xxi bienal de música brasileira contemporânea - .o papel de koellreutter numa mudança de rumos

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  • PatrocnioMinistrio da Cultura

    RealizaoFundao Nacional de Artes / Funarte

    ApoioAcademia Brasileira de MsicaRdio MEC/EBC

    XXI BIenal de MsIca BrasIleIra conteMpornea

    10 a 19 de oUtUBro de 2015tHeatro MUnIcIpal do rIo de JaneIro

    sala cecIlIa MeIreles espao GUIoMar noVaes

  • EquipE da FunartE

    Centro da Msicaconcepo e realizao

    Flavio SilvaMaria Jos de Queiroz Ferreira

    produoFlavia Peralva PinheiroTatiane de Santana Ribeiro Lins

    assistentes de produoAline MandriolaElizabeth Lima da Silva UrsolinoEdyr Jos Rosa de LimaLuiz Carlos da SilvaVanderci Lins de OliveiraThais da Silva de Oliveira

    Assessoria de Comunicao Camilla PereiraMarcelo MavignierCatia LimaLuzia AmaralMarcia Cotrim

    Projeto grfico catlogo miolo

    Gilvan Francisco capa, cartaz e banners

    Paula Nogueira

    Portal Funarte Cristiano Marinho Maria Cristina Martins Pedro Paulo Malta

    apoio ExtErno

    Prmio Funarte de Composio Clssica 2014 Comisso de Seleo

    Bryan HolmesErick Magalhes de VasconcelosHarry CrowlJamil MalufLiduino PitombeiraRodolfo Coelho de Souza

    Colaboradores

    Cristina ArrudaDaniel SeraleEduardo Monteiro Marcelo Carneiro de Lima / Paulo DantasMarinaldo Gomes Ralyanny Guerra Belo

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    A Fundao Nacional de Artes tem, entre as suas principais atribuies, a consolidao de polticas pblicas que tenham um nvel de continuidade e de excelncia notveis. o caso das Bienais de Msica Brasileira Contempornea. Iniciadas em 1975, as Bienais tm sido um dos exemplos mais bem-sucedidos de polticas para as artes no Brasil. E o fato da Funarte ser a responsvel pelo projeto s vem comprovar a sua importncia da Funarte e da Bienal para a cultura e as artes no pas.

    Sempre atenta s novas formas de organizao, expresso e criao de formas sonoras, a Bienal tem contribudo para a formao de pblico e a atuao de artistas que primam pela inventividade e pela depurao formal, assumindo os riscos da experimentao esttica. Este ano, a Bienal vai para a sua XXI edio! Muito disso se deve atuao vigorosa, cuidadosa e vigilante de Flvio Silva, o coordenador de msica erudita do Centro da Msica da Funarte, e de Maria Jos Queiroz, sua parceira incansvel na coordenao da msica erudita do nosso centro da Msica.

    A XXI Bienal de Msica Brasileira Contempornea vai apresentar 66 obras selecionadas por Edital e por um colegiado especializado, todas inditas, com o intuito de apresentar a produo da msica erudita contempornea, com a presena de orquestras, coros, intrpretes solos e conjuntos variados de msica eletroacstica. A abertura da Bienal ficar sob a responsabilida-de da Orquestra Juvenil da Bahia (Neoijib), reforando nosso papel de instncia de consagra-o cultural para jovens artistas.

    Alm dessas apresentaes, a Bienal ter uma srie de atividades especiais lembrando os 70 anos da morte de Mrio de Andrade e os 100 anos de nascimento de Hans-Joachim Koellreutter. Nestas atividades especiais teremos o relanamento do lbum Mrio 300-350, originalmente lanado em 1983, pela Funarte, com show ao vivo do Coletivo Chama; o relanamento da revista de vanguarda Msica Viva, dos anos 1940, que teve nomes como o prprio Koellreutter, alm de Claudio Santoro, Luiz Heitor, Guerra Peixe, entre outros; o seminrio Msica e poltica, com parti-cipao dos professores Jorge Coli, Flavia Tony e Carlos Kater.

    Como se no bastasse, Mrio e Koellreuter se encontram ainda na exibio de Caf uma tra-gdia secular, na denominao de Mrio de Andrade , com a criao musical de Koellreuter e a encenao de Fernando Peixoto. Formalismo esttico, esprito de inveno permanente, contempo-raneidade, a complexidade da relao entre esttica e poltica ecoando na fala desesperada de uma das vozes coletivas: No agento a fome/ no h mais perdo/ Deus dorme nos ares/ os chefes na cama/ Acordo no cho/ eu quero meu po!; mas tambm no lema que no deixa de ser tambm um dilema do prprio Koellreuter: A arte uma contribuio para o alargamento da conscincia do novo ou do desconhecido e para a modificao do homem e da sociedade.

    Esttica e poltica se enovelam e sugerem formas que podem ser o esboo para a constituio de novas maneiras de realizao da vida em comum, da vida social, com a criao de redes de apoio mtuo e solidariedade para democratizar radicalmente o acesso a bens materiais que permitam a todos uma vida farta, forte e feliz, sem as intolerveis e inaceitveis distines de classes; mas tambm podem ser o esboo para a criao de novos mundos habitveis pela arte, uma outra ins-tncia do Ser, que tambm uma necessidade demasiado humana. Uma vida no s melhor, mas especialmente maior para todos.

    Marcos Lacerda Diretor do Centro da Msica da Funarte

    Francisco BoscoPresidente da Funarte

    a XXI BIenal de MsIca BrasIleIra conteMpornea

  • A Mario de Andrade h setenta anos falecido

    Aos compositoresMario Ficarelli, que h pouco nos deixouLuiz Cosme cinquentenrio de falecimentoEunice Katunda e Hans Joachim Koellreutter centenrio de nascimento

    homenagem, in memoriam

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    apresentao da XXI BIenal

    O relevo dado pela XXI Bienal ao Msica Viva apro-fundado com a edio virtual, que est sendo lanada, dos 16 nmeros do boletim editado por esse movimen-to. Ficam assim acessveis a todos os interessados, de forma prtica, os textos dos vrios autores, brasileiros e estrangeiros, que disseminaram ideias de variadas orientaes nesse peridico, cuja coleo completa no encontrada em nenhuma biblioteca brasileira, e que pode ser acessada no site www.funarte.gov.br.

    Voltamos a Mrio de Andrade, com duas outras ini-ciativas:

    a reedio em CD do lbum com dois LPs lan-ados pela Funarte em 1983 em homenagem ao cen-tenrio de seu nascimento, por iniciativa de Hermnio Bello de Carvalho, com a participao de Lenita Bruno, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Teca Calazans e conjunto musical sob a direo de Maurcio Carrilho;

    a apresentao do Coletivo Chama, que reinterpre-ta ideias de Mrio de Andrade num contexto diferente dos por ele imaginados, e que aponta outros caminhos possveis de serem trilhados, a partir do multifacetado pensamento mariano Eu sou 300 350 , tomando como referncia o lbum de dois LPs ora lanado em CD (pg. 30 e 31).

    Os dez concertos dessa XXI Bienal de Msica Brasileira Contempornea (ver pg. 6 a 23) apre-sentam em estreia mundial 66 obras musicais con-cursadas e encomendadas. Ela mantm o padro definido em 2010 para as Bienais de 2011 e 2013: o concurso e as encomendas so realizados nos anos pares, e as apresentaes nos anos mpares, con-tinuando uma tradio inaugurada em 1975, com o primeiro evento do gnero. De 2010 a 2015, 208 obras 124 concursadas, 84 encomendadas , numa mdia de 34,3 por ano, foram ou esto sendo estre-adas nessas apresentaes realizadas pela Funar-te. provvel que poucas instituies estrangeiras, por prestigiosas que sejam, atinjam essa mdia. As obras que estreamos so pagas com valores dife-renciados, de acordo com sua natureza orques-trais, camersticas ou solistas, incluindo as corais e as que se se servem de recursos eletroacsticos ou informticos. No h nenhuma exigncia de filia-o a essa ou a aquela corrente composicional, ou esttica, ou ideolgica, o que faz das Bienais uma grande e diversificada exposio das mais diferen-tes tendncias. Lembrando Villa-Lobos: Minhas obras so cartas escritas para a posteridade, sem esperar resposta. A peneira do tempo dir o que fica e o que soobra; v a pretenso de definir qual msica representa o nosso tempo.

    Flavio SilvaCoordenador de Msica Erudita

    Centro da Msica / Funarte / MinC

    Uma coincidncia emblemtica: 2015 assinala os 70 anos de falecimento de Mrio de Andrade e o centenrio de nascimento de Koellreutter. Comemoraes variadas ce-lebraram separadamente esses eventos em todo o pas; a XXI Bienal juntou-os numa programao extraordinria detalhada s pginas 24 a 31 desse catlogo.

    Koellreutter comeou a atuar no Brasil em fins de 1937, no Rio de Janeiro, quando Mrio j estava em seu exlio no Rio, mas no h registro de encontro entre ambos. Luiz Heitor, que conhecera o msico ale-mo pouco aps sua chegada, poderia ter feito a ponte entre ambos, o que no ocorreu. No parece haver re-ferncia explcita de Mrio a Koellreutter ou ao Msica Viva, embora numa das ltimas pginas dO banquete a afirmao do compositor Janjo possa ou deva ser vista como uma rejeio explcita ao msico alemo: A msica brasileira ainda no pode perder de vista o folclore. Se perder, se estrangeirizar completamente. Como sucede com os sistematizadores do atonalismo integral, e os que baseiam a sua criao na chama-da inveno livre. Analogamente, s em 1947, dois anos aps sua morte, Mrio passa a ser citado no bole-tim Msica Viva, e com muito destaque, em funo de seu pendant socialista, acentuado durante os anos de guerra e levado a um paroxismo no prefcio biografia de Shostakovitch. essa ligao que justifica o tema da mesa redonda referida pg. 27.

    Outro aspecto dessa ligao a tragdia secular Caf, escrita por Mrio em 1942. Em artigo publicado em 1968, Mignone escreveu: Mrio deixou-me um li-breto de pera denominado Caf. Obra muito sofistica-da que no tive coragem de musicar. Desisti cedendo o libreto a Camargo Guarnieri, que nada fez. Soube, por Luiz Heitor, que um tal de Koellreutter havia musicado o libreto do Caf. Ignoro se a pera em questo existe. E no comento.

    Em matria de poltica, Guarnieri se considerava uma reverendssima besta (plgio meu) e em 1943 discordou frontalmente de Mrio sobre a sinfonia Le-ningrado, de Shostakovitch. Mignone, que comps uma Sinfonia do trabalho em 1939 e se candidataria a vereador pelo Partido em 1946, era a escolha na-tural de Mrio para pr o Caf em msica, mas quem assumiu essa tarefa foi Koellreutter: Passei 20 anos mergulhado no Caf, declarou ao Jornal do Brasil em 1975 (ver pg. 24 a 26).

    O papel de Koellreutter numa mudana