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  • Informaes Sobre oUso de

    Medicamentos no Esporte

    S E X TA E D I O | R I O D E J A N E I R O , B R A S I L | A N O 2 0 0 7

    D e p a r t a m e n t o M d i c o

  • USO DE MEDICAMENTOS NO ESPORTE

    3

    EDUARDO HENRIQUE DE ROSEDepartamento Mdico, Comit Olmpico Brasileiro.

    RAFAEL MAIA DE ALMEIDA BENTOLaboratrio de Controle de Dopagem, Instituto de Qumica, UFRJ.

    RENATA RODRIGUES TEIXEIRA DE CASTRODepartamento Mdico, Confederao Brasileira de Desportos Aquticos.

    FRANCISCO RADLER DE AQUINO NETOLaboratrio de Controle de Dopagem, Instituto de Qumica, UFRJ.

    As informaes constantes neste documento, e referentes lista de substncias e mtodos proibidos e restritos, so vlidassomente at a data de 31 de dezembro de 2007.

    A partir desta data, a Agncia Mundial Antidoping (AMA)emitir uma nova lista de substncias e mtodos proibidos, bemcomo sua relao com as diversas modalidades esportivas.

    Para consultar esta lista aps o ms de janeiro prximo, acessea pgina da AMA em www.wada-ama.org. Em caso dedvida, consulte o Comit Olmpico Brasileiro atravs doendereo antidoping@cob.org.br.

    Observaoimportante

  • COMIT OL MPICO BRASILE IRO - DEPARTAMENTO MDICO4

    06 Prlogo

    08 O uso de medicamentos no esporte

    08 Aspectos histricosdo doping

    09 ANTIGIDADE

    09 SCULO XIX

    10 DE ATENAS 1896 AT LOS ANGELES 1932

    10 DE BERL IM 1936 AT O MXICO 1968

    12 DE MUNIQUE 1972AT MOSCOU 1980

    13 DE LOS ANGELES 1984AT ATLANTA 1996

    15 DE SIDNEI 2000 AT ATENAS 2004

    17 Os Jogos Continentais

    19 Definio atual de doping

    20 Tipos de controleantidoping existentes

    22 Autorizao para usoteraputico de substnciasrestritas e proibidas

    23 A lista de substncias emtodos proibidos daAgncia MundialAntidoping

    24 Lista de substncias emtodos proibidos

    25 Substncias e mtodos proibidos permanentemente (emCompetio e fora-de-competio)

    25 1. Substncias proibidas

    25 S1. AGENTES ANABLICOS

    29 S2. HORMNIOS ESUBSTNCIAS AF INS

    30 S3. BETA-2 AGONISTAS

    31 S4. AGENTES COMATIV IDADE ANTI -

    ESTROGNICA

    31 S5. D IURT ICOS E OUTROS AGENTES

    MASCARANTES

    33 2. Mtodos proibidos

    33 M1. AUMENTO DE CARREADORES DE

    OXIGNIO

    33 M2. MANIPULAOQUMICA E F S ICA

    DA URINA

    33 M3. DOPING GENTICO

    34 Substncias e mtodosproibidos em Competio

    34 Substncias proibidas34 S6. EST IMULANTES

    35 S7. NARCTICOS

    35 S8. CANABINIDES

    36 S9. GLICOCORTICOSTERIDES

    36 Substncias proibidas emum esporte especfico

    36 P1. LCOOL

    37 P2. BETA-BLOQUEADORES

    38 Substncias especificadas

    39 Resultados analticos adversosrelatados por laboratrioscredenciados em 2005

    42 Relao de frmacospermitidos

    48 O uso de suplementosalimentares e produtosnaturais

    49 O programa de testes doComit Olmpico Brasileiro(COB) e de suasConfederaes

    54 Os direitos e as responsa-bilidades dos atletas

    55 DIRE ITOS DOS ATLETAS

    56 RESPONSABIL IDADESDOS ATLETAS

    58 Bibliografia

    61 AnexosA - FORMULRIO DE

    ISENO DE USO

    TERAPUTICO ( IUT)

    B - FORMULRIO

    ABREVIADO DE ISENO

    DE USO TERAPUTICO

    C - THERAPEUTIC USE

    EXEMPTIONS (TUE)

    D - ABBREVIATED

    THERAPEUTIC

    USE EXEMPTIONS

    Sumrio

  • COMIT OL MPICO BRASILE IRO - DEPARTAMENTO MDICO

    USO DE MEDICAMENTOS NO ESPORTE

    7

    com imenso prazer que apresento esta edio doInformaes Sobre o Uso de Medicamentos no Esporte,uma publicao do Comit Olmpico Brasileiro. Acreditamosque, antes de punir, a educao e a informao ao atletadevem ser o primeiro passo na luta contra o doping. Assim,esperamos que este livro, que tambm estar disponvel emnossa pgina na Internet, cumpra o objetivo de informar,educar e alertar os atletas para os perigos do doping.

    At hoje, nenhum atleta brasileiro cometeu uma infrao snormas de dopagem em Jogos Pan-americanos ou Olmpicos.Este retrospecto altamente favorvel ao Comit OlmpicoBrasileiro deve-se aos cuidados dos nossos mdicos, lideradospelo Dr. Joo Grangeiro e pelo Dr. Eduardo Henrique De Rose.Esperamos que a participao da Delegao Brasileira nos XVJogos Pan-americanos Rio 2007 mantenha esta tradio.

    Aos estudiosos do assunto, aos mdicos em geral eespecialmente aos nossos atletas, desejo que esta publicaoseja um instrumento fundamental de esclarecimento na lutacontra o doping, prtica que tanto prejudica a tica da disputae a sade da nossa juventude no esporte.

    Carlos Arthur Nuzman | Presidente | Comit Ol mpico Brasi le iro

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  • COMIT OL MPICO BRASILE IRO - DEPARTAMENTO MDICO

    USO DE MEDICAMENTOS NO ESPORTE

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    9

    O uso de medicamentos no esporte

    Aspectoshistricos dodoping

    O aumento do uso de substncias ou mtodos proibidos,destinados a melhorar artificialmente o desempenhoesportivo, tem motivado uma ao intensa das autoridadesnacionais e internacionais. O objetivo desta atuao evitaruma vantagem desleal de um competidor sobre os demais,alm de preservar os aspectos ticos e morais do esporte e,sobretudo, a sade dos atletas.

    O problema do doping vem do homem para o esporte e nodo esporte para o homem. O desejo do ser humano de sesuperar continuamente, tentando ser mais forte e maispotente, sem respeitar limites, pode ser evidenciado em todasas etapas da histria da humanidade. Um autor eslovacomenciona que o primeiro caso de doping ocorreu no paraso,quando Eva ofereceu a Ado a ma, dizendo que se comesseo fruto proibido seria to forte e poderoso quanto Deus.

    A N T I G I D A D E

    Na China, o Imperador Shen-Nung, que viveu h cerca de2.700 anos A.C., conhecido como pai da Acupuntura, fez aprimeira classificao das ervas medicamentosas e j conheciaos efeitos estimulantes da infuso de machuang, uma folhaque contm altas concentraes de efedrina, e erarotineiramente utilizada para estimular o fsico e aumentar acapacidade de trabalho.

    Conta Philostratus que, j nos Jogos Olmpicos da Antigidade,que foram iniciados no ano 800 A.C., os atletas bebiam chs dediversas ervas e comiam certos tipos de cogumelos, buscandoaumentar seu rendimento atltico nas competies.

    S C U L O X I X

    No final do sculo XIX, quando o esporte comeou a serorganizado de uma forma internacional, um alquimista daCrsega chamado Mariani produziu um vinho com folhas decocana, chamado de Vin Mariani, e que se tornou bastantepopular entre os ciclistas da poca.

    O pacifista francs Baro Pierre de Coubertin organizou osprimeiros Jogos Olmpicos da Idade Moderna, no ano de1896, em Atenas, capital da Grcia. Na poca, os atletas jconheciam o uso de estimulantes, particularmente a cocana,a efedrina e a estriquinina, e as utilizavam em forma depequenas esferas, chamadas de bolinhas. Deste fato quesurgem os termos usar bolaou emboletar-se.

  • COMIT OL MPICO BRASILE IRO - DEPARTAMENTO MDICO

    USO DE MEDICAMENTOS NO ESPORTE

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    D E AT E N A S 1 8 9 6 AT L O S A N G E L E S 1 9 3 2

    No perodo entre 1896 e 1932, nove Jogos Olmpicos foramorganizados, excluindo-se apenas os anos da Primeira GuerraMundial. Nesta poca, o doping no era algo comum entre osatletas, estando restrito ao ciclismo. A razo era a filosofiaolmpica implantada por Coubertin, que fazia com que os atletasvalorizassem mais a participao nos jogos do que a vitria.

    D E B E R L I M 1 9 3 6 AT O M X I C O 1 9 6 8

    O primeiro poltico que utilizou os Jogos Olmpicos comoinstrumento de mercado para promover as suas idias foiAdolf Hitler. Nos XI Jogos Olmpicos, realizados em Berlim noano de 1936, ele buscou, atravs de uma organizaomonumental e da vitria dos atletas alemes, demonstrar opoderio e a fora de sua poltica, alm da supremacia da raaariana. O atleta afro-americano Jesse Owens, vencendo cincomedalhas de ouro em atletismo, fez desmoronar os sonhos deHitler, mas os Jogos Olmpicos estavam irremediavelmentecontaminados. Vale a pena mencionar que Jesse Owens foi oprimeiro atleta olmpico a promover a Coca-Cola,caracterizando a entrada do comercialismo juntamente como uso poltico dos Jogos.

    Durante e imediatamente aps a Segunda Guerra Mundial,duas substncias extremamente eficientes em aumentar demodo artificial a performance dos atletas surgem no mercado:a anfetamina e os anablicos esterides. A anfetamina foiusada para melhorar a capacidade de combate de pilotos ecomandados durante a guerra, eliminando a fome, a sede e afadiga. Aps o trmino desta guerra, os jovens soldados seconvertem em atletas, e levam aos estdios o seuconhecimento sobre este estimulante. Os anablicosesterides foram utilizados no ps-guerra imediato, comouma alternativa para reestruturar o sistema muscular dos

    prisioneiros de guerra, encontrados em avanado estado dedesnutrio. Para resolver este problema, mdicos do exrcitoamericano consideraram inicialmente o uso do hormniomasculino testosterona, substitudo mais tarde pela nandrolona,sinttica e mais eficiente em seu efeito anabolizante. Poucotempo depois, o conhecimento de que esta substncia podiaaumentar a massa muscular chegou ao esporte atravs dolevantamento de peso, logo chegando aos atletas dasmodalidades de arremesso, lanamento, saltos e velocidade.

    De 1936 a 1964, seis Jogos Olmpicos foram realizados,excluindo o perodo da Segunda Guerra Mundial. Nestapoca, foi evidente o uso do esporte como um instrumentoda luta pela supremacia poltica, ademais de uma forma depromoo da raa, religio e formas de governo. Este fatomodifica irremediavelmente os valores propostos por Pierrede Coubertin, tornando-se agora imperiosa a vitria para osatletas, a qualquer custo ou de qualquer forma. As substnciasmais utilizadas neste perodo foram a anfetamina, nosesportes de tipo aerbico, e os anablicos esterides,