lindenberg & life edição 38

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Confira na edição 38, da revista Lindenberg, diversas entrevistas a jovens artistas

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    arte: jos Possi,gregorio gruber,jovens artistas...

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  • Fizemos este anncio para responder duas dvidas suas:

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    As muitas formas da arte: escultura, pintura, teatro, artistas

    O que arte? Essa pergunta recorrente tem centenas de respostas. Arte o belo? Como, se os critrios para avaliar a beleza variam de pessoa para pessoa? Arte o que vemos em museus e galerias, ou seria mais do que isso? A arte uma flor nascida no caminho da nossa vida, e que se desenvolve para suaviz-la,

    escreveu o filsofo alemo Arthur Schopenhauer, cujo pensamento no se encaixava em nenhuma das correntes filosficas do sculo 19. A frase, que parece fora de contexto para um reconhecido pessimista, traz embutidos todos os sentidos da arte: suavizar a vida. Esta edio da revista Lindenberg&Life dedicada s mais diversas manifestaes da arte. Mostramos as esculturas que So Paulo abriga em sua selva de pedra, bronzes de outros sculos ou as curiosas formas das manifestaes atuais. Apresentamos o olhar que o artista plstico Gregrio Gruber lana, em suas telas, sobre So Paulo, capturando uma beleza que muitas vezes no percebemos. Criamos um paralelo entre a arte revolucionria de Tarsila do Amaral, no comeo do sculo 20, e o trabalho que jovens artistas vm desen-volvendo cem anos depois. E trazemos o glamour dos musicais brasileiros, que fazem cada vez mais sucesso, como conta o diretor Jos Possi Neto.Seria o morar uma forma de arte que se aproxima da encenao, do teatro? Ou um jeito de viver com personalidade, como fez o jornalista Cesar Giobbi em seu Lindenberg dos anos 1970, onde transformou os ambientes em pequenos cenrios montados com retalhos de sua prpria histria. E, por que no?, um novo empreendimento que se delineia para fazer do viver, morar e trabalhar um prazer.

    O prazer de aproveitar uma viagem para ir um pouco alm e descobrir um pouco mais, ou de um ano sabtico percorrendo o mundo despojadamente, tendo uma mochila como companhia e uma cmera na mo. Deixar-se envolver, ou no, por esculturas gastronmi-cas que andaram frequentando algumas mesas estreladas, como mostra o saboroso texto assinado pelo crtico de gastronomia Mauro Marcelo Alves, faz da culinria uma arte? Estes so os ingredientes desta edio, algumas formas da arte de viver com qualidade. Divirta-se.

    Adolpho Lindenberg Filho e Flvio Buazar

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    08 Notas Novidades, teatro, exposio16 Cidade Piracicaba, cheia de encantos30 Poticas Urbanas A poesia das cidades32 Urbano Esculturas: arte escondida em So Paulo40 Um outro olhar Gregorio Gruber46 Entrevista Jos Possi, o mago dos musicais50 Arte Jovens artistas, grandes desafios60 Primeira pessoa Teatro do cotidiano

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    62 Personna O apartamento do jornalista Cesar Giobbi70 Cozinha Molecular, sim ou no?72 Qualidade de Vida Voc sabe o que de verdade?74 5 Experincias Um ano sabtico76 Turismo Dobradinhas de sucesso82 Filantropia Casa do Zezinho86 Vendo um Lindenberg 88 Em obras

    uma publicao da Construtora Adolpho Lindenberg.

    Ano 9, nmero 38, 2011

    Conselho Editorial Adolpho Lindenberg Filho,

    Flvio Buazar, Ricardo Jardim, Rosilene Fontes, Renata Ikeda

    Marketing Renata Ikeda

    Direo de arte Lili Tedde

    Editora-chefe Mai Mendona

    Colaboradores Adriana Brito, Flvio Nogueira, Felipe

    Reis, Instituto Azzi, Judite Scholz, Juliana Saad, Mauro Marcelo Alves,

    Mari Vaccaro, Mariana de Salles Oliveira, Maria Eugnia, Patricia Favalle, Roberto Taddei, Romulo

    Fialdini, Rosilene Fontes, Valentino Fialdini

    Revisor Claudio Eduardo Nogueira Ramos

    Arte Raquel Botelho

    Publicidade Cludia Campos, tel. (11) 3041.2775cel. (11) 9910.4427

    [email protected]

    Grfica Pancrom

    Lindenberg & Life no se responsabiliza pelos conceitos

    emitidos nos artigos assinados. As pessoas que no constam do expediente da revista no tm

    autorizao para falar em nome de Lindenberg & Life ou retirar qualquer tipo de material para produo de editorial caso no

    tenham em seu poder uma carta atualizada e datada, em papel timbrado, assinada por pessoa

    que conste do expediente.

    Lindenberg & LifeR. Joaquim Floriano, 466, Bloco C,

    2 andar, So Paulo, SP, tel. 3041-5620 www.lindenberg.com.br

    Jornalista ResponsvelMai Mendona (Mtb 20.225)

    A tiragem desta edio de 10.000 exemplares foi auditada por PwC.

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    Nossa CapaPintura, uma das muitas artes de Tatiana Blass

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    ilustrao Maria Eugnia

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    Errata: Na matria Novos Espaos de Trabalho, publicada na edio 37, a sigla do nome do escritrio de Fernando Forte, Loureno Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz saiu FMGF, o correto FGMF

    a terra azulYuri Gagarin 12/4/1961

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    De Kooning: Uma RetrospectivaConsiderado um dos mais importantes artistas do sculo 20, Willem de Kooning, o mestre do expressionismo abstrato, ganha retrospectiva no MoMA de Nova York. A mais completa mostra sobre o artista aborda sete dcadas de criao artstica, desde a fase acadmica dos primeiros anos vividos na Holanda, a fase ps-chegada aos Estados Unidos, a influncia de Gorky, as composies geomtricas de antes da Segunda Guerra, o preto e branco, a volta ao figurativo, e termina na dcada de 1980. So mais de 200 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos e gravuras, entre eles Pink Angels (1945), Excavation (1950) e a srie Woman. Esse completo panorama na obra do mestre do expressionismo abstrato tem como ponto alto Labyrinth, de 1946, pano de fundo criado para a apresentao da danarina surrealista Marie Marchowsky, da companhia Martha Graham, muito pouco vista. De 18 de setembro a 9 de janeiro de 2012. www.moma.org

    Patchwork no ChoFrancesca Alzati, designer da by Kamy, reaproveitou placas de tapetes novos, antigos, nacionais e estrangeiros e criou o Goltchin Color, uma interessante colagem de retalhos que depois foram tingidos manualmente de azul. O resultado curioso e nico. www.bykamy.com.br

    Freud na MesaElogiada aqui e no mundo, a designer Roberta Rampazzo inusitada e inovadora, no apenas

    nos materiais que usa como nas formas que cria. A mesa Alma, por exemplo, foi feita

    com sobras de madeira e acrlico reciclvel como estrutura. A parte interna representa

    as emoes e suas irregularidades, a externa mais definida e racional. Da o nome, explica

    a moa. www.robertarampazzodesign.com

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    Cheirinho BomDespertar os sentidos nos espaos em que se vive era novidade em 1991 quando a Antik foi criada. Pot-pourris e sprays aromatizadores de ambientes viraram mania. Se recriando a cada estao, a Antik comemora seus 20 anos com uma nova essncia: Allegra, notas de sada de grama cortada e pomelo rosa, somadas ao jasmim, violeta, carvalho e musgo. E trs novidades, uma flor perfumada, cotton leaf para perfumar gavetas e spray concentrado para recarregar o perfume dos dois. www.antik.com.br

    Prola NordestinaRevistas como a Wallpaper, Harpers Bazaar, Tatler Travel Guide 2011 top 101 hotels in

    the world e Travel + Leisure The Best New Hotels 2011 j dedicaram pginas de suas publicaes nova sensao do Nordeste:

    o Kenoa Resort, o primeiro eco-chic design resort do Pas, em Barra de So Miguel, 30

    quilmetros ao sul de Macei. Parte da lista do Design Hotels e apontada como Novidade

    do Ano 2011 pelo Guia Quatro Rodas, o novo conceito eco-chic design do resort combina

    respeito pelo meio ambiente em primeiro lugar, exclusividade, tranquilidade, equilbrio e paz em 23 acomodaes com todo o conforto do

    que h de mais moderno e uma atmosfera intimista e casual, o spa com tratamentos

    relaxantes e um restaurante a cargo do renomado chef Csar Santos. No deixe de assistir ao pr do sol no lounge que fica a 9

    metros de altura e tem uma vista espetacular. Tel. (82) 3272-1285, www.kenoaresort.com

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    Em 70 lojas no mundo.Alam. Gabriel Monteiro da Silva, 1865Jardim Amrica - So Paulo - SPFone 11 3062 6297

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    Em Algum Lugar do Passado Quando nos mudamos para Michigan, imaginei carros, indstrias, mais carros e, claro, os grandes lagos. Era difcil acreditar que pudessem existir lugares charmosos por aqui. E no que me surpreendi? O estado de Michigan formado por pennsulas delimitadas pelos Grandes Lagos Michigan, Huron e Superior. no Huron, a cerca de 400 quilmetros de Detroit, que fica Mackinac Island, um paraso buclico onde no entram carros, somente cavalos, bicicletas ou a p. Atravessa-se o lago de barco e, ao desembarcar a sensao de estar em um filme de poca. Casinhas brancas de madeira, carruagens puxadas por cavalos, bandeiras penduradas. No toa que o Grande Hotel, o mais chique hotel da ilha, tenha sido cenrio do filme Em Algum Lugar do Passado. No h muito o que fazer em Mackinac Island, alm de explorar seu charme. E so trs os jeitos de conhecer a ilha: pedalando, caminhando ou a cavalo. Circundar a ilha de bike leva pouco mais de uma hora, contando paradas estratgicas para admirar a vista do Huron e tirar fotos. So apenas 12 quilmetros. possvel jogar golfe, os restaurantes so simpticos e a especialidade do lugar o Fudge, uma pasta de chocolate com vrios sabores, deliciosamente engordativo e bem americano. Roberta Pires Dias, www.taylormade.com.br

    Olhares Urbanos Temas como sociologia urbana e antropologia urbana, o funcionamento da vida social na metrpole, so alguns dos temas abordados no livro Olhares Urbanos, Estudos Sobre a Metrpole Comunicacional (Summus Editorial), organizado por Ricardo Ferreira Freitas e Janete da Silva Oliveira, que lana um olhar sobre o uso, a percepo e a representao das metrpoles e de seus personagens por meio da anlise de diversas mdias.

    Em QuadrinhosH anos Marco Mariutti migrou da pintura em tecido para a tela, e seus trabalhos so surpreendentes pela liberdade do trao e pelo uso da cor. As imagens surgem da mistura aleatria de tintas diludas sobre a tela. Enquanto eu pinto, como se estivesse olhando as nuvens no cu procura de desenhos, explica ele que nesse trabalho encontrou uma moa de batom, um mapa do litoral e uma ilha de pedra. Gosto especialmente dele pelas cores claras e iluminadas, entrega. Rua Francisco Leito, 222, tel. (11) 3628-6939.www.flickr.com/photos/marcomariutti

    Tudo se RecriaValendo-se da beleza das cascas das rvores descartadas pela natureza, das marcas deixadas pelo tempo nas madeiras desprezadas pelo homem, a designer Monica Cintra construiu uma srie de abajures que brincam com a leveza da gaze e da seda de suas cpulas. www.monicacintra.com.br

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    Corpo com AlmaO nome no denuncia, mas

    o escultor Israel Kislansky baiano de Salvador. E

    talvez tenha sido a beleza das baianas que fez dele

    um apreciador das formas femininas que procura

    capturar em suas esculturas de madeira, cermica ou

    metal. Algumas pequenas, perfeitas e delicadas, outras enormes, quase disformes, e

    igualmente belas. www.kislansky.blogspot.com

    E Fez-se a LuzAs peas, garimpadas all around the world, esto entre as mais festejadas.

    O design pode ser muito ousado ou algum clssico consagrado. O importante qualidade, criatividade, funcionalidade e tecnologia. Essa

    a proposta da Eurolight, que trabalha com marcas como a italiana AVMazzega, a holandesa Brand Van Egmond, a alem Glashutte

    Limburg, a dinamarquesa Poulsen ou a italiana Slamp, entre outras. www.eurolight.com.br

    Broom Hanging Lamp, Brand Van Egmond (acima)Devil, Nigel Coats (ao lado)

    ClickA Olympus est trazendo para o Brasil trs novas cmeras compactas da sua famlia PEN, atraentes por serem pequenas, funcionais, e com alta qualidade de resoluo tanto para fotos quanto para filmes. PEN E-P3 vem com o foco automtico mais rpido do mundo e qualidade de imagem DSLR; PEN E-PL3 para fotgrafos que querem memrias gravadas com qualidade de imagem profissional e inclui tecnologias fceis de usar, como a tela de LCD inclinada que permite tirar fotos de uma multido ou no nvel do cho com igual qualidade e a PEN E-PM1, a menor e mais leve e colorida cmera da famlia. www.getolympus.com

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    Repleta de belas paisagens naturais, Piracicaba experimenta processo de modernizao sem perder suas razes e suas caractersticas tpicas de cidade do interior Por FLvio Nogueira | Fotos FeLiPe reis

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    Piracicaba a prova de que nem todas as cidades interioranas so to pequenas assim. Aqui, entre um canto e outro, o que se sente um mix de clima acolhedor e de imponncia traduzidos por edif-cios e indstrias. Rodeada de fazendas centenrias, as belezas naturais locais enchem qualquer olhar. E sua arquitetura revela que alm de abenoada pela natu-reza, a regio recheada de boas histrias e cheia de encantos, como brada o hino da cidade.

    Em suas ruas tranquilas e arborizadas, as pessoas andam sem pressa e a atmosfera familiar repleta de cordialidade como a de uma cidadezinha. E isso a aproximadamente 160 quilmetros da capital paulista. Com cerca de 380 mil habitantes, Piracicaba (lugar onde o peixe para, em tupi-guarani) tem uma economia bastante diversificada, principalmente no setor agrcola e industrial, ela hoje uma das cidades mais produtivas

    do Estado de So Paulo. Bem localizada, tem como vizinhas Americana, Hortolndia e Campinas, essa ltima distante apenas 70 quilmetros.

    O Rio Piracicaba, um dos principais atrativos, tem valor inestimvel na biografia da regio. Assim como outras civilizaes nasceram ao longo das margens de um rio, como o Eufrates e o Nilo, o de Piracicaba tambm um smbolo de vida e base econmica. Sua histria comea em meados de 1766, quando o capi-to-general de So Paulo, D. Lus Antnio de Souza Botelho Mouro, encarregou Antnio Corra Barbosa de fundar uma aldeia prxima do desgue do rio. Mas, o capito preferiu se estabelecer em um ponto onde j estavam fixados alguns posseiros e tambm onde moravam os ndios paiagus, margem direita do salto, cerca de 90 quilmetros de onde o capito D. Lus pediu que ele institusse a aldeia. O endereo seria

    escola superior de agricultura Luiz de Queiroz (esaLQ - usP).

    acima, ponte do Mirante, foto tirada em 1916. ao lado, coqueiros que embelezam a entrada do esaLQ

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    ponto de apoio das embarcaes que desciam o Rio Tiet e daria retaguarda ao fornecimento do forte de Iguatemi, fronteirio ao territrio paraguaio.

    Um ano depois, mais precisamente no dia 1 de agosto de 1767, Piracicaba foi fundada sob a invocao de Nossa Senhora dos Prazeres. E 17 anos depois ocorreu a primeira grande mudana: A cidade foi transferida para a margem esquerda do rio, logo abaixo do Salto, onde as terras favoreciam a fertilidade, expanso e con-sequentemente atraram muitos fazendeiros.

    Mas os atributos histricos no param por a, as bor-das do rio tm ainda outro importante marco: A Casa do Povoador um modelo valioso da arquitetura

    piracicabana do sculo 19, um casaro de pau a pique marcado pela passagem dos bandeirantes, o qual, em 1940, foi preservado pela prefeitura municipal.

    Outra obra que ganha ateno a do Engenho Central um imponente edifcio fundado em 1881 pelo baro Estevo Ribeiro de Rezende, com o objetivo de subs-tituir o trabalho escravo pela mo de obra assalariada e pela mecanizao , reconhecida como patrim-nio histrico em 1989 e transformada em um impor-tante espao cultural e artstico. No muito longe do Engenho, outro atrativo: O Museu da gua, construdo em 1887, rico em detalhes arquitetnicos como arcos, pisos e paredes de pedras, aquedutos centenrios e antigas tubulaes de ferro.

    tarde tranquila, ensolarada e cercada pelo verde do Parque da rua do Porto

    Na pgina ao lado, engenho Central de Piracicaba, s margens do rio, edificado pelo Baro de rezende, em 1881 e tombado como patrimnio histrico pelo CoDePaC em agosto de 1989

    Quem acompanhou algumas mudanas na cidade foi a fazendeira Mercedes P. e C. Lunardelli. Vi algumas transformaes na regio, o plantio da cana de acar se afastando da cidade, novos loteamentos sendo implan-tados, a descaracterizao do Centro, a demolio de quase todos os edifcios antigos do quadriltero entre as ruas XV de Novembro e Prudente de Moraes, revela.

    E como qualquer cidade em fase de desenvolvimento ela viu de perto alguns benefcios que a regio ganhou, como a revitalizao de reas degradadas e a aposta em biotecnologia. Temos muitas indstrias novas, inclusive a Hyundai se instalando. A criao de uma escola de msica pelo sr. Mahler, as exposies de arte e aindaas modificaes da Rua do Porto em rea de lazer, conta.

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    Ponte sobre o rio Piracicaba que d acesso ao engenho Central.

    Na pgina ao lado, ao fundo avista-se o bairro Nova Piracicaba e sua localizao

    privilegiada com vista para o logo do Parque Beira-rio e o rio, e a entrada do

    teatro Municipal

    Nova PiracicabaEm meio a essa etapa de crescimento, a Adolpho Lindenberg acompanha a modernizao de Piracicaba e assina um empreendimento com novo jeito de morar. No projeto residencial, em fase de desenvolvimento, trs torres de alto padro e estilo neoclssico, marca registrada Lindenberg, e o conceito de casa, que inclui terraos gourmet integrados rea social, valorizao da sute mster e do living, onde a cultura do convvio e do receber bem estar presente. Bem maneira pira-cicabana, como identificaram os estudos feitos pelos desenvolvedores da incorporao.

    O projeto, previsto para iniciar ainda este ano de 2011, ocupar um terreno escolhido a dedo, com mais de 7 mil metros quadrados na Avenida Armando Cesare Dedini com a Avenida Dona Francisca, no bairro Nova Piracicaba um espao residencial, prximo a escolas e restaurantes, a cerca de dois quilmetros do Centro. E o melhor, com vista para um dos cartes-postais da cidade: o Rio Piracicaba.

    Modernos, os apartamentos tero de 200 a 360 metros quadrados, com lazer diferenciado que conta com brin-quedoteca, sala fitness, SPA e sauna, privilegiando um espao descontrado que traduz bem-estar.

    J no Centro da cidade, mais precisamente na Rua Luiz Curiacos, a novidade ser o empreendimento comercial, ou melhor, um empreendimento mix que rene, na mesma torre de arquitetura contempornea, 144 saletas comerciais de 40 metros quadrados e 106 apartamentos residenciais de 55 metros quadrados com servios, rea de compras e uma sala de conveno. Na cobertura ser instalada uma rea de lazer com vista panormica para a cidade e o rio, claro. Dois empre-endimentos com assinatura da maior grife imobiliria do mercado, concebidos ao longo dos anos pelo funda-dor Adolpho Lindenberg.

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    DesfruteQualidade de vida um dos maiores atrativos de Piracicaba (terra do ator Leonardo Vilar), comum encontrar pessoas caminhando e aproveitando as mar-gens do rio para descansar, relaxar e pescar. Outro programa corriqueiro entre os moradores sentar em uma das mesas dos bares prximos ao rio e colocar a conversa em dia com os amigos.

    Quem sabe bem o que isso a piracicabana Marianna Giannetti, a estudante de Direito adora curtir a cidade com sua famlia e os amigos. H muitos programas legais pra fazer aqui, um que gosto e recomendo comer peixe fresco na beira do rio e experimentar as delcias da Chococlair, uma Maison de Chocolate, revela.

    Para os jovens que buscam diverso, a Mr. Dandy a pedida certa, balada tradicional, com msica eletr-nica, black music e hip-hop, mas dependendo do dia da semana o playlist do DJ toca outros estilos. Tem tam-bm outras duas opes para quem gosta de danar: Vive la Vie e a Mercearia, diz Marianna.

    vista externa e interna do aqueduto construdo em 1887, onde funcionou a estao de Captao e Bombeamento de gua da cidade,

    e transformado em Museu da gua no final do ano 2000

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    Casinhas coloridas da rua do Porto, onde fica a maioria dos restaurantes e

    bares de Piracicaba

    Para os apreciadores de comida caseira a Rua do Porto, com sua arquitetura colorida, conta com diversos res-taurantes, cantinas e lanchonetes com cardpios pra l de variados, mas o peixe assado no tambor, os milhos cozidos, o cuscuz e o curau esto entre os mais pedi-dos. J a pamonha um caso parte, famosa em todo o Interior. No menu de bebidas no pode faltar uma boa cachaa e o caldo de cana com limo ou abacaxi. aqui que fica, tambm, o Parque Rua do Porto, imensa rea verde beira do rio.

    Para os que preferem um programa cultural, opes de entretenimento no faltam: Teatro Municipal, cine-mas, galerias de arte como a Casa do Arteso, Museu Prudente de Moraes e a Pinacoteca Municipal Miguel Arcanjo Dutra. Parques ecolgicos garantem a diver-so. E para aqueles que gostam de fazer boas compras o comrcio forte na rea central e em seu principal shopping center.

    Piracicaba abriga as mais importantes instituies de ensino superior, como a Faculdade de Odontologia da Unicamp, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de So Paulo, Universidade Metodista de Piracicaba, Escola de Engenharia e Faculdade de Servio Social. Alm disso, no campo de cincias e tecnologia, a cidade se destaca pelo seu Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura), da Universidade de So Paulo.

    Como se no bastassem todos esses atrativos, Piracicaba tem o Mirante, um pequeno bosque de rvores nativas e vegetao tpica, com alamedas que permitem cami-nhadas agradveis, que retrata a histria da regio e, claro, uma viso privilegiada do rio, do Salto, da Rua do Porto e da cidade, que um encanto.

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    Pamonha de Piracicaba

    Ingredientes:12espigas mdias de milho verde bem novo4colheres (sopa) de acar lata de leite1 lata de leite condensado

    Modo de fazerCorte a base das espigas e descasque o milho. Limpe e lave as espigas e as folhas. rale as espigas bem rente aos sabugos. Bata o milho ralado no liqidificador com o leite condensado, o acar e o leite. reserve. afervente rapidamente as folhas do milho em uma panela funda para amolecerem. separe as menores e desfie formando tiras estreitas. segure a folha no sentido do comprimento e faa duas dobras sobrepostas. Dobre ao meio, unindo as extremidades abertas. segure o pacote pela extremidade e encha-o com o creme de milho, deixando bastante espao vazio na borda. Feche o pacote, amarrando com a tira reservada. Cozinhe em gua fervente, at que a palha amarele e as pamonhas fiquem firmes. retire da gua e escorra. sirva quente ou fria.

    Dica para esta receita. Para fazer os pacotes importante que as espigas estejam intactas, totalmente revestidas pela palha. . se preferir, em vez de ralar as espigas, corte o milho rente ao sabugo e prossiga com a receita. . Para um preparo mais simples, despeje a pamonha em um recipiente refratrio mdio e asse em banho-maria em forno mdio (180C), preaquecido, por cerca de uma hora ou at dourar. . os ingredientes da pamonha variam conforme a regio do Pas. Pode-se, por exemplo, acrescentar uma colher (ch) de canela em p ao creme da pamonha; ou substituir o leite por leite de coco; ou, ainda, acrescentar coco fresco ralado

    Salo Internacional do Humor de PiracicabaFoi em 1973, em plenos anos de chumbo, que um grupo de artistas locais, que costumava se reunir no Caf com Bule para jogar conversa fora, decidiu que seria divertido montar uma mostra de humor agregada ao Salo de Arte Contempornea. Foram atrs do cartunista Jaguar que topou a idia, mas acabou no vin-gando. No ano seguinte, nova tentativa. O grupo, agora encorpado por novos adeptos, desembarcou no Rio para conversar com a turma do Pasquim. Conversa vai, conversa vem e depois de muitos garrafes de pinga, conseguiram que Millr, Ziraldo, Zlio, Jaguar, Fortuna e Cia, os mais festejados cartunistas de ento, participassem do 1 Salo de Humor de Piracicaba. A iniciativa mostrou-se um sucesso. O Salo cresceu, ganhou fama, colocou a cidade no cenrio mundial do humor, guarda um acervo de mais de 300 obras que retratam as ltimas quatro dcadas, e che-gou, em agosto, a sua 38 edio cheio de ener-gia, preparando-se para entrar nos quarenta anos revelando novos talentos.

    avenida Maurice allain, 454telefones: 19.3403.2620, 3403.2623

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    a poesia das cidadesH que se enxergar o lugar onde se vive com os olhos da intimidade do cotidianoPor rosiLene Fontes | iLustrao Maria eugnia

    No poema Retrato de uma Cidade, Carlos Drummond de Andrade enxerga a sensuali-dade feminina na cidade e compara o Rio de Janeiro a uma mulher.

    E vai-se definindoa alma do Rio: v mulher em tudo.

    Na curva dos jardins, no talhe esbeltodo coqueiro, na torre circular,

    no perfil do morto e no fluir da gua,mulher mulher mulher mulher mulher.

    As cidades podem ser elegantes, charmosas, pequenas, grandes, feias ou bonitas. Muitas vezes so maternais e acolhedoras, ao mesmo tempo que, como So Paulo, tm a fora e a energia de uma guerreira. So cida-des espalhadas pelo mundo que, como as mulheres, so complexas e difceis de definir. Adjetivos femininos no faltam.

    No existe um padro mundial que defina uma cidade. Uma comunidade urbana pode ser uma vila, um povo-ado, uma aldeia. Mas existem algumas caractersticas fundamentais que a definem: o nmero de habitantes

    em uma dada rea; as relaes entre indivduos; os agrupamentos de reas com funes diversas: residen-ciais, comerciais, industriais e toda a infraestrutura que a compe. Ao longo da histria, estudiosos viram nas cidades no apenas uma das mais perfeitas solu-es como o ambiente propcio criao e ao desenvol-vimento humano.

    O homem transforma a cidade que transforma o homem

    No poema Lisboa Revisitada, Fernando Pessoa custa a reconhecer a cidade onde passou a infncia. Lisboa est to transformada que ele se v como um estrangeiro. Aos poucos, o poeta vai revendo a cidade nos fragmen-tos de sua memria para, no final, reconhecer-se na cidade e perceber o quanto ele tambm mudou.

    Foi no sculo 19 que os poetas, sensibilizados com as transformaes da cidade, tomaram o cenrio urbano como um novo discurso lrico. Em cada um deles parecia erguer-se uma nova cidade, local de vivncias, desejos, sonhos, memrias. E assim surgiu a Poesia Moderna.

    Hoje a cidade passa despercebida diante de ns. No nos damos conta do quanto ela importante para nossa formao. A cidade nos educa, informa, com-partilha pensamentos, vivncias e nos abre um vasto campo de possibilidades.

    Um dos trabalhos de dana-teatro da coregrafa Pina Bausch tinha a cidade como protagonista. O espetculo passava por vrias cidades do mundo e, antes da estreia, Pina Bausch ficava na cidade por algumas semanas, para ali viver, ver, sentir, ouvir e pensar aquela cidade. O objetivo no era representar a cultura especfica de um pas, mas captar as sensaes do lugar. Para a core-grafa, a melhor maneira de se conhecer um lugar que nos estranho conhecendo as pessoas que o vivem. por intermdio delas que chegamos ao que verda-deiro, s coisas de todos os dias.

    Chegar s coisas verdadeiras viver a intimidade do cotidiano. A florista da loja da esquina, a paisagem do caminho de casa para o trabalho, o jornaleiro do quios-que da praa, a balconista da loja, cada um em um canto da cidade, cada um com suas histrias e mem-rias compartilhadas.

    Viver o cotidiano na intimidade nos faz sentir parte da cidade, a cidade que nos habita e nos faz pertencer, assumindo a dimenso potica de habitar esta Terra.

    Job: whirpoolkitichenaid -- Empresa: DM9 -- Arquivo: 74355-026-KIT-Lindenberg-Life 23x30_pag001.pdfRegistro: 29018 -- Data: 15:00:33 25/05/2011

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    jardim de esttuas

    Entre os contornos da megalpole paulistana, ainda possvel conferir arte in natura

    Por Patrcia FavaLLe | Fotos Mari vaccaro

    As imagens esculpidas por gente como Amlcar de Castro e Ema-noel Arajo preenchem algumas lacunas quando o assunto gira em torno da democratizao da arte. Quase sempre confinadas em museus ou galerias, poucas representantes deste segmento esto expostas s intempries e aos olhares crticos de quem caminha pelos agitados endereos cosmopolitas.

    Embora parte das esttuas figurem livres, suas moradas eternas aca-bam por conden-las ao segundo plano trata-se da arte tumular, movi-mento contundente em destinos como Frana, Inglaterra, Alemanha e Argentina, mas que, por aqui, ainda enfrenta o preconceito de ser enqua-drada como adorno de caixo. Talvez por desconhecimento ou crendice popular, cones assinados por Jos Giorgi e pelo prprio Victor Brecheret autor de monumentos como o das Bandeiras (1953), ancorado s mar-gens do Parque do Ibirapuera, e Depois do Banho (1932), situado no Largo do Arouche , tornaram-se clebres desconhecidos.

    Fora dos cemitrios, o poder pblico elegeu o ambiente outdoor, especial-mente as reas verdes comuns, para fomentar tais investidas. Por sinal, uma rpida voltinha pela histria j capaz de esboar a importncia des-sas invenes realsticas na formao da identidade cultural dos povos, afinal, houve tempo em que os monarcas, os animais alados e os deuses dividiam os afazeres dos artesos e a contemplao dos simples mortais.

    Cantoneira, Franz Weissmann, no Parque do ibirapuera

    Na pgina ao lado, Fita, Franz Weissmann, no Parque da Luz

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    procura da luzOs primeiros exemplares encontrados em escavaes arqueolgicas so remanescentes da Idade da Pedra e das Cavernas, e se estendem aos domnios da China, da Prsia e da ndia de sculos atrs. Dos oito mil Guerreiros de Xian um exrcito inteirinho feito de terracota para proteger o mausolu do imperador Qin (259 a 210 a.C.) s divindades cheias de braos, pernas e cabeas do hindusmo, so observadas tcnicas e elementos dos mais variados.

    Moldadas na madeira, mrmore, granito, argila, gesso, bronze ou nos nobres ouro e prata, as esttuas podem ser destacadas por perodos: na antiguidade estiveram ligadas religio, no iluminismo e no renascentismo, arqui-tetura, e, mais recentemente, elas encolheram para ser inseridas ao dcor.

    Numa outra esfera, o bano africano tramado 500 anos a.C. pelos noks (territrio onde atualmente est a Nigria) e o requinte das reprodues faranicas de Nefertitti e Tutancmon contrastam com o luxo em alto-relevo dos murais cinzelados na fachada do Paternon, na Grcia. E foi nesse destino que a expresso tomou ares profissio-nais, servindo de alento para romanos, germnicos e saxes.

    Pelas mos de Donatello, Michelangelo e Bernini, apenas para citar alguns artistas importantes, a proporo se dobrou esttica, redefinindo grgulas gticas e carrancudas s figuras belas e copiadas de David e da Vnus de Milo. Embora as tbuas dos mandamentos dadas a Moiss condenassem o politesmo e a elevao dos hits inani-mados, a simbologia que atravessou oceanos e civilizaes tratou de adular todo e qualquer tipo de imagem bem feita. Logo, as artes plsticas se renderam ao preciosismo das cenas e estabeleceram um novo captulo matria.

    Piramidal 34, ascanio MMM, e O Quadrado, emanuel araujo, no Parque da Luz.As Irms, alfredo ceschiatti, no Parque do ibirapuera

    Maria Tudor, Luiz Brizzolara, no teatro Municipal

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    Retrato da PolisA mais sria obra de escultura que at hoje apareceu em So Paulo foi tambm uma Eva, a de Rodin. (...) Diante da Eva de Brecheret, ora exposta na casa Byington, perde a de Rodin o primado absoluto e passa a ser ombreada por uma rival, igualmente obra-prima, e s inferiorizada pelo fato de a assinar um escultor brasileiro de nome ainda no trombeteado pela buzina da fama, registrou Monteiro Lobato em crnica publicada em 1919 e intitu-lada As quatro asneiras de Brecheret.

    Ao contrrio do que alude o ttulo, o texto descreve o impacto causado pelo talento do jovem Victor Brecheret, que havia sido premiado na Europa e escolhera regressar ao Brasil para desenvolver, aqui, a sua carreira. Lobato sabia reconhecer um gnio quando cruzava com um, mas o sentimento intrnseco do Jeca Tatu (o complexo do vira-lata rodriguiano), o fazia colocar os ps no cho e os pingos nos is.

    Certamente o escritor teria outro de seus assombros se fosse apresentado a um dos arquitetos mais inventivos dos sculos 20 e 21. Oscar Niemeyer tem um legado que vai alm do Copan e do circuito semiesfrico da Oca. No Memorial da Amrica Latina, ele deixou o concreto menos bruto. A Mo representa o suor, o sangue e a pobreza que marcam a histria latino-americana to desarticulada e oprimida. Mo de protesto, espalmada, com os dedos abertos em desespero, e o mapa a correr sangue at o punho. Que este seja um emblema que ajude a transformar o continente num monobloco intocvel, capaz de faz-lo independente e feliz, disse.

    Num complexo entrelaado de ruas, avenidas, arranha-cus e carros, no de se surpreender que as esculturas de mais de duzentos artistas, criadas para suavizar o caos cotidiano, tenham quase desaparecido vtimas do abandono e do vandalismo. Por conta das comemoraes do centenrio do Liceu de Artes e Ofcios nasceu o projeto Monumentos de So Paulo, que mapeou as esttuas da cidade e buscou recursos privados para recuperar os estragos.

    Me, caetano Fraccaroli, na Praa Buenos aires

    sem nome, artur Lescher, no Parque

    da Luz.Portadora de

    Perfume, victor Brecheret,

    Fauno, victor Brecheret, no Parque

    siqueira campos Sete Ondas, amelia

    toledo, no Parque ibirapuera

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    Embarque neste city tourO italiano Luiz Brizzolara tem 14 obras na Pauliceia, das quais 12 integram o conjunto escultrico da Praa Ramos de Azevedo, inaugurado em 1922. O projeto conta com um prottipo da fonte dos desejos de Roma e mrmores, granitos e bronzes posicionados aos ps da escadaria que leva ao Teatro Municipal. Destaque para o Guarany, Carlos Gomes e Maria Tudor.

    Alfredo Ceschiatti salpicou Minas Gerais e Braslia com seu trao moderno e ousado. dele a efgie que retrata a Justia no corpo de uma mulher sentada e de olhos vendados, colocada em frente ao Supremo Tribunal Federal. Por aqui, o Museu de Arte Moderna (MAM) arrematou o bronze As Irms, que fica no gramado do Parque do Ibirapuera.

    Tambm no Ibirapuera, o ao sinuoso de Amlia Toledo brinca com a falta de mar da metrpole e refresca os nimos dos visitantes com as Sete Ondas. Seguidora do gravurista Joo Lus Chaves e dos pintores Waldemar da Costa e Yoshiya Takaoka, a artista se especializou em Londres e lecionou em importantes universidades nacionais.

    Com obras espalhadas entre o eixo S-Cidade Universitria, o mineiro Amlcar de Castro cravou o seu ao modu-lar e assimtrico pela grande rea verde do Parque da Luz, que faz fronteira com a Pinacoteca do Estado. Por aquelas bandas h dois exemplares, ambos sem nome, que caracterizam o neoconcretismo tupiniquim.

    Natural de So Paulo, Artur Lescher quase um novato entre seus pares. Com a carreira estabelecida a partir de 1984, o artista se utiliza das formas geomtricas e do vis arquitetnico para transformar o engenhoso tecido urbano em leituras fracionadas. Contextualizada no Parque da Luz, a pontiaguda pea de ao (sem nome) mede trs metros de comprimento e 0,30 centmetros de dimetro.

    Na estufa de talentos mantida pela Pinacoteca no parque pblico da Luz, h solo suficiente para a interveno de Ascnio Maria Martins Monteiro ou apenas Ascnio MMM. Piramidal 34, construda de alumnio anodizado e parafusos de ao inoxidvel, tem formas tridimensionais, aberturas angulosas e colorido vibrante.

    Imigrante italiano radicado nos trpicos, Amadeo Zani foi um dos mestres pioneiros no Liceu de Artes e Ofcios. Idealizador dos bustos de lvares de Azevedo, Giuseppe Verdi, Caetano de Campos e Cesrio Mota, entre muitos outros, dele tambm uma das mais formidveis insgnias regionais, que muitas vezes nos passa despercebida, batizada de Glria Imortal aos Fundadores de So Paulo. O obelisco de bronze foi fincado no local onde se ori-ginou a capital, no Ptio do Colgio.

    Das cinco esculturas do italiano Caetano Fraccaroli que esto em Sampa, talvez Me seja a sua obra-prima. Vencedora de um concurso em homenagem mulher, a esttua de 24 toneladas, talhada a partir de um nico bloco de mrmore, foi alojada nos jardins da Praa Buenos Aires, no bairro de Higienpolis. Contrariado com o acabamento de concreto que circundou a pea, Fraccaroli preferia que a mesma estivesse rodeada por um espelho dgua.

    Emanoel Arajo um dos nomes mais promissores das artes plsticas sul-americanas. Depois de ter passado pela direo de instituies relevantes, assumiu a curadoria do Museu Afro-Brasileiro, mas no deixou de lado as tarefas como escultor, que podem ser vistas na obra O Quadrado, o Crculo e o Disco Fragmentado, exposta no Parque da Cidade Universitria.

    Como ilustrar a malha urbana em todas as suas nuances? Questo complicada que poucos se atreveriam a res-ponder. Mas, para sorte geral, o austraco de alma carioca Franz Weissmann destrinchou o enredo e deu forma ao Dilogo, um cubo ldico forjado de chapas de ao e retas opostas, cintila em plena Praa da S.

    Depois de conquistar a crtica com a escultura Eva, considerada a manifestao inaugural da Semana de Arte de 1922, Victor Brecheret se confirmou como o maior artista do gnero no Pas. Na sua fase madura, Fauno, de 1942, se evidencia pela riqueza de detalhes calcados no granito de 3,40 metros. A obra fica num refgio de Mata Atlntica, dentro do Parque Siqueira Campos, no corao da Avenida Paulista.

    Glria Imortal dos Fundadores de So Paulo, amadeo Zani, no

    Ptio do colgio Parte do conjunto escultrico da

    Praa ramos de azevedo,sem nome (no centro), amlcar

    de castro, no Parque da Luz

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    A vida no aceita planejamentos. Ainda bem. Depois de se decidir pela Arquitetura e estudar os primeiros anos do curso na Universidade Mackenzie e, pouco depois, ingressar na Fundao Armando lvares Penteado para aprender Artes Plsticas, Gregrio vestiu o mochilo e foi desbravar o mundo. Se havia um fragmento de tristeza por no seguir o traado de Paulo Mendes da Rocha, Lcio Costa e Oscar Niemeyer, mestres no ofcio de espichar edifcios, surgia o contentamento por apresentar seus esboos em sales nacionais, bienais e galerias.

    Em 1974, recebi o convite do Bardi [Pietro Maria, diretor do Museu de Arte de So Paulo], que quis montar uma individual a primeira da minha carreira numa grande metrpole com parte das obras que havia criado at ento. A repercusso se deu de forma to positiva que o artista no parou mais. Foi professor de desenho de modelo vivo na Pinacoteca do Estado, exps seus trabalhos em pastel e gravuras na galeria Graffiti, do Rio de Janeiro, voltou para So Paulo com pinturas e aquarelas, e seguiu para Braslia levando tintas inditas at o espao da Oscar Seraphico. Antes de fechar a dcada com uma mostra em Porto Alegre, desembarcou em sua terra natal, Santos, com direito a escala na elogiada Galeria Luisa Strina, na Pauliceia.

    Tambm foi nesse perodo que o pintor fez as incurses iniciais pelos retra-tos. Na poca, essa linguagem ainda era malvista. Um artista plstico que fotografava sobretudo, para a publicidade chegava a ser preterido pelos colegas, lembra. Sem se importar muito com a censura alheia, Gregrio mirou as objetivas para os assuntos que mais o tocavam, a exemplo das pes-soas, da ocupao dos trechos urbanos e da composio arquitetnica como forma de expresso. Ele conta que sempre utilizou os cliques para colher informaes visuais. Juntos, eles compuseram o que designers chamam de sketch-book ou caderno de rascunhos.

    CriatividadeNuma conversa tomada pela presena lendria de Gregrio

    Gruber, a arte ganhou qus e pensamentos intrigantes Por AdriAnA Brito

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    Ciclista na Praa roosevelt

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    Em alguns de seus quadros Passagem Anhangaba (1982); Operrios (1987); Paisagem ao Amanhecer e Avenida Sumar, ambas de 1989 observam-se deta-lhes das janelas, postes de iluminao e o desgaste e a beleza do concreto. Mas o que difere Gruber do comum um componente singular, uma espcie de filtro que confere originalidade paisagem. Como descreveu Carlos von Schmidt, no prefcio do catlogo assinado pelo virtuose para o Museu de Arte Brasileira, (...) atravs do tratamento dado aos pastis, s aquarelas, acrlica, procura modificar o real emprestando realidade novas conotaes, no s de ordem plstica, mas, sobre-tudo, psicolgica.

    Inspirado no filme Bodas de Sangue, do espanhol Carlos Saura, que usou a hist-ria de Federico Garca Lorca para dar contorno dana do bailarino de flamenco Antonio Gades, o desenhista editou um livro homnimo, em 1986, repleto de notas grafadas em pastel. No ano seguinte, assinou a cenografia da montagem Vestido de Noiva, de Marcio Aurelio, baseada na pea de Nelson Rodrigues. Talvez estivesse encantado pela tridimensionalidade captada nos palcos quando iniciou a srie de esculturas de argila na dcada de 90, das quais Duas Faces (1991) e SP Rio (1993) so as mais pungentes.

    Convertido em cone de um suprarrealismo exclusivamente nacional, GG parti-cipou de incontveis coletivas nos binios seguintes. No ano passado, por exemplo, a Lugar Pantemporneo reuniu parte de seu acervo na mostra Gregrio Gruber: Passeios. Sobre a profisso, ele enftico: Fao pinturas, esculturas, gravuras, gra-fismos, retratos e desenhos. Nunca elevei um mtodo em detrimento do outro. O que vale a arte; e a arte a busca do sagrado e daquilo que transformador. possvel que o tempo mude essa questo e coloque o artista como o objeto basilar de sua obra, afinal, vivemos numa poca ligada ao exotismo, polmica, ao choque e ao marketing pessoal.

    Skyline e Pacaembu

    o artista Gregrio Gruber

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    Alm do TempoFilho do pintor modernista Mrio Gruber e pai da artista multimdia Lorena Hollander, Gregrio Gruber cursou desenho com Frederico Nasser e fez aulas de gravura no Socorro Curso de Gravura em Metal. Em Paris frequentou a Acadmie de la Grande Chaumire e, j no Brasil, estagiou no ateli do pai. Em 1976, recebeu da Associao Paulista de Crticos de Arte (APCA) o prmio na categoria de melhor gravura. Em outra seara, serviu de inspirao para a produo de quatro filmes: O Gestor Criador e Retrato do Artista Quando Jovem, dirigidos por Olvio Tavares de Arajo; Uma Tarde com Gregrio, de Nelson Pereira dos Santos (que tambm filmou A Arte Fantstica de Mrio Gruber); e Gregrio, feito pelo Instituto Ita Cultural.

    servio: www.gregoriogruber.com.br

    Praa ramos noite

    na pgina ao lado, Baixada

  • de braos abertosCom uma carreira de quase 40 anos, Jos Possi Neto, um dos diretores de teatro mais importantes do Brasil, mostra por que continua sendo o dono da valsa Por AdriAnA Brito

    No incio de agosto, a matria contendo Tiago Abravanel na capa do caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, mostrou que h mesmo uma mudana no ar: o Pas abriu de vez seus palcos para os musicais. Tiago, neto do apre-sentador Silvio Santos, far o papel de Tim Maia no espetculo inspirado no livro homnimo do jornalista Nelson Motta. Exibidas num circuito generoso, que inclui inmeras capitais, essas montagens so conhecidas pelos grandes elencos, perfor-mances de dana e de canto e pelo acompanhamento feito por orquestras. Em suma, um entretenimento monumental. Desde o lanamento de Escndalo (1950/51), com Bibi Ferreira, e Orfeu da Conceio (1956), de Vincius de Moraes, at a che-gada das obras trazidas da Broadway, como My Fair Lady, Mamma Mia!, O Rei e Eu, Cats, Hairspray e O Fantasma da pera, muita coisa aconteceu e boa parte do mrito do paulistano Jos Possi Neto, ator, cengrafo, iluminador, roteirista e diretor. O start dessa carreira pra l de badalada rolou na Universidade Federal da Bahia, onde fez os primeiros experimentalismos como chefe do Departamento de Teatro. A partir da construiu um currculo admirvel em que se destacaram A Dama das Camlias, Tartufo, Ligaes Perigosas, Emoes Baratas, M. Butterfly, Salom, Joana dArc e A Loba de Ray-Ban. s voltas com o ensaio de Cabaret, produzido e estrelado por Cludia Raia, Possi abriu um espao na agenda para falar para a Lindenberg&Life sobre essa arte que tem agitado as arenas nacionais.

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    Como o senhor observa o mercado de musicais no Pas? Vejo como um fenmeno que vem crescendo bastante nos ltimos dez anos. Ainda que no tenhamos a tra-dio de outros pases, acumulamos pontos essenciais para sedimentar essa histria. Um deles ocorreu entre o final da dcada de 1960 e o incio da dcada seguinte, quando Chico Buarque escreveu as peas Roda Viva, Calabar, Gota dgua, pera do Malandro e alguns scripts para crianas. Pouco tempo depois, j nos anos 80, A Chorus Line foi trazida dos Estados Unidos e se tornou um grande sucesso, embora tenha contabi-lizado certo prejuzo. J esse movimento que vemos agora, vigoroso, comeou com a remontagem do musical feito em homenagem maestrina Chiquinha Gonzaga, escrito por Maria Adelaide Amaral. Acredito que isso ocorreu em 1998, com O Abre Alas, assinado por Charles Meller e Claudio Botelho e que tinha como protagonista Rosamaria Murtinho [Regina Braga foi a Chiquinha da primeira edio]. Diria ainda que o caminho bem-sucedido dessa forma de teatro se d por conta de entusiastas, como Bibi Ferreira, Marlia Pera, Christiane Torloni e Cludia Raia, alm do Miguel Falabella, do Charles e do Claudio. Eles so incansveis.

    Dizem que em Miss Saigon, de 2007, foram utilizadas 500 peas de figurinos e mais de 50 toneladas

    de adereos e cenrios. Esses e outros recursos totalizaram US$ 12 milhes em investimento. Do ponto de vista financeiro, vivel produzir um material nessas propores? No Brasil isso ainda bastante difcil, pois o produ-tor depende da burocracia do governo para alinhar o projeto e dos departamentos de marketing para custe--lo. A distncia entre a elaborao e a execuo de um espetculo tem ficado maior nos ltimos anos, j que preciso adapt-lo s leis de incentivo cada vez mais complexas e preencher as cotas de patrocnio. Alm disso, quando uma pea ou um filme, por exemplo, recebe a chancela do MinC [Ministrio da Cultura] h um tempo determinado para buscar esses aportes, creio que de 12 a 24 meses. Se o proponente no con-segue levantar o valor determinado at o final do prazo deve solicitar uma prorrogao do perodo de captao. Da, para quem assina a iniciativa s resta uma coisa a fazer: voltar ao incio do jogo.

    Mas se h nomes conhecidos do grande pblico envolvidos na ao, as rotas no so encurtadas? Nem sempre o prestgio do ator ou do diretor garante a resposta positiva do apoiador. Vale lembrar que falamos de propostas que envolvem milhes de reais, ou seja, para as empresas importante observar que a equipe listada naquela papelada toda possui experincia e capacidade tcnica. Resumindo, eu diria que contar

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    com profissionais competentes na empreitada famo-sos ou no nem uma vantagem; uma condio.

    Mesmo assim, vale a pena? Claro que sim, as pessoas adoram. O que acontece que mesmo que as leis de incentivo representem um avano enorme para o fomento cultural, h uma mate-mtica impiedosa para o produtor. O valor do ingresso muito baixo sei que parece bem caro para a nossa realidade e o espetculo acaba no se mantendo. E, ento, quando o dinheiro vindo do patrocnio acaba, por vezes, preciso encerrar a temporada, mesmo tendo todas as sesses lotadas.

    A que o senhor atribui o sucesso das operetas apresentadas nos teatros da Broadway? tradio. Os musicais representam um trao expres-sivo das civilizaes inglesa, norte-americana e austra-liana, e h muito tempo eles investem no desenvolvi-mento de novos argumentos. As plateias desses pases observam o gnero como entretenimento; so fs dos dramaturgos, intrpretes e compositores e fazem ques-to de conferir cada estreia. Outro ponto importante a infraestrutura. H fundaes culturais que subsi-diam tais criaes, os ingressos possuem valores maio-res, no h a meia-entrada e eles recebem espectadores do mundo inteiro. Quando estou por l, conferindo o que h de novo e matando as saudades dos clssicos, comum encontrar brasileiros. Por fim, a Broadway pos-sui uma espcie de mtica, construda pelo cinema e pela qualidade de suas obras.

    possvel afirmar que o nmero de atores que estuda especificamente para participar de musicais tem aumentado?

    Sem dvida! No ltimo teste de elenco em que estive contabilizamos mais de mil inscritos e a maior parte deles mostrou um nvel tcnico altssimo. Infelizmente, o cast selecionado no absorve todo mundo; s vezes, so apenas 30 atores e 20 msicos por produo. Pelo que tenho acompanhado, esse padro se repete em outras capitais brasileiras, caso de Braslia e Belo Horizonte.

    O senhor tido como um diretor que extrai o melhor de seu elenco. Por qu? Quando um encenador de muito talento se depara com um grande roteiro h uma simbiose fantstica, que alia mtodo, experincia e prazer. Acredito que entre as minhas funes estejam a de ajudar o ator no processo de composio de seu personagem e a de orientar sua interpretao. O resultado fica evidente no palco. Os profissionais adquirem autonomia e quem ganha com isso o espectador.

    Em sua opinio, quais foram os cinco melhores musicais de todos os tempos? A lista imensa, mas poderia citar cinco ttulos que me vm memria nesse momento: My Fair Lady; Cabaret; A Chorus Line; O Fantasma da pera e Hair. Acho que Hair ainda merece uma ressalva pelo vanguardismo da estrutura e pela contemporaneidade dos temas abordados.

    Pode contar alguns detalhes de Cabaret? O ensaio comeou no incio de agosto. Estou muito entusiasmado com essa pea, que ser protagonizada pela Cludia [Raia] e teve as belssimas canes do ori-ginal traduzidas pelo Miguel [Falabella]. A estreia est prevista para outubro, no Teatro Procpio Ferreira, em So Paulo.

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    Tarsila nasceu no final do sculo 19 e s depois de fazer 30 anos e conhecer os modernistas da semana de 22 que entrou para a histria da arte brasileira. Em Paris, pintou a primeira de suas grandes telas, A Negra, em 1923. Desse momento at virar nome de acidente geogrfico no planeta Merc-rio, a Cratera Amaral, a vida da pintora foi um reflexo e sntese da histria artstica e poltica do Brasil no sculo 20.

    Criada em uma fazenda de caf e educada em colgios tradicionais, Tarsila estudou artes plsticas dentro do modelo realista do sculo 19, de cores sbrias e esco-lhas naturalistas. Aps o contato com os modernistas, colocou a tcnica europeia a servio da criatividade antropofgica e produziu as primeiras obras bem aca-badas de uma nova esttica brasileira.

    No entanto, o reconhecimento e a valorizao de Tarsila mudaram ao sabor da poltica. Foi presa na ditadura Vargas e s voltou a ter reconhecimento aps a abertura, j nos anos 50. Na ditadura militar viveu novo perodo de ostracismo para voltar, na virada do sculo, como a imagem mais bem resolvida do movi-mento cultural brasileiro.

    No comeo do sculo 20, Tarsila do Amaral revolucionou a arte brasileira com sua criatividade antropofgica. Os jovens artistas de hoje buscam se expressar por meio de linguagens individuais e, portanto, universais Por roberto taddei | retratos feLiPe reis

    Do modernismo ao individualismo

    A tela Abaporu, comprada pelo colecionador argentino Eduardo Constantini por US$ 1,25 milho em 1995, foi apresentada em exposio no Palcio do Planalto para o presidente norte-americano Barack Obama como sm-bolo do Pas. A artista paulista deixou tambm marcos como Antropofagia, A Lua, O Lago, alm dos quadros da fase comunista, Os Operrios e Segunda Classe.

    Tarsila foi quem deu acabamento a uma tradio bra-sileira moderna. As cores e formas dessa tradio j estavam esboadas em Anita Malfatti e Di Cavalcanti, sugeridas em Lasar Segall, Vicente do Rego Monteiro e Victor Brecheret. Mas Tarsila quem faz do conjunto uma marca de fcil e efetiva associao imagem de um Brasil que ora interessante ao gosto e orgulho nacional, ora esquecida e relegada a experimentalis-mos de um sonho tropical.

    Depois dela, as artes plsticas brasileiras alcanam espao constantemente no mundo, e o sculo 20 viu surgirem artistas como Ligya Clark, Hlio Oiticica, Amlcar de Castro, Tomie Ohtake, Mira Schendel, Cildo Meireles, Leonlson e Tunga, entre tantos outros. E continua nessa segunda dcada do sculo 21, com uma nova gerao de artistas comeando a se destacar. foto

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    Mercado brasileiroMas Tarsila no vivia de sua arte. Nem mesmo depois da quebra da Bolsa de Nova York em 1929, quando teve a fazenda da famlia hipotecada. Foi s nos anos 50 que uma rela-o mais constante com o mercado comeou. O pice dessa relao, ou o pior momento dela, foi quando Pietro Maria Bardi levou o Abaporu a tela que Tarsila pintara para o ento namorado Oswald de Andrade por uma pechincha sob o argumento de que montaria uma coleo permanente de Tarsila no Museu de Arte Moderna de So Paulo. Tempos depois a tela foi comprada pelo colecionador Erico Stickel. O Abaporu ficou 20 anos no escritrio de Stickel at ser vendido a Raul Forbes, em 1984, por US$ 250 mil e depois ser arrematado por Constantini em um leilo na Christies.

    Assim, o Abaporu foi parar na Argentina. Quem conta a histria a sobrinha-neta e xar Tarsila do Amaral. Calcula-se que a tela possa valer hoje mais de US$ 20 milhes. Para a sobrinha-neta da artista, a venda do Abaporu acabou sendo um abre-alas para a arte brasileira no mundo.

    Hoje, artistas com menos idade do que tinha Tarsila quando pintou A Negra j so comercializados em galerias ao redor do mundo e fazem parte de um circuito global de exposies vido por novos artistas. Para a artista plstica Ana Elisa Egreja, nascida em 1983, quase um sculo depois de Tarsila, o mercado parece estar buscando investir nos jovens. uma tendncia, os colecionadores hoje querem ter obras de artistas de sua poca. Ana Elisa aponta outros artistas na mesma situao que ela, como Rodrigo Bivar (1981), Marina Rheingantz (1983) e Rafael Carneiro (1985).

    Outra jovem artista que tem conquistado espao Tatiana Blass (1979), uma das pou-cas a trabalhar com suportes e linguagens diferentes. Alm da pintura, Tatiana faz instalaes (como a Piano Surdo, presente na ltima Bienal de So Paulo), vdeo, texto e fotografia. Para ela, existe um interesse de se voltar a criar um trabalho com uma subjetividade forte. Aliado a isso, diz, o mercado de arte se transformou muito e se fortaleceu. Muitas pessoas comearam a colecionar arte, so os novos colecionadores.

    rafael Highraff em seu ateli, de onde saem obras como a escultura Prisma Polar (ao lado)

    Na pgina ao lado, a tela O Lago, de tarsila do amaral

    Na pgina anterior, o famoso Abaporu, obra que tarsila pintou para oswald de andrade

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    Entrar no mercado, no entanto, no tarefa simples. O artista precisa primeiro mon-tar um portflio considervel. Para tanto, precisa investir tempo e dinheiro, mas sem vender, difcil conseguir fazer a equao funcionar. Voc tem que criar sadas para realizar suas ideias, diz Tatiana, acordo com galerias, entrar em editais, algumas sa-das so difceis de realizar. O importante trabalhar muito, porque o prprio trabalho que gera trabalho.

    Para o fotgrafo Valentino Fialdini (1976) a primeira coisa, antes de procurar uma gale-ria, trabalhar para ter uma obra bem resolvida, tanto de pensamento quanto de exe-cuo. O artista tem que ter uma constncia de produo. Antes de mostrar a primeira obra j deve pensar na segunda para apontar um direcionamento.

    Valentino foi escolhido um dos cinco finalistas entre 30 mil inscritos em concurso da Hasselblad. Entre as fotos dos 30 mil eu vi que tinha muitos trabalhos muito parecidos uns com os outros ou que o fotgrafo tinha se inspirado em outros artistas. Ainda que alguns trabalhos fossem muito bons, conta Valentino, o importante ter uma lingua-gem nica. Em sua ltima exposio, na galeria Zipper, Valentino mostrou a srie Lego, onde fotografou maquetes feitas com brinquedos Lego e iluminao artificial, forjando a ideia de uma realidade inexistente.

    Fotografia tambm o suporte escolhido por Flvia Junqueira (1985). Na srie Na Companhia dos Objetos, ela constri cenrios ficcionais com objetos reais, como flores, caixas de presente ou brinquedos, e se coloca dentro da imagem como personagem da prpria obra. Flvia parece estar mais interessada em criar narrativas e dar novo signi-ficado aos objetos e elementos j existentes no mundo do que em criar outros.

    Arte nacionalAinda que jovens, muitos artistas j tm no currculo exposies na Europa e nos EUA. Mas se no modernismo a questo primordial era o encontro de uma linguagem brasi-leira, a nova gerao parece ter se libertado dessa necessidade. Ana Elisa Egreja, por exemplo, diz que sua obra no pode mais ser pensada dentro dos termos modernistas da antropofagia que deglute influncias europeias para a criao de uma identidade brasileira. Eu penso mais em termos de cultura popular e erudita. Eu misturo estam-paria e pintura europeia do mesmo jeito que misturo objetos pop. No tenho hierarquia nas escolhas. Fao mais uma colagem. Suas obras com ambientes repletos de detalhes, papis de parede, azulejos e objetos dialogam com a arte decorativa, mas distante do peso de preconceito que pode pesar sobre o termo. Matisse fez um monte de pinturas decorativas que so excelentes. Uma tela toda vermelha pode ser muito mais decora-tiva, por exemplo. Eu penso em pintura decorativa como uma tradio.

    Poa, instalao de ana elisa egreja. Na pgina ao lado, o fotgrafo Valentino fialdini e seu ensaio fotogrfico sobre corredores e cores

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    Para criar uma realidade inexistente, o fotgrafo Valentino fialdini clicou maquetes feitas com Lego e iluminadas artificialmente para sualtima exposio

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    tatiana blass passeia por mltiplos universos

    que vo das instalaes, como Homem Deitado, pinturas, vdeo, texto e

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    Penteadeira e A Poa, duas das instalaes

    imaginadas pela artista plstica ana elisa egreja

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    A discusso modernista foi superada, mas a influncia das obras dos artistas nacionais do ltimo sculo importante. As tcnicas de colagem e mixagem de estilos e refern-cias so hoje ponto de partida para a produo contempornea, sem que o ato esteja imbudo de diretriz poltica. Sempre fui curioso e gostei de pesquisar sobre muitas cul-turas. Minha maior inspirao a natureza e a multiculturalidade deste pas, diz Rafael Highraff (1977), designer, grafiteiro e muralista. Hoje, ascoisas se misturaram, grafite, tatuagem, design, quadrinhos, arte, msica, arquitetura... com acesso mais fcil infor-mao globalizada, tudo influencia tudo.... Usei muito do que desenvolvi pintando na rua para consolidar minha identidade como artista, para criar telas, murais, esculturas, instalaes e at para desenvolver ilustraes comerciais, diz.

    Antes era difcil para o artista ter o contato com o mundo, diz Valentino Fialdini. A Tarsila do Amaral tinha isso. E tinha que passar para o mundo um pouco do que era o Brasil. Hoje todo mundo conhece o Brasil, o Lula um personagem no mundo. Hoje a batalha no tanto por se criar uma linguagem brasileira, mas sim uma linguagem individual, que por isso mesmo seja universal, diz. Eu no consigo mais pensar em uma coisa do meu umbigo. Eu penso o mundo o tempo todo.

    Para Tatiana Blass, difcil dizer se a arte contempornea brasileira tem uma lingua-gem nacional especfica. Em geral, so os estrangeiros quem primeiro apontam o que brasileiro na arte produzida aqui. Eu acho que h sim uma caracterstica que vem do prprio contexto de produo. O fato de eu produzir no Brasil influi no modo como eu fao arte e no modo como eu vivo.

    Flvia Junqueira divide a mesma opinio: No vejo uma linguagem brasileira inten-cional no meu trabalho de arte como um tipo de alegoria, mas claro que existe certa contaminao no sentido de realizar o trabalho dentro do meu pas e lidar com questes culturais que so particulares do meu prprio pas.

    A influncia de artistas modernistas como Tarsila do Amaral, por exemplo, sentida muito mais como referncia esttica, para pensar a cor e a luz, diz Tatiana, do que na questo objetiva da nacionalidade. A questo no necessariamente o suporte ou o estilo mais utilizado, nem mesmo as ideias que estruturam os trabalhos. Ser novo, hoje, falar a linguagem universal e, ao mesmo tempo, como afirma Tatiana Blass, trabalhar com a subjetividade.

    flvia Junqueira personagem de sua arte. so instantneos, flagrantes de momentos como Ele ainda no est aqui (acima e ao lado)

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    Cenrio do dia a dia, a casa o palco dos sonhos de cada um. Dramtica ou alegre a ambientao, a representao do modo de vida dos atores

    desse espao aproxima-se cada vez mais do teatro. Ou seria o inverso? Por AdriAnA Brito | iLustrAo MAriA EugniA

    A cozinha est toda l armrios, cadeiras e alguns copos sobre a pia. Sentados mesa, o casal discute enquanto toma o caf. Entre burburinhos e gestos expansivos, o homem se levanta, caminha em dire-o sada, d meia-volta, segura as mos da mulher e ajoelha-se. (...) Fim do primeiro ato. Como descre-veu a doutora Elins Vasconcelos de Oliveira, da Universidade Federal da Paraba, o conceito do que entendemos hoje por teatro originrio do verbo grego theastai; ou melhor, significa ver, contemplar e olhar.

    Nessa troca, que por vezes no enxerga limite, o palco absorveu a realidade para contar histrias e propor reflexes. Seja na sala de espera do consultrio retra-tada em Toc-Toc; no dormitrio de um jovem casal em Dores de Amores, ou numa favela carioca no presti-giado Eles No Usam Black-Tie, tudo, a priori, serve de pano de fundo para os enredos da vida cotidiana.

    Realista, abstrato, sombrio ou apotetico, o cenrio um dos elementos responsveis pela contextualizao da narrativa, apontando onde e quando determinado

    cenas do cotidiano

    momento acontece. J no doce lar, as coisas parecem seguir o mesmo roteiro. Com tantas matrias-primas diferentes e vanguardistas, a exemplo dos papis de parede de texturas inditas e das recentes paletas de cores produzidas para o setor mobilirio, bem como os espelhos, as lmpadas de leds, o acrlico e at mesmo a madeira, d para afirmar que a arquitetura vem se apropriando cada vez mais do movimento cenogrfico, diz o designer e artista plstico Jos Marton.

    Basta observar os trabalhos executados por outros bambas do circuito, como Felippe Crescenti, Isay Weinfeld, Marcelo Rosenbaum e Oscar Niemeyer para notar que as residncias do sculo 21 desdobram-se em trechos dignos de espetculos. O prprio Rosenbaum confessou no livro Entre Sem Bater (editora Abril), que adepto dessa nova tendncia. Nas pginas que descrevem minuciosamente a reforma da sua primeira morada, os revestimentos cheios de grafismos, as estru-turas alinhadas por vos, as luzes e as sombras, os

    mveis de formas ldicas e a arte pontuada aqui e ali aguaram a imaginao dos leitores.

    E o que se dizer do colidente edifcio Copan, de Niemeyer, com seus sinuosos corredores que oferecem doses abundantes do suspense hitchcoquiano? Outro prdio que abusa da dramaticidade o Guggenheim Museum, de Nova York, riscado por formas orgnicas na fachada e visual interno futurista, sinalizando con-tradio do cho ao teto.

    Para Marton, especialista tambm na arquitetura de varejo, a aplicao de recursos cnicos pode oxigenar a marca, ampliar o uso do ambiente e deixar tudo mais divertido. Sendo assim, se a receita parece to sabo-rosa, por que no degust-la em famlia? Como diria Charles Chaplin, a vida uma pea de teatro que no permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente antes que a cortina se feche e a pea termine sem o som dos aplausos.

  • O jornalista Cesar Giobbi abre as portas de seu recm-inaugurado Lindenberg e prova que estilo e

    personalidade nunca saem de moda Por Mai Mendona | Fotos Valentino Fialdini

    cenrio de vida

    As paredes so forradas por obras de arte contem-pornea assinadas por nomes como Steve Mil-ler, ngelo Venosa, Hilal Sami Hilal, Ubirajara Ribeiro, Jos Bechara, Carmela Gros, Antonio Dias, Aguilar, Baravelli, Amelia Toledo, Florian Raiss, entre outros do calibre de Arcangelo Ianelli e Di Cavalcanti. Sobre o piso de concresteel que reveste todo o aparta-mento, com exceo do living de tbuas original, tapetes orientais. Mveis do sculo 18 dividem o espao com algumas peas atuais. Em cada cantinho, sobre cada mesinha, cmoda ou cadeirinha h um objeto, um livro, uma obra de arte. So como dezenas de pequenos cen-rios que resumem a histria de vida dos jornalistas Cesar Giobbi e Paulo Mortari.

    Quando a dupla decidiu mudar-se para algo menor e mais prtico, Cesar tinha uma exigncia: queria dois quar-tos com seus banheiros, um closet grande e um quarto extra para servir de escritrio e sala de Pilates, e uma bela vista. Lembraram do apartamento do edifcio estilo mediterrneo tpico dos anos 1970, quando os arcos, os cantos arredondados e as alvenarias estavam em alta, que tinha sido comprado para ser da me, e onde a av italiana morara por anos, e que estava alugado. O inquilino, amigo de longa data, tinha uma condio para deixar o imvel, queria continuar morando no prdio. Numa dessas coin-cidncias do destino Cesar conseguiu resolver a equao.

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    Escultura de Florian Raiss; abaixo, dois homens, Gustavo Rezende, tijolos de Marepe e

    desenho de Macaparana

    Na pgina ao lado, pesos de papel sobre cadeira de chifre,

    Estados Unidos, 1910

    Na pgina anterior, renda de papel do mineiro Hilal Sami Hilal

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    De cima para baixo: detalhe do corredor que leva para os quartos; sobre a cama de madeira desenhos de Florian Raiss; Cesar Giobbi na sala de estar; o pequeno lavabo com trs recortes de Patricio Bisso; objeto de Walton Hoffmann sobre a cadeira de palha; chinoiseries trazidas de viagem

    Na pgina ao lado, atrs do sof do living objeto voador, de Angelo Venosa, obras pequenas de Hilal Sami Hilal e Carlos Vergara; na parede da esquerda, desenhos de Arcangelo Ianelli e Di Cavalcanti; na parede da direita, tela de Ubirajara Ribeiro e poltrona italiana sculo 18, herana da av

    Esse apartamento tem um destino familiar. Estamos de volta, os mesmos mveis que foram da minha av e da minha me vieram e voltaram, entraram e saram pela mesma janela, lembra ele que conta da estreita relao da famlia com a Lindenberg, minha av morou em um Lindenberg na Baro de Capanema e meus pais na Cristvo Diniz, chegou a minha vez.

    Quarenta anos obrigavam a uma reforma, a uma atuali-zao. Como diz uma amiga, enretamos as paredes que conseguimos, trocamos arcos por passagens convencio-nais, abrimos espaos para repensar a cozinha, o hall de distribuio dos quartos e meu quarto que ganhou um grande closet aberto para o banheiro, explica o jornalista que quebrou a cabea com Paulo para encontrar solues inteligentes para a reforma. As plantas da Lindenberg fazem sentido, mesmo em um absurdo como o estilo medi-terrneo. muito difcil derrubar paredes, abrir novos espaos, mas conseguimos um bom resultado.

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    O apartamento de 156 metros quadrados sofreu algumas mudanas interessantes. O living que era aberto para o quarto extra para ganhar uma sala de jantar foi fechado, e o quarto passou a ser um misto de escritrio, sala de Pilates e da baguna. A cozinha foi aberta para o corredor e o living formando hbrido de sala de jantar e copa, onde alm da mesa e do aparador, e de um lindo lustre de flo-res de cristal veneziano, esto os armrios guarda-louas, gaveteiros para talheres e toalhas, bancada, colmeia para vinhos e a geladeira. Uma pequena passagem leva para a cozinha e para a rea de servio.

    Originalmente, o apartamento tinha um hall de distribui-o redondo que roubava muito espao. Esse espao foi reformado, as paredes endireitadas, a porta mudou de lugar isolando a rea ntima e o hall foi reaproveitado, decorado com uma cmoda sculo 18 e um espelho veneziano. Um pedao do quarto que Cesar ocupa foi emprestado para aumentar o closet que invade o banheiro e abriga tambm a pia. As reas molhadas so separadas do closet por uma porta de vidro com espelho.

    Paulo ficou com o outro quarto com espao suficiente para armrio, cama, criados-mudos e usa o banheiro do cor-redor (antigamente no era moda todo quarto ser sute). Perfeito para seu estilo low profile.

    Para quem vivia em uma cobertura duplex com quase 600 metros quadrados, a nova morada pode parecer acanhada, metade dos mveis foram para a casa da Boa Vista, conta Cesar, mas o resultado um apartamento prtico, funcio-nal, acolhedor. Difcil definir o estilo do apartamento de Cesar Giobbi e Paulo Mortari. Ele no segue modismos, tendncias. No existe certo ou errado, moderno ou cls-sico, na moda ou no. Existe personalidade.

    Espelho veneziano, final do sculo 19 sobre cmoda italiana; na sala de jantar, desenho preto e branco de Claudio Creti

    Na pgina ao lado, atrs da renda, desenhos de Baravelli, anos 1960 e Arlando Ferrari, anos 1950

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    ife Ao longo dos ltimos anos, a culinria recebeu muitos

    sobrenomes, molecular um deles por Mauro Marcelo alves

    Na lista de compras, alginato de sdio, lactato de clcio, gar-gar, lecitina de soja, goma xantana e carragenina. E o chef de cozinha est pronto para iniciar esferificaes, espumas, cozi-mento com hidrognio, molhos com polifenis, caviar falso e at um espantoso ovo solidificado com etanol. a cozinha molecular que invadiu o mundo ocidental h alguns anos, provocou uma revoluo em restaurantes e agora enfrenta seu momento da verdade: vai conti-nuar surpreendendo ou ficar para trs, como ocorreu com a nouvelle cuisine francesa nos anos de 1970?

    Naquela poca, alguns fiapos de cenoura em volta de um ovo de codorna poch provocavam um oh! de admi-rao. Comia-se com os olhos, sobretudo. O mesmo ocorre com a cozinha molecular, com seu espetculo de formas e cores. Pores ainda mais diminutas trans-formaram um jantar em maratona de 30 ou mais petis-cos, alguns do tamanho de uma azeitona alis, apre-sentada como azeitona, mas no a natural e sim uma bolinha esferificada sugerindo o gosto do velho e bom fruto da oliveira.

    Essa onda molecular foi iniciada em 1992 por um fsico hngaro chamado Nicholas Kurti e ganhou fama com o dubl de chef e fsico-qumico francs Herv This, que no ano seguinte lanou o livro Um Cientista na Cozinha (Ed. tica). Na capa, a premonio: com roupa de chef ele joga vinho em uma panela, mistura e de l pulam bolinhas coloridas. So as transformaes qumicas que assustaram velhos cozinheiros autodida-tas mas que atravessaram a fronteira ao sul da Frana e ganharam as mentes inquietas de chefs espanhis, loucos para jogar fora a fama pesada da cozinha ptria com seus cozidos, embutidos e paellas volumosos.

    E ento surgiu o catalo Ferran Adri. Um mago. Melhor cozinheiro do mundo, segundo jornalistas e gourmets de todo canto que acorriam ao seu restau-rante el Bulli como quem vai a Meca ou atinge o nir-vana. Em 1998 seus petit-fours foram renomeados para pequeas locuras, convivendo no menu com os mor-phings, os snacks secos, os snacks frescos, as tapas e

    emocional,

    tecnolgica

    molecular, pratos desconstrudos os sabores de uma paella, por exemplo, eram sugeridos em um pedao de gelatina.

    Heston Blumenthal, do Fat Duck, Inglaterra; Pierre Gagnaire, do restaurante homnimo, em Paris; Homaro Cantu, do Moto, EUA; Ren Redzepi, do Noma, Dinamarca; Andoni Luis Aduriz, do Mugaritz, Espanha, ou Alex Atala, do D.O.M., em So Paulo, passaram a adotar um dos conceitos de Adri: Como sucedeu ao longo da histria na maioria dos campos da evoluo humana, as novas tecnologias so um apoio para o progresso da cozinha.

    Mas o el Bulli fechou as portas agora em 2011 e vai se transformar, em 2013, no elBulliFoundation, para manter um arquivo fsico e digital de sua histria e se transformar em um centro de criatividade. No mesmo local onde funcionou o restaurante, em Cala Montjoi, Catalunha. O que isso significa? A frmula esgotou-se? Ou vai ressurgir de outra maneira?

    Adri deixa uma dica em seu site: se elBulli significou contedo, trabalhando uma cozinha tecnoemocional, a fundao ter uma arquitetura tecnoemptica seja l o que isso queira dizer. No fcil ver um guru pendurar facas e talheres, ou melhor, termocirculadores, sifes, robs ou o verstil thermomix, um faz-tudo na cozinha.

    Mas h muitos discpulos de Adri no mundo e quem est segurando a onda molecular o ingls Heston Blumenthal, chef-star em seus restaurantes e na televi-so, que continua surpreendendo com suas invenes e fazendo do ato de cozinhar um experimento cientfico permanente. A cozinha de nossas avs no vai acabar, claro, mas pode ganhar outras verses, exatamente como faz Blumenthal em seu novo restaurante em Londres, o Dinner, no qual recria receitas inglesas de trs ou quatro sculos atrs usando suas maquininhas, nitrognio e outros recursos atuais. Afinal, as molcu-las sempre existiram.

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    Mauro Marcelo Alves jornalista, escritor e chef de cozinha, autor de Vinhos, a Arte da Frana, Vinho do Porto, Muito Prazer! e outros. editor de vinhos da revista Gula e colunista de gastronomia e estilo de vida do Canal Luxo, do iG

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    Resumir os cuidados para ter qualidade de vida s atividades fsicas um equvoco comum. Na verdade, o estilo de vida como conceito global que faz toda a diferena para vivermos melhor Por Judite Scholz | iluStrao maria eugnia

    A maioria das pessoas acredita que j est no lucro por praticar uma atividade fsica regular-mente e investir na alimentao saudvel. No sabem que isso apenas parte do que necessrio para se ter boa qualidade de vida. Ela a soma do bem-estar fsico, equilbrio nas relaes familiares, profissionais e sociais, harmonia, prazer em atividades de lazer, momentos especiais, estar em paz consigo mesmo, usar humor para lidar com situaes de estresse, ter claros seus valores, e objetivos definidos. Parece difcil? Mas a nica maneira de manter o prumo num mundo hostil e desgastante, que nos coloca merc da violn-cia, do trnsito, de desafios, do estresse o tempo todo. Portanto, depende de ns manter o equilbrio interior fazendo boas escolhas, investindo em atividades que nos deem prazer e, principalmente, no perdendo o cerne: no nos abandonando jamais.

    A qualidade de vida a interao de sua melhor per-formance fsica (orgnica) com a maior satisfao de prazer obtida por seu crebro ao vivenciar todas as suas tarefas dirias. Depende de um excelente estado bio-qumico (hormonal e nutricional) com a cabea focada em fontes que realmente geram prazer: esportes, lei-tura, trabalho, sexo, cinema, etc. Temos que entender que viver com qualidade viver com autenticidade, fazendo realmente aquilo que se gosta e que se predis-ps a fazer, afirma o endocrinologista Trcio Rocha, ps-graduado em medicina esttica em Paris, con-sultor internacional de esttica da Royal Academy of Aesthetic Medicine, membro da Sociedade Francesa de Medicina Esttica e Mesoterapia e da Sociedade Brasileira de Medicina Esttica e Mesoterapia.

    Na ansiedade de fazer algo pela prpria sade, as pes-soas acabam achando que s fazer exerccio basta mas esse apenas um dos itens do que se pode fazer para ter mais energia e aliviar o estresse. Embora, de acordo com Mauro Guiselini, mestre em educao fsica e autor do livro Qualidade de Vida Um Programa Prtico Para um Corpo Saudvel, a prtica de exerccio fsico bem feito um meio de adquirir equilbrio fsico, mental, emocional, espiritual e, assim, ter melhor qualidade de vida. Pesquisas tm dado uma importncia signi-ficativa prtica regular de atividade fsica como meio de combater o estresse e ainda reduzir a tendncia

    depresso, j que as pessoas enfrentam com mais cora-gem e disposio os problemas dirios. Melhora, inclu-sive, o humor. As pessoas que se exercitam tendem a ser mais alegres e dinmicas. Alm disso, ajuda a dormir melhor e melhora a autoimagem.

    Na verdade, algumas regras so bsicas e praticar alguma atividade fsica uma delas , mas no h receita, j que cada pessoa encontra prazer em uma determinada atividade. Isso mesmo: o prazer faz parte da qualidade de vida e ele pode estar na ioga e na meditao ou no trabalho e na academia. funda-mental buscar tudo o que te faa sentir-se bem, que d prazer, que realmente valha a pena investir seus precio-sos minutos de vida. Se o trabalho como um hobby para voc, se satisfaz a ponto de ser sua melhor fonte de prazer, isso faz parte da sua qualidade de vida, diz o dr. Trcio Rocha.

    Para a psicloga Mnica Portella, autora do livro A Cincia do Viver Bem, o autoconhecimento impor-tante porque nem todas as frmulas so para todos. A pessoa precisa saber quem e ter conscincia do que quer para sua vida para, ento, determinar as metas para as mudanas a fim de obter uma vida melhor e mais prazerosa. Existem atividades intencionais que foram levantadas pela pesquisadora e professora de Psicologia da Universidade da Califrnia, Sonja Lyubomirsky, em um estudo que originou o livro A Cincia da Felicidade: Como Atingir a Felicidade Real e Duradoura , que podem ajudar na conquista da felicidade: cultivar o otimismo, focar metas pesso-ais, cultivar a relao com outras pessoas, prticas espi-rituais e atividades relacionadas com o corpo.

    Hoje, sabemos, melhor focar nos pontos fortes do que administrar os pontos fracos. Acho que as pessoas pre-cisam se autoconhecer, saber quem so para viver em harmonia com a sua verdade e no tentar ser o que no so. Esse o primeiro passo para a conquista do prazer.

    Portanto, enxergar qualidade de vida como um conceito global, isto , que envolve todas as nossas atividades e aes, crenas e aspiraes, aumenta a possibilidade de se sentir melhor e de investir com mais resultados na sade atual e futura.

    vida

  • 74Li

    nden

    berg

    & L

    ife

    Depois de 14 anos de trabalho intenso como psicloga com polticas pblicas de juventude no Brasil, uma urgncia esquisita me fez pen-sar que era hora de sair pelo mundo. Finalizei meus projetos, aluguei minha casa, dei de presente todas as minhas roupas e reduzi meus pertences a livros, CDs e fotos, generosamente guardados na casa de minha av. Desde o comeo sabia que no se tratava de fazer turismo. Conhecer culturas, pessoas, lugares e modos de viver muito diversos tinham mais a ver com construir uma nova vida do que tirar frias de uma. Saber viver com um par de Havaianas e outro de tnis, saber pertencer transitando, se comunicar sem entender uma palavra; confiar em estranhos, cur-tir amizades intensas e efmeras e tolerar modos de vida muito diferentes foram alguns dos desafios dessa empreitada. Um convite a desapegar e ao mesmo tempo aderir e deixar tudo rapidamente. Cada passo, cada novo dia, tudo a programar, decidir e encontrar.

    arqu

    ivo

    pess

    oal

    Qual foi a viagem?!

    LaosExiste um fascnio bvio para quem vive em megaci-

    dades como So Paulo em conhecer partes remotas do planeta. Sim, isso foi inspirao suficiente para

    conhecer afluentes do Rio Mekong, no Laos. Em um barco minsculo, a navegao pelos rios que levam de Luang Prabang at a fronteira com o Vietn me

    devolveu a sensao de que existem ainda reas pre-servadas e distantes do tipo de desenvolvimento que

    hoje tentamos rever pelo mudo afora. H um risco de se visitar o Laos sem outra pertinncia que a de ir ver,

    que o de incentivar um turismo que faz de comu-nidades inteiras zoolgicos humanos, e transforma turistas em cifras de dlares. Fugindo disso, ainda

    tenho em mim a fora das florestas e do povo que vive imerso nessa paisagem.

    Holy cow!Aprender a cuidar melhor de mim foi uma parte importante dessa viagem, o curso que fiz de aiurveda em Kannur, Kerala, me deu de presente uma porta de acesso cultura antiga da ndia que eu no tenho palavras para agradecer. O conhecimento sobre a vida aiurveda uma porta para aprender sobre ioga, culinria, ervas, leos, massagens e processos de cura. Entender a base dessa medicina ajuda a conectar com uma ndia que se est perdendo rapidamente, e que todo o Ocidente est indo buscar, tentando preservar, usufruir e divulgar. A ndia um escndalo! Existe algo realmente forte por l. Mesmo que voc se negue a mudar um pouco a forma como vive no mundo, no vai adiantar. Renda-se.

    5 ex

    per

    in

    cias

    Homeless in NY Logo de sada conhecer o projeto do Teatro do Oprimido de Nova York,

    que trabalha com pessoas em situao de rua na cidade, me fez pensar que por motivos, escolhas e possibilidades diferentes, estar desalojado uma grande

    experincia de transformao. O teatro do oprimido do brasileiro Augusto Boal, inspirado pelo pensamento de Paulo Freire, potncia em qualquer lugar do

    mundo, no se desaloja, no tem nacionalidade, se localiza porque faz sentido como ferramenta de trabalho em grupos humanos e seus dramas sociais.

    Encontrar esse pensamento e ver que territorialidade ou casa se constroem mais pelo sentido do que por pura localidade, deu uma fora extra para eu me

    aventurar por novos territrios (de sentido), mas tambm de falta dele.

    Golden TempleAo anoitecer, os guardies do templo se juntam aos peregrinos e limpam cada centmetro do espao visitado por milhares de pessoas por dia. Sem grande alarde, eles se juntam e iniciam os trabalhos cantando. Dividem a tarefa sem conversa. Cada um sabe ou aprende ali onde tem que ir, o que tem de ser feito. Os peregrinos que integram o grupo a cada noite exalam um ar de profunda satisfao pela oportunidade de servir. Servir o momento supremo de pertencer ao que mais acreditam e que rege muitas vezes toda uma vida. A cena de um teatro medieval, o acontecimento simples, cotidiano e inteiramente sagrado. A limpeza do templo um contraponto absoluto a toda sujeira que cobre por inteiro as cidades da ndia. Ali, limpam-se almas!

    Ao topo do mundo! Visita a Sagarmartha!No se escolhe subi