5ano manual aluno

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Caminhos encontro de Educação Moral e Religiosa Católica ano Edu e Religi MANUAL DO ALUNO Apoio na internet www.emrcdigital.com

Author: antonio-jose-fonseca

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  • EducaoMoraleReligiosaCatlica

    5ano

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    Caminhosencontrode

    EducaoMoraleReligiosaCatlica

    5anoEdu

    eReligi

    MANUAL DO ALUNO

    Apoionainternetwww.emrcdigital.com

    7,00(Ofertadocadernodoaluno)(IVAincludo)

    Caminhosencontrode

    MATERIAIS PEDAGGICOS

    1.Manualdoaluno2.Cadernodoaluno[ofertanacompradomanual]

    3.Manualdoprofessor[exclusivoparaprofessores]

    4.CD-ROM[conjuntoderecursosmultimdia,imagens,esquemasdeprojecoetextosdoManual]

    5.Apoionainternetwww.emrcdigital.com[conjuntodemateriaisauxiliaresparautilizaoaolongodoanolectivo]

  • CAMINHOS DE ENCONTROMANuAl DO AluNO EMRC 5. ANO DO ENSINO BSICO

    SUPERVISO E APROVAOCOMISSO EPISCOPAL DA EDUCAO CRISTD. Tomaz Pedro Barbosa Silva Nunes (Presidente), D. Antnio Francisco dos Santos, D. Anacleto Cordeiro Gonalves Oliveira e D. Antnio Baltasar Marcelino; Mons. Augusto Manuel Arruda Cabral (Secretrio)

    COORDENAO E REVISO GERALJorge Augusto Paulo Pereira

    EQUIPA DE REDACOMaria Lusa Trinco de Paiva Bolo (Coordenao de ciclo)Sara Gomes Andrade e Guardado da Silva (Coordenao de ciclo)Carla Maria Gomes de AndradeMnica Virgnia Paiva Rocha da Maia HenriquesSusana Isabel Santos Correia PereiraVtor Hugo Ribeiro da Silva Carmona

    REVISO GRFICAMaria Helena Calado Pereira

    GESTO EXECUTIVA DO PROJECTO E DIRECO DE ARTEID BooksRicardo Santos

    CAPAMaria Joo Palma

    ILUSTRAOMaria Joo PalmaCarla Andrade

    TIRAGEM2. edio - 70000

    ISBN978-972-8690-26-7

    DEPSITO LEGAL291174/09

    EDIO E PROPRIEDADEFundao Secretariado Nacional da Educao Crist Lisboa, 2009Quinta do Cabeo, Porta D; 1885-076 MoscavideTel.: 218 851 285; Fax: 218 851 355; E-mail: [email protected] os direitos reservados FSNEC

    IMPRESSOGrfica Almondina

  • APRESENTAOCAMINHOS DE ENCONTRO

    Aos alunos e s alunas de Educao Moral e Religiosa Catlica

    Um livro o resultado de muito trabalho de quem o produziu: um ou mais autores. Por isso, deve ser acolhido com respeito e tratado com cuidado. Qualquer que seja o seu estilo, contm uma mensagem, interpela o leitor e desperta a sua imaginao.

    Um livro escolar um instrumento para a aprendizagem dos alunos. sempre educativo. Transmite informaes ligadas aos contedos dos programas de ensino, contm interrogaes e propostas de trabalho, e convida ao estudo. para se usar na aula e fora dela. um companheiro de viagem para o percurso anual de cada um na escola. S assim, tornando-se um objecto familiar, que se utiliza com frequncia, o livro escolar facilita o progresso na aquisio e desenvolvimento de competncias.

    Os manuais de Educao Moral e Religiosa Catlica, quer se revistam da forma de um volume por ano de escolaridade quer se apresentem como conjuntos de fascculos, tm todas estas caractersticas.

    Convido os alunos e as alunas a receberem-nos com interesse e entusiasmo, mas, sobretudo, a utilizarem-nos para proveito do seu crescimento humano e espiritual. Deste modo, e com a ajuda indispensvel dos vossos professores ou professoras de Educao Moral e Religiosa Catlica, podeis melhor fazer as vossas opes e elaborar um projecto de vida slido e com sentido.

    Que Deus vos ilumine e ajude na caminhada de ano escolar que ides iniciar.

    Bom trabalho!

    D. Tomaz Pedro Barbosa Silva Nunes

    Bispo Auxiliar de Lisboa

    Presidente da Comisso Episcopal da Educao Crist

  • APRESENTAO DOS CONTEDOS

    No teu manual, vais encontrar diferentes espaos e formas de organizar os textos e os documentos que te vo ajudar a caminhar e a interpretar melhor a sua mensagem.

    CAMINHA NA NET...

    unidade 1 17

    MAIS UM ANO

    2. feira, 2 de Setembro

    Para trs ficou um longo Vero quente, dias de frias sem pensar em nada e diante de mim um novo ano escolar. Estou desejosa de rever as minhas colegas de turma, de as reencontrar, na escola e fora da escola. No voltei a ver algumas delas desde que tocou a campainha no fim do ano. Estou contente, vamos poder falar da escola e contar umas s outras as nossas pequenas infelicidades e as nossas grandes alegrias. Estamos de novo todas juntas.

    3. feira, 10 de Setembro

    Passmos uma semana a arranjar os livros, os cadernos e todo o material, a contar umas s outras as nossas frias na praia, na montanha, no campo, no estrangeiro. Todas ns fomos a qualquer stio e temos muitas coisas para contar.

    5. feira, 19 de Setembro

    Tambm comearam as aulas na escola de msica. Duas vezes por semana tenho aulas de piano e de solfejo. As aulas de tnis tambm recomearam, e estou agora no grupo dos grandes.

    Zlata Filipovic. Dirio de Zlata

    PARA SABERES MAIS

    Zlata Filipovic, nascida em 1980, tinha 11 anos quando comeou a escrever um Dirio que veio a ser publicado e se tornou conhecido pelo facto dela descrever o seu dia-a-dia em Sarajevo, na Bsnia, durante a guerra que perturbou a vida dos habitantes desse pas, ao longo de mais de dois anos.

    D-te sugestes de aspectos que podes pesquisar na Internet sobre assuntos relacionados com a Unidade Lectiva.

    D-te informaes interessantes que te permitem aprofundar os assuntos abordados ou conhecer um pouco os autores dos diferentes textos.

    PARA SABERES MAIS

  • D-te informaes sobre passagens bblicas que poders consultar em cada Unidade Lectiva.

    CONSulTA NA BBlIA

    TEXTO BBlICO Ex, D

    eut

    Indica-te que o texto que vais ler uma passagem bblica. A lupa foca o livro da Bblia a que pertence o texto.

  • Unidade Lectiva 1 Caminhar em grupo

    UM NOVO ANO ESCOLAR

    APRENDER A ESTUDAR... APRENDER A VIVER!

    INTEGRO UM NOVO GRUPO

    OS DEZ MANDAMENTOS

    O MAIS IMPORTANTE DOS MANDAMENTOS

    A BBLIA

    O povo onde nasceu a Bblia

    Origem da palavra Bblia

    Organizao da Bblia

    As lnguas em que foi escrita a Bblia

    Como encontrar um texto na Bblia

    Como citar textos da Bblia

    AGORA J SOU CAPAZ DE

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    NDICE

  • Unidade Lectiva 2 A gua, Fonte de Vida

    A GUA NA VIDA QUOTIDIANA

    RECURSOS HDRICOS ORGANIZADORES DAS SOCIEDADES

    A GUA E AS POPULAES

    A GUA NA EXPRESSO ARTSTICA

    Na msica

    Na literatura religiosa

    Na literatura

    SIMBOLOGIA JUDAICO-CRIST DA GUA

    O Dilvio e a arca de No

    Nuvem

    Fonte

    Peixe

    JESUS - A GUA DA VIDA

    TERRA - O PLANETA AZUL

    A GUA, INDISPENSVEL VIDA

    A GUA, UM DIREITO DE TODOS

    Os rios so nossos irmos

    A GUA NO MUNDO ACTUAL

    A GUA AMEAADA

    Em defesa da gua

    Uma responsabilidade de todos

    PROJECTO INTERDISCIPLINAR

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  • Unidade Lectiva 3 Jesus de Nazar

    JESUS: UM MARCO NA HISTRIA

    O NASCIMENTO DE JESUS

    Jesus, o messias prometido

    JESUS NA ARTE

    OS ENSINAMENTOS DE JESUS

    O amor infinito de Deus

    O projecto de Deus

    Prioridade dos valores espirituais

    O CONFLITO COM O PODER

    JESUS PRESO, JULGADO E CONDENADO

    DEUS QUER A VIDA E NO A MORTE

    PROJECTO INTERDISCIPLINAR

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  • Unidade Lectiva 4 Promover a Concrdia

    A LIBERDADE HUMANA

    O AGIR MORAL

    A DESCONFIANA E O MEDO

    MAL MORAL E PECADO

    MANIFESTAES DO MAL

    A ruptura com o ambiente

    PROMOVER A CONCRDIA

    O perdo promove a concrdia

    PROJECTO INTERDISCIPLINAR

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  • Unidade Lectiva 5 A Fraternidade

    O PASSADO COMUM DA HUMANIDADE

    Organizao em grupo

    A espiritualidade

    OS GRUPOS A QUE PERTENCEMOS

    IGUALDADE ENTRE AS PESSOAS

    O UNIVERSO E A TERRA SO A NOSSA CASA

    A FRATERNIDADE CRIST

    A amizade

    QUANDO NEGAMOS OS IRMOS...

    A LUTA NO-VIOLENTA PELA FRATERNIDADE

    A Declarao Universal dos Direitos Humanos

    EXPRESSES DA FRATERNIDADE NA ARTE

    VIVER COM OS OUTROS COMO IRMOS

    Misericrdias portuguesas: um exemplo de fraternidade

    A origem crist dos valores da Misericrdia

    VAMOS CONSTRUIR UM MUNDO FRATERNO

    A alegria da fraternidade

    PROJECTO INTERDISCIPLINAR

    AGORA J SOU CAPAZ DE

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  • Bem-vindo ao 5. ano!

    Este ano muito importante para ti. J cresceste muito desde que entraste para a escola e comeaste a aprender a ler, a escrever e a fazer contas. O teu corpo cresce e a tua inteligncia desenvolve-se. Sabes mais e queres aprender muitas outras coisas novas. J realizas actividades sozinho e o resultado obtido tambm muito melhor; os adultos atribuem-te novas responsabilidades. Observam-te, do-te conselhos e ajudam-te a mudar. Ests, portanto, a comear uma nova etapa da tua vida.

    A disciplina de Educao Moral e Religiosa Catlica vai ajudar-te a crescer como pessoa, proporcionando-te o enriquecimento da tua personalidade e o reconhecimento da dignidade humana. Nela vais contactar com patrimnio religioso, histrico, cultural e cientfico que te vai facultar o conhecimento dos outros e reforar o respeito pelos direitos humanos. Nesta caminhada, vais mergulhar em experincias de aprendizagem que te possibilitam construir relaes baseadas no entendimento e no encontro, atravs da descoberta do valor do outro.

    Nesta disciplina, vais contactar com muitas manifestaes e referncias vivncia religiosa e espiritual da pessoa humana. O conhecimento da mensagem crist ajuda-te a descobrir o outro e a respeitar a sua diferena e riqueza. Atravs de Jesus Cristo e da forma como ele ensinou as pessoas a viverem, de acordo com a vontade de Deus, vais aprender a construir um mundo melhor.

    So estes os temas ou Unidades Lectivas que irs trabalhar com o teu professor ou a tua professora e os teus colegas, ao longo do ano:

    UNIDADE LECTIVA 1

    CAMINHAR EM GRuPO

    UNIDADE LECTIVA 2

    A GuA, FONTE DE VIDA

    UNIDADE LECTIVA 3

    JESuS DE NAZAR

    UNIDADE LECTIVA 4

    PROMOVER A CONCRDIA

    UNIDADE LECTIVA 5

    A FRATERNIDADE

    INTRODuO

  • uNIDADE lECTIVA1Caminhar em grupo

  • Acabou o Vero! A praia, o sol, o mar e o calor comeam a ser imagens e recordaes que ficam na nossa memria.

    A verdade que, por esta altura, j comeamos a sentir falta dos nossos amigos, das brincadeiras no recreio, dos nossos professores, do cheirinho dos livros e cadernos novos. Nas lojas, j se fazem campanhas de regresso s aulas e todos querem materiais novos.

    Os pais esto, na maior parte dos casos, de volta ao trabalho enquanto nos tentam ajudar: compram livros, vo escola ver horrios, conciliam os horrios do trabalho deles com o do nosso estudo. Ufa! O ms de Setembro uma azfama!

    Enquanto tudo isto acontece, j os professores trabalham h algum tempo para nos receberem na escola. Os dias esto a tornar-se cada vez mais curtos; as manhs e as tardes mais frias. As folhas das rvores comeam a amarelecer por causa da aproximao do Outono, e o vento, que se vai comeando a sentir, levanta-as do cho, fazendo--as esvoaar.

    medida que os dias vo passando, os teus olhos observam tudo isto e sabes que tudo tua volta est a mudar. Caminhas com firmeza para uma nova escola, onde vais contactar com um novo ciclo de ensino, conhecer muitas pessoas diferentes e tornar mais fortes as amizades iniciadas no 1. ciclo.

    No ests sozinho nesta caminhada, todos passamos por estas alteraes na nossa vida.

    uM NOVO ANO ESCOlAR

    Mafalda! Mafalda!...Deves ver o lado positivo das coisas: comeou agora um novo ano escolar... Lembra-te que

    vais encontrar os antigos colegas e tambm bestial conhecer novos amigos...

    ...e a alegria dos recreios...

    Sim, tens razo...O qu?Apontaste isso num papel?

    unidade 116

  • unidade 1 17

    MAIS uM ANO

    2. feira, 2 de Setembro

    Para trs ficou um longo Vero quente, dias de frias sem pensar em nada e diante de mim um novo ano escolar. Estou desejosa de rever as minhas colegas de turma, de as reencontrar, na escola e fora da escola. No voltei a ver algumas delas desde que tocou a campainha no fim do ano. Estou contente, vamos poder falar da escola e contar umas s outras as nossas pequenas infelicidades e as nossas grandes alegrias. Estamos de novo todas juntas.

    3. feira, 10 de Setembro

    Passmos uma semana a arranjar os livros, os cadernos e todo o material, a contar umas s outras as nossas frias na praia, na montanha, no campo, no estrangeiro. Todas ns fomos a qualquer stio e temos muitas coisas para contar.

    5. feira, 19 de Setembro

    Tambm comearam as aulas na escola de msica. Duas vezes por semana tenho aulas de piano e de solfejo. As aulas de tnis tambm recomearam, e estou agora no grupo dos grandes.

    Zlata Filipovic. Dirio de Zlata

    PARA SABERES MAIS

    Zlata Filipovic, nascida em 1980, tinha 11 anos quando comeou a escrever um Dirio que veio a ser publicado e se tornou conhecido pelo facto dela descrever o seu dia-a-dia em Sarajevo, na Bsnia, durante a guerra que perturbou a vida dos habitantes desse pas, ao longo de mais de dois anos.

  • unidade 118

    Neste novo ano, talvez encontres alguns colegas que j conheces. Mas h tantas coisas novas, tantas coisas diferentes! H novas matrias para estudar, lugares e espaos diferentes e muitas pessoas que nunca tinhas visto. Vais aprender muito, e aprende-se de tantas maneiras!

    Se leres com ateno o poema que se segue, vais ver como bonito e importante descobrir coisas novas acerca de ti mesmo(a), dos outros e do mundo em que vivemos.

    APRENDER A ESTuDAR

    Estudar muito importante, mas pode-se estudar de vrias maneiras...Muitas vezes estudar no s aprender o que vem nos livros.

    Estudar no s ler nos livros que h nas escolas. tambm aprender a ser livres sem ideias tolas.Ler um livro muito importante, s vezes, urgente.Mas os livros no so o bastante para a gente ser gente. preciso aprender a escrever, mas tambm a viver, mas tambm a sonhar. preciso aprender a crescer, aprender a estudar.

    APRENDER A ESTuDAR...

    Aprender a viver!

    BIBLIOTECA

  • unidade 1 19

    Aprender a crescer quer dizer:aprender a estudar, a conhecer os outros, a ajudar os outros, a viver com os outros.E quem aprende a viver com os outros aprende sempre a viver bem consigo prprio. No merecer um castigo estudar.Estar contente consigo estudar.Aprender a terra, aprender o trigo e ter um amigo tambm estudar.

    Estudar tambm repartir, tambm saber dar o que a gente souber dividir para multiplicar.Estudar escrever um ditado sem ningum nos ditar;e se um erro nos for apontado sab-lo emendar. preciso, em vez de um tinteiro, ter uma cabea que saiba pensar, pois, na escola da vida, primeiro est saber estudar.

    Contar todas as papoilas de um trigal a mais linda conta que se pode fazer.Dizer apenas msica, quando se ouve um pssaro, pode ser a mais bela redaco do mundo...

    Estudar muitomas pensar tudo!

    Jos Carlos Ary dos Santos. Obra Potica

    No entanto, no cresces sozinho, ests acompanhado por adultos que te ajudam neste processo de mudana to grande. Tanto em casa como na escola, os adultos apoiam-te nas dificuldades que tiveres. Tal como acontece com os teus amigos da tua idade. isso que a cano Crescer contigo pretende exprimir.

    CRESCER CONTIGO

    Ainda, ainda no sabias ler,Escrever ou mesmo contar,E j, j encantavas o mundoE muito me fazias sonhar!

    Imaginas, imaginas muitas coisas,Aventuras, histrias de arrepiar,Ao ouvir-te, ao ouvir-te eu aprendoQue h muitas maneiras de pensar.Todos os dias me mostrasUm ponto de vista diferente, surpreendente.

  • unidade 120

    Ouve, ouve, ouve l o que tenho a dizer;Quero mostrar-te tudo o que sei fazer.Gosto, gosto, gosto muito que acredites em mim;Desejo ser importante para ti.

    H todo, h todo um abecedrioA de Amor, B BestialPara, para eu poder dizerQue sei o quanto s genial.

    Com o F, com o F tu s FrancoE podes ser tambm um FuracoContigo ao meu lado na vida tudo, tudo pura emoo!

    Com o L Lies de Moral minha imagem me ensinasQue h coisas que fao mal.

    Ouve, ouve, ouve l o que tenho a dizer;Quero mostrar-te tudo o que sei fazer.Gosto, gosto, gosto muito que acredites em mim;Desejo ser importante para ti.

    Com M, com o M tu tens Medos,Mas importante aceitar,E sei que tambm tens alguns Qus...quem os no tem pode avanar.

    Tens R, tens um R de Reguila,Tens tambm um V de Valento;Importa, importante dar-te voz,Muito amor, afecto, compreenso.

    Dizem para no ligar, que s mido,Mas sei que quem ouve os seus filhosAprende e cresce muito!

    Ouve, ouve, ouve l o que tenho a dizer;Quero mostrar-te tudo o que sei fazer.Gosto, gosto, gosto muito que acredites em mim;Desejo ser importante para ti.

    Msica: scar Lopes/Letra: Ana Teresa SilvaCanta: Joana CD: Cresce Connosco, 8

  • unidade 1 21

    CONHECER OS OuTROS

    Na janela em frente da janela do meu quarto, no prdio do lado de l da rua, a minha vizinha cose mquina. Atravs da sua varanda consigo ver tudo o que l se passa.

    Acho estranho tudo isto.Como se explica que eu saiba tanta coisa dos romanos, e dos mouros,

    e no saiba nada da minha vizinha.Como se explica que eu saiba quantas toneladas pesava a espada de

    D. Afonso Henriques e no saiba quanto pesa a mquina de costura da minha vizinha.

    Como se explica que eu saiba como viveram as pessoas h milhares de anos e no saiba como vive a minha vizinha.

    Como se explica que eu saiba que Isabel era o nome da mulher de D. Dinis e no saiba nem o nome da minha vizinha.

    Olho s vezes para as janelas dos prdios da minha rua e fico a pensar que no sei nada de quem l vive, que no sei nada do que se passa ao p de mim, todos os dias. Parece-me que as janelas dos prdios so assim uma espcie de gavetas de um mvel muito grande de que se perdeu a chave.

    Alice Vieira. Rosa, Minha Irm Rosa

    Somos diferentes uns dos outros. s vezes, essas diferenas conduzem a conflitos. Porque os outros no pensam da mesma maneira que ns, porque no tm os comportamentos que desejaramos que tivessem, e por tantas outras razes, vemo-los como inimigos ou so para ns indiferentes. Mas esta forma de nos relacionarmos com eles no positiva. De facto, as diferenas entre as pessoas so uma das maiores riquezas: podemos receber muito dos outros e tambm temos muito a dar-lhes.

    PARA SABERES MAIS

    Alice Vieira nasceu em

    Lisboa, em 1943. jornalista

    e escritora, tendo publicado

    muitas obras para crianas

    e colaborado em programas

    televisivos infantis.

    As mudanas que ests a viver so como um degrau na tua vida: s mais alto, mais forte, ests mais desenvolvido. J sabes muitas coisas, mas ainda tens muitas para aprender. Com certeza gostaste desta cano, porque tem muito a ver com a tua vida.

    Mas nem sempre fcil lidar com tanta mudana!Para alm do esforo que tens de fazer para acolher as mudanas

    interiores e exteriores, tambm te pedido que trabalhes em parceria com os outros e que sejas capaz de fazer tudo isso com vontade e coragem.

    No incio deste ano lectivo, uma das coisas importantes que tens a fazer conhecer as pessoas que agora comearam a fazer parte da tua vida. No basta aprendermos muitas coisas novas. As pessoas so mais importantes do que tudo quanto pudermos vir a saber. Por isso vale a pena conhec-las e relacionarmo-nos com elas.

    Alice Vieira

  • unidade 122

    A vida em sociedade decorre num determinado tempo e lugar e organiza-se em grupos. Somos membros de uma famlia, de grupos desportivos e musicais, participamos na catequese, nos escuteiros, integramos uma turma... o que pressupe uma certa ordem, ainda que no tenhamos conscincia disso. Nos diferentes grupos a que pertencemos, cada um tem caractersticas e necessidades prprias que quer ver respeitadas e satisfeitas.

    Se cada um procurasse satisfazer apenas as suas necessidades e pontos de vista, sem ter em conta as necessidades dos outros, as nossas relaes sociais tornar-se-iam impossveis, uma vez que os comportamentos de cada um poderiam pr em causa os direitos e o bem-estar dos outros.

    Viver com os outros exige que sejamos capazes de criar consensos. Quando no estamos de acordo com eles, s h uma maneira de podermos continuar juntos, procurar encontrar solues que sejam aceites por todos, ou pelo menos pela maioria. O resultado final no ser o que ns propusemos, mas tambm no ser exactamente o que os outros propuseram: fruto de um consenso. O trabalho que conduz ao consenso difcil e, por vezes, demora algum tempo. Chamamos negociao ao esforo que fazemos para conseguir alcanar consensos com os outros. S assim possvel viver em comunidade. E como ns somos seres sociais, precisamos de viver em conjunto com outros seres humanos para nos sentirmos felizes. O consenso ento necessrio.

    INTEGRO uM NOVO GRuPO

  • unidade 1 23

    As regras, normas ou leis que orientam a vida em grupo, so o resultado de consensos numa sociedade (o que no significa que todos estejamos de acordo com elas). As normas representam os valores e os padres de comportamento considerados fundamentais para o bom funcionamento de cada grupo. H normas que regulam o funcionamento do pas, e outras que regulam o funcionamento de instituies, ou ainda de grupos. Tambm as escolas, enquanto organizaes, precisam de algumas normas para que todos possamos viver em paz e harmonia, sem conflitos desnecessrios. Temos, pois, o regulamento de escola, que define os comportamentos considerados correctos e desejveis para a vida escolar e, por outro lado, tambm determina penalizaes para os casos de no cumprimento das normas.

    O problema coloca-se quando as pessoas no cumprem essas normas e passam por cima dos direitos dos outros. Se isso acontecer, esto a agir de forma egosta, pondo em causa a vida em comunidade. verdade que podem existir normas que so humanamente ms. Isso acontece especialmente em alguns regimes de ditaduras, em que a ideia de um pequeno grupo imposta a todos. No se gerou consenso nenhum, porque no houve nenhuma negociao, nenhum debate. Mas, em geral, as normas existem porque fazem sentido; devem, por isso, ser respeitadas.

    VOCABULRIO

    Ditadura: Sistemapoltico em que o poder se

    concentra nas mos de um

    ou de poucos e suprime as

    liberdades individuais.

    uMA TERRVEl SANO

    Depois do toque de sada, o Francisco saiu da sala apressadamente, seguido pelo Pedro. A agitao era muita. O Francisco tinha tido conhecimento de alguns acontecimentos vividos pelo Andr e a Vera. Virou-se para o Pedro e perguntou-lhe:

    Sabes o que aconteceu com o Andr e a Vera? No. Porque que ests to agitado? Aconteceu alguma coisa de

    grave? Bateram num mido mais novo. Ele tinha-os insultado, s porque

    eles no o deixaram jogar pingue-pongue. Ento, passaram-se os dois e deram-lhe um par de estalos. Mas o mido foi fazer queixa deles. Agora, haver consequncias. S no sabemos quais sero. O Andr e a Vera esto desesperados.

    Podemos ir ver ao regulamento interno da escola que tipo de sanes que se aplicam nestes casos. Tens o regulamento da escola?

    No. Pois, eu tambm no. Mas acho que sei onde encontr-lo. Vamos

    pgina electrnica da escola que deve l estar.Os dois amigos correram para a biblioteca, pediram para usar um

    computador disponvel, pesquisaram a pgina da escola e l encontraram o regulamento interno. Na parte referente s infraces disciplinares acharam o que queriam.

    A coisa sria disse o Pedro . Vamos falar com o Andr e a

  • unidade 124

    Todos os grupos tm de ter regras ou normas para organizar a convivncia entre as pessoas. Se assim no for, instala-se a desordem e ningum sabe com o que pode contar. Algumas regras so mais importantes do que outras, mas todas contribuem para que se possa viver bem no grupo. No regulamento da escola, h normas que so indispensveis para o seu funcionamento como instituio de ensino; e h outras que pretendem facilitar o relacionamento entre as pessoas.

    Os pases tambm tm normas para que se possa organizar a vida de todos os seus cidados. A sociedade precisa de normas ou leis para funcionar. Por isso, as leis no podem ser respeitadas s por algumas pessoas, mas por todas.

    Vera, para ver como os podemos ajudar. O regulamento fala de infraco grave, mas tambm refere atenuantes. Pode ser que nos lembremos de alguma coisa que os livre de um castigo severo, embora tenham agido mal.

    Um pouco mais tarde, os quatro amigos delineavam uma estratgia. Mas no havia consenso entre eles. O Andr dizia que o melhor era procurarem testemunhas falsas que negassem os factos. A Vera respondia que isso no era nada bom. Por um lado, era mentira, por outro, podiam ser descobertos e ento no s eles seriam castigados como tambm as suas testemunhas. O Pedro avanava a hiptese de acusarem o mido de lhes ter batido em primeiro lugar; deste modo, seria legtima defesa. Mas nem assim concordaram: uma mentira traz sempre inmeros perigos; poder ser mais um problema a somar ao problema anterior. Continuaram a discusso at que, quando o Andr e a Vera j estavam quase desesperados, o Francisco props que fizessem uma lista de atenuantes; e comeou a ditar: 1) Vocs foram insultados pelo mido, antes de lhe terem feito qualquer espcie de mal; 2) Os insultos atingiram a dignidade das vossas mes; 3) Nesse dia, estavam nervosos porque tinham feito uma ficha de avaliao e iam fazer outra logo a seguir (o pingue-pongue era uma forma de descontrair)... Pouco depois, j tinham uma lista de atenuantes bastante completa e bem elaborada. O Andr disse:

    E se pedssemos desculpa ao mido e mostrssemos arrependimento?

    Boa ideia disseram todos. Seria mais uma forma de diminuir o castigo.

    Podemos at prometer no voltar a infringir o regulamento interno at ao final do ano disse a Vera. Todos concordaram.

    Pouco depois, j estavam mais animados. Afinal, valia a pena discutir os assuntos em conjunto e chegar a consensos razoveis. Muitas cabeas pensam sempre melhor do que uma s.

    A Constituio da Repblica Portuguesa a lei fundamental que rege o nosso pas. L os artigos da Constituio que a seguir se transcrevem.

  • unidade 1 25

    CAMINHA NA NET:

    Faz uma pesquisa em

    http://dre.pt sobre a

    Constituio da Repblica

    Portuguesa:

    Quando foi aprovada? Quando entrou em vigor? Quem a elaborou?

    CONSTITuIO DA REPBlICA PORTuGuESA

    Artigo 11.2. O Hino Nacional A Portuguesa.3. A lngua oficial o Portugus.

    Artigo 12.Todos os cidados gozam dos direitos e esto sujeitos aos deveres consignados na Constituio.

    Artigo 13.Todos os cidados tm a mesma dignidade social e so iguais perante a lei.

    Artigo 74.Todos tm direito ao ensino com garantia do direito igualdade de oportunidades, de acesso e xito escolar.

    Assembleia da Repblica

  • unidade 126

    uMA HISTRIA PEQuENINA

    Conta, mam, uma histria,uma histria pequenina...

    Sim, meu filho: ouve uma histria,pequenina, pequenina...

    O sol oiro!A lua prata!As estrelas, prolas!

    Mam, eu quero o sol!Sim, meu filho: ters na vida o solse fores sincero...

    Mam, eu quero a lua!Sim, meu filho: ters na vida a luase fores honesto...

    Mam, quero as estrelas!Sim, meu filho: ters na vida as estrelasSe fores justo e humano...

    Vasco Cabral. A Luta a minha Primavera

    Como vs, todos ns precisamos de normas para viver bem. Alis, as regras ou normas so fundamentais para se estar e viver em grupo.

    O texto que encontras a seguir fala de alguns valores muito importantes para que possamos viver com os outros em harmonia.

    PARA SABERES MAIS

    Vasco Cabral era natural da Guin-Bissau. Nasceu em 1926 e faleceu em 2005.

    Lutou pela independncia do seu pas quando este ainda era uma colnia portuguesa e, depois de obtida a independncia, ocupou nele diversos cargos polticos. Os seus poemas foram reunidos numa colectnea com o nome A luta a minha Primavera.

    Vasco Cabral

  • unidade 1 27

    Imagina-te h mais de 3000 anos, escravo, sem dinheiro, sem autonomia, sem poderes dispor do teu tempo como entendesses, sem nenhuma certeza quanto ao futuro... mas com uma vontade imensa de ser livre, de construir a vida, de poder louvar, de poder amar, de acreditar nas pessoas que te rodeiam, de ser feliz, de ter f!

    uma histria com todos estes ingredientes que vamos conhecer agora.

    OS DEZ MANDAMENTOS

    Moiss e as Tbuas da Lei, por Rembrandt

  • unidade 128

    DEuS FAlOu A MOISS

    eus pronunciou as seguintes palavras:2 Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair

    do Egipto, da terra da escravido. 3Notenhas outros deuses, alm de mim.4 No faas para ti imagens esculpidasrepresentando o que h no cu, na terra e nas guas debaixo da terra. 5No te inclines diante de nenhuma imagem, nem lhes prestes culto.7 No faas mau uso do nome do Senhor, teuDeus.8 Recorda-te do dia de sbado, para oconsagrares ao Senhor. 9Podes trabalhar durante seis dias, para fazeres tudo o que precisares. 10Mas o stimo dia dia de descanso, consagrado ao Senhor, teu Deus. Nesse dia, no faas trabalho nenhum, nem tu nem os teus filhos nem os teus servos nem os teus animais nem o estrangeiro que viver na tua terra. 11Porque, durante os seis dias, o Senhor fez o cu, a terra, o mar e tudo o que h neles, mas descansou no

    stimo dia. Por isso, o Senhor abenoou o dia de sbado e declarou que aquele dia era sagrado.12 Respeita o teu pai e a tua me, para que vivasmuitos anos na terra, que o Senhor, teu Deus, te vai dar.13No mates.14No cometas adultrio.15No roubes.16 No faas uma acusao falsa contra ningum.17 No cobices a casa do teu semelhante: nocobices a sua mulher nem os seus escravos nem o seu gado nem os seus jumentos nem coisa nenhuma do que lhe pertence.

    Ex. 20, 1-5.7-17

    Se cumprirmos fielmente estes mandamentos que ele nos deu, o Senhor h-de tratar-nos com bondade.

    Deut. 6, 25

    H muitos sculos atrs, um pequeno povo, o povo hebreu, conseguiu sair do Egipto onde era maltratado. Homens, mulheres e crianas caminhavam pelo deserto em direco sua terra, conduzidos pelo seu chefe, Moiss. Um dia, Deus falou a Moiss no cimo do monte Sinai (tambm conhecido por monte Horeb). Deu-lhe um conjunto de regras, de mandamentos, para que todas as pessoas daquele povo pudessem viver em paz umas com as outras.

    Monte Sinai

    Ex,

    Deu

    t

    1

  • unidade 1 29

    Os mandamentos vieram ajudar as pessoas daquele povo a viverem melhor, respeitando Deus, respeitando-se umas s outras, bem como tudo aquilo que pertence aos outros.

    Estas leis foram gravadas em pedra, que ficaram conhecidas pelo nome de Tbuas da Lei e ao conjunto destas leis costuma chamar- -se Declogo ou Dez Mandamentos. Se leres com ateno o texto, podes verificar que possvel dividi-lo em duas partes. A primeira diz respeito s obrigaes das pessoas para com Deus (os primeiros quatro mandamentos: vv 2-11); a segunda refere as obrigaes das pessoas umas para com as outras (ltimos seis mandamentos: vv 12-17).

    Assim, os primeiros mandamentos revelam a f do povo de Israel em Deus, o Libertador, aquele que os retirou da escravido do Egipto. Os ltimos revelam a conscincia de que no possvel viver em comunidade sem regras que orientem os comportamentos individuais. O povo de Israel sabia bem que as pessoas tendem a ser egostas, a olhar s para os seus interesses e desejos particulares e a esquecer os outros, os seus interesses e necessidades. Por isso, era necessrio estabelecer regras claras que guiassem o comportamento das pessoas, no respeito pelos direitos e a dignidade dos outros. O declogo foi, pois, uma ddiva de Deus para a construo da paz entre os hebreus.

  • unidade 130

    Para Jesus, afinal, todos os mandamentos so apenas diferentes maneiras de amar a Deus e de amar as pessoas com quem se convive. Nada mais simples, em vez dos complicados cdigos de leis dos sbios judeus.

    Mas este igualmente um grande desafio e uma grande exigncia: amar a Deus e amar o prximo, ou seja, todo aquele com quem nos cruzamos e com quem convivemos. Todos sabemos que no nada fcil sermos amigos dos outros, sem estabelecermos barreiras aos que se mostram diferentes de ns. Pelo contrrio, com muita frequncia, viramos as costas a quem no concorda connosco, discutimos com quem no partilha connosco o mesmo ponto de vista, cortamos relaes com aqueles que pertencem a culturas distintas da nossa. Mas, para Jesus, o grande desafio de Deus que todos saibamos viver em comunidade com os outros, independentemente das suas ideias, das suas formas de vida, da sua religio, etc., desde que essas diferenas no prejudiquem a vida dos outros.

    O MAIS IMPORTANTE DOS MANDAMENTOS

    Muitos anos depois de Moiss, Jesus Cristo veio clarificar o aspecto mais importante destes mandamentos. Ao longo dos sculos, os judeus tinham multiplicado as leis, ao ponto de ser difcil conhec-las todas. S quem se dedicava ao estudo delas que estava apto a cumpri-las. A maior parte do povo simples era desprezada pelos sbios porque no tinha condies para cumprir todas aquelas regras.

    Tambm se discutia muito, entre os doutores da Lei, qual era o mais importante de todos os mandamentos. Por isso, Jesus deixou uma proposta, que torna tudo mais simples, mas no menos exigente.

    PARA SABERES MAIS

    Doutores da Lei: No tempo de Jesus, era dado este

    ttulo a homens que tinham

    estudado muito e conheciam

    bem as leis civis e religiosas.

    No entanto, s depois dos

    quarenta anos adquiriam

    este estatuto. At a eram

    chamados escribas.

    Mt

    m doutor da Lei, fez-lhe esta pergunta, para o experimentar: 36Mestre, qual o mandamento mais importante

    da lei?37 Jesus respondeu-lhe: Ama o Senhor teuDeus com todo o teu corao, com toda aalma e com todo o entendimento. 38Este

    que o primeiro e o mais importante dos mandamentos. 39O segundo semelhante a este: Ama o teu prximo como a ti mesmo. 40 O essencial de todo o ensino da lei e dosprofetas est nestes dois mandamentos.

    Mt. 22, 35-40

    O MANDAMENTO MAIS IMPORTANTE35

  • unidade 1 31

    A BBlIAOs textos Deus falou a Moiss e O Mandamento mais importante

    foram retirados de um livro chamado Bblia. A Bblia o livro sagrado dos judeus e dos cristos.

    O povo onde nasceu a BbliaO povo judeu ou hebreu era um pequeno povo que surgiu no Mdio

    Oriente, h quase 4000 anos. O grande antepassado deste povo chamava-se Abrao. Era natural de Ur, uma cidade que ficava no territrio onde actualmente o Iraque. Abrao sentiu-se chamado por Deus e partiu com a sua mulher, Sara, e tudo o que tinha, procura de uma nova regio que Deus lhe havia de mostrar. Acabou por se fixar numa faixa de terra beira do Mar Mediterrneo, atravessada pelo rio Jordo. Foi a que se foi desenvolvendo o povo que veio a ser conhecido com o nome de povo hebreu, israelita ou, mais tarde, judeu.

    Para vivermos juntos, no mesmo bairro, na mesma escola, na mesma turma, precisamos de partilhar alguns valores essenciais que permitem a nossa convivncia pacfica. Esses valores so-nos transmitidos desde o nosso nascimento e vo crescendo dentro de ns medida que tambm vamos crescendo. As regras e as leis so tentativas de criao de um conjunto de valores que permitam a convivncia pacfica. Mas se acolhssemos a mensagem de Jesus, no precisaramos de mais nenhuma regra: o amor o valor central, tudo o resto vem por acrscimo.

    S com base no amor poderemos construir relaes de respeito, de justia e de paz, fundadas na bondade e na verdade. Como estabelecer relaes deste tipo na turma? Seremos capazes de nos pr de acordo quanto a um conjunto de regras que orientam a nossa convivncia durante as aulas? Quais as regras mais importantes e porqu?

  • unidade 132

    Origem da palavra BbliaA palavra Bblia de origem grega e significa os

    rolos, os livros.

    Byblos tambm o nome de uma famosa cidade Fencia (actual Lbano), onde os barcos egpcios faziam escala ao transportarem os papiros egpcios (em grego: byblos) para o ocidente.

    PARA SABERES MAIS

    Os textos da Bblia foram escritos em diversos materiais: pequenas placas de argila, em papiro (que era feito atravs do cruzamento de folhas muito finas da planta do papiro) e em pergaminho (feito de peles de animais curtidas).

    Atravs de todas as dificuldades que viveu, este pequeno povo foi descobrindo cada vez mais quem era Deus: algum grande e bom que o protegia no meio das tempestades da vida. Assim, ao longo dos sculos, foi registando por escrito acontecimentos da sua histria, ensinamentos e oraes. Foi, portanto, surgindo um Livro Sagrado, formado por textos muito diferentes, escritos em diversas pocas e por variadssimos autores. Esse livro sagrado chama-se Bblia e comea por contar o encontro e a relao do povo hebreu com Deus.

    Cerca de dezanove sculos depois de Abrao, houve um homem desse povo que passou pela terra, fazendo o bem: ajudou os mais fracos e necessitados e ensinou a todos como ir ao encontro de Deus. Esse homem foi Jesus Cristo. Aqueles que acreditaram nele e nos seus ensinamentos passaram a chamar-se cristos. Houve pessoas do povo hebreu que se tornaram crists, mas outras permaneceram na sua religio de origem.

    Os primeiros cristos tambm registaram por escrito a vida e ensinamentos de Jesus Cristo, bem como a sua maneira de viver a f. Esses textos passaram a fazer parte da Bblia crist.

    Deslocao de Abrao de Ur at Cana

    MarVermelho

    GolfoPrsico

    Mar MediterrneoR

    io N

    ilo

    Zoo

    Siqum

    Damasco

    Hebron

    Biblos

    Ugarit

    AlepoMari ACAD

    SUMER

    ELAM

    Assur

    Babilnia

    Nipur

    Susa

    Ur

    NiniveHarran

    Bersabela

    OnNof (Mnfis)

    El-Amarna

    EGIPTO

    Rio Tigre

    Rio Eufrates

    Cidades mencionadasem Gn 12

    Percurso de Abrao

    CANA

  • unidade 1 33

    1. Papiro

    2. Tira-se a casca

    3. Corta-se s fatias fininhas

    4. Estende-se em cruz

    5. Cobre-se com uma pea

    de linho

    6. Pisa-se com uma pedra

    ou um mao

    5

    6

    3

    2

    4

    1

    Processo de fabrico do papiro no Antigo Egipto

    Regio do Lbano

    Rolo de Isaas, encontrado em

    Qumran

    nfora de Qumran

  • unidade 134

    Organizao da BbliaPara os judeus, a Bblia constituda pelo conjunto de livros

    sagrados escritos antes de Jesus Cristo.A Bblia dos judeus divide-se em trs partes: a Lei (Tor, na lngua

    hebraica), os Profetas (Neviim) e os Escritos (Kethuvim).A Bblia catlica um conjunto de 73 livros e est dividida em

    duas partes: a que foi escrita antes de Jesus Cristo chama-se Antigo Testamento (A. T.) e contm 46 livros; a que foi escrita depois de Jesus Cristo chama-se Novo Testamento (N. T.) e contm 27 livros.

    Actualmente, os catlicos costumam dividir o Antigo Testamento em quatro partes: o Pentateuco (cinco livros, que correspondem Tor), os Livros Profticos, os Livros Histricos e os Livros Sapienciais, que contm ensinamentos, provrbios, oraes e poemas.

    A estante da pgina seguinte mostra a diviso e a distribuio dos livros da Bblia Catlica.

    Egpcio

    Pirmides de Giz Moiss atravessa Mar Vermelho

    Papiro antigo com um excertoda Epstola aos Hebreus

  • unidade 1 35

    Evangelhos e Actos

    Cartas de So Paulo

    Cartas aos Hebreus e Cartas Catlicas

    Apocalipse

    Pentateuco

    AntigoTestamento

    NovoTestamento

    LivrosProfticos

    Livros

    Histricos

    LivrosSapienciais

    GnesisxodoLevticoNmerosDeuteronmio

    IsaasJeremiasLamentaesBarucEzequielDanielOseiasJoelAms

    JosuJuzesRuteI SamuelII SamuelI ReisII ReisI CrnicasII CrnicasEsdrasNemiasTobiasJuditeEsterI MacabeusII Macabeus

    Livro de JobSalmosProvrbiosEclesiastesCntico dos CnticosLivro da SabedoriaLivro de Ben Sira

    AbdiasJonasMiqueiasNaumHabacucSofoniasAgeuZacariasMalaquias

    MateusMarcosLucasJooActos dos Apstolos

    RomanosI CorntiosII CorntiosGlatasEfsiosFilipensesColossenses

    Hebreus TiagoI PedroII PedroI JooII JooIII JooJudas

    I TessalonicencesII TessalonicencesI TimteoII TimteoTitoFilmon

    Neo-babilnico

  • unidade 136

    As lnguas em que foi escrita a Bblia

    A Bblia comeou a ser escrita por volta do sculo X a.C. e os ltimos textos do Novo Testamento foram terminados j no fim do sculo I d.C. ou princpio do sculo II d.C. Para os crentes, os autores desses textos foram homens inspirados por Deus.

    A Bblia foi redigida em trs lnguas: o hebraico, que aquela em que foi escrita a maior parte do Antigo Testamento; o aramaico, que foi usado mais tarde na redaco de alguns livros e passagens do A. T.; e o grego, que foi a lngua em que foram escritos originalmente alguns livros do A. T., e em que, dois sculos antes de Jesus Cristo, foi traduzido todo o A. T. O grego, tambm, a lngua em que foram redigidos todos os livros do Novo Testamento. O aramaico era a lngua falada pelos judeus no tempo de Jesus.

    Bblia impressa de Gutemberg

    Retrato de Johannes Gutenberg

    PARA SABERES MAIS

    Actualmente, a Bblia encontra-se traduzida em 2403 lnguas, segundo a Scripture Language Report, e o livro mais traduzido do mundo. Foi o primeiro livro a ser impresso por Johannes Gutenberg, entre 1450 e 1455, e o livro mais lido, da literatura mundial.

    So Jernimo (sculo III d.C.) chamou pela primeira vez ao conjunto de livros que formam o Antigo Testamento e o Novo Testamento Biblioteca Divina.

    No final do sculo XIII, no reinado de D. Dinis, foram traduzidos os primeiros excertos da Bblia para a lngua portuguesa. A primeira Bblia completa, em lngua portuguesa, foi publicada em 1753.

    Pgina do Novo Testamento da Bblia impressa por Gutemberg

  • unidade 1 37

    Como encontrar um texto na Bblia

    O texto da Bblia sobre a entrega dos Mandamentos a Moiss pertence ao livro do xodo, que faz parte do Pentateuco (ou da Lei para os judeus).

    O texto bblico sobre o mandamento mais importante do Evan-gelho de S. Mateus, que foi um dos discpulos de Jesus.

    PARA SABERES MAIS

    Discpulo quer dizer aluno. Os discpulos de Jesus eram homens que deixaram as suas casas e as suas famlias para o acompanharem e aprenderem com ele.

    Doze desses discpulos foram escolhidos por Jesus para formarem um grupo que ficasse mais perto dele e o seguisse para todo o lado.

    Apstolo quer dizer enviado. Apstolos foram os discpulos de Jesus que foram enviados por ele a proclamar a sua mensagem a todos os povos.

    A traduo para o grego de toda a Bblia, no sc. II a. C., ficou conhecida como Traduo dos Setenta ou Bblia de Alexandria. A traduo foi pedida pela comunidade judaica de Alexandria, no Egipto, que j no falava o hebraico, mas o grego.

    A lenda relata que setenta sbios, isolados na ilha de Faros, traduziram cada um por si, durante setenta dias, toda a Bblia; no final, confrontaram os textos e todos eles eram iguais! Para os sbios, esta foi a forma de Deus aprovar aquela traduo. Claro que se trata de uma lenda e no de factos histricos. O que sabemos ao certo que a traduo foi feita, tendo sido usada pelos judeus que j no compreendiam o hebraico.

    A Bblia tem os livros organizados conforme a estante que pudeste ver mais acima. Se abrires a Bblia na pgina do ndice, poders confirmar essa mesma organizao.

    Os livros da Bblia encontram-se divididos em captulos e versculos para que a sua citao e pesquisa seja mais fcil e rpida.

    A pesquisa de um texto da Bblia feita atravs de trs elementos: o nome do livro, que pode pertencer ao Antigo Testamento ou ao Novo Testamento, o captulo e os versculos.

    Por isso, a primeira coisa a procurar, quando queremos encontrar um determinado texto, o nome do livro onde o texto est escrito.

    Bblia do Sc. XII com iluminura

  • unidade 138

    Como citar textos da Bblia Uma citao bblica a indicao do livro, captulo e versculo

    (ou versculos) necessrios para se encontrar um determinado texto. Quando pretendemos fazer uma citao da Bblia, isto , quando queremos indicar o texto que queremos ler, ou no qual se encontra uma passagem que tencionamos assinalar, devemos seguir as normas das citaes Bblicas.

    Numa citao, o nome do livro aparece em primeiro lugar. Normalmente os nomes dos livros da Bblia so abreviados; as abreviaturas esto sempre indicadas no princpio ou no fim da Bblia. A indicao do captulo aparece em segundo lugar e os versculos em terceiro lugar. Os nmeros que indicam os versculos separam-se do nmero indicativo do captulo com uma vrgula.

    Os nomes dos livros podem ser procurados no ndice da Bblia e esto tambm, em geral, no cimo de cada pgina.

    Depois de se encontrar o livro, procura-se o captulo. Cada captulo est normalmente assinalado por algarismos de grandes dimenses. A seguir ao captulo, procura-se o versculo, indicado por pequenos algarismos inseridos no meio do texto.

    Pgina da Bblia Interconfessional

    Nome do Livro

    Captulo

    Versculo

    XODO 20,1-7

    PARA SABERES MAIS

    Os livros da Bblia no foram escritos inicialmente em captulos e versculos numerados. Depois de vrias tentativas de diviso do texto, a actual, em captulos, foi feita, no sculo XIII, por Estvo Langton, professor em Paris e futuro arcebispo de Canturia (Inglaterra). No sculo XVI, Robert tienne, impressor e editor parisiense, dividiu-a em versculos.

  • unidade 1 39

    As citaes que se seguem so alguns exemplos que te ajudam a compreender o que acabaste de ler.

    Ex 20, 1.2: esta citao refere-se ao livro do xodo, captulo 20, versculos 1 e 2.

    Ex 20, 1-10: esta citao refere-se ao livro do xodo, captulo 20, versculos 1 a 10.

    Ex 20, 1-10. 12-17: Esta citao refere-se ao livro do xodo, captulo 20, versculos 1 a 10 e versculos 12 a 17.

    A primeira Bblia impressa em grfica, feita por Johannes Gutenberg

    No teu Manual de Educao Moral e Religiosa Catlica vais encontrar, em cada Unidade Lectiva, textos bblicos que te ajudaro a conhecer um pouco desse grande livro que a Bblia. Tambm vais encontrar citaes de muitos outros textos bblicos que poders procurar em tua casa, na biblioteca da tua escola, ou at na Internet.

    AGORA J SOu CAPAZ DE:

    Identificar as mudanas por que passamos na vida e a forma como podemos aprender com elas, descobrindo novas maneiras de viver.

    Viver em conjunto com pessoas diferentes que vo cruzando o meu caminho, enriquecendo-me no contacto com os outros.

    Respeitar regras de convivncia para viver bem com todos.

    Identificar o declogo, reconhecendo a sua importncia e as suas consequncias para a vida quotidiana, pessoal e colectiva.

    Compreender e apreciar obras de arte que representam acontecimentos importantes, como a entrega dos Dez Mandamentos a Moiss.

    Usar a Bblia, localizando textos bblicos a partir das respectivas citaes.

    Viver com todos de acordo com os valores do respeito, da justia, da verdade, da solidariedade, para a construo de relaes pacficas.

  • uNIDADE lECTIVA 2A gua, fonte de vida

  • Facilmente percebemos a importncia da gua no nosso dia-a-dia: na higiene matinal que nos refresca e revigora, no gole de gua fresca que nos reconforta quando a sede aperta, na limpeza das nossas casas ou na frescura do jardim regado. E parece-nos tudo to fcil, basta abrir a torneira!

    Quando percorremos as ruas, gostamos de as ver limpas e lavadas. Os jardins frescos, com os seus belos chafarizes, convidam-nos a um agradvel passeio. Nos momentos de lazer, como divertido mergulhar na piscina, apanhar as ondas do mar com a prancha, descer um rio de canoa ou simplesmente chapinhar e brincar na gua!

    A gua tambm tem um lugar de destaque na economia. Ela essencial na confeco dos produtos e em todo o funcionamento das fbricas. indispensvel na agricultura e na pastorcia, sendo utilizada na rega dos campos e na criao dos animais. Tambm o elemento fundamental da actividade piscatria.

    A GuA NA VIDA QuOTIDIANA

    unidade 242

  • unidade 2 43

    Na Bblia, aparecem muitas referncias ao uso quotidiano da gua, associadas frescura, aos banhos, limpeza, agricultura e pesca.

    PARA SABERES MAIS

    A Bblia tem 664 referncias gua, sendo 591 do AT e 73 do NT.

    CONSULTA NA BBLIA

    Ex 17, 1-6; Gn 2, 5; Jo 21, 3. 10

    Se visitamos uma igreja, a gua benta, da pia baptismal, convida-nos interioridade, presena de Deus. Aqui, ela assume um valor sagrado, ganhando outro sentido. De fonte da vida fsica transforma-se em fonte da vida espiritual.

    No campo ou na cidade, a vida organiza-se em torno da gua.

  • A existncia da gua esteve, desde sempre, associada organizao da vida das comunidades humanas. J na pr-histria, as comunidades nmadas deslocavam-se entre territrios, mantendo-se sempre prximas de recursos hdricos. Estes ofereciam-lhes as condies necessrias sua sobrevivncia. A gua fertilizava as terras e estas eram abundantes em frutos, razes, caa, peixes e moluscos. Estes elementos eram a base da alimentao dos grupos recolectores.

    Quando se tornaram sedentrios, os seres humanos comearam a fixar-se prximo de recursos hdricos que lhes ofereciam as condies necessrias sua sobrevivncia. A gua, indispensvel vida, era tambm necessria para a confeco de alimentos, para o fabrico de utenslios e para a higiene. Permitiu que as primeiras comunidades desenvolvessem a agricultura, a pesca e a pastorcia. Desde muito cedo, os seres humanos perceberam que a gua tambm era um importante meio de deslocao e de defesa contra os agressores. As pessoas viajavam em jangadas ou em pequenos barcos. Assim, fcil compreender o aparecimento de grandes civilizaes em torno dos recursos hdricos mais importantes: rios, lagos e oceanos.

    RECuRSOS HDRICOS ORGANIZADORES DAS SOCIEDADES

    unidade 244

    VOCABULRIO

    Recursos Hdricos: Conjunto de todos os

    recursos naturais de

    gua rios, lagos, mares,

    oceanos, nascentes e

    aquferos, etc.

    Nmada: Nome atribudo pessoa ou povo que no

    se fixa num territrio ou

    local especfico e que vive

    em constante mudana

    de lugar, procura dos

    recursos necessrios sua

    sobrevivncia.

    Sedentrio: Nome atribudo a pessoa ou povo

    que se fixa num territrio

    ou lugar por encontrar nele

    condies de sobrevivncia.

  • unidade 2 45

    VOCABULRIO

    Civilizao: Conjunto de instituies, tcnicas,

    costumes, crenas, etc., que

    caracterizam uma sociedade

    ou um grupo de sociedades.

    A histria da humanidade encontra-se intimamente ligada aos grandes rios. A concentrao de habitantes nas regies volta dos grandes rios Tigre, Eufrates, Nilo, Indo e Amarelo deu origem a importantes civilizaes sumria, egpcia, harappeana e chinesa nos 3. e 2. milnios a. C.

    As extensas plancies banhadas por estes grandes rios, com regime de cheias peridicas, foram depositando, ao longo de milhares de anos, materiais fertilizantes nas suas margens. Assim, nestas regies, formaram-se plancies aluviais muito frteis.

    PARA SABERES MAIS

    Harappa: Nome de Cidade e actual stio arqueolgico da

    antiga civilizao harap-

    peana, antes chamada

    civilizao do Vale do Indo.

    Pintura rupestre representando uma embarcao (Davidsons Arnhem, Holanda).

    Regio do Crescente Frtil

    Ri o

    Ni lo

    0

  • unidade 246

    A riqueza do Egipto provinha do rio Nilo, dependendo dele toda a sua economia. Inundava regularmente a maior parte das terras e, quando recuava, as terras fertilizadas voltavam a ser semeadas.

    Os camponeses lavravam e semeavam os campos antes que o solo endurecesse. Nas margens do Nilo abundavam rvores de fruto e legumes, e criavam-se animais. O prprio rio era rico em peixe. Para alm do vale frtil do Nilo, os terrenos que no eram tocados pelas suas guas, eram secos e infrteis.

    O Egipto, onde viveu e cresceu Moiss, um territrio desrtico atravessado pelo rio Nilo. Os terrenos frteis limitam-se a uma estreita faixa de campos verdejantes nas suas margens, e a um espao mais extenso junto foz, na regio do Delta.

    Percurso do Nilo

    Margens do Rio Nilo

  • unidade 2 47

    A CHEIA DO NIlO

    A cheia do Nilo um fenmeno verdadeiramente inacreditvel. Na verdade, enquanto que todos os outros rios diminuem o seu caudal por volta do solstcio de Vero, o Nilo vai aumentando dia-a-dia, at inundar praticamente todo o Egipto.

    Diodoro da Siclia (historiador Grego do sc. I a.C.). Biblioteca Histrica

    HINO AO NIlO

    Salve, Nilo, Que sais da terraE vens dar de beber ao Egipto!Misteriosa a tua sada das trevas.

    Ao irrigar os prados criados por RTu fazes viver todo o gado,Tu, que ds de beber terra!Tu crias o trigo, fazes nascer o gro,Garantindo a prosperidade aos templos.Se paras a tua tarefa e o teu trabalho,Tudo o que existe cai no desespero [...]Se, ao contrrio, te levantas,A terra inteira grita de regozijo,Os dentes mastigam, Os ventres alegram-se,As costas sacodem-se de riso!

    Hino ao Nilo (3. milnio a.C.)

    A Civilizao Mesopotmica surgiu na regio entre os rios Tigre e Eufrates. A palavra Mesopotmia significa o pas entre-os-rios. A regio da Mesopotmia era um imenso osis verdejante, exaltado pela literatura, como podemos ler no poema sumrio. Na memria dos hebreus, este local era o paraso terrestre, lugar ideal que nos descrito na Bblia, tambm chamado den, perfeito para viver: um local muito belo e verdejante, cheio de rvores de fruto, banhado por um rio do qual saam o Tigre, o Eufrates, e ainda outros dois cursos de gua.

    CONSULTA NA BBLIA

    Gn 2, 10-14

    VOCABULRIO

    Osis: Regio frtil em pleno deserto, devido presena

    da gua.

    No Egipto, o ano tinha apenas trs estaes. Este nmero de estaes estava relacionado com o ciclo das cheias do Nilo. Quando o rio inundava as terras, tnhamos a estao da inundao akhit. Depois vinha a estao do nascimento prit, estao fresca em que se realizavam as sementeiras. Por fim, a estao quente chemu, durante a qual se faziam as colheitas. Todos os anos se repetia o ciclo.

  • unidade 248

    A Civilizao Hebraica desenvolveu-se na regio do crescente frtil, que inclui o territrio das civilizaes egpcia e mesopotmica. Os Hebreus eram o antigo povo de Israel. Estabeleceram-se junto do Mediterrneo e nas margens do rio Jordo. Foi este o povo que escreveu parte da Bblia.

    CAMINHA NA NET

    Faz uma pesquisa na Internet

    sobre:

    A regio dos Grandes Lagos, na frica Oriental.

    O Mar Mediterrneo. O povo hebreu.

    POEMA SuMRIO

    Altas guas espalhou o Tigre sobre os camposE tudo na terra se regozijou;Os campos produziram gro abundante,A vinha e o pomar deram os seus frutos,As colheitas foram armazenadas nos celeiros.Deus fez desaparecer o luto da terraE encheu os espritos de alegria.

    Uruk (3. milnio a.C.)

    Cana na zona do crescente frtil

    PARA SABERES MAIS

    A regio dos Grandes Lagos, na frica oriental,

    est associada ao

    aparecimento dos primeiros

    seres humanos.

    Outras civilizaes desenvolveram-se junto do

    Mediterrneo: a grega, a romana e a islmica.

    Cana

    Ri o

    Ni lo

    0

  • Desde que os seres humanos se comearam a concentrar em determinadas regies e se organizaram em povoaes, tiveram de garantir a existncia de gua para satisfazer as suas necessidades. Inicialmente, procuraram estabelecer-se onde existisse gua. Contudo, com o decorrer do tempo, comearam a ocupar zonas onde a gua no existia ou era escassa. Nessa altura, foi necessrio construir estruturas que permitissem transport-la para perto dos locais onde se tinham fixado. Eram estruturas muito simples. Depois, medida que o ser humano adquiriu mais conhecimentos, comeou a construir estruturas mais complexas e grandiosas. Estas construes permitiam conduzir muita gua a partir de grandes distncias. So exemplo disso os grandes aquedutos, canais e galerias, construdos para transportar gua. Assim, civilizaes localizadas em regies sem rios e sem correntes de gua tambm basearam nela o seu desenvolvimento. Esta foi conseguida custa de grandes esforos humanos. o caso dos qanats no Iro: grandes galerias para captar e transportar gua para as populaes.

    49

    A GuA E AS POPulAES

    Localizao de qanats no actual Iro

    unidade 2 49

    PARA SABERES MAIS

    Os qanats so galerias com

    cerca de 0,70 m de largura

    e 1 m de altura, utilizadas

    desde o sc. V a.C., para

    captar gua subterrnea.

  • unidade 250

    Os romanos foram dos povos que mais se destacaram na utilizao privada e pblica das guas. Para isso construram grandes canais e aquedutos, cisternas, termas e redes de irrigao para a agricultura. Nas termas encontravam-se os amigos e falava-se de negcios. As tardes eram passadas nestes centros de vida social. A utilizao que os romanos faziam das termas mostra-nos a preocupao que tinham com a higiene pblica.

    Em Portugal tambm foram construdos aquedutos e canais, de grande dimenso, semelhantes a estes, para transportar a gua. Muitos deles so patrimnio arquitectnico de grande importncia como, por exemplo, o Aqueduto das guas Livres, na regio da grande Lisboa.

    Runas de Termas Romanas, em Conmbriga

    Aqueduto das guas Livres, em Lisboa

  • unidade 2 51

    Como a vida e a organizao econmica das populaes dependem da gua, desde cedo comearam as disputas pela sua posse, especialmente quando se tornava um bem escasso. Foi ento necessrio legislar sobre o seu uso, fazendo-o, por vezes, atravs de posturas.

    O texto O Chafariz dos Canos, do Sculo XV, manifesta a importncia que a gua tinha na organizao das povoaes. Atravs dele, a populao queixava-se ao rei da falta de gua na vila de Torres Vedras. Informavam-no ainda de que a vila tinha um aqueduto condutor da gua at povoao, o Chafariz dos Canos. Todavia, o aqueduto estava com problemas; por isso, solicitavam ao rei a sua reparao.

    O CHAFARIZ DOS CANOS

    [...] Senhor, nesta vila h edifcios de canos por que vem gua a um chafariz que est na dita vila, que os reis que Deus tem, com a ajuda dos moradores dela, fizeram. E por no poder ser reparado como deve, por causa deste concelho ser pobre e sem dinheiro, pode haver quatro ou cinco anos que a gua no vem ao chafariz da vila, por causa dos canos que necessitam de grande reparo.

    E porque tal edifcio no justo se perder, por ser honra e proveito, e todos vos escrevemos j uma vez sobre ele e vos pedimos ajuda [...]

    Dada em a cidade de Lisboa, a quatro de Julho. El Rei o mandou por Fernam da Silveira, coudel mor dos seus reinos, que agora por seu especial mandado tem cargo de escrivo da puridade. Diogo Lopes a fez. Ano de mil iiijcLix (1459).

    Chancelarias Portuguesas: D. Duarte.Adaptao de Carlos Guardado da Silva

    VOCABULRIO

    Posturas: Normas destinadas s populaes

    locais dos Concelhos.

    Coudel Mor: Capito da Cavalaria.

    Escrivo da puridade: Funcionrio rgio de alta

    importncia, a quem competia, de modo

    especial, cuidar dos

    negcios secretos. Tinha

    sua guarda o selo particular

    do rei.

    Chafariz dos Canos, em Torres Vedras

    PARA SABERES MAIS

    Existem outros aquedutos

    de grande importncia e que exerceram a mesma

    funo para as populaes,

    nomeadamente os seguintes:

    aqueduto da Fonte da Prata,

    em vora; da Amoreira, em

    Elvas; da Usseira, em bidos;

    de S. Sebastio, em Coimbra;

    do Convento, em Vila do

    Conde; do Convento de

    Cristo, em Tomar, etc.

  • Ao longo dos sculos, a humanidade expressou de forma criativa o respeito e o encanto que sentia pela gua, pois esta transmite aos seres humanos bem-estar e tranquilidade. Da arte e da literatura recebemos importantes testemunhos que nos permitem conhecer a relao de respeito e de dependncia que o ser humano, desde sempre, estabeleceu com este elemento natural. A gua influenciou a arquitectura, a pintura, a escultura, a literatura, a msica e a dana. tambm utilizada como elemento de embelezamento, de conforto e de festa.

    Casa da Cascata de Frank Lloyd Wright

    unidade 252

    A GuA NA EXPRESSO ARTSTICA

  • unidade 2 53

    As fontes, os fontanrios, os chafarizes, os aquedutos, as piscinas e alguns jardins so exemplos de produes artsticas intimamente ligadas utilizao da gua para os mais diversos fins. A presena da gua na arquitectura surge, em primeiro lugar, porque o ser humano no sobrevive sem ela.

    Na msica, a gua serviu de fonte de inspirao a peas eruditas, religiosas e populares. A cano O mar enrola nareia faz parte do patrimnio popular portugus.

    Na msica

    PARA SABERES MAIS

    Os sons da gua so utilizados frequentemente nas composies musicais. So reproduzidos sons da chuva, das correntes dos rios e das ondas do mar.

    Fontanrio do Rossio, em Lisboa

    Chafariz dos Canos, em Torres Vedras

  • unidade 254

    O MAR ENROlA NAREIA

    O mar enrola nareia;Ningum sabe o quele diz;Bate nareia e desmaia,Porque se sente feliz.

    1.

    O mar tambm casado,O mar tambm tem mulher; casado com a areia,D-lhe beijos quando quer.

    O mar enrola nareia...

    2.

    At o mar casado, ai,At o mar tem filhinhos; casado com a areia, ai,E os filhos so os peixinhos.

    O mar enrola nareia...

    3.

    mar, tu s um leo, ai,A todos tu queres comer;No sei como homens podem, ai,As tuas ondas vencer.

    O mar enrola nareia...

    4.

    mar que te no derretes, ai,Navio que te no partes, amor que no cumpriste, ai,O que comigo trataste.

    O mar enrola nareia...

    5.

    Ouvi cantar a sereia, ai,No meio daquele mar,Quantos navios se perdem, ai,Ao som daquele cantar.

    O mar enrola nareia...

    Cano popular portuguesa

  • unidade 2 55

    NINGuM DONO DO MAR

    1.

    Se um dia no voltar,Desenha o meu nome no cho,Pede um desejo s ondas do marE guarda-o na tua mo.Sempre que a noite vier,Quando no houver luar,D o desejo a uma onda qualquerE pede-lhe para eu voltar.Trago o destino das guasPlo aguardar dos rochedos;Dizem que o tempo que apaga as mgoas,Quem ser que apaga os medos?

    O mar no de ningum,Ningum dono do mar,Nem aqueles que l sabem navegar.

    2.

    E se depois eu vier,Foi porque o mar te escutou.Deixa os sorrisos correrem pela praia,Que o temporal acabou.Que havemos ns de fazer,Se a sorte est decidida?As mos que nos tm presos morte,So de quem nos prende vida.Trago um coral de ansiedades,Por te querer saber deitada;Maior que a dor que vem nas tempestades a de esperar pela chegada.

    O mar no de ningum...

    3.

    Vou embalado plo vento;Ando sem hora marcada.Na barca anda um lamentoQue eu nem sei de onde vem.Andam rezas pela praia,A aguardar pela chegada.Faz-se o destino cinzento,Sempre que a barca no vemE ningum, e ningum...

    O mar no de ningum...

    Grupo Quadrilha. Quarto Crescente

  • unidade 256

    A gua tem tambm uma dimenso religiosa. Nas igrejas, encontramos pias baptismais e pias de gua benta. Na pintura e na escultura religiosa, ela aparece como elemento sagrado, nomeadamente nas representaes do baptismo ou da crucifixo de Jesus.

    Na literatura religiosaEm todas as religies, a gua smbolo de maternidade e de

    fecundidade. Muitos textos antigos, de diferentes religies e culturas, exprimem a ideia de que, para esses povos, a gua est na origem da vida e reconhecem-lhe valor purificador e espiritual.

    Pia Baptismal por Rosselini, na Igreja S. Joo, Itlia

    Hino dos Vedas s guas

    Vs, guas, que reconfortais,trazei-nos a fora,a grandeza, a alegria, a viso!Soberanas das maravilhas,regentes dos povos, as guas!Vs, guas, dai a sua plenitude ao remdio,a fim de que seja uma couraa para o meu corpo,que assim eu veja por muito tempo o sol!Vs, guas, levai daqui isto,este pecado, qualquer que ele seja, que eu cometi,esta injustia que fiz a quem quer que seja, este falso juramento que proferi.

    (a partir da traduo francesa de Jean Varenne, VEDV, 137)

  • unidade 2 57

    PARA SABERES MAIS

    Denominam-se Vedas os quatro primeiros livros religiosos doHindusmo, uma religio muito antiga do Oriente, escritos em snscrito, cerca do ano 1500 a.C. No primeiro Veda o Rig Veda ou Livro dos Hinos so exaltadas as guas que trazem a vida, a pureza e a fora, tanto para o corpo como para esprito.

    Na Religio Islmica, os crentes no entram no templo sem purificar o corpo.

    A gua muitas vezes referida na Bblia, livro sagrado do Judasmo e do Cristianismo. Nela, surge enquanto elemento presente na criao so as guas da criao.

    Quando todas as coisas foram criadas, a gua j existia; foi, portanto, o elemento primordial a partir do qual tudo foi feito.

    Mas a Bblia tambm alude gua noutros contextos, nomeadamente, a gua enquanto elemento indispensvel prosperidade, por exemplo na agricultura e na pesca, como elemento necessrio vida e como elemento purificador. Tambm surge ligada presena de Deus.

    Hindus a banharem-se no rio Ganges, ao pr-do-sol

    CONSULTA NA BBLIA

    Gn 1, 2; 2, 1.5; 21, 15-19;

    Zc 14, 8

  • unidade 258

    No Cntico dos trs jovens (trs israelitas que foram salvos da fogueira pela aco de Deus), a gua est inserida no contexto de toda a criao. Ela, que esteve presente na origem da vida, tambm obra do Criador e, por isso, chamada a louv-lo. Este cntico, do livro de Daniel (Antigo Testamento) integrou a gua em todos os seus estados e nos diferentes lugares em que est presente na natureza.

    CNTICO DOS TRS JOVENS

    guas e tudo o que est acima dos cus, bendigam o Senhor, a ele a glria e o louvor eterno!

    64 Chuvas e orvalhos, bendigam o Senhor, aele a glria e o louvor eterno!68 Orvalhos e geadas, bendigam o Senhor, aele a glria e o louvor eterno!70 Gelos e neves, bendigam o Senhor, a ele aglria e o louvor eterno!

    77 Mares e rios, bendigam o Senhor, a ele aglria e o louvor eterno!78 Fontes, bendigam o Senhor, a ele a glria eo louvor eterno!79 Monstros marinhos e animais que semovem nas guas, bendigam o Senhor, a ele a glria e o louvor eterno!

    Dn 3, 60. 64. 68. 70.77-79

    PARA SABERES MAIS

    Em hebraico no existe a palavra gua no singular.

    Esta apresenta-se sempre

    no plural guas. Diz-se

    maim, cuja pronncia

    lembra a palavra me em

    portugus. E cu (shamaim,

    em hebraico) significa: l

    tem guas.

    A gua um termo feminino que representa

    a fertilidade. Segundo a

    tradio judaica, a vida

    comeou nas guas.

    Dn

    Neve na Rua Carcel, por Paul Gauguin

    60

  • unidade 2 59

    Na Bblia, o Livro dos Provrbios o primeiro e o mais representativo documento da literatura sapiencial de Israel. Trata-se de uma antologia de provrbios, de origens e datas diferentes, que abrange o perodo de tempo que vai do sc. X ao sc. V a.C. Este livro transmite ensinamentos morais, que visam aconselhar e educar. Sendo textos de grande riqueza literria, so, em parte, atribudos ao Rei Salomo por ser tradicionalmente considerado um rei dotado de grande sabedoria.

    PROVRBIOS

    vento norte traz a chuva; a m lngua provoca a clera dos outros.25 Uma boa notcia que vem dum pasdistante como gua fresca para uma boca

    sedenta.26 Como uma nascente ou uma fonte com a gua

    suja, assim o inocente que tem medo diante do

    culpado.

    Pr 25, 23.25s

    1 Honrarias para um insensato so to imprprias

    como neve no vero e chuva no tempo das

    colheitas.

    Pr 26,1

    VOCABulRIO

    Sapiencial: Conjunto de textos que, na Bblia, est representado pelo livro dos Provrbios, de Job, de Eclesiastes, do Eclesistico e da Sabedoria. A estes so acrescentados dois livros poticos: Salmos e Cntico dos Cnticos. So textos que pretendem educar e transmitir uma mensagem moral com o objectivo de orientar a vida das pessoas.

    Provrbios: Pensamentos, mximas, adgios. Antologia: Compilao de textos.

    Pr

    23

  • unidade 260

    Na literatura O gole de gua que sacia a sede, depois de uma longa caminhada,

    reconforta o corpo, e traz um novo significado ao simples gesto de beber gua. Esta alegria desperta-nos os sentidos para o som e o movimento da gua. Tambm nos podemos ver no seu reflexo, como num espelho. Tomada depois de um grande esforo ou quando escassa, liberta em ns a alegria de uma festa. fcil reconhecer-lhe estas propriedades, que assumem caractersticas espirituais.

    O POO

    O poo que tnhamos descoberto no se parecia com poos saarianos. Os poos saarianos so simples buracos cavados na areia. Este assemelhava-se a um poo de aldeia. Mas no havia ali nenhuma aldeia, e parecia-me estar a sonhar.

    estranho! disse eu ao principezinho. Est tudo pronto: aroldana, o balde e a corda...

    Ele riu, pegou na corda, fez girar a roldana. E a roldana gemeu como geme o velho cata-vento quando o vento esteve muito tempo adormecido.

    Ouves? perguntou o principezinho. Despertmos este poo eele canta...

    No queria que ele fizesse esforos: Deixa-me ser eu a fazer isso disse-lhe eu. demasiado pesado

    para ti.Lentamente icei o balde at ao bocal do poo. E pu-lo ali bem a prumo.

    Nos meus ouvidos prolongava-se o canto da roldana e na gua que tremia ainda, via tremer o sol.

    Tenho sede desta gua disse o principezinho. D-me de beber...

    E compreendi o que ele tinha procurado!Ergui o balde altura dos seus lbios. Ele

    bebeu, de olhos fechados. Era suave como uma festa. Aquela gua era bem mais do que um alimento. Nascera da caminhada sob as estrelas, do canto da roldana, do esforo dos meus braos. Era boa para o corao, como um presente. Quando eu era rapazinho, a luz da rvore de Natal, a msica da missa da meia-noite, a suavidade dos sorrisos faziam brilhar assim o presente de Natal que eu recebia.

    Antoine de Saint-Exupry. O Principezinho

  • unidade 2 61

    Na sabedoria popular tambm se revela, atravs dos provrbios, o conhecimento que o povo tem das propriedades da gua, recorrendo a imagens ricas, relaciona-as com regras sociais ou morais.

    PROVRBIOS

    1. Quem no poupa gua e lenha, no poupa nada que tenha.2. A gua fervida tem mo na vida.3. A gua lava tudo, menos quem se louva e as ms-lnguas.4. guas passadas no movem moinhos.5. gua mole em pedra dura tanto bate at que fura.

    Provrbios Populares Portugueses

    Tambm na literatura portuguesa h muitas referncias gua. Podemos encontr-las em vrios textos literrios, que demonstram a importncia da relao dos portugueses com a gua. A nossa localizao geogrfica permitiu-nos desenvolver actividades piscatrias martimas, bem como partir descoberta de novos mundos. A literatura portuguesa relatou, em vrios momentos, as proezas e as aventuras dos Portugueses. Lus Vaz de Cames, na sua obra Os Lusadas, uma obra de referncia mundial, cantou a grande epopeia dos Portugueses nos Descobrimentos.

    O poeta Fernando Pessoa, no seu poema Mar Portugus, refere as dificuldades que os portugueses tiveram de vencer, quando enfrentaram o poder do mar.

    Encontramos muitos outros textos, em lngua portuguesa, que falam da gua. Tambm a poetisa brasileira Cleonice Rainho escreveu um belo poema sobre a gua e as suas muitas utilizaes em benefcio do ser humano.

    61

    PARA SABERES MAIS

    Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, em 1888, e morreu na mesma cidade, em 1935. considerado um dos maiores poetas de lngua portuguesa. O seu poema Mar Portugus faz parte de um livro com o ttulo Mensagem, publicado no ano anterior sua morte.

    Rplica dos Navios Portugueses dos Descobrimentos

    Fernando Pessoa, Parque dos Poetas

  • unidade 262

    A GuA

    Subterrnea e purificadapor um filtro natural,a gua vem,jorra nas fontes,faz gluglu nas torneiraspara nosso bem.

    gua de silnciodos remansos e lagos,mar, rio, cachoeiraque se despenhaem borbotes fora motrize energia tambm.

    Na pia baptismal,no corpo e no campo,na flor e no fruto,na seiva e no sumo,no orvalho e no vinho,a guafaz leito e caminhode bela misso.

    Cleonice Rainho (poetisa brasileira)

    MAR PORTuGuS

    mar salgado, quanto do teu salSo lgrimas de Portugal!Por te cruzarmos, quantas mes choraram,Quantos filhos em vo rezaram!Quantas noivas ficaram por casarPara que fosses nosso, mar!

    Valeu a pena? Tudo vale a penaSe a alma no pequena.Quem quer passar alm do BojadorTem que passar alm da dor.Deus ao mar o perigo e o abismo deu,Mas nele que espelhou o cu.

    Fernando Pessoa. Mensagem

    VOCABULRIO

    Remanso: Sossego. Cachoeira: Cascata. Borbotes: Jacto de

    lquido.

    Fora motriz: Fora que faz mover.

    VOCABULRIO

    Bojador: Cabo que se situa na costa ocidental de

    frica. A primeira passagem

    pelo Bojador deve-se a

    Gil Eanes, em 1434. Antes

    deste navegador o ter

    passado, julgava-se que era

    intransponvel.

  • Os seres humanos so os nicos seres capazes de reflectir sobre a importncia da gua. Nas diferentes culturas, so atribudos gua significados simblicos. uma representao universal de fertilidade, de fecundidade e de purificao.

    A gua tambm utilizada nos ritos comunitrios de vrias religies e culturas. Simboliza, habitualmente, a purificao da pessoa e a sua admisso num determinado grupo.

    SIMBOlOGIA JuDAICO-CRIST

    unidade 2 63

    VOCABulRIO

    Cultura: Conjunto de conhecimentos, leis, tradies, artes, costumes e manifestaes religiosas que definem um determinado grupo constitudo em sociedade.

    Fertilidade: Capacidade de produzir ou de se reproduzir; fecundidade. Ritos: Conjunto de cerimnias que se praticam numa religio, com a

    inteno de ligar as pessoas ao Sagrado. Smbolo: Elemento visvel que remete para outras realidades (ex.: o sinal

    de sentido proibido remete para a proibio de circular numa via em determinado sentido).

  • unidade 264

    O Dilvio e a Arca de No

    A Bblia conta, no Livro do Gnesis, a seguinte histria: h milhares de anos, tendo Deus verificado que todos os seres humanos se tinham afastado do caminho do bem, fez cair uma chuva muito intensa e prolongada que inundou toda a superfcie da Terra o Dilvio universal. Apenas se salvaram, dentro de uma arca, No e a sua famlia, assim como um casal de animais de cada espcie. No era um homem bom e honesto, por isso Deus poupou-o terrvel catstrofe.

    Esta histria simblica pretende dizer-nos que a gua teve um efeito purificador e que a humanidade pde ento renascer para uma vida verdadeiramente humana, de acordo com a vontade de Deus. A arca tambm simboliza a proteco de Deus contra toda a destruio; uma espcie de paraso onde convivem todos os animais numa relao de harmonia com o ser humano. O arco-ris, que apareceu aps o dilvio, simboliza a aliana de Deus com a humanidade (por isso que antigamente se chamava arco-da-velha ao arco-ris, por ser o arco da velha aliana).

    O poema que se segue, de um poeta brasileiro, tem como tema fundamental o fim do dilvio e a repovoao da terra.

    CONSULTA NA BBLIA

    Gn 7, 1-5. 17-24; 8, 1-5.

    15-19

    CAMINHA NA NET

    Faz uma pesquisa na Internet

    sobre histrias de dilvios

    nas culturas hebraica, grega,

    hindu, babilnica, inca e

    maia.

    Arca de No - Os animais saem da arca, por Jacob Boutatts

  • unidade 2 65

    A ARCA DE NO

    Sete em cores, de repenteO arco-ris se desataNa gua lmpida e contenteDo ribeirinho da mata.

    O sol, ao vu transparenteDa chuva de ouro e de prataResplandece resplendenteNo cu, no cho, na cascata.

    E abre-se a porta da ArcaDe par em par: surgem francasA alegria e as barbas brancasDo prudente patriarca

    No, o inventor da uvaE que, por justo e tementeJeov, clementementeSalvou da praga da chuva.

    To verde se alteia a serraPelas planuras vizinhasQue diz No: Boa terraPara plantar minhas vinhas!

    E sai levando a famliaA ver; enquanto, em bonanaColorida maravilhaBrilha o arco da aliana.

    Ora vai, na porta abertaDe repente, vacilanteSurge lenta, longa e incertaUma tromba de elefante.

    E logo aps, no buracoDe uma janela, apareceUma cara de macacoQue espia e desaparece.

    Enquanto, entre as altas vigasDas janelinhas do stoDuas girafas amigasDe fora a cabea botam.

    Grita uma arara, e se escutaDe dentro um miado e um zurroLate um cachorro em disputaCom um gato, escouceia um burro.

    A Arca desconjuntadaParece que vai ruirAos pulos da bicharadaToda querendo sair.

    Vai! No vai! Quem vai primeiro?As aves, por mais espertasSaem voando ligeiroPelas janelas abertas.

    Enquanto, em grande atropeloJunto porta de sadaLutam os bichos de ploPela terra prometida.

    Os bosques so todos meus!Ruge soberbo o leoTambm sou filho de Deus!Um protesta; e o tigre No!

    Afinal, e no sem custoEm longa fila, aos casaisUns com raiva, outros com sustoVo saindo os animais.

    Os maiores vm frenteTrazendo a cabea erguidaE os fracos, humildementeVm atrs, como na vida.

    Conduzidos por NoEi-los em terra benquistaQue passam, passam atOnde a vista no avista.

    Na serra o arco-ris se esvai...E... desde que houve essa histriaQuando o vu da noite caiNa terra, e os astros em glria

    Enchem o cu de seus caprichos doce ouvir na caladaA fala mansa dos bichosNa terra repovoada.

    Vincius de Moraes. A Arca de No

    65

  • unidade 266

    Nuvem

    CONSULTA NA BBLIA

    Ex 13, 21-22; Ex 24, 15-16 Mt 17, 1-8

    PARA SABERES MAIS

    O povo bblico introduziu e assimilou algumas tradies e smbolos de povos com os quais contactou. Tambm encontramos a simbologia da nuvem na tradio sumria do deus que viajava, utilizando para tal as nuvens.

    Moiss significa possivelmente salvo das guas; o nome ter-lhe-ia sido atribudo porque foi recolhido pela filha do Fara das guas do rio Nilo (Ex. 2, 1-10).

    ogo que Moiss entrava na tenda, a coluna de nuvem descia e mantinha-se entrada, e o Senhor falava com Moiss.

    Ex 33, 9

    Nos textos bblicos, a nuvem simboliza a presena de Deus. Neles narram-se acontecimentos em que Deus se manifesta ao povo de Israel atravs das nuvens, com o objectivo de o guiar.

    Ex

    A Transfigurao, por Giovanni Lanfranco

    9

  • unidade 2 67

    FonteA fonte ou nascente o local de onde surge a gua, como ddiva

    para todos os que dela precisam. Nela podemos saciar a nossa sede. Dela surgem os cursos de gua, os riachos, os ribeiros, os rios...

    Nas nascentes, a gua pura e jorra como se tivesse vida.

    CONSULTA NA BBLIA

    Zc 13, 1; 14, 8 Sl 23(22), 1-2

    Senhor respondeu-lhe: Coloca-te frente do povo e faz-te acompanhar de alguns ancios de Israel. Leva tambm a vara com que bateste no rio e segue em frente.

    6Eu estarei tua espera junto do monte Horeb, em cima do rochedo. Bate com a vara no rochedo e dele sair gua para o povo beber.

    Ex 17,5-6

    DO ROCHEDO BROTA A GuA

    Ex

    5

  • unidade 268

    PeixeA gua o ambiente natural dos peixes. Por isso, estes aparecem,

    naturalmente, como o smbolo desse elemento. O peixe um dos primeiros smbolos utilizados pelos cristos para se identificarem. Logo aps a morte de Jesus, este smbolo era utilizado quando se referiam a Jesus Ressuscitado.

    Quando os cristos comearam a ser perseguidos, passou a ser usado como sinal secreto para comunicarem uns com os outros. Surgiram assim desenhos de peixes nas casas, nas roupas e nos tmulos dos primeiros cristos.

    PARA SABERES MAIS

    Na lngua grega, que era a lngua mais falada, quando o Cristianismosurgiu, a palavra peixe soava mais ou menos assim: ictys. essa a origem da palavra portuguesa ictiologia, que quer dizer estudo dos peixes. Cada uma das cinco letras dessa palavra grega correspondia inicial das palavras Jesus Cristo, (de) Deus Filho, Salvador (ou seja: Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).

    ICTHYS PEIXE

    Iesus Jesus Cristos Cristo Theou (de) Deus Yios Filho Soter Salvador

    PARA SABERES MAIS

    Os cristos das primeiras

    comunidades, quando

    queriam saber se

    determinada pessoa

    acreditava em Jesus,

    desenhavam um arco. Se a

    outra pessoa fosse crist,

    desenhava um outro arco

    a cruzar-se com esse,

    formando-se assim a imagem

    de um peixe.

    Pormenor do Medalho de Thalassa na nave da Igreja dos Apstolos, Salamanca

  • Jesus aproveita muitos acontecimentos da vida quotidiana para transmitir a sua mensagem. No Evangelho segundo S. Joo, relata-se o dilogo que Jesus teve com uma mulher samaritana. S. Joo foi um dos seus discpulos, tendo presenciado os seus comportamentos e os seus ensinamentos durante perto de trs anos. Para melhor compreenderes esse texto, importante que conheas um pouco da histria do povo de Israel.

    No sculo VIII a.C., os assrios um povo que vivia perto da Palestina invadiram e conquistaram a Samaria, uma regio de Israel. Muitos samaritanos foram deportados e substitudos por populaes assrias. As famlias assrias misturaram-se com as samaritanas e introduziram em Israel muitos costumes da sua civilizao, que eram contrrios f de Abrao e de Moiss, na qual os judeus acreditavam. Este acontecimento originou uma diviso profunda entre judeus e samaritanos, diviso que se foi agravando e se prolongou at ao tempo de Jesus.

    Os samaritanos desse tempo adoravam um Deus nico como os judeus, respeitavam o dia de Sbado por ser o dia do Senhor, mas s aceitavam como sagrados os cinco primeiros livros da Bblia, a Tor.

    JESuS A GuA DA VIDA

    Mapa da Palestina

    unidade 2 69

    VOCABULRIO

    Deportar: Expulsar do seu pas.

  • unidade 270

    Os judeus nunca perdoaram o facto de os samaritanos terem sido influenciados por costumes pagos. Judeus e samaritanos eram, pois, irmos que no se falavam. Se observares bem o mapa da Palestina, podes verificar que para se deslocarem entre a Judeia e a Galileia os judeus tinham de atravessar a Samaria. Foi neste contexto que So Joo relatou o episdio do encontro com a samaritana.

    Neste texto relevante o facto de Jesus se ter dirigido em pblico a uma mulher. No s era samaritana, como era mulher, e naquele tempo no se aceitava que um homem falasse em pblico com uma mulher. A sociedade era patriarcal, fundada no poder dos homens, por isso o espao das mulheres era apenas o da vida familiar, o espao da casa. Jesus rompeu com estas tradies: para ele, um samaritano era to digno como uma pessoa de qualquer outra regio, uma mulher era to digna como qualquer homem.

    Jesus junto ao poo com a Samaritana, por Gustave Dor

    Narrador Cansado da caminhada, Jesus sentou-se, beira do poo. Era por volta do meio-dia. Nisto, chegou uma mulher samaritana que ia tirar gua ao poo.

    JesusD-me de beber.

    SamaritanaMas tu s judeu! Como que te atreves a pedir-me gua a mim que sou samaritana?

    JesusSe tu soubesses aquilo que Deus tem para dar e quem aquele que te est a pedir gua, tu que havias de lha pedir, e ele dava-te gua viva.

    SamaritanaNem sequer tens um balde e o poo fundo! Donde que tiras a gua viva?

    JesusQuem bebe desta gua volta a ter sede, mas quem beber da gua que eu lhe der, nunca mais h-de ter sede. A gua que eu lhe der torna-se dentro dessa pessoa numa fonte que lhe d a vida eterna.

    SamaritanaSenhor, d-me ento dessa gua, para eu nunca mais ter sede, nem precisar de vir buscar gua a este poo.

    Cf. Jo 4, 6-11.13-14.16

    JESuS E A MulHER SAMARITANA

    Cf Jo

  • unidade 2 71

    Jesus apresenta-se Samaritana como aquele que d a gua Viva. De que gua se trata? Estaria Jesus a falar da gua do poo, como a mulher interpreta? Certamente que no. Para os cristos, ele a Fonte de gua Viva. A gua importante para saciar a sede. Mas a gua no mata definitivamente a sede das pessoas. Jesus Fonte de gua Viva sacia eternamente a sede da humanidade. Neste texto, Jesus no est a falar da sede do corpo, mas de tudo aquilo que ns desejamos espiritualmente e de que temos necessidade para vivermos uma vida com sentido. Jesus vem dar sentido vida. Quem experimenta a sua presena no deseja mais nada, porque, quando ele est connosco, Deus torna-se presente.

    Baptismo de Jesus por Joo Baptista, Igreja de Madeleine, Paris

    Na vida de Jesus, h outras ocasies em que encontramos referncias gua. Uma das mais importantes o acontecimento do baptismo de Jesus.

    Junto do rio Jordo, muitas pessoas respondiam aos apelos de um homem que os aconselhava a mudar de vida, a praticarem o bem. Esse homem chamava-se Joo e era conhecido por Baptista, devido ao facto de baptizar aqueles que aceitavam os seus conselhos. Baptizar significa mergulhar na gua. Antigamente era mesmo assim que se realizavam os baptismos e o rito ainda praticado deste modo por alguns grupos religiosos. Um dia, tambm Jesus se aproximou de Joo para ser baptizado nas guas do rio Jordo. Este acontecimento -nos relatado nos Evangelhos.

  • unidade 272

    O BAPTISMO DE JESuS

    oo dizia assim ao povo: Depois de mim vir algum com mais autoridade do que eu, e nem sequer mereoa honra de me curvar diante dele para lhe desatar as correias das sandlias. 8Eu baptizo-vos com gua, mas ele h-de baptizar-vos com o Esprito Santo.

    9 Por essa altura, veio Jesus duma povoao chamada Nazar, na provncia da Galileia, e foi baptizado por Joo Baptista no rio Jordo. 10No momento em que saa da gua, Jesus viu abrir-se o cu e o Esprito Santo a descer sobre ele, como uma pomba, 11e ouviu uma voz do cu: Tu s o meu Filho querido: tenho em ti a maior satisfao.

    Mc 1, 7-11

    Joo baptizava para purificar do mal as pessoas que o procuravam. J que a gua tambm serve para lavar, o baptismo significa simbolicamente a lavagem da conscincia humana, a purificao de todo o mal praticado. Jesus no precisava desta purificao, porque nele no havia mal, mas quis passar por este rito antes de comear a sua misso.

    Este momento da sua vida foi muito importante: Deus manifestou a todos os que estavam presentes que Jesus era o seu Filho muito querido, que vinha em seu nome, para trazer a boa notcia da salvao.

    Este acontecimento marcou assim o incio de uma vida nova para Jesus: a partir da, ele comeou uma fase da sua vida a que costume chamar-se vida pblica. Deixou a sua casa, a terra onde vivia, a sua famlia e o seu trabalho. Depois de ter sido baptizado por Joo, percorreu o pas, ensinando a mensagem do amor infinito de Deus e chamando todos a uma mudana radical de vida, porque a vontade de Deus que todos se amem e sejam solidrios uns com os outros.

    CONSULTA NA BBLIA

    Mt 3, 13-17; Lc 3, 21-22

    Pormenor do Baptismo de Cristo, por Giotto

    Mc

    7

  • unidade 2 73

    O baptismo cristo usa a gua como elemento simblico fundamental.

    Jesus refere-se vida nova que se recebe no baptismo, na conversa que tem com Nicodemos, um fariseu, membro do Sindrio. Como muitos homens do seu tempo, procurou Jesus porque acreditava que ele tinha sido enviado por Deus. De facto, todas as suas obras eram sinais da presena de Deus.

    Nicodemos era um homem importante na sociedade da poca, por isso preferiu ser discreto, procurando Jesus de noite.

    CONSULTA NA BBLIA

    Jo 7, 50-52; 19, 39

    Baptismo de uma criana pelo Papa Bento XVI

    avia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, que era um dos chefes dos judeus.2 Certa noite foi ter com Jesus e disse-lhe:Mestre, sabemos que Deus te enviou para nos ensinares. Ningum pode fazer as obras que tu fazes, se Deus no estiver com ele.3 Jesus respondeu-lhe: Fica sabendoque ningum pode ver o Reino de Deus se no nascer de novo. 4 Nicodemos perguntou-lhe ento: Como que um homem idoso pode voltar a nas