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  • A Revoluo Francesa explicada minha neta

    m i c h e l v o v e l l e

    A Revoluo feita de sombra, mas, acima de

    tudo, de luz. Ela foi de uma enorme violncia,

    mas [...] foi, e continua sendo, a base para uma

    enorme esperana, a esperana de mudar o

    mundo, eliminando as injustias, em nome das

    luzes da razo e no de um fanatismo cego.

    Michel Vovelle, um dos maiores historiadores franceses

    contemporneos, foi professor emrito da Universidade de

    Paris-i, ex-diretor do Instituto de Histria da Revoluo.

    Autor de Combates pela Revoluo Francesa, Jacobinos e

    jacobinismo e Ideologias e mentalidades. coautor de Reflexes

    sobre o saber histrico, publicado pela Editora Unesp.

    Traduo Fernando Santos

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  • A Revoluo Francesa explicada

    minha neta

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  • FUNDAO EDITORA DA UNESP

    Presidente do Conselho Curador Mrio Srgio Vasconcelos

    Diretor-Presidente Jzio Hernani Bomfim Gutierre

    Superintendente Administrativo e Financeiro William de Souza Agostinho

    Conselho Editorial Acadmico Danilo RothbergJoo Lus Cardoso Tpias CeccantiniLuiz Fernando AyerbeMarcelo Takeshi YamashitaMaria Cristina Pereira LimaMilton Terumitsu SogabeNewton La Scala JniorPedro Angelo PagniRenata Junqueira de SouzaRosa Maria Feiteiro Cavalari

    Editores-Adjuntos Anderson Nobara Leandro Rodrigues

    Iowan_Esquerda_12x21.indd 1 16/04/2018 17:21:04

  • Michel Vovelle

    A Revoluo Francesa explicada

    minha neta

    Traduo Fernando Santos

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  • ditions du Seuil, 2006

    Ttulo original em francs La RvolutionFranaise explique ma petite-fille

    2005 da traduo brasileira:

    Fundao Editora da Unesp (FEU)Praa da S, 10801001-900 So Paulo SPTel.: (0xx11) 3242-7171Fax: (0xx11) 3242-7172www.editoraunesp.com.brwww.livrariaunesp.com.brfeu@editora.unesp.br

    CIP Brasil. Catalogao na fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

    V9534

    Vovelle, Michel, 1933- A Revoluo Francesa explicada minha neta/Michel Vo-velle; traduo Fernando Santos. So Paulo: Editora UNESP, 2007.

    Traduo de: La Rvolution Franaise explique ma petite-fille

    ISBN 978-85-7139-776-7

    1. Frana Histria Revoluo, 1789-1799. 2. Frana Civilizao 1789-1799. 3. Frana Condies sociais Sculo XVIII. I. Ttulo.

    07-2526. CDD: 944.04 CDU: 94(44) 1789/1799

    Editora afiliada:

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  • Gabrielle, que mora em Pisa, na Itlia, con cordou em dedicar algumas horas, durante suas frias na Frana, para examinar comigo, seu av, essa Revolu-o Francesa que eu ensinei durante quarenta anos. Se formos bem-sucedidos, ser uma forma de nos conhecermos melhor...

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  • A Gabrielle, minha primeira neta,cmplice destas conversas;

    queles que ainda vo crescer,Marie, Camille, Matthieu, Guillaume,

    e a todos os outros...

    Guardo carinhosamente a medalhadeixada por meu pai, Gatan Vovelle, professor

    primrio (1899-1969), a qual traz a seguinte inscrio: Todas as crianas

    do mundo so meus filhos.

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  • Sumrio

    1. Revoluo Francesa: uma revoluodiferente das outras 9

    2. Por que aconteceu a Revoluo? 21

    3. Uma monarquia constitucional 39

    4. A queda da monarquia 57

    5. A Primeira Repblica 67

    6. O Diretrio: terminar a Revoluo? 85

    Concluso: A sombra e a luz da Revoluo 99

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  • 9

    Captulo 1

    Revoluo Francesa: uma revoluo diferente

    das outras

    Voc ouviu falar da nossa GrandeRevoluo? Isso significa algo para voc?

    Pouca coisa; com catorze anos, acabeide pas sar para o Curso Clssico, e ainda no estu dei essa matria.

    No se preocupe. Mesmo que j tenhamouvido falar do assunto, tenho certeza de que, para um grande nmero de estudan-tes franceses de sua idade, trata-se de uma histria complicada e distante, cheia de acontecimentos e de personagens. Alphonse Aulard, um historiador que viveu h mais de cem anos, escreveu: Para compreender

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  • Michel Vovelle

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    a Revo luo Francesa preciso am-la. Primeiro vamos tentar compreend-la; de-pois veremos se, no final do jogo, ns a amamos... Para isso, seria bom se voc me fizesse perguntas...

    Mas eu no sei direito o qu perguntar...

    Eu bem que desconfiava; mas tenhocer teza de que as perguntas surgiro: s comear bem.

    Vov, o que uma revoluo?

    Voc comeou a estudar latim; j ouviufalar de Esprtaco? Esprtaco vivia na Anti-guidade, no tempo da Repblica romana, antes da nossa era. Sendo ele mesmo um escravo, liderou a revolta dos escravos con-tra seus senhores. Mas os escravos foram derrotados e mortos. A revolta de Esprtaco deixou sua marca na histria, mas uma en tre as milhares de revoltas dos oprimidos contra os opressores.

    A Revoluo Francesa uma revolta de es-cravos como a de Esprtaco?

    No, a Revoluo Francesa ocorre em1789 em meio a uma srie de revolues em Genebra, na Blgica, nos Pases Baixos...

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  • A Revoluo Francesa explicada minha neta

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    A mais importante a revoluo norte-ame-ri cana, isto , a revolta das treze colnias in glesas da Costa Leste da Amrica do Norte contra sua metrpole, entre 1776 e 1783. Ela deu origem aos Estados Unidos de hoje. Di-ferentemente da revolta, a revoluo muda o curso da histria em um pas.

    A Revoluo Francesa, ento, apenas umarevoluo como as outras?

    De fato, uma revoluo entre outras, ens, franceses, sempre fomos criticados por querer trat-la, orgulhosamente, como algo parte, atribuindo-lhe uma importncia especial. Para compreender, porm, pre-ciso comear examinando como e por que tudo comeou. E a resposta no simples. Desde o comeo, os revolucionrios deram o nome de Antigo Regime ao mundo queeles haviam destrudo, como se quisessemvirar a pgina e comear uma nova aven-tura. Esse Antigo Regime era o reino daFrana, uma monarquia sob o reinado deLus XVI e de sua esposa, Maria Antonieta.Lus XVI no era uma m pessoa; emborano tivesse grandes qualidades, era bem in-tencionado. Ele no conseguiu manter seusministros competentes Turgot, Necker etc.

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  • Michel Vovelle

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    nem defender as reformas propostas poreles. Isso porque havia uma forte resistncia por parte dos privilegiados, e a crise era grave.

    O que quer dizer privilegiados?

    Na Frana do Antigo Regime no haviaigualdade; a sociedade estava dividida em ordens, que tinham mais ou menos privi-lgios: frente vinha o clero, a Igreja Cat-lica, a nica que tinha o direito de ensinar a religio, mas que tambm era muito rica em terras e rendas. Mais ricos ainda eram os aristocratas, que compunham a ordem da nobreza. Eram proprietrios de pelo menos um quarto das terras, favorecidos por privilgios honorficos e tambm fis-cais. Orgulhosos de seus ttulos, serviam nos exrcitos do rei, mas na maior parte do tempo ficavam sem fazer nada em seus castelos ou na cidade, sendo que os mais notveis moravam na corte do rei, em Ver-salhes. Entre eles havia alguns muito ricos e outros menos. Alguns haviam conquistado seu ttulo de nobre adquirindo um cargo de magistrado: era a nobreza togada. Quer sua nobreza fosse antiga ou recente, as rei-vindicaes dos nobres tinham origem na poca medieval do feudalismo, isto , de um

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  • A Revoluo Francesa explicada minha neta

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    perodo em que a estrutura poltica do reino estava baseada em relaes de vassalagem: o proprietrio do feudo, chamado vassalo, etodos que ali viviam e trabalhavam deviamfidelidade e respeito ao senhor, em geral umnobre. Esses senhores haviam dominado umcampesinato de servos, camponeses ligados terra que deviam torn-la produtiva. No fi-nal do sculo XVIII, porm, quase no haviamais servos na Frana: os camponeses eramlivres e geralmente donos de suas proprie-dades, que representavam, no total, quasemetade das terras da Frana. Continuavamexistindo, entretanto, as obrigaes e astaxas: eram os direitos feudais e de senho-rio, pagos em dinheiro ou em espcie, osquais s vezes eram muito pesados, comoa jugada aps a colheita, os enviadosdo senhor reco lhiam dos campos um feixeem cada dez, ou em cada doze ou catorze.Os senhores haviam conservado direitoshonorficos, sua prpria justia, seus lugaresna igreja e o direito de caa.

    Como os camponeses suportavam isso?

    Como aguentavam quase todo o pesodos impostos reais, eles sofriam muito com as humilhaes. Eles se mobilizavam

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  • Michel Vovelle

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    para defender seus direitos, que os nobres tinham a tendncia de usurpar, chegando s vezes a se revoltar: em especial nas pocas de escassez, para protestar contra o alto pre-o do po. E eles no eram os nicos, pois tanto para os operrios das cidades quanto para eles o po era o alimento principal, consumindo metade do salrio dirio de uma famlia. Voc, que no pode comer po em ex cesso,