revista de boca em boca

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Revista de divulgao do Programa de Mestrado Profissional

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    ndiceEditorialApresentao

    1. Entrevista com a antroploga Mirian Goldenberg

    2. Evite a trinca e a fratura de um dente conhecendo o sndrome do dente gretado

    3. Um novo paradigma para a formao do profissional de sade

    4. Avanos no estudo e na caracterizao da dentina humana

    5. Como identificar os pacientes suscetveis a doena periodontal?

    6. Currculos e prticas pedaggicas de cursos de odontologia do Rio de Janeiro na viso de alunos de ps-graduao Lato Sensu.

    7. Patncia e limpeza do forame no limpam nada

    8. Clulas-tronco, medula ssea e terapia celular: conceitos e perspectivas

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    ReitorMario Veiga de Almeida Jnior

    Vice-ReitorTarqunio Prisco Lemos da Silva

    Pr-Reitor AcadmicoArlindo Cardarett Vianna

    Diretor Administrativo-FinanceiroMauro Ribeiro Lopes

    Diretor de PlanejamentoArlindo Cardarett Vianna

    Diretor do Campus TijucaAblio Gomes de Carvalho Jnior

    Diretora da Unidade BarraKtia Cristina Montenegro Passos

    Diretor do Campus Cabo FrioAlexandre Ferreira Machado

    Diretora de Ps-Graduao Stricto Sensu e de PesquisaMaria Beatriz Balena Duarte

    Coordenador do Mestrado Profissional em OdontologiaAntonio Canabarro

    EditorGustavo De Deus

    Projeto Grfico / DiagramaoFelipe Daniel e Rafael Geraldo

    Expediente

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    Apresentao

    O Programa de Mestrado Profissional de Odontologia da UVA inaugura neste primeiro nmero de sua revista De boca em boca uma nova fase. Seu compromisso com a pesquisa e o ensino tem sido ampliado nos ltimos anos, gerando e di-vulgando conhecimento em revistas tcnicas especializadas, e tambm otimizando a troca de informaes nas salas de aulas, tanto na graduao como na ps-graduao. Porm, faltava um veculo que aproximasse o programa da socieda-de, levando informaes pertinentes, mas fugindo do jargo odontolgico tradicional. Com o lanamento deste nmero, graas principalmente ao esforo e a participao da nossa incansvel diretora, Prof. Maria Beatriz Balena, podemos afir-mar que nosso programa ajuda a UVA a cumprir talvez o seu papel mais importante, que o contato e a interao com a Sociedade.

    Nos ltimos tempos, vrias mudanas tm acontecido na Odontologia. O perfil odontolgico das doenas bucais e sua interao com outras doenas, tcnicas e materiais cada vez mais modernos, tudo isso tem levado a odontologia a mdia, aproximando-a cada vez mais das pessoas. Porm, no f-cil traduzir tudo que aparece nos meios de comunicao de massa. As revistas especficas, ento, so absolutamente inacessveis ao grande pblico. Talvez, a esteja principal funo da nossa revista, digerir e decodificar o linguajar es-pecializado, oferecendo uma viso atual da cincia odon-tolgica, sem perder o compromisso com o conhecimento embasado nas melhores evidncias disponveis.

    Por fim, particularmente prazeroso para mim fazer parte desse momento to especial do Programa de Mestrado Pro-fissional de Odontologia da UVA, especialmente pelo fato ter um amigo to especial, Prof. Gustavo de Deus, participando da idia e da concepo da revista. Tenho certeza que este ser apenas o primeiro numero de vrios que viro, sempre trazendo novidades e informaes sob uma tica muito espe-cial, que a marca do nosso programa e, particularmente, do professor Gustavo. Espero que, de boca em boca, o saber seja disseminado, e que, no fim, cumpra o seu papel mais nobre: ser til a sociedade.

    Antonio CanabarroCoordenador do Mestrado de Odontologia da Universidade Veiga de Almeida

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    Entrevista com a antroplogaMirian Goldenberg

    Mirian Goldenberg doutora em Antropologia Social pelo Pro-grama de Antropologia Social do Museu Nacional-Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994). professora Associada do IFCS/UFRJ. Tem pesquisas na rea de Antropologia Urbana, com nfase em Gnero, atuando principalmente nos seguintes temas: gnero e desvio, conjugalidade, sexualidade, infidelidade, corpo e envelhecimento. Autora de A Outra; Os novos desejos; Nu & Vestido; De perto ningum normal, Toda mulher meio Leila Diniz, A arte de pesquisar, Infiel: notas de uma antrop-loga; O corpo como capital; Coroas: corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade; Noites de insnia: cartas de uma an-troploga a um jovem pesquisador; Por que homens e mulheres traem?, Intimidade. Ela nos deu o prazer em conceder essa entrevista na qual aborda vrias questes interessantes sobre a vida acadmica e cientiifca.

    Por Gustavo De Deus, Antonio Canabarro e Maria Beatriz Balena

    1) Quando foi que voc se decidiu pela Antropologia? Brevemente, gostaramos de conhecer sua trajetria acadmica.

    Posso dizer que a opo por fazer antropologia surgiu em um sonho. Parece potico, mas a mais pura verdade. Aos 30 anos, aps fazer o Mestrado em Educao na PUC-RJ e trabalhar durante seis anos como assessora e coordenadora de uma ONG, resolvi investir em pesquisar a situao da mu-lher brasileira, interesse que sempre tive desde jovem. Tive um sonho que iria estudar as mulheres que fizeram a revolu-o sandinista na Nicargua como tese de doutorado no Mu-seu Nacional da UFRJ. E exatamente assim aconteceu... S que como a revoluo acabou, optei por estudar uma outra mulher revolucionria: Leila Diniz.

    Portanto, h mais de 20 anos estou estudando as mu-lheres brasileiras e desde 1994 sou professora da UFRJ. Fiz o meu doutorado de 1988 a 1994 e logo em seguida fiz o concurso para o IFCS para a cadeira de Mtodos e Tcnicas de Pesquisa Qualitativa.

    2) Hoje em dia, valoriza-se muito o pesquisador que tem linhas de pesquisa consolidadas. Porm, pesqui-sadores e alunos muitos vezes tem dificuldade em op-tar por determinado tema. Voc poderia discorrer um pouco sobre suas linhas de pesquisa? O que a levou a optar por estes temas?

    Minha linha de pesquisa sempre foi a Antropologia Urba-na, mais especificamente a Antropologia de Gnero. Dentro desta linha pesquiso casamento, famlia, sexualidade, infide-lidade, corpo e envelhecimento.

    Sempre digo para os meus alunos que a melhor maneira de escolher o tema de pesquisa perseguir a prpria paixo, interesse e curiosidade. Fao exatamente o que aconselho aos meus alunos: escolho de acordo com a minha paixo. Na verdade, para mim tambm difcil escolher, pois tenho muitas paixes. Algumas delas distribuo como idias para os alunos que se interessam. Acabo sempre escolhendo a pai-xo mais verdadeira.

    3) A pesquisa qualitativa na odontologia no dife-rente das outras reas, sendo sempre encarada como um desafio para o pesquisador. Como uma autoridade nesta rea, qual seria seu conselho para quem quiser tentar se aventurar nesse campo?

    Em primeiro lugar, buscar pesquisar um tema de seu real interesse, curiosidade e paixo. No escolher o tema por mo-tivos objetivos, externos, mas por motivao interna. A boa pesquisa sempre aquela que tem um dedicado e interessa-do pesquisador por trs. Em segundo, definir com clareza os objetivos. Muitos se perdem no meio da discusso terica ou na anlise dos dados por no terem definido claramente O QUE querem pesquisar. No meu livro A ARTE DE PESQUISAR dedico vrias pginas para tentar incentivar os alunos a se apaixonarem pela pesquisa, como se apaixonam por um par-ceiro amoroso. Usarem seu tempo para namorarem o objeto de pesquisa, concentrarem-se em cada momento do proces-so, terem pacincia com as dificuldades e, especialmente, buscarem sempre uma idia original e criativa.

    4) Na sua opinio, quais so as principais habilidades e ferramentas que um educador deve possuir e desen-volver para otimizar o processo ensino-aprendizagem com seus alunos?

    Acho que o mais importante realmente ser apaixonado e acreditar no que est fazendo. Sem dvida nenhuma, ser um profundo conhecedor do tema que pesquisa. Mas sem paixo, sem verdade, sem interesse profundo e curiosidade, o educador no consegue contagiar os seus alunos. Encontro

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    muitos alunos desmotivados e sem interesse pela pesquisa. muito difcil provar a eles que vale a pena. Mas sempre consigo seduzir alguns que querem realmente fazer pesquisa, mostrando que o que realmente importa ter um interesse verdadeiro pelo que se pesquisa.

    5) Em uma parte do seu livro Noites de Insnia, voc diz que varias teses no passam de um pacote de cita-es organizados de modo sistemtico. Qual seria sua sugesto para um aluno de mestrado/doutorado fugir desse caminho?

    Buscar suas prprias idias, buscar o que tem de novo a dizer, no ser um mero imitador ou reprodutor do que j foi dito. Concentrar-se em seus dados, em seus autores, em seus interesses e curiosidades. Diria que o mais importante ficar profundamente concentrado no que est pesquisando, pois acabar encontrando algo de novo para dizer.

    6) Voc discursa muito bem sobre as dificuldades do meio acadmico. A sua trajetria acadmica foi mar-cada por muitas dificuldades? Voc acha que a nova gerao de professores tem agido diferente para me-lhorar o meio acadmico ou eles esto cometendo os mesmos erros?

    No diria que tive muitas dificuldades, acho que tive e tenho as dificuldades naturais de todo e qualquer ambiente profissional. Tenho dificuldade para lidar com brigas, com-peties mesquinhas, fofocas, inveja... mas quem no tem? Diria at que tenho tido uma vida muito feliz no meio aca-dmico, com alunos inteligentes e motivados, com amigo