merleau-ponty e a crise da razão

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Tese de Doutorado de Rodrigo Vieira Marques (UFSCAR)

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  • Universidade Federal de So Carlos Departamento de Filosofia e Metodologia das Cincias

    Programa de Ps-Graduao em Filosofia

    MERLEAU-PONTY E A CRISE DA RAZO

    Rodrigo Vieira Marques

    SO CARLOS 2011

  • 2

    MERLEAU-PONTY E A CRISE DA RAZO

  • 3

    Universidade Federal de So Carlos Departamento de Filosofia e Metodologia das Cincias

    Programa de Ps-Graduao em Filosofia

    MERLEAU-PONTY E A CRISE DA RAZO

    Rodrigo Vieira Marques

    Tese de Doutorado apresentado ao Programa de Ps-Graduao em Filosofia da Universidade Federal de So Carlos como parte dos requisitos para obteno do Ttulo de Doutor em Filosofia. Orientador: Dr. Richard Theisen Simanke.

    SO CARLOS 2011

  • Ficha catalogrfica elaborada pelo DePT da Biblioteca Comunitria/UFSCar

    M357mp

    Marques, Rodrigo Vieira. Merleau-Ponty e a crise da razo / Rodrigo Vieira Marques. -- So Carlos : UFSCar, 2012. 380 f. Tese (Doutorado) -- Universidade Federal de So Carlos, 2011. 1. Filosofia francesa. 2. Merleau-Ponty, Maurice, 1908-1961. 3. Fenomenologia. I. Ttulo. CDD: 194 (20a)

  • 6

    Dedico este trabalho minha famlia, solo fecundo e afvel no qual se encontram minhas razes.

  • 7

    AGRADECIMENTOS

    Em primeiro lugar, ao Dr. Richard Theisen Simanke, por sua orientao

    segura, valiosas sugestes e, principalmente, por sua considerao de que,

    antes de tudo, o pensamento uma experincia. Tambm ao Dr. Pascal

    Dupond, especialmente por ter possibilitado meu acesso aos inditos de

    Merleau-Ponty, alm de suas sugestes e cordial ateno. Por fim, a todos os

    que, direta ou indiretamente, propiciaram a percepo que fez nascer o

    presente trabalho.

  • 8

    Una est, quae reparet seque ipsa reseminet, ales: Assyrii phoenica uocant; non fruge neque herbis, sed turis lacrimis et suco uiuit amomi. [...] haec ubi quinque suae conpleuit saecula uitae, ilicet in ramis tremulaeque cacumine palmae unguibus et puro nidum sibi construit ore, quo simul ac casias et nardi lenis aristas quassaque cum fulua substrauit cinnama murra, [...] se super inponit finitque in odoribus aeuum. inde ferunt, totidem qui uiuere debeat annos, corpore de patrio paruum phoenica renasci; cum dedit huic aetas uires, onerique ferendo est, ponderibus nidi ramos leuat arboris altae [...] fertque pius cunasque suas patriumque sepulcrum perque leues auras Hyperionis urbe potitus ante fores sacras Hyperionis aede reponit. (Ovdio). Nichts ist drinnen, nichts ist drauen, denn was innen ist, ist auen.(Goethe).

  • 9

    RESUMO

    Este trabalho parte de uma leitura da filosofia de Merleau-Ponty centrada na

    noo de Crise da Razo, fundamentando-se no pressuposto de que se

    trata de um conceito fundamental da fenomenologia contempornea. No

    pensamento cartesiano, j era possvel encontrar a ideia de crise, porm,

    tratava-se da constatao de uma crise das cincias. Algo semelhante

    havia tambm em Valry, especialmente ao se falar de uma crise do

    esprito. A novidade de Husserl estava justamente em mostrar que a crise,

    tal como ele a vivia, era mais profunda, abalava a prpria Razo. Este

    trabalho assume a tarefa de mostrar que, no se limitando a uma crise das

    cincias, do esprito ou da prpria Razo, Merleau-Ponty discute uma crise

    presente no prprio homem, ou antes, nos diversos pontos de vista que se

    tem a seu respeito. neste sentido que o seu projeto filosfico se

    fundamenta, em primeiro lugar, na tentativa de estabelecer um dilogo entre

    os pontos de vista da filosofia e da cincia. Por conseguinte, justifica-se uma

    investigao da divergncia destes pontos, procurando elucidar no s o

    cenrio no qual o conflito se encontra, mas tambm a sua gnese. Do mesmo

    modo, partindo de uma compreenso merleau-pontiana da crise, por fim,

    este trabalho assume tambm a tarefa de se indagar acerca da repercusso

    desta mesma crise na relao do saber filosfico consigo mesmo, logo, no

    modo da prpria filosofia entender a sua histria, estando, pois, a

    importncia desta incurso no ensejo de explicitar o que, para Merleau-

    Ponty, seria uma possvel via de superao.

    Palavras-chave: Filosofia Francesa. Maurice Merleau-Ponty. Fenomenologia.

  • 10

    ABSTRACT

    This work takes its point of departure in Merleau-Pontys Philosophy,

    centered in the notion of Crisis of Reason, basing itself on the

    presupposition that this is a fundamental concept of contemporary

    phenomenology. In the Cartesian thought, already it was possible to find the

    idea of the crisis, however, it was the finding of a crisis of sciences.

    Something similar was also in Valry, especially when he speaks of a crisis

    of spirit. The novelty of Husserl was exactly in showing that the crisis, as he

    lived it, was deeper, shook the Reason itself. This work assumes the task of

    showing that, not limiting to a crisis of sciences, of the spirit or of Reason

    itself, Merleau-Ponty discusses a present crisis in the man himself, or rather,

    in the diverse points of view that has about him. In this sense, his

    philosophical project is based, primarily, on the attempt to establish a

    dialogue with the points of view of the philosophy and of the science.

    Therefore, an inquiry of the divergence of these points, is warranted,

    elucidating not only the scenario in which the conflict is, but also its genesis.

    Likewise, starting from a Merleau-Pontian understanding of the crisis,

    finally, this study also assumes the task of asking about the repercussions

    of this crisis in the relation of philosophical knowledge to itself, then, in the

    way of his own philosophy to understand its history, being, therefore, the

    importance of this incursion in the desire to explain what, according to

    Merleau-Ponty, would be a possible way of overcoming.

    Keywords: French Philosophy. Maurice Merleau-Ponty. Phenomenology.

  • 11

    RSUM

    Ce travail a son point de dpart dans la philosophie de Merleau-Ponty,

    centr dans la notion de Crise de la Raison , en sappuyant donc sur la

    prsupposition quelle sagit dun concept fondamental de la phnomnologie

    contemporaine. Dans la pense cartesienne, ctait dj possible de trouver

    lide de crise, cependant, elle sagissait de la constatation dune crise des

    sciences . Quelque chose de semblable se passait avec Valery, notamment

    quand il dit dune crise de lesprit . La noveaut de Husserl tait juste

    montrer que la crise, telle quil la vivait, tait plus profonde, brahlait la

    Raison elle-mme. Ce travail assume la tche de montrer que, en ne sen

    tenant pas une crise des science, de lesprit ou de la Raison elle-mme,

    Merleau-Ponty met en question une crise prsente chez lhomme lui-mme,

    dans les divers points de vue quon a sur lui. Cest pouquoi que son projet

    philosophique, tout dabord, se fonde sur la tentative dtablir un dialogue

    entre les points de vue de la philosophie et de la science. Une recherche de la

    divergence des ces points de vue, donc, elle se justifie en cherchant

    lucider non seulement le scnario dont le conflit se trouve, mais aussi la

    gnse de celui-ci. De mme, en partant dune comprhension merleau-

    pontienne de la crise, en fin de comptes, ce travail assume la tche de se

    demander sur la rpercussion de cette mme crise dans le rapport du savoir

    philosophique soi mme, donc, dans la manire dont la philosophie elle-

    mme comprendre son histoire, en tant, alors, limportance de cette

    incursion dans le dsir dexpliciter ce qui serait, daprs Merleau-Ponty, une

    possible voie de dpassement.

    Mots-cl: Philosophie Franaise. Maurice Merleau-Ponty. Phnomnologie.

  • 12

    SUMRIO

    INTRODUO .................................................................................... PRIMEIRA PARTE O MAL-ESTAR DA RAZO E O RETORNO AO MUNDO-DA-VIDA: O ECLIPSE DOS ABSOLUTOS .................................................... Captulo I Da Crise do Esprito Crise da Razo: o Mundo-da-Vida ............................................................................................... 1.1. O mal-estar da Razo: A Crise do Esprito ............................. 1.2. A Fenomenologia e a Crise da Razo: os limites do

    cientificismo e o retorno ao Mundo-da-Vida ............................. 1.3. A Rckfrage e a reduo fenomenolgica: a Lebenswelt como

    proposta de superao do naturalismo, como Ursprungsklrung, como retorno ao mundo pr-copernicano ...

    Captulo II Os limites do Mundo Clssico e o Teatro Cartesiano: o problema da representao ............................................................. 2.1. Um ponto de partida: O mundo clssico e o mundo moderno .. 2.2. Descartes e o problema da representao: o

    operacionalismo de Descartes e a intuitus mentis ..................... 2.2.1. O operacionalismo cartesiano e a identificao de lux e lumen . 2.2.2. A intuitus mentis e o positivismo da viso ............................... 2.2.3. A similitude e o arbtrio cartesiano do signo ............................ 2.2.4. Caminhos de desconstruo: a reabilitao do sensvel e o

    enigma do olhar ....................................................................... 2.2.4.1. A descorberta da afetividade das cores ............................... 2.2.4.2. Os limites da noo clssica de perspectiva ......................... 2.2.4.3. O enigma do olhar e os impasses da represe