lindenberg & life edição 43

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Confira na edição 43, da revista Lindenberg, matérias sobre O Vermelho, e muitas outras variedades

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    vermelhoComo as rosas, as pimentas e as paixes

    Anncio 4 capa

  • Anncio 2 CAPA/PAG 1PAGINA DUPLA

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    A lder mundial em pisos de madeira tropical tem muito que comemorar.Afinal, so 42 anos de histria e 30 de atuao pelo mundo.Quem tem Indusparquet tem madeira de verdade e o melhordo design, com ampla linha de produtos.Com rigoroso processo de qualidade e compromisso ambiental,a Indusparquet escolheu fazer parte do melhor: sua vida.

    Nova Loja: Moema Av. Repblica do Lbano, 2248 11 5052.0767 | 5052. 0793Shopping D&D Loja 242 - Piso Trreo 11 3043.9238

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    Alphaville Calada das Orqudeas, 102 C 11 4195.4739

    ABC Av. Portugal, 1477, Santo Andr 11 4334.1890

    Showroom Rua Jos Peres Campelo, 30 Piqueri 11 3990.2600

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    O vermelho do ponto de vista da arte, do cinema, do urbanismo, do romantismo

    O vermelho foi a cor escolhida para ser o tema dessa edio de final de ano da revista Lindenberg. Por que o vermelho? Primria, de personalidade forte, a cor da concha, smbolo da nossa construtora e incorporadora. Essa deciso foi pensada por seus muitos significados e interpretaes, muitas vezes con-

    traditrios. A graa do vermelho est, justamente, na possibilidade dos duplos significados.

    O vermelho pode ser alegre como o nariz de um palhao, romntico como um buqu de rosas, e como escreve Roberto Taddei, no texto Tela Rubra, quem no se lembra de Richard Gere subindo as escadas de incndio do prdio de Julia Roberts, em Uma Linda Mulher? Nessa matria, o jornalista trata dos mltiplos significados do vermelho imortalizado no cinema, falando desde sua presena no balo que persegue o menino pelas ruas da cida-de, no francs Ballon Rouge at as cores da guerra em Apocalypse Now ou Alm da Linha Vermelha. O fotgrado J.R. Duran, um dos mais badalados fotgrafos de moda do Pas, empresta seu olhar apurado para o texto Domenica Rossa, onde percebe a fora do verme-lho do chapu da garota, na tela do holands Vermeer e segue com lembranas juvenis de quando leu O Vermelho e o Negro, de Stendhal.

    Se So Paulo uma cidade cinza, afirmao combatida pelo nosso entrevistado, Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie e por Rosilene Fontes, em Poticas Urbanas, mostramos exemplos de cidades que usam generosamente as cores em suas casas e bairros, emprestando alegria para elas. Falamos da extica ndia e da pungncia da pimenta, ambas vermelhas por sua prpria natureza.

    Diana Vreeland, uma das maiores jornalistas de moda dos Estados Unidos, foi fotografada em um cenrio vermelho, e cita a frase: No consigo me imaginar entediada com o verme-lho como cansar da pessoa amada. Ns acreditamos nisso. Um ano-novo repleto de cor.

    Adolpho Lindenberg Filho e Flvio Buazar

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    06 Notas14 Bairro Santo Amaro Cresce e aparece20 Entrevista Valter Caldana fala sobre So Paulo 24 Urbano A cor na arquitetura30 Poticas urbanas As cidades e suas cores32 Ensaio Pura poesia38 Filosofia A revoluo dos sentidos40 Um outro olhar A arte de Cildo Meirelles46 Primeira pessoa O fotgrafo J.R. Duran em texto 48 Arte O vermelho imortalizado no cinema56 teis Leve o vermelho para a mesa62 Personna Com a cidade aos ps68 Cozinha Pungente pimenta70 Qualidade de vida Onde mora o amor?72 Turismo ndia, misteriosa, extica e colorida78 Roteiro Andar um luxo 82 Filantropia Trs dicas para a doao de fim de ano84 Sociedade Adote um quarto86 Vendo um Lindenberg 88 Em obras

    Nossa Capa

    RosasAcervo stock.xchang

    uma publicao da Construtora Adolpho Lindenberg.

    Ano 10, nmero 43, 2012

    Conselho Editorial Adolpho Lindenberg Filho,

    Flvio Buazar, Ricardo Jardim, Rosilene Fontes, Eliane Mendes

    Marketing Eliane Mendes

    Direo de arte Lili Tedde

    Editora-chefe Mai Mendona

    Colaboradores Adriana Brito, Camile Comandini,

    Felipe Reis, Flavio Nogueira, Instituto Azzi, Joo vila, JR Duran, Judite Scholz, Juliana Saad, Maria Clara

    Vergueiro, Maria Eugnia, Marianne Piemonte, Mauro Marcelo Alves, Patricia Favalle, Roberto Taddei,

    Rosilene Fontes, Valentino Fialdini

    Revisor Claudio Eduardo Nogueira Ramos

    Arte Marcelo Pitel

    Publicidade Cludia Campos, tel. (11) 3041.2775cel. (11) 9910.4427

    [email protected]

    Grfica Pancrom

    Lindenberg no se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas que no constam do expediente da revista no tm

    autorizao para falar em nome de Lindenberg ou retirar

    qualquer tipo de material para produo de editorial caso no

    tenham em seu poder uma carta atualizada e datada, em papel timbrado, assinada por pessoa

    que conste do expediente.

    LindenbergR. Joaquim Floriano, 466, Bloco C,

    2 andar, So Paulo, SP, tel. 3041-5620 www.lindenberg.com.br

    Jornalista ResponsvelMai Mendona (Mtb 20.225)

    A tiragem desta edio de 10.000 exemplares foi auditada por PwC.

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    ErramosNa seo Notas da edio 42, o endereo de onde encontrar a cadeira Egg no foi publicado: ela est na Le Design, ledesign.com.brA matria Barcelona Gulosa de autoria de Mauro Marcelo Alves. Nossas desculpas ao jornalistaNa seo teis, Turma da Cozinha, as legendas esto trocadas. A do Bom Dia! a do Ch das Cinco; a da Hora do Almoo do Bom dia!; e a do Ch das Cinco da Hora do Almoo. Que os leitores nos perdoem

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    Champagne glacO aroma lembra frutas brancas como o pssego e a pera, o gosto suave e ligeiramente doce. O copo parece ser de vinho tinto e no meio das borbulhas pedrinhas de gelo causam estranheza. Champagne com gelo? Sim, e champagne mesmo, com g. Garantido pela tradicional Mot & Chandon. O Mot Ice Imprial foi lanado no ano passado na Cte dAzur, fez um sucesso inesperado no ltimo vero brasileiro, e a empresa avisa que aumentou o estoque para nossas praias e piscinas. Por Juliana Saad

    Dupla em sintoniaEtel Carmona, conhecida pela qualidade do design e da manufatura de mveis de sua autoria, e por parcerias com nomes como Isay Weinfeld e Claudia Moreira Salles, acaba de lanar com o designer Carlos Motta a coleo Etel, de cadeiras e poltronas. Desenvolvemos ao longo dos anos o mesmo tipo de trabalho, sempre preocupados com o design, com a qualidade e com o meio ambiente, explica Etel. Ns nunca fomos

    concorrentes. Ao contrrio. Mas confesso que fiquei enciumado de ver minha cadeira sendo produzida em outro lugar, mas estou feliz de ver as peas sendo feitas com o

    mesmo respeito, emenda Carlos Motta. etelinteriores.com.br

    Brinquedo de adultoUma boa ideia de presente? O jogo A Amante do Capito, feito de madeira teca, com 42 esferas de pau-ferro e madeira castelo, espcies nativas de Cceres, no

    Mato Grosso e certificadas pelo FSC. O objetivo do jogo colocar quatro

    esferas da mesma cor em linha. Reza a lenda que, quando embarcado, o capito ingls James Cook passava horas jogando, da o apelido cunhado pelos marinheiros.teakstore.com.br

    Joia de bengalaErlanger o nome das bengalas criadas pelos designers Fernando Mendes e Roberto Hirth, que receberam um toque especial do joalheiro Antonio Bernardo no apoio. Os modelos? Onda, uma capa de prata sulcada; e Farol, com uma pedra incrustada. Elegantssimas.Tel. (11) 3083-5622

    Cozinhando a bordoPara aqueles que gostam de

    cruzeiros de navio e culinria, um programa imperdvel:

    CulinaryArts, cruzeiros temticos que a SilverSea oferece a bordo de um de seus navios Silver. Uma das sadas est programada para dia 18 de janeiro de 2013, na companhia

    de Dale Gartland, chef executivo do The Lodge, em KauriCliffs do grupo

    Relais &Chteaux. O navio sai de Auckland

    e atraca em Sydney dia 1 de fevereiro de 2013.

    Consulte o menu de destinos e chefes. Por

    Juliana Saadsilversea.com

    A Entreposto Slim uma linha de acessrios para casa desenvolvida com estampas exclusivas da Entreposto. Na loja conceito, que fica no mesmo endereo da Entreposto, voc encontra almofadas, gravuras, abajures, cpulas, acessrios para mesa, papelaria, aromas, mantas e pets, entre outros produtos, que vo fazer a diferena na decorao, alm de excelentes opes para presentear.

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    Formas orgnicasMarcelo Ziliani criou uma

    coleo de cadeiras e mesa em preto e branco para a italiana Casprini e que esto venda,

    com exclusividade, na A lot of. O design da mesa Atatlas foi

    baseada na clssica Saarinen.alotof.com.br

    Joias poticasDesigner de joias das mais conceituadas, Miriam Mamber mostra cinco dcadas de processo criativo no livro Miriam Mamber (editora BE), lanado no comeo de novembro. O livro traz textos da antroploga Lilia Moritz Schwarcz, da historiadora Maria Ceclia Loschiavo dos Santos, apresentao de Miriam Korolkovas e comentrios do arquiteto Paulo Mendes da Rocha somados a belas imagens do trabalho da artista que se autodenomina uma arqueloga do tempo.miriammamber.com.br

    Design com pedigreeA Pea nica fez 25 anos, e para comemorar a designer Sandra Arruda reeditou o evento que

    marcou a abertura da loja: a exposio 7 artistas + 7 cadeiras = a outra exposio. Artistas como Guto

    Lacaz, Gilberto Salvador, Marco Mariutti, Carlos Matuck, Andr Balbi, Claudio Edinger foram

    convidados para imprimir uma nova linguagem cadeira Maestro. O resultado? Vale a pena conferir.

    A Pea nica ficou famosa pela criatividade de seu design, apreciado especialmente por empresas.

    A ltima boa nova a cadeira Vitria, que foi escolhida para fazer parte da decorao de todos os

    quartos do novo Copacabana Palace.pecaunica.com.br

    Sob medidaA Blauss Maison abre suas portas com toda a tradio e bagagem da Loeb. E vai produzir peas nicascomo toalhas de mesa, jogos americanos, guardanapos, desenhados e confeccionados no Brasil, seguindo tcnicas da tecelagem francesa. As peas podem ser personalizados em estampas, bordados e monogramas em vrios tamanhos. blaussmaison.com.br

    Produzida com madeira laminada e revestida com veludo, a cadeira Hans Wegner tem desenho retr

    e um curinga da decorao.ledesign.com.br

    Vida na florestaA beleza e a importncia da Mata Atlntica esto reveladas no livro A Arte do Olhar Mata Atlntica (Metalivros). Uma combinao de fotos artsticas e documentais de Fabio Colombini, e o texto assinado pelo doutor em Ecologia e engenheiro agrnomo Evaristo Eduardo de Miranda, retratam a vida que pulsa na mata que se estende do Nordeste ao Sul do Brasil e precisa ser preservada. O final do livro traz uma surpresa: um texto do fotgrafo sobre seu modo de ver e fotografar a natureza.

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    De profissionalPara famlias extra size, o Refrigerador Profissional Side by Side GE Monogram perfeito. Tem capacidade para 722 litros, painel com dispenser, gavetas com controles climatizados que permitem rpido resfriamento de bebidas e descongelamento de carnes e, o mais prtico, a opo de selecionar temperaturas especficas para alimentos perecveis e umidade na gaveta de vegetais.

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    EmbutidoNo s o design dos fornos

    de embutir da Continental que impressiona. Alm do acabamento de ao

    inox escovado e do design elegante, os fornos eltricos ou a gs tm luz indicadora de aquecimento, timer com desligamento automtico e alarme sonoro para quando

    o prato estiver pronto, iluminao interna para ver o assado e outras coisinhas

    mais. Prtico e bacana.

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    Uma mesa de trs pernas?Mario Bellini inspirou-se na La Rotonda, pea que desenhou para

    a Cassina em 1976, para criar a mesa Pantheon, feita de madeira com inspirao oriental. A estrutura da pea inusitada, visto que tem trs pernas na base.

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    Cartela de coresAlm de prticas, a coleo de cores das batedeiras KitchenAid deixa qualquer um apaixonado.

    Fast dcorSlim Home Decor & Accessories o nome da nova marca de acessrios da Entreposto. Pensada para repaginar a casa de um jeito rpido, fcil e sem altos custos, a coleo toda coordenada e traz jogos americanos, almofadas, mantas, cpulas de abajur, gravuras e at produtos para pets. Abrigada na antiga garagem da Entreposto, a linha Slim est dividida em corners por estampas exclusivas que podem ser casadas entre si.entreposto.com.br

    Anote e proveUm endereo para constar da agenda: Zest Cozinha Criativa, um buf que revisita a gastronomia tpica de festas, eventos e banquetes oferecendo pratos leves, combinaes inusitadas e contemporneas e aposta no conceito finger food, pequeninas pores exticas e saborosas combinadas a bebidas que realam o sabor da iguaria. Quem assina o menu o chef Juliano Cordeiro que tem em seu currculo a cozinha do castelo Biltmore, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos e Daniela Kishimoto, que h mais de 10 anos comandam o buf.cozinhacriativa.com.br

    Para terraosPoltrona de fibra e design feito mo: exclusividade Divanos para outdoor.divanos.com.br

    Cor de calorBuscando inspirao para criar seus tecidos, foi em uma das

    viagens que a equipe de criao da Entreposto decidiu lanar a coleo Mediterrneo. As cores da costa Amalfitana e o

    carbono, turquesa, amarelo (limo siciliano) e verde pistache do o tom. So mais de 40 padronagens, algumas inditas,

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    de tudo, e muitoPrestes a receber duas novas linhas do Metr e um

    empreendimento residencial assinado pela Lindenberg, Santo Amaro entra na lista dos bairros mais completos da cidade

    Por Flavio Nogueira | Fotos FeliPe reis

    AmaroSanto Amaro um bairro que mais se parece com uma cidade. Seus nmeros, tamanhos e histrias so garbosos. Ao desbravar uma rua e outra possvel sentir sua biografia e progresso. Arborizado, o distrito conta com arredores sofisticados, como o Alto da Boa Vista e a Chcara Santo Antnio mix de bairro residencial e comercial que abriga sedes de grandes empresas e indstrias como Bayer, Basf, Philips, Pfizer e a Cmara Americana de Comrcio. Alm de parques como o Severo Gomes e o Clube Hpico. Isso sem falar no leque de entretenimento com as prin-cipais casas de shows de So Paulo, Credicard Hall, HSBC Brasil e o Tea-tro Alfa, com seu cardpio internacional de dana contempornea.

    Cerca de 20 quilmetros quadrados formam a comarca que tem as princi-pais artrias da cidade ao seu redor: Marginal Pinheiros, as avenidas Roque Petroni Junior, Vicente Ro, Washington Lus, Joo Dias, Santo Amaro e a Vereador Jos Diniz. No bastassem essas extenses e localizao estratgica, o bairro ainda est apenas a 20 minutos do Aeroporto de Congonhas e prestes a receber duas importantes linhas de Metr: a Lils, que ligar Santo Amaro Chcara Klabin, e a Ouro, que acoplar o local ao Estdio do Morumbi e ao Aeroporto.

    O monumento erguido pelo artista plstico Julio Guerra,

    em 1963, o bandeirante Borba Gato tem 10 metros

    de altura, feito com pedras brasileiras e vigia o bairro

    Santo

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    Habitada em meados de 1560, quando era conhecida por Aldeia de Jeribatiba, Jos de Anchieta em uma de suas visitas ao povoado percebeu que, devido quantidade de ndios catequizados e colonos instalados, era possvel formar ali uma vila. No entanto, a cons-truo de uma capela era necessria. Sabia-se que l morava um casal de portugueses Joo Paes e sua esposa Suzana Rodrigues, possuidores da imagem de um santo de sua devoo, no caso Santo Amaro. Ao saber da proposta de Anchieta sobre a criao de um povoado, o casal doou a imagem que at hoje, 450 anos depois, est preservada na Igreja da Matriz, no popular Largo 13.

    Com uma velocidade extraordinria, o lugar foi crescendo e comeou a ser ocupado pelos comrcios populares e por imigrantes euro-peus, principalmente alemes e portugueses. J no final do sculo 19, o bairro teve seu primeiro jornal e deu incio construo da

    O verde do Parque Severo Gomese painis que so parte do

    monumento Borba Gato

    Na pgina ao lado, como uma cidade do interior, a Praa Floriano

    Peixoto tem at coreto; o point das compras no

    Shopping Boa Vista; a histria do bairro pode ser conhecida na

    Casa de Cultura e a entrada da seleta hpica de Santo Amaro

    linha frrea, que acarretou outras edificaes, entre elas as primei-ras escolas e hospitais, seguidas de um plano de revitalizao que acompanhasse todo esse desenvolvimento, que, diga-se de passa-gem, no pararam at os dias atuais. A pedagoga aposentada Cleide Alves, 70 anos, vive no bairro desde 1970, ela viu de perto as evolu-es locais. Quando cheguei aqui a Marginal s tinha uma pista. nibus s passava um, ainda havia resqucio de mata, conta.

    Com boas recordaes, dona Cleide diz que ama cada centmetro da Chcara Santo Antnio, afinal, foi l que teve seus filhos e viu seus netos crescerem e at trabalharem. Eu desfruto disso aqui como ningum, gosto de caminhar pelo bairro, ir ao mercado, almoar, tro-car meus livros no sebo e observar o vaivm de pessoas. Sabia que eu vi o primeiro supermercado chegar aqui?, e completa, e se Deus qui-ser vou ver a primeira linha do metr passar na Avenida Santo Amaro.

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    Perspectivas do Brasiliano, Da esquerda para a direita, living da unidade de 63 metros quadrados; terrao da unidade de 51 metros quadrados; piscina com raia de 25 metros e solarium e salo de festas

    A localizao pra l de privilegiada, a edificao estar a poucos minutos de duas estaes do Metr, mercado 24 horas e dezenas de agncias bancrias. esquerda, a Avenida Chucri Zaidan pro-longamento da Avenida Berrini e o mais novo centro financeiro e de negcios da cidade. Abaixo, a praticidade de contar com dois dos melhores shoppings do Brasil e tudo o que eles oferecem em ter-mos de riqueza, consumo, gastronomia e lazer. direita, a Avenida Santo Amaro e a facilidade de uma gama extensa de transportes, juntamente com uma futura estao de metr a poucos metros do apartamento. E, complementando de forma nica, a Avenida Roberto Marinho, que acessa toda a cidade com rapidez e que hoje referencial de localizao atravs da Ponte Estaiada.

    A poucos passos dali fica o melhor do entretenimento da cidade, a Chcara Santo Antnio, Brooklin e seus arredores tm um menu repleto de atraes. As melhores casas de shows da citt esto ali: o Credicard Hall e o HSBC Brasil, com sua programao semanal de espetculos nacionais e internacionais. Para os gourmands de planto restaurantes que agradam aos paladares de gregos e troia-nos esto espalhados por suas ruas. Das melhores churrascarias do pedao, a Fogo de Cho tambm tem uma de suas filiais por l. Gosta de comida vegetariana? O Moinho de Pedra, da chef Tatiana Cardoso, a melhor pedida. Charmoso, o rest oferece uma carta de pratos de dar gua na boca.

    Quem curte o bairro como ningum o diretor de estilo do Grupo Via Veneto, Bruno Minelli, que mora e trabalha nas adjacncias. O mais bacana daqui ter tudo mo, adoro ir ao Hortifruti comer os sushis que eles preparam, fazer compras no Morumbi Shopping e dar aquela corrida no Severo Gomes, revela.

    Mas no s, para os que no gostam de perder tempo em aperfei-oar os conhecimentos o bairro oferece faculdades, universidades e diversas escolas de idiomas do espanhol ao sueco. Academias tambm no faltam, com pacotes e planos para quem s pode se exercitar na hora do almoo. J os que no esculpem o shape em lugares fechados, o Parque Severo Gomes est l com seus 34 mil metros quadrados de rea verde, bosque de amoreiras, trilha, can-teiros de rosas e ainda uma pista de cooper. ou no um lugar agradvel para viver e chamar de seu?

    Perspectiva da elegante torre e a sala de massagem e descanso

    BrasilianoAssim como em toda So Paulo, as transformaes por l no param. Preocupada em oferecer a melhor maneira de morar, sincronizando estilo, design e sofisticao no centro da melhor infraestrutura, a Lindenberg e Lindencorp com parceria com a Eztec prepararam o Brasiliano. Um edifcio residencial torre nica com layout contemporneo, acabamento em altssimo padro e apartamentos de 36 a 65 metros quadrados. Na composio das plantas, cinco opes de espaos esto disponveis.

    A arquitetura, a decorao e o paisagismo, este ltimo assinado por Benedito Abbud, faro toda a diferena. Na construo, por exemplo, a rea de iluminao e de ventilao natural 20% maior do que os projetos convencionais, o que gera economia de energia. A edificao contar com bacias sanitrias dual-flush, um sistema que proporciona significativa moderao de gua. Sem contar a reduo de carga trmica que propicia a conteno de energia na utilizao de ar condicionado que ser implantada.

    Com o padro Lindenberg, o Brasiliano colocar ainda disposi-o dos moradores o Pay Per Use rede de servios que oferece: limpeza diria dos apartamentos com uma equipe especializada, academia com personal, entrega e retirada de roupa para lavan-deria, manuteno para resolver as eventualidades do dia a dia, entre outros. E o melhor, todas essas facilidades podem ser agen-dadas atravs da internet.

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    Qual a importncia da cor para uma cidade? Se a pergunta fosse feita para Wassily Kandinsky, o renomado artista e professor da breve e revo-lucionria escola de arquitetura Bauhaus (1919-1933), ele provavelmente diria que h muita. dele a teoria que relaciona formas a cores e sentidos.

    Em seus estudos, o artista russo afirmava que lugares em que h predominncia de amarelo e laranja so mais solares, com pessoas mais falantes e extrovertidas. Nos que h mais uso de cores frias, como azuis e cinzas, a tendncia de maior sobriedade. H tambm muitos estudos na psicologia que falam da influncia das cores no humor e estado de esprito das pessoas. Mas quando o assunto so as cidades, as cores e o urbanismo, esse tema fica ainda mais fascinante.

    De maneira simplista fcil observar maior incidncia de amarelo nas cidades do mediterrneo, mais vermelho nas asiticas (cor que no Oriente sinnimo de prospe-ridade), no entanto como explicar os melhores ndices de qualidade de vida do mundo serem os dos pases nrdi-cos? Lugares que passam boa parte do ano no escuro e cobertos por uma espessa e branca camada de neve.

    Para o diretor da faculdade de arquitetura e urbanismo do Mackenzie, Valter Caldana, a resposta simples. Essas

    cidades no tm a exuberncia natural de Salvador ou Rio de Janeiro, que so extremamente coloridas, mas elas usam perfeitamente seus espaos pblicos, diz. Para ele, os pequenos comrcios, por exemplo, ajudam a oxigenar as cidades e assim deix-las mais coloridas. Lugares onde as pessoas se deslocam caminhando, h floreiras nas bancas de jornal, mesinhas nas ruas onde se pode ler o jornal antes de entrar no trabalho, tudo isso contribui para deix-las mais coloridas, explica.

    Autor do livro Projetos Urbanos em So Paulo: Oportunidades, Experincias e Instrumentos (editora Livre Expresso, 267 pginas), Caldana tambm con-tradiz a mxima sobre So Paulo. O cinza da cidade de sobriedade e no de melancolia, so coisas muito diferentes, diz. Para ele, a nica maneira de mudar essa percepo negativa da cidade incentivar o uso dos espaos pblicos. Ns temos que usar os espaos pbli-cos. Caminhar, fazer compras nos pequenos comrcios, frequentar bancas de jornal, assim a cidade ficar mais povoada, menos perigosa e consequentemente mais colorida, ensina.

    Outra medida que para Caldana fundamental a plan-tao de milhares de rvores na cidade. Cerca de uma a cada 30 metros seria o suficiente para salvar So Paulo dessa aridez e cinza-chumbo.

    Para o diretor de arquitetura da faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, Valter Caldana, apenas a valorizao dos espaos pblicos e a arborizao podem trazer mais cor a So Paulo Por Marianne PieMonte

    So Paulo tem o cinza da sobriedade e no da melancolia

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    Vista do Centro antigo de So Paulo

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    A seguir, trechos da conversa da Lindenberg com o diretor da FAU do Mackenzie.

    Qual a importncia da cor para uma cidade?A cor uma das caractersticas que determinam a perso-nalidade e a vocao de um lugar. O desenho e a forma da cidade so os reflexos culturais de seu povo. Desde a pri-meira cidade do mundo, o que Bagd hoje, foi desenhada de acordo com a maneira de viver de seus habitantes. Elas (as cidades) so o reflexo de como uma sociedade vive em determinado momento e a cor faz parte dessa histria.

    Nas cidades italianas, por exemplo, na costa Amalfitana, voc ter lugarejos de determinada cor em funo de uma cultura, do sol, da atividade da pesca, por exemplo. Elas tambm so mais ensolaradas, tm as janelas maiores, talvez por isso as pessoas falem mais alto (brincadeira). As pessoas so mais expansivas. Isso se repete em todo o mundo. No Rio de Janeiro h muita influncia do verde da floresta urbana, da luminosidade do sol na maneira de viver. Em Salvador, onde h toda uma herana de Portugal e da frica, h o colorido do Pelourinho, a sobriedade das igrejas, a exuberncia da natureza. Tudo isso, tem sua con-tribuio no desenho e na cor da cidade.

    e para So Paulo?So Paulo tida como uma cidade cinza, mas no ver-dade. Aqui, ns usamos mais cores sbrias. Tome como exemplo a porcentagem de carros pretos, brancos ou cin-zas nas ruas. O gosto do paulistano pela cor sbrio. Quando escolhe um azul, um marinho, menos lumi-noso. Bem diferente de Salvador, que tem influncia direta de Portugal e da frica. Mas o nosso cinza sbrio, no melanclico, o que muito diferente.

    Tambm diferente de outras partes do mundo, e muito semelhante a Nova York, So Paulo o grande ponto de

    encontro de culturas. Se antigamente isso era sinnimo de disparidade, hoje indiscutivelmente vivemos o resul-tado dessa mistura. Uma mistura que tem, sim, uma cor prpria. No entanto, ainda temos por aqui bairros que so polos de algumas cores. Como o vermelho da Liberdade, com suas lanternas e colnias orientais. Os tons amare-lados da Mooca. Inclusive a Zona Leste tem uma carac-terstica bem interessante. As pessoas dizem que por l no h cor, mas no verdade. naqueles bairros (como Brs, Belm, Carro) que encontramos sobrados cor-de--rosa, azul clarinho, verde bem bandeira. O que declara-damente influncia da italianada e solares espanhis que por l fizeram sua histria.

    e a falta de verde de So Paulo? isso no contribui para essa sensao de cinza melanclico? Sem dvida. So Paulo precisa de trs medidas para ficar mais colorida. A primeira foi a lei Cidade Limpa, a segunda enterrar a fiao e a terceira plantar muitas rvores. Essas deveriam ser prioridades urbansticas.

    No tenho uma conta exata de quantas rvores seriam necessrias, mas so milhares. Essa So Paulo viria tem de acabar, aqui ns cortvamos rvore porque elas tocavam nos fios. Acabaram com a Praa da Paineira, no Butant, porque atrapalhava a visibilidade do trnsito. Isso, sim, deixa a cidade cinza e melanclica. A soluo seria uma rvore a cada 30 metros. O que perfeita-mente possvel.

    existe um projeto que prev a restaurao e o tom-bamento de algumas casinhas na Vila Madalena. elas ficariam coloridas, como uma espcie de Pelourinho. o senhor acredita que esse tipo de projeto favorea o desenho da cidade? Sem dvida. S a preservao pode garantir a identi-dade a uma cidade. So Paulo tem alguns bairros como

    Pinheiros, Vila Madalena e Aclimao que foram em parte construdos por pequenos empreendedores, como mdicos e engenheiros.

    Eles levantavam conjuntos de sobradinhos para aluguel. Hoje, muitos desses blocos esto sendo recuperados, mas sempre h um estraga prazeres que faz uma reforma supermoderna. So Paulo deveria fazer um movimento de recuperao da fachada desses sobrados. Teramos uma cidade muito mais colorida.

    o que mais poderia ser feito para trazer cor para a cidade?Cuidar dos espaos pblicos! Nos colocaram como uma cidade rodoviarista desde 70, perdemos o hbito de nos apropriar dos espaos pblicos. As brigas que esto acontecendo na Praa Roosevelt hoje so muito positivas. Todos querem aquele espao, os skatistas, as babs com bebs, os esportistas. Isso um sinal de que precisamos de mais espaos como aquele.

    No estou falando apenas de praas, mas tambm de cal-adas, de bancas de jornal, de uma rua tridimensional, um lugar para tambm se estar no apenas passar.

    Com a recuperao dos espaos pblicos aconteceria a volta do comrcio local, o que fundamental para oxige-nar a cidade. Ao acabar com o comrcio de bairro a cidade fica mais violenta. Foi o que aconteceu com So Paulo nos ltimos anos, mas tem soluo.

    Cidades mais coloridas so felizes?No sei dizer. Os maiores ndices de qualidade de vida

    so os das cidades nrdicas, que passam boa parte do tempo no branco da neve e no escuro. Mas as ruas coloridas de Copenhague so sinnimos da valorizao do espao pblico.

    O Rio, apesar das crises econmicas e da violncia, nunca desguarneceu os espaos pblicos, uma cidade muito mais cidad. O grande encanto de Paris, Londres, Roma so os espaos pblicos. As pessoas ocupam as caladas. Acho que nosso cinza tem tudo para ser feliz, desde que as pessoas vivam a cidade.

    Eu, por exemplo, descobri que muito mais legal fazer minhas compras de Natal na Rua Teodoro Sampaio do que no shopping, me divirto muito mais. Assim, vivencio a cidade, essa experincia significa tomar o espao pblico e isso que gera cor.

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    O Brs visto da estao do Metr

    O arco-ris corta o cu da cidade sobre a Avenida 23 de Maio

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    Na contramo do chavo pintaram tudo de cinza, as cidades se curvam cada vez mais ao magnetismo e esttica vibrante das coloraes Por Patrcia FavaLLe

    Por ali a histria passou feito furaco. Fundada por Tom de Sousa, em 1549, Salvador, a capital sote-ropolitana elegeu o terreno ngreme do Pelourinho como espcie de fortaleza para proteger os entornos. Ao longo dos sculos, os nobres e os endinheirados produto-res de cacau transformaram a ladeira com a construo dos casares coloniais de pigmentos intensos.

    A constante decadncia econmica acentuada a partir dos anos de 1960 fez o lugar mergulhar na escurido. E foi s com o reconhecimento da Organizao das Naes Unidas, duas dcadas mais tarde, que esse ble-caute chegou ao fim. O conjunto arquitetnico foi final-mente restaurado e as gradaes, que faziam a diverso do endereo, voltaram a tingir as fachadas.

    Numa outra narrativa, os morros cariocas tambm ganharam a ateno das iniciativas pblica e privada. Na Rocinha, por exemplo, o complexo esportivo assinado por Oscar Niemeyer, com jeito de apoteose do samba, interliga a fervilhante autopista cercada por habitaes de nuances nicas. Ao semelhante, coordenada pelo projeto Favela Painting, dos holandeses Jeroen Koolhaas e Dre Urhahn, reconfigurou 34 dos casebres de Santa Marta. Bairros assim encantam pela energia. Admito que reas onde a cor tratada de jeito arrojado tm impulso positivo na psique. Porm, preciso ter cautela, pois os extremos costumam ser cansativos, diz o designer de interiores Fabrizio Rollo.

    H pouco mais de 400 quilmetros da orla fluminense est So Paulo a anttese da tropiclia, a menina feia, de traos corpulentos e quase nenhuma tinta. Mas engana-se quem pensa que a meca cultural da Amrica do Sul guarda rancor por tais predicados. A megalpole tratou de se reinventar, e no molde de outra Cosmpolis, caso da ultracinza Londres, cedeu paredes, vilas e pontilhes para os grafites. E basta um pedacinho de bege burocrtico vista para o spray inverter o reflexo de Narciso.

    Point dos moderninhos, a Vila Madalena um dos arqutipos mais notveis nesse quesito. A comear pelo Beco do Batman (Rua Gonalo Afonso) uma ruela curvilnea e recheada pela intensidade do vermelho, do amarelo, do roxo e das onomatopeias. No caminho que separa as Avenidas Rebouas e Paulista, Rui Amaral deu a sua contribuio contagiante aos transeuntes. Esticando at as fronteiras da Avenida 23 de Maio, d para apreciar os desenhos superdimensionados da dupla osgemeos, de Nina Pandolfo e de Nunca.

    Fazendo a linha Basquiat, o jovem JGor, que tem traba-lhos expostos na Rua da Consolao, brinca com a letra A e com a proporcionalidade dos riscados primrios. J a tica fascinante de Titi Freak d as boas-vindas a quem desembarca na Liberdade, enquanto os Budas irnicos de Xguix flutuam matreiramente por essas bandas.

    Muros de gentileza

    a alegria das cores se espalha pelos bairros: nas casas-contineres do bairro caminito, em Buenos aires; em um pequeno detalhe na cidade de Guanajuato, no Mxico; como foi um dia o Pelourinho, em Salvador; e no grafite de osgemeos em um dos tneis de So Paulo

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    A colorao na arquitetura da cidade tem o poder de marcar lugares, criar referncias

    e dar nova vida quando usada em pontos estratgicos e crticos. Quem no se

    surpreende ao se deparar com um grafite de osgemeos em meio selva de concreto de

    So Paulo?, questiona Fernando Consoni

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    Embalos de GardelAcredito que o poder da cor seja igual ao de uma boa obra. como criar uma comunicao com o usurio, o que torna possvel identificar reas que normalmente ignoramos. Um prdio com relevncia arquitetnica con-segue o mesmo efeito. Entretanto, interessante lembrar que a maioria dos domiclios apenas cumpre com a tarefa de oferecer um teto, sem que haja dilogo com o exterior, ilustra o arquiteto Guilherme Torres.

    Foi com premissa anloga que, em Buenos Aires, na Argentina, ao som dramtico do bandonon, os passos cadenciados dos bailarinos de tango encontraram o cen-rio perfeito: as casas-contineres arranjadas umas sobre as outras, com suas janelinhas e portinholas abertas como se fossem latas de sardinhas. Eis o Caminito, imortalizado nas partituras de Juan de Dios Filiberto e elevado condio de museu ao ar livre pelas mos do pintor Benito Quinquela Martn, que sintetizou a ideia da seguinte maneira: Um belo dia me ocorreu de converter esse pardieiro numa via alegre, ento uni foras e consegui que todas as estruturas de madeira e de zinco fossem pintadas (...).

    La Boca jamais foi o mesmo. Ali nascia no apenas o estilo de vida tpico do bomio portenho com razes genovesas, mas, tambm, a moradia popular batizada de conventillo boquense, que se valeu das chapas de metal onduladas, erguidas sobre pilares e destacadas por matizes acesos.

    No extremo oposto do eixo sul-americano, aos ps dos Andes e banhado pelas guas do Pacfico, a charmosa

    Valparaso mostra que soube ajustar o conceito dos novos empreendimentos sem abrir mo dos enredos saturados que costuram seus horizontes.

    As antigas edificaes tramadas com as sobras abandona-das na zona porturia ainda resistem bravamente enge-nharia contempornea. E para por a. A vocao avant-garde dessa parte do Chile traduzida pelas incorporaes nome-adas de Yungay, crias de Antonio Menndez e Cristian Barrientos, scios da Rearquitectura.

    De olho nos lofts bolados por Le Corbusier, o duo afinou a planta para arrebatar a turma plugada e baladeira: elen-cando as referncias de hoje s tradies e, claro, s nuan-as que vo do verde-escuro ao amarelo-ctrico. A cor tem relao com luz e clima. Paris no seria to refinada sem o cinza, o areia ou o blanc cass. No teria o mesmo brilho sem o ouro puro das esculturas monumentais. Tudo isso sob um cu azul docemente acinzentado batizado no sculo 18 por pintores da realeza de azul Paris, endossa Rollo.

    Ode elementarA colorimetria pegou mesmo carona na latinidade e prova disso pode ser vista nos arredores de San Juan, em Porto Rico, onde o carto-postal cintila com os mltiplos do ciano e do magenta. Subindo rumo ao Mxico, os entretons brincam com os sentidos. em Guanajuato, nas proximidades de Jalisco, que a

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    em direo ao Mxico, em Guanajuato, nas proximidades de Jalisco,

    comeam a surgir as cores que sero encontradas na capital

    Na pgina ao lado, as cores de uma das fachadas do bairro caminito em

    Buenos aires, e a Yungay, construes da rearquitectura, do chile

    De acordo com a cromosofia, cada cor tem o poder de transmitir uma sensao. E isso pode ser empiricamente comprovado com o simples exerccio do olhar. Admira-me aquelas cidades que no temem usar as cores na arquitetura. Os ambientes urbanos tornam-se mais interessantes, explica o arquiteto Fernando Consoni

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    extrao da prata e do cobre impulsiona o modismo de enfeitar as frentes das residncias. O frenesi pelos gales tanto que a paleta se renova a cada temporada.

    Cuba viveu sua poca dourada no burburinho dos cassinos, quando a opulncia fazia do roteiro um resort do capita-lismo ianque. Veio a revoluo rubra e Castro despiu as car-caas dos arremates luxuosos para exibir o movimento do neocimento bruto. Na contramo da Ilha, Miami recebe seus visitantes em meio a um verdadeiro caleidoscpio de contornos exclusivos.

    Exposta no principal aeroporto da regio, a instala-o Harmonic Convergence, do designer Christopher Janney, concebida com losangos de vidro entrelaados e alto-falantes montados em intervalos, promete dar uma amostra do que vem a seguir. Adorado por brasileiros e outros tantos consumistas de planto, o destino res-guarda uma coletnea de predinhos art dco. luz do dia, o efeito apastelado suaviza o panorama, ao anoite-cer, o kitsch do non que reina absoluto.

    A prxima parada desbrava a veia crioula de Nova Orleans. Reduto do blues e do jazz, das encruzilhadas, do mardi gras

    e do avivado french quarter, que exala magia. Bossa pare-cida vem da Cidade do Cabo, na frica do Sul, onde o chamativo Bo-Kaap rende os turistas com seus fascinantes imveis de cambiantes consistentes.

    Na direo do Oriente, a ndia deu aos colonizadores bem mais que o aafro e a crcuma. A cincia sobre as especiarias e as tinturas foi o que cativou os navegan-tes, embora a joia dos marajs tenha permanecido inc-lume cobia Jodhpur, no estado do Rajasto, tem 553 anos e um azulado tenro que continua a recobrir cada bocadinho de cho desde que os primeiros brmanes se valeram do recurso para destacar seus lares. deslum-brante o ndigo que percorre o local, pontua Torres.

    Teoria escalonadaSe o objetivo era deixar de ser mais um na multido, a casta sacerdotal indiana no s conseguiu como angariou admiradores pelo mapa-mndi. Na italianssima Cinque Terre, debruada sobre a Riviera Ligure e que compre-ende as comunas de Monterosso, Vernazza, Riomaggiore, alm dos distritos de Corniglia e Manarola, a geografia montanhosa e as pinceladas carregadas de guache deram ao patrimnio da Unesco ares inspiradores.

    Na ponta de cima da bota, nas cercanias da Ligria, a diminuta Portofino nem sequer soma 600 inquilinos, detalhe que no a impede de desfrutar do predicado de city color; atributo, esse, que se estica at Wroclaw, na Polnia, cujo delineado prusso-germano trocou a sisudez pela leveza das tonalidades.

    Ao contrrio dos graus a mais que regem as rotas das cores, a capital islandesa Reykjavik no vrtice mais setentrional do globo , apelidada de baa fumegante por conta de seus incontveis giseres, esbanja veres sem noites e invernos com dias que duram quatro horas. Fato que acarretou numa arti-manha muito copiada por outros povoados de clima glido: a adoo dos telhados avermelhados e das portas de vernizes irradiantes.

    At aqui, a equao simples; faa sol ou faa chuva, sob neblina, fog ou smog, no h nimo que resista diante do alaranjado pulsante, do violeta pudico, do carmim custico e do anil plcido. A composio pode ser a que mais lhe convier, porm o impacto visual desse delicioso jogo quase sempre termina em acertos. s tentar.

    a fora das cores do bairro de Bo-Kaap, na cidade do cabo, na frica do Sul, encanta os turistas. Na foto abaixo, Nova orleans, a cidade mais colorida dos estados Unidos

    A cor um item na arquitetura de mbito pessoal e tem o poder de revelar a personalidade de cada um. O uso dela deve estar associado a um partido bem definido. Evidente que um esboo incolor corre o risco de ficar montono, mas cabe ao profissional harmoniz-lo de acordo com os anseios de seu cliente, avisa Fernando Consoni

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    Essa frase foi dita pelo mercador Marco Polo para o imperador Kublai Khan no livro As Cidades Invisveis, do escritor talo Calvino. O livro belssimo e as cidades descritas so de uma riqueza tal que nos d vontade de conhec-las, de to mgicas e surreais.

    Lendo a frase pensei em So Paulo, a cidade que me aco-lheu e deu meu po de cada dia. A So Paulo descrita como a cidade cinza. E repensei o discurso quando ela me pareceu mais colorida do que muitas outras cidades.

    Pensei nas cidades conhecidas por suas cores nicas. Cidades que poderiam passar despercebidas, no fossem suas cores. So elas que abrem as portas para o mundo e lhes conferem uma aura de magia. Atrados por elas, os viajantes descobrem suas ruas, arquiteturas e povos.

    Izamal, no Mxico uma antiga cidade de ruas estreitas e tranquilas conhecida como a cidade amarela, j que quase todas as suas casas so pintadas de amarelo mos-tarda. Passeando por ela, virando uma esquina, desco-brem-se tesouros arquitetnicos e pirmides maias.

    Jaipur, na ndia, a cidade rosa. Casas, templos e mercados so construdos de arenito rosa, da o nome. Entrar nessa cidade parece um sonho delirante onde o rosa das construes se mescla com elefantes,

    Voc sabe melhor do que ningum, sbio Kublai, que jamais se deve confundir uma cidade com o discurso que a descreve. Contudo, existe uma ligao entre eles. Por rosiLene Fontes | iLustrao Maria eugnia

    camelos, e nos fazem sentir parte de um quadro de Salvador Dal.

    Em Chefchaoen, no Marrocos, o azul das casas relem-bra a histria de judeus refugiados durante a reconquista espanhola. Foram eles que as pintaram para marcar nas paredes a sua histria.

    Na Espanha, principalmente na Andaluzia, h 1.500 cidades brancas, muitas delas situadas em lugares remo-tos. Elas so brancas para que os seus interiores estejam sempre frescos por causa do sol. Brancas como um papel em branco pronto para ter uma nova histria escrita.

    Bizarrices tambm acontecem, como em Jzcar, em Mlaga, tambm na Espanha. Na primavera de 2011, para celebrar a estreia do filme dos Smurfs, a cidade foi pintada de azul, a cor dos personagens, pela Sony Pictures. Os habitantes resolveram manter a cor que virou atrativo turstico.

    Voltando a Marco Polo, ele fala da imaginria Zora, uma cidade com a capacidade de permanecer na memria, apesar de no ter particular beleza ou raridade. O segredo estaria no modo pelo qual o olhar percorre a cidade e em que pontos estabelece uma relao de afinidade. Da serem os homens mais sbios os que conhecem Zora.

    Zora para mim poderia ser So Paulo, que, apesar de no demonstrar particular beleza ou raridade, me evoca cores por sua multicultura, cores essas reveladas nos grafites, nos sotaques, e em pontinhos coloridos salpicados nessa imensido espacial. Mas Zora teve um triste fim. Por ter de permanecer imutvel para melhor memorizao, defi-nhou e foi esquecida. Fim que no desejo para So Paulo. So Paulo poderia ser tambm a Olivia de Marco Polo, cidade rica em mercadorias e lucros. Prosperidade repre-sentada por seus palcios, sedas e paves.

    Afirmar que consigo ver So Paulo colorida, enxergar os ips floridos, amarelos e rosas, ver os salpicados verdes dos parques e rvores, perceber um pontinho azul no cu depois de uma chuva de vero, no mentira. Dizer que So Paulo cinza, tambm no.

    E Marco Polo, como um sbio, diria: A mentira no est no discurso, mas nas coisas.

    para as coisas das cidades que temos de olhar, para no perd-las e sim torn-las melhores, e assim dar um sentido vida e prpria cidade.

    as cidades e suas cores

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    Adolpho Lindenberg em Piracicaba. Sinnimo de luxo e elegncia em todos os detalhes.OBRA

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    Esta uma primavera diferente, com as matas intactas, as rvores cobertas de folhas, e s os poetas, entre os humanos,

    sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braos carregados de flores,

    e vem danar neste mundo clido, de incessante luz CeCLia MeireLes

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    Nem palavras duras, nem olhares severos devem afugentar quem ama; as rosas tm espinhos e, no entanto, colhem-seshakespeare

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    Segue o teu destino... Rega as tuas plantas; Ama as tuas rosas. O resto a sombra de rvores alheiasFernando pessoa

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    por Maria CLara Vergueiro | iLustrao Maria eugnia

    Vermelho, a revoluo dos sentidos

    Quando para parar, vermelho. Quando se deve avanar, vermelho tambm. Se o mundo quer expressar paixo, l est o carmim vibrando novamente. Para definir territrios, anunciar batalhas, fazer oposio, vermelho outra vez. O poder psicolgico da cor vermelha, seja nos lbios das divas de Hollywood, seja nas bandeiras de naes como China, Japo e Rssia, o poder das coisas explcitas, ditas de forma direta, sem rodeios, sem eufemismos, para marcar. Cor primria, o vermelho nunca sim-plesmente insinua uma mensagem: ele convoca. cor proibida quando se quer pureza e recato, quando se busca discrio ou silncio. O vermelho baru-lhento, violento, punk, nervoso, excitante, inspira fome e excesso. No toa que seja o tom de marcas feitas para dominar multides, como McDonalds ou Coca-Cola. Antes dos publicitrios norte-americanos dominarem a arte da semitica, Hitler, um dos pais da cultura de massa, j sabia como manipular segui-dores com propagandas do seu pensamento pavoroso tingidas de vermelho e preto. E deu no que deu, embora no se possa culpar o vermelho, coitado, pelos estragos do nazismo. At porque, ele o vermelho tambm expresso de vida. Veja, por exemplo, o sig-nificado dele nas culturas mais tradicionais e antigas: fertilidade, gratido, vitria, vitalidade. Para os filhos das culturas africanas, incluindo os herdeiros do can-dombl, no se pode jamais vestir um morto com tons de vermelho, para evitar que o esprito fique peram-bulando no mundo dos vivos. J entre diversas etnias indgenas brasileiras, as pinturas corporais feitas a par-tir da semente de urucum servem para celebrar con-quistas de guerreiros, em agradecimento a colheitas e pescas fartas ou para exaltar a sade.

    Na casa de minha av, entre diversos quadros na parede, estava uma xilogravura de Oswaldo Goeldi, chamada Chuva, que retrata uma cena cheia de som-

    bras, com um homem de costas, caminhando pela rua, segurando um guarda-chuva aberto. Justamente o guarda-chuva, inanimado por natureza, o interlocutor do quadro, simplesmente porque vermelho. Eu, pequena, ficava absolutamente intrigada por aquele desenho especfico, aquela cor me chamando, que-rendo me dizer alguma coisa. Hoje acho que Goeldi queria me dizer: vermelho no detalhe, no coadju-vante, no pode ser subestimado. O Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais, tem-se firmado como um dos maiores centros de arte do Brasil. Entre as obras expostas ali est abrigada uma instalao do artista pernambucano multimdia e multidisciplinar Tunga, na qual ele abusa do vermelho para dizer tudo. A instaurao, como Tunga prefere chamar inteira-mente vermelha e foi batizada de True Rouge, em refe-rncia ao poema do britnico Simon Lane, de mesmo nome. Nele, Simon bebe a intensidade dos versos de Luiz de Cames para falar de amor, dor, paixo e pra-zer. Na obra de Tunga, o vermelho cai de recipientes em forma de lquido, colore as redes transpassadas, liga as estruturas interdependentes suspensas no ar e define o espao como momento de contemplao dos sentimentos extremos.

    Em quietas salas reservadas para ampliao dos nega-tivos fotogrficos, os artistas revelam, com segurana, suas imagens. A luz vermelha que permite a con-dio de calor e luz necessria para que aquilo que foi armazenado na cmera analgica possa vir tona para o mundo real. Nas veias, o sangue corre quente e distribui sua riqueza para o complexo funcionamento do corpo. O vinho, bebida milenar e divina, enche a boca dos cristos e dos cticos, por motivos diferen-tes, mas igualmente vermelhos, cheios de significado. A cor da transformao sublime. E est nas artes, na poltica e no corpo para ser vista e lembrada, para jamais passar inclume.

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    Experimente-se como Cildo Meireles, que despiu a arte do fausto e da majestade

    para saber do que ela feita Por AdriAnA Brito

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    As ondas do magenta levam 0,02 segundos para serem percebidas pela retina. No toa que a instalao de Cildo Meireles, Desvio para o Vermelho (1967-84), arrebatou rapidamente o pblico que se ps a observar os detalhes dos mveis e das colees que compunham o primeiro trecho da obra, intitulado Impreg-nao. Contudo, a relao do artista com o rubro vai muito alm; est na leitura feita sobre a tonalidade: Eleva a presso arterial, acelera as batidas cardacas e, em alguns casos, provoca a inquietao e a agressividade, tal como escreveu a professora e psi-cloga Irene T. Tiski-Franckowiak, no livro Homem, Comunicao e Cor.

    Essa teoria confirma porque no causou l muito espanto quando Meireles rebelou-se contra os militares que governavam o Pas. Inseres em Circuitos Ideolgicos: Projeto Cdula entrou em circulao trazendo notas de Cr$ 1 carimbadas com os dizeres Quem Matou Herzog?, referindo-se ao jornalista Vladimir Herzog, assassinado no ano de 1975, em decorrncia de maus-tratos sofridos nas dependncias do DOI-CODI. E os fardados no foram os nicos alvos dessa metralhadora polimiditica. A srie Inseres, lanada no incio daquela dcada, colocou o imperialismo norte-americano no centro da fogueira ao estampar nas garrafas de Coca-Cola a receita para montar coquetis Molotov e marcar dlares com a frase YANKEES GO HOME!.

    na pgina anterior, Desvio para o vermelho,

    1967-84, tcnica mista, 1 parte: impregnao, instalao

    em inhotim, Belo Horizonte

    Abaixo, Desvio para o vermelho, 1967-84,

    2 parte: Entorno

    Ao lado, Desvio para o vermelho, 1967-84,

    3 parte: desvio

    Fotos Pedro Motta e Eduardo Eckenfels

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    Longe do estigma de ser somente panfletrio, Cildo um estudioso da escultura e do processo orgnico da forma. Se em Malhas da Liberdade (1976-1998) ele abordou o desenho feito em pequenos traos conectados obsessivamente at a construo de grandes redes, em Misso/Misses (1987) o sagrado foi representado por duas estru-turas opostas e ligadas por meio de uma linha com 600 mil moedas e 800 hstias. J em Fontes (1992-2008), o espao e o tempo foram reestruturados numa aluso Via Lctea por 6 mil rguas de carpinteiro, mil relgios e 500 mil nmeros feitos de vinil.

    Dos traos iniciais s gravuras e aos mecanismos alinhados s sensaes, o experi-mentalista foi capaz de registrar a transformao da cultura nacional, cada vez mais dinmica e conceitualmente elaborada. Influenciado pelos pintores Flix Alejandro Barrenechea e Mrio Cravo, o carioca comeou sua carreira em 1963, na Fundao Cultural do Distrito Federal. De volta ao Rio de Janeiro, ele estudou na Escola Nacional de Belas Artes e foi um dos criadores da Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna.

    Entre os anos de 1971 e 1972 viveu em Nova York, arquitetando a instalao Eureka e o long-play Sal sem Carne, entre outros materiais. Nas temporadas seguintes suas invenes foram ampliadas, convocando os visitantes para novos usos da esttica, como se observou em Atravs (1983-1989), Babel (2001), Pling Pling (2009) e Projeto de Buraco para Jogar Polticos Desonestos (2011). Tema de retrospectivas no IVAM Centre del Carme, em Valncia, e na Tate Modern, de Londres, Meireles recebeu ainda o Prmio Velzquez de las Artes Plsticas, oferecido pelo Ministrio da Cultura espanhol. H trs anos o documentrio mais recente sobre sua carreira, Cildo, de Gustavo Moura, foi lanado pela Matizar. Em cores, claro.

    Agradecimentos especiais a Cildo Meireles Cortesia: Galeria Luisa Strina

    Projeto de buraco para jogar polticos

    desonestos, acrlico sobre tela, 2011

    Foto: Edouard Fraipont

    Pling Pling, videoinstalao, Bienal de Veneza, 2009

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    berg Nas ruas de Roma, nas paredes dos museus, nas pginas dos livros,

    o vermelho revela e revoluciona Por J.r. Duran

    Acabo de ser sorteado por ter sido apresentado a uma das mulheres mais interessantes que j conheci. No sei o nome dela, ningum sabe. O seu rosto est preso para sempre em um retngulo de 18x24 cm e veste um dos chapus mais conhecidos do mundo. Ela a Girl With the Red Hat, pintada por Johannes Vermeer faz mais de 300 anos. A tela est pendurada em uma parede da Scuderia del Quirinale, aqui em Roma, como parte e principal atrativo de uma exposio chamada Vermeer il seccolo doro dellarte olandesa. Mesmo a pintura sendo pequena, pouco maior do que a tela de um iPad, o impacto das emoes que Vermeer conseguiu colocar muito mais intenso e valioso do que todos os aplicativos que qual-quer um dos aparelhos da Apple possa conter.

    De acordo com o catlogo da exposio, a moa com seu rosto virado para trs, lbios separados e olhos ilumi-nados com expectativa, um dos mais admirados traba-lhos de Vermeer. Vestida com um aveludado roupo azul e um chapu vermelho crimson, ela repousa um brao no espaldar de uma cadeira e nos observa sobre seus ombros. Olhando diretamente para ns ela nos puxa para seu mundo ntimo e imediato.... No tem o que discordar. O vermelho crimson um pigmento obtido a partir do Kermes, um inseto que se encontra em um tipo de carvalho que cresce principalmente na Turquia. Na tela , para mim, o vermelho mais puro que jamais contemplei. No sei que outros pigmentos Vermeer mis-turou, mas o resultado que produz na retina de quem contempla a obra devastador. J o mundo ntimo e imediato da moa do chapu jorra pela retina da imagi-nao na primeira troca de olhares.

    Esse domingo parece ser um dia especial. Um par de horas antes, e a poucas centenas de metros do Quirinale, no Palcio Doria Pamphilj, conheci pessoal-mente outra figura impressionante: o papa Pio X. Posso garantir que o conheci pessoalmente porque a tela que Diego Velazquez pintou (e que inexplicavelmente est espremida dentro de uma salinha com as dimen-ses de um camarote de submarino), um retrato to apurado e explcito desse papa que ele mesmo, quando o viu, se sentiu incomodado pelo excesso de informaes que estavam espremidas entre as pinceladas que o pin-tor tinha espalhado pela tela. Troppo vero!, verdadeiro demais, teria dito o pontfice ao ver o resultado. Sentado em uma cadeira de espaldar alto com forro de veludo vermelho, em frente a uma cortina vermelha e envolto em cetim vermelho que contrasta com a renda branca do seu hbito, Pio X olha para quem o olha e mostra sua

    personalidade. Os olhos penetrantes fazem um contra-ponto com as mos suaves e delicadas (em uma delas o anel do pontificado, na outra uma carta em que o pintor assinou seu prprio nome). Velazquez produziu um dos mais bem acabados portraits do mundo da arte. E no deixou dvidas de quem era aquele homem, da fora que ele tinha, e do que seria capaz.

    A vida no imita a arte, mas atravs da arte se pode entender o sentido da vida. Muitos anos atrs, na minha adolescncia, quando no sabia de nada, quando no imaginava o que me esperava no mundo l fora, caiu em minhas mos um exemplar do O Vermelho e o Negro. O editor espanhol tinha tido a ideia de dividir a obra em dois livros, um preto e o outro... vermelho. E foi navegando entre as pginas de Sthendhal que percebi que o mundo no era como parecia ser. Foi o primeiro choque, a primeira advertncia, do que me esperava quando terminassem as brincadeiras de escola.

    Aguardo ento, sentado numa mesa da cafeteria da Scuderia do Quirinale, que a cafena de um duplo espresso italiano acelere a volta da percepo da realidade que ficou sequestrada entre os pincis de Vermeer e o olhar da moa. L fora, atravs da janela, d para ver a Praa do Quirinale e, espetado no meio dela, o obelisco da Fontana di Monte Cavallo. Um peloto de carabinieri desfila impecavelmente com suas botas de cano alto meticulosamente lustradas. As espadas brilhantes se movem ao ritmo marcado pelos passos firmes. a troca da guarda presiden-cial, e na massa de uniformes pretos apenas uma cor ressalta: uma listra vermelha que desce pelas pernas das calas de cada um deles. O mesmo vermelho que Giuseppe Garibaldi escolheu como cor das camisas de seu exrcito na Guerra dos Farrapos, no Brasil, e que adotou, anos depois, em todas as batalhas que lutou pela independncia da sua Itlia nativa.

    Esse domingo em Roma , definitivamente, vermelho.

    DOMENICAJ.R. Duran, nascido na Catalunia, um dos mais prestigiados fotgrafos brasileiros. Com passagens pela publicidade, sua expertise a moda, a escrita seu passatempo. Com exclusividade para a revista Lindenberg, fala da beleza do vermelho.

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    O vermelho no cinema mundial, explcito nos filmes coloridos ou sugerido nas fitas em preto e branco, sempre traz embutido um significado, seja ele a liberao, a transformao, a sensualidade ou a violncia e o perigo Por roberto taddei

    Cena do cult francs Ballon Rouge e Gilda e seu famoso longo vermelho em p&b

    Tela rubra

    P ara alguns povos, o mundo pode ser descrito em apenas trs cores: branco, preto e vermelho. J no paleoltico as trs cores eram utilizadas em pinturas rupestres nas cavernas. Se o branco a unio de todas as cores e o preto a ausncia delas, digamos que o vermelho a cor em si, a cor primordial. Vermelho fogo, vermelho sangue. No Gnesis, vermelho a cor do fruto da rvore do conhecimento. Depois que Ado e Eva mordem a ma, percebem que esto nus. O pecado original. Dessa trade nasceram todas as demais associaes entre a cor, imagens e simbolismos construdos pela humanidade nos ltimos cinco mil anos. Associaes que foram intensificadas e banalizadas abundantemente pelo cinema.

    E, assim como no Gnesis, os primeiros vermelhos do cinema eram cores que no podiam ser conhecidas, nem percebidas: o vermelho dos filmes em preto e branco. O batom e o vestido vermelho com o enorme lao na cintura usados por Rita Hayworth no filme Gilda, de 1946, por exemplo, jamais foram vistos. Somente por causa dos cartazes que se intua estarem vendo uma mulher de tomara que caia vermelho. Em outro filme, Uma Viva em Trinidad, de 1952, a mesma Rita Hayworth, para aproveitar o sucesso de Gilda, aparecia com outro vestido vermelho para anunciar um filme que s podia ser visto em preto e branco.

    J em 1956, com Os Dez Mandamentos, o pblico pde, enfim, ver a capa vermelha de Charlton Heston como Moiss cruzando o Mar Vermelho no filme de Cecil B. DeMille. No mesmo ano apareceu na Frana o Le Ballon Rouge, de Albert Lamorisse, que mostra a histria do garoto perseguido por um balo vermelho pelas ruas de Paris. Dois contos de libertao: a de um povo ou de uma pessoa.

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    No sentido horrio, Charlton Heston como Moiss, A Lista de Schindler, Sapatinhos Vermelhos, Il Deserto Rosso, A Menina da Capa Vermelho

    A partir disso, os filmes PB mantiveram-se no cinema como opo esttica. Psicose, lanado por Alfred Hitchcock em 1960, por exemplo, poderia ter sido filmado em cores. Mas a famosa cena do sangue escorrendo pelo ralo da banheira foi feita em preto e branco. O Bandido da Luz Vermelha, de Rogrio Sganzerla, lanado em1968, tambm deixou os espectadores na imaginao. Em 1993, Steven Spielberg pintou de vermelho uma nica cena em um filme todo preto e branco: uma garotinha vestida com casaco vermelho atravessa a cidade enquanto militares alemes fuzilam judeus no premiado A Lista de Schindler.

    Desde o incio da utilizao da cor no cinema, o vermelho entrou nas telas ocidentais para realar trs sinais: violncia, perigo e sexo. Misturados, os trs elementos do margem a uma intricada palheta monocromtica que ora tende para a represso sexual religiosa, para uma explosiva liberao de violncia ou para a realizao de desejos frequentemente descontrolados. Na tenso do vermelho aparece sempre a questo do limite que nos torna mais ou menos humanos.

    E elas aparecem disfaradas em uma profuso de smbolos como vestidos decotados, bocas com batom reforado, unhas compridas, capas de chuva, pedaos de carne, rosas, cravos, camlias, margaridas, antrios, morangos selvagens, tomates, pimentas e pimentes, amoras, framboesas, goiabas, garas e guars, vinho, luminrias cor de carne, tapetes, placas de trnsito, tapearias, e por a vai. Quase que se poderia dizer que todo vermelho em qualquer cena do cinema mundial quer exercer um significado. Misturem-se os sinais para achar um sentido. Em 90% das vezes, perigo e violncia esto canalizados em tenso sexual.

    Em O Mgico de Oz, os sapatinhos vermelhos usados por Dorothy so mgicos e do a ela, uma criana, o poder de decidir o prprio destino. Simbolismo semelhante ao da Chapeuzinho Vermelho, transformada em filme em A Garota da Capa Vermelha, de 2011, sendo a capa vermelha sinal evidente de que a garota j atingiu a mocidade. Sem ironizar, Rudolph, a rena do nariz vermelho oferece a mesma imagem, embora diluda para um pblico infantil: o arco da transformao em adulto e a perda da inocncia.

    Em The Red Shoes, de 1948, as sapatilhas vermelhas da danarina tm poderes que fazem a protagonista danar melhor do que todas as outras. Deserto Rosso, o primeiro filme colorido de Michelangelo Antonioni, usa o vermelho para realar a sensao de abandono sexual vivida pela personagem de Monica Vitti. Em A Dama de Vermelho, de 1984, com Gene Wilder e Kelly LeBrock, o vestido vermelho que voa na tubulao de ar dentro de um cinzento estacionamento norte-americano desperta o desejo de mudana escondido na suposta frustrao sexual de Wilder. foto

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    Os Homens preferem as Louras, com a bombshell Marylin Monroe, Moulin Rouge, elizabeth taylor como Clepatra, Beleza Americana e Julia roberts em Uma Linda Mulher

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    Vermelho o vestido de Gina Lollobrigida em sua interpretao de Esmeralda, no filme O Corcunda de Notre Dame, de 1956. Elizabeth Taylor veste vermelho no papel de Clepatra, de 1963, a rainha que desestabilizou o Imprio Romano sem usar a fora. Kevin Space interpreta um homem em crise com fantasias sexuais envolvendo a melhor amiga da filha adolescente deitada em uma banheira de rosas vermelhas em Beleza Americana, de 1999.

    A famosa cena de Marilyn Monroe cantando Diamonds Are a Girls Best Friend em Os Homens Preferem as Loiras, de 1953, pode enganar. O cenrio todo vermelho, mas Marilyn est com um vestido cor-de-rosa. O ambiente lascivo, mas ela deixa claro que o flerte com o sexo oposto tem inteno distinta: os diamantes. O vestido vermelho de outra cena, quando canta Two Little Girls From Little Rock ao lado de Jane Russel, as duas com um longo brilhante e incisivo decote frontal.

    Julia Roberts como a prostituta de Uma Linda Mulher, de 1990, veste-se de vermelho para passear com Richard Gere. Em 2004, o mesmo Gere sobe as escadas rolantes de uma loja de departamentos levando uma nica rosa vermelha para fazer as pazes com a mulher, interpretada por Susan Sarandon no filme Vem Danar Comigo. Nicole Kidman, em Moulin Rouge, veste-se de vermelho no filme carregado de cores de Baz Luhrmann, de 2001.

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    Vermelho tambm o carro em que chega Snia Braga no filme Tieta, de 1996, na antolgica cena em que as crianas de Santana do Agreste, vestidas de anjo, correm agarradas ao carro da cor do pecado. A cor tambm aparece nas unhas e no batom de Vera Fischer em Navalha na Carne, e no vestido tomara que caia com que Snia Braga embarca no nibus branco de bancos azuis em A Dama do Lotao, ambos os filmes de Neville de Almeida. Vermelhos eram tambm os tomates e pimentas dos pratos preparados por Gabriela e Dona Flor. Todos filmes em que a conotao sexual dispensa elaboraes.

    Em quase todos os filmes de Pedro Almodvar o vermelho pea-chave na foto-grafia. Em Tudo Sobre a Minha Me, De Saltos Altos, Mulheres Beira de Um Ataque de Nervos, ou Volver a cor est presente na maioria das cenas. O diretor espanhol j disse que gosta do vermelho porque reala as cores naturais das paisa-gens e d brilho s cenas.

    Mas nem todo o vermelho sexo. Durante sculos, a Europa vinculou a cor ver-melha ao sangue de Cristo e ideia de sacrifcio e martrio. Da veio a associao com os reis e a Igreja. O vermelho era to importante para a Europa que os portu-gueses, quando chegaram ao Brasil, dizimaram a cobertura vegetal de pau-brasil para extrair o pigmento vermelho.

    No ltimo filme da Trilogia das Cores, do diretor polons Krzysztof Kielowski, o vermelho a cor da fraternidade. Vermelho era a cor utilizada na Revoluo Francesa que deps a monarquia. A partir daquele momento, a cor passou a ser utilizada por revolucionrios do mundo todo. Do poder do sangue de Cristo e da revoluo, o vermelho chegou ao cinema tambm para representar o medo, a vio-lncia e a desumanidade.

    Em Marnie, Confisso de Uma Ladra, de Hitchcock, a personagem interpretada por Tippi Hedren tem fobia da cor vermelha. Em O Beb de Rosemary, de Roman Polanski, um demnio vermelho que engravida a personagem de Mia Farrow. Em O Iluminado, de Kubrick, vermelho o sangue que banha o corredor do hotel e as paredes do banheiro. Em Taxi Driver, de Martin Scorsese, Robert De Niro banha-se em sangue. Sem falar nas centenas de filmes de terror onde o vermelho jorra grotescamente.

    H tambm os filmes de guerra. Se na cosmogonia das cores o vermelho a pri-meira cor cor da ma, da tomada de conscincia, do reconhecimento do eu e do outro, do corpo e do sexo o vermelho tambm a ltima cor: do fogo que consome tudo, do sangue que escorre do corpo, do sol quando se pe, do horror.

    Em Apocalipse Now, de Coppola, as exploses de napalm cobrem a tela de vermelho. Mas em Alm da Linha Vermelha, de Terrence Malick, de 1988, considerado por muitos como o melhor filme de guerra, que o vermelho atinge o seu limite, embora no haja uma linha vermelha no filme. A expresso cla-ramente uma referncia Batalha da Balaclava, de 1854, quando um pequeno batalho ingls com uniforme vermelho derrotou um peloto da cavalaria russa. Mas, no filme de Malick, a fina linha vermelha imaginria representa a fronteira entre a loucura e a sanidade humanas. O vermelho, diria Malick, o ltimo limite do mundo.

    Foi a primeira cor. E continuar impondo-se tambm como a ltima.

    No sentido horrio: Atrs da Linha Vermelha,

    Jack Nicholson em O Iluminado, Apocalypse Now, Taxi Driver com robert de Niro,

    A Fraternidade Vermelha

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    quanto maisQuente, ousado, sofisticado, o vermelho uma das cores do Natal, vista sua mesa com ele Fotos Joo viLa Edio E produo:

    CamiLE Comandini

    da esquerda para a direita: bandeja de alumnio, Divino Espao, pilha de pratos de cermica, Regatta Casa, vasos e castiais de metal, Le Lis Blanc Casa, porta-sachs alessi, de inox e acrlico (sobre o castial), Benedixt , porta-guardanapos, Roupa de Mesa, bandeja de madeira e vidro, LS Selection, taas de cristal nachtmann para gua e champanhe, Roberto Simes, jarra de gua de prata Belle Epoque, Christofle, faqueiro nomo, de inox, Roberto Simes, e copos nouvel stackable, cristal rubi, BenedixtFundo: toalha de mesa com ponto ajour 100% rami, Mundo do Enxoval

    quente melhorteis

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    da esquerda para a direita: castial de vidro LS Selection, taa de cristal vermelha Christofle, taa (deitada) de cristal para champanhe Bettina alessi com base de acrlico Benedixt, centro de mesa de porcelana, Benedixt, pilhas de pratos de cermica Coroa real, Roberto Simes, com guardanapo de linho, Divino Espao, e xcaras de porcelanas, K-Case, vaso de porcelana Kaiser (deitado), Loeil, com macarons da Opera Ganache, taas para champanhe Cristalin, Loeil, garrafa de vidro leitoso, LS Selection, sousplat com flores brancas Florindian, StileDoc, vaso de porcelana com rosas, Benedixt, talheres Bugatti, Cecilia Dale, porta-velas com detalhes de flores brancas Le Lis Blanc Casa, compoteira de vidro Tnia Bulhes Home

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    Serviobenedixt.com.br | blaussmaison.com.br | ceciliadale.com.br | christofle.com | divinoespaco.com.br | kcase.com.br | kirks.com.br | lelis.com.br/casa | loeil.com.br | lsselection.com.br | mundodoenxoval.com.br | operaganache.com.br | regattacasa.com.br | robertosimoes.com.br | roupa de mesa, tel. (11) 3811-9715 | stiledoc.com.br | taniabulhoes.com.br

    da esquerda para a direita: vaso, Le Lis Blanc Casa, taas de vinho orsini, LS Selection, sob a taa porta-copos de miangas douradas, Cecilia Dale, dentro da taa, guardanapo de organza dourado, Roupa de Mesa, e dentro de outra taa, garfinhos para petiscos com cabo de miangas, Divino Espao, talheres vintage dourados nK, Blauss maison, pilha de pratos (sousplat, raso, sobremesa e fundo) linha Corais do Brasil ii, Tnia Bulhes Home, donzela de metal e cristal, K-Case, sousplat dourado, Kirks, bowls de metal dourado, Le Lis Blanc Casa, copinhos de vidro Zody com desenhos dourados, Loeil, caixa com tampa, Cecilia Dale, folha dourada e garrafas de vidro, ambas Le Lis Blanc Casa

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    Privilegiado, esse Lindenberg tem uma das melhores vistas da cidade, e a morada de um casal que adora levantar as cortinas e receber famlia e amigos Por Mai Mendona | FoToS ValenTino Fialdini

    Com a cidade aos ps

    Para abrigar a coleo de santos do dono da casa, o arquiteto projetou uma estante de madeira patinada que tambm garante certa privacidade para o ambiente nico

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    Detalhes que fazem a diferena: o telescpio no escritrio, as bailarinas estilo dco que enfeitam as salas, o lustre de cristal da sala de jantarD

    o dcimo terceiro andar desse Lindenberg a vista de tirar o flego. De um lado o olhar alcana o espigo da Avenida Paulista, do outro a Marginal revela o Jockey Club de So Paulo, o bairro do Morumbi, e proporciona um show de luzinhas amarelas e vermelhas que fazem do trnsito da cidade um

    belo espetculo. Se algum disser que So Paulo feia, convido para vir na minha casa, fala a dona desse generoso apartamento de mais de 300 metros quadrados, abrindo as cortinas automticas, comandadas por um controle remoto proibido para netos.

    A famlia, hoje um casal e uma filha (os outros dois filhos so casados), decidiu deixar quase todos os mveis para trs ao se mudar de um Lindenberg onde viviam, porque queriam estar mais perto do clube, e comear do zero. Entregaram as chaves do imvel para o arquiteto Cesar Soares, da Novo Antigo, e juntos imaginaram como seria a vida no novo endereo.

    O primeiro passo foi uma pequena reforma: incorporar o terrao rea social, criando um nico espao que rene living, sala de jantar, cozinha gourmet e home theater e modificar um pouco a rea ntima, obras feitas na planta, um servio que a Lindenberg presta para seus clientes.

    Com um mvel de madeira patinada, dividido em casulos, o arquiteto resolveu dois problemas: criou um falso hall, um anteparo para quem chega no apartamento no entrar direto na sala, e acomodou a coleo de santos barrocos do proprietrio de um lado e de vasos de Murano do outro para alvio da dona da casa que no era muito f da coleo mas passou a gostar depois da soluo encontrada.

    O piso de mrmore travertino reveste e unifica todo o ambiente que ganhou deco-rao em composs de tons de terra quebrados por um verde clarinho aqui e ali.

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    Poucas estampas midas em uma ou outra poltrona ajudam a deixar o living e o home theater mais aconchegantes. Sofs, poltronas, chaises e mesinhas de centro e de canto se espalham confortavelmente pelo amplo espao, criando ambientes distintos.

    Ao lado da sala de jantar, para 12 pessoas, a parede foi ocupada por uma cristaleira embutida, onde esto as louas e os cristais da famlia, um belo trabalho de mar-cenaria que segue at a cozinha gourmet, hobby do dono da casa. O arremate, em mrmore preto, vai at a cozinha do dia a dia, criando uma unidade. Gostamos de receber a famlia e os amigos para almoos e jantares e, graas mesinha redonda que o Cesar colocou perto da sala de jantar, acomodo at 16 pessoas sentadas, e sempre muito agradvel, conta a dona dessa morada que costuma, na poltrona larga estrategicamente instalada no antigo terrao, ler e contar histrias para os netos.

    Na rea ntima, um dos quatro quartos foi dividido entre o escritrio do proprietrio, que cuida de seus negcios de casa, e a sute da filha. O mesmo impecvel trabalho de boiserie da sala est na porta-parede que separa e une o escritrio ao dormitrio do casal. A sute da filha ficou um pouco mais espaosa, e o outro quarto foi reservado para a baguna dos netos que visitam os avs quase todos os dias.

    Estampas delicadas quebram a seriedade dos tons de terra da decoraco. O que era o terrao, hoje o cantinho da vov, onde a proprietria l e conta histrias para os netos

    Na pgina ao lado, a pia do lavabo foi embutida em um mvel antigo, e a cozinha gourmet com a generosa vista da cidade ao fundo

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    Pungncia. Quem resolveu transferir o significado dessa palavra que est nos dicionrios como senti-mento de dor, peso, aflio e angstia para a sen-sao provocada em nossa boca pela pimenta? Pode at ser, mas quase sempre injusto. Se eu fosse o Houaiss ou o Aurlio, falaria do sentimento de surpresa, intensidade, vibrao e vigor. Com a vermelhinha, em molho ou pura, bem dosada. Ousada demais, aflio na certa.

    A pimenta tem uso planetrio e, dependendo da regio, mais do que um simples pingo no prato. E o mais curioso: seu consumo impressionante justamente nas regies mais quentes, como Mxico, frica do Norte, ndia, Tailndia e pases vizinhos, Amrica do Sul e Caribe. Contradio? Nada, dizem os especialistas. O paradoxo pode ser explicado pela agradvel sensa-o de frescor que ocorre logo aps o impacto inicial e infernal no paladar. Alm disso, muitos desses povos descobriram de forma intuitiva, e agora confirmado cientificamente, que a pimenta possui fortes proprie-dades antibacterianas.

    Sou um consumidor frequente e moderado de pimenta vermelha em molho e j ouvi que ela ajuda a ter boa memria. Posso atestar que verdade pelo menos acho que tenho a minha afiada. Concluo que o pessoal dessas regies citadas a deve ter no um crebro, mas um processador dentro do coco.

    Certa vez, almocei com um cnsul da Indonsia em So Paulo, em um restaurante fino e caro da cidade.

    Logo aps a chegada do primeiro prato ele pediu mala-gueta. O matre eriou-se todo, como assim?, imagi-nando que o delicado peixe seria demonizado impiedo-samente. Disse que no tinha, mas um garom por perto lembrou que havia, sim, para consumo dos funcionrios. Foi l dentro e trouxe. E vi o honorvel cnsul colocar cinco pimentas inteiras e vermelhinhas no sobre o peixe, mas em uma colher, levando-a boca e em seguida mas-tigando as representantes do gnero Capsicum com claro prazer. O matre quase desmaiou.

    A boa pungncia experimentada pelo diplomata, se-gundo mdicos como o dr. Alexandre Feldman, der-ruba alguns mitos relacionados pimenta, sobretudo as de que ela provoca gastrite, lcera, presso alta e at hemorridas. Bobagem, diz ele, autor de livros em que prega o uso da pimenta contra enxaquecas, sua especialidade. o contrrio. A explicao um pouco complicada e tem a ver com a liberao de endorfinas pelo crebro ao notar que a boca est sendo cruelmen-te atacada pelas substncias picantes das pimentas (capsaicina e piperina), mas o resultado corts: h um estmulo da digesto, ocorrendo tambm o chama-do efeito carminativo (vejam no Google), a cicatrizao de lceras leves e, alm de tudo, correm soltas pelo organismo suas propriedades antioxidantes (antienve-lhecimento) e anti-inflamatrias.

    Em um mundo dependente de boas notcias, as pa-radoxais como essa parecem ser as melhores. E no de agora, j que a histria da pimenta tem um passa-

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    do intenso, com os primeiros ps surgindo por aqui na Amrica do Sul ou, mais precisamente, na Bolvia. Pro-pagou-se pelo continente e alcanou a Amrica Central e o Mxico, provavelmente atravs dos pssaros, insen-sveis sua irritao.

    No Mxico, os astecas desenvolveram muitas varieda-des a partir da pequena Piquin, ou Chiltepin, ancestral de todas as pimentas, criando exemplares de vrios ta-manhos, formas, cores, sabor e intensidade. O esperto Cristovo Colombo levou sementes para a Europa e, acredita-se, apenas 50 anos aps atravessar o Atlntico a pimenta expandiu-se pela frica, ndia, sia tropical, sudoeste da China, Oriente Mdio, pelos Blcs, Euro-pa central e Itlia.

    Ao longo dos sculos, ganhou quase todo o mundo, sen-do apreciada em conserva ou seca, em molhos diversos, geleias, sorvetes, produtos de ptisserie e, ultimamente, em chocolate, cerveja e vodca. Um sucesso. Nos Es-tados Unidos, so cada vez mais populares os clubes de loucos por pimenta, apelidados chiliheads. Eles tm suas feiras, sales, associaes, emisses de rdio e concursos regionais e nacionais, com uma oferta de nada menos de cinco mil molhos diferentes nas lojas especializadas

    A medida da pungnciaPreocupado em descobrir porque diabos uma pimenta era mais ardida que outras, o bigodudo qumico norte-ame-ricano Wilbur L. Scoville inventou um mtodo em 1912 para classificar essa diferena. Deu origem escala que leva seu nome, com medidas que tm a ver com a quanti-dade de vezes em que um extrato de pimenta necessita ser diludo em gua e acar para ser neutralizado.

    Desde ento, a tal pungncia ganhou nmeros, embora mtodos mais modernos, como o HPLC (High Perfor-mance Liquid Chromatography) e a anlise de DNA permitam concluses mais exatas. No entanto, seus resultados so convertidos para a escala Scoville para facilitar a compreenso.

    Assim, fica-se sabendo que a mais poderosa pimenta atualmente a Trinidad Scorpion Butch T, criada em laboratrio de uma empresa australiana em 2011 a par-tir de uma espcie de Trinidad e Tobago. A Scorpion atingiu 1,1 milho na escala Scoville, significando que, para perder sua cruel ardncia precisa ser diluda 1,1 milho de vezes em gua e acar. Ela suplantou a at ento violenta Bhut Jolokia, desenvolvida em Tezpur, na ndia, h alguns anos, com pungncia de apenas 1 milho na escala Scoville.

    Na Europa a mais famosa a pimenta de Espelette, nos Pirineus franceses, mostrada em fotografias na frente das casas, penduradas em cordas para secar, com sua bonita cor vermelha. vendida tambm em p ou fresca.

    No Brasil as mais consumidas (sem incluir a pi-menta-do-reino, de outra espcie) so a malagueta (pungncia de 60.000 a 100.000), de cheiro (10.000 a 50.000), dedo-de-moa (5.000 a 15.000) e cumari (30.000 a 50.000). E tambm a biquinho, com mei-gos 1.000 pontos.

    Abri este artigo falando de pungncia. Ao longo da pesquisa descobri que muita gente gosta de usar ou-tra palavra, picncia. Feia. Pungente maneira das pimentas, agradeo sua leitura.

    Dos primeiros ps nascidos em terras bolivianas a picante Scorpion, criada em laboratrio. Saiba um pouco mais sobre a rainha dos temperos Por Mauro Marcelo alves

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    No corao, como queriam os romnticos, ou no crebro, como preferem os cientistas? O importante saber que todas as formas de amor valem a pena e que amar bom e s faz bem Por Judite Scholz | iluStrao Maria eugnia

    Onde mora o amor?

    Engana-se quem pensa que o amor vive no cora-o. De acordo com cientistas da Universidade Concordia, no Canad, ele mora no crebro. Eles desenharam um mapa exato da atividade dos sentimentos de amor e desejo sexual no crebro.

    Descobrimos que o amor e o desejo ativam reas especficas e relacionadas do crebro, explica Jim Pfaus, um dos autores do estudo. A regio espec-fica atingida pelo amor no estriado, por exemplo, a mesma associada ao vcio de drogas. O amor fun-

    Amor fogo que arde sem se ver; ferida que di e no se sente; um contentamento descontente; dor que desatina sem doer; um no querer mais que bem-querer; solitrio andar por entre a gente; nunca contentar-se de contente; cuidar que se ganha em se perder; querer estar preso por vontade; servir a quem vence, o vencedor; ter com quem nos mata lealdade.Mas como causar pode seu favor Nos coraes humanos amizade, se to contrrio a si o mesmo Amor?

    Soneto 11, caMeS

    ciona no crebro do mesmo jeito que as drogas em pessoas que se tornam viciadas, explica Jim Pfaus. A diferena, bvia, que o vcio em narcticos um hbito ruim, e o amor um hbito bom. Os pesqui-sadores descobriram, tambm, que o desejo sexual deixa as regies do crebro mais ativas do que o amor. Enquanto o desejo tem um objetivo muito especfico, o amor um sentimento mais abstrato e complexo, por isso menos dependente da presena fsica de algum, conta Pfaus.

    De acordo com o pesquisador, a neurocincia oferece muitas respostas sobre as atividades cerebrais exercidas por fatores como a inteligncia e a resoluo de pro-blemas, mas ainda h muito a se descobrir sobre o amor. Esse trabalho um grande comeo. Acredito que v estimular outros estudiosos a realizarem mais pesquisas a fim de desvendar o que o amor.

    Sentimento valorizado e almejado, de difcil defi-nio, o amor seja o romntico, fraterno, a ami-zade, pelos filhos, parentes, ou universal faz bem sade. Equivale a estar em paz. O amor nutre. Quimicamente, quando uma pessoa recebe ou d amor, ela sente uma sensao de bem-estar porque o organismo libera cortisol e adrenalina. J a ausn-cia de amor provoca uma baixa de defesas que se manifesta fisicamente, afirma o psiquiatra Sergio Antonio Cyrino da Costa, diretor superintendente da Federao Brasileira de Psicanlise (Febrapsi).

    Pesquisas comprovam que amar faz bem para o corao porque libera endorfina no organismo, uma substncia que proporciona sensao de bem-estar, prazer e alegria, reduzindo a depresso, controlando a ansiedade e o estresse, verdadeiros riscos psicol-gicos para as doenas cardacas. A felicidade e o pra-zer proporcionados pelo ato de amar estimulam os hormnios e melhoram o estado geral do organismo pela eliminao de toxinas nocivas sade, colabo-rando para a melhoria da qualidade de vida. Quando uma pessoa ama, ela busca cuidar-se mais, o humor melhora, sente-se mais produtiva, criativa e cheia de vida. As pessoas que amam e que possuem uma vida harmoniosa, saudvel, cercada de amigos e com tempo disponvel para o lazer com a famlia, vivem mais e melhor, afirma a psicloga psicoterapeuta Olga Ins Tessari.

    Quando o amor recproco, h uma troca de cuida-dos, de acolhimento. O sentimento de ser importante

    para algum gostoso e confortvel. Saber que algum se preocupa com a gente, que sofre com a gente, que torce pela gente, parece banal, mas faz diferena em todas as fases da vida. Tanta diferena que, de acordo com estudo realizado na Universidade Brandeis, em Massachusetts, Estados Unidos, adul-tos que tiveram uma infncia cheia de amor materno so mais saudveis do que aqueles que no desenvol-veram uma relao ntima com su