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Pâmela Reis Costa Campos Curso Técnico de Auxiliar de Veterinária Março de 2009 O tratamento e ajuda através dos animais

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Pâmela Reis Costa Campos Curso Técnico de Auxiliar de Veterinária Março de 2009

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Introdução Ter um animal de estimação, hoje em dia, é muito mais que a imagem da família feliz, o casal, os filhos e o cão. Estudos recentes comprovam os benefícios dos animais de estimação a nível do desenvolvimento psicológico e social, assim como na melhoria da qualidade de vida das pessoas. Viu-se também que pessoas que convivem com animais de estimação sentem-se menos deprimidas, solitárias e ansiosas, isto porque a relação dos

seres humanos com os animais são baseadas no afecto mútuo. Com base em vários estudos, a Medicina reconhece o valor do animal de estimação como agente terapêutico e social, pois são uma mais-valia perante determinadas doenças, ou por serem importantes facilitadores de integração social de idosos ou crianças com deficiência.

Breve História O uso de animais em tratamentos não é recente. A sua utilização no tratamento de determinadas doenças tem os primeiros registos no ano de 1792, no Retiro York, centro clínico para pessoas com problemas mentais em Inglaterra. William Tuke, pioneiro no tratamento de doentes mentais sem métodos coercitivos, usava como reforço positivo a permissão dos seus pacientes para tratar dos animais do retiro. Em 1867, em Bethel (Bielfield, Alemanha), foi usado o mesmo método no tratamento de pessoas com epilepsia (hoje em dia, em Bethel ainda é utilizado cuidar de cães, gatos, cavalos, etc.) no tratamento dos doentes. Em 1944, a Cruz Vermelha patrocinou um programa no Army Air Force Convalescent, em Pawling, Nova Iorque, em que os animais eram usados na reabilitação dos aviadores. Em 1948, o Dr. Samuel B. Ross fundou em Nova Cork, a granja Green Chimneys, que é uma das instituições mais prestigiadas a nível mundial, de reeducação infantil e juvenil através de actividades assistidas por animais. Em 1953, o Dr. Levinson, escreveu o livro “Psicoterapia Infantil Assistida por Animais” onde relatava as suas experiências com o seu cão Jingles e com os seus pacientes mais introvertidos, que perdiam as suas inibições e medos graças à presença de Jingles no

Figura 1 - Um idoso e a sua visita

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consultório. A presença do cão favorecia a comunicação entre o psiquiatra e os seus pacientes. Em 1966, Erling Stodahl, músico cego, fundou o centro Beitostolen, na Noruega, para a reabilitação de cegos, onde eram usados cães e cavalos para a realização de exercícios físicos. Mas só a partir década de 80 é que foram feitas pesquisas científicas relevantes que provaram o benefício para a saúde humana da interacção com animais, tendo começado a ser utilizada como terapia nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa Ocidental. Em 1981, Samuel e Elizabeth Corson começaram a usar a Terapia com Animais em adultos com problemas psiquiátricos e em idosos em hospitais. Também verificaram que a presença do animal facilitava a relação do paciente com as outras pessoas presentes na sala, nomeadamente os terapeutas. Também em 1981, o investigador Aaron Honori Katcher, que estudava a influência dos animais domésticos na pressão arterial, verificou que a pressão arterial diminuía após a pessoa acariciar um cão ou um gato. Essa diminuição podia acontecer quando apenas era mostrada uma imagem de um cão ou um gato á pessoa. Katcher mostrou que doentes do coração que possuíam animais de estimação recuperavam a sua saúde mais rapidamente que outros doentes que não tinham. Katcher também achava que os animais de estimação aumentavam a longevidade e diminuía o aparecimento de doenças. Também Michael Mc Cullach fez estudos com doentes com insuficiência cardíaca, desordens endócrinas, distúrbios gastrointestinais e diabetes. Viu que nestes doentes a presença de um animal de estimação tinha efeitos positivos na diminuição da ansiedade, na socialização e na recuperação terapêutica. Na década de 90 no Brasil começam a ser implantados os primeiros Centros de Atendimento de Terapia Assistida por Animais. Hoje em dia continuam a ser feitos estudos com o objectivo de melhorar técnicas para serem implantadas tratamentos e actividades que têm como objectivo melhorar a qualidade de vida do ser humano. As principais organizações que deenvolvem estudos sobre Intervenções Assistida por Animais são:

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- Delta Society (Estados Unidos) - SCAS, Society for Companion Animal Studies (Reino Unido) - IEAP, Institue For Apllied Ethology and Animal Psichology (Europa)

Figura 2 - Logotipo da Delta Society

Figura 3 - Logotipo da SCAS

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Intervenções Assistidas por Animais As Intervenções Assistidas por Animais podem ser: -Actividades Assistidas por Animais (AAA) -Terapias Assistidas por Animais (TAA) Actividades Assistidas por Animais - AAA São actividades realizadas por voluntários, treinadores, profissionais de saúde, etc. com animais (com determinadas características), podendo estas ser individuais ou em grupo. Estas actividades actuam a nível da educação, motivação, recreativo e/ou terapêutico. Podem ou não ser feitas por terapeutas, pois as pessoas - alvo das actividades não estão a fazer nenhum tipo de tratamento específico. São actividades do tipo “Meet and Greet”, são encontros casuais, sem tempo determinado (pode demorar 30 minutos, 1 hora, etc), em que os animais são levados a interagir com as pessoas. A mesma actividade pode ser repetida com vários grupos de pessoas, ao contrário da Terapia Assistida por Animais em que existe um programa de tratamento bem definido para cada paciente. Neste tipo de actividade não há o registo sobre a reacção dos pacientes nem relatórios de cada sessão. Um exemplo destas actividades é as visitas de voluntários e respectivos animais, a lares de idosos, sanatórios, instituições de crianças abandonadas, etc. Existe ainda uma variante deste tipo de actividades, a Educação Assistida por Animais, que é direccionada a estudantes. Esta actividade é feita na sala de aula.

Figura 4 - Visita a um lar de idosos

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Terapia Assistida por Animais - TAA Também chamada de Terapia Facilitada por Animais, é aplicada juntamente com outro conjunto de tratamentos específicos, baseado nas necessidades físicas, psicológicas e sociais do paciente. É acompanhada por um profissional de saúde, que pode ser um Enfermeiro, Psicólogo, Terapeuta da Fala, Fisioterapeuta, etc. Podem ser submetidos a este tipo de terapia, idosos, pessoas fragilizadas fisicamente ou hospitalizadas, crianças e adultos com problemas de aprendizagem, com deficiência mental ou fragilizados

psicologicamente, com ou crianças provenientes de famílias em risco, ou com adultos com problemas sociais e de adaptação. Neste tipo de interacção existem objectivos específicos para cada paciente (apesar de poder ser em grupo) e todo o processo é avaliado. Um exemplo deste tipo de terapia é o terapeuta, para

treinar a memória do paciente, através de ensinar a escovar o cão, seguindo os seguintes passos: tirar a escova do saco,

dizer ao cão “quieto”, escovar o cão, e no fim dizer “Lindo menino”. Como há a motivação para escovar o cão, o paciente lembra-se mais facilmente de todos os passos. Outro exemplo é uma paciente que teve um AVC e não consegue andar nem manter-se de pé. O Fisioterapeuta usa o cão para a motivar. Primeiro coloca o cão em cima da mesa e pede à paciente para o acariciar e pentear. Mais tarde pede à paciente para tentar passear o animal (dentro da sala, em pequenas distâncias e sempre com o fisioterapeuta ao lado). A Terapia Assistida por Animais pode ser utilizada em vários programas de recuperação, pois actua a diferentes níveis: - A nível físico, melhora os movimentos, melhora o equilíbrio e melhora o manuseamento da cadeira de rodas. - A nível psicológico, melhora as suas interacções verbais em grupos, melhora a concentração para realizar determinadas tarefas, cria momentos de lazer, aumenta a auto-estima e diminui a solidão e a ansiedade - A nível educacional, melhora o vocabulário, melhora a memória a curto e longo prazo, e ajuda a interiorizar determinados conceitos básicos, como cor, tamanho, etc.

Figura 5 - Actividade de TAA

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- A nível motivacional, aumenta a vontade de realizar actividades em grupo, assim como ajuda nas interacções entre os membros do grupo. Diferenças entre AAA e TAA À primeira vista pode ser difícil distinguir TAA´s de AAA´s, apesar de haver algumas diferenças fáceis de identificar. As TAA´s têm sempre estas 3 características: - As TAA´s são sempre dirigidas por profissionais de saúde, podendo ser um Médico, um Fisioterapeuta, um Terapeuta da Fala, um Enfermeiro, um Assistente Social, etc. Os animais podem ser manipulados pelo próprio profissional de saúde ou por um voluntário dirigido pelo profissional de saúde. Para ser considerado TAA o animal deve ser usado como parte da especificidade do profissional de saúde (por exemplo, um assistente social só deve usar o cão no contexto de trabalho social; se este assistente social estiver a visitar um grupo de crianças sem um objectivo específico é considerada uma AAA) - A TAA´s tem sempre um objectivo, uma meta para ser atingida, como por exemplo, melhoria dos movimentos, da atenção, etc. Em qualquer visita devem ser realizadas uma ou mais tarefas, definidas antes de cada sessão iniciar. - Nas TAA´s tudo é registado. Em cada sessão é registado tudo o que aconteceu, quais os exercícios feitos, quais os objectivos atingidos, etc. Quando uma destas 3 características não está presente a interacção é considerada AAA. As TAA´s são desta forma uma forma mais formal das AAA´s. Um animal Terapeuta é um animal que pelas suas características comportamentais e/ou morfológicas, aliado a um treino específico permite a recuperação de traumas ou auxilia na aprendizagem. Um animal terapeuta deve ser calmo e inspirar confiança em quem vai lidar com ele, devem aguentar o olhar das pessoas, gostar que lhe façam festas, abracem e toquem, mantendo-se calmo perante movimentos bruscos e barulho. Benefícios das AAA´s e TAA´s As interacções entre animais e humanos trazem benefícios quer para adultos quer para crianças: Empatia

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Estudos mostram que crianças que vivem com animais de estimação sentem mais empatia que crianças que não convivem com animais. As crianças vêm os animais de estimação como companheiros, sendo mais fácil sentir empatia por eles que por humanos. Os animais mostram aquilo que sentem e são mais lineares que os humanos. As crianças podem aprender a ler a linguagem corporal do animal e é mais fácil saber o que o animal está a sentir pois ele vive o momento. Normalmente a capacidade de simpatizar com animais transita para as experiências com pessoas. Recorrer ao próximo Indivíduos com problemas mentais ou com baixa auto-estima centram-se em si próprios. Os animais conseguem que essas pessoas se foquem neles e no seu ambiente. Assim esses doentes deixam de se focar e falar de si próprios e passam a falar e a observar os animais. Desenvolvimento e Crescimento O normal crescimento e desenvolvimento de uma criança ficam comprometidos quando existe algum problema na via normal de aprendizagem, como por exemplo, os pais. Tomar conta de um animal, pode ajudar a criança no seu desenvolvimento psicológico. Confiança O animal cria um canal emocionalmente seguro, não ameaçando a comunicação entre o paciente e o terapeuta. O animal cria um ambiente emocionalmente seguro pois se o animal está no gabinete do terapeuta então é porque este não é “perigoso”. Assim baixam as defesas do paciente e a comunicação é mais fácil. No caso de crianças pode haver projecção de sentimentos e experiências para o animal. Aceitação O animal aceita qualquer pessoa, independentemente do que essa pessoa diz ou faz. Entretenimento No mínimo a presença de um animal pode ser divertida. Mesmo pessoas que não sentem empatia por animais gostam de observar as suas brincadeiras e reacções. Especialmente em internamentos de longa duração todos ficam de alguma forma entretidos com as visitas. Socialização

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Estudos mostram que quando cães e gatos visitam centros de reabilitação, há mais riso e interacção entre os pacientes do que com qualquer outra terapia ou actividade recreativa. Num estabelecimento hospitalar, a presença dos animais encoraja a socialização entre pacientes, pacientes e funcionários e entre pacientes e funcionários do hospital, familiares e visitas. Funcionários do hospital dizem que é mais fácil falar com os internados durante e depois das visitas. Familiares dos internados também garantem que o melhor horário para os visitar é quando estão a decorrer as visitas dos animais. Estimulação mental A estimulação mental ocorre pois há um aumento de comunicação com outras pessoas, de recordar lembranças, e de entretenimento durante as visitas dos animais. Em situações mais deprimentes a presença do animal melhora o ambiente, aumentando a diversão, os risos e os jogos. Estas distracções positivas servem para diminuir os sentimentos de solidão. Contacto físico Nos hospitais onde a maior parte dos toques são invasivos ou dolorosos, o toque de um animal é considerado seguro, agradável e não ameaçador. Há casos de pessoas que foram abusadas fisicamente ou sexualmente em que não é permitido nenhum contacto físico. Nestes casos, tocar ou segurar num animal pode fazer a diferença, que de outro modo não teriam nenhum contacto físico. Benefícios Fisiológicos Muitas pessoas são capazes de relaxar na presença de animais. Estudos mostram que na presença do animal a pressão arterial e a frequência cardíaca baixam. Até mesmo ver peixes num aquário pode ser calmante. Quando as TAA´s ou as AAA´s não trazem benefícios Apesar dos seus inúmeros benefícios há casos que estes tipos de interacções não são apropriados, como por exemplo: -quando o animal gera rivalidade e competição dentro de um grupo -quando o paciente se torna possessivo e “adopta” o animal só para ele mesmo -quando podem haver incidentes devido a manuseio inadequado do animal, má selecção do animal, ou falta de supervisão

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-pessoas com lesões cerebrais, deficiência no desenvolvimento ou senilidade podem provocar o animal sem se aperceberem -pessoas com expectativas irreais podem pensar que um animal está a rejeitá-las e isso pode aprofundar mais os seus sentimentos de baixa auto-estima -em pessoas com alergias pode provocar problemas respiratórios -em pessoas com feridas abertas ou de baixa resistência a interacção deve ser cuidadosamente monitorizada, e por vezes, restringida. -em pessoas com medo de animais -em pessoas que vêm os animais de maneira diferente, devido às suas origens culturais É necessário ter bom senso quando se escolhe este tipo de terapia assim como parar quando o resultado não é o previsto. As Terapias Assistidas por Animais, assim como as Actividades Assistidas por Animais podem ser feitas, com cães, cavalos, burros, etc., dependendo do objectivo da interacção e do pessoa com quem vai interagir.

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A ajuda dos cães Os cães podem ser utilizados tanto em TAA como em AAA. Se for o caso de uma TAA, esta é denominada de Cinoterapia. O cão, é das espécies de animais domésticos mais brincalhonas que existe, e o seu carácter dócil e meigo faz com que seja um sucesso entre as crianças. Os cães são utilizados em vários tipos de ajuda como por exemplo, Cães de Assistência, que engloba os cães guia, os cães para surdos e os cães de serviço, Co-terapeutas, no caso de sessões acompanhadas com o Terapeuta, em Actividades Assistidas por Cães, ou na Educação Assistida por Cães. Cães de Assistência Os Cães de Assistência têm como função ajudar o seu parceiro e actuar no sentido de melhorar a sua qualidade de vida dando-lhe um novo sentido de liberdade e independência. A ADI, Assistance Dogs International é uma associação que tem como objectivo estabelecer e promover normas e linhas de actuação em todas as áreas de cães de assistência, desde a aquisição, passando pelo treino até chegar à parceria (cão - paciente), assim como educar o público em geral para os benefícios dos cães de assistência. A ADI define 3 tipos de cães de assistência: Cães-Guia, Cães para Surdos e Cães de Serviço.

Cães-Guia

Assistem pessoas cegas ou com grandes incapacidades visuais evitando obstáculos, parando nas escadas e atravessando as ruas. A parceria funciona da seguinte maneira, a pessoa dá as indicações de direcção e o cão assegura a segurança do caminho a percorrer, mesmo que isso implique desobedecer ao comando dado. As raças mais usadas são o Labrador retrivier, o Golden retrivier e a Pastor Alemão. Os cachorros são criados por voluntários durante 1 ano e depois são treinados durante 4 a 6 meses antes de serem entregues ao seu parceiro. Figura 6 - Cão-guia e o seu

parceiro

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Cães para surdos

Assistem pessoas surdas ou com grandes incapacidades auditivas. Alertam para todo o tipo de sons: campainha, telefones, bebé a chorar, chamamento pelo nome, alarme de fogo, etc., através do contacto físico. Não existe uma raça mais utilizada para este tipo de assistência, mas têm que ser de porte pequeno ou médio, com grande acuidade auditiva. Estes cães são criados e treinados por um criador voluntário.

Cães de Serviço

São cães para pessoas com outro tipo e incapacidades. Têm um treino especial para trabalhar com pessoas em cadeiras de rodas, com autistas (vários tipos), pessoas com dificuldade de apreensão e resposta, ou com problemas psiquiátricos. Estes cães podem chegar objectos ao parceiro, empurrar cadeiras de rodas, abrir e fechar portas, ligar e desligar luzes, ladrar para indicar que o parceiro precisa de ajuda, encontrar outra pessoa e levá-la até ao doente, assistir pessoas a andar ajudando no balanço e contrabalanço, baixar a pressão arterial ou até alertar para outros problemas como baixo nível de açúcar no sangue. As raças mais utilizadas para este tipo de serviço são os Golden retrivier e os Labrador retrivier, e normalmente andam identificados por mochilas ou arreios. Estes cães são criados e treinados por um voluntário. Normas e ética A ADI acredita que qualquer cão que pertence à sua associação, que foi treinado para cão de assistência, tem direito a ter qualidade de vida. Por esta razão a ADI criou normas, que devem ser cumpridas por todos os seus membros. Relativamente aos Cães de Assistência:

Figura 7 - Cão a indicar à parceira que o despertador está a tocar

Figura 8 - Cão de assistência a tirar a roupa da máquina de lavar

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1. Um cão de Assistência deve ser avaliado quanto á sua capacidade emocional e para trabalhar.

2. Um cão de Assistência deve ser avaliado quanto à sua solidez física e de saúde. 3. Um cão tem que ser tecnicamente e analiticamente treinado com o máximo de

controlo para as funções que vai cumprir. 4. O treino tem que ter método, assegurando a segurança física e emocional do cão. 5. Um cão de Assistência tem que ser treinado ao seu próprio ritmo e não pode ser

entregue sem ter alcançado a maturidade física e emocional pretendida. 6. O cão deve ter o perfil indicado para as necessidades do cliente. 7. O cão deve ser entregue a um cliente capaz de se relacionar com ele. 8. O cliente deve assegurar as necessidades físicas, emocionais e de saúde do cão. 9. O cão deve ser entregue a um cliente capaz de lhe dar segurança e estabilidade. 10. O cão deve ser entregue a um cliente que deseje ter alguma independência ou

melhorar a sua qualidade de vida através do cão de serviço. 11. Um membro da ADI deve se responsabilizar pelo cão em caso de morte ou

incapacidade do parceiro de tomar conta do cão. 12. Nenhum membro da ADI treinará e/ou certificará cães com comportamento

agressivo. Os cães de serviço não têm funções de guarda ou protecção. Um treino contra a agressividade pode ser aceite em certos casos.

Relativamente ao Cliente: 1. O cliente tem direito a um cão de Assistência, não importando raça, sexo ou religião. 2. O cliente tem o direito de ser tratado com respeito e dignidade pelos membros da

organização. 3. O cliente tem o direito de receber formação para aprender a usar o seu cão de

assistência em casa ou em público. 4. O cliente tem que ser tratado pela comunidade como tendo um cão de assistência. 5. O cliente tem o direito de receber acompanhamento regular e apoio da organização. 6. O cliente tem o direito de receber informação e pedir assistência sobre treinos

adicionais o cão se ajustar às novas condições do cliente, problemas maiores de saúde do cão ou problemas comportamentais do mesmo.

7. O cliente tem o direito de receber informação e pedir assistência em casos de problemas legais relativos ao uso e acesso dos cães de assistência, permitido por lei. O cliente tem o direito à confidencialidade. A comunidade tem o direito de saber que um cão de assistência está sempre sob controlo em público e que dessa forma o cliente tem o direito a ser acompanhado por um cão devidamente ensinado. A comunidade tem o direito de receber informações relativas ao programa da ADI. A comunidade

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tem o direito de receber formação sobre os benefícios de um cão se assistência para uma pessoa com deficiência.

Relativamente a um Cão de Assistência em público: 1. O cão é limpo, não tem odor intenso. 2. Não urina ou defeca em locais impróprios. 3. O cão não pede atenção nem aborrece o público em geral. 4. O cão não perturba o decorrer normal da actividade. 5. O cão não ladra nem choraminga desnecessariamente. 6. O cão não é agressivo com outras pessoas ou animais. 7. O cão não solicita comida ao público em geral. 8. O cão é especificamente treinado para responder a três ou mais comandos, de acordo

com a disfunção do parceiro/cliente. 9. O cão trabalha calmamente e tranquilamente com arnês, trela ou outro tipo de

corrente. 10. O cão é capaz de desempenhar as suas funções em público. 11. O cão deve ser capaz de andar calmamente ao lado do parceiro, sem bloquear

corredores, portas, etc. 12. O cão é treinado para urinar e defecar só quando é ordenado para tal. Relativamente aos programas de treino de Cães de Serviço: 1. O cão de serviço deve responder a pelo menos 90% dos comandos dados pelo

parceiro, quer em casa, quer em público. 2. O cão de serviço deve saber as regras básicas de obediência, responder a voz e/ou

sinais gestuais (ficar quieto, deitar, andar ao lado do cliente, e ir quando é chamado). 3. O cão de serviço deve cumprir todas as normas mínimas para cães de assistência em

público, assim como ser obediente em casa. 4. O cão de serviço deve saber pelo menos três tarefas para minimizar a deficiência do

parceiro. 5. O cliente deve ter formação suficiente para ser capaz de fazer cumprir as normas

mínimas dos cães de assistência em público. O cliente deve ser capaz de: instruir o cão a realizar pelo menos três tarefas; ter um conhecimento aceitável das técnicas; conhecer os cuidados a ter com um cão; ter a capacidade de manter a formação do cão assim como de resolver problemas e continuar a treinar o cão para novas competências; ter conhecimento da legislação e do comportamento adequado que o cão deve ter em publico.

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6. O programa dos Cães de Assistência deve fazer um acompanhamento constante durante os primeiros 6 meses de integração do cão. Este acompanhamento deverá ser feito por pessoas qualificadas.

7. O cartão de identificação do cão de serviço deverá ter foto e nome dele, assim como o do parceiro. Em público o cão deverá usar uma capa, arnês, mochila ou outra peça de vestuário ou equipamento com um logótipo que os identifique como cães de assistência.

8. As pessoas do programa de assistência devem demonstrar conhecimento da deficiência do cliente. O programa deve formar os seus funcionários e voluntários nesse sentido.

9. O cliente deve respeitar as normas da ADI para Cães de Assistência. 10. Antes da entrega de qualquer cão guia este deve satisfazer as normas para cães de

Assistência, ser castrado /esterilizado, ter a vacinação em dia. É da responsabilidade do programa informar o cliente de quais as necessidades especificas para cada cão.

Relativamente aos Cães para surdos: 1. O cão para surdos deve responder a pelo menos 90% dos comandos dados pelo

parceiro quer em casa, quer em público. Deve reagir ao sinal sonoro até quinze segundos após ter começado.

2. O cão para surdos deve saber as regras básicas de obediência, responder a voz e/ou sinais gestuais (ficar quieto, deitar, andar ao lado do cliente, e ir quando é chamado)

3. O cão para surdos deve cumprir todas as normas da ADI para cães de assistência, quer em público quer em casa.

4. Ao ouvir um som, o cão tem que alertar o cliente através de contacto físico ou de outro comportamento, que o cliente sabe o que significa. Aí o cão pode levar ou indicar especificamente a fonte do som. O cão deverá ser treinado para alertar pelo menos 3 sons diferentes.

5. O cliente deve ter formação suficiente para ser capaz de fazer cumprir as normas mínimas dos cães de assistência em público. O cliente deve ser capaz de: instruir o cão a realizar pelo menos três tarefas; ter um conhecimento aceitável das técnicas; conhecer os cuidados a ter com um cão; ter a capacidade de manter a formação do cão assim como de resolver problemas e continuar a treinar o cão para novas competências; ter conhecimento da legislação e do comportamento adequado que o cão deve ter em publico.

6. . 7. O cartão de identificação do cão de assistência deverá ter foto e nome dele, assim

como o do parceiro. Em público o cão deverá usar uma capa, arnês, mochila ou outra

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peça de vestuário ou equipamento com um logótipo que os identifique como cães de assistência.

8. As pessoas do programa de assistência devem demonstrar conhecimento sobre surdez e deficiências auditivas. Um funcionário ou voluntário deve ter as noções básicas de linguagem gestual. O programa deve formar os seus funcionários e voluntários nesse sentido.

9. O cliente deve respeitar as normas da ADI para Cães de Assistência. 10. Antes da entrega de qualquer cão para surdos este deve satisfazer as normas para cães

de Assistência, ser castrado /esterilizado, ter a vacinação em dia. É da responsabilidade do programa do cliente informar o cliente de quais as necessidades especificas para cada cão.

Relativamente a Cães-guia: 1. O cão-guia deve responder a pelo menos 90% dos comandos dados pelo parceiro, quer

em casa, quer em público. 2. O cão-guia deve saber as regras básicas de obediência, responder a voz e/ou sinais

gestuais (ficar quieto, deitar, andar ao lado do cliente, e ir quando é chamado). 3. O cão-guia deve cumprir todas as normas da ADI para cães de assistência, quer em

público quer em casa. 4. O cão-guia deve ser treinado para evitar obstáculos, barreiras, irregularidades do piso,

para atravessar ruas na passadeira e entrar em transportes públicos. O treino do cão deverá incluir exercícios com os olhos vendados.

5. O cliente deve ter formação suficiente para ser capaz de fazer cumprir as normas mínimas dos cães de assistência em público. O cliente deve ser capaz de: instruir o cão a realizar pelo menos três tarefas; ter um conhecimento aceitável das técnicas; conhecer os cuidados a ter com um cão; ter a capacidade de manter a formação do cão assim como de resolver problemas e continuar a treinar o cão para novas competências; ter conhecimento da legislação e do comportamento adequado que o cão deve ter em publico.

6. O programa dos Cães de Assistência deve fazer um acompanhamento constante durante os primeiros 6 meses de integração do cão. Este acompanhamento deverá ser feito por pessoas qualificadas.

7. O cartão de identificação do cão de assistência deverá ter foto e nome dele, assim como o do parceiro. Em público o cão deverá usar uma capa, arnês, mochila ou outra peça de vestuário ou equipamento com um logótipo que os identifique como cães de assistência.

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8. Os funcionários e voluntários do programa devem ter conhecimentos sobre a cegueira e experiência de trabalho com deficientes visuais. O programa deverá disponibilizar material para formar os funcionários neste sentido.

9. Antes da entrega de qualquer cão-guia este deve satisfazer as normas para cães de Assistência, ser castrado /esterilizado, ter a vacinação em dia. É da responsabilidade do programa do cliente informar o cliente de quais as necessidades especificas para cada cão.

Relativamente ao parceiro dos Cães de Assistência: 1. Deve tratar o cão com apreço e respeito. 2. Deve praticar a obediência regularmente. 3. Deve praticar as habilidades do cão regularmente. 4. Deve manter com o cão um bom comportamento em púbico e em casa. 5. Deve ter sempre a identificação do cão sempre e saber as leis referentes a cães de

Assistência. 6. Manter o cão bem cuidado. 7. Ter práticas de saúde preventiva com o cão. 8. Fazer os programas de vacinação e controlo anualmente. 9. Cumprir todas as leis. 10. Seguir as exigências do programa de treino quer para relatórios quer para avaliações

médicas. 11. Deve limpar sempre os dejectos do cão.

Cães co-terapeutas No caso da terapia, os cães são utilizados como um agente facilitador, pois a sua presença permite que o paciente aceite as restantes actividades com mais facilidade, acelerando assim a intervenção terapêutica. O terapeuta baseia-se na relação entre o paciente e o animal para direccionar o tratamento previsto. As áreas da saúde que neste momento utilizam este tipo de abordagem são a Psicologia, a Fisioterapia, a Pedagogia, a Psiquiatria e a Terapia da Fala.

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As principais características de um cão co-terapeuta são ser dócil e socializado, ou seja, ser capaz de conviver com pessoas e animais estranhos, sendo receptíveis ao carinho e ao afago. O cão não se pode distrair com nada dentro da sessão. Estes cães são seleccionados a partir de avaliações específicas feitas por Veterinários e Treinadores. Após as avaliações os cães são treinados por um período de 4 a 12 meses, tendo ao longo da sua vida uma rigorosa supervisão por parte do Veterinário sobre o seu estado físico, vacinação e desparasitação. Dependendo do caso, o papel do cão na TAA é facilitar e mediar a relação terapêutica, através das diferentes experiências com o cão, permitindo ao paciente aprender novas tarefas de forma eficiente, possibilitar diferentes sensações sensoriais (tacto, visão, audição e olfacto), percepcionar movimentos em um espaço, ajudar o paciente a equilibrar-se, ter consciência de actividades diárias através de acções relacionadas com o cão (alimentar, escovar, manusear), entre outros. Estes tipos de exercícios são realizados

sem que o paciente tenha consciência disso. Crianças, adolescentes e adultos podem beneficiar com este tipo de terapia. Crianças com atrasos no desenvolvimento psicomotor, portadores de paralisia cerebral, adultos que sofreram AVC, deficientes visuais e auditivas, portadores de Síndrome de Down, ou com deficiências mentais, psicoses, autismo, depressão, stress,

distúrbios, dificuldades de aprendizagem. Nos idosos os benefícios da TAA são a nível emocional, físico e mental, contribuindo para que consigam viver o

presente com maior intensidade e motivação. Com a TAA é possível recuperar memórias agradáveis que os idosos sentiram até na mais tenra idade.

Figura 9 - Equipa de cães terapeutas

Figura 10 - Criança com Sindrome de Down a acariciar um cão durante a terapia

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Como o foco de atenção do paciente deixa de ser a dor mas sim o cão, os pacientes passam a conseguir realizar terapia e reabilitação por mais tempo. De um modo resumido, os benefícios da Terapia Assistida por cães são: -estimular a interacção social -facilitar a comunicação e o vínculo com o terapeuta -aumentar a auto-confiança e a auto-estima -aumentar a capacidade motora, cognitiva e sensorial -facilitar a compreensão de conceitos -facilitar o processo de aprendizagem através da expressão de sentimentos e da motivação -melhorar o sistema imunológico Actividades Assistidas por Cães As Actividades Assistidas por Cães são o que o próprio nome indica, actividades com cães.

Neste tipo de actividades não existe um terapeuta, nem uma observação e avaliação do paciente de sessão para sessão. São encontros com a dupla cão - dono a instituições de crianças, lares de idosos, hospitais, estabelecimentos prisionais, etc. O objectivo é oferecer momentos de relaxamento, convívio e brincadeira. As visitas podem-se repetir com o mesmo grupo de pessoas, em locais diferentes ou não. O treino do cão é igual ao cão co-terapeuta, assim

como a sua selecção e cuidados de higiene e saúde. A actividade pode por vezes ser o inicio da Terapia,

pois pode funcionar como apresentação entre o paciente e o cão. Existem várias associações que se dedicam a este tipo de actividades, como por exemplo a Delta Society nos Estados Unidos, a Cão Amigo & CIA no Brasil, a Funcacion Bócálan em Espanha, e e Portugal a Ânimas e a Intervencão.

Figura 11 - Afecto de uma senhora idosa em uma visita

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Depoimento 1 - Depoimento de um voluntário da Cão Amigo & CIA sobre o comportamento de uma senhora com Síndrome de Down durante as visitas A SVCPA, Sociedade de Valeparaibana de Cães Pastores Alemães, realiza Actividades Assistidas por Cães.

Figura 12 - Aproximação Primeiro é feita uma aproximação para que haja os primeiros contactos com o cão. É um momento de aceitação, onde se divide o espaço, estabelece-se o diálogo, a troca de carinho e o respeito pelo animal.

Sentada numa sala grande, havia uma senhora portadora de Síndrome de Down. Braços cruzados, rugas na testa mostrando seu desamparo e seu descontentamento. Ao olhar a chegada do Cão amigo & CIA, seu comportamento e sua expressão corporal não mudaram. Todas as pessoas ou animais que chegassem a uma cadeira de seu cantinho eram instantaneamente mandadas embora sem nenhuma cerimónia. Sua vontade era respeitada, todos se afastavam como ela queria. Depois de alguns meses, percebeu-se que ela não estava mais carregando aquela expressão e em nossa chegada simulava um sorriso e olhares de canto eram frequentes. Com a delicadeza que toda a senhora merece, os voluntários foram chegando aos poucos; primeiro na frente, depois sentando-se ao lado e logo estava essa senhora sorrindo. Quando percebeu que aquelas criaturas peludas, as quais sempre passavam por aquela sala, davam uma sensação de conforto, ela não hesitou em sorrir. Gargalhadas vieram à tona sentindo o pêlo macio, a lambidela na mão, as pegadas em seu colo e até mesmo em seu peito, proporcionaram aquela senhora, momentos de pura alegria e prazer. A mudança de humor foi progressiva e notória. Actualmente, sempre que entramos naquela sala, pode-se contar com o seu dedo polegar subindo e descendo, chamando os animais a se aproximar, para que novamente as sensações de bem-estar e a alegria de ser visitada, possam se repetir mais uma vez…”

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Figura 13 - Actividades da vida diária

São depois recreadas actividades da vida diária, relacionadas com os cuidados pessoais (alimentação, higiene, vestimenta e mobilidade). Uma pessoa que nasce ou adquire uma deficiência, pode apresentar diversas alterações físicas, cognitivas e emocionais que muitas vezes interferem no seu potencial de independência, necessita de intervenção

terapêutica para a aquisição de novas habilidades.

Nas intervenções terapêuticas, o trabalho com o cão possibilita a associação entre a rotina diária do paciente e a do cão. Ao cuidar do cão, o paciente é incentivado a cuidar

Figura 14 - Acessórios de vestuário

Figura 15 - Acessórios para alimentação

Figura 16 - Acessórios de higiene pessoal

Figura 17 - Alimentos

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de s próprio. Usa-se para este tipo de actividades acessórios de alimentação, higiene pessoal e vestuário de pessoas e materiais de uso diário dos cães.

Figura 18 - Incentivo de actividades físicas Nestas actividades também podem ser trabalhadas as actividades físicas, através do passeio de cães.

Figura 19 - Realização de actividades motoras Há actividades em que se estimula o desenvolvimento e as diferentes capacidades de desempenho (como por exemplo, a coordenação motora global, a lateralidade, o controle motor, a estimulação sensorial, a destreza, etc.) através de actividades psicomotoras em circuitos.

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Figura 20 - Jogos didácticos Podem ser feitos jogos didácticos, de modo a serem trabalhados aspectos cognitivos como a memória, a atenção e a aprendizagem. Com a presença do animal há uma maior satisfação por parte do praticante.

Figura 21 - Actividades realizadas com o acompanhamento dos familiares A sensação de bem-estar criada através das actividades realizadas com os cães abrange também familiares e acompanhantes. Neste tipo de actividades a família deve participar de forma activa em todo o processo terapêutico. Em Portugal

Em Portugal existe a ÂNIMAS, Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social, que é uma associação sem fins lucrativos que treina e cede cães de serviço e cães para surdos, promove programas de Actividades Assistidas por animais e realiza acções de formação e trabalho de investigação no âmbito de utilização de cães de assistência.

Em 2008 surgiu a Intervencão, empresa de duas psicólogas com

Figura 22 - Logotipo da ÂNIMAS

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formação em TAA pela Fundación Bocalán e Cercica, que realiza projectos de Terapias e Actividades Assistidas por Animais, no âmbito do trabalho desenvolvido por instituições. Realiza também projectos individuais dirigidos a particulares. Educação Assistida por Cães A Educação Assistida por cães tem como objectivo ajudar a desenvolver as capacidades literárias das crianças. Consiste em motivar as crianças a ler em voz alta para cães (cães

co-terapeutas), que estão ao seu lado, a “ouvi-los”. As crianças com dificuldades de aprendizagem em relação aos seus colegas podem se sentir muito intimidadas quando têm que ler em voz alta. Assim, desviando a atenção para o cão, a criança abstrai-se do ambiente em redor e lê calmamente. Estas crianças têm baixa auto-estima, e por isso interagem melhor com animais que com pessoas. Quando é proposto ler para o cão, esquecem-se mais facilmente das suas dificuldades, e sentem-se mais motivadas a ler, facilitando a sua

aprendizagem. Além dos benefícios ao nível da aprendizagem, estas sessões também permitem o

relaxamento e a diminuição da pressão arterial. Esta actividade é acompanhada por um professor, e pode ser feita em pré-escolas, escolas primárias, colégios, programas de ATL, Bibliotecas ou mesmo em casa da criança.

Figura 23 - Criança com dificuldades de aprendizagem a ler para o cão

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A ajuda dos Cavalos A Equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma

abordagem interdisciplinar, nas áreas da saúde, educação e equitação, que tem como objectivo o desenvolvimento físico, psicológico e social de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais. O cavalo é o promotor desses ganhos físicos, psicológicos e educacionais. A Equoterapia pode ser dividida em Hipoterapia e Equitação Terapêutica.

A Hipoterapia utiliza-se em pessoas com disfunções neuromotoras e sensomotoras. O cavalo é controlado pelo terapeuta, que tem como objectivo a reabilitação e educação do paciente. A Equitação Terapêutica utiliza-se em pessoas com disfunções sensomotoras, psicomotoras e sociomotoras. O paciente pode exercer alguma acção no cavalo. São feitos jogos em cima do cavalo, com o acompanhamento de um monitor, de modo a aumentar a confiança, a segurança e a auto-estima, assim como o trabalho em equipa e o respeito pelo próximo. O cavalo é usado como instrumento cinesioterapêutico, ou seja, permite a reabilitação funcional através de movimentos activos e passivos. A terapia tem como base o movimento tridimensional do dorso do cavalo e os movimentos multidireccionais durante o movimento e ritmo do seu passo. Os deslocamentos da cintura pélvica produzem vibrações nas regiões ósteo-articulares sendo estas transmitidas ao cérebro, via medula, provocam uma melhoria do controle postural e do equilíbrio do praticante, fortalecem as funções psicomotoras e possibilitam melhorias na coordenação motora e na rapidez dos

Figura 24 - O carinho pelos cavalos

O termo “Hipoterapia” foi criado pelo neurologista suíço H. F. Kaser, em 1966, e significa “tratamento com ajuda do cavalo”. A sua origem remonta à antiguidade clássica. Consta que os gregos aconselhavam a prática de andar a cavalo para melhorar o estado anímico dos doentes sem cura. Já nos escritos de Hipócrates, no séc. IV a.C. se encontram referências aos benefícios desta prática. Porém, só em 1952 a Hipoterapia atingiu o seu auge quando Liz Hartel, jovem com défice neurológico, consequência de uma poliomielite, se consagrou campeã olímpica em Helsínquia.

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reflexos. O elemento chave da Equoterapia é o passo do cavalo que reproduz na perfeição o andar humano. O cavalo ao andar faz com que o praticante realize movimentos como se estivesse a caminhar. Este tipo de actividade exige a participação do praticante como um todo, contribuindo para o melhoramento de força muscular, de relaxamento e consciencialização corporal. Assim os benefícios da Equoterapia são:

A nível físico permite o desenvolvimento do equilíbrio, a noção de espaço e postura, a tonificação da musculatura e a melhoria da voz e da pronúncia de palavras devido a uma respiração correcta;

A nível psicológico permite aumentar a auto-estima, confiança e autonomia, desenvolvimento da sociabilidade, diminuição da agressividade e da intolerância à frustração;

A nível cognitivo permite um aumento do vocabulário das crianças e estimulação da atenção selectiva e concentração. A indicação ou contra-indicação para a Equoterapia é feita após uma rigorosa avaliação médica, quer física, quer psicológica, de modo a proporcionar ao paciente o maior ganho possível deste tipo de terapia. Pode-se desde já referir que este tipo de terapia não é aconselhado em situações de coluna instável, tumor na coluna, deslocação do quadril ou das primeiras vértebras do pescoço e vertigens.

Figura 26 - Anne e a sua parceira Snow

Figura 25 - Jovem com Síndrome de Down num exercício de Hipoterapia

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A Equoterapia está indicada para vários tipos de tratamentos, como por exemplo, Paralisias Cerebrais, Lesões medulares, Traumatismos Crânio – Encefálicos, Síndrome de Down, Esclerose Múltipla, Poliomielite, Doença de Parkinson, Microcefalia ou Macrocefalia, Amputações, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, alterações de postura, alterações do tônus muscular, Hemiplegia, Paraplegia, Tetraplegia, distúrbios de equilíbrio, distúrbios emocionais (insónias, ansiedade e stress), distúrbios sensoriais (visuais ou auditivos), distúrbios psicossociais (autismo, deficiência mental, alterações comportamentais), etc. Neste momento existem vários programas de Equoterapia, consoante o problema alvo: programas de reabilitação para pessoas portadoras de deficiência física e/ou mentais, programas de educação para pessoas com necessidades educativas especiais, programas socioeducativos para pessoas com distúrbios evolutivos ou comportamentais, entre outros. Em Portugal Neste momento existem já alguns centros hípicos que fazem actividades de Equoterapia. Um deles é o Centro de Hipoterapia e Equitação Terapêutica de Almada. Um dos praticantes das sessões de Hipoterapia é George, um menino de 11 anos que tem paralisia

cerebral e é tetraplégico. No inicio do tratamento a terapeuta ocupacional montava com ele para o agarrar em cima do cavalo, e apenas durante 5 minutos. Hoje, passado 2 anos e meio, George monta sozinho e houve muitos progressos a nível da correcção da postura, desenvolvimento motor e de consciência corporal. Outro caso, que existe no Centro de

Hipoterapia e Equitação Terapêutica de Almada é o de Paulo. Este menino tem uma doença chamada X-Frágil, que é uma mutação do gene

FMR1 no cromossoma X. Paulo é irrequieto e não para de mexer com as mãos, comportamento típico deste tipo de patologia. Enquanto monta, Paulo é desafiado com puzzles, brinquedos de encaixe, jogos de tiro ao alvo com bolas, entre outros, de modo a estimular a atenção e a motivação, desenvolver o raciocínio, capacidade de tomada de decisão e rapidez de resposta.

Figura 27 - George com a terapeuta ocupacional Susana Moreira numa sessão de Hipoterapia

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A ajuda dos burros A Asinoterapia é muito semelhante à Equoterapia mas aqui o animal usado é o burro. Esta prática equestre recorre a um conjunto de técnicas de educação e de reeducação do indivíduo, com o objectivo de fazer com este ultrapasse, na medida do possível, danos sensoriais, motores, cognitivos, afectivos e/ou comportamentais. O burro é actualmente um animal muito utilizado como co-terapêuta, graças às qualidades que possui. Tem um temperamento dócil, é um animal paciente, atento, curioso, inteligente, dotado de uma excelente memória, é fisicamente robusto e estável quer a nível físico quer a nível emocional, e

tem movimentos lentos e seguros.

O objectivo da técnica de Asinoterapia é proporcionar às pessoas com necessidades especiais enriquecimento sensorial e ocupação terapêutica e pedagógica nos seus tempos livres. Na Asinoterapia é fundamental conhecer os problemas específicos de cada criança com que se trabalha, assim como conhecer profundamente, o animal, em todos os seus aspectos físicos e comportamentais. A confiança depositada no animal com que se trabalha deve ser total. Os animais utilizados são escolhidos enquanto jovens, são saudáveis, tendo atenções médico-veterinárias redobradas, e são calmos e dóceis, ideais para trabalhar com crianças com necessidades especiais. Estes animais são posteriormente acostumados ao carrinho e a ser montados. São também acostumados a ruídos, sobressaltos, situações inesperadas, etc., de modo a que o seu comportamento nunca ponha em risco a segurança dos pacientes. Os exercícios, devem ser práticos e dinâmicos e devem favorecer:

A linguagem e a organização do processo de comunicação

O melhoramento e aumento da comunicação verbal e especialmente não verbal

Figura 28 - Criança a interagir com um burro

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O enriquecimento do vocabulário

A construção correcta de frases

O treino na articulação das palavras. A aquisição e/ou aprofundamento dos níveis de concentração e uma correcta canalização da atenção nas pessoas com necessidades especiais, faz-se em grande medida através de actividades que têm como objectivo:

Aprender os cuidados a ter com o animal

Aprender a reconhecer o animal pelas suas características externas (pêlo comprido/curto, castanho/preto, orelhas compridas, etc.)

Aprender a observar o comportamento do animal e a identificar algumas das suas emoções e estado físico (contente, triste, zangado, cansado, doente, etc.)

Colaborar nas tarefas de maneio e higiene do burro

Reconhecer e aprender a utilizar os utensílios e acessórios que se utilizam no dia-a-dia com o burro (a rédea, a escova, etc.) Há assim na Asinoterapia aumento da capacidade e do desejo de relacionamento, aumento das interacções nas actividades de grupo por parte do paciente/utente, e a criação de relações de amizade e aumento das vivências afectivas. A Asinoterapia deve ser acompanhada por um terapeuta e/ou um psicólogo, que ajudará a integrar e a extrapolar para o quotidiano os momentos vividos pelo utente/paciente. Na relação triangular que se estabelece entre o terapeuta, o utente/paciente e o burro, procura-se desenvolver processos emotivos, cognitivos, de relacionamento e corporais que caracterizam a evolução global do indivíduo.

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Existem 2 técnicas na Asinoterapia, a técnica de Portage e a técnica de Asinomediação. Técnica de Portage A técnica de Portage, vem do francês “être portée”, que significa “deixar-se levar”. Através desta técnica pretende-se criar o ambiente e as condições ideais para o participante se deixar levar pelas suas emoções e sensações. Esta técnica é muito utilizada para induzir momentos de grande intimidade com o burro, que levam a uma sensação de relaxamento profundo no participante. O paciente, depois de colocado em cima do burro, experimenta diferentes posições com o auxílio do monitor e terapeuta, o que lhe permite estar em grande contacto com o animal, havendo assim uma grande intimidade. É atingido assim um estado de relaxamento por parte do paciente que lhe permite ter consciência e compreensão do seu corpo. O corpo do paciente é massajado, embalado e aconchegado através do calor que o animal emana e das suas movimentações corporais. Asinomediação A Asinomediação distingue-se da Técnica de Portage pois não necessita de um terapeuta para ser feito o acompanhamento. Esta técnica pode ser aplicada por todos os técnicos ligados de alguma forma ao burro e ao ensino pedagógico de crianças com necessidades especiais, como por exemplo, educadores e animadores.

Figura 29 - Sessão de Asinomediação da AEPGA, Associação para o Estudo e Protecção de Gado Asinino

Na Asinomediação é proporcionado ao utente momentos de relaxamento, auto-conhecimento e de interacção com o animal o meio envolvente.

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O envolvimento do burro em exercícios práticos, como por exemplo jogos, permite dar assistência terapêutica às pessoas com problemas de ordem psicológica e/ou sócio-afectiva, estimulando a linguagem expressiva, a organização dos processos de comunicação, a concentração, a percepção da própria posição no espaço, a responsabilidade, assim como o contacto com a natureza. A Asinomediação permite melhorar a qualidade de vida de pessoas com necessidades especiais, procurando aumentar a motivação, o bem-estar e a participação, em especial, nas tarefas lúdico-pedagógicas. Em Portugal Em Portugal, a associação que faz Asinoterapia é a AEPGA, Associação para o Estudo e Protecção de Gado Asinino. Este associação tem como objectivo contribuir para a protecção do gado asinino e em particular para a preservação e melhoramento da raça autóctone dos asininos das terras de Miranda. A Asinomediação é uma das actividades à qual a AEPGA se dedica para promover o Asininos.

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A ajuda dos golfinhos A Terapia Assistida por Golfinhos tem como designação Delfinoterapia, e tal como o outro tipo de terapias é um complemento às terapias convencionais. Sendo ainda pouco utilizada em todo o Mundo, visto não haver estudos suficientes para comprovarem os seus benefícios, esta terapia combina dois elementos chave: a água e os golfinhos. O facto de ser na água leva a que haja um melhoramento na postura (ganho de equilíbrio), alegria

e bem-estar antes e depois da terapia. Este tipo de terapia é mais utilizado em crianças com deficiências físicas ou crianças especiais, tendo também ajudado na recuperação de adultos com depressões, paranóias, etc. A técnica combina trabalho dentro e fora de água, entre o paciente e o terapeuta. Neste tipo de terapia o golfinho funciona como “recompensa”. É permitido à criança contactar com o golfinho após os

exercícios concluídos com o terapeuta. Assim a motivação da criança é elevada e a vontade de alcançar o próximo passo é maior, havendo uma progressão mais rápida na terapia. Apesar de ainda um bocado controverso, estudos indicam que o sonar emitido pelos golfinhos tem poder curativo. O sonar é um feixe de energia que os golfinhos utilizam para procurar alimento, pois dá-lhes uma “radiografia mental” de tudo o que está em seu redor. Devido à energia contida nestes sons os golfinhos têm a capacidade de desfazer a estrutura molecular de fluidos, isto é, alteram o metabolismo celular do corpo humano, promovendo a libertação de hormonas e endorfinas que provocam o bem-estar, assim como a produção de células de defesa do sistema imunitário. As vantagens da Delfinoterapia são:

Melhorar a capacidade motora dos pacientes, graças aos exercícios realizados na água, incrementar a capacidade de comunicação e aumentar a independência, serenidade e cooperação

Aumentar o relaxamento total necessário para os exercícios de fisioterapia

Aumentar a libertação de endorfinas, responsáveis pelo bem-estar e pela sensação de anestesia

Figura 30 - Criança a interagir com um golfinho em um Delfinário

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Aumentar a qualidade e a quantidade de sono e o interesse pelo que é envolvente A Delfinoterapia é indicada em casos de deficiência mental, Síndrome de Down, Autismo, cancro, Depressão, Síndrome défice de atenção, deficiências auditivas e visuais, lesões na espinal medula e problemas sociais. Esta terapia pode ser feita de várias maneiras: em Delfinários, em águas livres, em zonas vedadas,

por escuta áudio ou através de realidade virtual.

Delfinários É a forma mais frequente desta terapia. Os golfinhos são mantidos em cativeiro e amestrados. O Delfinário comporta no máximo 4 animais. Durante a sessão o golfinho, o paciente e o terapeuta interagem através de um programa de trabalho que inclui jogos e movimentos, dependendo da área que se quer trabalhar com o paciente. Nos delfinários, na maior parte dos casos o golfinho funciona como “recompensa”. Estas recompensas são actividades dentro e/ou fora de água onde há interacção com os golfinhos: são alimentados, acariciados, etc. O terapeuta é responsável pela interacção com os golfinhos, entregando-lhes objectos como bolas e braçadeiras. Com autistas utilizam-se letras e palavras. Este método consiste no reforço positivo. O golfinho funciona assim como mediador entre o monitor, o paciente e o profissional que supervisiona a terapia. Existem poucas clínicas que trabalham com Delfinários em todo o Mundo.

Figura 31 - Criança com Síndrome de Down a interagir com um golfinho

Figura 32 - Jogos em Delfinários

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Águas livres A interacção com golfinhos em água livres permite ao paciente nadar livremente em águas onde habitam golfinhos (selvagens), que interajam com humanos. Não é considerada terapia, mas sim uma actividade de recreação. Este método foi utilizado por Dobbs, um médico britânico, que levava os seus pacientes com depressão, anorexia nervosa, com paranóias, entre outros, para mergulhar em águas onde houvesse golfinhos que gostassem de interagir com pessoas. Em zonas vedadas

Esta interacção é exactamente igual à anterior mas as águas em que se encontram os golfinhos selvagens são vedadas.

Escuta áudio Neste método terapêutico são usadas gravações áudio dos sons emitidos pelos golfinhos recreando a essência de um encontro com golfinhos. Este método é utilizado no tratamento de depressões em algumas clínicas no Reino Unido. Juntamente com a cassete pode-se projectar hologramas de cetáceos enquanto os pacientes estão submersos num tanque de água quente. Realidade virtual Esta técnica consiste em simular nadar com golfinhos através da realidade virtual.

Figura 33 - Interacção com golfinhos em águas vedadas

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Entre muitos tipos de máquinas de realidade virtual, existe a Cyberfin, onde a pessoa se deita num colchão com óculos para ver a três dimensões. Começam a ser reproduzidos vídeos de golfinhos a nadar e a aproximarem-se. No colchão existem colunas de som onde são transmitidos sons de golfinhos e da água. Este tipo e terapia é indicado como técnica de relaxamento a pessoa sai da sessão tão cansada e descontraída como se tivesse mesmo nadado com golfinhos. Tanto a técnica que utiliza a escuta áudio como a técnica da realidade virtual tem a vantagem de não utilizar directamente animais, pois a Delfinoterapia tem tantos adeptos como inimigos. Isto porque existem elevados riscos de infecção tanto para o golfinho como para o paciente, e existem adeptos da teoria que os sons emitidos pelos golfinhos tem efeitos nocivos no corpo humano, visto serem altas radiações de energia (apesar de

não existirem estudos conclusivos sobre os benefícios ou malefícios dos mesmos). Há também a questão dos golfinhos estarem em cativeiro, no caso dos Delfinários. Sabe-se que apenas 1 em cada 15 golfinhos sobrevive quando é treinado em cativeiro. Além da baixa taxa de sobrevivência, também o tempo médio de vida é muito baixa (um golfinho em liberdade pode chegar aos 45 anos enquanto em cativeiro, em média chega aos 15 anos) pois o nível de stress do golfinho é muito elevado, os delfinários por melhores condições que

tenham nunca conseguem recriar o habitat natural do animal (os golfinhos nadam mais de 150 Km em alto mar e podem atingir os

500m de profundidade, e a utilização do sonar é também muito limitada devido às paredes do tanque). Este stress pode também provocar comportamentos anormais como por exemplo tornarem-se agressivos.

Figura 34 - Máquina de realidade virtual Cyberfin

Figura 35 - Programa Virtual Dolphin Therapy

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A ajuda dos gatos Quem tem gatos em casa normalmente são pessoas mais relaxadas, com pressões arteriais

mais baixas e que sofrem menos com o stress do dia-a-dia, segundo dizem vários estudos no âmbito da cardiologia, assim como são benéficos em tratamentos para desordens a nível emocional e mental. O estilo de vida do gato, de não levar a vida tão a sério (qualquer bola de papel serve para grandes horas de diversão), a sua auto-estima, a sua independência, o seu

autocontrole e a sua capacidade de sobreviver é reconhecido por todos, podendo ajudar pessoas que com

eles convivam. Ao contactar com o gato através do toque (acariciar, agarrar, segurar) e da observação (modo de andar, correr, brincar) são despertados virtudes e sentimentos que nunca antes sentidos. Além da terapia “caseira” existe a Gatoterapia que é uma AAA pois não engloba terapeuta. O gato e o dono visitam lares de idosos, casas de crianças desfavorecidas, ou com distúrbios comportamentais, trazendo alegria, e momentos especiais. Um gato deste tipo de actividades tem que ser um gato calmo, descontraído, constante, e muito tolerante. Desde pequeno tem que ser habituado a conviver com várias pessoas estranhas ao seu núcleo familiar, a estar em locais diferentes da sua casa, a sons diferentes e a experiências diferentes. Tem que tolerar movimentos repetitivos, barulhos, puxões, e outras situações fora do normal. Além disso tem que ter um controlo rigoroso de saúde e higiene. Tal como os cães, passear um gato com uma trela ou simplesmente acariciá-lo traz benefícios a nível muscular, e a nível mental (em crianças com problemas mentais). Em idosos, ajudam na memória e na saúde mental, através das lembranças que provocam.

Figura 36 - Gato terapeuta

Figura 37 - Uma visita a um lar de idosos

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Os casos mais relatados sobre o benefício dos gatos são em crianças com Autismo. O autismo é uma desordem global do desenvolvimento neurológico, afectando a capacidade de comunicar, de estabelecer relacionamentos e responder apropriadamente ao ambiente. Algumas crianças, apesar de autistas apresentam inteligência e fala intacta, outras também podem apresentar atrasos mentais, mutismo ou grandes atrasados no desenvolvimento da linguagem.

Eu sou viúvo e pai de um menino e de uma menina. Meu filho vive com autismo. Foi assim que nós chegamos aos gatos. Muito antes do meu filho nascer eu entrei no campo da Neurociência e trabalhei com crianças com desordens neuropsicológicas. Mal eu sabia que teria que usar a minha profissão em casa. Quando o meu filho tinha 4 anos e a minha filha 9, minha esposa morreu inesperadamente. Fiquei sozinho com duas crianças pequenas, uma delas com autismo. Para aqueles que não sabem, o autismo é uma desordem a nível da comunicação. Os casos mais severos têm frequentemente atraso mental. Felizmente Richard não tem atraso mental, tem as dificuldades de comunicação normais de um autista. Com 4 anos ainda era não-verbal. Lembrei-me que tinha lido em um dos meus livros algo sobe uma menina com autismo que tinha saído do seu mundo interno através do seu relacionamento com cavalos. Decidi então tentar com Richard. Levei-o a vários sítios onde poderia encontrar e estar perto de animais. Nunca expressou interesse. Foi então que visitamos um abrigo local. Eu cresci com cães, pois a minha mãe era “psicologicamente alérgica” a gatos. Era uma daquelas pessoas que acreditava que os gatos eram seres solitários e que não tinha personalidade. Estava eu com Richard nas boxes dos cães e mais uma vez Richard não mostrou interesse. Olhava apenas em volta, não dando atenção nenhuma aos cães. Quando estávamos de saída, vi a zona dos gatos e decidi passar por lá. Era uma área muito menor. Atravessamos o corredor de jaulas e na última estava um gato preto e branco. O meu filho que não falava, apontou para o animal e disse: “Gato”. Era aquele! Nesse disse trouxemos o gato connosco e começamos a pensar no nome para o novo amigo de Richard. Minha filha, sempre protectora do irmão mais novo tentou encontrar um nome que o irmão conseguisse pronunciar. Assim o nome Clover (= Trevo) foi descoberto. Desde o primeiro dia que Richard tinha conversas com Clover quando ninguém estava a olhar. Ele conhecia a linguagem. Precisava de alguém com paciência para o escutar e que não lhe pedisse para repetir ou para explicar o que tinha dito. E Clover tinha essa capacidade. Mais tarde Tigger juntou-se à nossa família. Desta vez foi Richard que lhe deu o nome. Richard tem hoje 19 anos e está na faculdade. Tigger e Clover já eram adultos quando vieram para nossa casa, por isso já cá não estão. Mas Linus e Melody juntaram-se à nossa família. Têm 5 anos e vieram para nossa casa bebés. Faziam os trabalhos de casa com Richard quando ele andava no liceu. Acredito que sabem química e álgebra melhor que ele. Rimos sobre isso cá em casa. Richard estuda arte e Linus é o seu maior crítico. Senta-se à sua frente enquanto Richard está a trabalhar em um projecto, assim como fazia quando estudavam álgebra ou química. Juro que às vezes os ouço a falar de luz e perspectiva. Melody só vem avaliar o produto final. Graças aos nossos amigos gatos, Richard tem amigos, está na faculdade e não tem vergonha de ser autista. Disse-me uma vez que acredita que todos os gatos têm autismo e são como ele. Olham para tudo e pensam sobre tudo, apesar de toda a gente pensa que eles não estão a prestar atenção a nada, e falam apenas quando têm alguma coisa para dizer. Eu não sou nenhum psicólogo animal mas sei que a minha vida foi abençoada desde que nós descobrimos o gato.

Depoimento 2 - Depoimento de J. Manerling

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Outros Ajudantes Além dos animais falados anteriormente, outros animais podem ajudar no melhoramento físico e físico do ser Humano assim como aumentar significativamente a sua qualidade de

vida, como por exemplo, Coelhos, Porquinhos-da-índia, Hamsters, Pássaros, Peixes, etc. Animais como cobras, aranhas, lagartos e escorpiões não estão legalizados a fazer terapia, pois além de não serem permitidos como animais de estimação em vários países, são imprevisíveis, não podendo ser feita uma avaliação comportamental e quais as suas reacções ao

stress. Existe no entanto, no Brasil, visitas ao Criadouro Conservacionista Pró Répteis, em S. Paulo, de crianças e adolescentes com deficiência visual, crianças que tiveram cancro e crianças com Síndrome de Down, para interagirem com lagartos, serpentes, jacarés e tartarugas. Existe também o projecto Dr. Escargot, que aproxima crianças e adolescentes dos Moluscos, pois são animais de fácil inclusão, que não apresentam perigo para as crianças e de fácil transporte. Este projecto tenta também educar as crianças a serem livres de preconceitos. Um animal para as actividades assistidas tem que saber pelo menos os comandos básicos, de modo a serem facilmente controlados em situações anormais ou a barulhos inesperados. Os animais de terapia devem ser bem comportados e obedientes. Os principais requisitos para um animal terapeuta: 1. Demonstrar um comportamento confiável, controlado, previsível, que inspire

confiança na pessoa que está a interagir com ele. 2. Solicitar activamente interacções e que consiga aceitar diferentes tipos de

comportamento e reacções nas pessoas

Figura 38 – Actividades com chinchilas

Figura 39 - Actividades com coelhos

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3. Demonstrar postura corporal relaxada assim como o contacto visual e expressão facial 4. Deve ser mais orientado para as pessoas que para outros animais. 5. Deve gostar de ser acariciado, tocado e abraçado 6. Deve manter a calma quando está perto de pessoas que falem mais alto, que tenham

movimentos bruscos ou que batam palmas 7. Quando alguém se aproximar por trás o animal pode mostrar curiosidade mas não

deve se assustar, rosnar, saltar ou mostrar medo 8. Deve saber andar sobre várias superfícies, sentindo-se confortável, como por exemplo,

borracha, linóleo, tapetes, asfalto, azulejos, madeira, etc. 9. Deve ser capaz de ser conduzido por outras pessoas que não o seu dono durante

alguns minutos, continuando a ter boas maneiras, sem mostrar nervosismo ou chorar 10. Deve ser amigável, e confiante em novas situações E um animal não é adequado para ser terapeuta quando: 1. É agressivo para outras pessoas ou animais. 2. Não é saudável. Não pode pôr em risco a saúde das pessoas com quem vai interagir.

Há casos em que o animal contacta com pessoas muito debilitadas, por isso o animal de assistência deve estar saudável e limpo.

3. É imprevisível (carinhoso num momento e agressivo logo a seguir) ou quando não gosta de contactar com pessoas estranhas (fica tímido, recua quando se aproximam, fica nervoso, etc.)

Apesar de tudo e o mais importante é que o animal goste de interagir e se sinta feliz pelo seu dia-a-dia, assim como a pessoas que interagem com ele devem gostar de animais, sentir empatia e não ter medo. Estas são mais algumas razões para darmos valor aos nossos animais de companhia e de lutarmos para uma maior defesa e qualidade de vida dos animais em geral, e de os tratarmos com a dignidade que merecem.

“O cão é o único ser que o ama mais do que você se ama a si próprio” Fritz von Unruth

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Bibliografia Apoio literário A passo e passo, Revista Noticias Magazine, 11/01/2009, pp. 48 a 51 Lopes, E., 2007, Delfinoterapia:Revisão de Literatura, Monografia realizada no âmbito da disciplina de Seminário do 5º ano da Licenciatura em desporto e Educação Física, na área de reabilitação, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto Pecelin A. et al, 2007, Influência da fisioterapia assistida por animais em relação à cognição de idosos – estudo de actualização, ConScientige Saude, S. Paulo, pp 235 a 240 Porto, R.T.C., Cassol, S., 2007, Zooterapia uma lição de cidadania: o cão sociabilizador e a criança vítima de violência intrafamiliar, Ver. Disc. Jur. Campo Mourão, v.3, n.2, pp 46 a 74 Prianti, S.M., Cabanas, A., A psicomotricidade utilizando a terapia assistida por animais como recurso em adolescente down: um estudo de caso, XI Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação, Universidade do Vale do Paraíba, pp. 1736 a 1739 Internet: www.animaisterapeutas.com.br – Animais terapeutas www.terapiacomanimais.com.br – Terapia com Animais www.protetoresvoluntarios.com.br – Protetores Voluntários www.therapyanimals.org –Intermountain Therapy Animals www.zooterapia.com.br - Zooterapia www.animas.pt - Ânimas www.intervencao.org - Intervencão www.deltasociety.org – Delta Society www.svcpa.org – Sociedade Valeparaibana Cães Pastores Alemães www.carolinacanines.org – Caroline Canines

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www.lustig.com.br/caoamigo/ - Cão Amigo e CIA www.doutorcao.com.br – Dr. Cão www.turner-iet.ch/en/ - Institute For Apllied Ethology and Animal Psichology www.scas.org.uk – Society for Companion Animal Sudies www.assistancedogsinternational.org –ADI Dogs www.centrohipoterapia.com – Centro de Hipoterapia e Equitação terapêutica de Almada www.equitcao.com- equitação online www.equoterapia.com - Equoterapia www.aepga.pt - AEPGA www.difson.gob.mx –Difsonora Delfinoterapias www.dolphinassistedtherapy.com – Dolphin Assisted Therapy www.dolphin-healing-program.com – Dolphin Therapy Bali www.dolphindoctor.com – Dolphin Doctor islanddolphincare.org – Island Dolphin care www.aquabrasil.info - Aquabrasil institutoaqualung.com.br – Instituto Ecológico Aqualung www.psicologia.com.pt – Psicologia.com blogdegato.wordpress.com – Miau log www.casadogato.com.br – A casa do gato by Miaurusa www.catchannel.com – Cat Channel www.gatilgugatto.com – Gatil Gugatto www.helpyourautisticchildblog.com – Help with Autism cats.about.com/od/youandyourcat/a/catsandautism.htm – Depoimento de J. Manerling

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Índice Introdução ................................................................................................................................. 2

Breve História..................................................................................................................... 2 Intervenções Assistidas por Animais ....................................................................................... 5

Actividades Assistidas por Animais - AAA ........................................................................... 5 Terapia Assistida por Animais - TAA .................................................................................. 6 Diferenças entre AAA e TAA ................................................................................................ 7 Benefícios das AAA´s e TAA´s .............................................................................................. 7 Quando as TAA´s ou as AAA´s não trazem benefícios ...................................................... 9

A ajuda dos cães ....................................................................................................................... 11 Cães de Assistência ............................................................................................................... 11

Cães-Guia .......................................................................................................................... 11 Cães para surdos .............................................................................................................. 12 Cães de Serviço ................................................................................................................. 12 Normas e ética.................................................................................................................. 12

Cães co-terapeutas............................................................................................................... 17 Actividades Assistidas por Cães .......................................................................................... 19

Em Portugal ...................................................................................................................... 23 Educação Assistida por Cães ...............................................................................................24

A ajuda dos Cavalos ................................................................................................................ 25 Em Portugal ...................................................................................................................... 27

A ajuda dos burros ..................................................................................................................28 Técnica de Portage .............................................................................................................. 30 Asinomediação .................................................................................................................... 30

Em Portugal .......................................................................................................................31 A ajuda dos golfinhos .............................................................................................................. 32

Delfinários............................................................................................................................ 33 Águas livres .......................................................................................................................... 34 Em zonas vedadas................................................................................................................ 34 Escuta áudio ......................................................................................................................... 34

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Realidade virtual .................................................................................................................. 34 A ajuda dos gatos .................................................................................................................... 36 Outros Ajudantes .................................................................................................................... 38 Bibliografia ............................................................................................................................. 40