As Ideologias e o Poder em Crise - files. Bobbio - As... · Norberto Bobbio As ideologias e o poder…

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  • As ideologias e o poder em crise

    http://groups.google.com.br/group/digitalsource

  • FUNDAO UNIVERSIDADE DE BRASLIA

    Reitor

    Lauro Morhy

    Vice-Reitor

    Timothy Martin Mulholland

    EDITORA UNIVERSIDADE DE BRASLIA

    Diretor

    Alexandre Lima

    CONSELHO EDITORIAL

    Alexandre Lima

    Arton Lugarinho de Lima

    Camara Emanuel Oliveira Arajo

    Hermes Zaneti

    Jos Maria Gonalves de Almeida Jnior

    Murilo Bastos da Cunha

  • Norberto Bobbio

    As ideologias e o poder em crise

    4edio

    Traduo

    Joo Ferreira

    Reviso tcnica

    Gilson Cesar Cardoso

    EDITORA

    UnB

  • Direitos exclusivos para esta edio: EDITORA UNIVERSIDADE DE BRASLIA SCS Q. 02 Bloco C N 78 Ed. OK 2 andar 70300-500 Braslia DF Fax:(061)225-5611

    Copyright 1982 by Casa Editrice Le Monnier-Firenzi

    Ttulo original: Ideologie e il potere in crisi

    Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicao poder ser armazenada ou reproduzida por qualquer meio sem a autorizao por escrito da Editora.

    Impresso no Brasil IMPRENSA OFICIAL

    EDITORAO EWANDRO MAGALHES JNIOR E REGINA COELI ANDRADE MARQUES

    REVISO FTIMA REJANE DE MENESES E WILMA GONALVES ROSAS SALTARELLI

    CAPA CRISTINA GOMIDE (FORMATOS DESIGN E INFORMTICA)

    ISBN: 85-230-0262-6

    Ficha catalogrfica elaborada pela Biblioteca Central da Universidade de Braslia

    Bobbio, Norberto C 392 As ideologias e o poder em crise / Norberto

    Bobbio: traduo de Joo Ferreira; reviso tcnica Gilson Csar Cardoso. - Braslia : Editora Universidade de Braslia. 4a edio, 1999.

    240 p.

    340.11 Ttulo original: Ideologie e il potere in crisi. 301.152.4 32

  • Sumrio

    Nota preliminar

    PRIMEIRA PARTE PLURALISMO

    O que o pluralismo?

    Entendemos a mesma coisa?

    Karl Marx era pluralista?

    Nem tudo que reluz ouro

    SEGUNDA PARTE O QUE O SOCIALISMO?

    Mais igualdade

    Mais iguais ou mais livres?

    Existe consenso e consenso

    H dissenso e dissenso

    O barrete de Lenin

    Lenin era marxista?

    Mas que tipo de socialismo?

    Uma sociedade jamais vista?

    A Unio Sovitica um pas socialista?

    Os parentes difceis

    O intelectual desobediente

    As liberdades so solidrias

  • TERCEIRA PARTE OS FINS E OS MEIOS

    Se a lei ceder

    A lgica da guerra

    Fria destrutiva

    Os fins justificam os meios?

    Os homens como coisas

    Dois cdigos diferentes mas necessrios

    A poltica no pode absolver o crime

    A conscincia moral perante a violncia

    O brao armado da tirania

    O pacto dos violentos

    QUARTA PARTE EXISTE A TERCEIRA VIA?

    A terceira via no existe

    A via democrtica

    A via e a meta

    Quem deixa a via velha

    A via intermediria

    Um aplogo

    Vida difcil para a "terceira fora"

    QUINTA PARTE O MAU GOVERNO

    O dever de sermos pessimistas

    A lio da histria

    A Constituio no tem culpa

    Partidos ou faces?

    preciso governar

    Quem governa?

    Os meandros do poder

  • O poder invisvel

    Um sistema descentralizado

    APNDICE TRS PERSONAGENS DA "ITLIA CIVIL"

    Salvatorelli: o educador antifascista

    Bauer: a f na democracia

    Jemolo: um mestre

  • Nota preliminar

    Devo ao meu amigo Giovanni Spadolini a idia de reunir num

    volume da coletnea Quaderni di Storia, por ele dirigida, os artigos

    que publiquei em La Stampa e Avanti! nos ltimos quatro anos. Devo

    ao diretor de ento, Arrigo Levi, e ao inesquecvel amigo Cario

    Casalegno o fato de ter-me decidido a aceitar o convite de colaborar

    periodicamente num jornal.

    H trinta anos no escrevia regularmente num jornal, desde

    os tempos de Giustizia e Libert, jornal esse dirigido por Franco

    Venturi e que circulou por alguns meses em Turim, logo aps a

    Libertao. O motivo deste retorno foi o debate que mantive com

    alguns intelectuais comunistas sobre o pluralismo: Aldo Tortorella,

    Nicola Badaloni e Biagio De Giovanni, no Festival Nacional da Unit

    em Npoles, em setembro de 1976.

    O diretor de La Stampa mandou a Npoles Gaetano

    Scardocchia e publicou, assinado por este, um artigo intitulado

    "Trs perguntas de Bobbio ao PCI" (17 de setembro de 1976). O

    artigo atravs do qual se iniciou minha colaborao no jornal (e

    tambm o primeiro desta coletnea) e que foi publicado com um ttulo

    um pouco didasclico "O que o pluralismo" continha a

    essncia desse debate. Enviado pelo diretor do jornal a eminentes

    polticos de diversos partidos, intervieram, para esclarecer suas

    respectivas posies, Antonio Giolitti, Ingrao, Ugo La Malfa, Zanone e

    Zaccagnini. Em seguida, o debate se estendeu a outros jornais com

    artigos de filsofos, historiadores, socilogos e cientistas polticos,

    como Cerroni, Farneti, Ferrarotti, Fisichella, Galasso, Lucio

    Lombardo Radice, Alessandro Passerin d'Entrves, Spriano e Tullio

    Altan. Respondi com outros artigos sobre o tema: juntamente com o

    primeiro, representavam a nova proeza de minha carreira de

    jornalista e constituem agora a primeira parte desta coletnea.

  • Terminado (mas no esgotado) o debate sobre o pluralismo, o

    curso dos acontecimentos no deixou de oferecer-me outras

    oportunidades para dialogar ou induzir o diretor do jornal a dialogar

    comigo. Escrevi, por este motivo, outros artigos. Ao recolh-los,

    percebi que poderia dividi-los em quatro temas principais (sem contar

    o pluralismo que vai guisa de introduo): o socialismo e suas

    relaes com o inimigo-irmo (umas vezes mais irmo, outras mais

    inimigo, de acordo com as circunstncias), o comunismo; a violncia

    e o problema, a esta estreitamente associado, da relao entre

    Estado e fora e entre moral e poltica; a terceira via, que no deve ser

    confundida com a terceira fora; e a crise das instituies. Intitulei as

    diversas partes: 1. O que o socialismo? 2. Os fins e os meios. 3. Existe

    a terceira via? 4. O mau governo.

    A conselho do diretor da coletnea, so publicados em apndice

    trs retratos de personagens que nos so caros como representantes

    daquela Itlia ideal, a "sua" Itlia da razo e a "minha" Itlia civil, a

    que ficamos fiis na lembrana e firmes na esperana.

    Reconheo que a republicao de artigos de jornal um ato

    discutvel. Tenho uma nica atenuante: quase sempre me esforcei

    por ligar o problema quotidiano a um tema geral ou de filosofia

    poltica ou de cincia poltica, duas disciplinas a que dediquei boa

    parte de meus estudos e de minhas prelees universitrias.

    Em resumo, quase sempre busquei em minhas intervenes

    uma oportunidade para tentar aproximar o leitor comum de alguns

    problemas fundamentais da poltica; de forma particular, dos

    grandes temas das ideologias polticas e da organizao do Estado.

    A princpio encontram-se os artigos sobre liberdade e igualdade

    e suas inter-relaes, e tambm os que dizem respeito distino

    entre socialismo e comunismo; posteriormente, os que se referem

    relao entre Estado e fora, entre Estado e violncia, entre Estado e

    guerra, assim como governabilidade das sociedades complexas e s

    caractersticas especficas da crise italiana. Por uns e por outros

    perpassa o tema da relao entre moral e poltica. Todos, enfim,

  • giram em torno de um problema central, que a democracia:

    pluralismo e democracia, socialismo (ou comunismo) e democracia,

    violncia e democracia, terceira via e democracia, bom governo (ou

    mau governo) e democracia. Na verdade, so variaes sobre um

    mesmo tema, que a atormentada democracia italiana, frgil, mas,

    apesar de tudo, viva.

    No preciso lembrar que os anos em que apareceram estes

    artigos, de fins de 1976 a fins de 1980, so anos de permanente e

    sucessivo agravamento da instabilidade poltica. Em julho de 1976,

    teve incio a stima legislatura, que durou apenas trs anos, foi

    sucedida pela oitava, com os dois governos de Cossiga, seguidos do

    breve governo de Forlani. Essa fase se caracteriza pela tentativa

    abortada dos governos de coligao nacional e do retorno s velhas

    coligaes, assim como pela mais temerria e clamorosa ao

    terrorista, na qual se destaca o assassinato de Aldo Moro em 9 de

    maio de 1978.

    Retomando o ttulo de um livro de Julien Benda, publicado logo

    aps a Libertao, poderia definir nosso estado de coisas como uma

    "democracia posta prova". esta prova difcil, incerta e no-

    resolvida que me fez falar num dos artigos no "dever de ser

    pessimista". Desejaria, por agora, acrescentar apenas que tal dever

    no exclui o desejo e a esperana de que a prova seja superada.

    Setembro de 1981 Norberto Bobbio

  • PRIMEIRA PARTE

    Pluralismo

  • O que o pluralismo?

    candente a discusso em torno do pluralismo. Trinta anos

    atrs ramos todos democratas. Hoje somos todos pluralistas. Mas

    estaremos certos de saber o que se entende por pluralismo?

    O termo novo, mas o conceito no. Que uma sociedade tanto

    melhor governada quanto mais repartido for o poder e mais

    numerosos forem os centros de poder que controlam os rgos do

    poder central uma idia que se encontra em toda a histria do

    pensamento poltico. Uma das forma