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  • VI A Economia Internacional 153

    VIA Economia Internacional

    A economia mundial persistiu, em 2010, na trajetria de recuperao iniciada no segundo semestre do ano anterior, quando a atuao coordenada dos bancos centrais e governos dos EUA e de pases europeus com vistas a estabilizar os sistemas fi nanceiros e mitigar os efeitos da intensifi cao da crise fi nanceira internacional passou a favorecer a retomada da atividade econmica.

    Os principais pases desenvolvidos voltaram a registrar crescimento anual do PIB, ressaltando-se o carter assimtrico deste movimento no mbito destas economias e, principalmente, quando incorporado o desempenho das economias emergentes.

    Os mercados fi nanceiros, embora registrassem menor volatilidade que em 2009, refl etiram, de maio a meados de agosto, o aumento das preocupaes relacionadas s dvidas soberanas de determinados pases europeus e as perspectivas desfavorveis com relao sustentao da retomada econmica dos EUA e ao desempenho da China. A partir de agosto, o retorno gradual do otimismo quanto evoluo da atividade econmica nos EUA e na China, e a elevada liquidez na economia mundial favoreceram a trajetria dos ndices das principais bolsas de valores.

    Nesse ambiente, a deteriorao da oferta de diversos produtos agrcolas e a forte demanda de alguns pases emergentes criaram condies para a valorizao expressiva observada nas cotaes das commodities agrcolas no segundo semestre do ano, exercendo desdobramentos generalizados sobre as taxas de infl ao e sobre os processos de normalizao da poltica monetria, tanto em economias desenvolvidas quanto nas emergentes.

    Atividade econmica

    As quatro maiores economias desenvolvidas, refl etindo a heterogeneidade da recuperao das respectivas demandas internas, em especial do consumo das famlias e dos investimentos empresariais, registraram ritmo de crescimento distinto no primeiro trimestre do ano. Nesse sentido, as taxas anualizadas de expanso do PIB do Japo e dos EUA totalizaram, na ordem, 6,1% e 3,7% no trimestre, enquanto as relativas ao Reino Unido e rea do Euro atingiram 0,8% e 1,6%, respectivamente.

  • 154 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2010

    Nos EUA, em cenrio de estabilizao da renda real disponvel e reduo da poupana pessoal, o consumo das famlias registrou aumento anualizado de 1,9% no perodo, enquanto, na rea do Euro, a despeito da gradual exausto dos efeitos dos incentivos aquisio de automveis e o rigoroso inverno, o consumo das famlias assinalou expanso de 1,4%. No Japo, evidenciando os estmulos demanda por automveis e bens durveis, e no Reino Unido, registraram-se, na ordem, expanso de 2,1% e contrao de 0,3%.

    A FBCF das empresas apresentou aumento trimestral anualizado de 7,8% nos EUA e de 34,3% no Reino Unido. Na rea do Euro, a FBCF total registrou contrao anualizada de 0,9%. No mesmo perodo, os investimentos empresariais do Japo cresceram 2,7%. Na tica residencial, os investimentos apresentaram expanses anualizadas no Reino Unido, 5,3%, e no Japo, 6,5%, enquanto que registraram contraes de 6,2% e de 12,3%, respectivamente na rea do Euro e nos EUA. As exportaes de bens e servios, em cenrio de recuperao da demanda fi nal e esgotamento do processo de ajustes nos estoques, registraram, no primeiro trimestre do ano, crescimentos anualizados no Japo, 29,3%; na rea do Euro, 12,7%; e nos EUA, 11,4%, e recuo anualizado de 4% no Reino Unido. As importaes da rea do Euro, refl etindo os reduzidos nveis dos estoques na regio, experimentaram elevao anualizada de 15,2% no trimestre, enquanto as aquisies do Japo e dos EUA, traduzindo a recuperao mais acentuada da demanda interna destes pases, cresceram, na ordem, 12,7% e 11,2%. As compras externas do Reino Unido elevaram-se 7,7%, no perodo.

    A variao de estoques exerceu contribuio positiva generalizada para o crescimento anualizado do PIB no trimestre encerrado em maro de 2010. Esse desempenho, aliado ao processo de expanso das exportaes e, nos EUA e Japo, tambm evoluo favorvel do consumo das famlias, favoreceu a acelerao do crescimento da produo manufatureira, que registrou, no trimestre, taxas anualizadas de 32,7% no Japo, 13,7% na rea do Euro, 7,1% nos EUA e 4,1% no Reino Unido.

    Na China, a variao anual do PIB trimestral atingiu 11,9% nos primeiros trs meses do ano, o maior crescimento desde o segundo trimestre de 2007, refl exo do forte consumo domstico e do aumento das exportaes, mesmo diante de nova desacelerao no crescimento da formao bruta de capital fi xo. O crescimento do consumo foi estimulado pela recuperao do mercado de trabalho e pela manuteno dos incentivos governamentais aquisio de bens durveis. No perodo, as vendas no varejo expandiram-se 16,2%, enquanto que as vendas de veculos aumentaram 72,5%. No mesmo intervalo de tempo, a produo industrial cresceu 19,6% refl etindo no somente o crescimento do consumo domstico, mas tambm o bom momento das exportaes, que avanaram 28,7% em relao ao mesmo perodo um ano antes. As importaes reais do pas aumentaram 65,1%, benefi ciando o crescimento da atividade econmica nos pases do sudeste asitico, no Japo e nos pases exportadores de matrias-primas.

  • VI A Economia Internacional 155

    As quatro maiores economias desenvolvidas voltaram a apresentar ritmo de crescimento diferenciado no segundo trimestre do ano. Entretanto, em oposio ao observado nos

    Quadro 6.1 Maiores economias desenvolvidasComponentes do PIB e outros indicadores

    Taxa % anualilzada

    I II III IV I II III IV

    PIB Estados Unidos -4.9 -0.7 1.6 5.0 3.7 1.7 2.6 3.1 rea do Euro -9.6 -0.6 1.6 0.8 1.6 4.0 1.4 1.1 Reino Unido -8.6 -3.2 -1.1 1.9 0.8 4.3 2.9 -1.9 Japo -20.0 10.7 -1.9 7.2 6.1 2.1 3.3 -1.3

    Consumo das famlias Estados Unidos -0.5 -1.6 2.0 0.9 1.9 2.2 2.4 4.0 rea do Euro -2.1 0.1 -0.8 1.1 1.4 0.8 0.7 1.6 Reino Unido -5.4 -2.8 0.1 3.9 -0.3 2.2 -0.1 -1.1

    Japo1/ -7.4 5.2 0.4 3.9 2.1 -0.1 3.6 -3.2

    Formao Bruta de Capital Fixo das empresas Estados Unidos -35.2 -7.5 -1.7 -1.4 7.8 17.2 10.0 7.7

    rea do Euro2/ -19.1 -8.6 -5.1 -4.2 -0.9 8.5 -0.9 -2.0

    Reino Unido -31.1 -33.9 -14.3 -10.9 34.3 0.8 17.2 -0.1

    Japo3/ -23.5 -18.2 -8.3 6.3 2.7 12.0 5.6 2.0

    Investimento residencial Estados Unidos -36.2 -19.7 10.6 -0.8 -12.3 25.6 -27.3 3.3

    rea do Euro4/ -2.0 -6.8 -6.9 -6.8 -6.2 3.9 -4.0 -4.8

    Reino Unido -44.0 -17.2 6.8 -10.6 5.3 32.8 18.5 -14.2 Japo -23.6 -30.4 -27.9 -15.0 6.5 -1.3 7.5 12.3

    Exportaes de bens e servios Estados Unidos -27.8 -1.0 12.2 24.4 11.4 9.1 6.7 8.6 rea do Euro -30.6 -4.0 11.1 9.0 12.7 19.0 8.6 6.3 Reino Unido -25.5 -6.9 3.5 15.5 -4.0 12.5 6.7 7.1 Japo -68.4 45.1 40.1 28.1 29.3 22.9 6.3 -3.0

    Importaes de bens e servios Estados Unidos -35.3 -10.6 21.9 4.9 11.2 33.5 16.8 -12.6 rea do Euro -24.7 -10.6 7.3 4.4 15.2 18.0 6.2 3.9 Reino Unido -25.8 -8.8 4.4 17.7 7.7 8.8 7.8 13.5 Japo -49.4 -19.7 24.0 4.1 12.7 16.8 12.0 -0.5

    Taxa de desemprego5/

    Estados Unidos 8.6 9.5 9.8 9.9 9.7 9.5 9.6 9.4 rea do Euro 9.2 9.5 9.9 10.0 10.1 10.1 10.1 10.0 Reino Unido 7.1 7.8 7.9 7.8 8.0 7.8 7.7 7.9 Japo 4.8 5.2 5.3 5.2 5.0 5.2 5.0 4.9

    Fontes: BEA, Thomson, Cabinet Office, Eurostat e elaborao prpria

    1/ Consumo privado.2/ FBCF total.3/ Investimentos empresariais (inclui variao de estoques)4/ Gastos totais com contrues.5/ Taxa ao final do perodo.

    20102009

  • 156 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2010

    dois trimestres anteriores, as taxas anualizadas de expanso dos PIBs dos EUA 1,7%, e do Japo, 2,1%, situaram-se em patamar inferior s relativas ao Reino Unido, 4,3%, e rea do Euro, 4,0%, esta favorecida pelo crescimento de 9% registrado na Alemanha.

    Nos EUA, embora a taxa anualizada de crescimento da renda real disponvel atingisse 4,4% no trimestre encerrado em junho, o consumo das famlias aumentou 2,2%, favorecendo que a poupana das famlias crescesse 0,7 p.p., para 6,2% da renda disponvel. Na rea do Euro, mesmo em ambiente de incertezas derivadas da crise de endividamento soberano e de gradual eliminao dos incentivos aquisio de veculos, o consumo das famlias assinalou expanso anualizada de 0,8%. No Japo, a exausto de incentivos ao consumo de bens durveis contribuiu para que o consumo registrasse contrao anualizada de 0,1% no trimestre.

    A taxa de crescimento da FBCF das empresas atingiu 17,2% nos EUA e 0,8% no Reino Unido. Na rea do Euro, a FBCF total apresentou a primeira expanso desde o primeiro trimestre de 2008, crescendo 8,5%, com nfase na recuperao dos gastos com mquinas e equipamentos e na expanso da atividade da construo. No Japo, os investimentos empresariais cresceram 12%. No mesmo perodo, os investimentos residenciais registraram aumentos respectivos de 3,9%, 25,6% e 32,8% na rea do Euro, nos EUA e no Reino Unido e recuo de 1,3% no Japo. Ressalte-se que o resultado registrado nos EUA traduziu, em parte, a prorrogao dos incentivos tributrios aquisio da primeira moradia.

    As exportaes de bens e servios registraram, no perodo, crescimentos anualizados de 22,9% no Japo, 19% na rea do Euro, 9,1% nos EUA e 12,5% no Reino Unido, enquanto as importaes de bens e servios experimentaram variaes respectivas de 16,8%, 18%, 33,5% e 8,8%, nas economias mencionadas.

    A produo manufatureira na rea do Euro registrou crescimento anualizado de 9,6% no segundo trimestre do ano; seguindo-se as expanses assinaladas nos EUA, 8,7%; no Japo, 2,8%; e no Reino Unido, 6,2%.

    Na China, a taxa de crescimento anual do PIB atingiu 10,3% no trimestre encerrado em junho, ante 11,9% naquele fi nalizado em maro. As vendas no varejo, impactadas pelo arrefecimento das vendas de veculos, cresceram 15,2%, enquanto o aumento dos investimentos em ativos fi xos totais desacelerou para 20,5%, quarta retrao trimestral consecutiva, e o crescimento trimestral anualizado da produo industrial totalizou 1

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