu bastante. An-tigamente, o jogador ganhava pouco e fazia muito. Hoje, o craque aquele bem preparado fisicamente. Antes, o jogador nascia com a arte no p.

    FAMLIA QUINZISTANarrando a bola em jogo desde 1972 nas ondas das

    rdios Voz de Piracicaba, Band Campinas e So Paulo, Gazeta, Capital, Record, Tupi e outras, na TV Record ou integrando equipes de assessoria de imprensa como a do So Paulo Futebol Clube, Rogrio Achilles Toma-ziello, 58, conseguiu ir mais longe em sua relao com o futebol.

    O jornalista formado pela PUC-Campinas (Pon-tifcia Universidade Catlica), em 1979, nasceu numa tradicional famlia quinzista: o av Achilles, foi da primeira formao de 1914; o pai Rogrio e o tio Ar-mando, integrantes do time de 1948. O radialista res-pirava o futebol ainda bem pequeno, dentro de casa e sempre na ilustre companhia do maior historiador do alvinegro, o jornalista Delphim Ferreira da Rocha Netto. Ele sempre estava em casa. Ouvia suas histrias de boca aberta. E meu pai chegava a chorar ao ver seus arquivos esportivos, um dos maiores do mundo, conta o radialista emocionado.

    A primeira vez que narrei um jogo, a partida foi XV contra Catanduvense, em 1973. Eu tinha 16 anos.

    O jogo terminou com o XV ganhan-do por 1x0, com gol de Nelsinho. Dinival Tibrio foi quem escreveu a primeira notcia que li no ar. De qual-quer forma, sou mais rigoroso com o time do corao. E no uma questo de vibrar mais ou menos. Indepen-

    dente da vontade, o corao bate mais forte. Tem que ser mais sincero e profissional.

    Comunicadores, fotgrafos, radialistas, jornalistas ou no, o certo que no h nada mais caracterstico do interior, com toda aquela conotao de amor de fa-mlia, como o XV de Piracicaba.

    O Rpoli era bravo e mandou o garon parar

    de trazer cerveja

    Rogrio fez carreira em So Paulo, mas sempre acompanhou o XV

  • Mas

    cote

    Criado pelo desenhista Edson Rontani, Nh Quim j um sexagenrio

    Por Ronaldo Victoria | Fotos: Alessandro Maschio e reproduo

    Neste centenrio do XV de Piracicaba, um cai-pira muito simptico, de barbicha, botina e cigarrinho de palha na boca, acompanha o time h mais de 60 anos. o Nh Quim, mascote do clube e que o identifica at hoje.

    O site oficial do XV (www.xvpiracicaba.com.br) destaca, ainda que de forma tmida, usando a expres-so segundo consta, que o personagem foi criado pelo cartunista Nino Borges, da Gazeta Esportiva, e o nome dado pelo redator chefe do referido jornal, Thomas Mazzoni, em1949. Quem passou para a histria, porm, como o criador do Nh Quim foi o artista e desenhista piracicabano Edson Rontani.

    Filho mais velho de Rontani, o jornalista Edson Rontani Junior contesta essa informao diz que o artista no pai de criao do Nh Quim, mas sim pai de fato. O que acontece que ultimamente na in-ternet se aceita qualquer coisa e esto replicando fatos sem checar. tudo colocado sem provas. Infelizmen-te eu no tenho provas materiais, mas minha fonte o que meu pai me falou. Ouvi diretamente dele, afirma. De qualquer maneira, a verso de Rontani Jr. tambm foi acrescentada no site do XV.

    De acordo com o jornalista, o pai j desenhava a figura do caipira quando tinha uns 15 anos, por vol-ta de 1947. Ele era moleque e pregava os cartazes com as ilustraes no Chal Paulista, do Arminthos Raya, que ficava do lado do Clube Coronel Barbosa, lembra. A, aproveitando a euforia de 1948, quando a equipe subiu para a primeira diviso.

    Foi ento que Delphim Ferreira da Rocha Netto, grande pesquisador da histria do XV e correspon-dente da Gazeta Esportiva na cidade, levou para o jornal o trabalho de Rontani para ser apreciado pelo

    redator Manzoni. Ele gostou do trabalho, mas disse que j tinha um desenhista, o Nino Borges, que adap-tou o desenho ao seu estilo, conta Rontani Jr. E foi assim que o Nh Quim foi publicado, pela primeira vez, no dia 29 de maio de 1949.

    Quanto inspirao, Rontani Jr. diz que Mazza-ropi no parece ter sido a maior fonte. Eu acho que tem mais a ver com o Almanaque do Jeca Tatu ou en-to com o comediante mexicano Cantinflas, define. Sobre a profisso, Rontani Jr conta que o pai, falecido em 1997, viveu numa poca em que no se pensava em arte como profisso. Meu av no aceitava mui-to, e o que se dizia de forma geral que fazer desenho era coisa de vagabundo. Tanto que meu pai acabou

    Querido caipira

    Angela, Lili e Renata: torcedoras

    fanticas do alvinegro piracicabano

    O mascote do XV foi publicado em 1949

    pela primeira vez

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  • fazendo carreira no servio pblico, como uma for-ma de compensar. Foi trabalhar no Estado, porque se casou em 1964 e logo comearam a nascer os filhos, explica.

    Para o filho, o desenho, mais que uma inspirao, era tambm uma vlvula de escape. Eu penso tam-bm que ele desenhava para aliviar o estresse. Afinal, ele nunca ganhou nada com isso. No sei se hoje ele conseguiria viver da arte. Eu s sei que ele no dese-nhava por obrigao. Eu me lembro do ritual que ele cumpria para desenhar, com o cigarro de palha que ele mesmo fazia e acendia, e comeava a desenhar, recorda.

    Durante este tempo todo, o Nh Quim passou por vrias fases. Alguns desenhos tm uma garruchi-nha, outro uma gaiola e tambm um cigarro de palha. A partir dos anos 60, o personagem foi encarnado pelo fotgrafo Ccero Correa dos Santos, que aparecia em eventos vestido como ele e at desfilava nas escolas de samba. Mais recentemente essa funo vem sendo cumprida por Artur Ganst, nascido em Tupi Paulista e radicado em Piracicaba h 16 anos.

    NO FACEBOOKOutro filho de Rontani, o artista grfico Fbio,

    mantm h um ano e meio a pgina Nh Quim no Facebook, que j conta com 1.000 seguidores. Eu, de certa maneira, fui desafiado a criar a pgina porque descobri que havia um perfil falso usando o desenho de meu pai sem autorizao, conta.

    Com o tempo, Fbio foi sentindo que a rede social um timo espao para divulgao de projetos. A inteno mesmo retomar uma atividade que manti-

    ve h muitos anos, a estamparia. Tenho o projeto de fazer camisetas com a estampa do Nh Quim, conta.

    A fora do personagem criado pelo pai ainda exis-te, mas precisa ser atualizada. E para isso, a internet indispensvel. Os antigos conhecem o Nh Quim, a molecada ainda no. Por isso a oportunidade de torn-lo mais conhecido, conta Fbio.

    Ele reconhece que no tem muito tempo dis-ponvel para atualizar a pgina no Facebook, tarefa que pretende passar para o filho Mateus, de 23 anos. Quero ver se ele toca porque a gerao dele est mais ligada. Assim podemos fazer mais promoes. E a poca dos 100 anos do XV ideal, conclui.

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    Dia 19 / 03Especial de pes

    Dia 21 / 03Especial de Pscoa

    Dia 26 / 03Especial de Bolos

    Dia 02 / 04Cozinha Peruana

    Dia 09 10 / 04Noivas

    Modulo I e II

    Dia 16 / 04Especial de Batatas

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    Jeca Tatu e o ator mexicano Cantinflas podem ter inspirado

    criador

    Edson Rontani criador do

    personagem

  • Ms

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    Hino oficial foi composto por Jorge Chaddad e Anuar Kraide

    Por Ronaldo Victoria

    Experimente pedir a algum, de Piracicaba ou no, que cante o hino do XV. quase certo que a pessoa comece assim: Cxara de frfe, cspere de grilo... Pois bem, este no o hino do XV. Pelo menos no o oficial. O verdadeiro hino (sem desmerecer o outro, que surgiu por meio de uma brin-cadeira) foi composto no final dos anos 50, por Jorge Chaddad e Anuar Kraide.

    Com uma melodia pomposa, estilo marcha mes-mo, tpica dos hinos, tem tambm uma letra tradi-cional, que louva as conquistas do clube: Salve XV de Novembro/ Glorioso esquadro/ Na vitria ou na derrota/ Est em nosso corao.

    S mesmo o XV para ter dois hinos. Mas o Cxara de Frfe, como ficou conhecido, tem uma estranha particularidade. At hoje ningum sabe quem seu pai, ou seja, o verdadeiro criador. Ele atribudo aos estudantes da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), nos anos 60, poca em que o time estava num bom momento. claramente satrico, e

    mostra como os alunos de fora que vieram estudar em Piracicaba viam o sotaque dos moradores da cidade, conta Rui Kleiner, formado em msica pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

    satrico? Claro. Mas, na viso de Kleiner, no tem uma inteno de deboche, de crtica. carinhoso mesmo, tanto que os piracicabanos da gema o assumi-ram e no veem problema nenhum na sua letra jocosa.

    chamado de hino popular do XV. E a popula-ridade aumentou bastante no You Tube, com vrios vdeos, incluindo um com uma dublagem do falecido Michael Jackson. S que, explica Kleiner, nunca foi cantado pela torcida durante uma partida do XV. Por qu? D azar? Nada disso, explica o msico. por-que cada um tem uma letra do hino. No existe uma letra formal, at porque isso ele nunca foi, diz. A c-xara de frfe o primeiro elemento, que no pode faltar, e a partir da cada um tem sua receita. Outro detalhe: no h uma gravao tradicional.

    Dois hinos para o XVzo

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  • Bem diferente do hino oficial, gravado pela primeira vez em 1960, pelo seresteiro Pe-dro Alexandrino. Jorge Chaddad me contou que ele e Anuar Kraide tiveram a ideia de fa-zer um hino para o time nos anos 50, depois de assistirem a um jogo vencido pelo time de Piracicaba. E ter essa msica estava fazendo falta, lembra Kleiner.

    Isso porque o primeiro hino, composto no longnquo ano de 1914, por Pousa Godinho, tinha o ritmo de valsa e j estava totalmente

    anacrnico. O hino foi regravado em 1995, mas Kleiner lembra que na poca o patrocina-dor do time era a companhia area TAM, que at mudou as cores da camisa para vermelho e azul. O presidente, Rolim Amaro, queria mexer na letra, fazendo menes empresa, mas ns demos um jeito, na hora da gravao, de tirar essas mudanas, lembra. Um tpico drible de msico. Agora, a boa notcia que o hino vai receber outra gravao, mais atua-lizada e moderna, segundo Kleiner. O XVzo merece.

    HINO OFICIALAutores: Anuar Kraide e Jorge Chaddad

    Salve o XV de NovembroGlorioso esquadroNa vitria ou na derrotaEst em nosso corao

    No basquete e futebol motivo de vaidadePioneiro da lei do acessoEngrandece nossa cidade

    Vamos XV para a frenteOutra vitria conquistarDestemido e valenteS nos pode orgulhar

    Vamos XV para a frenteOutra vitria conquistarA torcida est presentePara sempre incentivar

    XV! XV! XV!

    HINO POPULAR(Domnio popular)

    Cxara de frfeCspere de griloBcaro de patoAsara de barataNhque de porteiraJ que t que fique!

    Suvaco de cobraSem io de brequecros de raibCarcanh de bodeTocera de gramaJ que t que fique!XV, XV, cr, cr, cr!

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    Chefes das torcidas equilibram paixo e diplomacia

    Por Ronaldo Victoria Fotos: Alessandro Maschio

    O segurana bancrio Antonio Carlos Leite, o Carlinhos, 42, enfrentou preconceito quando criou sua torcida uniformizada do XV. O es-tudante Felipe Jorge Dario, 26, o Gema (por causa de um inseparvel bon amarelo que usava na adolescn-cia), no conseguiu se formar na faculdade de biocom-bustveis: que as aulas de fsica aconteciam s quartas--feiras noite, e ele preferiu no faltar aos jogos do XV. O professor Ivan Oriani, 34, j se acostumou a perder algumas datas especiais por causa das partidas.

    Eles tm algo em comum: nem se fala da paixo pelo XV, mais que evidente, mas que so presidentes de trs das mais representativas torcidas do clube. Car-linhos comanda a AR (Amor Real) XV, desde 2005, mesmo ano em que foi criada a Esquadro, hoje co-mandada por Gema. A Super Raa Quinzista mais antiga, vem de 1997, presidida por Oriani.

    Carlinhos conta que enfrentou uma barra logo ao divulgar, em 2005 (o time estava na terceira diviso), o nome da nova torcida. Foi muito polmico. Na poca

    Quinzistas organizados

    Gema, Carlinhos e Ivan: chefes das torcidas organizadas do Nh Quim

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  • A Torcida do XV uma das mais apaixonadas

    do Brasil

    Drywall | Sancas | Molduras | Gesso Acartonado | Revestimentos | Decoraes em Gesso

    ONDE A ARTE TOMA FORMA

    piragesso.com.br

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    idei

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  • teve muito preconceito e encaramos umas crticas mui-to ruins. Diziam que a gente estava fazendo apologia ao crime (AR-15 o nome de uma carabina, muito usada pelo crime organizado no Brasil). Foi difcil, mas resol-vemos dar a cara pra bater, conta.

    No comeo a torcida, como ele diz, cabia numa van, pois tinha apenas nove pessoas que se reuniam num bar da rua Silva Jardim esquina com a So Jos. Hoje a AR XV j vendeu mais de 15 mil camisetas e en-volve aproximadamente 250 pessoas. Mas o presidente tem de estar atento a tudo, tem de saber tudo o que acontece. Isso toma muito tempo da gente. A famlia reclama um pouco, mas entende, afirma Carlinhos, que casado com Roseneide e, h um ms, tornou-se pai de Joo Pedro.

    Ele explica que muitas vezes cabe ao presidente da torcida fazer o papel de colocar panos quentes quan-do acontece algum desentendimento no estdio. Isso comum de acontecer porque o torcedor movido pela emoo e, geralmente, pessimista ou desconfiado, e qualquer coisa pode causar uma briga. Voc tem de ter mo firme, tem de ser um diplomata tambm e contar com o respeito da torcida, ensina.

    Carlinhos j apartou briga (a ltima vez aconteceu no ano passado, em Penpolis), j se revoltou contra erros (intencionais ou no de arbitragem), j ficou um tempo em nibus, tudo por causa do XV. Mas acho que a maior loucura que fiz pelo meu time foi viajar no Dia dos Pais, Dia das Mes, Dia dos Namorados. um amor grande, que comeou quando eu tinha seis anos e meu pai me levou para ver um jogo no Baro. E continua at hoje.

    Gente jovemGema est na presidncia da Esquadro desde os 19

    anos. Mas integrante desde os 15, quando o grupo foi fundado. Alis, a Esquadro conhecida por ser a torcida de menor faixa etria, de uma rapaziada com idade mdia de 20 anos. sim uma torcida jovem e a mais complicado ainda porque a maior parte dos jovens no tem muitas oportunidades de lazer, explica Gema, lembrando que a Esquadro tem 270 scios.

    A torcida, que tem registro em cartrio desde 2008, hoje conta com uma sede que fica na rua So Jos (duas quadras abaixo do Baro de Serra Negra), mas preten-de conseguir um espao maior para realizar oficinas de percusso com seus scios. Eu tenho essa preocupao em fazer algo diferente, porque sei, e sinto na pele, que ainda existe preconceito contra torcida organizada. Mas s que no adianta se fazer de vtima: as organizadas que criaram essa imagem, ressalta.

    Por isso mesmo, acha fundamental fazer o papel de conciliador. Eu tento o tempo todo me controlar, mes-mo tendo o temperamento apaixonado. Eu tenho de me segurar, e sempre tento no partir para o confronto. Mas as torcidas do XV no tm essa tradio de violn-cia e para onde vamos somos bem recebidos, afirma.

    Gente tranquilaIvan Oriani foi um dos fundadores da Super Raa

    Quinzista, junto com Mateus Bonazzi, que comeou como presidente, e mais um grupo de amigos. Mas a partir de 2004 ele assumiu a presidncia. algo de grande responsabilidade, principalmente por causa da segurana. A sorte que a nossa torcida tranquila. Mas tudo vai de acordo com a cabea do presidente. Se ele no consegue segurar a torcida, a coisa desencami-nha, explica.

    Para Ivan, o presidente tambm um administra-dor de conflitos e, quanto maior a torcida, maior tam-bm a sua responsabilidade. Alis, hoje ele classifica a Super Raa Quinzista como um grupo de amigos que se encontram todos os jogos do XV e inclui no mximo 40 pessoas. Ficou mais light tambm, porque com o tempo, vamos nos dedicando mais famlia e ao tra-balho, embora o amor ao time no tenha diminudo.

    Tanto que costuma ir a todos os jogos, vai a outras cidades (mas agora de van e no mais de nibus) ou pega carona com as outras duas grandes torcidas, com quem garante manter um timo relacionamento. Em todos esses anos, ns nos acostumamos a sofrer. Torce-mos tanto na 1, quanto na 2 ou na 3 diviso. S que o XV parece ser um time diferente. Porque quanto mais sofre, mais a torcida vem aumentando.

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  • Camiseta feminina: R$ 80

    Caneca em cermica:

    R$ 55

    Squeeze: R$ 22

    Camiseta oficial: R$ 130

    Chaveiro: R$ 15

    XV ManiaO XV de Piracicaba tem uma loja prpria localizada no Estdio Baro de Ser-ra Negra h um ano. Na Loja do XV h quase 100 itens com a logomarca do alvinegro. Segundo o diretor de marketing, Romolo Angelocci Fillho, em breve a nica unidade trocar de nome e passar a se chamar XV Mania. Tambm est no projeto a abertura de um quiosque no Shopping Piracicaba e um endereo eletrnico para vendas virtuais. Os produtos tambm so comercializados na tradicional Festa das Naes. O lucro conseguido com a loja revertido para a manuteno do clube e para o estoque e marketing. A loja fica aberta de segun-da a sexta-feira, das 9h s 18h, aos sbados das 9h s 12h e, nos dias de jogos no Baro, abre at o incio da partida.

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    Copo em vidro: R$ 15

    Porta-culos: R$ 12

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    Fernando Marcos [email protected]

    Esta uma pergunta que muitos sndicos e mo-radores de condomnios se fazem a todo mo-mento. Com o crescimento no consumo de drogas graas imputabilidade do usurio, pertinente a novas leis, este fato vem causando muitos transtor-nos aos moradores e sndicos de condomnios.

    Como se sabe, usar, manter guardados, trazer consigo produtos entorpecentes , sim, crime, deven-do tal ato ser de qualquer maneira denunciado pelos moradores do condomnio, sendo este ocorrido em meio a rea til ou ainda em dependncia restrita da moradia do usurio.

    Muitos edifcios no possuem janelas nos banhei-ros, utilizando-se de dutos que passam pelos aparta-mentos, ou seja, quem fuma cigarros, maconha e ou-tros produtos similares, em tese incomoda o vizinho, que no obrigado a sentir o cheiro em momento algum.

    Se voc passa por este incmodo, o primeiro passo conversar com seu sndico e solicitar a ele que entre em contato com o proprietrio do apartamento do qual o odor exalado, informando que medidas po-dem ser tomadas contra ele, como multas e outros.

    Alguns juristas da rea imobiliria no acreditam que seja necessria a incluso ou alterao do regi-mento para a informao de proibio do uso de dro-gas ser acrescentada, pelo simples fato de existir uma lei federal que determina a criminalizao do evento.

    No meu entendimento, bom seria ter, sim, na conveno condominial e no regimento, clusulas es-pecficas sobre o uso de drogas, para que passe a ser motivo de multa e at outras penalidades mais severas ao usurio, mantendo assim a ordem e o bom costu-me dos condomnios.

    Mas, e se o usurio no parar de fumar maconha ou qualquer droga cujo cheiro chegue ao meu aparta-

    mento? Simples, voc no precisa de identificar, ape-nas ligue 181 da Polcia Civil e conte a histria para o atendente que, com certeza, ir tomar as devidas pro-vidncias como informar a Polcia Civil de sua cidade, bem como a Polcia Militar. A a investigao sobre o usurio ir comear.

    Como sabemos, o uso de drogas acaba acarre-tando outros problemas quando est muito perto de voc, como instigar as crianas, muitas vezes levando estas a quererem experimentar, roubos em condom-nios onde existem vrias torres, alm de crimes de pe-quena monta at crimes mais perigosos.

    Enfim, devo ento comunicar as autoridades poli-ciais? Sim, claro, fazendo isso, todos poderemos evitar o mal maior e o crescimento exagerado do consumo dessas substncias.

    Fernando Marcos Colonnese advogado, especializado pela FGV em direito imobilirio, e em meio smbiente, pela ESA -SO PAULO.

    DROGAS NO MEU CONDOMNIO:O QUE FAZER?

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  • Malhaono Araguaia

    Pague R$ 400 e seja scio vitalcio de uma academia com dez aparelhos para usar a qualquer hora do dia. E ainda mais: essa estrutura climatizada estar na sua casa. Tanta comodidade a um preo to convidativo no to utpico quanto parece. No Condomnio Edifcio Ara-guaia, no Centro, isso realidade.

    Um espao de 18 metros quadrados em rea comum do prdio, pouco utilizado, sofreu uma grande transformao. No local havia apenas uma mesa de carteado que no foi abolida, apenas trocada de lugar. O espao recebeu aparelhos de ginstica como esteira, estao de musculao, bicicleta ergomtrica horizontal e elptico.

    Toda a compra custou R$ 22 mil, divididos entre os moradores dentro de um projeto bem discutido. A ideia surgiu aps uma consulta virtual aos condminos dos 58 apartamentos sobre o melhor aproveitamento do espao co-mum do prdio. E desse procedimento apresentou-se uma proposta para uma academia. Mesmo alguns que resistiram ao investimento, hoje aproveitam a nova instalao, conta o sndico do Araguaia, Juscelino Rodrigues Mono Neto.

    Para o uso do espao no Araguaia, a administrao ado-tou as seguintes regras: ter no mnimo dez anos de idade e apresentar um atestado mdico indicando aptido para a prtica. Tambm aconselhamos os condminos a ter o acompanhamento de um profissional de educao fsica, afirma o sndico.

    BenefciosIdico Luiz Pellegrinotti, doutor em anatomia humana

    pela Unesp (Universidade Estadual Paulista Jlio de Mes-quita Filho)-Botucatu e professor pesquisador do curso de mestrado em educao fsica da Unimep (Universidade Me-todista de Piracicaba) na rea de performance humana na sade e esportes, destaca que, bem amparado, o praticante de exerccios beneficiado com transformao das funes

    orgnicas e, tambm, nos aspectos psicossociais.

    Para no errar e prejudicar seu desempenho, o especia-lista d dicas relevantes que devem ser levadas em conta. Ele comea pelos aparelhos de musculao e a importncia de observar a postura para que outras regies do corpo no este-jam desequilibradas. Tambm h cargas que no permitem a execuo de mais do que dez movimentos, quando o ideal seria executar esses exerccios empregando ritmo constante e com mais de dez repeties.

    Ainda com relao musculao, Pellegrinotti destaca que os exerccios devem ser empregados observando-se al-ternncias de grupos musculares. Sem a orientao de um profissional, a chance de sobrecarregar grupos musculares comum. Isso pode dificultar que se atinja os objetivos est-ticos desejados.

    Outra observao importante do especialista diz res-peito sequncia habitual no seu momento academia. Ele aponta que os exerccios devem obedecer a uma lgica: pri-meiro os membros superiores, depois membros inferiores e para o tronco.

    Entendendo que srie igual ao nmero de vezes que se faz o mesmo exerccio e, repeties, o nmero de movimen-tos do exerccio, o professor sugere a seguinte organizao: uma srie de exerccio para a face anterior do brao, com 12 repeties; uma srie para a face posterior da coxa; e uma srie para abdome. Essa ao considerada uma srie para cada face. Nessa direo, sempre escolhendo as faces, n-mero de sries e repeties e, aplicando as alternncias, os exerccios so mais seguros.

    Mesmo conhecendo recomendaes de grandes profis-sionais e estudiosos, o professor Pellegrinotti diz ser impor-tante ter o acompanhamento de um profissional para fazer, por pelo menos uma vez por ms, avaliaes e organizar sries de atividades para cada objetivo, tais como emagreci-mento e tonificao da massa muscular .

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    Condomnio na rea central transforma sala de 18 metros quadrados em academia

    Por Cristiane Bonin | Foto: Alessandro Maschio

    A academia do Araguaia recebeu investimento de

    R$ 22 mil

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  • Goleada na telaJ disseram que futebol e cinema no combinam. Ser? O fato que demorou para o esporte ganhar um espao maior entre as produes de cinema. Mas h bons fil-mes e com personagens interessantes, tanto no campo quanto nas arquibancadas.

    Maldito Futebol Clube (Inglaterra, 2009) Conta a histria do famoso treinador Brian Clough (Michael Sheen) e sua meterica pas-sagem pelo comando do Leeds United. Durou 44 dias, por causa de seu gnio de co.

    Fuga para a Vitria (Estados Unidos, 1981)Na Segunda Guerra, chefes nazistas criam evento de propaganda em que enfrentam, no futebol, um time de prisioneiros. Pel foi ator ao lado de Sylvester Stallone e Michael Caine.

    O Casamento de Romeu e Julieta (Brasil, 2005) A comdia conta que o amor de Romeu (Marco Ricca) por Julieta (Luana Piovani) corre um srio risco. Motivo: a famlia inteira dela palmeirense fantica e ele corintiano roxo.

    Boleiros Era uma Vez o Futebol (Brasil, 1998)O filme de Ugo Giorgetti uma homenagem nostl-gica ao futebol. Mostra velhos amigos que se renem num bar e lembram histrias do tempo em que o es-porte era mais romntico.

    Por Ronaldo [email protected]

    Gol! O Sonho Impossvel (Estados Unidos, 2005)Santiago (Kuno Becker) um imigrante me-xicano nos Estados Unidos. Trabalha em v-rios empregos, mas seu sonho ser jogador de futebol. At que aparece a chance de atuar na Inglaterra.

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  • Cuidados com a beleza

    Aos 10 anos: a idade da pele perfeita. No es-quea de usar filtro solar quando for praia ou piscina. Ele deve ser sem leo porque, nesta ida-de, produtos cremosos podem causar cravos e espinhas. hora tambm de ficar atento s dermatoses. Procurar sempre um profissional de confiana para avaliar.

    Aos 15 anos: Nesta fase h aumento de oleosida-de e o aparecimento de espinhas e cravos, que podem inflamar. Se for este o caso, lave o rosto com sabone-te especial para acne pela manh e noite. Nunca use hidratantes em creme ou outros produtos que possam conter leo. E ainda podem ser iniciados tratamentos com cidos especficos. O protetor solar nesta fase tem que ser especfico.

    Aos 20 anos: As flutuaes da adolescncia esto mais estveis. A pele ainda pode ser oleosa. Se tiver acne ainda no tratada, corra para o seu mdico de confian-a. Nunca mexa nas espinhas, nem deixe que mexam. Maquilagem, s sem leo. P compacto pode piorar as espinhas. P solto livre. Seu demaquilante o sabone-te, usado antes de dormir. Hora de pensar em eliminar os pelos indesejveis com depilao a laser. Valorize a atividade fsica e a alimentao balanceada.

    Aos 25 anos: J cabe fazer peelings de cristal peri-dicos. Na rotina, o filtro solar dirio passa a ser obriga-trio pela manh e um cido derivado da vitamina A j pode ser usado noite. Inicia-se o uso de hidratante nas plpebras pelo menos noite. Crie o hbito de hidratar as unhas . Nesta fase, no podemos esquecer de cuidar do corpo para no haver o acmulo ou piora da celulite e gordura localizada. Os aparelhos de radio-frequncia e o Power Shape esto muito bem indicados. Sempre acompanhados de atividade fsica.

    Aos 30 anos: Se voc j no tem acne, pode usar pro-dutos mais ricos, mas sempre em loo ou gel. A rotina de cuidados com a pele pode contar com produtos re-generadores pela manh, que do vio e hidratam, alm do filtro solar e do cido noite. O filtro solar pode ter pigmento que mimetize o bronzeado. Alm dos pe-elings de cristal, voc j pode iniciar a radiofrequncia, que retarda a flacidez e que ser usada uma vez por ano. A toxina botulnica preventiva semestral. Os cuidados corporais precisam ser mantidos.

    Aos 40 anos: Os cremes passam a ser mais densos noite. O filtro solar matinal se mantm muito leve, mas poderoso e pode ser enriquecido com antioxidantes que diminuem a velocidade de envelhecimento da pele. A radiofrequncia se mantm anual e a toxina botulnica semestral. Tratamentos com luz pulsada fecham vasi-nhos que possam estar mais aparentes e eliminam man-chas de sol, se voc no as preveniu no passado. Comece a usar o bimatoprost, produto que aumenta os clios e as sobrancelhas, corrigindo suas falhas. Aqui os cuidados corporais tm que ser intensificados. Vale a pena tam-bm iniciar o uso de nutracuticos.

    Aos 50 anos e depois: A radiofrequncia cresce em importncia e passa a ser semestral para diminuir a flaci-dez da face, pescoo e plpebras. Na rotina de cuidados com a pele, a ordem uniformizar a cor, diminuir rugui-nhas e aumentar o vio. Sulcos podem ser amenizados com cido hialurnico, que preenche mantendo a natu-ralidade e deve ser repetido anualmente. Ruguinhas pe-riorais (em torno dos lbios), conhecidas como cdigo de barras, so corrigidas com laser fracionado e toxina botulnica. Nos cabelos, tratamentos que aumentem o volume e o dimetro do fio j podem ser reforados com medicaes que atuem no couro cabeludo com este fim. Consulte seu mdico regularmente, pelo menos a cada seis meses.

    Alessandra Nalin (CRM 86055) mdica especializada em medicina esttica. Contato: (19) 3432-8136

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    asCuidado e ateno com a pele e a sade em geral garantem uma aparncia mais jovem e bonita Por Alessandra Nalin

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  • Acolhimento a palavra de ordem na Casa do Bom Menino. Em seus 50 anos de histria, a entidade, que nasceu para dar ateno espe-cial s crianas em situao de rua na regio central de Piracicaba, cresceu e profissionalizou-se na dedicao s pequenas vtimas de agresses, abandono ou abuso no ambiente familiar. No atendemos menores in-fratores. Na verdade, todos eles so vtimas, salienta o presidente da Casa do Bom Menino, Guilherme Monaco de Mello.

    A evoluo do atendimento na Casa do Bom Me-nino passou pela diviso de pblico conforme idade e sexo. Os jovens do sexo masculino e com idade entre 12 e 18 anos so acolhidos na Casa do Bom Menino. Na Casa Raquel, ficam as jovens adolescentes na mes-ma faixa etria. O Centro Educacional Infantil recebe as crianas com at 12 anos de idade.

    So 60 pessoas acolhidas, entre crianas e ado-lescentes, e cada casa atende 20 deles. Todos chegam entidade por meio do Poder Judicirio porque tive-ram, de alguma forma, seus direitos violados, con-ta o presidente da casa. Para atender demanda, a instituio tem um quadro de 48 funcionrios entre psiclogo, assistente social, educador, nutricionista, cozinheiro e pessoal do departamento administrativo.

    Estudar outra palavra de ordem na Casa do Bom Menino. Todos, crianas e jovens, esto matriculados nas escolas pblicas de Piracicaba municipais ou estaduais e participam das atividades da administra-o pblica, entidades piracicabanas e das realizadas por voluntrios. No fim do ano passado, durante as frias, a entidade participou das aes organizadas pela prefeitura no antigo Palmeiro. No ano ante-rior, eles participaram das frias no Sesi.

    Bom MeninoEntidade completa 50 anos e atende 60 crianas

    e adolescentes de zero a 18 anos

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    Por Cristiane Bonin Foto: Alessandro Maschio

    Projeto Prola proporciona aulas

    de informtica e cidadania

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  • Muito alm das rotinas dirias, o presidente da entidade destaca que frequentar a escola condio fundamental para poder integrar as demais atividades do grupo. A evaso escolar era nosso principal pro-blema. Hoje todos esto estudando e oferecemos tambm reforo escolar na entidade, informa Guilherme de Mello.

    INDIVIDUALIZAOA atual gesto da entidade est

    na direo desde 2009. De l para c muitas mudanas aconteceram na Casa do Bom Menino. A partir da implantao de um projeto poltico-pedaggico, o atendimento foi humanizado e cada criana passou a ter seu histrico individual.

    a primeira vez que a entidade teve um projeto nesses moldes e, tambm, pela primeira vez, cada pessoa acolhida tem sua ficha indi-vidualizada. Agora, o tratamento acontece de maneira particular e cada histria recebe os cui-dados necessrios, relata o presidente.

    A adoo tardia outro assunto tratado com profissionalismo pela gesto atual. Como difcil acontecer a adoo dos jovens, a pre-parao para o mercado de trabalho tem um foco muito especial no sentido de dar projeo de futuro na vida desses adolescentes. As duas principais frentes so o Projeto Prola aulas de informtica e cidadania , implantado des-de o final de 2011, e a parceria com empresas

    locais para estgio dentro do programa Menor Apren-diz.

    Aps colocar a casa e