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Filipa Carvalho

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  • 43

    territorium 18, 2011, 43-54journal homepage: http://www.nicif.pt/riscos/Territorium/numeros_publicados

    AVALIAO DE RISCOS: COMPARAO ENTRE VRIOS MTODOS DE AVALIAO DE RISCO DE NATUREZA SEMI-QUANTITATIVA*

    Filipa Carvalho

    Seco Autnoma de Ergonomia, Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Tcnica de Lisboa, fcarvalho@fmh.utl.pt

    Rui Bettencourt Melo

    Seco Autnoma de Ergonomia, Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Tcnica de Lisboa, rmelo@fmh.utl.pt

    RESUMO

    Este artigo objectiva dar a conhecer os resultados de um estudo, realizado no mbito do mestrado em Ergonomia na Segurana no Trabalho, o qual se centrou na anlise comparativa entre 10 mtodos de avaliao de risco, de natureza semi-quantitativa. Com este estudo, pretendeu-se investigar se o Nvel de Risco obtido pelos 10 mtodos era idntico para cada um dos riscos previamente identifi cados e se o Tipo de Risco identifi cado poderia infl uenciar o Nvel de Risco obtido por esses mesmos mtodos.Palavras chave: Anlise de risco; Valorao de Risco; Perigo; Risco; Avaliao.

    RESUMEN

    La Evaluacin del Riesgo: Comparacin de distintos Mtodos de Evaluacin de Riesgos de la naturaleza semicuantitativa Este artculo pretende presentar los resultados de un estudio realizado en el Master de Ergonoma en la Seguridad en el Trabajo, que se centr en el anlisis comparativo de 10 mtodos de evaluacin de riesgos semicuantitativa. El propsito de este estudio fue investigar si la califi cacin de riesgo obtenidos en un 10 MERSqt fue idntico para cada uno de los riesgos identifi cados y si el tipo de riesgo determinado podra afectar la califi cacin de riesgo obtenidos por estos mtodos. Palabras clave: Anlisis de riesgos; Valoracin de riesgos; Peligro; Riesgo; Evaluacin .

    RESUM

    valuation des Risques: Comparaison de Differentes Mthodes de Nature Semi-Quantitatif dEvaluation des Risques Cet article vise prsenter les rsultats dune tude mene au sein du Master de lErgonomie dans la Scurit au Travail, qui a port sur lanalyse comparative de 10 mthodes semi-quantitatives pour valuer le risque. Cette tude visait dterminer si la Niveau de risque obtenue par les 10 mthodes tait identique pour chacun des risques identifi s prcdemment et si le Type de Risque identifi pourraient infl uer sur la Niveau de Risque obtenue par cs mthodes.

    Mots-cl: Analyse des risque; lvaluation des risque; Danger; Risque.

    ABSTRACT

    Risk Assessment: Comparison of Semi-Quantitative Risk Assessment Methods This article intends to present the results of a study conducted within the Master of Ergonomics in Safety at Work, which focused on a comparative analysis between 10 methods. This study aimed to investigate whether the risk rating obtained by these methods was identical for each of the risks previously identifi ed and if the type of risk identifi ed could affect the risk rating obtained by these same methods.Key words: Risk analysis; Risk evaluation; Hazard; Risk.

    * O texto deste artigo corresponde comunicao apresentada ao II Congresso Internacional de Riscos e VI Encontro Na-cional, tendo sido submetido para reviso em 25-05-2010, tendo sido aceite para publicao em 26-06-2010.

    Este artigo parte integrante da Revista Territorium, n. 18, 2011, RISCOS, ISBN: 0872- 8941.

  • RISCOS - Associao Portuguesa de Riscos, Preveno e Segurana

    44

    Introduo

    A importncia atribuda Segurana e Sade no Trabalho (SST) (Directiva 89/391/CEE do Conselho, de 12/06, e Lei n. 102/2009, de 10 de Setembro) vem destacar o papel crucial que a Avaliao de Riscos assume em todo o processo, conferindo-lhe mesmo um lugar central nas abordagens preventivas. Na verdade, a preocupao de integrar a Avaliao de Risco na preveno referida no artigo 4 da Conveno n 155 da OIT, de 22 de Junho de 1981 (OIT, 1981), onde se impe aos Estados membros que a integram a implementao de uma poltica nacional que seja coerente, em matria de SST e do Ambiente de trabalho, e que tenha por objectivo a preveno dos acidentes de trabalho e dos perigos para a sade dos trabalhadores, atravs da maior reduo possvel das causas dos riscos. Por seu turno, a Agncia Europeia para a Segurana e Sade no Trabalho (2008d), no seu documento Facts 81(PT), refere que a avaliao de riscos constitui a base de uma gesto efi caz da SST e fundamental para reduzir os acidentes de trabalho e as doenas profi ssionais. Se for bem realizada, esta avaliao pode melhorar a SST, bem como, de um modo geral, o desempenho das empresas.

    No obstante a obrigao legal associada Avaliao de Risco, sabemos que da responsabilidade de cada empresa e/ou servio defi nir os processos de avaliao utilizados, j que em termos metodolgicos no existem regras estabelecidas sobre a forma como esta deve ser realizada (F. CARVALHO et al, 2007; F. CARVALHO et al, 2008).

    A Comisso Europeia, num livro que publicou intitulado de Guidance on risk assessment at work, corrobora esta ideia ao considerar que no existem regras estabelecidas sobre como levar a cabo uma avaliao de risco salientando, apenas, dois princpios que devem estar sempre presentes aquando da sua realizao (European Commission, 1996):

    A avaliao de riscos deve ser estruturada para garantir que todos os perigos importantes, e respectivos riscos, no fi cam esquecidos, mesmo aqueles associados s tarefas que so realizadas esporadicamente, ou fora do horrio normal de trabalho;

    Quando um risco identifi cado, deve-se comear por questionar se o risco absolutamente necessrio ou se pode ser eliminado pela abolio do perigo que o origina.

    Segundo OZOG (2009), a Avaliao de Risco corresponde ao processo de identifi cao dos riscos de segurana e determinao do custo efectivo na reduo do mesmo. O mesmo autor salienta que, embora muitas organizaes reconheam a necessidade das avaliaes de risco, muitas no tm as ferramentas, os recursos e a experincia para avaliar os riscos quantitativamente. Assim, estas

    organizaes recorrem a mtodos de avaliao de risco de natureza qualitativa (MAQl) ou de natureza semi-quantitativa (MASqt), tais como as matrizes de risco.

    L.A. COX (2008) refere que as matrizes de risco so populares em mltiplas aplicaes, nomeadamente na anlise do risco no terrorismo, na gesto de projectos de construo de estradas, na construo de escritrios, nas mudanas de clima e na prpria gesto de risco empresarial. Refere ainda que, apesar da sua utilizao ser incentivada pelas prprias Normas Nacionais e Internacionais, entre vrias organizaes e consultores de risco, como so o caso da Military Standard 882C e AS/NZS 4360:1999, poucas pesquisas validam rigorosamente o seu desempenho na real melhoria das decises de gesto do risco.

    Embora as matrizes de risco sejam reconhecidamente fceis de utilizar, podem originar falsos nveis de segurana, a menos que sejam adequadamente concebidas (OZOG, 2002).

    Tendo presente que as avaliaes de natureza semi-quantitativa (MASqt) se tornam, na maior parte dos casos, as ferramentas disponveis para levar a cabo as obrigaes impostas pela legislao, j que so mtodos generalistas e geralmente de fcil aplicao, no podemos descorar a lacuna existente na validao dos resultados das suas aplicaes.

    Poucos so os estudos que refl ectem a preocupao de comparar os resultados das avaliaes de risco aquando da utilizao de diferentes mtodos, em particular os mtodos centrados nas matrizes de risco. Os poucos estudos que se conhecem (F. CARVALHO, 2007 e J.C. BRANCO et al, 2007) reforam a necessidade de se aprofundar o conhecimento cientfi co neste domnio, para garantir a fi abilidade das avaliaes de risco efectuadas.

    Com este artigo pretendemos dar a conhecer o estudo realizado no mbito do mestrado em Ergonomia na Segurana no Trabalho, no qual se realizou uma anlise comparativa entre 10 mtodos de avaliao de risco de natureza semi-quantitativa (MASqt), integrando um duplo objectivo:

    Por um lado, perceber se o Nvel de Risco obtido pelos diferentes mtodos utilizados idntico,

    E por outro lado, perceber se o Tipo de Risco em avaliao pode infl uenciar esses mesmos resultados.

    De referir, que esta temtica revelou-se, e continua a revelar-se, bastante pertinente e actual, facto evidenciado pelo lugar que ocupa nos congressos e encontros cientfi cos na rea da Segurana, Higiene e Sade no Trabalho (SHST), de h uns anos a esta parte, sendo mesmo considerada uma das prioridades de interveno estabelecidas na recentemente divulgada poltica de Segurana e Sade da Unio Europeia, para o perodo 2007-2012 (Comisso das Comunidades Europeias, 2007).

  • territorium 18

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    Defi nio do Problema

    Objectivos do estudo

    A aplicao de mtodos de natureza semi-quantitativa de Avaliao de Risco constituiu o problema fulcral do estudo. A importncia que estes mtodos assumem na maioria das situaes de trabalho levou-nos a pensar que era necessrio obter informao mais precisa sobre o resultado que eles proporcionam. Estudos desta natureza tm-se revelado como sendo cada vez mais urgentes, sob pena de no se alcanarem os verdadeiros objectivos para os quais esses mtodos so utilizados, em particular a:

    Identifi cao dos riscos que ultrapassam os nveis aceitveis ou tolerveis;

    Fidedigna hierarquizao dos riscos encontrados, de acordo com as prioridades de interveno.

    Em sntese, realizou-se um Estudo comparativo entre diferentes mtodos de natureza Semi-quantitativa de Avaliao de Risco em Situao Real de Trabalho. Com o estudo referido procurou-se dar resposta s seguintes questes:

    Q1 Ser que o Nvel de Risco obtido, pelos diferentes MASqt utilizados, idntico para cada um dos riscos/consequncias associadas?.

    Q2 Ser que o Tipo de Risco em avaliao infl uencia o Nvel de Risco obtido pelos diferentes MASqt utilizados?.

    As questes formuladas conduziram-nos formulao das seguintes Hipteses Nulas (H0):

    H0-1 No

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