apostila folclore

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  • 1. PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTOS ESTNCIA BALNERIASECRETARIA DE EDUCAO DEPARTAMENTO PEDAGGICOENSINO FUNDAMENTAL EQUIPE INTERDISCIPLINAR LNGUA PORTUGUESACICLO I2003

2. 2 3. Folclore o conjunto de manifestaes de carter popular de um povo, ou seja, o conjunto de elementos artsticos feitos do povo para o povo, sempre ressaltando o carter tradicional destas representaes transmitidas de uma gerao para outra por meio da prtica. O folclore varia bastante de um pas para o outro e, at mesmo, dentro de um Estado. As diferenas entre as regies so muito grandes. No caso do Brasil, o folclore foi resultado da unio da Cultura a partir da miscigenao de trs povos (Europeu, Africano, Amerndio ). O que resultou que em muitas regies brasileiras o folclore muito diferente, pois devido s influncias de cada um destes povos formadores do Brasil, algumas regies apresentam maior tendncia a uma determinada origem. As manifestaes folclricas brasileiras, na sua grande maioria, so manifestaes de carter de povos mestios ,ou seja, sofrem influncia de diversas raas, apresentando caractersticas prprias, bem como manifestaes em carter artstico, possuindo elementos do Teatro, Dana, Msica e Artes Plsticas. O termo Folk-Lore foi empregado pela primeira vez em 22 de agosto de 1846 , consagrando at nossos dias o ms de agosto como ms do folclore. Com toda inteno dos rgos encarregados da educao, os trabalhos escolares de pesquisas sobre o folclore so cheios de equvocos, pois os fatos folclricos no se do apenas em agosto e sim, durante todo ano letivo. Todos ns, somos portadores do fato folclrico, independentemente de raa, cor , classe social e intelectual . Para um bom resultado pedaggico, cabe ao professor, ao dar aos alunos a tarefa de pesquisa o fato folclrico, orient-los. O que vale dizer que o importante para o aluno conceituar corretamente o termo FOLCLORE e o fato a ser pesquisado; delimitando o campo da pesquisa. Para se pesquisar no preciso ir longe, pois os fatos folclricos esto perto de ns, em nossa casa, em nosso bairro, em nossa cidade. Folk quer dizer povo; lore, o saber, o conhecimento, o costume. Pode-se afirmar: Folclore o saber vulgar do povo. No somente transmitido nas escolas e nos livros e sim tambm por imitao, ou por fora de tanto ver e ouvir Quatro so as caractersticas bsicas para um fato folclrico: 1) ser transmitido oralmente, de boca em boca, e no por meios eletromecnicos, como rdio, disco e livro; 2) ser social, praticado por muitos e no por uma s pessoa; 3) ser espontneo, livre. Quando o professor d um provrbio para ser analisado sintaticamente pelos alunos, a no h o fato folclrico; j quando dito pelo mesmo professor ou pelos anos, espontaneamente, para explicar ou justificar um fato, nesse caso h o fato folclrico; 4) ser annimo, pois no se conhece o autor de uma trova popular, de um provrbio ou adivinhas. 3 4. As parlendas so formas literrias tradicionais, rimadas com carter infantil , de ritmo fcil e de forma rpida. No so cantadas e sim declamadas, em forma de texto, estabelecendo-se como base a acentuao verbal. So escritas em versos de 5 ou 6 slabas para recitar. O objetivo de uma parlenda apenas o ritmo como ela se desenvolve. O texto verbal uma srie de imagens associadas , obedecendo apenas o senso ldico, podendo ser destinada fixao de nmeros ou idias primrias, dias da semana , cores , entre outros conceitos. Leia alguns exemplos:Dedo MindinhoRei Capito Uma,duna,tena,catenaSeu vizinho, Soldado LadroGurupi, gurupMaior de todos Menino Menina Sol, soladFura-bolos Macaco Simo. Conte bemCata-piolhos.Que so dez. Um ,dois, feijo com arroz.Sola,sapato,Trs,quatro,feijo no prato. Rei,RainhaCinco , seis, chegou minha vez Onde quereisSete, oito , comer biscoitoQue eu v dormir?Nove, dez , comer pastis. Na casa de me Aninha.Amanh domingo,P de cachimboGalo monteiroPisou na areia. Pombinha brancaAreia fina. Que ests fazendo?Que d no sino. Lavando roupaO sino de ouro. Pro casamentoQue d no besouro.Vou me lavarO besouro de prata. Vou me secarQue d na barata. Vou na janelaA barata valente. Pra namorarQue d no tenente.Passou um homemO tenente mofino. De terno brancoQue d no menino. Chapu do ladoO menino danado.Meu namoradoQue d no Soldado.Mandei entrarO Soldado Valente.Mandei sentarQue d na gente...Cuspiu no cho Limpa a seu porcalhoTenha mais educao.4 5. L em cima do pianoEu vi uma barata Tem um copo de venenoNa careca do vov Quem bebeu , morreuAssim que ela me viu O culpado no fui eu.Bateu asas e voou L na rua vinte e quatroSeu Joaquim , quim quim A mulher matou um gatoDa perna torta, ta ra ta Com a sola do sapatoDanando conga, ra ga O sapato estremeceuCom a Maricota, ra ta. A mulher morreu O culpado no fui eu. O macaco foi feira No teve o que comprar Comprou uma cadeira Pra comadre se sentar A comadre se sentouSalada, saladinhaA cadeira esborrachouBem temperadinha Coitada da comadreCom sal , pimentaFoi parar no corredor.Um, dois, trs. Era uma bruxa meia-noite Em um castelo mal-assombrado A do te c Com uma faca na moLe pe ti Passando manteiga no po Le to m Passando manteiga no po.Nescaf com chocolA do te cPuxa o rabo do tatuQuem saiuFoi tu.Batalho, lho lhoQuem no entra um bobo.Quem foi a CotiaAbacaxi, xi,xiPerdeu a tiaQuem no entra um saci.Quem foi pra PiraporaBeterraba, raba, rabaPerdeu a horaQuem entrar uma diaba.Quem foi pra PortugalBorboleta, leta, letaPerdeu o lugarQuem errar um capeta!Quem foi roaPerdeu a carroaRico trigoUm di trsL vou eu! 5 6. Hoje sbado P de quiabo Amanh domingo P de cachimbo O cachimbo de ouro Bate no touroCad o toucinho O touro valenteQue estava aqui? Chifra a gente O gato comeu. A gente fracoCad o gato? Cai no buracoFugiu pro mato. O buraco fundo Cad o mato? Acabou-se o mundo. O fogo queimou.Cad o fogo?A gua apagou.Cad a gua?O boi bebeu.Cad o boi?Foi amassar o trigo.Cad o trigo?Foi fazer o po.Cad o po?O padre pegou.Cad o padre?Foi rezar a missa.Cad a missa?J se acabou.6 7. Para Antnio Henrique WeitzeL, trava - lngua uma modalidade de parlenda ,em prosa ou em verso , caracterizada pela rpida sucesso de palavras de forma ordenada, pela repetio dos mesmos fonemas ou de fonemas vizinhos - ora em seqncia , ora entremeados - que se torna extremamente difcil e,s vezes, quase impossvel pronunci-lo sem tropeos . Exs.: A aranha arranha o jarro; o jarro a aranha arranha. O peito do p do pai do padre Pedro preto. Paca, tatu; cutia, no. uma ''parlenda maldosa '', como o chamou Campos ( Folclore de Nordeste, 1960 ) , acrescentando que os cantadores de viola , mestres em desafio , no aceitam o trava - lngua , que s poder ser recitado corretamente com um treino antecipado . Esta, porm, no a opinio do cantador cearense Jac Alves Passarinho, o qual, segundo refere Mota (Cantadores, 1961), falava com entusiasmo das frases de pronunciao embaraosa e dizia que ''nelas que se conhece quem tem sustana '' . De fato, exige do cantador uma ateno exagerada , para no ficar atrapalhado na pronncia das palavras do verso e, assim, perder a contenda. Cascudo (Literatura Oral no Brasil , 1984 ) incluiu o trava - lngua nos contos acumulativos , seguindo a classificao de Antti Aarne / Stith Thompson , com o que no concorda Almeida( Manual de coleta folclrica , 1965 ) , dizendo que os trava-lnguas muitas vezes no so histrias , mas jogos de palavras difceis de serem pronunciadas. So antes brincadeiras . Para Teixeira (Estudos de folclore , 1949 ) , este tipo de parlenda , cuja finalidade consiste em expor ao ridculo a pessoa que tente diz-lo rapidamente , universal , parecendo ser mais fcil ''destrav-lo '''em portugus do que em alemo , ingls e outras lnguas do grupo saxnico. Porzig (El mundo maravilloso del lenguaje , 1964 ) explicou a extrema dificuldade , ou mesmo impossibilidade sem slido treinamento , da pronncia dessas frases , pelo fato de se estorvarem mutuamente , diante de sua rpida sucesso ,os movimentos articulatrios dos rgos da fala . E justifica, afirmando ser a imagem sonora produzida pela cooperao de inmeras msculos , que so excitados por nervos motores , os quais recebem essa excitao do crebro e a transmitem . Depois de uma excitao ,entretanto , nervos e msculos precisam de certo tempo para retornarem ao estado de equilbrio , o que no acontecer , se sobrevier nova excitao , a qual ir perturbar as articulaes . Esta curiosa forma verbal ldica tem dupla funo : a) desenvolve habilidades vocais de onde vem o seu carter educativo ; b) diverte, pondo em ridculo quantos queiram pronunci-lo depressa - da o seu carter ldico. Braga ( O Povo Portugus nos seus Costumes, Crenas e Tradies, 1986 ) j registrara esta funo educativa, ao considerar o trava-lngua um fenmeno domstico de desvencilhar a lngua. Arajo (folclore Nacional, 1964 ) frisa este seu valor educativo , por exercitar a boa pronncia da criana , desenvolvendo- lhe a perfeita enunciao das palavras. E chega a aconselhar os educadores, os professores a se valerem dos trava-lnguas, para a promoo da eulalia dos educandos.7 8. Exemplos:Porco crespo , toco preto. Um tigre,dois tigres,trs tigres. Trs pratos de trigo para trs tigres. Bagre branco, branco Bagre. Pia o pinto, a pipa pinga. O Padre Pedro tem um prato de prata. O prato de prata no do padre Pedro. A aranha arranha a jarra ,a jarra arranha a aranha. Quem cara paca compra, paca cara pagar. Quem compra paca cara, pagar cara paca. A pia pega e pinga. O pinto pega e pia. Quanto mais o pinto pia, mais a e mais a pia pinga.O padre Pedro partiu a pedra no prato de prata. A pedra partiu o prato do padre Pedro.Quando digo digo,digo digo, no digo Diogo. Quando digo Diogo digo Diogo, no digo digo. Se o papa papasse papa,se o papa papasse po, O papa papava tudo, seria o papa papo. Pedro tem o peito preto. Preto o peito de Pedro. Quem disser que o peito de Pedro no preto, Tem o peito mais preto que o peito de Pedro. 8 9. Frases populares, ou expresses populares, so palavras e frases que na sua grande maioria tm a funo comparativa com diversos assuntos, como animais,