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Textos de Sergio Leo, Glauco Cortez, Ação Educativa e Daniela Jakubaszko

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18/05/2011

Mulheres de Fibra: "Por uma vida melh

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Mulheres de Fibra

http://somosmulheresdefibra.blogspot.com/2011/05/por-uma-vida-melhor-por-que-abolir-os.html

O blog Somos Mulheres de Fibra participa do movimento de blogueiros progressistas que procuram contribuir, de forma responsvel, para a democratizao e a pluralidade da informao e da comunicao na sociedade brasileira. Nosso blog se apresenta como um espao aberto a debates sobre temas diversos como poltica nacional e internacional, questes de gnero, atividades culturais e manifestaes de diferentes categorias sociais.

TE R A -FE IR A , 1 7 DE MA IO DE 2 01 1

"Por uma vida melhor": por que abolir os conceitos de certo e errado.Por Daniela Jakubaszko*

A polmica que se criou em torno do livro Por uma vida melhor, da coleo Viver, aprender, adotado pelo MEC , intil e representa um retrocesso para a Educao. C omo lingista e professora de portugus defendo ardorosamente a utilizao do livro. Vou explicar, mas antes fao alguns esclarecimentos:

S O B O C U DE BRA S LIA

1. A escola o lugar por excelncia da norma culta, l que devemos aprender a utiliz-la, isso ningum discute, fato. 2. O livro NO est propondo que o aluno escreva ns pega como esto divulgando por a - ele est apenas constatando a existncia da expresso no registro popular. Do ponto de vista cotidiano, a expresso vlida porque d conta de comunicar o que se prope. E ela mais que comum e, sejamos sinceros, a linguagem que o leitor dessa obra usa e entende. Ser que inteno da escola se comunicar com ele de verdade? Se for, ela tem que usar um livro que consiga fazer isso. Uma gramtica cheia de exemplos eruditos e termos que o aluno no consegue nem memorizar, com certeza, no vai conseguir. 3. O que o livro est propondo trocar as noes de certo e errado por adequado e inadequado. E isso mais que certo. Vou explicar a seguir.

Foto de Rinaldo Arruda

4. A questo : como ensinar a norma culta num pas de tradio oral, e no qual existe um abismo entre a lngua oral e a lngua escrita? C omo fazer isso com jovens adultos que j apresentam um histrico de fracasso em seu processo formal de educao e, muito provavelmente, na aquisio dos termos da gramtica e seus significados. Se esse jovem no assimilou at o momento em que procurou o EJA (Educao de Jovens e Adultos) a concordncia de nmero, como o professor vai faz-lo usar a crase? Isso para mencionar apenas um dos tpicos mais fceis da gramtica e que a maioria das pessoas, inclusive as mais cultas e graduadas, algumas at mesmo com doutorado, ainda no sabem explicar quando ela necessria. Por que abolir os conceitos de certo e errado?

Vou mencionar apenas 3 razes, para no cansar demais o leitor, mas C ad a to falada liberdade de expresso? V IS IT A N T ES DES T E existem muitas outras, quem se interessar pode perguntar que eu passo a bibliografia. 1. Primeiro, por uma questo de honestidade com o aluno. A lngua viva,

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18/05/2011BLO G

Mulheres de Fibra: "Por uma vida melhassim como a cultura, e no pode ser dirigida, por mais que tentem. Por isso, no existe nem certo nem errado: as regras so convenes e so alteradas de tempos em tempos por um acordo entre pases falantes de uma mesma lngua. O que era errado h alguns anos, hoje pode ser certo. Agora correto escrever lingstica sem trema - o que discordo e ideia sem acento. Assim, o que existe o adequado norma culta e o inadequado norma culta. E essa norma uma conveno, no uma lei natural e imutvel. Alm disso, por mais que a escola seja representante da norma culta, isto no significa que ela deva ficar surda diante dos demais nveis de fala. A lngua portuguesa ou qualquer lngua no pode ser reduzida sua variante padro. To pouco as aulas de portugus

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devem ficar. Afinal, se numa narrativa aparece um personagem, por exemplo, pescador e analfabeto, como o aluno dever escrever uma fala (verossmil) para ele? Escrever de forma inverossmil certo? Alis, o que seria dos poetas e escritores se no fosse o registro popular da lngua? Acho que Guimares Rosa nem existiria.

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Seguidores (47) Mais C om certeza a crtica ao livro parte de setores conservadores e normativos. Eu, como lingista e professora, no apoio a retirada dos livros porque no acho justo falar para o aluno que o jeito que ele fala errado, at porque no , s no est de acordo com a norma culta, o que muito diferente. Depois que voc explica isso para o aluno que ele entende o que est fazendo naquela aula. Essa troca faz toda a diferena. 2. Segundo, porque quando voc diz para um aluno sucessivas vezes que o que ele fez est errado voc passa por cima da subjetividade dele e J um membro? Fazer login acaba com toda a naturalidade dessa pessoa. Da, ela no fala certo e tambm no sabe quando fala errado. Assim, quando na presena de LEIA T A MBM Luis Nassif OnlineA invas o dos ca rros chinese s

pessoas que ela julga mais letradas que ela prpria, no tenha dvida, vai ficar muda. A formao da identidade do sujeito passa obrigatoriamente pela aquisio da linguagem, viver apontando os erros desconsiderar a experincia de vida daquela pessoa, diminu-la porque ela no teve estudo. E no se engane: ela pode se tornar at uma profissional mais desejada pelo mercado por usar melhor a norma culta, mas no necessariamente vai se tornar uma pessoa melhor. 3. Em terceiro, porque urgente trocar o ponto de vista normativo pelo cientfico. A lingstica reconhece que a lngua tem seu curso e muda conforme o uso e a cultura: j foi muito errado falar (e escrever) "voc", por exemplo. A lingstica tambm reconhece que a lngua instrumento de poder, por isso, nada mais importante do que desmistificar a gramtica normativa. Isto no significa deix-la de lado, mas precisamos exercitar uma viso mais crtica. Esse aluno sente na pele a discriminao social devido ao seu nvel de fala, nada mais natural que ele rejeite a norma culta e considere pedante a pessoa que fala segundo a norma padro. compreensvel, ainda, que ele no entenda grande parte do que se diz em sala de aula. O que no compreensvel o professor, ou melhor, a Escola, no entender a razo de isso acontecer. Em nenhum momento foi dito que a professora e autora do livro em questo no iria corrigir ou ensinar a norma culta aos alunos, s ficou validado o registro oral. Os alunos precisam entrar em contato com o distanciamento cientfico. E os lingistas no saem por a corrigindo ningum, eles observam, e voc, leitor, bem sabe como funciona a cincia - e um aluno de pelo menos 15 anos j precisa comear a ouvir falar do pensamento cientfico. Alm disso, muito bom que eles percebam se o nvel de fala que usam tem prestgio ou no, e o porqu. Por que ignorar o estudo da lngua oral em sala de aula? Eu fazia um trabalho nesse sentido com os meus alunos e s depois de transcreverN S R O UBEMO AS PALAVR A DE O UTR O BLO G

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18/05/201130 m il pe ssoa s e m fre nte ao Congre sso

Mulheres de Fibra: "Por uma vida melhentrevistas orais eles conseguiam ouvir a si mesmos e tomar conscincia de seu registro lingstico: nossa como eu falo gria! Eu nem percebia!. A sim eles entendem que, com o amigo, com os pais, eles podem dizer "os peixe", mas que na prova preciso escrever "os peixes", no seminrio preciso dizer os peixes, mas ele precisa estar vontade para fazer isso. A realidade em sala de aula que os alunos no entendem onde esto errando. Quando voc explica o conceito de norma culta eles entendem. C ria-se um parmetro e no uma tbua de salvao inatingvel. aceitando o registro desse interlocutor e apresentando mais uma possibilidade de uso da lngua para ele que vai surgir o esforo para aprender. Se voc insistir no certo e no errado ele vai ficar com raiva e rejeitar o novo. Quer apostar? Ter uma boa comunicao no sinnimo de usar bem as regras da gramtica. Para ensinar os conceitos de "gramtica natural" e "gramtica normativa" temos de dar esses exemplos. Os conservadores se arrepiam porque eles partem do princpio que voc nunca pode escrever ou falar nada errado na frente do aluno. Para mim isso hipocrisia: o aluno tem direito de saber que o registro que ele usa em casa diferente daquele

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que ele usa na rua, no estdio de futebol, na escola, no trabalho, em frente ao juiz. E tem o direito de saber que o correto se define por aquele que tem mais prestgio social. Essas so s as primeiras noes de sociolingstica, para quem quiser abrir a cabea e saber. Ou ser que a lngua portuguesa se aprende descolada da realidade? isso que se est tentando mudar. to difcil assim perceber isso? Quando me pe