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Mapa hidrogeologico do estado do rio de janeiro , mostra como se encontra dividida as regiões do estado em relação a pedras e aguas .

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  • XIV Congresso Brasileiro de guas Subterrneas

    1

    HIDROGEOLOGIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

    Sntese do estgio atual do conhecimento

    Martins, A. M. ; Capucci, E. ; Caetano, L. C. ; Cardoso, G. 4; Barreto, A. B. C.5,.Monsores,

    A. L. M., Leal, A. S 6;.; Viana, P. 6

    Resumo

    O Estado do Rio de Janeiro constitudo predominantemente por rochas cristalinas. Por este

    motivo, as guas subterrneas esto espacialmente mais distribudas em aqferos fissurais, uma vez

    que os aqferos porosos esto nas plancies litorneas e bacias sedimentares, que cobrem apenas

    cerca de 20% do Estado. Diversos autores descreveram a hidrogeologia do Estado no todo ou em

    parte seja propondo suas provncias hidrogeolgicas, suas faixas de favorabilidade acumulao de

    gua subterrnea ou ainda, aqferos individualizados por bacias ou regies estudadas. Este trabalho

    rene e procura sintetizar as diversas contribuies para o conhecimento hidrogeolgico e a

    distribuio das guas subterrneas do Estado do Rio de Janeiro.

    Abstract

    The Rio de Janeiro State is mostly constituted by crystalline rocks. So, groundwaters are

    spatially occurring in fractured rocks aquifers than in porous ones which are located in coastal

    plains and sedimentary basins. Several authors outlined the whole or part of State hidrogeology

    proposing its hydrogeological provinces, water storage potential zones or individual aquifers in

    studied areas. This work seeks to join and to resume all the approaches on the Rio de Janeiro State

    hydrogeology and groundwaters distribution.

    Palavras chave: aqferos fissurais, provncias hidrogeolgicas, aqferos

    Keyboards: fractured rocks, hidrogeological provinces, aquifers

    Notas 1 Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro; 2- Companhia Estadual de guas e Esgotos; 3 Departamento Nacional de

    Produo Minera; 4 - Universidade Federal do Rio de Janeiro; 5 Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Petrobras; 6 - Faculdade de

    Geografia da Universidade Federal Fluminense

  • XIV Congresso Brasileiro de guas Subterrneas

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    1 Introduo

    Conforme mostra a Figura 1, o Estado do Rio de Janeiro apresenta dois domnios geolgicos

    principais: o das rochas cristalinas, que cobrem cerca de 80% do seu territrio e o das bacias e

    sedimentos litorneos.

    Figura 1 Os grandes domnios hidrogeolgicos do Estado do Rio de janeiro (DRM, 2006)

    Estas caractersticas geolgicas condicionam a ocorrncia regional de dois grandes sistemas

    aqferos, o fissural e o poroso. O sistema aqfero fissural ocupa cerca de 80% do territrio

    fluminense, estendendo-se desde o sul at a regio norte do Estado, atravs das fraturas e falhas

    abertas que ocorrem nos macios rochosos. J o sistema poroso encontra-se nos sedimentos

    permeveis e depsitos aluviais e marinhos, que se distribuem nas bacias principais (Campos,

    Macacu e Resende e plancies aluviais e litorneas.

    Este trabalho tem como objetivo apresentar uma consolidao dos diversos trabalhos

    hidrogeolgicos e as divises propostas por diversos autores para as provncias hidrogeolgicas e

    aqferos do Estado do Rio de Janeiro.

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    2 Trabalhos Existentes

    2.1 Provncias Hidrogeolgicas do estado do Rio de Janeiro

    Figura 2 Provncias Hidrogeolgicas e potencialidades da gua subterrnea do Estado do

    Rio de Janeiro (Capucci, 1988)

    Em seu mapa Provncias Hidrogeolgicas do Estado do Rio de Janeiro (Figura 2), na escala

    de 1:400.000, Capucci (1988), subdivide as provncias em unidades de acordo com as capacidades

    especficas, distinguindo quatro padres de potencialidade, agrupados em dois grandes domnios: as

    rochas inconsolidadas (sedimentos) e as rochas duras (cristalinas). O trabalho foi produzido

    principalmente com base na sua vivncia com a locao e construo de poos na CEDAE,

    incluindo alguns trabalhos da empresa de consultoria ENCO (1982), realizados para a CEDAE e de

    estudos realizados pela Petrobrs na Bacia de Campos.

    2.2 Mapa Hidrogeolgico do Municpio de Campos dos Goytacazes

    Caetano (2000), com base em Schaller (Figura 3) e outros autores e de sees geolgicas

    feitas de perfis de poos, delimitou quatro aqferos na Bacia de Campos: Quaternrio Deltico,

    Barreiras, Embor e Fraturado, o primeiro e o ltimo livres e os outros confinados. O autor estimou

    em 1,55 x 107 m3/ano o escoamento natural do Quaternrio Deltico, cuja recarga principal provm

    do rio Paraba do Sul e seus canais de drenagem.

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    Figura 3 Coluna estratigrfica e seo geolgica generalizada ( Schaller, 1973)

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    Figura 4 Mapa Hidrogeolgico do Municpio de Campos dos Goytacazes

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    2.3 Mapa de Favorabilidade Hidrogeolgica do Estado do Rio de Janeiro

    Barreto, A.B.C., Monsores, A.L.M., Leal, A.de S. e Pimentel, J. produziram, com parcerias do

    DRM-RJ, IGEO-UFRJ, DG-UFRRJ, FG-UERJ e RESUB, o Mapa de Favorabilidade

    Hidrogeolgica do Estado do Rio de Janeiro, de escala 1:400.000 (Figura-2), do Projeto Rio de

    Janeiro (CPRM, 2001). O trabalho teve por base um cadastro de 1800 poos georeferenciados. Para

    o Sistema Aqfero Fissural, foi utilizado o sistema de informao geogrfica SPANS-GIS, com

    anlise multicritrio dos temas declividade, densidade de fraturas, tipos de solos, uso e cobertura do

    solo, densidade de drenagem e litologia, ponderados de acordo com a sua relevncia para a

    acumulao de gua subterrnea. A tabela abaixo resume as classes de favorabilidade,

    Tabela 1 - Distribuio por faixas de vazo e favorabilidade (modificado de Barreto et al, 2001)

    Classes 0

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    Figura 6 Mapa de Favorabilidade Hidrogeolgica do Estado do rio de Janeiro (Fonte: Projeto RJ - CPRM. 2001)

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    2.4 gua Subterrnea na Baixada Campista

    Em uma releitura da hidrogeologia da Bacia de Campos, Capucci (2003) utiliza a

    geotectnica, a litologia das amostras de perfurao de poos e a qualidade das guas para a

    definio dos aqferos. Ele reconhece trs blocos resultantes da reativao tectnica: os Altos

    Estruturais de So Francisco do Itabapoana (a Norte) e Quissam (a Sul) e o bloco rebaixado de

    Campos e So Joo da Barra ao centro. (Figuras 7 e 8).

    Figura 7: Subdiviso do aqfero sedimentar de Campos. Modificado de Capucci, 2003.

    Aqfero Barreiras Primitiva - os sedimentos que cobrem os dois altos estruturais so

    reconhecidos como a Formao Barreiras, pela litologia essencialmente argilo-siltosa de cor

    avermelhada tpica de solos laterticos sobrepostos ao embasamento cristalino, conforme

    perfuraes de poos. Trata-se de um aqfero livre, muito pobre, pela baixa permeabilidade e gua

    de m qualidade, ferruginosa. Sua espessura cresce em direo ao litoral, alcanando 216 metros

    em Garga, municpio de So Francisco do Itabapoana

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    Figura 8 Perfil Hidrogeolgico da Bacia de Campos (Egmont, 2003)

    No bloco rebaixado so reconhecidos trs aqferos:

    (1) Aqfero Barreiras Recente, assim chamado pela colorao e aspecto latertico

    remanescentes da Formao Barreiras, porm com granulao mais grossa e alta permeabilidade,

    principalmente a partir dos 130 metros de profundidade, indicando o retrabalhamento da primeira.

    Sua espessura consideravelmente maior, e a gua de boa qualidade, com 300 ppm de STD.

    Superposto por 70 metros de sedimentos predominantemente argilosos com gua de m qualidade,

    dos quais os primeiros 30 metros de origem marinha, o Barreiras Recente um aqfero confinado,

    com poos jorrantes, que abastecem atualmente uma populao de cerca de 37.000 habitantes.

    (2) Aqfero Embor consiste em sedimento continentais constitudos por intercalaes

    montonas de folhelhos esverdeados e arenitos feldspticos glauconticos, com bastante linhita, de

    espessuras mximas de 2 metros. Superposto por 90 m de sedimentos marinhos com gua de m

    qualidade, um aqfero confinado, jorrante. Seu contato com as formaes mais antigas

    tectnico. Possui vazo especfica de 4 a 7 m3/h/m e gua de excepcional qualidade, com 150 ppm

    de STD. S um poo construdo neste aqfero, com uma vazo operacional de 260 m3/h, abastece

    uma populao de aproximadamente 15.000 pessoas dos distritos de Farol de So Tom, Santo

    Amaro e Baixa Grande. O poo estratigrfico da Petrobrs encontrou gua doce at os 320 metros.

    (3) Aqfero Aluvies de Campos consiste nos sedimentos do rio do Paraba do Sul,

    depositados durante seus sucessivos desvios de leito, aps o inco do rebaixamento do bloco,

    portanto conferindo uma sedimentao deltica. Aqfero livre, sua espessura aumenta em direo

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    ao mar, alcanando 100 metros no Distrito de Donana, municpio de Campos, onde adquire

    condies de semiconfinamento, prximo ao contato tectnico com os aqferos mais antigos. Os

    teores de ferro das guas, melhoram sensivelmente na poro inferior do aqfero, por suas

    caractersticas litolgicas. As capacidades especficas de 30 a 40 m3/s/m e vazes de 90 l/s.

    Pesquisa realizada pela ENCO atravs de poo perfurado pela T.Janer em 1980, encontrou

    transmissividades de 6.0