Cooperativismo e economia solidária

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<ul><li> 1. O COOPERATIVISMO E A RECICLAGEM DE RESDUOS SLIDOS: UMA ABORDAGEM DENTRO DOS PRINCPIOS DA ECONOMIA SOLIDRIA 1 Leandro Torino da Silva 2Jferson Soares Damascena Fundao Unitrabalho Relato de experincias em economia solidria (5).RESUMOEste trabalho faz uma discusso sobre o cooperativismo atravs dos princpios da Economia Solidria, temtica que aponta para uma nova estrutura social, onde os conceitos sobre desenvolvimento capitalista se diferem, propondo, principalmente, novas alternativas econmicas, ou seja, uma nova forma de desenvolvimento econmico. Atravs da Economia Solidria, possvel sociedade o equacionamento de problemas que h muito desafiam as diversas reas sociais, cientficas, tecnolgicas, polticas e econmicas. A organizao de empreendimentos econmicos solidrios permite uma outra forma de incluso dos trabalhadores, de forma organizada e autogestionria, considerando os aspectos sociais da realidade brasileira, nas esferas nacional, regional e local. Neste sentido, as cooperativas de reciclagem, organizadas dentro dos princpios da Economia Solidria uma alternativa de emprego, renda e incluso profissional para os trabalhadores das cidades. Deve-se considerar ainda, que a destinao final dos resduos slidos se constitui como um dos principais desafios ambientais para a sociedade, requerendo aes objetivas e prticas para a sua soluo. Neste contexto, a reciclagem se mostra como alternativa a esta questo ambiental, principalmente pela gerao de trabalho e renda. Na cidade de Maring/PR foram realizadas iniciativas atravs do Ncleo Local da Fundao Unitrabalho, que orientou a criao de cooperativas de reciclagem, atravs dos princpios da Economia Solidria.PALAVRAS-CHAVE: Economia Solidria; Trabalho; Reciclagem.INTRODUOSegundo Singer (2002), as transformaes ocorridas no mundo do trabalho e na organizao econmica do Brasil esto desencadeando um forte processo de expanso de novas formas de organizao do trabalho e da produo. Os processos resultantes da globalizao da economia tm proporcionado diversas mudanas no mundo do trabalho. Dentre essas mudanas, esto a flexibilizao das relaes de emprego, elevao dos nveis de desemprego e excluso de considervel parcela de trabalhadores. A partir da dcada de 1970 a sociedade brasileira sofreu rpidas e profundas transformaes, caracterizadas principalmente pelo grande desenvolvimento tecnolgico alcanado nos setores industrial e agrcola. Como conseqncia destas mudanas, a classe1 Tecnlogo em Meio Ambiente - Saneamento, Especialista em Gesto e Auditoria Ambiental, Fundao Unitrabalho, torino941@hotmail.com. 2 Jferson Soares Damascena, Administrador, Unisol, jefersonsd@yahoo.com.br. 1 </li></ul><p> 2. trabalhadora foi atingida, elevando o nmero de desempregados e causando modificaes no modo de vida do trabalhador e de sua famlia. Segundo Carreteiro (2002), esta situao acaba gerando uma excluso, que pela desigualdade de bens e padres de consumo, afeta o bem-estar dos indivduos de baixa remunerao, onde uma minoria conta com amplas possibilidades na aquisio de bens. Esta desigualdade afeta o crescimento e a distribuio de renda, que est relacionada diretamente com a composio dos gastos pblicos na educao e na sade, ocasionando a desigualdade do capital humano. Uma alternativa para a incluso desses trabalhadores novamente ao mercado de trabalho se daria pelos princpios da economia solidria e da autogesto. Este modelo de economia busca uma sociedade onde predomine a igualdade entre os membros, preponderando a cooperao ao invs da competio.A Economia Solidria nos mbitos Econmico, Social e Cultural A economia solidria comeou a ressurgir, de forma esparsa na dcada de 1980, tomando impulso crescente a partir da segunda metade dos anos 1990, resultando dos movimentos sociais que reagem crise de desemprego em massa iniciada em 1981, e que se agravou com a abertura do mercado interno s importaes, a partir de 1990, conforme Singer (2000). Segundo Eid (2004), a questo da organizao empresarial cooperativa e solidria enquanto alternativa empresa capitalista no recente, surge no incio do sculo XIX na Europa com caractersticas ideolgicas e filosficas de autogesto, democracia interna e autonomia. No entanto, muitas perderam esses valores essenciais ao longo do tempo tornando-se semelhantes s empresas capitalistas onde a subordinao das relaes de trabalho uma caracterstica marcante e a cultura fortemente enraizada na relao de subalternidade. A partir da dcada de 80 verifica-se no Brasil a retomada do cooperativismo com uma nova conotao, dentro do conceito de Empreendimento Econmico Solidrio e da Economia Solidria. Conforme citado por Gaiger (2003), as organizaes que surgem no contexto de economiasolidria, denominadas empreendimentoseconmicossolidrios (EES), compreendem as diversas modalidades de organizao econmica, originadas da livre associao dos trabalhadores, com base em princpios de autogesto, cooperao, eficincia e viabilidade. Aglutinando indivduos excludos do mercado de trabalho, ou movidos pela fora de suas convices, a procura de alternativas coletivas de sobrevivncia, os empreendimentos econmicos solidrios desenvolvem atividades nos setores da2 3. produo ou da prestao de servios, da comercializao e do crdito. Apresentam-se sob a forma de associaes, cooperativas e empresas de autogesto e combinam suas atividades econmicas com aes de cunho educativo e cultural, valorizando o sentido da comunidade de trabalho e o compromisso com a coletividade social em que se inserem. Segundo Souza, (2003), os empreendimentos comunitrios, quando isolados, so muito frgeis. Esses grupos carecem ainda de apoio institucional sistemtico de agncias externas e tambm do trabalho voluntrio de simpatizantes e militantes de movimentos sociais. Apesar disso, o entusiasmo e o empenho manifestado no ficam sem recompensa e o carter revolucionrio da economia solidria abre-se como uma perspectiva para superar a condio de mero paliativo contra o desemprego e a excluso conforme salienta Singer (2003):Para pessoas humildes, que sempre foram estigmatizadas por serem pobres - sobretudo mulheres e negros, vtimas de discriminao por gnero e raa - a experincia cooperativa enseja verdadeiro resgate da cidadania. Ao integrar a cooperativa, muitos experimentam pela primeira vez em suas vidas o gozo de direitos iguais para todos, o prazer de poderem se exprimir livremente e de serem escutados e o orgulho de perceber que suas opinies so respeitadas e pesam no coletivo. De acordo com Magalhes e Todeschini (2003), novas interpretaes analisam as possibilidades da economia solidria no mais como uma ao pr-poltica, mas como embries de novas formas de produo, de organizao de trabalho, do mercado ou mesmo de uma economia alternativa. Em sntese, as possibilidades da economia solidria apresentam grande potencial de ampliao das possibilidades de gerao de novas oportunidades de trabalho, maior democratizao da gesto do trabalho, maior valorizao das relaes humanas e tambm apresenta ser um caminho vivel para distribuio de renda. Segundo Lisboa (2005), a novidade, a fora e o diferencial da economia solidria gira em torno da idia de solidariedade, incorporando a solidariedade fazendo dela o centro da atividade econmica. Conforme Souza (2003), os empreendimentos solidrios constituem espaos de sociabilidade e at de terapia ocupacional. Para Tiriba (2003), h a necessidade de se refletir sobre a possibilidade da constituio de uma nova cultura do trabalho, onde as relaes seriam caracterizadas pelas perspectivas de valor de uso e no de troca, em que o trabalhador recupera o sentimento de produtor e sujeito criador de si mesmo e da histria. Seria uma cultura de negao a figura do patro, dos ritmos e das intensidades impostos pelas mquinas, da satisfao de 3 4. trabalhar sem patro. Segundo Souza (2003), a caracterstica marcante das experincias com economia solidria, que as pessoas nele engajadas distribuem entre si a renda, fruto do trabalho coletivo.Para Singer (2002), a solidariedade da economia s pode se realizar se ela for organizada igualitariamente pelos que se associam para produzir, comerciar, consumir ou poupar. A chave dessa proposta a associao entre iguais em vez do contrato entre desiguais. Ou seja, todos os scios tm a mesma parcela de capital e, o mesmo direito de voto em todas as decises.Economia Solidria - Atuao LocalA economia solidria no a nica opo de sobrevivncia das classes trabalhadoras e das camadas mais pobres. Porm, se observa que a ajuda mtua e organizacional de vital importncia para a sua sobrevivncia; sendo uma alternativa vivel para a re-incluso de trabalhadores; em diversas reas econmicas e de produo, tais como: artesanato, prestao de servios, culinria, costura, confeces, reciclagem, e outras.Segundo Eid (2004), a principal diferena entre empreendimentos autogeridos e empresas capitalistas reside de que nos primeiros, a preservao dos postos de trabalho prioridade em relao busca do excedente econmico crescente. Entende-se que se a maximizao do excedente no o motor do empreendimento, este deve servir sobrevivncia e ao desenvolvimento do empreendimento coletivo dos que nela trabalham.De acordo com Singer (2002), cada um desempenha uma funo que em conjunto alcana o resultado completo para o funcionamento da organizao; que se caracteriza ento, como um modo de produo e distribuio de renda alternativa ao capitalismo.Conforme Singer e Gonzalez (1998), neste contexto, o cooperativismo popular ou de trabalho uma das alternativas para resgatar a cidadania e possibilitar especialmente aos trabalhadores desempregados viabilizar um projeto de gerao de renda e incluso social.Apesar e paralelamente s polticas pblicas que visam uma maior insero dos cidados nas decises, surgem nos meios acadmicos, trabalhos de apoio, assessoria e acompanhamento a esses empreendimentos, traduzidos em redes, como o Ncleo Local/UEM da Fundao Unitrabalho (Rede Interuniversitria de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho e Movimentos Sociais). Estas instituies tm se dedicado incubao e gesto4 5. de iniciativas populares. A universidade, ao inserir-se nestas redes e abrigar estas aes, resgata o seu compromisso para com a sociedade que a mantm. As aes desenvolvidas objetivam proporcionar aumento de trabalho e renda aos trabalhadores excludos da regio de Maring, contribuindo para a reduo dos ndices de desigualdades sociais e, mais particularmente, da erradicao dos bolses de pobreza e fome. Entende-se que as aes desenvolvidas pelos ncleos da Unitrabalho, especialmente na cadeia da reciclagem, permitem expandir a incubao de empreendimentos solidrios, contribuindo com a soluo de destinao final do lixo, conforme afirmam Vaz e Cabral (1993), que a melhor soluo para a destinao final do lixo ter menos lixo; a reciclagem indispensvel. Diante disso, a Universidade Estadual de Maring (UEM), sente a necessidade de intensificar a presena efetiva e continuada junto a essas organizaes dos trabalhadores, na rea da formao cooperativa, assessoria, pesquisa e incubao.FUNDAMENTAO TERICA Segundo Calderoni (2003), as questes relativas gerao e destinao final dos resduos slidos urbanos so amplamente estudadas e discutidas por diversas reas do conhecimento, notadamente pela sade pblica, ecologia, economia, educao e sociologia. O crescimento populacional verificado nos ltimos anos apontado como uma das causas para o aumento acentuado da produo de resduos slidos. A maneira pelas quais diversos produtos foram criados, desenvolvidos e aperfeioados, contribuindo para a modificao das suas caractersticas biolgicas, fsicas e qumicas, tambm um fator relevante. Apesar de os produtos que originam os resduos serem fabricados a partir de recursos naturais, muitos no so degradados pela natureza devido ao alto grau de transformaes e processamentos a que foram submetidos. Desta forma, torna-se imediato o equacionamento da questo, contemplando os aspectos ambientais, sociais, e de sade pblica, bem como as formas de gesto, de acordo com as novas realidades tecnolgicas que exigem solues modernas, eficientes e eco-compatvel com a participao e o envolvimento social. Conforme citado por Mello (1981), a coleta seletiva e a reciclagem de resduos so solues indispensveis, por permitir a reduo do volume de lixo para disposio final em aterros e incineradores. No a nica forma de tratamento e disposio: exige o complemento de outras solues. O fundamento deste processo a separao, pela populao, dos materiais reciclveis (papis, vidros, plsticos e metais) do restante do lixo, que destinado a aterros ou usinas de compostagem Consrcios intermunicipais possibilitam economias de escala, com aes conjuntas entre prefeituras. To importante 5 6. quanto o investimento, o papel do governo municipal como articulador junto sociedade e outros governos. A coleta seletiva criou condies tcnicas para a implantao de uma usina de compostagem na cidade, pois boa parte do material inorgnico (metais, vidros, etc.) j separada, reduzindo os custos de operao da usina. Os resultados da coleta seletiva demonstram que os maiores beneficiados por esse sistema so o meio ambiente e a sade da populao. A reciclagem de papis, vidros, plsticos e metais - que representam em torno de 40% do lixo domstico - reduzem a utilizao dos aterros sanitrios, prolongando sua vida til. Se o programa de reciclagem contar, tambm, com uma usina de compostagem, os benefcios so ainda maiores. Alm disso, a reciclagem implica uma reduo significativa dos nveis de poluio ambiental e do desperdcio de recursos naturais, atravs da economia de energia e matrias-primas. Em termos econmicos, a coleta seletiva e reciclagem do lixo domstico apresentam, normalmente, um custo inferior em comparao a mtodos como incinerao, e mesmo os lixes (considerando-se em mdio prazo). Iniciativas comunitrias ou empresariais podem auxiliar a prefeitura, e, at mesmo, produzir benefcios para as entidades ou empresas. De qualquer forma, importante notar que o objetivo da coleta seletiva no gerar recursos, mas reduzir o volume de lixo, gerando ganhos ambientais. um investimento no meio ambiente e na qualidade de vida, com ganhos ambientais, sociais e econmicos da coletividade. Em curto prazo, a reciclagem permite a aplicao dos recursos obtidos com a venda dos materiais em benefcios sociais e melhorias de infra- estrutura na comunidade que participa do programa, tambm podendo gerar empregos e integrar na economia formal. No aspecto poltico, alm de contribuir positivamente para a imagem do governo e da cidade, a coleta seletiva exige um exerccio de cidadania, no qual os cidados assumem um papel ativo em relao administrao da cidade. Alm das possibilidades de aproximao entre o poder pblico e a populao, a coleta seletiva pode estimular a organizao da sociedade civil. Segundo Pereira-Neto (1999), os principais materiais com potencial de reciclagem so o papel e papelo (incluindo as embalagens longa vida), isopor, plsticos (todos os tipos), metais e vidros (inclusive os cacos); apontando como principais benefcios da reciclag...</p>