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CCLERALERA

Ablio Antunes

2005

CCleralera

Diarreia secretria causada por infeco aguda do intestino delgado pela bactria Vibriocholerae.

Sinonmia: clera morbo, clera asitica, clera indica e clera epidmica.

Reservatrio natural do organismo ainda desconhecido.

Endmica na sia, delta do Ganges e Bangladesh

HISTRIA

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Termo clera - deriva do grego segundo alguns

- para outros do hebraico Kholira (doena m). - Na ndia designa-se por mari.

Invade episodicamente territrios limtrofes (depois de 1817), e vastas reas da sia, frica, Europa e Amrica.

Primeiras referncias :

Escritos antigos do sanscritoHipcratesGalenoWang-ShoohoGaspar Correia - Lendas da ndia - epidemia Goa (1543)Garcia de Orta, descreve-a na mesma data.

CCleralera

Banho de peregrinos no Ganges

Tropical Parasitology, Peters e Gilles, 1997

Diarreia secretria consequncia da excessiva estimulao do processo normal de secreo no intestino delgado com ou sem deficincia ao nvel da reabsoro da gua e electrlitos.

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Principal caracterstica

depleco de Na + perda de H2O

+ bicarbonato pH neutro.

A secreo superior absoro.

EPIDEMIOLOGIA

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2 Pandemia 1826-1837 Rssia (1829), Europa, Amrica do Norte (1832), principalmente Nova Iorque e o Canad.

John Snow estabelece o modo de transmisso via fecal oral.

1 Pandemia 1817-1824 sia, frica, Europa e Amrica do Norte.

3 Pandemia 1846-1862 Europa (Portugal em 1853) e Amrica do Norte e do Sul (Brasil).

EPIDEMIOLOGIA (cont.)

4 Pandemia 1863-1875 estende-se aos quatro continentes.

5 Pandemia 1881-1896 Europa (Alemanha, Frana, Itlia, Espanha), Amrica do Sul (1885), Brasil (S. Paulo, em 1893.

Robert Koch em 1883, identifica pela 1 vez o vibrio colrico e admitiu a presena de uma toxina envolvida na patognese da doena.

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EPIDEMIOLOGIA (cont.)

6 Pandemia 1899-1923 descoberto por Gotschlich novo vibrio, colrico em 1905, no lazareto dEl Tor, em Meca, aglutinvel e hemoltico, que se difundia com caractersticas epidmicas nas Celebes.

7 Pandemia 1961- 2001 incio nas Celebes, Indonsia, Filipinas (isolado o vibrio El Tor, serotipo 01 no hemoltico), Extremo Oriente, ndia, Afeganisto (1965), Canal do Suez (1970), que se expande para frica, segundo trs eixos:

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EPIDEMIOLOGIA (cont.)

A Norte Egipto, Lbia, Arglia, Tunsia, regio mediterrnica de Marrocos, tornando-se o Maghreb, zona endemo-epidmica.

A Este Egipto, Somlia,, Etipia, Sudo, Qunia, Uganda, Ruanda e Tanznia.

A Oeste 1970-71 -, todos os pases da frica Ocidental e Central.

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EPIDEMIOLOGIA (cont.)

Em 1971, grave surto no Bangladesh, com expanso ao golfo de Bengala. Itlia, Espanha, Portugal, Comores, Frana, Inglaterra, E.U.A., Brasil e Austrlia.

Em 1978, frica, regio dos Grandes Lagos, algumas Ilhas do Pacfico e do ndico.

Em 1979, a frica do Sul, tornando-se endmica pela 1 vez ao sul do deserto do Sahara.

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EPIDEMIOLOGIA (cont.)

Caractersticas da estirpe El Tor que lhe conferem virulncia epidmica:

1 A relao doente/portador, menor do que nos bitipos clssicos, - varia de 1/30 a 1/100 no El Tor, versus a nas estirpes clssicas.

2 A durao do estado de portador aps a infeco, mais longa no El Tor.

3 A estirpe El Tor sobrevive por longos perodos no meio extra-intestinal.

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EPIDEMIOLOGIA (cont.)

A 7 Pandemia atingiu em 1991, a Amrica Latina, aps mais de um sculo de ausncia, onde tem permanecido desde ento com elevado n de casos, comeando somente a baixar a partir de 1999.

Actualmente a frica, tal como o delta do Ganges tornou-se um foco permanente. Epidemias dos ltimos anos no:

Sudo 1985Malawi 1988Zaire e Ruanda 1994

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Distribuio do biotipo El Tor, durante a 7 pandemia

Tropical Parasitology, Peters e Gilles, 1997

EPIDEMIOLOGIA (cont.)

A 7 Pandemia permitiu individualizar 2 ciclos epidemiolgicos:

- Ciclo curto ou ciclo humano contacto com portador so, com doente ou com cadver.

- Ciclo longo ou ciclo hdrico transmisso pelos alimentos, gua.

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EPIDEMIOLOGIA (cont.)

8 Pandemia 2001 - ? serotipo 0139

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EPIDEMIOLOGIA (cont.)

Difere consoante ocorre em zonas:

- tradicionalmente endmicas

- onde foi introduzida mais recentemente

As diferenas relacionam-se com:

1 - estado imunitrio das populaes, os grupos etrios dos doentes, o quadro e gravidade da doena, a percentagem de doentes e de portadores assintomticos;

2 - o grau de desenvolvimento scio-econmico;

3 - a ecologia dos vibries e o ecossistema

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EPIDEMIOLOGIA (cont.)

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Mariscos como fonte de infeco

Tropical Parasitology, Peters e Gilles, 1997

EPIDEMIOLOGIA (cont.)

Factores de ordem imunolgica nas reas endmicas, uma exposio prvia ao organismo, determina uma resposta imune da mucosa intestinal mediada pela IgA secretria.

Acidez gstrica os vibries no toleram um pH < 5,5.

Grupo sanguneo ABO prevalncia mais elevada nas pessoas pertencentes ao grupo O.

Tipos de epidemia:- Lento- Explosivo

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Incubao:

Doena:

Transmissibilidade:

Clnica

perodos de

1-2 dias

horas > 1 semana

1-3 semanas

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ETIOLOGIAMorfologia, metabolismo e composio antignica

Vibrio colrico bactria Gram -, em forma de vrgula, muito mvel, no forma esporos. Aerbico, crescendo bem a 37 C e a pH elevado, - 8,0 a 8,2.

Heiberg, baseado na fermentao, classificou os vibries em seis tipos. Os vibries colricos, pertencem ao tipo I de Heiberg.

O V. Cholerae, pertence ao gnero Vibrio, com vrias espcies.Esto descritos 4 biotipos:

Cholerae, El Tor, Proteus e Albensis

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Vibrios cholerae

Tropical Parasitology, Peters e Gilles, 1997

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Vibrio cholerae no lumen do jejuno

Tropical Parasitology, Peters e Gilles, 1997

VARIAO ANTIGNICA

A variao antignica desempenha um importante papel na virulncia da clera. Em funo da estrutura do antignio 0, distinguem-se 155 serogrupos, e entre estes, somente os serogrupos 0:1 e 0:139 so responsveis da clera.

At 1992 eram responsveis os do serogrupo 0:1.

Em funo da presena ou no de 3 antignios principais: A, B e C, ao nvel do antignio 0, distinguem-se 3 serotipos:

- Inaba A e C- Ogawa A e B- Hikojima A, B e C

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Com base em estudos feitos sobre a lisogenia e a lisossensibilidade do vibrio El Tor, distinguem-se as seguintes variedades:

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Via de Transmisso:Via de Transmisso:FecalFecal--OralOral

Contacto directo

gua

Alimentos

FISIOPATOLOGIAVibrio

duodenosuperfcie do epitlio

adeso aos entercitosproliferao dos vibries

liseexotoxina toxina colrica

interior dos entercitos

Captura do vibrio pelas clulas M

resposta imunitria (anticorpos vibriocidas e anticorpos contra a toxina colrica).

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FISIOPATOLOGIA

As perdas digestivas so em mdia de 10 l/dia/adulto

desidratao extra e depois intracelular,

acidose

hipocalimia

morte na ausncia de tratamento por choque hipovolmico.

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FISIOPATOLOGIA (cont.)

Introduo de germes viveis no intestino delgado.Multiplicao muito rpida das bactrias no intestino delgado.

Produo pelas bactrias, em multiplicao, duma potente enterotoxina, dependendo a gravidade da infeco da capacidade da estirpe para produzir a enterotoxina.

Secreo pela mucosa intestinal, de grande volume de lquidos

isotnicos.

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Subunidade ASubunidade ASubunidade ASubunidade A

Subunidade BSubunidade BSubunidade BSubunidade B

ToxinaToxinaToxinaToxina

SecreSecreSecreSecreoooo

activa activa activa activa

estimuladaestimuladaestimuladaestimulada

DifusoDifusoDifusoDifuso

passiva passiva passiva passiva

diminudiminudiminudiminudadadada

DifusoDifusoDifusoDifuso

passiva passiva passiva passiva

diminudiminudiminudiminudadadada

AbsorAbsorAbsorAbsoroooo

inalteradainalteradainalteradainalterada

AnioAnioAnioAnio

AcAcAcAco da toxina colo da toxina colo da toxina colo da toxina colrica sobre a transferncia do srica sobre a transferncia do srica sobre a transferncia do srica sobre a transferncia do sdio atravdio atravdio atravdio atravs da s da s da s da membrana intestinalmembrana intestinalmembrana intestinalmembrana intestinal

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Distribuio

Baixo Ganges e Delta

Todo o subcontinenteindiano

SEAAfrica IntertropicalPer e Amaznia

Mdio OrienteAmrica LatinaSul da China

Hiperendmica

Endmica

Espordica

reas Livres Rico Moderado/Elevado

Risco Baixo/Moderado Risco Elevado/Muito Elevado I Soares & J Nina. 2004

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Fcies colrico

Tropical Parasitology, Peters e Gilles, 1997

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Fezes de colrico

Tropical Parasitology, Peters e Gilles, 1997

SINTOMATOLOGIA

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MODELOS DE LEITOS