gases lógicos

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  • ALFREDO BARATA DA ROCHA

    Gases lgicos (NOTAS t)A SUE-R-RA)

    ft

    PORTO-1919

  • eftSES TXICOS

    ;

  • t

    Tip, a vapor da "Enciclopdia Portuguesa,, Rua Cndido dos Reis, 47 a 49 Porto

  • ALFREDO BARATA DA ROCtiA

    6ases 1 xicos (NOTAS f)A GUERRA)

    "Dissertao inaugural apresentada Faculdade de Medicina do "Porto

    PORTO-1919

  • Faculdade de Medicina do Porto

    n [ H E e T o R

    Maximiano Augusto de Oliveira bem es

    SECRETARIO

    L V A R O TEIXEIRA BASTOS

    CORPO DOCENTE

    Professores Ordinrios

    Augusto Henrique de Almeida Brando Anatomia patolgica. Maximiano Augusto de Oliveira Lemos Histria da Medicina. Deontologia mdica Joo Lopes da Silva Martins Jnior . Higiene, Alberto Pereira Finto de Aguiar . . Patologia geral. Carlos Alberto de Lima Patologia o teraputica cirrgicas. Lus de Freitas Viegas Dermatologia e Sifiligrafia. Jos Alfredo Mendes de Magalhes . Teraputica geral. Hidrologia mdica. Antnio Joaquim de Sousa jnior . . Medicina operatria e pequena cirurgia. Tiago Augusto de Almeida . . . . Clnica e policlnica mdicas. Joaquim Alberto Pires de Lima . - . Anatomia descritiva. Jos de Oliveira Lima Farmacologia. lvaro Teixeira Bastos Clnica e policlnica cirrgicas. Antnio de Sousa Magalhes e Lemos. Psiquiatria e Psiquiatria forense. Manoel Loureno Gome? Medicina, legal. Abel de Lima Salazar Histologia e Embriologia. Antnio de Almeida Garrett . . . . Fisiologia geral e especial. Alfredo da Rocha Pereira Patologia e teraputica mdicas. Clinicadas

    doenas inficiosas. Trs vagas

    Professores jubilados

    Jos de Andradf: Gramaxo Pedro Augusto Dias

  • A Escola no responde pelas doutrinas expendidas na disser-tao e enunciadas nas proposies (Regulamento da Es?ola, de 23 de Abril de 1840, art. 155.).

  • A memria de Francisco de Assis Sousa Vaz, do Conselho de Sua Magestade, comendador das ordens de Nosso Senhor Jesus Cristo e de S. Mau-rcio e S. Lzaro, doutor em Medicina, lente jubi-lado da Escola Mdico-Cirrgica do Porto, nascido a 7 de agosto de 1797 e falecido a 6 de abril de 1870, o qual havendo projectado deixar um le-gado dita escola para o seu rendimento ser aplicado ao aperfeioamento e derramamento dos conhecimentos mdicos, bem como a subsidiar alguns alunos necessitados, e no podendo reali-sar to til pensamento, foi este interpretado por sua irm e herdeira D. Rita de Assis de Sousa Vaz,, legando mesma escola, e para o fim indi-cado, sessenta inscries da vida pblica nacional de 1:000$000 ris cada uma.

    Em testemunho de gratido

    o. e. p.

    O aluno pensindrio,

    Jllfredo parafa da %ocha.

  • n n M a M a B n B s m s

    A memria de

    1WE0S PAS e de

    meu irmo A ^ E ^ O

  • memria dos que tombaram

    em

    FRANA

    AFRICA

  • A minhas irms:

    Luclia, Jtermnia,

    ftugusfa, Belmira.

    ft meu irmo ftugusto ft minha cunhada Maria fgnez

    A meus cunhados

    "S?ictor e ftlfredo

    A meus sobrinhos:

    Belmira, Vtor,

    ftlfredo, Yara,

    Maria Jie\em, Maria ftugusta.

    4

  • AOS MEUS SOLDADITOS DE

    FRANA, E, EM ESPECIAL,

    AOS MEUS COMPANHEIROS

    DA RAJADA DE 9 DE ABRIL

    I .o CABO-ENFERMEIRO:

    ABLIO GOMES DA SILVA

    E SOLDADOS:

    CARLOS MASCARENHAS,

    MIGUEL REI,

    MANUEL PEDRO,

    ANTNIO JOS RAMOS,

    FIDALGO.

  • Ho meu professor de Primeiras Letras

    Ex: Snr. Cndido Augusto Jazas

    e ao meu antigo professor

    Ex" Snr, Eng, Joo Crisstomo de 0. Ramos

  • A meu Ho e padrinho

    Antnio Ferreira das Heves

  • *

    Ho Ex.mo Snr.

    Dr. Antnio Augusto de Almeida

    c a sua Ex.ma Esposa

    0

  • AO

    Armando Baptista de Castro

    AOS BONS COMPANHEIROS DE FRANA

    CAPITES

    Eugnio Rodrigues Aresta

    Virglio Varela de Sena Magalhes

  • Ao

    Or. Jlio Csar da Vitria '

    Ao

    Br. Eduardo Ferreira dos Santos Silva

  • Ao meu ilustre Presidente

    Prof, Alberto Pereira Pinto de Aguiar

  • f

    s

    PREFCIO

    Razes independentes da prpria vontade nos obrigaram a dilatar at hoje a apresentao da dissertao inaugural.

    Mobilizados qusi imediatamente terminao do ltimo ano do nosso curso com a Diviso de Instruo de Torres; em servio militar constante, at seguirmos para Frana; demorados na guerra, depois; abrindo os olhos luz da nossa terra, no regresso por imposio mdica, alquebrados por uma intensa queda orgnica, de que eram causa duas intoxicaes sofridas; mergulhados, aps um largo espao de convalescena, na vida clnica activa, extenuante, dos perodos epidmicos; tendo vivido, nos ltimos meses de 1918 e primeiros de 1919, as horas emocionantes de agitao poltica, a que se seguiram os dolorosos dias da guerra civil (se guerra se lhe pode chamar) ; sujeitos, pouco depois, a perturbaes muito graves de sade que

  • criaram no esprito de colegas, nossos bons amigos, a ideia de um prognstico muito severos agora, pouco mais de trs anos passados sobre a hora de saudade em que abandonamos a Escola, onde es-tudramos e trabalhramos sempre, podemos apre-sentar discusso o trabalho a que nos dedicamos com interesse.

    Partimos para a guerra, sem que tivssemos cumprido a determinao da antiga lei, contrariada pelas necessidades da mobilizao urgente. Como tantos colegas em idnticas condies, exercemos a nossa aco clnica junto dos soldados e, du-rante os perodos de descano da nossa unidade, junto da populao civil

    Sentimos agora o orgulho justificado de afir-mar que os mdicos portugueses honraram em Frana o seu pas, impondo-se considerao dos colegas estrangeiros e ao reconhecimento, tradu-

  • zido tantas vezes em carinhosas manifestaes, da boa gente francesa, e expresso oficialmente pelos Maires de muitas localidades.

    Pensou-se, quando nos encontrvamos j em Frana, em libertar os mdicos, fazendo servio de campanha, da apresentao de tese. Essa ideia no foi, nesse momento, por deante.

    Explica-se facilmente o motivo. que se criara a opinio de que, oferecendo a guerra um admir-vel campo de observao e experimentao clni-cas, os rapazes viriam a apresentar trabalhos ori-ginais, em que no seria difcil encontrar valor real. No se contou, porem, com a falta de ele-mentos com que lutaramos. Nem nas Ambuln-cias, nem nos Hospitais de Sangue, eles eram bastantes, pois que as dotaes eram pequenas para permitir uma larga despesa com experimen-taes, quanto mais nos P. S.

  • Entre todos os assuntos que podamos escolher, era certamente o estudo dos gases o de mais belos e interessantes horizontes.

    Aproveitmos os elementos de que dispnhamos e se nos ofereciam. Quem fez servio nas linhas, compreender melhor as dificuldades que tivemos para realizar observaes. Destas, as que fizemos nos Postos de Socorro, s em ataques parciais as pudemos efectivar. Para conseguirmos examinar os intoxicados, na sequncia das perturbaes provocadas pelos gases, dirigiamonos, nos dias de descano da nossa unidade, s Ambulncias onde se encontrassem.

    Com mtodo e perseverana, algum resultado pensamos ter conseguido. O nosso trabalho fundado na consulta aos poucos expositores que teem escrito sobre o assunto e em mais de 300 observaes que fizemos. Poucas apontamos aqui. Em

  • algumas, nem sequer fixamos o nome do intoxi-cado. que, como o que mais nos interessava era a observao em si, quando a aglomerao de intoxicados era muita, e havia necessidade de eva-cuar rapidamente os doentes, nos limitvamos a anotar a observao clnica, para aproveitarmos o maior nmero donde tirssemos concluses ge-rais.

    Permitia-nos a nova lei que no apresentsse-mos a dissertao inaugural, desde que tal reque-rssemos. J a tnhamos completado data da publicao da lei. Tencionvamos publica-la, mesmo que a no apresentssemos Faculdade.

    Preferimos defende-la. Composto durante a convalescena duma doena

    grave, deve ter defeitos este trabalho; mas, por infe-rior que seja, nossa opinio que futuros obser-vadores podero colher na sua consulta, no dire-

  • mos ensinamentos, mas elementos para investiga-es mais perfeitas. Cada captulo em que o divi-dimos bastante para uma larga obra. De modo algum, tivemos a pretenso de dizer a ltima palavra sobre o assunto.

    A nossa inteno fica traduzida no desejo de fazer um apanhado geral do que conhecemos sobre os gases, quer por observaes pessoais, quer por consulta aos poucos expositores que sobre eles escreveram.

    Seja-nos permitido, para concluir, apresentar uma explicao:

    Abandonamos a cognominao Gases asfixian-tes, adoptada vulgarmente, substituindo-a por Ga-ses txicos, muito mais genrica.

  • PVRTE p^IMEl-RA

    CAPTULO I

    J-fistria. Propriedades fsicas e qumicas dos gases. "Reagentes absorventes e neutralizantes. Condies para que um gs possa ser usado

    na guerra.

  • Os alemes empregaram pela primeira vez o ataque de gs contra um dos sectores ingleses, no Ypres, a 16 de Abril de 1915. Em 22 de Abril repetiram-no, em Langenmarck, contra um sector francs.

    Inesperadamente, numa surpresa cruel, os sol-dados aliados ficaram sujeitos sua aco violenta. E, se bem que pelo mundo tivesse rolado uma onda larga de amargura, ao saber-se o resultado dos seus efeitos, s os que viveram as horas ru-bras de combate, podem fazer completa ideia do sofrimento dos pobrezitos que, em tal momento, estiveram submetidos aco do gs.

    Progredia lentamente a nuvem esverdeada e densa. Dava a impresso dum nevoeiro que se deslocasse. E vinha a ideia aos combatentes de que se tratava talvez de fumos, a encobrirem um ataque de infantaria. A nuvem que o vento impelia aproximou-se mais; galgou