psicologia e religiao jung

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  1. 1. OBRAS COMPLETAS DE C. G. JUNG Volume XI/1 Psicologia e Religio CIP - Brasil. Catalogao na fo te Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.n Jung, Carl Gustav, 1875-1961. J92p Psicologia e religio / C. G. Jung; traduo do Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha; reviso tcni a de Dora Ferreira da Silva. Petrpolis :c Vozes, 1978. (Obras completas de C. G. Jung; v. 11/1: Psicologia e religio). Traduo de: Zur Psychologie westlicher und stlicher Religion: Psychologie und Religion. Bibliografia. 1. Psicologia aplicada. 2. Psicologia religiosa. I. Ttulo. CDD 158 200.19 78-0573 CDU 159.9:2 COMISSO RESPONSVEL PELA ORGANIZAO DO LANAMENTO DAS OBRAS COMPLETAS DE C. G. JUNG EM PORTUGUS: Dr. Lon Bonaventure Dr. Fr. Leonardo Boff Dora Mariana Ribeiro Ferreira da Silva Dra. Jette Bonaventure A comisso responsvel pela traduo das obras completas de C. G. Jung sente-se honrada em expressar seu agradecimento Fundao Pro Helvetia, de Zurique, pelo apoio recebido.
  2. 2. PSICOLOGIA E RELIGIO CG. Jung Traduo do Pe. DOM MATEUS RAMALHO ROCHA, OSB Reviso de DORA FERREIRA DA SILVA PETRPOLIS 1978 1971, Walter Verlag, AG, Olten Ttulo do original alemo: Zur Psychologie westlicher und stlicher Religion (11. Band) Psychologie und Religion DIREITOS EXCLUSIVOS DE PUBLICAO EM LNGUA PORTUGUESA EDITORA VOZES LTDA. Rua Frei Lus, 100 25.600 Petrpolis, RJ . Brasil Nota do digitalizador: O texto foi formatado(13x19,4 cm, 1 cm de margem em todos os lados) de modo a ter a mesma numerao de pgina do texto impresso a partir da pgina 7. Apesar disso no h perfeita coincidncia entre os textos. Por exempo, algo no fim da pag. 84 pode estar no texto impresso no meio da pag. 84, no fim da pag. 84 ou no incio da pag. 85.
  3. 3. Sumrio Prefcio da edio alem, 4 Parte I Religio ocidental PSICOLOGIA E RELIGIO 1. A autonomia do inconsciente, 7 2. Dogma e smbolos naturais, 39 3. Histria e psicologia de um smbolo natural, 69 BIBLIOGRAFIA, 113
  4. 4. Prefcio da edio alem A problemtica religiosa ocupa um lugar central na obra de C. G. Jung. Quase todos os seus escritos, especialmente os dos ltimos anos, tratam do fenmeno religioso. O que Jung entende por religio no se vincula a determinadas confisses. Trata-se, como ele prprio diz, de "uma observao acurada e conscienciosa daquilo que Rudolf Otto chamou de numinosum. Esta definio vale para todas as formas de religio, inclusive para as primitivas, e corresponde atitude respeitosa e tolerante de Jung em relao s religies no-crists. O maior mrito de Jung o de haver reconhecido, como contedos arqutipos da alma humana, as representaes primordiais coletivas que esto na base das diversas formas de religio. O homem moderno sente, cada vez mais, falta de apoio nas confisses religiosas tradicionais. Reina atualmente uma grande incerteza no tocante a assuntos religiosos. A nova perspectiva desenvolvida por Jung permite-nos uma compreenso mais profunda dos valores tradicionais e confere um novo sentido s formas cristalizadas e esclerosadas. Em "Psicologia e Religio" Jung se utiliza de uma srie de sonhos de um homem moderno, para revelar-nos a funo exercida pela psique inconsciente, e que lembra a alquimia. No trabalho sobre o "dogma da Trindade", mostra-nos determinadas semelhanas da teologia regia do Egito, assim como das representaes babilnicas e gregas, com o cristianismo, e no estudo sobre o ordinrio da missa usa ritos astecas e textos dos alquimistas como termos de comparao. Na "Resposta a Job" se ocupa, comovido e apaixonado, ao mesmo tempo, da imagem ambivalente de Deus, cuja metamorfose na alma humana pede uma interpretao psicolgica. Baseando-se no fato de que muitas neuroses tm um condicionamento religioso, Jung ressalta nos ensaios sobre "A relao entre a Psicoterapia e a Pastoral" e "Psicanlise e Pastoral" a necessidade da colaborao entre a Psicologia e a Teologia. A segunda parte do volume rene, sobretudo, os comentrios e prefcios a escritos religiosos do Oriente. Estes trabalhos mostram-nos, em essncia, os confrontos e comparaes entre os modos e formas de expresso do Oriente e do Ocidente. O prefcio ao I Ging, livro sapiencial e oracular chins, proveniente de tempos mticos imemoriais, tambm foi incorporado ao presente volume. Tendo em vista que um orculo sempre tem alguma relao com o maravilhoso, o numinoso, e como, de acordo com a antiga tradio, os ensinamentos das sentenas oraculares do I Ging devem ser consideradas
  5. 5. "acurada e conscienciosamente", fcil perceber sua relao ntima com o religioso. O prefcio em questo importante no conjunto da obra de Jung, por tratar da natureza e da validade do orculo em si, tocando assim a regio dos acasos significativos que devem ser interpretados no somente luz do princpio da causalidade, mas tambm segundo o princpio derivado da sincronicidade. O volume vem acrescido de um apndice, que no figura na edio inglesa.* Trata-se, no caso, de escritos em que Jung responde de maneira um tanto pessoal a perguntas a respeito de problemas religiosos, contribuindo, deste modo, para um ulterior esclarecimento dos temas tratados na parte principal do volume. Na edio portuguesa, constar do volume XI completo Numa entrevista dada televiso inglesa, ao lhe perguntarem se acreditava em Deus, Jung respondeu: "I do not believe, I know". Esta curta frase desencadeou uma avalanche de perguntas, de tal proporo, que ele foi obrigado a manifestar-se a respeito, numa carta dirigida ao jornal ingls de rdio e televiso "The Listener". digno de nota que o entomologista Jean- Henri Fabre (1823-1915) exprimira sua convico religiosa em termos quase idnticos: "No acredito em Deus: eu o vejo". Tanto Jung como Fabre adquiriram tal certeza no trato com a Natureza: Fabre, com a natureza dos instintos, observando o mundo dos insetos; Jung, no trato com a natureza psquica do homem, observando e sentindo as manifestaes do inconsciente. A seleo dos textos deste volume segue a do tomo correspondente aos Collected Works, Bollingen Series XX, Pantheon, Nova Iorque, e Routledge & Kegan Paul Ltd., Londres. Tambm a paragrafao contnua , com exceo do apndice, a do referido volume. Apresentamos aqui nossos calorosos e sinceros agradecimentos Sra. Aniela Jaff, por seu auxlio no tocante a muitas questes, Sra. Dra. Marie- Louise v. Franz por sua ajuda no controle das citaes gregas e latinas, e Sra. Elisabeth Riklin pela elaborao do ndice. Abril de 1963.
  6. 6. Parte I RELIGIO OCIDENTAL Primeira Seo PSICOLOGIA E RELIGIO Prefcio APROVEITEI a oportunidade que me proporcionou o trabalho de reviso da traduo alem das Terry Lectures para introduzir uma srie de correes, consistindo, quase todas, em ampliaes e acrscimos. Isto concerne principalmente segunda e terceira conferncias. A edio original inglesa j continha muito mais do que fora possvel incluir nas conferncias realizadas. Apesar disto, conservou, na medida do possvel, a forma coloquial porque o gosto americano se mostra mais acessvel a este estilo do que ao de um tratado cientfico. Tambm sob este aspecto a edio alem se afasta do original ingls, sem que tenham sido feitas mudanas substanciais. Outubro de 1939. O Autor
  7. 7. I A autonomia do inconsciente PARECE que o propsito do Fundador das Terry Lectures o de proporcionar, tanto aos representantes das Cincias naturais, quanto aos da Filosofia e de outros campos do saber humano, a oportunidade de trazer sua contribuio para o esclarecimento do eterno problema da religio. Tendo a Universidade de Yale me concedido o honroso encargo das Terry Lectures de 1937, considero minha tarefa mostrar o que a Psicologia, ou melhor, o ramo da Psicologia mdica que repre- sento, tem a ver com a religio ou pode dizer sobre a mesma. Visto que a religio constitui, sem dvida alguma, uma das expresses mais antigas e universais da alma humana, subentende-se que todo o tipo de psicologia que se ocupa da estrutura psicolgica da personalidade humana deve pelo menos constatar que a religio, alm de ser um fenmeno sociolgico ou histrico, tambm um assunto importante para grande nmero de indivduos. Embora me tenham chamado freqentemente de filsofo, sou apenas um emprico e, como tal, me mantenho fiel ao ponto de vista fenomenolgico. Mas no acho que infringimos os princpios do empirismo cientfico se, de vez em quando, fazemos reflexes que ultrapassam o simples acmulo e classificao do material proporcionado pela experincia. Creio, de fato, que no h experincia possvel sem uma considerao reflexiva, porque a "experincia" constitui um processo de assimilao, sem o qual no h compreenso alguma. Daqui se deduz que abordo os fatos psicolgicos, no sob um ngulo filosfico, mas de um ponto de vista cientfico-natural. Na me- dida em que o fenmeno religioso apresenta um aspecto psicolgico muito importante, trato o tema dentro de uma perspectiva exclusivamente emprica: limito-me, portanto, a observar os fenmenos e me abstenho de qualquer abordagem metafsica ou filosfica. No nego a validade de outras abordagens, mas no posso
  8. 8. pretender a uma correta aplicao desses critrios. Sei muito bem que a maioria dos homens acredita estar a par de tudo o que se conhece; a respeito da Psicologia, pois acham que esta apenas o que sabem acerca de si mesmos. Mas a Psicologia, na realidade, muito mais do que isto. Guardando escassa vinculao com a Filosofia, ocupa-se muito mais com fatos empricos, dos quais uma boa parte dificilmente acessvel experincia corrente. Eu me proponho, pelo menos, a fornecer algumas noes do modo pelo qual a Psicologia prtica se defronta com o problema religioso. claro que a amplitude do problema exigiria bem mais do que trs conferncias, visto que a discusso necessria dos detalhes concretos tomaria muito tempo, impelindo-nos a um nmero considervel de esclarecimentos. O primeiro captulo deste estudo ser uma espcie de introduo ao problema da Psicologia prtica e de suas relaes com a religio. O segundo se ocupar de fatos que evidenciam a existncia de uma funo religiosa no inconsciente.