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  1. 1. 1 KEFIR: UMA NOVA FONTE ALIMENTAR FUNCIONAL? Ferlando Lima Santos Edleuza Oliveira Silva Adna Oliveira Barbosa Joseane Oliveira Silva Resumo: Os alimentos funcionais so a nova tendncia da indstria de alimentos, em consequncia da comprovao cientfica das relaes existentes entre alimentos e sade e, sobretudo, do interesse do consumidor por novas alternativas que previnam as doenas crnicas no transmissveis, como as cardiovasculares, certos tipos de cncer, alergias, problemas intestinais entre outros. De olho nesse mercado, o setor de laticnios vem desenvolvendo novos produtos em que a funcionalidade o atributo principal. At recentemente, o consumo de produtos lcteos esteve baseado em iogurtes e queijos, no entanto, o futuro aponta para o uso de produtos probiticos. Esses alimentos funcionais so suplementos elaborados base de microorganismos vivos que afetam beneficamente a sade do hospedeiro. Mas, tendo em vista os preos de comercializao, esses produtos so consumidos geralmente por indivduos de alto poder aquisitivo. O esforo dos pesquisadores deveria se concentrar, tambm, no desenvolvimento de produtos funcionais para as classes menos favorecida da populao, promovendo uma incluso funcional dos produtos probiticos. Em oposio, o kefir apresenta baixssimo custo de produo, alm das caractersticas funcionais dos probiticos. Diante desse contexto, este trabalho tem como objetivo demonstrar a viabilidade da utilizao do kefir na alimentao diria da populao brasileira, sobretudo as de baixa renda, que sofrem de insegurana alimentar, podendo atender as suas necessidades nutricionais e funcionais. A seguir, o kefir contextualizado no mbito cientfico e social, para, em seguida, apresentar um relato de experincia desenvolvido no Recncavo da Bahia. Palavras-chave: Quefir; Alimentos Funcionais; Consumidor; Microorganismos. Abstract: Functional foods are the new trend in the food industry as a result of scientific evidence of the relationship between food and health, and especially of consumers interest for new alternatives to prevent chronic diseases such as cardiovascular diseases, certain types of cancer, allergies, intestinal problems among others. Aiming this market, the dairy industry has been developing new products in which the functionality is the main attribute. Until recently, the use of dairy products has been based on yoghurt and cheese, however, the future points to the use of probiotic products. These functional food supplements are designed based on live microorganisms that affect hosts health positively. But, by analyzing their market prices, these products are usually consumed by individuals with high purchasing power, the researchers' efforts should focus also on developing functional products for the less privileged classes of the population, promoting an "functional inclusion" of probiotic products. In contrast, kefir has a very low cost of production, and probiotics functional characteristics. In this context, this paper aims to demonstrate the
  2. 2. 2 feasibility of kefirs use in the daily diet of the population, especially low-income, food insecurity and can meet their nutritional and functional needs. Next, kefir is contextualized in the scientific and social ambit, to then submit an experience report developed at Reconcavo of Bahia. Keywords: Quefir; Functional Food; Consumer; microorganisms 1 CONSIDERAES INICIAIS Os consumidores preocupados com a sade esto cada vez mais buscando alimentos funcionais num esforo para melhorar sua prpria sade e o bem-estar. Nos ltimos anos, o desenvolvimento de novas tecnologias, sobretudo nas reas de biotecnologia e processamento de alimentos, possibilitou a indstria de alimentos o desenvolvimento de novos produtos, tendo em vista as perspectivas de ganhos nesta rea. Por exemplo, nos Estados Unidos, esse mercado movimenta cerca de 15 bilhes de dlares por ano. No Brasil, existe, pois, um mercado ainda em desenvolvimento para os alimentos funcionais (VIEIRA, 2006; SANTOS, 2011). Os alimentos funcionais so aqueles que apresentam substncias com distintas funes biolgicas, denominadas componentes bioativos, capazes de modular a fisiologia do organismo, garantindo a manuteno da sade. Hoje, sabe- se que a microbiota intestinal composta por cerca de 100 trilhes de bactrias e por mais de 400 diferentes espcies, constituindo-se em um ecossistema de alta complexibilidade, que abriga bactrias benficas e patognicas em harmonia. Embora a composio da microbiota intestinal seja estvel em indivduos saudveis, ela pode ser alterada por diversos fatores, como a dieta, os antibiticos, as doenas, o estresse, as drogas, a quimioterapia, o estado fisiolgico, o envelhecimento, entre outros (GOLDIN et al., 1994; HOLZAPFEL e SCHILLINGER, 2002). Diante dessa realidade, os lactobacilos e as bifidobactrias, pertencentes ao grupo de bactrias benficas, esto sendo utilizadas como probiticos para o equilbrio da microbiota intestinal nos indivduos que os ingerem. A Tabela 1 descreve os microorganismos considerados probiticos pela ANVISA (SANTOS, 2011).
  3. 3. 3 Tabela 1 - Lista dos microorganismos probiticos aprovadas pela ANVISA Grupo funcional Tipos de microorganismos Probiticos Lactobacillus acidophilus Lactobacillus casei shirota Lactobacillus casei variedade rhamnosus Lactobacillus casei variedade defensis Lactobacillus paracasei Lactococcus lactis Bifidobacterium bifidum Bifidobacterium animallis (incluindo a subespcie B. lactis) Bifidobacterium longum Enterococcus faecium Diante desse conhecimento, promoveu-se uma ampla divulgao no uso dos probiticos para a manuteno da sade do intestino, levando a um considervel aumento no seu consumo. No Brasil, os produtos mais populares, carreadores dessas bactrias, so os leites fermentados. Similarmente, devido a sua composio bioqumica e microbiolgica, o kefir apresenta as mesmas caractersticas funcionais dos probiticos, mas de baixssimo custo. O mtodo tradicional de produo da bebida ocorre diretamente pela adio dos gros de kefir em um litro de leite ou em um litro de gua contendo duas colheres de acar mascavo, tradicionalmente, os gros no so vendidos, mas doados. Assim, este alimento nutritivo e teraputico, de forma artesanal, pode ser preparado em casa, permitindo incluir este produto funcional na alimentao diria da populao brasileira, sobretudo nas famlias de baixa renda. 2 CONHECENDO O KEFIR O kefir, tambm conhecido como quefir, tibicos, cogumelos tibetanos, plantas de iogurte, cogumelos do iogurte, um leite fermentado produzido a partir dos gros de kefir. originrio do eslavo Keif que significa "bem-estar" ou "bem-viver". Acredita-se que teve sua origem nas montanhas do Cucaso, no Tibet ou Monglia, h sculos atrs. Quando pergunta-se sobre a origem dos gros, os caucasianos
  4. 4. 4 respondem que foram presente de Alah (Deus), o que explica ter recebido tambm o nome de "milho do profeta", em aluso a Maom (OTLES e CAGINDI, 2003) Nas ltimas dcadas, o kefir tornou-se popular em vrios pases da Europa Central e de l para outros continentes. Enquanto em algumas partes do mundo ainda hoje um produto desconhecido, na Russia, Canad, Alemanha, Sucia, Romnia e outros, este produto produzido comercialmente e consumido em quantidades apreciveis. No entanto, nos mesmos pases onde a bebida produzida comercialmente, o mesmo feito em escala familiar, para consumo prprio. nesta escala que o kefir ainda hoje conhecido no Brasil, mesmo com outros nomes. Muitas pessoas que fazem ou fizeram uso do kefir no o conhecem ou conheceram como tal. E outros at o consideram como um tipo de iogurte. Mesmo assim, o kefir vem conquistando adeptos em vrias regies do pas nos ltimos anos, devido a suas caractersticas sensoriais e suas propriedades teraputicas (FERREIRA, 1999; WESCHENFELDER et al., 2009). Ainda discorrendo acerca do tema, importante lembrar que existe legislao brasileira especfica para esse produto. O Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento, atravs do Regulamento Tcnico de Identidade e Qualidade de Leites Fermentados define kefir como: Leite fermentado, adicionado ou no de outras substncias alimentcias, obtidas por coagulao e diminuio do pH do leite, ou reconstitudo, adicionado ou no de outros produtos lcteos, cuja fermentao se realiza com cultivos de cido-lcticos elaborados com gros de Kefir, Lactobacillus kefir, espcies dos gneros Leuconostoc, Lactococcus e Acetobacter com produo de cido lctico, etanol e dixido de carbono. Os gros de Kefir so constitudos por leveduras fermentadoras de lactose (Kluyveromyces marxianus) e leveduras no fermentadoras de lactose (Saccharomyces omnisporus e Saccharomyces cerevisae e Saccharomyces exiguus), Lactobacillus casei, Bifidobaterium sp e Streptococcus salivarius subsp thermophilus. Estabelece, ainda, que os microorganismos especficos devem ser viveis, ativos e abundantes no produto final durante seu prazo de validade com a contagem mnima de 10 7 (ufc/g) de bactrias lticas totais e de 10 4 (ufc/g) de leveduras especficas e de 0,5 a 1,5 de Etanol (% v/m) (BRASIL, 2007). Diante do exposto acima, observa-se claramente a presena de bactrias probiticas e, tambm, que o kefir difere de outros leites fermentados porque resultado metablico de vrios tipos de microorganismos. Sabe-se que os lactobacilos compem a maior parte da populao microbiana, mas a composio total dos gros no est elucidada completamente, pois a composio microbiana varia conforme a regio de origem, o tempo de utilizao, o substrato utilizado para
  5. 5. 5 proliferao dos gros e as tcnicas usadas em sua manipulao (WITTHUHN, et al., 2004; MAGALHES et al., 2011). Os gros de kefir so massas gelatinosas medindo de 3 a 35 mm de dimetro, possuem uma aparncia semelhante couve-flor, apresentando forma irregular e colorao amarelada ou esbranquiada. Nesta estrutura, existe uma associao simbitica de leveduras, bactrias cido-lticas, bactrias cido-acticas, entre outros microorganismos, envoltas por uma matriz de polissacardeos referidos como kefiran (OTLES e CAGINDI, 2003; IRGOYEN et al., 2005; WESCHENFELDER et al., 2009). Os gros de kefir so capazes de fermentar diversos alimentos, como leite de vaca, cabra, ovelha, bfala, acar mascavo, sucos de frutas, extrato de soja, entre outros. A produo da bebida ocorre diretamente pela adio dos gros no substrato de preferncia. Mas, de forma geral, o sabor e o aroma do kefir so resultados da atividade metablica simbitica das bactrias e das leveduras que se encontram naturalmente nos gros. Atualmente, so conhecidos dois tipos de kefir: de gua e de leite. A Figura 1 mostra fotos dos dois produtos. Figura 1 - Fotos do kefir de leite (A) e de gua (B). Fonte: Laboratrio de Probiticos do Centro de Cincias da Sade da UFRB Tradicionalmente, o kefir um subproduto do leite, resultante de dupla fermentao: lctica e alcolica. Comercialmente usa-se o leite de vaca, mas ele tambm pode ser preparado do leite de ovelha, cabra, bfala. O kefir de gua cultivado em gua contendo acar mascavo ou sucos de frutas, mas a composio microbiana e os produtos formados durante o processo de fermentao so A B
  6. 6. 6 similares aos gros cultivados em leite. Os gros so amarelos claros quando cultivados em leite e so ocres e pardos quando cultivados em acar mascavo (OTLES e CAGINDI, 2003; WITTHUNHN et al., 2004; WESCHENFELDER, 2011). 3 PRODUO ARTESANAL DO KEFIR Os gros de kefir multiplicam-se conforme vo sendo cultivados. Inicialmente, ocorre um aumento de tamanho e, posteriormente, so subdivididos em novos gros que mantm o mesmo equilbrio microbiolgico presentes nos gros de origem. Geralmente, o crescimento mdio dirio dos gros de 5% para os gros de leite e cerca de 45% para os gros de gua. Mas, esse crescimento depende de muitos fatores, por exemplo, os gros se desenvolvem mais rapidamente quando no so lavados; quando no so pressionados na peneira e quando o frasco de fermentao agitado periodicamente durante o processo (FARNWORTH, 2005). Os gros excedentes no so vendidos, mas, tradicionalmente, so doados, contribuindo para o processo de integrao das famlias em suas comunidades. Observa-se na Figura 2 o fluxograma de produo artesanal do kefir de gua e de leite.
  7. 7. 7 Figura 2 - Fluxograma de produo do kefir de gua e de leite. gua e acar mascavo Fermentao: 18-24h (temperatura ambiente) Obteno da bebida fermentada Obteno dos gros de kefir Fermentao: 18-24h (temperatura ambiente) Obteno do leite fermentado kefir Resfriamento (temperatura ambiente) Leite pasteurizado Resfriamento (temperatura ambiente) Gros de kefir Filtrao do kefir Gros de kefir Obteno dos gros de kefir Filtrao do kefir Maturao: 24h (refrigerao) Maturao: 24h (refrigerao) Conservao (refrigerao) Conservao (refrigerao)
  8. 8. 8 Por ser originado em climas frios, o processo fermentativo do kefir envolve temperaturas mais amenas que as empregadas para outros leites fermentados, podendo ocorrer em temperatura ambiente. A produo do kefir de gua e de leite semelhante. O mtodo tradicional de produo da bebida ocorre diretamente pela adio de 5% dos gros de kefir no substrato de preferncia. O leite ou gua com acar mascavo devem ser pasteurizados ou fervidos e depois resfriados a 25C (temperatura ambiente) para inoculao dos gros. Por exemplo, 50 gramas de gros (2 colheres de sopa) so adicionados em um litro de leite ou em um litro de gua contendo 50 gramas de acar mascavo (2 colheres de sopa). Aps o perodo de fermentao, que varia de 18 a 24hs, em temperatura ambiente, os gros so separados da bebida fermentada, por filtrao, com uma peneira, e, posteriormente, utilizados para inoculao em um novo substrato. O filtrado que foi submetido fermentao ltica transferido para a geladeira, permanecendo por 24 horas, nesta fase, as leveduras produziro lcool e CO2 tornando o produto mais refrescante. Aps a etapa de maturao, o kefir est pronto para o consumo, podendo ser adicionado, ou no, de sucos e pedaos de frutas. A presena da fermentao ltica e alcolica aumenta a biodisponibilidade do kefir tornando-o mais nutritivo. Durante a fermentao temperatura ambiente, ocorre uma protelise das protenas do leite que so desdobradas para peptdeos menores, ocorrendo acmulo de aminocidos. A hidrlise parcial da protena torna a bebida de mais fcil digesto quando comparada ao leite que lhe deu origem. Na fase de maturao temperatura de refrigerao, ao mesmo tempo em que o lcool e o CO2 so produzidos, ocorre o acmulo de vitaminas do complexo B que so caractersticas do metabolismo das leveduras presentes no processo. Isso to importante que na Rssia, o kefir usado em camadas finas sobre queimaduras com a finalidade de repor a camada da pele mais rapidamente (FERREIRA, 1999, OTLES e CAGINDI, 2003). As caractersticas finais do kefir podem ser modificadas, alterando-se o binmio tempo/temperatura do processo fermentativo. Um tempo maior de fermentao temperatura ambiente ir resultar num produto mais cido, ao passo que o perodo longo de armazenamento a temperatura de refrigerao resulta num produto com teor alcolico mais elevado. Em adio, para reduo significativa da lactose deve- se fermentar o kefir por mais tempo (FERREIRA, 2001).
  9. 9. 9 4 PROPRIEDADES FUNCIONAIS Os efeitos profilticos e teraputicos das bactrias lticas foram estudados no incio do sculo passado, quando Metchnikoff (1908) lanou a teoria sobre o prolongamento da vida por meio do consumo regular de leites fermentados. Desde ento, pesquisas vm corroborando essas observaes iniciais, relacionando o consumo de microorganismos probiticos na modulao de enfermidades em diversos modelos experimentais. A Figura 3 descreve os provveis efeitos funcionais do kefir nos indivduos que os ingerem. Figura 3 - Provveis efeitos funcionais da ingesto do kefir. Atualmente, a intolerncia lactose afeta 58 milhes de brasileiros que apresentam dificuldades em digerir a lactose pela deficincia da enzima lactase no intestino. Terra (2007) estudou as caractersticas fsico-qumicas, com nfase no teor de lactose, de filtrado de kefir de leite por perodos de fermentao variados. Constatou-se que o filtrado apresentou queda do teor de lactose ao longo do tempo, aps 36 horas de fermentao, atingiu valores abaixo do valor limite que pode ser consumido por indivduos intolerantes lactose. Resultados semelhantes foram
  10. 10. 10 observados por Irigoven et al. (2005) e Weschenfelder (2009) quando realizaram as mesmas anlises. Outros pesquisadores tm observado os benefcios do kefir na sade do intestino. Por exemplo, Cardoso et al. (2003) avaliando o trnsito intestinal de ratos, observaram um estmulo significativo no peristaltismo dos animais que receberam a suspenso de kefir (65,4%) quando comparados aos do grupo controle (42,9%). Vinderola et al. (2005) observaram aumento na resposta imunolgica da mucosa intestinal de camundongos. Schneedorf e Anfiteatro (2004) conseguiram equilibrar a microbiota intestinal de pacientes submetidos a antibioticoterapia. Rodrigues et al. (2005) desenvolveram uma pomada a base de kefir para avaliar a ao cicatrizante em ratos com ferida infectada com Staphylococcus aureus. A cicatrizao observada nos animais tratados com a formulao de kefir foi 70% maior quando comparado ao grupo controle que foi tratado com uma pomada a base de antibiticos. Utilizando camundongos, Gven et al. (2003) observaram menor peroxidao lipdica nos animais que receberam kefir quando comparado ao grupo que recebeu vitamina E, demonstrando, nesse modelo experimental, o poder antioxidante do kefir. Atualmente, possvel encontrar diversos contedos sobre kefir na internet, no entanto, na literatura cientfica, so escassos os trabalhos que estudaram suas propriedades funcionais em seres humanos. Sabe-se que o kefir pode equilibrar a microbiota intestinal nos indivduos que os ingerem, j que essa uma bebida funcional probitica. Mas, por outro lado, sabe-se, tambm, que sua composio microbiana varia conforme a regio de origem, o tempo de utilizao, o substrato utilizado para proliferao dos gros, entre outros. Com isso, sugere-se a construo de protocolos experimentais para padronizao dos gros, visando reduzir a variao nos estudos cientficos. Embora, secularmente, o kefir seja considerado seguro (GRAS) e teraputico, as pesquisas conduzidas com esse componente funcional poderiam ampliar os modelos experimentais, avanando no contexto social, econmico, cultural, digital, entre outros. Nesse sentido, os cientistas da rea de alimentos e nutrio poderiam gerar solues para os problemas nutricionais do pas, articulando-se com as polticas nacionais no combate fome. Com isso, no Brasil, alm da incluso funcional, aqui considerada como a promoo do acesso a alimentos funcionais, caracteristicamente caros, o consumo de kefir, associado a suas propriedades
  11. 11. 11 funcionais, pode melhorar a situao nutricional das famlias de baixa renda, auxiliando no avano da segurana alimentar e nutricional da populao brasileira, sobretudo naquelas de menor poder aquisitivo. 5 RELATO DE EXPERINCIA Durante a I Reunio Anual de Cincias e Tecnologia, Inovao e Cultura do Recncavo da Bahia foi realizado um teste de aceitao com o kefir sabor manga, utilizando como instrumento de avaliao a escala hednica de nove pontos. As amostras foram apresentadas monadicamente em copos plsticos descartveis brancos (50mL) na quantidade de 30mL, em temperatura de refrigerao. Dos 40 indivduos que responderam ao questionrio, 67,5% era do sexo masculino e 32,5% do sexo feminino. O grupo etrio entre 20 e 30 anos foi predominante (57,5%), enquanto que os demais grupos entre 30 e 40 e entre 10 a 20 anos representaram 20% e 17,5% da amostra, respectivamente. A maioria dos entrevistados (62,5%) declarou ser estudantes e 15% declararam-se professores. As frequncias das respostas dos provadores para a aceitao global da bebida esto discriminadas na Figura 4. Figura 4 - Histograma de termos atribudos aceitao global do Kefir sabor manga.
  12. 12. 12 Na escala hednica, a categoria "nem gostei, nem desgostei" (valor 5) considerada como uma regio de indiferena da relao afetiva do provador com o produto, dividindo a escala em duas outras regies: a regio de aceitao (valores de 6 a 9 ) e a regio de rejeio do produto (valores de 1 a 4). As notas atribudas ao produto variaram de 6 a 9, obtendo-se um ndice de aprovao de 100% dos provadores e aceitao global equivalente a 8 com DP de 0,7. Percebe-se que o produto teve uma aceitao bastante satisfatria, demonstrando a viabilidade de sua produo, principalmente pelo valor nutricional e funcional. Durante a realizao da anlise sensorial, observou-se que pouqussimos provadores conheciam o kefir, o que enfatiza a importncia da sua popularizao no Recncavo baiano. Resultados semelhantes foram observados por Santos et al. (2011) quando realizaram o teste de aceitao com o kefir sabor natural na mesma regio. Assim, o consumo desse produto colaborar na promoo da sade e na preveno das doenas prevalentes no Recncavo da Bahia, como anemia e doenas diarreicas, pelo provvel aumento da biodisponibilidade de minerais e na inibio de bactrias patognicas, respectivamente. 6 CONSIDERAES FINAIS: O consumo de kefir, associado a suas propriedades funcionais, pode melhorar a situao nutricional das famlias de baixa renda, auxiliando no avano da segurana alimentar e nutricional da populao brasileira, sobretudo naquelas de menor poder aquisitivo. Por outro lado, embora exista um mercado aberto para os alimentos funcionais, o kefir, ainda pouco conhecido no Brasil. Este alimento nutritivo pode ser preparado em casa, oferecendo vrios benefcios funcionais. Assim, preciso incentivar o hbito do consumo deste produto, atravs da divulgao das informaes e benefcios sade que o kefir proporciona. Ao mesmo tempo, esse produto mais uma opo que a indstria de laticnios pode oferecer ao consumidor, prevendo essa possibilidade, o Brasil j apresenta a legislao para este leite fermentado. Diante do que foi exposto, conclui-se que o kefir realmente constitui uma boa fonte alimentar para o Brasil devido ao seu baixssimo custo, utiliza-se apenas gros doados, leite ou gua contendo acar mascavo, alm de promover a incluso funcional das famlias de menor poder nos produtos probiticos.
  13. 13. 13 Referncias BRASIL. Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Resoluo n46, de 23 de outubro de 2007. Padres de Identidade e Qualidade (PIQ) de Leites Fermentados. Disponvel em: . Acessado em 20 fev. 2012. CARDOSO, L. G. V.; SCHNEEDORF, J. M.; FIORINI, J. E.; OLIVEIRA, B. R. CARVALHO, TAVARES, J. C. Efeito da administrao de cogumelo tibetano, um consrcio microbiano, sobre a peristalse intestinal em ratos. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 15, p. 212-214, 2005. FARNWORTH, E. R. Kefir: a complex probiotic. Food Research and Technology, New York, v. 2, n. 1, p. 1-17, 2005. FERREIRA, C. L. L. F. O leite fermentado kefir. Catlago Brasileiro de Produtos e Servios, n. 7, p.17-19, 1999. FERREIRA, C. L. L. F. Produtos lcteos fermentados: Viosa: UFV, 2001. GOLDIN, B. R., LICHTENSTEIN, A. H., GORBACH, S. L. Nuritional and metabolic roles of intestinal flora. In: SHILS, M. E., OLSON, J. A., SHIKE, M. (Ed.) Moderm nutrition in health and disease. 8. ed., USA: Williams & Wilkins, 1994, v. 1, p. 569- 582. GVEN, A.; GVEN, A.; GLMEZ, M. The effect of kefir on the activities of GSH-Px, GST, CAT, GSH and LPO levels in carbon tetrachloride-induced mice tissues. J. Vet. Med., v.50, p. 412-416, 2003. HOLZAPFEL, W. H; SCHILLINGER, U.; Introduction to pre- and probiotics, Food Research International. v. 35, p.109116, 2002. IRIGOYEN, A.; ARANA, I.; CASTIELLA, M.; TORRE, P. Microbiology, physiocochemical and sensory characteristics of kefir during storage. Food Chemistry, London, v. 90, n. 21, p. 613-620, 2005. MAGALHES, K. T; PEREIRA, G. V. M; CAMPOS, C. R; DRAGONE, G; SCHWAN, R. F. Brazilian kefir: microbial communities and chemical composition. Brazilian Journal of Microbiology, v. 42, p. 693 702, 2011. METCHNIKOFF, E. The prolongation of life. London: Heinemann, 1908. OTLE, S.; CAGINDI, O. Kefir: a probiotic dairy-composition nutritional and therapeutic aspects. Pakistan Journal of Nutrition, v. 2, n. 2, p. 54-59, 2003. RODRIGUES, K.L.; CAPUTO, L.R.G.; CARVALHO, J.C.T.; EVANGELISTA, J.;
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  15. 15. 15 Ferlando Lima Santos Professor Doutor Adjunto do Centro de Cincias da Sade (CCS); Universidade Federal do Recncavo da Bahia (UFRB); Santo Antnio de Jesus-Bahia; [email protected] Universidade Federal do Recncavo da Bahia, Centro de Cincia da Sade. Campus Universitrio Bairro do Cajueiro 44570-000 - Santo Antnio de Jesus, BA - Brasil Telefone: (75) 36324629. Edleuza Oliveira Silva Professora Mestre Assistente do Centro de Cincias da Sade (CCS); Universidade Federal do Reconcvo da Bahia (UFRB);Santo Antnio de Jesus; [email protected] Universidade Federal do Recncavo da Bahia, Centro de Cincia da Sade. Campus Universitrio Bairro do Cajueiro 44570-000 - Santo Antnio de Jesus, BA - Brasil Telefone: (75) 36324629. Adna Oliveira Barbosa Graduandas do Curso de Nutrio; Centro de Cincias da Sade (CCS); Universidade Federal do Recncavo da Bahia (UFRB); Santo Antnio de Jesus- Bahia; [email protected] Universidade Federal do Recncavo da Bahia, Centro de Cincia da Sade. Campus Universitrio Bairro do Cajueiro 44570-000 - Santo Antonio de Jesus, BA - Brasil Telefone: (75) 36324629. Joseane Oliveira Silva Graduandas do Curso de Nutrio; Centro de Cincias da Sade (CCS); Universidade Federal do Recncavo da Bahia (UFRB); Santo Antnio de Jesus- Bahia; [email protected] Universidade Federal do Recncavo da Bahia, Centro de Cincia da Sade. Campus Universitrio Bairro do Cajueiro 44570-000 - Santo Antonio de Jesus, BA -
  16. 16. 16 Brasil Telefone: (75) 36324629.