peças teatro infantil

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Coleo O ltimo Ato Volume 5 Textos Teatrais

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O ltimo Ato Volume V Luiza Regina Reis

Coleo O ltimo Ato Volume 5 Textos Teatrais

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SOBRE A AUTORA Luiza Regina Reis autora de mais de vintes peas teatrais que abordam os mais diversificados temas religiosos. Desde menina sempre gostou de teatro. Escreveu sua primeira pea aos 16 anos, uma historia de suspense, escrita para uma apresentao na aula de teatro da escola. O resultado foi to interessante que, impulsionou sua paixo para escrita e pelo teatro.

Aos 18 anos, Luiza Regina Reis se converteu ao cristianismo. Na Igreja que congregava, foi convidada a desenvolver um Ministrio de teatro com jovens. Creu no chamado ministerial e colocou-se a disposio para que seus conhecimentos pudessem ser aproveitados para levar a palavra de Deus a outras pessoas atravs do teatro.

Luiza escreveu a maioria das peas que produziu e que foram apresentadas na igreja que congregava. Suas obras j foram encenadas por grupos de teatro em igrejas localizadas nos Estados do Rio de Janeiro, So Paulo, Minas Gerais, Esprito Santo, Bahia e Rio Grande do Sul. Incluindo tambm, igrejas na Califrnia e em Nova Iorque. Sua pea mais conhecida se chama Os Desaparecidos, uma adaptao para teatro de um texto homnimo, sobre a profecia do arrebatamento descrita na Bblia.

Alm disso, Luiza Regina Reis diretora e produtora teatral, alm de professora de teatro e workshops para igrejas e grupos teatrais. Ao longo de mais de dez anos, ela tem colaborado e incentivado o teatro como ministrio dentro das igrejas. Seu ministrio como escritora e produtora de teatro evanglico tem vencido barreiras e preconceitos e comprovado que o teatro ministerial uma poderosa arma para ganhar almas para o reino de Deus. Contato direto - [email protected] Website - www.arenadecristo.net

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INDICE

Prefcio

O que em mim mudou nesses anos................................................................................. 07

Textos A rvore Torta............................................................................................................... 08 Sonhos Roubados .......................................................................................................... 12 Xadrez .......................................................................................................................... 21

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A todos que praticam nas Igrejas o teatro que no perdeu sua essncia genuna.

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PREFCIO

O que em mim mudou nesses anos

Mudou que Teatro no mais s evangelismo, eu passei a ver, at mesmo o teatro religioso, como formador de opinio, de reflexo, de provocao, de tomada de conscincia e principalmente, fonte de cultura e de apelo social. J vo fazer duas dcadas de minha vida dedicada ao teatro cristo e continuo afirmando que mais importante que pensar em ofertar a Deus atravs do teatro que este teatro tenha qualidade tcnica e esta oferta, valor real para Deus. Pois ele no obrigado a aceitar qualquer oferta. Hoje no preciso que ningum me revele que meu chamado ministerial o teatro. Eu no tenho dvidas quanto a isso. Hoje tambm no escrevo mais textos doutrinrios (aqueles textos que a gente escreve pra ensinar ao povo quanto ao dzimo, oferta etc que vai muito mais de acordo com os interesses da Igreja do que de fato com a essncia do teatro questionador, reflexivo e provocador. Hoje eu escrevo o que acredito, no que vivo e no que prego. Hoje recebo carinhosamente em minha vida pessoas ligadas ao teatro religioso, mas no propriamente evanglicas. Nesse caminho de teatro cristo conheci e fiz amigos catlicos, protestantes e at mesmo os crentes (aqueles mais fervorosos, que geralmente costumam atirar pedras em mim por aceitar catlicos). Agradeo a Deus por mudar meu corao e por me tornar genuinamente amorosa e amvel com todos os seres humanos. Sinto falta de dirigir uma Companhia. Desde 2002 no tenho cuidado de uma companhia, apenas realizado montagens encomendadas.

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Esse volume adrenaltico, eu critico o modo como o teatro tem sido feito dentro das igrejas. Como vendemos sua essncia e o tornamos mercadolgico e doutrinrio. Retrocedemos sculos. Voltamos a fazer teatro medieval do terror. Em Xadrex minha critica bem clara, inclusive dou nome aos bois traidores da genuna essncia do teatro. Xadrez tambm critica o espetculo que se faz em Nome de Deus em algumas igrejas para amedrontar fieis com batalhas espirituais sem fim entre o bem e o mal. Esse texto de 2008. Sonhos Roubados um texto encomendado, escrito em 2010, que no foi utilizado apelo encomendador, e por ser de minha autoria resolvo publicar. Ele fala da responsabilidade individual. De se viver a vida em busca de sonhos e realiz-los ao invs de buscar culpados pelas nossas frustraes. Nesse texto, voc vai descobrir quem anda sabotando seus sonhos, roubando-os e impedindo que eles se realizem. A Arvore Torta um texto bonitinho, de 2009, sobre uma historia que ouvi de um pastor e adaptei pra teatro. Tudo comeou quando eu perguntei pra ele assim: Pastor, se eu quiser exortar algum que est agindo errado, tem problema em eu agir com aspereza (ser ignorante)? Em ser rude? Ai ele me respondeu com essa historinha... Bem, claro que eu criei nome pro jardineiro, etc, mas a essncia do que ele me contou como exemplo est toda a. Divirta-se e delicie-se! A Luiza Regina Reis continua sendo a Luiza Regina Reis.

"Bem aventurado aquele que no se condena naquilo que aprova." (RM 14:22)

A autora

So Bernardo do Campo, 2011.

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A RVORE TORTA

SINOPSE Uma histria de um jardineiro que queria de qualquer maneira endireitar uma rvore torta. PERSONAGENS Narrador Jardineiro Faruk

Faruk: Significa severo. A honestidade e o rigor consigo mesmo e com os outros so as principais caractersticas de quem tem esse nome. Meticuloso e sistemtico.

Ato 1 Narrador entra em cena. Narrador Era uma vez, num lugar bem perto de vocs, num tempo dito hoje, um homem chamado Faruk e um dilema.

Jardineiro entra em cena. Ele olha a arvore. Fica irritado. Comea a reclamar.

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Jardineiro Faruk Assim no possvel. O que est acontecendo com essa rvore? Eu cuido de voc com tanto carinho. Lancei suas sementes na terra. Reguei dias e mais dias e agora que voc est crescendo, resolveu crescer torta? Ah no. Isso no vai ficar assim.

Sai de cena e entra novamente com um martelo, mas o pblico no v o martelo. Jardineiro Faruk um absurdo. Uma chateao. Ter que endireitar uma arvore. Se voc continuar crescendo assim, vai ficar desequilibrada e qualquer ventinho vai te jogar no cho. Que chateao! Uma rvore torta no meu jardim. Ah mas eu vou dar um jeitinho em voc. Ah se vou! Jardineiro com um movimento rpido, tira o martelo das costas e comea a dar marteladas na rvore. Jardineiro Faruk Preste ateno! (ameaando) Endireita agora ou te derrubo! (bate com mais fora e grita) Endireita!!! Toma jeito, sua rvore ingrata! (bate com mais fora e comea a se descontrolar) Vai apanhar at endireitar! Pode demorar mil anos, mas ou voc toma jeito, ou vou te tombar no cho. Aqui no meio jardim, no tem essa de pau que nasce torto morre torto no! Aqui eu conserto o que ta errado! Na fora do meu brao! (irado) Anda logo, eu no quero perder a pacincia! Eu te corto todinha e te lano no fogo e voc vai virar carvo! Vou te lanar no fogo!!!(gritando) Fogo!! Endireita! (Bate com toda a fora e as luzes se apagam). Narrador Nossa, Faruk...Quanta violncia! Ser que a fora bruta pode vencer a vontade de viver torta? Vamos ver.

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Ato 2 As luzes se acendem. Jardineiro caminha at chegar ao pblico. Com o mesmo movimento anterior, ele tira uma bblia que estava escondida nas costas. Jardineiro Faruk Presta ateno! Se converte agora ou o coisa ruim vai te destruir. (grita face a face com o publico como aqueles pregadores fanticos que ficam nas praas) Filho do coisa ruim! Pecador! (bate de leve, mas parecendo forte, com a bblia na cabea das pessoas) Se converte! Se arrepende ou ento o lago de fogo vai te consumir. Se converte! Endemoniado! Deus vai te arrancar e te lanar no fogo eterno. Ei voc, deixa essa vida de pecado. O Fogo vai te pegar! Se converte! (Grita com toda a fora e as luzes se apagam).

Narrador

Nossa! Quanta violncia! Ser que a fora bruta pode vencer a vontade de viver torta?

Ato 3 Nesta cena o narrador ir falar enquanto o Jardineiro far a encenao. Narrador Porque assim diz o Senhor dos Exrcitos, o Deus-Todo Poderoso, que no seja por fora, nem por violncia, mas pelo poder de Deus. Antes de julgarmos a arvore, precisamos ajuda-la. No h necessidade de sermos rudes. Usar palavras ameaa-

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doras. Todos precisam um dia de um suporte. De algum para, ao nosso lado, nos sustentar nos momentos de dificuldades. No se desentorta nada com a fora bruta. Mas com pacincia, perseverana, f e amor. Sabendo que para tudo h tempo no cu e na terra. E o tempo de Deus no como o nosso tempo. No devemos julgar, mas estar ao lado, com sinceridade e solidariedade. De que adianta falar com dureza, h salvao nessas palavras? Ou elas podero gerar mgoa no corao? Existe uma arvore que Deus colocou no seu caminho. Ela ainda est crescendo, no possui frutos ainda e talvez seja torta. Ser que suas palavras a ajudaro a encontrar a direo do alto, ou ser que voc leva uma mensagem to rudes a ponto de desencoraja-la? Jardineiro Faruk entra em cena. Ele traz um pedao de pau grande o suf