aula 48 - portugu- ¦ês - aula 09

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  • PORTUGUS P/ AFRF - TEORIA E QUESTES COMENTADAS PROFESSOR: DCIO TERROR

    Prof. Dcio Terror www.pontodosconcursos.com.br

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    Aula 9

    (Provas comentadas)

    Ol, pessoal! Chegamos ao final de nosso curso!!! Espero que vocs tenham gostado

    de nosso trabalho e que tenham realmente percebido a forma como a ESAF cobra os temas de Lngua Portuguesa na prova.

    As vrias interpelaes no frum me ajudam a procurar um trabalho mais didtico, e isso tem colaborado muito com o planejamento dos prximos cursos. Por isso, sua dvida, sugesto ou reclamao MUITO IMPORTANTE. Se algum se sentir constrangido em se expressar pelo frum, expresse-se pelo e-mail ([email protected]). O que queremos sempre levar um material de qualidade e que sacie suas expectativas.

    Agradeo muitssimo por sua participao no curso!!!!!

    Para que realmente este simulado surta efeito, interessante voc observar os seguintes critrios:

    a) Comece pela segunda parte desta aula, realizando apenas as provas (sem os comentrios).

    b) A mdia de resoluo de cada questo de 3 minutos, ento, se voc percebeu que a questo vai tomar muito tempo, pule para a prxima e procure ir controlando o tempo gasto.

    c) Voc ter 45 minutos para a realizao da primeira prova e 60 minutos para a segunda. Mesmo que no tenha terminado todas as questes, pare de realiz-las nesse tempo limite. Isso vai lhe dar a noo de sua agilidade. para isso que estamos treinando. Lembre-se de que no basta saber bastante, deve-se ter presteza na resoluo da prova.

    d) Aps realizar a prova, anote o tempo gasto (se tiver acabado antes do tempo) e o percentual de acerto.

    e) Em seguida, veja os comentrios da prova. Agora, sim, o momento de verificar os detalhes das questes, com calma.

    f) A exemplo de alguns companheiros, poste no frum seu tempo de realizao e as questes que deram mais trabalho.

    Portugus p/ Auditor-Fiscal da Receita Federal (teoria e questes comentadas)

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    Prova 1

    Analista de Planejamento e Oramento MPOG 2010

    Texto para as questes 1 e 2.

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    A experincia da modernidade algo que s pode ser pensado a partir de alguns conceitos fundamentais. Um deles o conceito de civilizao. Tal conceito, a exemplo dos que constituem a base da estrutura da experincia ocidental, algo tornado possvel apenas por meio de seu contraponto, qual seja, o conceito de barbrie. Assim como a ideia de civilizao implica a ideia de barbrie, a experincia da modernidade (que no deve ser pensada como algo que j aconteceu, mas como algo que deve estar sempre acontecendo, um porvir) implica a experincia da violncia que a tornou possvel a violncia fundadora da modernidade. O processo civilizatrio se constitui a partir da conquista de territrios e posies ocupados pela barbrie. Tal processo se d de forma contnua, num movimento insistente que est sendo sempre recomeado. Pensando em termos de experincia moderna, todas as grandes conquistas ou invases das terras alheias tiveram como justificativa a ocupao dos espaos da barbrie.

    (Adaptado de Ruberval Ferreira, Guerra na lngua: mdia, poder e terrorismo. 2007, p. 79-80)

    1. Assinale a opo incorreta a respeito do uso das estruturas lingusticas no texto.

    a) A flexo de masculino no termo pensado (.1) indica que o pronome relativo que retoma, nas relaes de coeso, o pronome algo e no o substantivo experincia.

    b) O uso da voz passiva em ser pensada(.7) indica que o verbo pensar est empregado como pensar em, e a orao na voz ativa correspondente deve ser escrita como pensar na experincia da modernidade.

    c) O sinal de travesso, na linha 9, exerce funo semelhante ao sinal de dois pontos, que a de introduzir uma explicao ou uma especificao para a ideia anterior.

    d) As estruturas sintticas do texto permitem o deslocamento do pronome tono em se constitui(.10) e se d(.11) para depois do verbo, escrevendo-se, respectivamente, constitui-se e d-se, sem que com isso se prejudique a correo ou a coerncia do texto.

    e) Embora a substituio de est sendo(.12) por respeite a correo gramatical e a coerncia do texto, a opo pelo uso da forma durativa enfatiza a ideia de continuidade do processo civilizatrio.

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    Comentrio: A alternativa (A) est correta, pois o pronome relativo que encontra-se na funo de sujeito, o qual retoma o pronome indefinido algo:

    A experincia da modernidade algo que s pode ser pensado... orao principal Or. subord adjetiva restritiva

    A alternativa (B) a errada. Para um verbo estar na voz passiva, deve ser transitivo direto ou transitivo direto e indireto. O verbo pensar transitivo direto, neste contexto (e no transitivo indireto, como o exemplo dado na questo: pensar em).

    Releia o trecho original na voz passiva analtica:

    ...a experincia da modernidade que no deve ser pensada como algo...

    Agora, perceba que esta voz passiva no apresenta explicitamente o agente da passiva. Assim, ele est indeterminado. Na transposio para a voz ativa este termo agente indeterminado passa a sujeito agente indeterminado, com verbo na terceira pessoa do plural:

    ...a experincia da modernidade que no devem pensar como algo...

    Na realidade, bastava observar que a preposio em transmitiu o erro na questo.

    A alternativa (C) est correta, pois o termo aps o travesso a violncia fundadora da modernidade o aposto explicativo, o qual explica violncia. Haja vista aquele termo estar em final de perodo, pode tambm ser separado por dois-pontos.

    A alternativa (D) est correta, pois no h palavra atrativa para forar a prclise (pronome oblquo tono antes do verbo). Esse processo ocorre por eufonia. tendncia moderna manter a prclise por soar menos artificial. Assim, nada impede que haja a nclise (pronome oblquo tono aps o verbo), pois, como j dito, no h palavra que obrigue o pronome para antes do verbo.

    A alternativa (E) est correta, pois o verbo (presente do indicativo) pode substituir a locuo est sendo pois aquele empregado para transmitir rotina, regularidade. Mas a locuo est sendo, ao utilizar o verbo auxiliar no presente do indicativo, j transmite o valor de regularidade e, com o gerndio, intensifica a ideia de continuidade, durao. Veja:

    Tal processo se d de forma contnua, num movimento insistente que est sendo sempre recomeado.

    Tal processo se d de forma contnua, num movimento insistente que sempre recomeado.

    Portanto, no h erro na substituio, apenas a locuo transmite mais intensamente a durao do processo verbal. Gabarito: B

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    2- A partir das ideias do texto, julgue como verdadeiras (V) ou falsas (F) as inferncias abaixo, em seguida, assinale a opo correta.

    ( ) A conquista dos espaos ocupados pela barbrie constitui uma das manifestaes da violncia que est na origem da modernidade.

    ( ) A experincia ocidental estrutura-se por meio de conceitos em contraponto, ilustrados no contraponto entre civilizao e barbrie.

    ( ) O processo civilizatrio constitui um movimento de constante recomeo porque espaos de violncia devem ser ocupados.

    ( ) A ausncia da oposio no conceito de modernidade tornaria injustificvel a ocupao de espaos de violncia pelo processo civilizatrio.

    A sequncia correta

    a) V, V, V, F

    b) V, V, F, V

    c) V, V, F, F

    d) F, V, F, V

    e) F, F, V, V

    Comentrio: A primeira frase verdadeira. Os dados so literais, especificamente a partir da leitura do segundo pargrafo. A questo afirmou que a conquista dos espaos ocupados pela barbrie constitui uma das manifestaes da violncia. Logicamente, sabemos que a conquista de territrios no se d de maneira amigvel, mas por meio de violncia, barbrie. A questo continua com a afirmao de que a violncia est na origem da modernidade. Isso foi afirmado no texto, mais precisamente na expresso a violncia fundadora da modernidade.

    A segunda frase verdadeira. A informao literal. A questo afirmou que A experincia ocidental estrutura-se por meio de conceitos em contraponto, ilustrados4 no contraponto entre civilizao5 e barbrie6.. Isso confirmado no texto a partir do segundo perodo, em que afirmado que Tal conceito (isto , o conceito de civilizao), a exemplo4 dos que constituem a base da estrutura da experincia ocidental, algo tornado possvel apenas por meio de seu5 contraponto (isto , o contraponto da civilizao5), qual seja, o conceito de barbrie6.

    A terceira frase falsa. Realmente o texto afirma que o processo civilizatrio constitui um movimento de constante recomeo. Como confirmao, temos o trecho Tal processo se d de forma contnua, num movimento insistente que est sendo sempre recomeado. Porm, o erro est na sua justificativa. No texto, a ocupao dos espaos da barbrie a justificativa das grandes conquistas ou invases das terras alheias (ltimo perodo do texto), e no a justificativa do constante recomeo do processo civilizatrio, segundo o que se sugere na frase III da questo.

    A quarta frase falsa. O texto se inicia fundamentando que o conceito de modernidade atribudo ao contraponto civilizao X barbrie.

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    Em seguida afirmado que a violncia fundadora da modernidade e que o processo civilizatrio se constitui a partir da conquista de territrios e posies ocupados pela barbrie.

    No final do texto, afirmado que em termos de experincia moderna, todas as grandes conquistas ou invases das terras alheias tiveram como justificativa a ocupao dos espaos da barbrie. Veja que houve uma restrio (grandes). Alm disso, devemos observar a expresso tiveram como justificativa. Isso no quer dizer categoricamente que a motivao pelas invases tenha sido realmente a ocupao dos espaos da barbrie. Isso pode ter sido um pano de fundo, a criao de um contexto para invadir terras alheias.

    Assim, entendemos que as grandes conquistas tiveram base no contraponto da modernidade (civilizao X barbrie), mas no implica entendermos categoricamente que todas as conquistas ou invases das terras alheias tiveram por base esse contraponto.

    Por isso esse contraponto no imprescindvel para a experincia de modernidade em toda sociedade.

    Dessa forma, no se pode afirmar que a ausncia da oposio no conceito de modernidade tornaria injustificvel a ocupao de espaos de violncia pelo processo civilizatrio, pois no s este o motivador para invases. Gabarito: C

    Texto para as questes 3 e 4.

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    O desenvolvimento um processo complexo, que deriva de uma gama de fatores entre os quais se reala a educao e precisa de tempo para enraizar-se. obra construda pela contribuio sistemtica de vrios governos. Depende da produtividade, que se nutre da cincia, das inovaes e, assim, dos avanos da tecnologia. Na verdade, a humanidade somente comeou seu desenvolvimento depois da Revoluo Industrial, iniciada no sculo XVIII, na Inglaterra. A estagnao da renda per capita havia sido a caracterstica da histria. A Revoluo desarmou a Armadilha Malthusiana e deu incio Grande Divergncia. A Armadilha deve seu nome ao demgrafo Thomas Malthus, para quem o potencial de crescimento era limitado pela oferta de alimentos. A evoluo da renda per capita dependia das taxas de natalidade e mortalidade. A renda per capita da Inglaterra comeou a crescer descolada da demografia, graas ao aumento da produtividade na agricultura e da explorao do potencial agrcola da Amrica.

    (Adaptado de Malson da Nbrega, Lula e o mistrio do desenvolvimento. VEJA, 26 de agosto, 2009, p.74)

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    3- A partir da argumentao do texto, infere-se que

    a) a Grande Divergncia falhou em suas previses, porque se baseou apenas na evoluo histrica da renda per capita.

    b) as previses de Malthus sobre o processo do desenvolvimento foram confirmadas apenas nos pases que no exploravam a agricultura.

    c) a educao, associada ao desempenho dos governos, mostrou a falsidade das previses de Thomas Malthus.

    d) a contribuio da cincia para os avanos da tecnologia pode reverter previses quanto ao processo de desenvolvimento.

    e) a Revoluo Industrial, ao mostrar o potencial ilimitado de desenvolvimento da humanidade, tornou-se prioridade de governo.

    Comentrio: A alternativa (A) est errada, pois o referente est errado. No foi a Grande Divergncia que falhou. Segundo o texto, quem falhou foi o demgrafo Thomas Malthus, para quem o potencial de crescimento era limitado pela oferta de alimentos.

    A alternativa (B) est errada, pois o texto no defende a confirmao das previses de Malthus, o contrrio. Alm disso, o texto cita a Inglaterra como pas que aumentou a produtividade na agricultura, indicando o desarme da Armadilha Malthusiana, dando incio Grande Divergncia.

    A alternativa (C) est errada, pois o que realmente desarmou a Armadilha Malthusiana foi a Revoluo Industrial, porque a renda per capita da Inglaterra comeou a crescer descolada da demografia, graas ao aumento da produtividade na agricultura e da explorao do potencial agrcola da Amrica. Assim, no tem vnculo direto com a educao, como afirmou a questo.

    A alternativa (D) a correta. Realmente se pode entender do texto que a contribuio da cincia para os avanos da tecnologia pode reverter previses quanto ao processo de desenvolvimento. Isso confirmado no texto: O desenvolvimento um processo complexo (...) Depende da produtividade, que se nutre da cincia, das inovaes e, assim, dos avanos da tecnologia.. Esse desenvolvimento, exemplificado pela Revoluo Industrial, desbancou a previso de Malthus, para quem o potencial de crescimento era limitado pela oferta de alimentos. Por isso, a alternativa est correta.

    A alternativa (E) est errada, pois no h referncia no texto sobre um suposto potencial ilimitado do desenvolvimento da humanidade. O que se percebe no texto que a concepo de Malthus limitava do potencial de crescimento pela oferta de alimentos, mas a quebra deste limite no quer dizer potencial ilimitado do desenvolvimento da sociedade. Tambm no h referncia prioridade de governo. Gabarito: D

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    4 - Provoca-se erro gramatical ou incoerncia na argumentao do texto ao

    a) substituir os dois travesses da linha 2 por vrgulas.

    b) deixar subentendido o sujeito da orao, retirando o pronome se antes de reala(.2).

    c) iniciar o terceiro perodo sinttico pelo termo Esse processo, escrevendo Depende(.4) com letra inicial minscula.

    d) substituir havia sido(.8) por fora.

    e) ligar os dois ltimos perodos sintticos, na linha 12, pela conjuno porquanto, escrevendo o artigo em A renda com letra minscula.

    Comentrio: A alternativa (A) est correta. Pode-se, sim, substituir o duplo travesso por dupla vrgula, pois o termo intercalado uma orao subordinada adjetiva explicativa.

    A alternativa (B) est correta. Em se reala a educao, o verbo transitivo direto, o se o pronome apassivador e educao o sujeito paciente. Pode-se substituir pela voz passiva analtica para a confirmao disso: a educao realada entre uma gama de fatores.

    Ao se retirar o pronome apassivador, temos:

    O desenvolvimento um processo complexo, que deriva de uma gama de fatores entre os quais reala a educao e precisa de tempo para enraizar-se.

    O sujeito agora muda, fica subentendido o sujeito agente elptico (processo complexo), e a educao continua sendo paciente, porm na funo de objeto direto. Isso ocorre porque o verbo realar no admite intransitividade. No se poderia entender a educao como sujeito agente e esse verbo como intransitivo, pois a educao no realou entre uma gama de fatores; na realidade, ela pode se realar, ser realada. Esse verbo precisa de um sujeito agente (neste contexto, ento, passa a ser elptico) para haver coerncia. Por isso a alternativa no est errada ao dizer que, na retirada do pronome se, o sujeito fica subentendido.

    A alternativa (C) est correta. Note que, segundo o texto, O desenvolvimento sujeito e processo complexo seu predicativo, note que h outro predicativo (obra) deste mesmo sujeito, iniciando o segundo perodo na estrutura obra. O terceiro perodo tambm possui sujeito subentendido (O desenvolvimento). Assim, teramos os trs perodos da seguinte forma:

    O desenvolvimento um processo complexo... O desenvolvimento obra constituda pela contribuio sistemtica... O desenvolvimento depende da produtividade...

    Como nos dois primeiros perodos j foi dito que desenvolvimento processo complexo, obra; pode-se entender no terceiro perodo a retomada de qualquer um dos trs, pois passaram a ser sinnimos, ficando:

    Esse desenvolvimento depende da produtividade... Esse processo complexo depende da produtividade... Essa obra depende da produtividade...

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    Por isso, a alternativa est correta.

    A alternativa (D) est correta. natural a substituio do tempo pretrito mais-que-perfeito composto pelo mesmo tempo simples. Veja:

    A estagnao da renda per capita havia sido a caracterstica da histria. A estagnao da renda per capita fora a caracterstica da histria.

    A alternativa (E) a errada, pois no cabe explicao entre esses perodos, mas oposio. O perodo A evoluo da renda per capita dependia das taxas de natalidade e mortalidade. confirma o pensamento de Malthus. Em seguida, h a afirmao que contrape tal pensamento, pois A renda per capita da Inglaterra comeou a crescer descolada da demografia, graas ao aumento da produtividade na agricultura e da explorao do potencial agrcola da Amrica.. Por isso, no cabe a conjuno Porquanto, mas uma conjuno coordenativa adversativa como Mas, Contudo, No entanto, Todavia. Gabarito: E

    Texto para as questes 5 e 6.

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    Durante muito tempo, fazer cincia significou poder quantificar os dados da realidade, garantir a generalidade e a objetividade do conhecimento. No af da universalidade do saber cientfico, do cognoscvel como representao do real, exclua-se o sujeito do conhecimento, sua subjetividade, seus condicionamentos histrico-sociais. Na base desta perspectiva est a crena de que o mundo est a, pronto para ser apreendido por uma conscincia cognoscente. O cientificismo no leva em conta que tanto o processo de percepo como o do pensamento tm seus prprios mecanismos de produo. Hoje, ignor-los significa negar conquistas relevantes da psicologia contempornea. Os objetos da percepo e os objetos do pensamento no nos so dados da mesma maneira, nem tampouco se pode pensar na correspondncia entre a realidade e sua representao, mesmo porque nem tudo que existe representvel.

    (Adaptado de Nilda Teves, Imaginrio social, identidade e memria. In: Lcia Ferreira & Evelyn Orrico (org.), Linguagem, identidade e memria

    social, 2002, p. 53-54) 5- Assinale a opo correta a respeito das estruturas lingusticas do texto.

    a) No desenvolvimento do texto, a expresso desta perspectiva(.5 e 6) aponta para uma concepo de fazer cincia que se ope quantificao dos dados da realidade(.1, 2).

    b) De acordo com as normas gramaticais da lngua portuguesa, opcional o uso da preposio de antes do pronome relativo que(.6); mas seu uso ressalta as relaes de coeso entre crena(.6) e do saber cientfico(.3), do cognoscvel(.3).

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    c) A vrgula depois de a(.6) indica que a orao iniciada por pronto constitui uma explicao, um esclarecimento sobre a afirmao de que o mundo est a.

    d) Na linha 13, a flexo de plural no verbo ter, indicada pelo uso do acento circunflexo em tm, estabelece a concordncia com o termo posposto, seus prprios mecanismos.

    e) Na articulao da progresso das ideias no texto, o pronome tono em ignor-los(.9) retoma condicionamentos histrico-sociais(.5); por isso est flexionado no plural.

    Comentrio: A alternativa (A) est errada, pois a expresso desta perspectiva retoma o perodo anterior. Ele corrobora a ideia de que fazer cincia significa poder quantificar os dados da realidade.

    A alternativa (B) est errada, pois o vocbulo que uma conjuno integrante, e no pronome relativo. Ela inicia uma orao subordinada substantiva completiva nominal, por isso a preposio de no facultativa. Alm disso, o uso dessa preposio no ressalta as relaes de coeso entre crena, do saber cientfico, do cognoscvel. A preposio apenas utilizada por regncia dos nomes crena e universalidade.

    A alternativa (C) a correta. O trecho pronto para ser apreendido por uma conscincia cognoscente realmente transmite um esclarecimento acerca da expresso o mundo est a.

    Sintaticamente, perceba que o adjetivo pronto o predicativo de uma estrutura implcita: o sujeito elptico o mundo e o verbo de ligao est. Veja:

    ...o mundo est a, (o mundo est) pronto para....

    Assim, a vrgula antes de pronto sinaliza que este termo inicia uma orao paralela, cujo predicativo pronto caracteriza o mundo. Essa orao entendida como comentrio do autor (orao intercalada ou orao parenttica), que transmite uma explicao, um esclarecimento sobre o termo anterior. Tanto assim que poderamos inserir uma expresso denotativa de explicao. Veja:

    Na base desta perspectiva est a crena de que o mundo est a, isto , pronto para ser apreendido por uma conscincia cognoscente.

    Na base desta perspectiva est a crena de que o mundo est a, ou seja, pronto para ser apreendido por uma conscincia cognoscente.

    A alternativa (D) est errada, pois o verbo tm concorda com seu sujeito composto tanto o processo de percepo como o do pensamento. O termo seus prprios mecanismos de produo apenas o objeto direto, o qual no interfere na concordncia verbal.

    A alternativa (E) est errada, pois o pronome -los retoma mecanismos de produo. Gabarito: C

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    6 - Assinale que alterao proposta para estruturas sintticas do texto preserva sua correo gramatical e coerncia argumentativa.

    a) A troca de posio entre fazer cincia e quantificar os dados da realidade, nas linhas 1 e 2: quantificar os dados da realidade significou poder fazer cincia.

    b) A troca de posio entre do saber cientfico e do cognoscvel, na linha 3: do cognoscvel, do saber cientfico como representao do real.

    c) A troca de posio entre do pensamento e de percepo, na linha 8: tanto o processo do pensamento como o de percepo.

    d) O deslocamento do pronome tono nos para depois de dados, na linha 11, usando-se nclise: no so dados-nos da mesma maneira.

    e) O deslocamento de nem(.12) para depois de existe (.13): porque tudo que existe nem representvel.

    Comentrio: A alternativa (A) est errada. Perceba que fazer cincia significa trs coisas: poder quantificar os dados da realidade, garantir a generalidade e a objetividade do conhecimento. Assim se observa que o primeiro dos termos enumerados poder quantificar os dados da realidade. Ele apenas um dos trs e se encontra paralelo aos outros, por esse motivo no pode ser trocado por fazer cincia.

    A alternativa (B) est errada. Note que do saber cientfico no possui determinante, mas do cognoscvel possui: como representao do real. Assim, na troca h mudana de sentido e prejuzo nos argumentos.

    A alternativa (C) a correta. Pode haver a troca, pois nenhum dos dois termos possui especificador, o que os torna paralelos, no havendo prejuzo para a argumentao do texto, tampouco para o sentido:

    O cientificismo no leva em conta que tanto o processo de percepo como o do pensamento tm seus prprios mecanismos de produo.

    O cientificismo no leva em conta que tanto o processo do pensamento como o de percepo tm seus prprios mecanismos de produo.

    A alternativa (D) est errada, pois no pode haver nclise (pronome oblquo tono) aps verbo no particpio.

    A alternativa (E) est errada. Perceba que o vocbulo nem nega o pronome indefinido tudo. Com seu deslocamento para aps o verbo, passa a negar o verbo. Por isso h mudana de sentido e prejuzo nos argumentos. Gabarito: C

    7- A partir do artigo Olhando o futuro, de Jos Mrcio Camargo, publicado em Isto 2077, de 2/9/2009 foram construdos pares de fragmentos que compem as opes abaixo. Assinale a opo em que a transformao dos perodos sintticos em apenas um perodo, no segundo termo de cada par, resulta em incoerncia ou erro gramatical.

    a) A economia mundial comea a dar sinais de recuperao. So sinais ainda tnues que podem estar sugerindo que a economia chegou ao fundo do

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    poo. Mas muitos dos problemas que originaram a crise continuam preocupando.

    A economia mundial comea a dar sinais de recuperao, embora so sinais ainda tnues, que podem estar sugerindo que a economia chegou ao fundo do poo, porm muitos dos problemas que originaram a crise continuam preocupando.

    b) O colapso do final de 2008 e incio de 2009 adicionou novas mazelas. Houve reduo do comrcio internacional, aumento da taxa de desemprego e queda dos rendimentos reais ao redor do mundo.

    O colapso do final de 2008 e incio de 2009 adicionou novas mazelas, como reduo do comrcio internacional, aumento da taxa de desemprego e queda dos rendimentos reais ao redor do mundo.

    c) A pergunta quanto da retomada da economia depende dos estmulos fiscais e quanto sustentvel sem eles. Por quanto tempo os bancos centrais e os governos ainda podero manter estes estmulos sem gerar presses inflacionrias?

    Pergunta-se quanto da retomada da economia depende dos estmulos fiscais e quanto sustentvel sem eles e, ainda, por quanto tempo os bancos centrais e os governos podero manter estes estmulos sem gerar presses inflacionrias.

    d) Ainda que a pior crise parea estar para trs, os possveis cenrios para os prximos meses so variados, com enorme incerteza. No podemos descartar cenrios de estagnao, assim como cenrios mais otimistas, com crescimento forte.

    Ainda que a pior crise parea estar para trs, os possveis cenrios para os prximos meses so variados, com enorme incerteza, pois no podemos descartar cenrios de estagnao, assim como cenrios mais otimistas, com crescimento forte.

    e) O cenrio mais provvel parece ser de crescimento relativamente baixo, devido baixa oferta e demanda de crdito, ao aumento do desemprego e queda da renda real. Isso dever reduzir a taxa de crescimento do consumo nos prximos anos.

    O cenrio mais provvel parece ser de crescimento relativamente pequeno, devido baixa oferta e demanda de crdito, ao aumento do desemprego e queda da renda real, o que dever reduzir a taxa de crescimento do consumo nos prximos anos.

    Comentrio: A alternativa (A) a errada. Entre o segundo e o primeiro enunciado realmente h um contraste. Assim, o uso da conjuno embora no est errado, mas ela fora o verbo a ficar no modo subjuntivo sejam. Alm desse erro, a vrgula aps tnues sinaliza uma orao subordinada adjetiva explicativa, a qual mostraria que todos os sinais tnues poderiam sugerir que a economia chegou ao fundo do poo. Mas, na realidade, no isso que dito no texto original. Compare abaixo:

    Texto original: A economia mundial comea a dar sinais de recuperao. So

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    sinais ainda tnues que podem estar sugerindo que a economia chegou ao fundo do poo. Mas muitos dos problemas que originaram a crise continuam preocupando.

    Reescrita equivocada: A economia mundial comea a dar sinais de recuperao, embora so sinais ainda tnues, que podem estar sugerindo que a economia chegou ao fundo do poo, porm muitos dos problemas que originaram a crise continuam preocupando.

    Correo da reescrita: A economia mundial comea a dar sinais de recuperao, embora sejam sinais ainda tnues que podem estar sugerindo que a economia chegou ao fundo do poo, porm muitos dos problemas que originaram a crise continuam preocupando.

    A alternativa (B) est correta. Houve apenas a transformao do segundo perodo em um termo exemplificativo, permanecendo a coerncia, a coeso e a gramaticalidade. Compare:

    O colapso do final de 2008 e incio de 2009 adicionou novas mazelas. Houve reduo do comrcio internacional, aumento da taxa de desemprego e queda dos rendimentos reais ao redor do mundo.

    O colapso do final de 2008 e incio de 2009 adicionou novas mazelas, como reduo do comrcio internacional, aumento da taxa de desemprego e queda dos rendimentos reais ao redor do mundo.

    A alternativa (C) est correta. A pergunta direta do segundo perodo (com ponto de interrogao) foi transformada em duas oraes internas pergunta indireta do primeiro perodo. Por isso a pontuao e os ajustes gramaticais esto corretos. Veja:

    A pergunta quanto da retomada da economia depende dos estmulos fiscais e quanto sustentvel sem eles. Por quanto tempo os bancos centrais e os governos ainda podero manter estes estmulos sem gerar presses inflacionrias?

    Pergunta-se quanto da retomada da economia depende dos estmulos fiscais e quanto sustentvel sem eles e, ainda, por quanto tempo os bancos centrais e os governos podero manter estes estmulos sem gerar presses inflacionrias.

    A alternativa (D) est correta. Houve apenas a transformao de dois perodos em que o segundo transmite a explicao do anterior em um s perodo com orao explicativa. Por isso, a conjuno pois foi utilizada. Veja:

    Ainda que a pior crise parea estar para trs, os possveis cenrios para os prximos meses so variados, com enorme incerteza. No podemos descartar cenrios de estagnao, assim como cenrios mais otimistas, com crescimento forte.

    Ainda que a pior crise parea estar para trs, os possveis cenrios para os prximos meses so variados, com enorme incerteza, pois no podemos descartar cenrios de estagnao, assim como cenrios mais otimistas, com

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    crescimento forte.

    A alternativa (E) est correta. Houve apenas substituio de termos sinnimos baixo/pequeno, Isso/ o que. Com isso, houve a transformao de perodo em orao. Veja:

    O cenrio mais provvel parece ser de crescimento relativamente baixo, devido baixa oferta e demanda de crdito, ao aumento do desemprego e queda da renda real. Isso dever reduzir a taxa de crescimento do consumo nos prximos anos.

    O cenrio mais provvel parece ser de crescimento relativamente pequeno, devido baixa oferta e demanda de crdito, ao aumento do desemprego e queda da renda real, o que dever reduzir a taxa de crescimento do consumo nos prximos anos. Gabarito: A

    8 - Assinale a opo correta a respeito do uso das estruturas lingusticas no texto.

    1 5

    Os economistas brasileiros se concentram, no exame das causas da crise, na proposta de meios e modos de contorn-la. Com isso, no levam em conta dois pontos. O primeiro que as medidas contra a crise, que vm sendo adotadas tanto em pases subdesenvolvidos como desenvolvidos, so fundamentalmente corretas. O segundo ponto que a crise atual, como todas as anteriores, acabar, mais cedo ou mais tarde, por ser corrigida. E, quando isso ocorrer, se voltar s frmulas neoliberais apenas com regulamentao mais estrita da atividade bancria.

    (Adaptado de Joo Paulo Magalhes, O que fazer depois da crise. Correio Braziliense, 12 de setembro, 2009)

    a) Seriam preservadas a correo gramatical e a coerncia do texto ao usar o

    pronome em contorn-la(.2) antes do verbo, escrevendo: modos de a contornar.

    b) Para evitar as trs ocorrncias consecutivas de que (.3 e 5), a retirada dessa conjuno antes de a crise atual(.5) manteria a correo gramatical e a coerncia do texto.

    c) Na linha 3, o acento circunflexo em vm indica que a concordncia se faz com medidas, mas estaria igualmente correto e coerente com a argumentao escrever o verbo sem acento, optando, ento, pela concordncia com crise.

    d) O pronome em quando isso(.7) resume e retoma, em relaes de coeso, o mesmo referente do pronome em Com isso(.2), ou seja, o exame da crise feito pelos economistas.

    e) Seriam respeitadas as regras gramaticais e as relaes entre os argumentos ao empregar o verbo em se voltar(.7) no plural, escrevendo voltaro-se.

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    Comentrio: A alternativa (A) a correta. normal a colocao pronominal encltica (pronome tono aps o verbo), quando no h palavra atrativa: modos de contorn-la. Alm disso, tendo em vista a eufonia (soar menos artificial), visto modernamente o uso do pronome tono antes do verbo, mesmo sem palavra atrativa: modos de a contornar. Assim, a troca sugerida possvel.

    A alternativa (B) est errada, pois a conjuno integrante que antes de a crise atual necessria, por ser uma orao subordinada desenvolvida (com conjuno e verbo conjugado). A sua retirada implica a reduo de tal orao em infinitivo, isto , o verbo acabar dever ficar no infinitivo. Compare:

    O segundo ponto que a crise atual, como todas as anteriores, acabar, mais cedo ou mais tarde, por ser corrigida.

    O segundo ponto a crise atual, como todas as anteriores, acabar, mais cedo ou mais tarde, por ser corrigida.

    Outra possibilidade, para se evitar o acmulo da palavra que, seria substituir o segundo que (pronome relativo) da linha 3, por as quais.

    A alternativa (C) est errada. Sintaticamente, h erro, pois percebemos que o verbo vm no est sozinho, ele faz parte da locuo verbal vm sendo adotadas, por isso a flexo do verbo auxiliar no singular obriga a flexo do verbo principal tambm no singular (vem sendo adotada).

    Semanticamente tambm h erro, pois sabemos que uma crise no adotada. Adotamos aquilo que desejamos. Certamente nenhum pas vai desejar uma crise, concorda?

    Por isso, a locuo verbal vm sendo adotadas tem como sujeito o pronome relativo que, o qual retoma obrigatoriamente o substantivo plural medidas. sempre importante aliarmos a sintaxe semntica.

    A alternativa (D) est errada. Com isso retoma o primeiro perodo do texto. J quando isso retoma o seu perodo anterior. Assim, os referentes so distintos.

    A alternativa (E) est errada. Como o verbo est no futuro do presente, cabe apenas a mesclise: voltar-se-. O verbo deve continuar no singular, porque o se ndice de indeterminao do sujeito. Gabarito: A Leia o seguinte texto para responder s questes 9 e 10. 1 5

    O efeito da supervalorizao cambial sobre a indstria atinge muito mais fortemente os nveis da produo e do emprego que os demais setores. Essa uma situao que precisa ser repensada. claro que no se trata de um problema simples, que se resolva com providncias rpidas, pois exige medidas que s vezes podem ser classificadas como heterodoxas. Mas tem de ser enfrentado com coragem e inteligncia. No pode ser deixado ao sabor dos ventos, pois os custos viro no seu devido tempo, como nossa trajetria econmica bem mostra. Tambm no podemos deixar nos envolver por uma falcia que diz que qualquer desvalorizao

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    resulta em diminuio do bem-estar da sociedade brasileira. verdade que, quando a taxa de cmbio desvaloriza, h uma reduo do salrio real. preciso acrescentar, no entanto, que se reduz o salrio real e se aumenta o nvel geral do desemprego.

    (Adaptado de Antonio Delfim Neto, Fbrica de desemprego. Carta Capital, 16 de setembro de 2009)

    9- Avalie os seguintes itens para um perodo sinttico que d continuidade coerente e gramaticalmente correta ao texto. I. Desse modo, o bem-estar da sociedade brasileira est a merce dos ventos

    que conduziro essas providncias rpidas. II. Assim, tratam-se de aspectos multifacetados, com influncias recprocas

    em nvel de exigirem enfrentamento complexo e inteligente. III. O resultado final desse enfrentamento, portanto, provavelmente positivo

    para a sociedade e, mais particularmente, para o setor de trabalho. a) Apenas I adequado. b) Apenas II adequado. c) Apenas III adequado. d) Apenas I e II so adequados. e) Apenas II e III so adequados.

    Comentrio: Como as frases I e II esto claramente viciosas gramaticalmente, no se falar sobre aspectos ligados ao texto.

    A frase I est errada gramaticalmente. O vocbulo merce deve ser grafado com acento circunflexo, por ser oxtona terminada em e: merc.

    O pronome demonstrativo essas no admite artigo, portanto no poder haver crase: a essas providncias.

    A frase II est errada gramaticalmente tendo em vista que o verbo tratar transitivo indireto, por isso o se ndice de indeterminao do sujeito. Assim, deve ficar flexionado no singular trata-se.

    A frase III tambm est errada. O final do texto mostra que h uma reduo do salrio real e um aumento do nvel geral do desemprego. Isso um dado negativo para a sociedade e para o setor do trabalho, mas a frase III afirmou que positivo, o que anulou a questo, por no haver nenhuma frase correta. Gabarito: ANULADA

    10- Assinale a opo incorreta a respeito do uso das estruturas lingusticas no texto.

    a) Por se estabelecer, na estrutura sinttica, uma relao de comparao, seriam preservadas a correo gramatical e a coerncia do texto ao inserir do antes de que os demais setores(.2).

    b) Nas relaes de coeso, a ideia explicitada na primeira orao do texto vrias vezes retomada: apontada pelo pronome Essa(.3), resumida por situao (.3), referida pelo pronome que(.3) e substituda pelo termo problema(.4).

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    c) A opo pelo uso do modo subjuntivo em resolva(.4) indica que se trata de uma hiptese ou possibilidade, pois a estrutura sinttica estaria igualmente correta com o uso do modo indicativo, resolve.

    d) Com o objetivo de evitar a repetio de dois vocbulos de escrita e som semelhantes, seriam respeitadas as regras gramaticais e as relaes entre os argumentos substituindo-se que diz que(.9) por ao dizer que.

    e) No desenvolvimento das ideias do texto, alm de ligar duas oraes pela adio, o valor semntico da conjuno e(.12) o de estabelecer uma relao de causa e consequncia.

    Comentrio: A alternativa (A) est correta, porque de uso facultativo o vocbulo do (preposio de em contrao com artigo o) nas comparaes de superioridade e inferioridade. Por isso, a insero mantm a correo gramatical.

    A alternativa (B) est correta. Basta acompanhar a estrutura abaixo:

    O efeito da supervalorizao cambial sobre a indstria atinge muito mais fortemente os nveis da produo e do emprego que os demais setores. Essa uma situao que precisa ser repensada. claro que no se trata de um problema simples, que se resolva com providncias rpidas, pois exige medidas que s vezes podem ser classificadas como heterodoxas.

    O substantivo problema retoma o substantivo situao, por serem sinnimos contextuais. O pronome relativo que, cumprindo seu papel anafrico, tambm retoma o substantivo anterior situao. Esse substantivo o predicativo do sujeito Essa. Assim, naturalmente caracteriza e retoma o seu sujeito. O pronome demonstrativo Essa retoma todo o perodo anterior, que se encontra em negrito.

    Assim, todos os elementos aqui elencados fazem parte de uma cadeia coesiva e os referentes esto corretamente apontados nesta alternativa.

    A alternativa (C) est correta. Perceba que o autor optou pela forma verbal que transmite possibilidade, hiptese, com o verbo resolva. Na opo pelo indicativo resolve, haver mudana de sentido, passaria a certeza ou convico de algo, mas no implicaria incorreo gramatical ou incoerncia, pois a estrutura sinttica e a argumentao do texto possibilitam a troca. Veja:

    claro que no se trata de um problema simples, que se resolva com providncias rpidas, pois exige medidas que s vezes podem ser classificadas como heterodoxas.

    claro que no se trata de um problema simples, que se resolve com providncias rpidas, pois exige medidas que s vezes podem ser classificadas como heterodoxas.

    A alternativa (D) est correta. A substituio foi pertinente. Para se entender, basta fazer a substituio. Nota-se que que diz orao subordinada adjetiva restritiva. J ao dizer orao subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo. O sentido muda, mas a coerncia continua nos argumentos. Compare:

    Tambm no podemos deixar nos envolver por uma falcia que diz que qualquer desvalorizao resulta em diminuio do bem-estar da sociedade

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    brasileira.

    Tambm no podemos deixar nos envolver por uma falcia ao dizer que qualquer desvalorizao resulta em diminuio do bem-estar da sociedade brasileira.

    A alternativa (E) a errada, pois a conjuno e transmite apenas adio. Chegamos a ver em nossas aulas a conjuno e ligando causa e consequncia, em construes como:

    Organizou-se bastante em seu empreendimento e obteve sucesso. Ele trabalha muito e ganha bem.

    Nessas duas construes, podemos entender que a orao inicial a causa e a orao coordenada sindtica aditiva, iniciada pela conjuno e tambm tem valor de resultado, concluso, consequncia. Tanto assim que podemos substituir tal conjuno por outras de valor conclusivo ou de consequncia. Veja:

    Organizou-se bastante em seu empreendimento, portanto obteve sucesso. Ele trabalha muito, portanto ganha bem.

    Organizou-se bastante em seu empreendimento, de modo que obteve sucesso. Ele trabalha muito, de modo que ganha bem.

    Assim, entendemos que o fato de organizar-se bastante gerou o sucesso, e o fato de trabalhar muito gera um bom lucro.

    Porm, no esse entendimento que temos no texto com base na conjuno e. O contexto nos mostra que a reduo do salrio real e o aumento do nvel geral do desemprego no transmitem a relao de causa e consequncia, mas to somente a de adio.

    preciso acrescentar, no entanto, que se reduz o salrio real e se aumenta o nvel geral do desemprego. Gabarito: E 11- A preocupao com a herana que deixaremos as (1) geraes futuras est cada vez mais em voga. Ao longo da nossa histria, crescemos em nmero e modificamos quase todo o planeta. Graas aos avanos cientficos, tomamos conscincia de que nossa sobrevivncia na Terra est fortemente ligada a(2) sobrevivncia das outras espcies e que nossos atos, relacionados a(3) alteraes no planeta, podem colocar em risco nossa prpria sobrevivncia. Contudo, aliado ao desenvolvimento cientfico, temos o crescimento econmico que nem sempre esteve preocupado com questes ambientais. O que se almeja o desenvolvimento sustentvel, que aquele vivel economicamente, justo socialmente e correto ambientalmente, levando em considerao no s as(4) nossas necessidades atuais, mas tambm as(5) das geraes futuras, tanto nas comunidades em que vivemos quanto no planeta como um todo.

    (Adaptado de A. P. FOLTZ, A Crise Ambiental e o Desenvolvimento Sustentvel: o crescimento econmico e o meio ambiente. Disponvel

    em http://www.iuspedia.com.br.22 jan. 2008)

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    Para que o texto acima respeite as regras gramaticais do padro culto da Lngua Portuguesa, obrigatria a insero do sinal indicativo de crase em

    a) 1, 2 e 3 b) 1 e 2 c) 1, 3 e 5 d) 2 e 4 e) 3, 4 e 5 Comentrio: Em (1), o verbo deixaremos transitivo direto e indireto, assim que objeto direto e as geraes futuras objeto indireto. A crase obrigatria porque o verbo exigiu a preposio a e as certamente o artigo, pois o substantivo geraes est no plural. Assim, j podemos eliminar as alternativas (D) e (E).

    Em (2), ligada rege preposio a e o substantivo feminino singular sobrevivncia admite o artigo a. Portanto, pode ocorrer a crase. Mas no devemos afirmar que a crase obrigatria porque esse substantivo pode ter sido tomado de maneira geral, isto , sem artigo a.

    Em (3), relacionados rege preposio a, porm o artigo para alteraes seria as, o que no ocorreu. Assim, a crase proibida.

    Por isso, eliminamos as alternativas (A) e (C), sobrando como correta a alternativa (B).

    Em (4) e (5), h apenas o artigo. Gabarito: B 12- Assinale a opo que completa corretamente a sequncia de lacunas no texto abaixo. Se hoje ___(1)___ mais fcil, pelo menos para boa parte da humanidade, livrar-nos da fome e dos lees, se nos mais fcil debelarmos boa parte das doenas que ____(2)___ a humanidade no decorrer da histria, a contrapartida parece ser que no ___(3)___ fugir do desemprego, e, quando sim, no do trabalho desvairado, do temor da absolescncia, do esgotamento nervoso, do estresse, da depresso. Cabe perguntar: a tecnologia a responsvel ___(4)___ mudana de nossa viso de mundo, ou a nossa viso de mundo que conduz ___(5)___ mudanas tecnolgicas? A pergunta oportuna porque nos leva a questionar se no temos o poder de mudar o rumo de nossas vidas, de modificar nossa prpria viso de mundo, e ___(6)___ modificar o prprio mundo.

    (Filosofia, cincia & vida, ano III, n. 27, p. 32, com adaptaes)

    (1) (2) (3) (4) (5) (6) a) nos tem assolado consigamos pela as em

    b) para ns assolam consigamos pela em

    c) lhes tem assolado conseguimos com a as em

    d) nos assolaram conseguimos pela a de

    e) para ns assolam consegussemos com a de

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    Comentrio: Na lacuna (1), possvel inserir tanto o pronome oblquo tono nos, quanto a estrutura oblqua tnica para ns. Ressalte-se que mais vivel a construo com o pronome tono, pois se encontra paralela a estrutura se nos mais fcil debelarmos, mas no se pode dizer que fugir a este paralelismo seria erro. O que importa que o pronome nos, na estrutura paralela, indica que o pronome lhes, da alternativa (C), est errado. Assim, eliminamos essa alternativa.

    Na lacuna (2), o verbo tem como sujeito o pronome relativo que, o qual pode retomar tanto boa parte, quanto doenas, por isso o verbo no plural ou no singular est correto. Alm disso, o contexto admite o tempo presente, pretrito perfeito composto ou pretrito perfeito, todos do indicativo. Perceba o adjunto adverbial de tempo no decorrer da histria. Ele nos aponta um passado, que pode ser expresso por estes tempos anteriormente ditos, inclusive o presente, pois se pode entender o uso do presente histrico. No h, portanto, como eliminar as alternativas nesta lacuna. Mas um vestgio importante apontado aqui: relata-se algo no passado expresso no modo indicativo.

    Na lacuna (3), no h possibilidade do verbo no modo subjuntivo, principalmente pelo uso do verbo na lacuna 3. Assim, eliminamos as alternativas (A), (B) e (E), sobrando a alternativa (D) como correta.

    Agora, basta seguirmos os dados desta alternativa para confirmarmos nossa resposta.

    Na lacuna (4), realmente a palavra pela que cabe no contexto, regida pelo adjetivo responsvel.

    Na lacuna (5), o verbo conduz est no contexto com transitividade indireta, no sentido de levar a. Por isso cabe a preposio a. Como mudanas est no plural e o vocbulo a est no singular, h somente preposio, por isso no h crase.

    Na lacuna (6), perceba que o vocbulo poder regido da preposio de, que inicia trs termos: de mudar o rumo de nossas vidas, de modificar nossa prpria viso de mundo e de modificar o prprio mundo.

    Por isso, s cabe a preposio de. Gabarito: D

    13- Assinale a opo em que as duas possibilidades propostas para o preenchimento das lacunas do texto resultam em um texto coerente e gramaticalmente correto.

    O desempenho econmico de uma nao no est necessariamente atrelado a seu desenvolvimento sustentvel. Um pas pode crescer vertiginosamente, ___(a)___ performance econmica invejvel, porm ___(b)___ custas da degradao de seu patrimnio. Por isso, especialistas discutem uma nova maneira de se calcular o PIB, ___(c)___ em conta os ndices de sustentatibilidade e a preservao dos recursos naturais. A ideia, totalmente inovadora, vai ao encontro ____(d)___ algumas necessidades bsicas a serem cumpridas para viabilizar o crescimento sustentvel, principalmente nos pases em desenvolvimento. Apesar ___(e)___ crise financeira que assombra as economias mundiais, os emergentes passam por um momento de crescimento,

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    e investimentos em infra-estrutura bsica tornam-se primordiais para assegurar a sustentatibilidade.

    (Adaptado de Joo Geraldo Ferreira, Crescimento acelerado, garantia do desenvolvimento sustentvel? Correio Braziliense, 7 de setembro de 2009)

    a) e apresentar / apresentando

    b) a / s

    c) o que leve / levando

    d) de / com

    e) da / de a

    Comentrio: A alternativa (A) a correta, porque possvel o preenchimento da lacuna tanto com e apresentar, quanto com apresentando.

    Um pas pode crescer vertiginosamente, e apresentar performance econmica invejvel, porm s custas da degradao de seu patrimnio.

    Um pas pode crescer vertiginosamente, apresentando performance econmica invejvel, porm s custas da degradao de seu patrimnio.

    Naturalmente voc questionou o uso da vrgula antes da conjuno e, pois no h ideia de oposio, nem sujeitos diferentes, ento no poderia haver esta vrgula. Mas veja que esta orao coordenada aditiva pode ser reduzida de gerndio. Isso no normal para uma aditiva. A conjuno e, alm de transmitir a ideia de adio, transmite valor de concluso/consequncia. Isso notado justamente porque se pode reduzir a orao. Normalmente quando se consegue isso, a orao tem dois valores: adio e concluso/consequncia. Assim, a vrgula permitida.

    Esta estrutura j foi cobrada na prova anteriormente. Volte na questo 10, alternativa (E): No desenvolvimento das ideias do

    texto, alm de ligar duas oraes pela adio, o valor semntico da conjuno e(.12) o de estabelecer uma relao de causa e consequncia.

    Naquele caso estava errado, mas aqui exatamente o que acontece. Na alternativa (B), a locuo prepositiva s custas de ou custa

    de, e no: a custas de. Na alternativa (C), no se pode inserir o que leve, pois desta forma

    que leve iniciaria uma orao subordinada adjetiva restritiva, fazendo com que o leitor entendesse que h mais PIBs no contexto e apenas um deles levaria em conta os ndices de sustentabilidade e a preservao dos recursos naturais. J o contexto marca isso como uma explicao do PIB, caracterstica bsica dele. Assim, o ideal seria a incluso somente do pronome relativo mais o verbo leve para que a orao seja adjetiva explicativa, preservando o sentido. Alm disso, pode-se reduzir esta orao em gerndio, com mudana de sentido, mas preservando a coerncia:

    ...calcular o PIB, que leve em conta os ndices de sustentatibilidade e a preservao dos recursos naturais. calcular o PIB, levando em conta os ndices de sustentatibilidade e a preservao dos recursos naturais.

    Na alternativa (D), a locuo prepositiva ao encontro de para marcar

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    afinidade. Por isso, no cabe preposio com. Na alternativa (E), s poderia haver a separao da preposio do artigo,

    se o substantivo crise fosse sujeito (Apesar de a crise no ser grande). Como no , a contrao de de + a (da) obrigatria:

    Apesar da crise financeira que assombra as economias mundiais, os emergentes passam por um momento de crescimento. Gabarito: A

    14- Numere em que ordem os trechos abaixo, adaptados do ensaio Lula e o mistrio do desenvolvimento, de Malson da Nbrega (publicado em VEJA, de 26 de agosto, 2009), do continuidade orao inicial, numerada como (1), de modo a formar um pargrafo coeso e coerente.

    ( 1 ) Mudanas culturais esto na origem do sucesso dos atuais pases ricos.

    ( ) De fato, as lutas mortais dos gladiadores, entre si e com as feras, divertiam os romanos; execues pblicas eram populares na Inglaterra at o sculo XVIII.

    ( ) Por isso, a alfabetizao disseminada e habilidades aritmticas, antes irrelevantes, adquiriram importncia para a Revoluo Industrial.

    ( ) Esses instintos foram substitudos por hbitos fundamentais para o desenvolvimento: trabalho, racionalidade e valorizao da educao.

    ( ) Elas os fizeram abandonar instintos primitivos de violncia, impacincia e preguia.

    ( ) Como consequncia dessas mudanas, a classe mdia cresceu; valores como poupana, negociao e disposio para o trabalho se firmaram nas sociedades bem-sucedidas.

    A sequncia obtida

    a) (1) (2) (4) (5) (6) (2)

    b) (1) (3) (2) (6) (4) (6)

    c) (1) (4) (2) (6) (5) (3)

    d) (1) (3) (5) (4) (2) (6)

    e) (1) (2) (6) (4) (3) (5)

    Comentrio: Note que nesta ordenao a prova j inseriu a primeira frase da sequncia. Basta, agora, observar quais termos referenciais retomam o que dito na frase (1): Mudanas culturais esto na origem do sucesso dos atuais pases ricos.

    Logicamente deve ser uma frase que tenha a ver com Mudanas culturais ou sucesso dos atuais pases ricos. Assim, a frase De fato, as lutas mortais dos gladiadores, entre si e com as feras, divertiam os romanos; execues pblicas eram populares na Inglaterra at o sculo XVIII. no alude ao que foi dito na primeira frase, por isso eliminamos as alternativas (A) e (E).

    A frase seguinte Por isso, a alfabetizao disseminada e habilidades

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    aritmticas, antes irrelevantes, adquiriram importncia para a Revoluo Industrial. pode ser a concluso a partir dos dados da frase 1, por isso no a eliminamos.

    Na frase Esses instintos foram substitudos por hbitos fundamentais para o desenvolvimento: trabalho, racionalidade e valorizao da educao., ainda no ocorreu o substantivo instintos ou algum sinnimo que possa ser retomado por esta estrutura. Por isso se pode eliminar esta frase da sequncia. Note que nas repostas no h esta frase como segunda na sequncia, por isso no se pode eliminar nenhuma alternativa.

    A frase Elas os fizeram abandonar instintos primitivos de violncia, impacincia e preguia. pode ser a sequncia da frase 1, pois elas pode retomar contextualmente Mudanas culturais.

    A frase Como consequncia dessas mudanas, a classe mdia cresceu; valores como poupana, negociao e disposio para o trabalho se firmaram nas sociedades bem-sucedidas. tambm pode retomar Mudanas culturais.

    Assim, ficamos entre as alternativas (B), (C) e (D). Vamos trabalhar com as repostas, comeando pela alternativa (B).

    Segundo ela, a ordenao seria a seguinte: (1) Mudanas culturais esto na origem do sucesso dos atuais pases ricos. (2) Por isso, a alfabetizao disseminada e habilidades aritmticas, antes

    irrelevantes, adquiriram importncia para a Revoluo Industrial. (3) De fato, as lutas mortais dos gladiadores, entre si e com as feras,

    divertiam os romanos; execues pblicas eram populares na Inglaterra at o sculo XVIII.

    (4) Elas os fizeram abandonar instintos primitivos de violncia, impacincia e preguia.

    (6) Esses instintos foram substitudos por hbitos fundamentais para o desenvolvimento: trabalho, racionalidade e valorizao da educao.

    (6) Como consequncia dessas mudanas, a classe mdia cresceu; valores como poupana, negociao e disposio para o trabalho se firmaram nas sociedades bem-sucedidas.

    Houve uma repetio da frase (6), naturalmente no essa a resposta. Eliminamos mais uma. Assim, partamos para a alternativa (C). Segundo ela, a sequncia : (1) Mudanas culturais esto na origem do sucesso dos atuais pases ricos. (2) Por isso, a alfabetizao disseminada e habilidades aritmticas, antes

    irrelevantes, adquiriram importncia para a Revoluo Industrial. (3) Como consequncia dessas mudanas, a classe mdia cresceu; valores

    como poupana, negociao e disposio para o trabalho se firmaram nas sociedades bem-sucedidas.

    (4) De fato, as lutas mortais dos gladiadores, entre si e com as feras, divertiam os romanos; execues pblicas eram populares na Inglaterra at o sculo XVIII.

    (5) Elas os fizeram abandonar instintos primitivos de violncia, impacincia e preguia.

    (6) Esses instintos foram substitudos por hbitos fundamentais para o desenvolvimento: trabalho, racionalidade e valorizao da educao.

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    A ordenao falha a partir da frase 4, pois lutas corporais passou a ser exemplo de sociedade bem-sucedida, alm de se entender da frase 5 que Elas (as lutas corporais) os fizeram abandonar instintos primitivos...

    Sobra, ento a ltima alternativa (D):

    (1) Mudanas culturais esto na origem do sucesso dos atuais pases ricos. (2) Elas os fizeram abandonar instintos primitivos de violncia, impacincia e

    preguia. (3) De fato, as lutas mortais dos gladiadores, entre si e com as feras,

    divertiam os romanos; execues pblicas eram populares na Inglaterra at o sculo XVIII.

    (4) Esses instintos foram substitudos por hbitos fundamentais para o desenvolvimento: trabalho, racionalidade e valorizao da educao.

    (5) Por isso, a alfabetizao disseminada e habilidades aritmticas, antes irrelevantes, adquiriram importncia para a Revoluo Industrial.

    (6) Como consequncia dessas mudanas, a classe mdia cresceu; valores como poupana, negociao e disposio para o trabalho se firmaram nas sociedades bem-sucedidas. Agora, sim. As lutas corporais passaram a ser exemplo do que se diz

    na frase 2: abandonar instintos primitivos. A frase 4 diz que esses instintos (da frase 3: as lutas corporais) foram substitudos por hbitos fundamentais, por isso na sequncia se diz que a alfabetizao disseminada e habilidades aritmticas, antes irrelevantes, adquiriram importncia para a Revoluo Industrial.

    Como consequncia, a classe mdia cresceu. Gabarito: D

    15- Os fragmentos abaixo constituem sequencialmente um texto e foram adaptados de Afonso C. M. dos Santos, Linguagem, memria e histria: o enunciado nacional (publicado em: Ferreira, L. & Orrico, E., Linguagem, identidade e memria social, p. 2-25). Assinale a opo que apresenta o trecho transcrito com erros gramaticais.

    a) O termo fantasme , importado da psicanlise, para expressar a inquietao que os professores deveriam apresentar no momento exato de decidir sobre a direo do seu trabalho. Desta forma o professor desviaria-se do lugar de onde sempre esperado.

    b) Poderamos conceber o nosso fantasme a nao como um fenmeno dotado de historicidade e cuja compreenso central para a histria. Por outro lado, podemos consider-lo como um artefato cultural vinculado histria do prprio conhecimento histrico.

    c) Construdo pela via do imaginrio, esse artefato precisou da histria para se legitimar e fazer crer que a identidade dos pases estava assentada em um passado frequentemente anterior prpria existncia do Estado.

    d) preciso observar que toda interpretao dos fenmenos histricos pela Histria introduz uma transcendncia da durao vivida em um tempo construdo, o tempo da histria, para realizarmos a reconstruo ideal.

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    e) Na verdade, no podemos deixar de enfrentar nossos fantasmas, identificando o teatro das iluses das construes historiogrficas. Talvez porque nossa tarefa mais contempornea seja, exatamente, discutir a natureza do conhecimento histrico.

    Comentrio: A alternativa (A) a errada. No pode haver vrgula dentro de uma locuo verbal. Assim, devemos retirar a vrgula entre o verbo auxiliar e o principal importado. Alm disso, observa-se que no pode haver nclise com verbo no futuro do pretrito do indicativo. Veja a correo:

    O termo fantasme importado da psicanlise, para expressar a inquietao que os professores deveriam apresentar no momento exato de decidir sobre a direo do seu trabalho. Desta forma o professor desviar-se-ia do lugar de onde sempre esperado.

    A alternativa (B) est correta. Perceba o duplo travesso marcando o aposto explicativo.

    Poderamos conceber o nosso fantasme a nao como um fenmeno dotado de historicidade e cuja compreenso central para a histria. Por outro lado, podemos consider-lo como um artefato cultural vinculado histria do prprio conhecimento histrico.

    A alternativa (C) est correta. Note que a vrgula aps imaginrio obrigatria. A crase est corretamente empregada por imposio do adjetivo anterior, que exigiu preposio a e o substantivo existncia, antecedido do pronome demonstrativo prpria que admite artigo a.

    Construdo pela via do imaginrio, esse artefato precisou da histria para se legitimar e fazer crer que a identidade dos pases estava assentada em um passado frequentemente anterior prpria existncia do Estado.

    A alternativa (D) est correta. A frase est em sequncia natural, por isso o pouco uso de vrgula. Note a dupla vrgula marcando o aposto explicativo o tempo da histria.

    preciso observar que toda interpretao dos fenmenos histricos pela Histria introduz uma transcendncia da durao vivida em um tempo construdo, o tempo da histria, para realizarmos a reconstruo ideal.

    A alternativa (E) est correta. As vrgulas so empregadas para separar elementos adverbiais.

    Na verdade, no podemos deixar de enfrentar nossos fantasmas, identificando o teatro das iluses das construes historiogrficas. Talvez porque nossa tarefa mais contempornea seja, exatamente, discutir a natureza do conhecimento histrico. Gabarito: A

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    Prova 2

    Analista-Tributrio da Receita Federal 2009

    1 - Em relao s informaes do texto, assinale a opo correta.

    A produo brasileira de petrleo e gs certamente dar um salto quando estiverem em operao os campos j descobertos na chamada camada do pr-sal. Embora essa expanso s possa ser efetivamente assegurada quando forem delimitadas as reservas, e os testes de longa durao confirmarem a produtividade provvel dos campos, simulaes indicam que o Brasil ter um saldo positivo na balana comercial do petrleo (exportaes menos importaes), da ordem de 1 milho de barris dirios. Com isso, o petrleo dever liderar a lista dos produtos que o Brasil estar exportando mais ao fim da prxima dcada. O petrleo negociado para pagamento a vista (menos de 90 dias). Ento, um volume de recursos que pode ter, de fato, forte impacto nas finanas externas do pas. Como uma riqueza finita, a prudncia e a experincia econmica recomendam que o Brasil tente poupar ao mximo essa renda adicional proveniente das exportaes de petrleo. O mecanismo mais usual conhecido como fundo soberano, por meio do qual as divisas so mantidas em aplicaes seguras que proporcionem, preferencialmente, bom retorno e ainda contribuam positivamente para o desenvolvimento da economia brasileira. Os resultados dessas aplicaes devem ser direcionados para investimentos internos que possibilitem avanos sociais importantes (educao, infraestrutura, meio ambiente, cincia e tecnologia).

    (O Globo, Editorial, 13/10/2009)

    a) indiscutvel que, quando estiverem em operao os campos da camada do pr-sal, o Brasil ter um saldo na balana comercial do petrleo da ordem de 1 milho de barris dirios.

    b) recomendvel que os recursos arrecadados com a explorao do petrleo da camada do pr-sal sejam mantidos num fundo seguro, que proporcione retorno garantido e contribua favoravelmente para o desenvolvimento da economia brasileira.

    c) Somente quando estiverem em operao os campos da camada do pr-sal, o petrleo ser negociado para pagamento a vista.

    d) Estima-se que, no final da prxima dcada, com os campos do pr-sal j em operao, o Brasil lidere a lista dos pases importadores de petrleo, com forte impacto na balana comercial.

    e) A renda adicional proveniente da exportao do petrleo da camada do pr-sal dever ser aplicada diretamente em investimentos com repercusso na rea social.

    Comentrio: A alternativa (A) est errada, pois o primeiro pargrafo do texto transmite a possibilidade de o Brasil ter um saldo na balana comercial do petrleo da ordem de 1 milho de barris dirios, quando estiverem em operao os campos da camada do pr-sal. J a alternativa transmite uma certeza com o adjetivo indiscutvel.

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    A alternativa (B) a correta. Como se verifica literalmente no terceiro pargrafo. Veja a comparao das afirmaes da alternativa e em seguida do texto:

    recomendvel que os recursos arrecadados com a explorao do petrleo da camada do pr-sal sejam mantidos num fundo seguro, que proporcione retorno garantido e contribua favoravelmente para o desenvolvimento da economia brasileira4.

    Como uma riqueza finita, a prudncia e a experincia econmica recomendam que o Brasil tente poupar ao mximo essa renda adicional proveniente das exportaes de petrleo. O mecanismo mais usual conhecido como fundo soberano, por meio do qual as divisas so mantidas em aplicaes seguras que proporcionem, preferencialmente, bom retorno e ainda contribuam positivamente para o desenvolvimento da economia brasileira4.

    A alternativa (C) est errada, pois afirmou que o petrleo ser negociado para pagamento a vista somente quando os campos da camada do pr-sal estiverem em operao; mas no segundo pargrafo afirmado que o petrleo j negociado em prazo de menos de 90 dias, o que considerado a vista, por isso causar um forte impacto positivo nas finanas externas do pas.

    A alternativa (D) est errada, tendo em vista o vocbulo importadores, o qual deve ser trocado por exportadores, de acordo com o segundo pargrafo. Veja a comparao do segundo pargrafo do texto com o da alternativa:

    Com isso, o petrleo dever liderar a lista dos produtos que o Brasil estar exportando mais ao fim da prxima dcada.

    Estima-se que, no final da prxima dcada, com os campos do pr-sal j em operao, o Brasil lidere a lista dos pases importadores de petrleo, com forte impacto na balana comercial.

    Na alternativa (E), o erro est em dizer que a renda adicional ser aplicada diretamente em investimentos na rea social. Na realidade no isso que diz o texto, primeiro as divisas devero ser mantidas em aplicaes seguras, para proporcionarem bom retorno e assim possam contribuir para a economia brasileira. Depois disso, o resultado dessas aplicaes deve ser direcionado para investimentos internos que possibilitem os avanos sociais. Tudo isso de acordo com o terceiro pargrafo do texto. Gabarito: B

    2 - Assinale a opo correta a respeito do texto.

    Aferrado valorizao do aqui e agora, o sbio indiano Svmi garante que s o presente real, o que equivale a considerar o passado e o futuro como puras iluses. Viver no presente implica aceitar o primado da ao (o ato) sobre a esperana, o que equivale a trocar a passividade do estado de espera pela manifestao ativa da vontade de fazer. Em outras palavras, importa a flecha mais do que o alvo, o ato mais do que a expectativa. Como bem acentua Comte-Sponville, a ausncia pura e simples de esperana no corresponde mgoa, traduzida na acepo comum da palavra desespero.

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    O desespero/desesperana , antes, o grau zero da expectativa, portanto um regime de acolhimento do real sem temor, sem desengano, sem tristeza. Esse regime, ou essa regncia, pode ser chamado de beatitude ou de alegria: uma aceitao e uma experincia da plenitude do presente.

    (Muniz Sodr. As estratgias sensveis: afeto, mdia e poltica. Petrpolis, RJ: Vozes, 2006, p.206)

    a) O autor do texto defende a ideia de que o ser humano, ao criar expectativas em relao ao futuro, no deve desesperar-se, mas, sim, manter-se passivo no estado de espera.

    b) A ideia central desenvolvida no texto baseia-se no pressuposto de que se vive, atualmente, uma era em que predomina o desespero.

    c) Uma das ideias secundrias desenvolvidas no texto a de que os fins justificam os meios, como se depreende do trecho importa a flecha mais do que o alvo.

    d) Uma das ideias desenvolvidas no texto a de que o real s , de fato, apreendido quando o indivduo compreende o passado e o futuro como iluses.

    e) Para sustentar a ideia apresentada no primeiro pargrafo, o autor do texto argumenta que o medo do futuro que motiva os indivduos a viverem intensamente o aqui e agora.

    Comentrio: A alternativa (A) est errada. O autor no defende que o ser humano deve manter-se passivo no estado de espera. O que afirmado : a ausncia pura e simples de esperana no corresponde mgoa, traduzida na acepo comum da palavra desespero.

    A alternativa (B) est errada. No se afirmou que atualmente predomina o desespero. O tema central a valorizao do presente. Segundo o conceito do sbio indiano Svmi, s o presente real, o que equivale a considerar o passado e o futuro como puras iluses.

    O incio do segundo pargrafo nos mostra que no predomina o desespero no mundo atual, pois a ausncia pura e simples de esperana no corresponde mgoa, traduzida na acepo comum da palavra desespero.

    A alternativa (C) est errada, pois foi afirmado o contrrio: o percurso (o presente, a flecha, o real, os meios) o mais importante. Isso porque o resultado (o futuro, o alvo, as iluses, os fins), na justificativa do texto, no to importante.

    A alternativa (D) a correta. Uma das ideias desenvolvidas a do primeiro perodo do texto. Entende-se que, se considerado que o futuro e o passado so puras iluses, ento depreendido que s o presente real. Esse um fundamento do sbio indiano Svmi de que trata o texto. Confronte o primeiro perodo do texto com o que afirmado nesta alternativa:

    Aferrado valorizao do aqui e agora, o sbio indiano Svmi garante que s o presente real, o que equivale a considerar o passado e o futuro como puras iluses.

    Uma das ideias desenvolvidas no texto a de que o real s , de fato, apreendido quando o indivduo compreende o passado e o futuro como

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    iluses.

    Na alternativa (E), o erro est em dizer que h medo do futuro, afirmao no encontrada no texto. Na realidade, no texto se diz que a considerao do futuro e do passado como puras iluses que motiva a viver intensamente o aqui e o agora. Gabarito: D 3 - Assinale a opo que apresenta corretamente ideia contida no trecho abaixo. O perodo a que, hoje, assistimos se caracteriza pela perda de legitimidade dos governos e dos modelos neoliberais, mas, ao mesmo tempo, por dificuldades de construo de projetos alternativos. Uma das barreiras para a construo de tais projetos o prprio fato de esses governos estarem engajados em uma estratgia de disputa hegemnica contnua, convivendo com o poder privado da grande burguesia das grandes empresas privadas, nacionais e estrangeiras, dos bancos, dos grandes exportadores do agronegcio, da mdia privada. Se essa elite econmica no dispe de grande apoio interno, conta com grandes aliados no plano internacional, especialmente entre os pases globalizadores.

    (Emir Sader. A nova toupeira: os caminhos da esquerda latinoamericana. So Paulo: Boitempo, 2009)

    a) Quanto maior o engajamento de um pas em disputas por hegemonia, maior a crise de legitimidade das polticas neoliberais por ele desenvolvidas.

    b) A elite econmica de um pas globalizado prescinde de apoio interno para manter seu poder hegemnico sobre os governos carentes de legitimidade.

    c) O poder hegemnico dos pases globalizadores dificulta o avano de projetos que visem superao dos modelos neoliberais.

    d) A maior dificuldade dos governos de pases globalizados enfrentar a aliana da mdia privada com os pases globalizadores.

    e) Na elite econmica de um pas, a mdia privada que mais poder exerce sobre o governo de um pas.

    Comentrio: A alternativa (A) est errada. Perceba que o crescimento do engajamento de um pas em disputas por hegemonia no aumenta a crise de legitimidade das polticas neoliberiais. Na realidade, cria mais dificuldades na construo de projetos alternativos.

    A alternativa (B) est errada. Perceba que o verbo prescinde significa dispensa. dito no texto que Se essa elite econmica no dispe de grande apoio interno, conta com grandes aliados no plano internacional. Assim a elite necessita, sim, do apoio interno. Somente se enfatiza que, se no for um grande apoio interno, passa-se a contar com os aliados externos.

    A alternativa (C) a correta. A interpretao literal dos dois perodos iniciais do texto. Compare-o com a alternativa:

    Texto: O perodo a que, hoje, assistimos se caracteriza pela perda de legitimidade dos governos e dos modelos neoliberais, mas, ao mesmo tempo, por

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    dificuldades de construo de projetos alternativos. Uma das barreiras para a construo de tais projetos o prprio fato de esses governos estarem engajados em uma estratgia de disputa hegemnica contnua...

    Alternativa: O poder hegemnico dos pases globalizadores dificulta o avano de projetos que visem superao dos modelos neoliberais.

    A alternativa (D) est errada. No h referncia a uma maior dificuldade dos governos de pases globalizados, pois no h passagem no texto que permita essa inferncia. A alternativa (E) est errada, pois mdia privada est numa relao de poder, juntamente com outras numa construo paralela, por isso no se pode dizer que uma mais importante que outra. Gabarito: C 4 - Assinale a opo que reproduz corretamente ideia contida no trecho abaixo. A realidade dos juros no se restringe ao mundo das finanas, como supe o senso comum, mas permeia as mais diversas e surpreendentes esferas da vida prtica, social e espiritual. A face mais visvel dos juros monetrios os juros fixados pelos bancos centrais e os praticados nos mercados de crdito representa apenas um aspecto, ou seja, no mais que uma diminuta e peculiar constelao no vasto universo das trocas intertemporais em que valores presentes e futuros medem foras. Pode-se, por exemplo, examinar a moderna teoria biolgica do envelhecimento como uma troca intertemporal cuja sntese viver agora, pagar depois. A senescncia dos organismos a conta de juros decorrente do redobrado vigor e aptido juvenis.

    (Texto adaptado de Eduardo Giannetti. O valor do amanh: ensaio sobre a natureza dos juros. So Paulo: Companhia das Letras, 2005)

    a) Ao se fazer analogia entre os juros pagos em transaes financeiras e os

    pagos em relaes sociais, verifica-se que, apesar de, nestas, eles estarem embutidos, no h interesse da sociedade em desvelar esse fato.

    b) A moderna teoria biolgica prioriza as anlises que abordam as mudanas no corpo do ser humano como trocas intertemporais s quais inerente o pagamento de juros.

    c) Os juros mais altos pagos pelos cidados so aqueles que, sorrateiramente, resultam da prpria natureza finita dos seres humanos, determinada pelo irreversvel envelhecimento do corpo.

    d) O conceito de juros tem sido aplicado restritamente s situaes do mercado financeiro porque, via de regra, prevalecem, nas sociedades, as noes estabelecidas pelo senso comum.

    e) Prevalecendo a caracterstica dos juros de que eles sempre envolvem uma troca intertemporal, a aplicao do conceito de juros pode ser estendida a outras situaes da vida dos indivduos.

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    Comentrio: A alternativa (A) est errada, pois no se est fazendo no texto analogia entre juros pagos em transaes financeiras e os pagos em relaes sociais. O que se mostra no texto que a realidade dos juros no se restringe ao mundo das finanas, mas passa pelas mais diversas esferas da vida prtica, dentre elas as relaes sociais.

    A alternativa (B) est errada, pois no se afirmou no texto que a moderna teoria biolgica prioriza as anlises que abordam as mudanas no corpo do ser humano como trocas intertemporais. Houve o exemplo da moderna teoria biolgica do envelhecimento, servindo apenas como comparao de uma relao de juros comum, em que a moeda de troca o desgaste do organismo, pelo redobrado vigor e aptido juvenis.

    A alternativa (C) est errada, pois no h referncia a juros mais altos no texto. O envelhecimento do corpo foi apenas um exemplo das vrias formas de juros.

    Na alternativa (D), o erro est em dizer que houve restrio no conceito de juros s situaes do mercado financeiro. No texto dito que esse conceito ampliado esfera social e at espiritual. A alternativa (E) a correta, pois realmente prevalece a caracterstica dos juros de que eles sempre envolvem uma troca intertemporal. Isso est previsto no segundo pargrafo do texto: A face mais visvel dos juros monetrios (...) representa (...) no mais que uma diminuta e peculiar constelao no vasto universo das trocas intertemporais. Alm disso, afirmado nesta alternativa que a aplicao do conceito de juros pode ser estendida a outras situaes da vida dos indivduos. Isso confirmado em todo o primeiro pargrafo do texto: A realidade dos juros no se restringe ao mundo das finanas, como supe o senso comum, mas permeia as mais diversas e surpreendentes esferas da vida prtica, social e espiritual. Gabarito: E 5 - Nas opes, so apresentadas propostas de continuidade do pargrafo abaixo. Assinale aquela em que foram atendidos plenamente os princpios de coeso e coerncia textuais. Duas ameaas simtricas rondam a determinao dos termos de troca entre presente e futuro. A miopia temporal envolve a atribuio de um valor demasiado ao que est prximo de ns no tempo, em detrimento do que se encontra mais afastado. A hipermetropia a atribuio de um valor excessivo ao amanh, em prejuzo das demandas e interesses correntes.

    (Eduardo Giannetti. O valor do amanh: ensaio sobre a natureza dos juros. So Paulo: Companhia das Letras, 2005)

    a) Contudo, a miopia temporal nos leva a subestimar o futuro, e a

    hipermetropia a supervalorizar o futuro, o que desfaz, em parte, a referida simetria.

    b) Por serem ameaas cujo resultado idntico, tanto a miopia temporal quanto a hipermetropia tornam irrelevante o fenmeno dos juros nas situaes de troca entre presente e futuro.

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    c) Apesar dessa simetria, no existe uma posio credora pagar agora, viver depois , mesmo porque sempre abrimos mo de algo no presente sem a expectativa de recebermos algo no futuro.

    d) Diante dessas ameaas, cabe perguntar se existe um ponto certo um equilbrio estvel e exato entre os extremos da fuga do futuro (miopia) e da fuga para o futuro (hipermetropia).

    e) Essa simetria conduz, portanto, concluso de que vale mais a pena subordinar o presente ao futuro, e no, o contrrio, o que nos far atribuir valor excessivo ao futuro, sem risco de incorrermos em hipermetropia temporal.

    Comentrio: A alternativa (A) est errada. Nota-se que a continuao ocorre como uma evoluo natural do texto, cabendo uma conjuno conclusiva e no adversativa. O ideal seria a troca de Contudo por Portanto.

    A alternativa (B) est errada, pois as duas ameaas serem simtricas no quer dizer que o resultado seja idntico. Alm disso essa relao miopia-hipermetropia no torna irrelevante o fenmeno dos juros nas situaes de troca entre presente e futuro; pois o excesso de valorizao de algo presente ou futuro far diferena nessas situaes de troca.

    A alternativa (C) est errada. No se pode dizer que h erro na considerao Apesar dessa simetria, no existe uma posio credora pagar agora, viver depois, pois h estrutura de oposio iniciando o perodo, e isso o torna coerente. Mas o erro est em se afirmar categoricamente que sempre abrimos mo de algo no presente sem a expectativa de recebermos algo no futuro.

    A alternativa (D) a correta, pois dessas ameaas retoma perfeitamente esse vocbulo no texto, alm de a pergunta sobre a existncia de um ponto certo entre esses extremos transmitir a ideia central do texto.

    A alternativa (E) est errada, pois a conjuno portanto transmite uma continuao natural do texto. Por isso ele nos leva a entender que h uma simetria e isso no conduzir a uma interpretao de que um termo se subordina a outro.

    Alm disso, se houver valor excessivo ao futuro, logicamente haver risco de incorrermos em hipermetropia temporal. Gabarito: D 6 - Assinale a opo que constitui continuao coesa, coerente e gramaticalmente correta para o texto de Luiz Gonzaga Beluzzo, adaptado do Valor Econmico de 14 de outubro de 2009.

    A marca registrada das crises capitaneadas pela finana o colapso dos critrios de avaliao da riqueza que vinham prevalecendo. As expectativas dos possuidores de riqueza capitulam diante da incerteza e no mais possvel precificar os ativos. Os mtodos habituais que permitem avaliar a relao risco/rendimento dos ativos sucumbem diante do medo do futuro. A obscuridade total paralisa as decises e nega os novos fluxos de gasto.

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    a) Essa deciso pela corrida privada para as formas imaginrias, mas socialmente incontornveis do valor e da riqueza vai afetar negativamente a valorizao e a reproduo da verdadeira riqueza social, ou seja, a demanda de ativos reprodutivos e de trabalhadores.

    b) Em contraposio a esse fenmeno, depois do colapso financeiro deflagrado pela quebra do Lehman Brothers, os preos dos ativos privados foram atropelados pelos mercados em pnico, na busca impossvel da desalavancagem coletiva. Vendedores em fria e compradores em fuga fizeram evaporar a liquidez dos mercados e prometiam uma deflao de ativos digna da Grande Depresso dos anos trinta.

    c) Contanto que a reao das autoridades dos pases desenvolvidos foi menos eficaz para restabelecer a oferta de crdito no volume desejado e impotente para reanimar o dispndio das famlias e dos negcios. Empresas e consumidores trataram de cortar os gastos (e, portanto a demanda de crdito) para ajustar o endividamento contrado no passado renda que imaginam obter num ambiente de desacelerao da economia e de queda do emprego.

    d) Essas intervenes dos bancos centrais e dos Tesouros, sobretudo nos Estados Unidos, conseguiram, aos trancos, barrancos e trombadas legais, estancar a rpida deteriorao das expectativas. Contrariando os augrios mais pessimistas, a ao das autoridades foi capaz de afetar positivamente as taxas do interbancrio e restabelecer as condies mnimas de funcionamentos dos mercados monetrios.

    e) Em tais circunstncias, a tentativa de reduo do endividamento e dos gastos de empresas e famlias em busca da liquidez e do reequilbrio patrimonial uma deciso racional do ponto de vista microeconmico, mas danosa para o conjunto da economia, pois leva necessariamente deteriorao dos balanos. o paradoxo da desalavancagem.

    Comentrio: Perceba que agora tambm se deve observar problema gramatical.

    A alternativa (A) est errada. Na estrutura Essa deciso pela corrida privada para as formas imaginrias, o termo corrida privada deveria se iniciar pela preposio de, pois entendemos a um adjunto adnominal, por haver valor agente (a corrida privada decidiu pelas formas imaginrias). Assim, Essa deciso da corrida privada para as formas imaginrias seria mais coerente no texto. Alm disso, o trecho mas socialmente incontornveis do valor e da riqueza um comentrio do autor, o qual deve ficar separado por dupla vrgula.

    A alternativa (B) est errada, pois no h relao de oposio entre este trecho e o texto. Assim, a expresso Em contraposio a esse fenmeno est incoerente. Alm disso, note que o incio do texto transmitido com verbos no presente, dando uma noo conceitual, atualidade; j o trecho desta alternativa usou verbos no pretrito perfeito, transmitindo fato passado, sem elemento de coeso que fizesse essa relao adequadamente no texto.

    A alternativa (C) est errada, pois a locuo conjuntiva Contanto que transmite valor condicional, fazendo parte de uma orao subordinada, o que

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    obriga a presena de uma orao principal, a qual no ocorreu no trecho.Assim, a frase ficou truncada, sem coerncia. O ideal seria inserir uma conjuno conclusiva no lugar de Contanto que.

    A alternativa (D) est errada. No houve no texto qualquer meno a alguma interveno dos bancos centrais e dos Tesouros, por isso no h continuao coesa e coerente.

    A alternativa (E) a correta, pois o perodo realiza a continuidade do texto. Isso foi feito com coeso, pois a expresso Em tais circunstncias retoma a situao dita no texto e o tema o desenvolvimento da relao anterior. Gabarito: E 7- Os trechos abaixo constituem um texto adaptado de Muniz Sodr (As estratgias sensveis: afeto, mdia e poltica), mas esto desordenados.

    Ordene-os, indique a ordem dentro dos parnteses e assinale a opo que corresponde ordem correta.

    ( ) Ao redor do que se tem chamado de imprensa de opinio ou de

    publicismo, organizaram-se os espaos pblicos das democracias inaugurais na modernidade ocidental.

    ( ) O espao pblico realiza, modernamente, a mediao dos interesses particulares da sociedade civil, visando principalmente a preservar as garantias dos direitos individuais frente ao poder do Estado. a fundamental o papel da imprensa.

    ( ) preciso deixar claro, contudo, que, a despeito de sua grande importncia, a imprensa no define o espao pblico. Ele no um puro espao de comunicao e, sim, uma potncia de converso do individual em comum, o que no deixa de comportar zonas de sombras ou de opacidades no necessariamente comunicativas.

    ( ) Assim, a ampliao tcnica