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    libretoSURFANDO NA MARQUISE

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    Em 1954, quando o parque Ibirapuera foi inaugurado, So Paulo viviaa euforia do seu ivCentenrio, que coincidia com a poca de ourodo desenvolvimentismo. Era a cidade que no podia parar, o maiorcentro industrial da Amrica do Sul, locomotiva do Brasil, na visoufanista que valorizava os bandeirantes.

    Neste contexto, a implantao do parque representou um marco

    que associava a modernidade da arquitetura ao resgate da natu-reza, numa metrpole que se tornava cada vez mais cinza e duracomo o concreto.

    O que nos encanta no Ibirapuera e o diferencia numa cidade tocarente de espaos pblicos a capacidade de seus criadores, lidera-dos pelo arquiteto Oscar Niemeyer e com a importante participao dopaisagista Burle Marx, de associar uma grande rea verde, repletade opes de recreao, com um dos mais completos conjuntos dearquitetura moderna do pas.

    O prdio da Bienal no ano da

    inaugurao do parque, em 1954

    O parque foi uma resposta coerente para a metrpole em cresci-mento, que requeria lugares para o lazer e a cultura. Ao longo de maisde cinqenta anos de histria, muitos artistas, intelectuais e arquitetosdeixaram sua marca no local. Alguns criaram e recriaram os espaosarquitetnicos, como Lina Bo Bardi e Paulo Mendes da Rocha, outrosos povoaram com obras de vanguarda. A Bienal, idealizada por Ciccillo

    Matarazzo, tornou-se uma das mais notveis mostras de arte do mundo,onde mais de 10mil artistas de quase 150pases contriburam para fazerde So Paulo o mais importante plo cultural do Hemisfrio Sul.

    Os edifcios foram interligados pela sinuosa e elegante marquise,que criou uma indita relao entre as construes e a rea livre,rompendo a tradicional oposio entre a vastido da natureza e asuperocupao das metrpoles. Poucos so os espaos urbanos, so-bretudo no Brasil, em que o moderno e o meio natural dialogam demaneira to perfeita.

    nabil bonduki, arquiteto e professor da fau-usp

    vOcAO MODERNIStA

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    [inaugurado em 2005]

    AUDItRIO IbIRApUERA[2005]

    portes 1 | 2

    Av. Pedro lvares Cabral

    OcA[1954]A semelhana com o formato da tradicional morada indgena rendeuao pavilho Governador Lucas Nogueira Garcez, um enorme domobranco rodeado por escotilhas, o nome popular de Oca. No interior,rampas curvilneas levam aos pavimentos onde ocorrem exposiestemporrias. Inaugurado no mesmo ano do parque, o espao j abri-gou o Museu da Aeronutica e o Museu do Folclore. Permaneceu

    fechado por catorze anos e foi reaberto em 2000, aps reforma doarquiteto Paulo Mendes da Rocha. J recebeu exposies importan-tes como Picasso na Oca (2004), que reuniu mais de cem obras doartista e atraiu 840mil visitantes.

    Horrio de funcionamento varia de acordo com a programao;Tel. [11]5572-0985

    Nossa visita comea no prdio mais novo do parque. Apesar deintegrar o projeto original (1953) do arquiteto Oscar Niemeyer, o

    auditrio s comeou a ser construdo para as comemoraes dos450anos da cidade (2004) e foi inaugurado um ano depois, comconcerto do pianista Marcelo Bratke, interpretando as BachianasBrasileirasde Heitor Villa-Lobos. Hoje um dos melhores espaospara shows de So Paulo, com boa acstica e conforto para o p-blico. O prdio, em formato de cunha, destaca-se pela marquisevermelha na entrada principal, a escultura Labareda, tambmdo arquiteto. Outra peculiaridade: uma abertura de vinte metrosatrs do palco possibilita a realizao de shows ao ar livre paraat 15mil pessoas. No foyer, uma gigantesca escultura de gesso deTomie Ohtake espalha-se pelas paredes e pelo forro. Ali funcionatambm uma escola de msica para jovens e crianas.

    Ter. a qui., 9h/18h; sex. e sb., 9h/21h, dom., 9h/18h;Tel. [11] 3629-1075; www.auditorioibirapuera.com.br

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    Onde ser que mora a arte, dentro ou fora do mam? Primeiro museude arte moderna da Amrica Latina, essa instituio concebida porCiccillo Matarazzo se notabilizou, com o prdio projetado por LinaBo Bardi, pela democratizao da experincia artstica. Com fa-chada toda de vidro, recurso tambm empregado pela arquiteta nomasp, seu prdio mais famoso, o museu permite que os freqentado-res do Ibirapuera aproveitem uma boa seleo de obras de artetanto do lado de dentro como de fora. Em frente ao mam, por exem-plo, fica o chamado Jardim de Esculturas, com peas de alguns dos

    nomes mais representativos da arte moderna e contemporneabrasileira, como Nuno Ramos e Amilcar de Castro. E aquela escultu-rona de longas patas escuras que fica dentro de uma espcie de aqu-rio de vidro? a Aranha, obra de uma das artistas mais importantes domundo, a norte-americana Louise Bourgeois, de 97anos. L dentrodo mam possvel ver exposies igualmente marcantes de artistasnacionais e de estrangeiros, contemporneos, como o alemo An-selm Kiefer, ou modernos, como Marcel Duchamp. O museu tambmfaz exposies com obras de seu vasto acervo, com mais de 5milpeas. Quem passa do lado de fora pode espiar parte dessas mos-tras. Quem est dentro, seja tomando um caf no agradvel restau-rante envidraado, seja nas duas salas de exposio, tambm podeolhar os freqentadores do parque passeando, andando de skate e

    bicicleta, tomando sorvete, vivendo, enfim, as artes do cotidiano.

    Ter. a dom. e feriados, 10h/18h; tel. [11]5085-1300; www.mam.org.br

    mam[1969]

    porto 3a

    Av. Pedro lvares Cabral

    louise bourgeois

    Aranha,1996

    Louise Bourgeois, Marie-Laure Bernadac e Hans-Ulrich Obrist,

    Louise Bourgeois destruio do pai, reconstruo do pai, 2001

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    Onde ser que mora a arte, dentro ou fora do mam? Primeiro museude arte moderna da Amrica Latina, essa instituio concebida porCiccillo Matarazzo se notabilizou, com o prdio projetado por LinaBo Bardi, pela democratizao da experincia artstica. Com fa-chada toda de vidro, recurso tambm empregado pela arquiteta nomasp, seu prdio mais famoso, o museu permite que os freqentado-res do Ibirapuera aproveitem uma boa seleo de obras de artetanto do lado de dentro como de fora. Em frente ao mam, por exem-plo, fica o chamado Jardim de Esculturas, com peas de alguns dosnomes mais representativos da arte moderna e contemporneabrasileira, como Nuno Ramos e Amilcar de Castro. E aquela escultu-rona de longas patas escuras que fica dentro de uma espcie de aqu-rio de vidro? a Aranha, obra de uma das artistas mais importantes domundo, a norte-americana Louise Bourgeois, de 97anos. L dentrodomam possvel ver exposies igualmente marcantes de artistasnacionais e de estrangeiros, contemporneos, como o alemo An-selm Kiefer, ou modernos, como Marcel Duchamp. O museu tambmfaz exposies com obras de seu vasto acervo, com mais de 5milpeas. Quem passa do lado de fora pode espiar parte dessas mos-tras. Quem est dentro, seja tomando um caf no agradvel restau-rante envidraado, seja nas duas salas de exposio, tambm podeolhar os freqentadores do parque passeando, andando de skate e

    bicicleta, tomando sorvete, vivendo, enfim, as artes do cotidiano.

    Ter. a dom. e feriados, 10h/18h; tel. [11]5085-1300; www.mam.org.br

    mam [1969]

    porto 3a

    Av. Pedro lvares Cabral

    louise bourgeois

    Aranha,1996

    Louise Bourgeois, Marie-Laure Bernadac e Hans-Ulrich Obrist,

    Louise Bourgeois destruio do pai, reconstruo do pai, 2001

    anita malfatti

    Sem ttulo, 1917

    destaques do acervo(indicaes do museu)

    rosngela renn

    Bibliotheca, 2002

    alberto guignard

    Sem ttulo,1949

    cildo meireles

    Inmensa, 1982

    geraldo de barros

    Sem ttulo, 1951

    tunga

    Escalpe,1984

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    Na concepo modernista do parque, arte democra-

    tizao. Este grande pavilho representa o desejo de

    multides interessadas pela arte, esteja ela em uma ex-

    posio internacional, um desfile de moda ou uma Bie-

    nal de arquitetura.

    O pavilho Ciccillo Matarazzo nome oficial do pr-

    dio abriga a Bienal Internacional de So Paulo desde

    a sua quarta edio, que contou com a participao

    de 48pases, quase setecentos artistas e cerca de 3

    mil obras. A imponente construo possui janelas de

    vidro em todas as faces com brise-soleil , interior am-

    plo, com marquises sinuosas e p-direito de quase oito

    metros de altura. No arquivo histrico Wanda Svevo,

    pesquisadores tm acesso a material iconogrfico e

    documental dos eventos que aconteceram ali.

    Todos os dias, 8h/20h; tel. [11]5576-7600;

    www.bienalsaopaulo.org.br

    pavilho da bienal[1957]

    [...] Igualmente marcante foi o encontro com a arquitetura de

    Oscar Niemeyer, no parque Ibirapuera, construdo para os fes-

    tejos do ivCentenrio de So Paulo, em 1954. Durante todo

    esse ano, freqentamos semanalmente o parque, seus jardins,

    os espaos generosos e inusitados da marquise e dos pavilhes.

    Lembro-me de um show dos Demnios da Garoa cantando Ado-

    niran Barbosa, num domingo tarde, na marquise. (...)

    No Palcio das Indstrias, hoje Pavilho da Bienal, qual

    no foi a sensao quando, pela primeira vez, chegamos ao

    espao central, com o maravilhoso jogo de rampas ascenden-

    tes. Minha me chorou de emoo.

    Oscar Niemeyer tornou-se um mito para mim, naquela poca

    com dez anos de idade. Era como um super-heri do cinema ou

    das histrias em quadrinhos. Como um craque da seleo bra-

    sileira de futebol. [...]

    marcos acayaba, arquiteto

    Marcos Acayaba, Marcos Acayaba, 2007

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    pavilho da bienal[1957]

    principais eventos

    Bi