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  • 1. A Educao Especial na Perspectiva da Incluso Escolar Surdocegueira e Deficincia Mltipla Marcos Seesp-Mec Fasciculo V.qxd 28/10/2010 11:13 Page 3

2. Marcos Seesp-Mec Fasciculo V.qxd 28/10/2010 11:13 Page 4 3. MINISTRIO DA EDUCAO SECRETARIA DE EDUCAO ESPECIAL UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEAR A Educao Especial na Perspectiva da Incluso Escolar Surdocegueira e Deficincia Mltipla Autores Ismnia Carolina Mota Gomes Bosco Sandra Regina Stanziani Higino Mesquita Shirley Rodrigues Maia Braslia 2010 Marcos Seesp-Mec Fasciculo V.qxd 28/10/2010 11:13 Page 3 4. Marcos Seesp-Mec Fasciculo V.qxd 31/5/2010 13:26 Page 4 Ministrio.indd 10 5/10/2010 12:29:59 5. Sumrio Aos Leitores 7 1. A pessoa com surdocegueira 8 1.1. O conceito de surdocegueira 1.2. A aprendizagem das pessoas com surdocegueira 2. A pessoa com deficincia mltipla 10 2.1. Comunicao 2.2. Posicionamento 3. Necessidades especficas das pessoas com surdocegueira e 11 com deficincia mltipla 4. A escola comum e o aluno com surdocegueira 12 4.1. O papel do professor comum na prtica pedaggica inclusiva 4.2. Organizao espacial e estrutural da escola inclusiva 4.3. Recursos para a aprendizagem de alunos com surdocegueira e com deficincias mltiplas 4.3.1. Objetos de referncia 4.3.2. Objetos de referncia das atividades 4.3.3. Caixas de antecipao 4.3.4. Caixa de antecipao com identificao dos objetos de referncia da aluna e com os objetos de referncia das atividades 4.3.5. Calendrios 4.3.5.1. Tipos de calendrios 5. Deslocamento em trajetos curtos e longos, em ambiente 19 escolar e na sala de recursos multifuncionais 6. O papel do professor especializado e a interface do AEE, na escola comum 19 7. Adequaes visuais 20 7.1. Iluminao 8. Posio e distncia 20 9. Disposio da sala e orientaes para as atividades 21 A Educao Especial na Perspectiva da Incluso Escolar Surdocegueira e Deficincia Mltipla 5 Marcos Seesp-Mec Fasciculo V.qxd 28/10/2010 11:13 Page 5 6. 10. O uso do quadro negro ou lousa 21 11. Movimentao do professor 22 12. Material didtico: caractersticas visuais 23 12.1. Materiais com figuras 12.1.1. Alteraes na cor 12.1.2. Alteraes no contraste 12.1.3. Alteraes no tamanho 12.1.4. Alteraes no ngulo e distncia 12.1.5. Alteraes na complexidade 12.2. Materiais escritos 12.3. Outros recursos para adequaes visuais 13. Adequaes auditivas 27 13.1. Posicionamento 13.2. Guias-intrpretes, instrutores mediadores e monitores 14. Tecnologia assistiva 27 14.1. Tecnologia assistiva de apoio audio 14.1.1. Sistema Loops 14.1.2. TTY- Telefone para pessoas com surdez 15. Organizao da sala de aula 28 16. Adequaes tteis 28 17. Instrumentos de registro e reflexes para os professores 29 de AEE e sala comum 18. Relato de um caso de aluno com surdocegueira em escola comum 35 Consideraes finais 46 Referncias 47 Para saber mais 48 A Educao Especial na Perspectiva da Incluso Escolar Surdocegueira e Deficincia Mltipla 6 Marcos Seesp-Mec Fasciculo V.qxd 28/10/2010 11:13 Page 6 7. Aos Leitores Este fascculo se prope a apresentar algumas idias, prticas e vivncias pedaggicas que contribuiro para a incluso de pessoas com deficincias mltiplas e outras com sur- docegueira na escola comum. Nos seus captulos, trataremos dos recursos que utilizamos para que esses alunos participem das atividades nas escolas comuns, com seus colegas sem deficincia. Esperamos que o contedo deste trabalho elucide as possibilidades de os alunos com surdocegueira e deficincias mltiplas desenvolverem suas potencialidades, quan- do so atendidos devidamente em suas necessidades, na sala de aula e no AEE. Trataremos das necessidades especficas desses alunos na escola comum no terceiro captulo. Vamos apresentar os recursos para a aprendizagem dessas pessoas no quarto captulo. No captulo final, relatamos os progressos de uma criana surdocega includa em uma escola comum. A Educao Especial na Perspectiva da Incluso Escolar Surdocegueira e Deficincia Mltipla 7 Marcos Seesp-Mec Fasciculo V.qxd 28/10/2010 11:13 Page 7 8. 1. A PESSOA COM SURDOCEGUEIRA 1.1. O CONCEITO DE SURDOCEGUEIRA Para entender o que surdocegueira, faz-se necessria uma explicao sobre a sua gra- fia. Conforme Lagati (1995, p. 306), a Surdocegueira uma condio que apresenta outras dificuldades alm daquelas causa- das pela cegueira e pela surdez. O termo hifenizado indica uma condio que somaria as dificuldades da surdez e da cegueira. A palavra sem hfen indicaria uma diferena, uma condio nica e o impacto da perda dupla multiplicativo e no aditivo. Para McInnes (1999), a premissa bsica que a surdocegueira uma deficincia nica que requer uma abordagem especfica para favorecer a pessoa com surdocegueira e um sistema para dar este suporte. O referido autor subdivide as pessoas com surdocegueira em quatro categorias: Indivduos que eram cegos e se tornaram surdos; Indivduos que eram surdos e se tornaram cegos; Indivduos que se tornaram surdocegos; Indivduos que nasceram ou adquiriram surdocegueira precocemente, ou seja, no tiveram a oportunidade de desenvolver linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam construir uma compreenso de mundo. O mesmo autor (1999) relata que muitos indivduos com surdocegueira congnita ou que a adquiram precocemente tm deficincias associadas como: fsicas e intelectuais. Es- tas quatro categorias podem ser agrupadas em Surdocegos Congnitos ou Surdocegos Ad- quiridos. E dependendo da idade em que a surdocegueira se estabeleceu pode-se classifi- c-la em Surdocegos Pr-lingsticos ou Surdocegos Ps-lingsticos. 1.2. A APRENDIZAGEM DAS PESSOAS COM SURDOCEGUEIRA Relacionamos a seguir o que Mc Innes (1999) refere sobre a aprendizagem de pessoas com surdocegueira: indivduos com surdocegueira demonstram dificuldade em observar, compreender e imitar o comportamento de membros da famlia ou de outros que venha entrar em contato, devido combinao das perdas visuais e auditivas que apresentam. Por isso, as tcnicas "mo-sobre-mo" [Mo sobre mo: a mo do professor colocada em cima da mo do aluno, de forma a orientar o seu movimento, o professor tem o controle da situao] ou A Educao Especial na Perspectiva da Incluso Escolar Surdocegueira e Deficincia Mltipla 8 Marcos Seesp-Mec Fasciculo V.qxd 28/10/2010 11:13 Page 8 9. a "mo sob mo" [Mo sob mo: a mo do professor colocada em baixo da mo do aluno de mo- do a orientar o seu movimento, mas no a controla, convida a pessoa com deficincia a explorar com segurana] so importantes estratgias de interveno para o estabelecimento da co- municao com a criana com surdocegueira. A Educao Especial na Perspectiva da Incluso Escolar Surdocegueira e Deficincia Mltipla 9 Foto 1. Mo sobre mo e mo sob mo. Crianas com trs anos, uma que est sentada ao lado do professor, com deficincia Mltipla [deficincia visual e deficincia intelectual] e uma que est sentada no colo da professora com surdocegueira. Elas esto sentadas em um tanque de areia em um parque que fica prximo a comunidade escolar, a menina com sur- docegueira que est sentada no colo da professora apresenta defesa ttil. A defesa ttil a forma como a criana experimenta e reage de maneira negativa e emocio- nalmente s sensaes do tato, segundo Ayres (1982), para tocar na areia, a professora na posi- o mo sob mo tenta motivar a aluna para tocar e desfrutar do tanque de areia. necessrio incentivar e ensinar a pessoa com surdocegueira a de como usar sua vi- so e audio residuais, assim como outros sentidos remanescentes, provendo-as de in- formaes sensoriais necessrias que suscitem sua curiosidade. A aprendizagem incidental ocorre com menor freqncia no caso da pessoa com sur- docegueira. As perdas parciais ou totais dos sentidos de distncia, ou seja, audio e vi- so fazem com que a informao do meio lhe venha entrecortada e algumas vezes sem Marcos Seesp-Mec Fasciculo V.qxd 28/10/2010 11:13 Page 9 10. nexo, o que faz com que a pessoa se retraia. A necessidade de uma pessoa para mediar e trazer estas informaes de maneira integral e coerente se torna imprescindvel. Sem os sistemas adequados de comunicao, o avano nos estgios de desenvolvimen- to da linguagem pode levar mais tempo para ocorrer. Alm disso, o progresso mais len- to, mas no necessariamente uma evidncia de que a pessoa com surdocegueira tem um baixo potencial, mas sim lhe faltam os recursos de comunicao para responder significati- vamente ao meio ambiente. O ambiente deve ser planejado e organizado adequadamente para insero da pessoa com surdocegueira, favorecendo a interao com pessoas e objetos. Isso a auxilia a realizar anteci- paes, obter pistas e escolher com quem quer estar e quais as atividades que deseja fazer. Durante o processo de comunicao, o professor ou outro interlocutor tem a funo de: antecipar o que vai acontecer ou o local em que vai acontecer a atividade; estimular a pessoa para se comunicar e explorar o ambiente; confirmar se ela est interpretando as informaes e a todo o momento comunicar o que ocorre no ambiente. A pessoa com surdocegueira apresenta uma habilidade reduzida para antecipar even- tos futuros por pistas do ambiente. Por exemplo, a me entrando no quarto no significa de imediato o conforto, a comida ou o carinho. A reduo na quantidade de estimulao recebida do mundo externo pode resultar em hbitos substitutivos e inapropriados de auto-estimulao pela pessoa com surdocegueira. Como, por exemplo: movimentao contnua, balanceio, mexer os dedos na frente dos olhos, olhar fixo para fontes de luz ou a repetio ritualstica de atividades especficas. Se uma comunicao efetiva no for estabelecida na infncia, a pessoa pode ao crescer, tornar-se um jovem ou adulto com comportamentos inadequados para se comunicar. Po- de utilizar, assim, s vezes de fora fsica para poder dizer que no quer algo como, por exemplo: empurrar a pessoa ou retirar da mo de uma pessoa algo que deseja. 2. A PESSOA COM DEFICINCIA MLTIPLA So consideradas pessoas com deficincia mltipla aquelas que "tm mais de uma deficincia assoc