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  • 1VIVER a melhor opo

  • 3VIVER a melhor opo

  • 5VIVER a melhor opo

  • Catalogao elaborada na editora

    Trigueiro, Andr, 1966- Viver a melhor opo : a preveno do suicdio no Brasil e no mundo / Andr Trigueiro. 3 ed., 1 reimp., rev. So Bernardo do Campo, SP : Correio Fraterno, 2017. 192 p. ; 16x23cm

    ISBN 978-85-98563-85-5

    1. Suicdio. 2. Sade pblica. 3. Sade mental. 4. Problemas sociais.5. Espiritismo. 6. Depresso. 7. lcool. 8. Drogas. I. Ttulo.

    CDD 616.8584 / 133.9

    2015 Andr Trigueiro Mendes

    Editora Esprita Correio FraternoAv. Humberto de Alencar Castelo Branco, 2955 CEP 09851-000 So Bernardo do Campo SPTelefone: 11 4109-2939correiofraterno@correiofraterno.com.brwww.correiofraterno.com.br

    Vinculada ao www.laremmanuel.org.br

    3 edio 1 reimpresso, revista Maro de 2017Do 35.001 ao 40.000 exemplar

    A reproduo parcial ou total desta obra, por qualquer meio,somente ser permitida com a autorizao por escrito da editora.(Lei n 9.610 de 19.02.1998)

    Impresso no BrasilPresita en Brazilo Printed in Brazil

    Coordenao editorialCristian Fernandes

    PreParao de textoEliana Haddad e Izabel Vitusso

    CaPa, Projeto grfiCo e editoraoAndr Stenico

  • 7VIVER a melhor opo

    Sumrio

    Introduo ...........................................9

    1 Os nmeros falam por si..............15

    2 Um tabu ......................................39

    3 Por qu? .......................................59

    4 Fatores de risco............................67

    5 Preveno na prtica ...................99

    6 Com a palavra, o especialista ....125

    7 A viso esprita ..........................145

  • um TABu

  • 41VIVER a melhor opo

    um TABu

    Tabu: escrpulo aparentemente

    injustificado, sem fundamento ou

    imotivado.

    Dicionrio Houaiss da Lngua

    Portuguesa, 2001

    Efeito domin

    bastante Provvel que a maior parte das informaes expos-

    tas at aqui seja desconhecida pela maioria das pessoas, mesmo

    daquelas que se julgam bem informadas. Pelo menos era para

    mim, quando as acessei pela primeira vez. Me senti at incomo-

    dado pelo fato de, sendo jornalista e vivendo no mundo da in-

    formao, ignorar esses dados. Mas h uma explicao para isso.

    O suicdio um tabu, um assunto invisvel, ausente, sobre o

    qual preferimos no falar. Nem os nmeros oficiais mostrados

    anteriormente parecem ter fora suficiente para modificar esse

    2

  • A n d r Tr i g u e i r o42

    Na rea da sade, preveno se faz com informao. Isso tambm vale para suicdio

    quadro. Apesar da gra-

    vidade da situao e dos

    incalculveis transtornos

    causados pelo elevado n-

    mero de casos, o suicdio

    est fora do radar dos go-

    vernos e da sociedade. No

    sequer lembrado como questo relevante na rea da sade

    pblica pelas mdias. Sem informao, a sociedade no o reco-

    nhece como um problema, no mobiliza esforos e nem consa-

    gra tempo e energia para tentar reduzi-lo.

    preciso quebrar esse crculo vicioso. No ser possvel reverter

    as estatsticas de suicdio no Brasil e no mundo sem informao.

    Na rea de sade, preveno se faz com informao. O que

    vale para dengue, aids, hansenase, cncer de mama, hiperten-

    so, tabagismo, doenas cardiovasculares e tantas outras mor-

    bidades vale tambm para suicdio.

    No fcil quebrar esse estigma e h muito trabalho pela

    frente para tentar romper a muralha do silncio.

    H um jeito certo de falar sobre suicdio, dizem os estu-

    diosos. Construiu-se ao longo do tempo a certeza e h farto

    material de pesquisa sobre isso de que qualquer abordagem

    menos cuidadosa do assunto na literatura, no cinema, no jorna-

    lismo ou em qualquer outro meio de comunicao (e at mes-

    mo nas relaes interpessoais) poder precipitar a ocorrncia de

    novos casos em pessoas vulnerveis que estejam passando por

  • 43VIVER a melhor opo

    um momento difcil psquica, emocional ou existencialmente.

    Os precedentes viriam de longe. No campo da literatura,

    a descrio do suicdio dos personagens principais de Romeu

    e Julieta (1597), de William Shakespeare, teria desencadeado

    situaes semelhantes.

    Mas a primeira evidncia disso ocorreu posteriormente, no

    sculo 18, por conta da obra de sucesso do escritor alemo Jo-

    han W. Von Goethe, As amarguras do jovem Werther, escrito em

    1774. Nesse romance, o personagem principal, desiludido amo-

    rosamente, no final da histria resolve se matar com um tiro na

    cabea. Vivia-se o auge do perodo histrico conhecido nas ar-

    tes como Romantismo. Aps a divulgao dessa obra, verificou-

    se que muitos jovens, desiludidos amorosamente, escolheram

    o mesmo mtodo descrito por Goethe para se matar. O autor

    chegou a ser acusado de assassinato e exemplares de seu livro

    foram retirados preventivamente de circulao.

    D-se a esse fenmeno o nome de mimetismo, ou efeito

    Werther, processo que serve de inspirao para a repetio do

    ato, que atinge principalmente adolescentes e jovens.

    Na histria moderna, a notcia da morte de Marilyn Monroe,

    reportada na poca como suicdio embora nunca tenha sido

    provado , teria determinado a elevao da taxa de mortalida-

    de por autoextermnio nos Estados Unidos em 12% no ms de

    agosto de 1962, com 303 casos acima da mdia histrica para o

    perodo, entre outros exemplos registrados pelo mundo.16

    No se trata de censurar o suicdio nas artes ou no jorna-

    16. Embora no haja ainda dados estatsticos que indiquem mudanas nas taxas de suicdio nos Estados Unidos a partir da morte de Robin Williams (que se matou em 11/08/2014), o ator americano foi o assunto mais citado no Google em 2014, superando a Copa do Mundo no Brasil e o vrus ebola.

  • A n d r Tr i g u e i r o44

    lismo. No isso que defendem os suicidologistas, mas sim a

    abordagem tica, cuidadosa e responsvel do tema. A diferena

    entre seguir as recomendaes dos especialistas e ignor-las ,

    em alguns casos, a mesma que separa a vida da morte.

    O papel das mdias

    de todos os casos de sade pblica no Brasil, o suicdio cer-

    tamente aquele que menos espao ocupa nas mdias (televiso,

    rdio, jornal, revista, sites, redes sociais etc.). Na maioria absoluta

    dos veculos de comunicao, prevalece o entendimento de que

    as notcias sobre suicdio podem precipitar a ocorrncia de novos

    casos. Por conta disso, em boa parte das mdias, nada se diz, nada

    se fala, nada se comenta. Na prtica, como se no houvesse

    suicdios no Brasil e no mundo. Em nome da prudncia, elimina-

    se o assunto do noticirio. Ser essa a melhor estratgia? Para os

    suicidologistas, a resposta definitivamente no.

    Para os gestores que atuam na rea de sade pblica, a

    parceria com as mdias estratgica. indispensvel a parti-

    cipao dos veculos (de maior ou menor porte) na dissemi-

    nao de informaes teis para a preveno, tratamento ou

    cura de doenas e problemas que afligem o pas. Para que o

    maior nmero possvel de brasileiros entenda os benefcios do

    aleitamento materno, dos exames preventivos, da vacinao

    infantil, ou se mobilize fazendo a sua parte nas campanhas

  • 45VIVER a melhor opo

    contra os mais variados tipos de doena, preciso o apoio

    das diferentes mdias. Com a preveno do suicdio no pode

    ser diferente.

    Especificamente no jornalismo, a omisso deliberada de da-

    dos e estatsticas oficiais sobre suicdio; a supresso de pautas

    relativas ao problema; o veto premeditado a reportagens es-

    peciais que aprofundem a compreenso do fenmeno do sui-

    cdio no Brasil; a indiferena ao trabalho realizado por pessoas

    e instituies que militam em favor do apoio emocional e da

    preveno ao suicdio tudo isso poderia ser considerado um

    desservio ao pas.

    Essa postura excessivamente cautelosa desmobiliza um apa-

    rato que a sociedade s teria condies de acionar se devida-

    mente informada e conscientizada a respeito do problema do

    suicdio no pas. O silncio em torno do assunto alimenta a pas-

    sividade, quando o momento deveria ser de ao. A questo

    fundamental : sendo um problema de sade pblica, fato des-

    conhecido da maioria dos brasileiros, como o assunto suicdio

    deveria ser tratado pelas mdias?

    Em 1996, a Organizao

    Mundial da Sade deu a

    largada para o monitora-

    mento dos suicdios e das

    tentativas de suicdio entre

    jovens, e chamou a aten-

    o para a necessidade de

    O silncio em torno do assunto alimenta

    a passividade, quando o momento deveria ser de ao

  • A n d r Tr i g u e i r o46

    se instituir polticas pblicas de proteo e medidas de preven-

    o para distintos grupos da populao. Parecia prever um cen-

    rio de muitas dificuldades, se no houvesse uma ampla mobili-

    zao da sociedade. Era preciso fazer alguma coisa, e no apenas

    no mbito da OMS. Alcanar a sociedade, sensibilizar a opinio

    pblica e envolver os formadores de opinio.

    Foi nesse contexto que surgiu anos depois (2000) o documen-

    to Prevenir o suicdio: um guia para os profissionais da mdia,17 pro-

    duzido por especialistas ligados Organizao Mundial de Sa-

    de, como parte do Supre (Suicide Prevention Program).18

    A orientao mais importante dirigida aos jornalistas e co-

    municadores neste guia resumida na seguinte frase:

    Noticiar acerca do suicdio de uma f