DURKHEIM (Durkheim e a educação) col MEC

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<p>DURKHEIM</p> <p>MILE</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>1</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>Ministrio da Educao | Fundao Joaquim Nabuco Coordenao executiva Carlos Alberto Ribeiro de Xavier e Isabela Cribari Comisso tcnica Carlos Alberto Ribeiro de Xavier (presidente) Antonio Carlos Caruso Ronca, Atade Alves, Carmen Lcia Bueno Valle, Clio da Cunha, Jane Cristina da Silva, Jos Carlos Wanderley Dias de Freitas, Justina Iva de Arajo Silva, Lcia Lodi, Maria de Lourdes de Albuquerque Fvero Reviso de contedo Carlos Alberto Ribeiro de Xavier, Clio da Cunha, Jder de Medeiros Britto, Jos Eustachio Romo, Larissa Vieira dos Santos, Suely Melo e Walter Garcia Secretaria executiva Ana Elizabete Negreiros Barroso Conceio Silva</p> <p>Alceu Amoroso Lima | Almeida Jnior | Ansio Teixeira Aparecida Joly Gouveia | Armanda lvaro Alberto | Azeredo Coutinho Bertha Lutz | Ceclia Meireles | Celso Suckow da Fonseca | Darcy Ribeiro Durmeval Trigueiro Mendes | Fernando de Azevedo | Florestan Fernandes Frota Pessoa | Gilberto Freyre | Gustavo Capanema | Heitor Villa-Lobos Helena Antipoff | Humberto Mauro | Jos Mrio Pires Azanha Julio de Mesquita Filho | Loureno Filho | Manoel Bomfim Manuel da Nbrega | Nsia Floresta | Paschoal Lemme | Paulo Freire Roquette-Pinto | Rui Barbosa | Sampaio Dria | Valnir Chagas</p> <p>Alfred Binet | Andrs Bello Anton Makarenko | Antonio Gramsci Bogdan Suchodolski | Carl Rogers | Clestin Freinet Domingo Sarmiento | douard Claparde | mile Durkheim Frederic Skinner | Friedrich Frbel | Friedrich Hegel Georg Kerschensteiner | Henri Wallon | Ivan Illich Jan Amos Comnio | Jean Piaget | Jean-Jacques Rousseau Jean-Ovide Decroly | Johann Herbart Johann Pestalozzi | John Dewey | Jos Mart | Lev Vygotsky Maria Montessori | Ortega y Gasset Pedro Varela | Roger Cousinet | Sigmund Freud</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>2</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>DURKHEIMJean-Claude FillouxTraduo Maria Lcia Salles Boudet Organizao Celso Carvalho Miguel Henrique Russo</p> <p>MILE</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>3</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>ISBN 978-85-7019-557-9 2010 Coleo Educadores MEC | Fundao Joaquim Nabuco/Editora Massangana Esta publicao tem a cooperao da UNESCO no mbito do Acordo de Cooperao Tcnica MEC/UNESCO, o qual tem o objetivo a contribuio para a formulao e implementao de polticas integradas de melhoria da equidade e qualidade da educao em todos os nveis de ensino formal e no formal. Os autores so responsveis pela escolha e apresentao dos fatos contidos neste livro, bem como pelas opinies nele expressas, que no so necessariamente as da UNESCO, nem comprometem a Organizao. As indicaes de nomes e a apresentao do material ao longo desta publicao no implicam a manifestao de qualquer opinio por parte da UNESCO a respeito da condio jurdica de qualquer pas, territrio, cidade, regio ou de suas autoridades, tampouco da delimitao de suas fronteiras ou limites. A reproduo deste volume, em qualquer meio, sem autorizao prvia, estar sujeita s penalidades da Lei n 9.610 de 19/02/98. Editora Massangana Avenida 17 de Agosto, 2187 | Casa Forte | Recife | PE | CEP 52061-540 www.fundaj.gov.br Coleo Educadores Edio-geral Sidney Rocha Coordenao editorial Selma Corra Assessoria editorial Antonio Laurentino Patrcia Lima Reviso Sygma Comunicao Reviso tcnica Carlos Benedito de Campos Martins Jeanne Marie Claire Sawaya Ilustraes Miguel Falco Foi feito depsito legal Impresso no Brasil Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Fundao Joaquim Nabuco. Biblioteca) Filloux, Jean-Claude. mile Durkheim / Jean-Claude Filloux; traduo: Celso do Prado Ferraz de Carvalho, Miguel Henrique Russo. Recife: Fundao Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010. 148 p.: il. (Coleo Educadores) Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7019-557-9 1. Durkheim, David mile, 1858-1917. 2. Educao Pensadores Histria. I. Ttulo. CDU 37</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>4</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>SUMRIO</p> <p>Apresentao, por Fernando Haddad, 7 Ensaio, por Jean-Claude Filloux 11 Modelo estrutural-funcionalista e sociologia da educao, 14 A funo da educao, 15 Sistema social e subsistema escolar, 16 Dinmica social e pedaggica, 19 O respeito pela humanidade no homem, valor supremo, 20 Qual pedagogia?, 21 A relao mestre-aluno, 25 O meio escolar, 26 O poder do mestre, 28 Os saberes escolares, 30 A formao dos docentes, 32 Da autonomia, 33 Influncia, 35 Durkheim atual, 37 Textos selecionados, 39 Educao e sociologia, 39 A evoluo pedaggica, 87 Cronologia, 141</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>5</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>MILE DURKHEIM</p> <p>Bibliografia, 145 Obras de mile Durkheim, 145 Obras sobre mile Durkheim, 145 Obras de mile Durkheim em portugus, 146 Obras sobre mile Durkheim em portugus, 146</p> <p>6</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>6</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>COLEO</p> <p>EDUCADORES</p> <p>APRESENTAO</p> <p>O propsito de organizar uma coleo de livros sobre educadores e pensadores da educao surgiu da necessidade de se colocar disposio dos professores e dirigentes da educao de todo o pas obras de qualidade para mostrar o que pensaram e fizeram alguns dos principais expoentes da histria educacional, nos planos nacional e internacional. A disseminao de conhecimentos nessa rea, seguida de debates pblicos, constitui passo importante para o amadurecimento de ideias e de alternativas com vistas ao objetivo republicano de melhorar a qualidade das escolas e da prtica pedaggica em nosso pas. Para concretizar esse propsito, o Ministrio da Educao instituiu Comisso Tcnica em 2006, composta por representantes do MEC, de instituies educacionais, de universidades e da Unesco que, aps longas reunies, chegou a uma lista de trinta brasileiros e trinta estrangeiros, cuja escolha teve por critrios o reconhecimento histrico e o alcance de suas reflexes e contribuies para o avano da educao. No plano internacional, optou-se por aproveitar a coleo Penseurs de lducation, organizada pelo International Bureau of Education (IBE) da Unesco em Genebra, que rene alguns dos maiores pensadores da educao de todos os tempos e culturas. Para garantir o xito e a qualidade deste ambicioso projeto editorial, o MEC recorreu aos pesquisadores do Instituto Paulo Freire e de diversas universidades, em condies de cumprir os objetivos previstos pelo projeto.7</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>7</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>Ao se iniciar a publicao da Coleo Educadores*, o MEC, em parceria com a Unesco e a Fundao Joaquim Nabuco, favorece o aprofundamento das polticas educacionais no Brasil, como tambm contribui para a unio indissocivel entre a teoria e a prtica, que o de que mais necessitamos nestes tempos de transio para cenrios mais promissores. importante sublinhar que o lanamento desta Coleo coincide com o 80 aniversrio de criao do Ministrio da Educao e sugere reflexes oportunas. Ao tempo em que ele foi criado, em novembro de 1930, a educao brasileira vivia um clima de esperanas e expectativas alentadoras em decorrncia das mudanas que se operavam nos campos poltico, econmico e cultural. A divulgao do Manifesto dos pioneiros em 1932, a fundao, em 1934, da Universidade de So Paulo e da Universidade do Distrito Federal, em 1935, so alguns dos exemplos anunciadores de novos tempos to bem sintetizados por Fernando de Azevedo no Manifesto dos pioneiros. Todavia, a imposio ao pas da Constituio de 1937 e do Estado Novo, haveria de interromper por vrios anos a luta auspiciosa do movimento educacional dos anos 1920 e 1930 do sculo passado, que s seria retomada com a redemocratizao do pas, em 1945. Os anos que se seguiram, em clima de maior liberdade, possibilitaram alguns avanos definitivos como as vrias campanhas educacionais nos anos 1950, a criao da Capes e do CNPq e a aprovao, aps muitos embates, da primeira Lei de Diretrizes e Bases no comeo da dcada de 1960. No entanto, as grandes esperanas e aspiraes retrabalhadas e reavivadas nessa fase e to bem sintetizadas pelo Manifesto dos Educadores de 1959, tambm redigido por Fernando de Azevedo, haveriam de ser novamente interrompidas em 1964 por uma nova ditadura de quase dois decnios.</p> <p>*</p> <p>A relao completa dos educadores que integram a coleo encontra-se no incio deste volume.</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>8</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>Assim, pode-se dizer que, em certo sentido, o atual estgio da educao brasileira representa uma retomada dos ideais dos manifestos de 1932 e de 1959, devidamente contextualizados com o tempo presente. Estou certo de que o lanamento, em 2007, do Plano de Desenvolvimento da Educao (PDE), como mecanismo de estado para a implementao do Plano Nacional da Educao comeou a resgatar muitos dos objetivos da poltica educacional presentes em ambos os manifestos. Acredito que no ser demais afirmar que o grande argumento do Manifesto de 1932, cuja reedio consta da presente Coleo, juntamente com o Manifesto de 1959, de impressionante atualidade: Na hierarquia dos problemas de uma nao, nenhum sobreleva em importncia, ao da educao. Esse lema inspira e d foras ao movimento de ideias e de aes a que hoje assistimos em todo o pas para fazer da educao uma prioridade de estado.</p> <p>Fernando Haddad Ministro de Estado da Educao</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>9</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>MILE DURKHEIM</p> <p>10</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>10</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>COLEO</p> <p>EDUCADORES</p> <p>MILE DURKHEIM1 (1858-1917)2Jean-Claude Filloux 3</p> <p>mile Durkheim pensou a educao no mbito do projeto de construo do que queria que fosse uma verdadeira cincia social. O prprio projeto inseria-se num contexto mltiplo: o meio no qual Durkheim passou sua infncia, a situao histrica da Frana aps a guerra contra a Alemanha e a derrota de 1870, o longo perodo de conflitos sociais e polticos por que passava seu pas. Nascido em 1852, filho de um rabino, em pinal, no leste da Frana, ele preferiu, desde a adolescncia, abandonar a religio judaica e decidiu qual seria sua futura profisso: professor de filosofia. Entre 1879 e 1882, frequentou a prestigiosa Escola Normal Superior4 (ENS), em Paris. A tragdia da Comuna (de maro a maio de 1871), uma espcie de guerra civil aps a derrota, marcou-o quando ainda muito jovem. Persuadiu-se, ento, de que, se</p> <p>1 2</p> <p>Ttulo original do autor: Pedagogia e sociologia da educao em mile Durkheim.</p> <p>Este perfil foi publicado em Perspectives: revue trimestrielle dducation compare. Paris, Unesco: Escritrio Internacional de Educao, n. 1-2, pp. 305-322, 1993.3 Jean-Claude Filloux (Frana) filsofo de formao. Participou, em 1964, da fundao da Universidade de Paris X-Nanterre. Atualmente, professor emrito do Departamento de Cincias da Educao da Universidade de Paris X, do qual foi o criador. Antigo professor de sociologia da Universidade de Poitiers. Membro de vrias sociedades cientficas: Sociedade Francesa de Filosofia, Associao Francesa de Sociologia e Associao dos Docentes e Pesquisadores em Cincias da Educao. Autor notadamente de: La personnalit (A Personalidade); Durkheim et le socialisme (Durkheim e o Socialismo); Anthologie des sciences de lhomme (Antologia das Cincias Humanas), e de inmeros artigos e captulos de obras coletivas sobre a educao e sobre Durkheim. 4</p> <p>NT: em francs: cole Normale Suprieure.</p> <p>11</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>11</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>MILE DURKHEIM</p> <p>um dia devesse ensinar, sua misso seria a de ajudar seus compatriotas a trilhar o caminho rumo a uma sociedade que, unida e solidria, pudesse superar seus prprios conflitos e contribuir para estimular as mudanas sociais que permitiriam a seus concidados viver o que ele chamou de bem por excelncia, ou seja, a comunho com os outros. De fato, era uma poca de perturbaes sociais e de crise profunda na Frana. Politicamente, a Terceira Repblica consegue nascer em 1875, aps acirradas lutas entre republicanos e monarquistas. Economicamente, a expanso do capitalismo industrial choca-se com uma tomada de conscincia cada vez mais aguda das classes operrias, que se organizam, em especial, sob a influncia das teses socialistas e do marxismo. A isso, vem se acrescentar a emergncia progressiva do esprito laico, que procura se opor dominao da Igreja sobre a educao. Na poca, as cincias fsicas e naturais realizam imensos progressos, reforando a confiana no poder do esprito cientfico. O jovem mile sente que tem um papel a desempenhar no futuro de sua sociedade e que, decidindo ser professor, poder contribuir, atravs da educao, para esse futuro. Porm, ensinar o grupo, mostrar aos homens o que pode ser uma boa sociedade, pressupe uma reflexo fundamental e cientfica sobre o que uma sociedade. Antes mesmo de ingressar na ENS, Durkheim j colocava a questo-chave das relaes do homem e do grupo, do fundamento das sociedades e acreditava que, para edificar uma sociologia cientfica, era urgente ultrapassar as ideologias polticas e sociais. No que se refere a esse ponto, sua estada na ENS foi determinante: com efeito, ali se atam os fios desse projeto de uma ao, ao mesmo tempo poltica e pedaggica, mas, uma ao, em primeiro lugar, fundada em um desvio cientfico de conhecimento, no caso, a introduo de uma varivel nova no processo de mudana social: a tomada de conscincia sociolgica na representao que a sociedade tem de si mesma.</p> <p>12</p> <p>mile Durkheim_fev2010.pmd</p> <p>12</p> <p>21/10/2010, 09:15</p> <p>COLEO</p> <p>EDUCADORES</p> <p>Em 1882, sua deciso est tomada. o comeo de uma carreira, na qual o labor do socilogo refora o do missionrio (ou mesmo, do profeta), preocupado com definir as condies de existncia de uma sociedade que respeita a pessoa e elaborar os modelos da escola e da pedagogia que tornam possvel a realizao dessas condies. A questo inicial que toma por base era a mesma que se colocava para as doutrinas polticas e sociais da poca: deve-se privilegiar o bem do indivduo ou o bem da sociedade? Deve-se ser individualista, como o queriam os liberais e os economistas, ou socialista, no sentido em que o entendiam Proudhon e Marx? Desde sua sada da ENS, Durkheim nunca desistir de mostrar que a integrao de uma sociedade moderna, resultante da expanso do capitalismo, condicionada por uma nova definio do individualismo e do socialismo, definio esta que s poderia ser dada pela cincia social. Aps alguns anos ensinando filosofia no ensino secundrio, Durkheim nomeado, em 1887, para a Faculdade de Letras de Bordeaux, onde encarregado de ministrar um curso de cincia social e pedagogia, antes de ir para Paris, em 1902, assumir, na Sorbonne, a ctedra de cincia da educao, transformada em cincia da educao e sociologia, que ir ocupar at sua morte, em 1917. Institucionalmente, a constituio de uma cincia da educao , portanto, inseparvel da formalizao durkheimiana da prpria sociologia. O pai da sociologia francesa ser, assim, o primeiro socilogo da educao, na mesma poca em que, entre 1882 e 1886, o ministro Jules Ferry lana as bases de uma escola laica, obrigatria e igualitria5. Situada no mbito da elaborao de uma cincia social</p> <p>5 Aps a proclamao da Repblica, em 1875, a instruo torna-se na Frana um ideal coletivo. Trata-se, em particular, de constituir o ensino primrio como um servio pblico laico e de instaurar a gratuidade e a obr...</p>