Textos de A. W. Tozer

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Esta obra composta de vrios textos de autoria de A. W. Tozer, extrados de diversos livros, alguns j em portugus, outros ainda no traduzidos.

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TEXTOSDE

A.W. TOZER

Textos de A. W. Tozer

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OBSERVAO1) Os textos todos foram escritos por A.W.Tozer. No final de cada um, colocamos a fonte de onde foi extrado. Alguns fazem parte de livros que j se encontram em portugus; os demais foram traduzidos por Helio Kirchheim.

A ABSOLUTA IMPORTNCIA DO MOTIVOA prova pela qual toda conduta ser finalmente julgada o motivo. Como a gua no pode subir mais alto do que o nvel da sua fonte, assim a qualidade moral de um ato nunca pode ir mais alto do que o motivo que o inspira. Por esta razo, nenhum ato procedente de um mau motivo pode ser bom, ainda que algum bem possa parecer provir dele. Toda ao praticada por ira ou despeito, por exemplo, ver-se- afinal que foi praticada pelo inimigo e contra o reino de Deus. Infelizmente, a natureza da atividade religiosa tal que muita coisa dela pode ser levada a efeito por razes no boas, como a raiva, a inveja, a ambio, a vaidade e a avareza. Toda atividade desse jaez essencialmente m e como tal ser avaliada no julgamento. Nesta questo de motivos, como em muitas outras coisas, os fariseus do-nos claros exemplos. Eles continuam sendo os mais tristes fracassos religiosos do mundo, no por causa de erro doutrinrio, nem porque fossem pessoas de vida abertamente dissoluta. Todo o problema deles estava na qualidade dos seus motivos religiosos. Oravam, mas para serem ouvidos pelos homens, e deste modo o seu motivo arruinava as suas oraes e as tornava no somente inteis, mas realmente ms. Contribuam generosamente para o servio do templo, mas s vezes o faziam para escapar do seu dever para com os seus pais, e isto era um mal, um pecado. Eles condenavam o pecado e se levantavam contra ele quando o viam nos outros, mas o faziam por sua justia prpria e por sua dureza de corao. Assim era com quase tudo que faziam. Suas atividades eram cercadas de uma aparncia de santidade, e essas mesmas atividades, se realizadas por motivos puros, seriam boas e louvveis. Toda a fraqueza dos fariseus jazia na qualidade dos seus motivos. Que isso no coisa pequena infere-se do fato de que aqueles religiosos formais e ortodoxos continuaram em sua cegueira at que finalmente crucificaram o Senhor da glria sem um pingo de noo da gravidade do seu crime.

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Atos religiosos praticados por motivos vis so duplamente maus maus em si mesmos e maus porque praticados em nome de Deus. Isso equivalente a pecar em nome daquele Ser que sem pecado, a mentir em nome daquele que no pode mentir, e a odiar em nome daquele cuja natureza amor. Os cristos, especialmente os muito ativos, freqentemente devem tomar tempo para sondar as suas almas para certificar-se dos seus motivos. Muito solo cantado para exibio; muito sermo pregado para mostrar talento; muita igreja fundada como uma bofetada nalguma outra igreja. Mesmo a atividade missionria pode tornar-se competitiva, e a conquista de almas pode degenerar, passando a ser uma espcie de plano de vendedor de escovas, para satisfazer a carne. No se esqueam, os fariseus eram grandes missionrios, e circundavam mar e terra para fazer um converso. Um bom modo de evitar a armadilha da atividade religiosa vazia comparecer ante Deus sempre que possvel com as nossas Bblias abertas no captulo treze de 1 Corntios. Esta passagem, conquanto considerada como uma das mais belas da Bblia, tambm uma das mais severas das que se acham nas Escrituras Sagradas. O apstolo toma o servio religioso mais elevado e o consigna futilidade, a menos que seja motivado pelo amor. Sem amor, profetas, mestres, oradores, filantropos e mrtires so despedidos sem recompensa. Para resumir, podemos dizer simplesmente que, vista de Deus, somos julgados, no tanto pelo que fazemos como por nossas razes para faz-lo. No o que, mas por que ser a pergunta importante quando ns cristos comparecermos no tribunal para prestarmos contas dos atos praticados enquanto no corpo. [A Raiz dos Justos, Editora Mundo Cristo.]

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TORNAR-SE MENOR AO TENTAR SER GRANDEAlgum tempo atrs, ouvimos uma pequena palestra de um jovem pregador, na qual ele fez a seguinte afirmao: "Se voc grande demais para uma posio insignificante, voc pequeno demais para uma posio importante". Uma antiga regra do reino de Deus que quando procuramos ser grandes, naquela mesma hora, sempre, nos tornamos insignificantes. Deus zeloso da Sua glria e no permitir a homem nenhum que a reparta com Ele. O esforo por parecer grande diante dos homens trar o desfavor de Deus sobre ns e na verdade nos impedir de alcanar a grandeza que tanto ansiamos. A humildade agrada a Deus onde quer que se encontre, e o humilde ter Deus como seu amigo e ajudador em todo tempo. apenas o humilde que mentalmente so por completo, porque ele o nico que v com clareza o seu prprio tamanho e limitaes. O egosta v as coisas fora de foco. No seu prprio conceito, ele grande e Deus pequeno, e isso uma espcie de insanidade moral. A humildade uma volta sanidade, como aconteceu a Nabucodonosor. O humilde avalia tudo de forma correta, e isso o torna um sbio e um filsofo. Os jovens cristos muitas vezes emperram a prpria utilidade por causa da atitude que tm para consigo mesmos. Eles comeam com a ingnua idia de que se encontram pelo menos um pouco acima da mdia nos quesitos inteligncia e habilidade e, em consequncia, sentem-se envergonhados se tiverem de assumir um lugar humilde. Eles querem comear no topo e seguir da pra cima! O que acontece que normalmente eles falham em corresponder ao lugar importante que se imaginam qualificados a ocupar e acabam desenvolvendo um crnico ressentimento para com qualquer pessoa que se ponha no seu caminho ou no lhes d o devido valor. medida que envelhecem, isso passa a incluir quase todo mundo. Por fim, surge uma profunda e permanente inveja amargurada contra o mundo todo. Desenvolvem, por fim, uma expresso de santidade azeda e assumem uma aparncia de mgoa santa que eles imaginam que deve ser igual que estava na face dos mrtires das arenas romanas. Isso srio demais para ser engraado, e por demais trgico e nocivo para ser considerado levianamente. A verdade pura e simples que ningum pode atrapalhar um homem que se humilhe por completo. No h suficientes montanhas no inferno para sufocar o verdadeiro homem ou a verdadeira mulher de Deus, mesmo que fossem empilhadas sobre ele ou ela de uma s vez. Deus escolhe os mansos para confundir os poderosos: "Da boca de pequeninos e crianas de peito suscitaste fora, por causa dos teus adversrios, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador" (Salmo 8.2). As crianas de peito so exatamente o que so - no tm orgulho em si mesmas e no guardam rancor. Eis uma pista para os cristos. [This World: Playground or Battleground, captulo 13.]

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A F SEM EXPECTATIVA EST MORTAExpectativa e f, embora semelhantes, no so a mesma coisa. Um cristo instrudo no confundir as duas. A f verdadeira jamais estar sozinha; ela sempre estar acompanhada pela expectativa. O homem que cr nas promessas de Deus espera v-las cumpridas. Onde no existe expectativa, no existe f. Contudo, bem possvel existir a expectativa sem que exista a f. A mente perfeitamente capaz de confundir um forte desejo com a f. Na verdade a f, da forma em que comumente entendida, no passa de um desejo combinado com um agradvel otimismo. Alguns escritores conquistam bons lucros promovendo essa pretensa f que se supe criar um pensamento "positivo", em oposio atitude mental negativa. Os seus ensinamentos so muito bem recebidos pelo corao daqueles afligidos por uma compulso psicolgica para crer, e que lidam com os fatos pelo simples expediente de no lev-los em conta. A f verdadeira no formada do mesmo material de que so feitos os sonhos; antes ela consistente, prtica e totalmente realista. A f v o invisvel, mas ela no v aquilo que no existe. A f ocupa-se com Deus, a grande Realidade, que deu e d existncia a todas as coisas. As promessas de Deus esto de acordo com a realidade, e qualquer que confia nelas entra num mundo real, e no fictcio. Na experincia normal, chegamos verdade por meio da observao. Tudo o que se pode verificar por meio de experimentos aceito como verdade. Os homens crem nas informaes dos seus sentidos. Se a ave caminha como um pato, parece um pato e emite sons como de um pato, ento provavelmente um pato. E se dos ovos que choca saem pequenos patos, praticamente se conclui o teste. A probabilidade d lugar certeza; essa ave mesmo um pato. Essa uma forma vlida para lidar com nosso ambiente natural. Ningum ousaria reclamar desse mtodo, j que todos agem assim. o jeito que lidamos com este mundo. Mas a f introduz um outro elemento em nossa vida, radicalmente diferente. "Pela f entendemos" a palavra que ala nosso conhecimento a um nvel superior. A f se ocupa com fatos que foram revelados do cu e que, por sua natureza, no reagem a testes cientficos. O cristo conhece como verdade alguma coisa no porque a verificou por meio de alguma experincia, mas porque Deus a declarou. As suas expectativas nascem da sua confiana no carter de Deus. A expectativa sempre esteve presente na igreja nos tempos em que ela mais manifestou poder. Quando ela creu, ela esperou, e o seu Senhor jamais a desapontou. "Bem-aventurada a que creu, porque sero cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor" (Lucas 1.45).

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Todo grande mover de Deus na histria, cada avano incomum na igreja, cada reavivamento, foi precedido por um senso de forte antecipao. A expectativa sempre acompanhou as operaes do Esprito. As Suas intervenes dificilmente surpreenderam o Seu povo, porque eles aguardavam com expectativa o Senhor ressurrecto e aguardavam confiantemente o cumprimento da Sua Palavra. As Suas bnos seguiam as suas expectativas. Uma caracterstica que sintomtica nas igrejas normais de hoje a ausncia de expectativa. Os