HIDROGRAFIA E HIDROGEOLOGIA: QUALIDADE E e hidrogeologia... · hidrografia e hidrogeologia: qualidade…

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<ul><li><p>HIDROGRAFIA E HIDROGEOLOGIA: QUALIDADE E DISPONIBILIDADE DE GUA PARA ABASTECIMENTO HUMANO NA BACIA COSTEIRA DO RIO SERGIPE. </p><p>Hlio Mrio de Arajo, Prof. Dr. Do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Sergipe - heliomarioaraujo@yahoo.com.br; Givaldo dos Santos Bezerra, Graduando em Geografia da Universidade Federal de Sergipe - gbezerrase@hotmail.com e Acssia Cristina Souza, Prof Assistente do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Sergipe acs@ufs.br. ABSTRACT - In the context of hydrographic condition of the State, the basin of Sergipe River is to be presented with greater diversity in relation to the use, often conflicting between supplying and irrigation, and with regard to aspects of physiographic order, which have ultimately affected a quantitative and qualitative spatial variation of water availability. The present study aimed at, among other aspects, locating the State Program of Support for Participatory Management of Water Resources (surface and underground) at the current law; it was also found various forms of water usage in the basin. In order to achieve these objectives, it was used different procedures relating to the bibliographic, mapping and field surveys. Among other results, it was observed in the basin that there are forms of water usage associated with the consumptives and non-consumptives types presenting variation from the human supplying up to the animal drinking, irrigation, industrial, agriculture, navigation, fishing and recreation. The system of water distribution in the basin has an installed capacity of 180.272m3/day, equivalent to 2.09 m3/s, with an estimated demand for year 2020 around 439,623 m3/day (5.09 m3/s) from which about 66.5% will be needed to human supplying. KEY WORDS: Hidrography; Hidrogeology; Human Supplying. Eixo temtico (3) Gesto de bacias hidrogrficas e a dinmica hidrolgica </p><p>1. INTRODUO A adoo da bacia hidrogrfica como unidade de planejamento de aceitao universal </p><p>(SANTOS, 2004). Estudos que visem oferecer subsdios ao planejamento de aes que tenham por </p><p>objetivo a promoo do desenvolvimento regional sustentvel, necessariamente devem levar em </p><p>considerao a questo dos recursos hdricos e, assim, so indispensveis as pesquisas que tenham por </p><p>base analisar as bacias hidrogrficas como unidade de estudo, uma vez que a bacia se constitui numa </p><p>unidade fsica bem caracterizada, tanto do ponto de vista da integrao, como da funcionalidade dos </p><p>seus componentes. </p><p>Esse enfoque, que ganha corpo no mundo inteiro, torna-se cada vez mais importante e dever </p><p>ser considerado imprescindvel para embasar qualquer tipo de ao no incio deste sculo XXI, quando </p><p>a grande luta por territrios e mercados ter como componentes determinantes o domnio e a </p><p>disponibilidade de recursos naturais dentre os quais a gua ocupar lugar de destaque. </p><p>No contexto hidrogrfico do Estado, a bacia do rio Sergipe a que se apresenta com maior </p><p>diversidade em relao aos usos, geralmente conflitantes, entre a irrigao e o abastecimento, e bem </p><p>assim no que se refere aos aspectos de ordem fisiogrficas, que acabam muitas vezes, por condicionar </p><p>uma variao espacial quantitativa e qualitativa da disponibilidade hdrica. </p><p>Nos termos estabelecidos pela SRH/MMA (2000), os usos da gua podem ser classificados nos </p></li><li><p>tipos consuntivos e no-consuntivos. O uso consuntivo refere-se a parte de gua derivada para uso que </p><p> consumida, como sempre ocorre com a parcela evaporada e as perdas nos sistemas de conduo e </p><p>distribuio. Assim, o limite superior de uso consuntivo no mbito de uma bacia hidrogrfica </p><p>denomina-se de Suprimento Bsico Primrio, que nada mais do que a quantidade de gua que pode </p><p>ser consumida no estgio atual de desenvolvimento dos recursos hdricos. O uso no-consuntivo, por </p><p>sua vez, no implica reduo da disponibilidade quantitativa e/ou qualitativa de guas de corpos </p><p>hdricos, podendo haver modificao no seu padro espacial e temporal. Neste caso, incluem </p><p>navegao, recreao, minerao, amenidades ambientais, manuteno de ecossistemas, diluio de </p><p>resduos, piscicultura, controle de cheias, entre outros. </p><p>Estudos realizados pela JICA (Agncia de Cooperao Internacional do Japo) em 2000 </p><p>comprovam existir na bacia as formas de uso da gua associadas aos tipos consuntivos e no-</p><p>consuntivos apresentando variao desde o abastecimento humano, at a dessedentao animal, </p><p>irrigao, industrial, agricultura, navegao, piscicultura e recreao. Comparativamente, ao verificar a </p><p>demanda de gua em milhares de metros cbicos por dia, concluiu para os anos 2000 e 2020, </p><p>respectivamente os seguintes resultados: 164,5 e 412,5 destinados ao setor industrial, 144,3 e 223,5 </p><p>para o abastecimento humano, 30,0 e 125,0 para irrigao e em menor quantidade 3,3 e 4,1 para </p><p>Dessedentao animal. </p><p>Atualmente o sistema de distribuio de gua na bacia possui capacidade instalada de </p><p>180.272m3/dia, correspondente a 2,09m3/s, com estimativa para o ano 2020 numa demanda de </p><p>aproximadamente 439.623m3/dia (5,09 m3/s), dos quais cerca de 66,5% sero necessrios ao </p><p>abastecimento humano, sem contar que, no momento 70% das guas utilizadas do setor industrial do </p><p>Estado, a sua maior parte consumida nos municpios costeiros de Aracaju (maior plo econmico), </p><p>Nossa Senhora do Socorro e So Cristvo. </p><p>2. MATERIAL E MTODO </p><p>Para o alcance dos objetivos propostos na pesquisa, utilizou-se distintos procedimentos </p><p>associados aos levantamentos bibliogrficos, cartogrficos e de campo. </p><p>As informaes de hidrogeologia baseou-se numa rede de poos cadastrados pela Companhia </p><p>de Saneamento de Sergipe (DESO) e Departamento de Recursos Hdricos de Sergipe (DEHIDRO), </p><p>alm das informaes sobre recursos hdricos superficiais e subterrneos existentes no diagnstico dos </p><p>municpios da Bacia Costeira (Projeto Cadastro da Infra-estrutura Hdrica do Nordeste) numa parceria </p><p>entre o Governo Federal (CPRM) e Estadual (SEPLANTEC e SRH) e bem assim, do estudo sobre </p><p>desenvolvimento de recursos hdricos no Estado de Sergipe (Relatrio Final) SEPLANTEC/JICA. </p></li><li><p>Os dados concernentes a salinidade e poluio hdrica foram obtidos atravs de diversos </p><p>estudos e relatrios tcnicos de diferentes instituies, tais como: Universidade Federal de Sergipe, </p><p>Administrao Estadual do Meio Ambiente (ADEMA), Departamento de Recursos Hdricos de </p><p>Sergipe (DEHIDRO), Conselho de Desenvolvimento Econmico de Sergipe (CONDESE) e Instituto </p><p>de Tecnologia e Pesquisa de Sergipe (ITPS). </p><p>A elaborao das cartas temticas de hidrografia e hidrogeologia baseou-se em tcnicas da </p><p>cartografia digital com a utilizao da ferramenta computadorizada. A carta base que ensejou a </p><p>elaborao desses produtos cartogrficos foi extrada do atlas digital sobre recursos hdricos de </p><p>Sergipe, a qual sofreu alguns ajustes na delimitao da rea da bacia. </p><p>Na fase de trabalho de campo para estudo dos aspectos fisiogrficos fluviais, fez-se vrias </p><p>observaes in loco, utilizando-se como instrumentos de apoio o GPS, a caderneta de campo e a </p><p>cmera fotogrfica digital, a qual serviu de base para registrar o perfil longitudinal dos principais </p><p>canais fluviais da bacia costeira. </p><p> 3. RESULTADOS E DISCUSSES </p><p>Na faixa homognea do semi-mido que margeia o litoral atlntico (ROCHA, 2001), a grande </p><p>demanda de gua para abastecimento humano, devido a presena da capital do Estado, exige a </p><p>transposio de recursos hdricos de boa qualidade provenientes de outras bacias hidrogrficas, </p><p>especialmente dos rios So Francisco atravs de sua adutora com capacidade superior a 12.000m3/dia, </p><p>que tambm visa abastecer as fbricas de amnia e uria e a usina de beneficiamento de potssio, e </p><p>Vaza Barris. Localmente, so utilizados outros mananciais superficiais (rios Poxim, Pitanga e </p><p>Jacarecica com volume de produo em torno de 1.062.874m3/ms, equivalente a 51,77%, e </p><p>subterrneos (sistema aqfero da Terra Dura e crstico da regio do Ibura) com produo estimada em </p><p>989.966m3/ms representando 48,22% para complementao do abastecimento da Grande Aracaju e </p><p>outras sedes municipais, sendo subsidiadas ainda pelos aqferos Quaternrio, Sapucari, Maruim e rio </p><p>Jacarecica que abastece particularmente o municpio de Riachuelo (Quadro 01). </p></li><li><p>Quadro 01 - Sistemas Pblicos de Abastecimento da Bacia Costeira do rio Sergipe. </p><p> SISTEMAS </p><p>VOL. PRODUZIDO M3/MS MANANCIAL </p><p>Aracaju </p><p>Aracaju </p><p>Aracaju </p><p>Barra dos Coqueiros </p><p>Laranjeiras </p><p>Maruim </p><p>Nossa Senhora do Socorro </p><p>Riachuelo </p><p>Santo Amaro das Brotas </p><p>648.000 </p><p>362.000 </p><p>663.000 </p><p>120.137 </p><p>60.480 </p><p>74.093 </p><p>18.951 </p><p>52.874 </p><p>53.305 </p><p>Rio Poxim </p><p>Rio Pitanga </p><p>Aqfero Crstico </p><p>Aqfero Quaternrio </p><p>Aqfero Sapucar </p><p>Aqfero Maruim </p><p>Aqfero Sapucar </p><p>Rio Jacarecica </p><p>Aqfero Sapucari </p><p>TOTAL 2.052.840 --- </p><p>guas superficiais guas subterrneas </p><p> 1.062.874 989.966 </p><p>51,77% 48,22% </p><p>Fonte: SEPLANTEC, 2003. </p><p>Na opinio de Rocha (2001) a super explorao de aqferos, principalmente o Crstico para a </p><p>complementao no abastecimento de Aracaju e sistemas granulares, a exemplo do que supre o </p><p>municpio de Barra dos Coqueiros, pode ocasionar a penetrao da cunha salina e comprometer esses </p><p>mananciais (Quadro 02). </p><p>O rio Sergipe, principal curso da Bacia Costeira, nasce numa altitude mdia de 280 metros na </p><p>localidade Lagoa das Areias (em Cip de Leite) no municpio de Pedro Alexandre, Estado da Bahia </p><p>onde percorre 51km, atravessa a fronteira com o estado de Sergipe, e em seguida constitui limite </p><p>municipal entre Carira e Nossa Senhora da Glria. Percorre no total 210km de extenso, at o oceano </p><p>atlntico, onde desemboca em forma de esturio, entre os municpios de Aracaju e Barra dos </p><p>Coqueiros. Dados da SEPLANTEC/SRH (2002) revelam que esse rio apresenta uma declividade </p><p>mdia de 1,35m/km, no trecho entre a nascente e a cidade de Riachuelo, declinando para 0,67m/km </p><p>entre esta cidade e a sua foz, segmento no qual acha-se bastante espraiado, com forte intruso da cunha </p><p>salina. </p><p>Em seu curso superior a bacia hidrogrfica constituda por terrenos do embasamento </p><p>cristalino. As precipitaes alcanam totais anuais em torno de 663mm, e ocasionalmente 847mm, </p><p>coincidindo, segundo a classificao de Thornthwaite, com a regio de clima megatrmico semi-rido </p><p>(DAa), onde a semi-aridez j se evidencia nos reduzidos ou nulos excedentes hdricos de inverno. A </p><p>irregularidade das precipitaes e a reduzida capacidade de reteno de guas pluviais, em terrenos </p><p>cristalinos, trazem reflexo no escoamento superficial, apresentando um escoamento </p><p>predominantemente temporrio (SOUZA, 2006). </p></li><li><p>Quadro 02 - Sntese das principais caractersticas e alternativas para o abastecimento humano na faixa homognea do Semi-mido. </p><p>CARACTERSTICAS ALTERNATIVAS </p><p>Clima (Precipitao) Relevo Geologia Solos Recursos Hdricos Superficiais (qualidade) Recursos Hdricos Superficiais (quantidade Q90) Recursos Hdricos Subterrneos (Qualidade) Recursos Hdricos Subterrneos (quantidade) </p><p> Precipitao mdia anual superior a 1.200mm. </p><p> Plancie costeira e relevos dissecados em colinas, tabuleiro costeiro. </p><p> Rochas sedimentares e sedimentos recentes, com destaque para a cobertura dentrtica terciria do Grupo Barreiras. </p><p> Solos profundos, com espessuras geralmente superiores a 1,5m, exceto na regio de ocorrncia de rochas calcrias. </p><p> Rios e riachos com a bacia de drenagem dentro desta faixa e da faixa de transio com baixo risco de salinizao, com exceo de incurses da cunha salina. </p><p> Valores de Q90 superiores a 200 l/s. </p><p> STD normalmente abaixo de 500 </p><p>mg/l, exceto em reas de ocorrncia de rochas calcrias e com influncia marinha ou de rios salinos. </p><p> Elevado potencial de guas subterrneas com vazes especficas acima de 500 1/h/m, podendo atingir valores superiores a 4.000 1/h/m. </p><p>Formas de Abastecimento Humano </p><p> Abastecimento da Grande Aracaju, com guas transpostas de outras bacias (So Francisco e Vaza Barris). </p><p> Utilizao de mananciais superficiais e subterrneos para a complementao do abastecimento da Grande Aracaju e demais sedes municipais. </p><p> Dificuldades para Abastecimento Humano </p><p> Poluio das guas superficiais e subterrneas. </p><p> Superexplorao de aqferos, especialmente o crstico para abastecimento da Grande Aracaju e granulares para atender a demanda de Barra dos Coqueiros, com elevado risco de intruso da cunha salina. </p><p> Consideraes Recuperao e proteo dos mananciais </p><p>superficiais (principalmente na sub-bacia do rio Poxim) e subterrneos. </p><p> Estudo de aqferos granulares alternativos prximo a Aracaju. </p><p> Monitoramento dos recursos hdricos superficiais e subterrneos. </p><p> Maior controle de perdas no sistema de distribuio. </p><p> Implantao de um sistema continuado de educao ambiental. </p><p>Fonte: In Rocha, 2001. Organizao: Hlio Mrio de Arajo, 2007. </p><p>Situao diferenciada percebe-se no mdio curso, quando os afluentes apresentam, de modo </p><p>geral, carter de perenidade, atestado pela maior abundancia e regularidades das chuvas, decorrente </p><p>dos climas Megatrmicos Submidos Seco (C1Aa) e Submidos (D1Aa) e condicionamento </p><p>litolgico (embasamento cristalino e bacia sedimentar). </p><p>No curso inferior, trecho que corresponde a Bacia Costeira (Figuras 01 e 02), apresenta-se </p><p>interposto entre as estruturas sedimentares das formaes Riachuelo, Cotinguiba, Calumbi e Grupo </p><p>Barreiras, e os depsitos quaternrios recentes. Em superfcie, destacam-se os rios Poxim, Cotinguiba </p><p>e Sal, como principais mananciais da margem direita, e pela margem esquerda os rios Ganhamoroba, </p><p>Parnamirim e Pomonga. A baixa densidade de drenagem nesse setor reflete aos controles exercidos </p><p>pelo clima, vegetao e litologia, principalmente, caracterizada pelo domnio de camadas permeveis. </p><p>As precipitaes por serem mais abundantes, tpicas dos climas Megatrmicos Submido mido </p><p>(C2Aa) e Submido (C1Aa) neste caso, estariam compensadas pela relativa permeabilidade e baixa </p><p>topografia do relevo. </p></li><li><p>Figura 02 Rio Sergipe nas proximidades do municpio de Riachuelo/SE. Creditos: Helio Mrio e Wellington Villar, 2007. </p></li><li><p>Alm do importante papel econmico desempenhado pelo rio Sergipe, ao longo do seu </p><p>percurso, a drenagem principal nos municpios da Bacia Costeira, assim se distribui: </p><p> Barra dos Coqueiros: rio Pomonga; </p><p> Laranjeiras: rio Cotinguiba; e os riachos Tramanday e Madre de Deus; Buti e Sem-</p><p>Dengue; </p><p> Maruim: rio Ganhamoroba; </p><p> Nossa Senhora do Socorro: rios Cotinguiba e Sal; </p><p> Riachuelo: rio Dandra ou Vermelho; </p><p> Santo Amaro das Brotas: rios Parnamirim e Limoeiro; e </p><p> So Cristvo: rios Poxim, Pitanga; Poxim Au e Poxim Mirim, exceto os que </p><p>integram a bacia do rio Vaza Barris. </p><p> A enumerao desses principais cursos fluviais, no mbito dos municpios, implica em </p><p>caracterizar geograficamente alguns deles, preferencialmente seguindo a seqncia anteriormente </p><p>estabelecida. </p><p>Inicialmente tem-se o rio Pomonga que drena terras do municpio de Barra dos Coqueiros, </p><p>possui 34km de extenso e perene em todo seu curso. Apresenta tipologia meandrante, e atravs do </p><p>canal do Pomonga une a bacia costeira do rio Sergipe bacia hidrogrfica do rio Japaratuba. O seu </p><p>leito acha-se litologicamente constitudo de areia, seixos, argila e cascalhos, e exibe principalmente a </p><p>jusante pequenas ilhas e desenvolvimentos de bancos arenosos como reflexo da baixa capacidade das </p><p>guas ne...</p></li></ul>