Guizot, Tocqueville e os princípios de 1789 - teses.usp.br ?· Guizot (1787 – 1874) e Alexis de Tocqueville…

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Universidade de So Paulo

Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas

Departamento de Cincia Poltica

Programa de Ps-Graduao em Cincia Poltica

Felipe Freller

Guizot, Tocqueville e os princpios de

1789

So Paulo

2015

Universidade de So Paulo

Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas

Departamento de Cincia Poltica

Programa de Ps-Graduao em Cincia Poltica

Guizot, Tocqueville e os princpios de 1789

Felipe Freller

Dissertao apresentada ao Programa de Ps-Graduao

em Cincia Poltica do Departamento de Cincia

Poltica da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias

Humanas da Universidade de So Paulo, para a

obteno do ttulo de Mestre em Cincia Poltica.

rea de concentrao: Teoria Poltica

Orientadora: Profa. Dra. Eunice Ostrensky

So Paulo

2015

Agradecimentos

Gostaria de agradecer, em primeiro lugar, a minha orientadora, a Professora

Eunice Ostrensky, pela ajuda, apoio e incentivo que tem me dado j h bastante tempo:

desde a disciplina Poltica II, ainda no primeiro ano da minha graduao em Cincias

Sociais, em 2008 a qual despertou meu interesse pela Teoria Poltica e pela Histria do

Pensamento , depois no Grupo de Estudos de Teoria Poltica Moderna, no qual ingressei

em 2009, na Iniciao Cientfica sobre Tocqueville que fiz sob sua orientao entre 2010

e 2012, e, por fim (at o momento), no Mestrado, o qual se conclui com esta dissertao.

Agradeo especialmente o tempo e a ateno dedicados nas conversas e nas leituras e

comentrios criteriosos das vrias verses de textos meus enviados para ela desde o

primeiro esboo de projeto de Iniciao Cientfica, em 2010, os quais culminam (por

enquanto) nesta dissertao de Mestrado (a qual certamente perderia muito em qualidade

sem seus comentrios e sugestes). um privilgio enorme receber o apoio de algum

que consegue unir de modo to nico a erudio, a inteligncia, a seriedade, a

disponibilidade, o carinho e a simpatia, e no tenho palavras para agradecer a confiana

depositada em meu trabalho.

Agradeo tambm ao Professor Frdric Brahami, por ter gentilmente aceitado

orientar meu trabalho durante quatro meses de 2014 com a bolsa BEPE (Bolsa Estgio de

Pesquisa no Exterior) da FAPESP, por ter me convidado para assistir a seu curso na

Sorbonne sobre a filosofia diante da Revoluo Francesa (curso que ajudou muito a

pensar as questes deste trabalho dentro do contexto mais amplo do trauma provocado

pela Revoluo e de seu impacto sobre os pensadores das mais diversas orientaes

polticas do sculo XIX francs), e pelas indicaes bibliogrficas, muitas das quais

tiveram importncia decisiva para este trabalho. Gostaria de lembrar tambm que o

primeiro texto de Guizot que li o Prefcio primeira edio de Histoire de la Rvolution

dAngleterre foi sugerido pelo Professor Brahami em um e-mail de 2011.

Agradeo aos dois professores que participaram de minha banca de Qualificao,

Christian Edward Cyril Lynch e Ccero Romo Resende de Arajo, pela pertinncia dos

comentrios e das sugestes e pelo interesse demonstrado pelo trabalho. Trata-se de dois

professores com quem espero manter e aprofundar o dilogo daqui para frente: o primeiro,

pelo profundo conhecimento e interesse no sculo XIX francs e brasileiro; o segundo,

pela erudio e capacidade mpares de formular questes primordiais nas mais diversas

reas da teoria poltica (confesso que as questes levantadas na disciplina ministrada

pelos professores Ccero Arajo e Ruy Fausto no segundo semestre de 2014, sobre a

trajetria do comunismo no sculo XX, estiveram presentes em meu pensamento em

vrios momentos da escrita deste trabalho, o qual tambm teve que lidar, em outro

contexto, com os impasses e dilemas vividos pelos atores polticos em uma sociedade

ps-revolucionria).

Aproveito para estender os agradecimentos a outros professores do Departamento

de Cincia Poltica da USP, especialmente: ao Professor Patrcio Tierno, por ter se

disposto gentilmente a ler e comentar detalhadamente meu Projeto de Mestrado; ao

Professor Bernardo Ricupero, que tambm leu o Projeto, pelo interesse demonstrado; ao

Professor Adrian Gurza Lavalle, pela experincia compartilhada e pelo grande

aprendizado que me proporcionou a realizao do estgio PAE (Programa de

Aperfeioamento de Ensino) em sua disciplina O que Representao Poltica?, no

segundo semestre de 2014; ao Professor Gildo Maral Brando (in memorian), com quem

infelizmente no cheguei a ter um contato muito prximo, mas que contribuiu bastante

para despertar em mim o interesse pelo sculo XIX e por Tocqueville em particular, na

poca em que cursei a disciplina Poltica III como ele no primeiro semestre de 2009.

Agradeo pelo mesmo motivo Andr Kaysel Velasco e Cruz, que foi monitor na referida

disciplina e me empolgou com uma bela aula sobre O Antigo Regime e a Revoluo.

Agradeo ao Professor Marcelo Gantus Jasmin, profundo conhecedor dos temas

discutidos neste trabalho e autor de uma obra sobre Tocqueville que influenciou bastante

meu prprio modo de compreender e interpretar esse pensador, pelos comentrios feitos

sobre meu texto apresentado no V Seminrio Discente da Ps-Graduao em Cincia

Poltica da USP, em maio de 2015. Embora feitos perto da data de entrega desta

dissertao, esses comentrios permitiram um enriquecimento do trabalho.

Agradeo aos meus amigos e colegas do Grupo de Estudos de Teoria Poltica

Moderna, cujas discusses contriburam, s vezes direta, s vezes indiretamente, para este

trabalho: Roberta K. Soromenho Nicolete, grande inspirao de inteligncia, erudio e

seriedade acadmica, que tambm contribuiu bastante para despertar meu interesse pelo

sculo XIX e por Tocqueville (escrevi meu Projeto de Iniciao Cientfica aps ter lido

com grande admirao seu Projeto de Mestrado sobre Tocqueville, o qual resultou na bela

dissertao Quando a poltica caminha na escurido: um estudo sobre interesse e virtude

nA Democracia na Amrica de Tocqueville), e com quem tambm espero continuar um

dilogo incessante; Christiane Cardoso Ferreira, Breno Herman Mendes Barlach,

Gabriela Rosa e Juliana de Souza Oliveira. Alm da amizade e dos momentos prazerosos,

acredito que esse pequeno grupo tem contribudo para fortalecer a rea de teoria poltica

moderna no Departamento de Cincia Poltica da USP e intensificar o dilogo entre os

alunos e professores que se dedicam ao tema.

Agradeo imensamente FAPESP, Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de

So Paulo, por ter viabilizado financeiramente todas as etapas relevantes de minha

trajetria acadmica at aqui: a Iniciao Cientfica, o Mestrado e o estgio de pesquisa

de quatro meses na Frana (BEPE).

Agradeo aos que ajudaram na realizao deste trabalho por vias mais indiretas,

fora do mbito acadmico. minha famlia, especialmente meu pai, minha me, minha

av e meu irmo, entre outras coisas, por me apoiarem na escolha dessa difcil carreira

profissional que a acadmica. A essa famlia escolhida que so os amigos, dos mais

antigos, que remontam, geralmente, aos tempos do colgio (Pedro Bacchi, Gabriel Salvi

Philipson, Marcel Enderle, Andr Bueno R. de Castro, Thoms Zicman de Barros,

Ricardo Zimmermann, Marieta Colucci Ribeiro, Flora Schroeder Garcia, Vtor Amando

de Barros, Fbio Zuker, Caio Vilela, entre outros), aos mais recentes, que conheci na

graduao, na ps-graduao, em viagens ou em cursos de dana (infelizmente, seria

difcil fazer uma lista, porque, felizmente, o nmero de contemplados grande). Cada um

desses amigos me ajudou muito a chegar at aqui, mesmo nos momentos com relao

menos direta com os estudos, como nas viagens, travessias, bares e danas momentos

que permitiram passar da mente ao corpo, de modo a poder, na volta, fazer melhor uso da

primeira.

Resumo

Esta dissertao se dedica a uma comparao entre as interpretaes da Revoluo

Francesa formuladas por dois autores e personagens polticos da Frana do sculo XIX: Franois

Guizot (1787 1874) e Alexis de Tocqueville (1805 1859). Ambas as interpretaes tm em

comum o esforo intelectual de inscrever a Revoluo Francesa na Histria de longo prazo da

Frana e da Europa, em ruptura com a compreenso que tiveram da Revoluo tanto

revolucionrios como contrarrevolucionrios. Essa inscrio da Revoluo na Histria implicava

uma aceitao da sociedade ps-revolucionria como um produto irreversvel de muitos sculos

e no apenas de um ato isolado da vontade. O argumento desta dissertao tem como objetivo

demonstrar que, para alm dessa aceitao da sociedade ps-revolucionria a qual manteve

Guizot e Tocqueville distncia tanto do discurso contrarrevolucionrio, com seu projeto de

restaurar na Frana a antiga sociedade pr-revolucionria, como do discurso socialista, com seu

projeto de continuar a Revoluo Francesa para levar a humanidade a uma sociedade diferente da

que saiu diretamente da Revoluo , os dois autores estudados legaram para a posteridade duas

atitudes divergentes ou mesmo opostas diante da Revoluo Francesa: Guizot celebrou o papel

da Revoluo na Histria como uma vitria das classes mdias sobre o poder absoluto e o