Campus Magazine 2º semestre 2011

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A Campus Magazine a revista-laboratrio elaborada pelos alunos do curso de Comunicao Social, Jornalismo da USC -Universidade Sagrado Corao. Reitora: Profa. Dra. Irm Susana de Jesus Fadel Coordenadora de Curso: Profa. Ms. Daniela Pereira Bochembuzo Textos: Alunos da disciplina Laboratrio de Jornalismo Impresso II Revista (turma do 2 semestre de 2011). Diagramao: Alunos da disciplina Design Grfico (turma do 2 semestre de 2011). Jornalista responsvel: Profa. Dra. rika de Moraes (MTB 29.053) Direo de Arte: Prof. Esp. Renato Valderramas

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<ul><li><p>CAMPUS</p><p>Revista-laboratrio - Universidade Sagrado Corao - Jornalismo - 2Semestre 2011</p><p>Que loucura essa?</p><p>e mais ...</p><p>Colecionadores Consumo Paixo por Futebol</p><p>FanatismoUm pouco da histria da loucura Drogas</p><p>Manias</p><p>Magazine</p><p>A representao na moda </p><p>Vidas diferentes </p><p>A loucura na Arte </p><p>Por amor </p></li><li><p>2 | Campus Magazine</p><p>Editorial</p><p>Poetase loucos ndice</p><p>Afinal, o que loucura? Perder a razo? Estar trancado em um hospcio? Ou melhor, casa teraputica, termo estabelecido como mais apro-priado desde o movimento antimanicomial. Ou loucura seria estar doidamente apaixonado, ou absolutamente louco(a) de vontade de comprar uma roupa nova ou uma barra de chocolate? Qual a sua loucura cotidiana, a sua mania? Quando refletimos sobre a loucura, chegamos concluso de que no h ditado mais verdadeiro do que o clebre de louco, todo mundo tem um pouco.</p><p>Os alunos do segundo ano de Jornalismo da USC, da disciplina Laboratrio de Jornalismo Impresso Revista, debruaram-se sobre essas questes e, no conjunto da obra, chegamos a uma edio abrangente sobre a loucura, cuja produo foi um grande desafio e aprendizado para os estu-dantes. J os alunos do primeiro ano de Jornalismo da disciplina Design Grfico trabalharam com muita dedicao no projeto grfico deste material. </p><p>Agora, como fruto de um trabalho interdisci-plinar, a Campus Magazine chega at voc, leitor, que, afinal, o mais importante dessa equipe. Es-peramos que voc goste, aprenda algo novo (no h nada melhor do que aprender, no?) e, como ns, termine esta leitura com uma certeza: por mais que possa parecer maluco, certas loucuras fazem parte da nossa identidade. Afinal, humano e louco tambm podem ser um pouco sinnimos!</p><p>rika de Moraes</p><p>A Campus Magazine a revista-laboratrio elaborada pelos alunos do curso de Comunicao Social, Jornalismo da USC - Universidade Sagrado Corao.</p><p>Reitora: Profa. Dra. Irm Susana de Jesus Fadel</p><p>Coordenadora de Curso: Profa. Ms. Daniela Pereira Bochembuzo</p><p>Textos: Alunos da disciplina Laboratrio de Jornalismo Impres-so II Revista (turma do 2 semestre de 2011).</p><p>Diagramao: Alunos da disciplina Design Grfico (turma do 2 semestre de 2011).</p><p>Jornalista responsvel: Profa. Dra. rika de Moraes (MTB 29.053)</p><p>Direo de Arte: Prof. Esp. Renato Valderramas</p><p>Tiragem: 2.000 exemplares</p><p>Impresso: Fullgraphics - Bauru - SP</p><p>O material publicado (textos ou imagens) no reflete, necessa-riamente, a opinio, a filosofia ou o posicionamento institucio-nais uma vez que se trata de publicao experimental.</p><p>Distribuio gratuita.</p><p>UTIoucura ........................................................................................................................................................................................ 3Nada muito alm do normal ................................................................................................... 4Fanticos religiosos .............................................................................................................................................. 5Coragem ou loucura? ................................................................................................................................... 6Fala povo ............................................................................................................................................................................................. 7Loucos pela boa forma ............................................................................................................................... 8 Retratos de uma obsesso ..................................................................................................... 9De colecionador e louco ............................................................................................................. 10Ensaio fotogrfico ................................................................................................................................................. 12Compras, um mal supervel ................................................................................................. 14Loucuras de Amor ................................................................................................................................................ 15Loucuras Chavesmanacas ................................................................................................. 16Soy Loco por Ti ................................................................................................................................................................ 17Adolescncia, fase anormal? ................................................................................................. 18Drogas - um caminho de loucurae difcil reabilitao ........................................................................................................................................ 19Paixo por carros antigos ............................................................................................................ 20Shine on you, crazy Diamond! Syd Barrett criador e criatura ............................................................................................. 21Doces loucuras da Web ...................................................................................................................... 22Loucos de pedra ......................................................................................................................................................... 23A loucura na arte imita a vida ...................................................................................... 24</p></li><li><p>2 Semestre 2011 | 3</p><p>De mdico e louco todo mundo tem um pouco. Mesmo com a afir-mao do ditado popular de que a loucura algo comum e corri-queiro na vida de todos ns, no bem assim que a cincia, em especial a medicina, v os loucos.</p><p>A histria da loucura e da cincia comeou no sculo XVII, quando o mdico francs Phi-lippe Pinel classificou as expresses de loucura, at ento tidas como corriqueiras e cotidianas, como doena mental, e disse que as pessoas que sofriam desse mal deveriam ser objeto de interveno mdica e, posteriormente, psiqui-trica.</p><p>Foi nesse perodo que surgiram os primeiros hospitais psiquitricos ou manicmios, onde vo ser levadas essas pessoas consideradas su-jeitos sem-razo. Para tentar fazer um trabalho com eles, a fim de que retomem a vida, para que eles possam ser livres e vendam a sua fora de trabalho, explica o professor doutor Osvaldo Gradella, do departamento de psicologia da Fa-</p><p>culdade de Cincias da Universidade Estadual Paulista (FC/Unesp).</p><p>Entretanto, a perspectiva humanista que mar-cava o trabalho de Pinel comea a mudar no s-culo seguinte com o avano da viso biologicista. Essa nova forma de tratar a loucura deixou de vincul-la com a razo, para colocar sua origem no orgnico e no biolgico.</p><p>Segundo Gradella, esse foi o perodo de cres-cimento e superlotao dos hospitais psiquitri-cos em todo o mundo. O (Hospital Psiquitrico do) Juqueri, que foi fundado por Franco da Ro-cha em 1898, foi construdo para 800 pessoas. Nos anos 50, ele tinha 15 mil internos. Por qu? Porque voc no tem uma ao que garanta a so-luo desses sintomas, explica.</p><p>Foi justamente nos anos 50, logo aps a 2 Guerra Mundial, que essa situao de superlo-tao, violncia e tortura que fazia parte do dia a dia dos hospitais psiquitricos comea a mu-dar, com o surgimento do movimento antima-nicomial.</p><p>do cotidiano ao manicmio</p><p>Sade</p><p>BauruA histria da loucura tambm passa pela nos-</p><p>sa cidade. Depois de ganhar fora na Europa, o movimento antimanicomial tem seu marco inaugural no Brasil no interior paulista. Em de-zembro de 1987, 250 usurios e trabalhadores da sade mental saram s ruas de Bauru pedindo o fim dos manicmios. Naqueles dias, a cidade recebia o II Congresso Nacional dos Trabalha-dores em Sade Mental.</p><p>Como explicam Lgia Helena Hahn Lch-mann e Jefferson Rodrigues, no artigo O Mo-vimento Antimanicomial no Brasil, esse mo-mento marca uma renovao terica e poltica do MTSM (Movimento dos trabalhadores da Sade Mental), atravs de um processo de distanciamento do movimento em relao ao Estado e de aproximao com as entidades de usurios e familiares, que passaram a partici-par das discusses, colocando a questo do tratamento da loucura alm do carter assisten-cial realizado pelo estado</p><p>Por Fernanando Strongren</p></li><li><p>4 | Campus Magazine</p><p>Imagine um homem ser mantido trancado pela famlia h 25 anos e viver apenas com uma refeio por dia e 30 cigarros para ficar calminho, num espao de pouco mais de 3 m? Parece irreal, mas fato e resultado da incapacidade da famlia de cuidar de um porta-dor de doena mental e no procurar atendimen-to mdico. Segundo reportagem da Folha de So Paulo publicada no dia 30/09/11, foi encontrado, no Rio Grande do Norte, Jos Antnio do Nasci-mento, 45, que mora em Areia Branca e vive tran-cado com grade de ferro, corrente e cadeado h 25 anos pelos prprios pais. um caso chocante e a forma como Nascimento tratado se caracteriza como crcere privado e no condiz com as atuais formas de tratamento com portadores de trans-torno mental. Estes tm, segundo o site do Mi-nistrio da Sade, sua disposio, 275 hospitais psiquitricos espalhados pelo pas, equipes mdi-cas especializadas para atend-los e um ambiente propcio para conviverem uns com os outros.</p><p>Com o movimento antimanicomial, surgiram as casas teraputicas que so locais destinados para a reabilitao dos internos e a possvel rein-tegrao destes com a sociedade. Esquizofrenia, </p><p>transtorno bipolar e casos de depresso so os mais frequentes e quem consegue se curar pode voltar pra casa, mas, se a famlia no aceitar o retorno, o indivduo passa a ser morador da casa teraputica, onde no ser discriminado nem te-mido. Andreza Lopes, 27, professora de educa-o fsica no Hospital Psiquitrico de Araraquara e diz que o doente mental hospitalizado constitui uma populao especfica, com perda da sua au-tonomia e vulnervel no s em decorrncia da prpria doena que o afeta, mas tambm pela situ-ao de abandono em que, muitas vezes, se encon-tra. Ou seja, ainda existe uma dificuldade, muitas vezes repulsa para t-los dentro do meio familiar.</p><p>A viso cultivada pelas pessoas que o am-biente de um hospital psiquitrico bem pesa-do, onde o tratamento dos pacientes se baseia em sesses de eletrochoque e os doentes vivem amarrados em camisa de fora, gritando e tendo surtos de agressividade. Tal impresso total-mente errada, pois a forma de tratamento mudou muito. Fernanda Brumatti, 29 anos, trabalhou como voluntria no Hospital Psiquitrico Sebas-tio Paiva, em Bauru, no ano de 2003 e afirma que os pacientes eram tratados com o cuidado </p><p>Nada (muito) alm do normal</p><p>necessrio para cada caso, sempre tomavam seus medicamentos nos horrios corretos e de forma no agressiva. </p><p>Outro grande problema enfrentado pelos doentes mentais a discriminao, pois como o convvio s vezes se torna extremamente dif-cil, o afastamento das pessoas o padro da so-ciedade, inclusive da prpria famlia, comenta Fernanda. </p><p>Carinho pelo paciente e respeito pela doena so vistos diariamente nos hospitais de sade mental da regio. A forma de tratamento exi-ge cuidado especial, pois se trabalha com pes-soas que, como quaisquer outras, precisam de pequenos gestos, uma simples conversa e um pouco de ateno.</p><p>A sabedoria popular diz que respeitar as diferenas o princpio da igualdade. Tal fra-se faz muito sentido, principalmente quando pensamos no quanto estamos sujeitos ao dia de amanh e no que ele pode nos reservar. Discri-minao e esteretipos so inteis para justifi-car a psicologia humana, tanto que, at hoje, o comportamento do ser humano questionado e no se chega a qualquer soluo.</p><p>Hospital</p><p>Contrastes no atendimento de doentes mentaisevidenciam que o ser humano no compreende sua prpria espcie</p><p>Por Luana Morais</p></li><li><p>2 Semestre 2011 | 5</p><p>Religio</p><p>Fanatismo religioso um estado irracional de fervor em nome de uma crena. Grande parte dos conflitos de todas as naes do mundo tiveram como motivo a religio. Mas como definir o que ou no fanatismo? Tal definio completamente subjetiva, depende da cultura, do que considerado tico e moral.</p><p>O que fanatismo para voc, pra alguns povos pode ser simples tradio. Segundo a professora de histria Claudia Detomini, existe fanatismo religioso desde os povos greco-romanos. O culto exacerbado pelos deuses e os sacrifcios fazem parte daquilo que consideramos mitologia, mas, para tais povos, aquela era a verdade.</p><p>O mesmo acontece atualmente com os mu-ulmanos, que veem a vida como uma provao, praticando o terrorismo como meio de chegar ao reino de Deus.</p><p>A Igreja Catlica, na Idade M-dia, estabeleceu padres de comportamento mo-ral para a socieda-de, sendo que, no sculo XIII, </p><p>houve a Inquisio para combater os supostos hereges e pagos.</p><p>Guerra X Religio Muitas das guerras acontecem por motivos </p><p>religiosos, mas todas tm cunho poltico. A reli-gio o meio que encontram para manipular as pessoas a aderirem guerra, lutando por algo que no ser delas e por uma razo que no a que elas acreditam que seja.</p><p>Outro motivo para o fanatismo que as pesso-as encontram na religio uma tbua de salvao. Em ocasies de crises, misria e pobreza, apelam para qualquer coisa que prometa ajuda. Isso re-flete em vrios conflitos, como o que aconteceu na Guerra de Canudos e at em situaes do dia a dia, quando, por exemplo, um trabalhador entrega todo o salrio na sua igreja para garantir prosperidade ou o cu.</p><p>Fanticos religiososBusca pela salvao ou sintomas de loucura?Por Aline Casalenovo e Jssica Posenato</p><p>A psicologia explica...Para a neuropsicloga Sandra Heloisa Portilho </p><p>de Oliveira, o fanatismo uma cega obedincia a uma ideia servida com zelo obstinado. A pessoa acredita que somente ser salva se der algo em tro-ca e no mede consequncias, pois no se encontra bem de sade mental. Nesse sentido, o fanatismo j um pedido de ajuda. O problema afeta toda a vida familiar, profissional e pessoal, tudo na vida tem um limite, quando isso comea a sair dos parmetros considerados normais pela sociedade, passa a interferir de uma maneira desfavorvel, tornando-se patolgico, explica Sandra, que j teve vrios pacientes com transtornos decorrentes da obsesso pela religio. Segundo ela, a pessoa sofre uma dor na alma. Para a cura necessrio o desenvolvimento de um processo psicoterpico, no qual o paciente comea a enxergar certas coisas e a fazer outras escolhas a fim de ter uma vida mais centrada, consciente e sem tanto sofrimento. </p><p>As crenas religiosas podem ser saudveis, desde que haja equilbrio entre a religio e o convvio social. Respeitar o limite de cada um, no invadir a privacidade de ningum. No acredito que algum possa ditar o que melhor para o outro. Isso algo que se conquista com o tempo. Fazer o que sente prazer de uma maneira saudvel, conclui Sandra.</p><p>Foto</p><p>: sxc</p><p>.hu</p></li><li><p>6 | Campus Magazine</p><p>Por Cntia Papile e Juliana Midena</p><p>A loucura, objeto dos meus estudos, era at agora uma ilha perdida no oceano da razo; comeo a suspei-tar que um continente, assim referiu Simo Ba-camarte sobre as peculiaridades de cada ser que observou.O perso...</p></li></ul>