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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA AMÃ OBOLARI DURÇO RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM CLÍNICA DE PEQUENOS ANIMAIS DIROFILARIOSE CANINA RELATO DE CASO ILHÉUS-BA 2016

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ

CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA

AMÃ OBOLARI DURÇO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM CLÍNICA DE PEQUENOS

ANIMAIS

DIROFILARIOSE CANINA – RELATO DE CASO

ILHÉUS-BA

2016

AMÃ OBOLARI DURÇO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM CLÍNICA DE PEQUENOS

ANIMAIS

DIROFILARIOSE CANINA – RELATO DE CASO

Relatório apresentado como requisito parcial para

aprovação na disciplina de Estágio

Supervisionado Obrigatório do Curso de

Medicina Veterinária da Universidade Estadual

de Santa Cruz.

Orientador (a): Profª. Draª Roueda Abou Said

ILHÉUS – BA

2016

AMÃ OBOLARI DURÇO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM CLÍNICA DE PEQUENOS

ANIMAIS

DIROFILARIOSE CANINA – RELATO DE CASO

Aprovado em: / / 2016

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________________

Profª. Drª. Roueda Abou Said - UESC/DCAA

Orientadora

______________________________________________________

Prof. Dr. Alexandre Dias Munhoz

DCAA/UESC

________________________________________________________________

Prof.ª Dr.ªLuci Ana Fernandes Martins

DCAA/UESC

ILHÉUS-BA

2016

Dedico este trabalho aos meus pais, Paulo e Maria,

minhas irmãs Mê e Léu, meus avós Elzira, Israel, Geraldo

(in memoriam) e Neusa, e meu irmão Diego.

AGRADECIMENTOS

Agradeço à Jeová Deus pela vida e por ter me dado forças e saúde para chegar até

aqui. Agradeço também aos meus pais, Paulo e Maria do Carmo, pela educação, esforço e

dedicação a mim dispensados, vocês são tudo para mim. Às minhas irmãs Aimée por ser a

melhor enfermeira do mundo, por cuidar de mim com zelo e amor, sendo minha ‘irmãe’

literalmente e por me salvar algumas vezes, e à caçulinha Ariel pelo companheirismo, ombro

amigo, críticas construtivas e pelas risadas compartilhadas, afinal, elas tornaram tudo mais fácil

mesmo estando a quilômetros de casa. Ao meu irmão Diego pelos conselhos, palavras sinceras,

por rir das minhas piadas e por sempre se mostrar disposto a estar do meu lado nos momentos

difíceis, você é o segundo melhor enfermeiro do mundo (risos)!

Agradeço aos meus avós Elzira e Israel por despertarem em mim o amor aos animais,

pela infância feliz e repleta de amor. Ao meu avô Geraldo (in memoriam) por me ensinar que

não importa quão ruim seja uma situação, sempre há uma piada a ser feita, e principalmente

por ajudar direta ou indiretamente, com que eu me tornasse uma veterinária. Agradeço à

amiga doida e fiel, que me fazia dar gargalhadas quando eu estava no leito de um hospital,

Dângela sua maluquete, amo você! À amiga e ‘titia’ Yanicelli o meu muito obrigada por todo

amor demonstrado e por passar inúmeras noites ao meu lado me dando forças e me fazendo

rir com sua raquete exterminadora de pernilongos. Aos meus tios Eloy e José Raimundo, por

mesmo distantes se fazerem presentes, amo vocês. Aos meus pais ‘adotivos’ Alba e

Rodrigues agradeço pelos conselhos, amizade e por fazerem eu me sentir em casa, vocês

contribuíram muito para que eu me tornasse uma veterinária, amo muito vocês! À Família

Pitondo, Cláudia e Maria, Jeová Deus foi muito bom em colocar vocês no meu caminho,

vocês me mostraram que o amor é mesmo o perfeito vínculo de união. Agradeço

imensamente ao pequeno amigo Raj (in memoriam) que foi fundamental na minha

recuperação, tornando os meus dias mais alegres, jamais te esquecerei. Às minhas amigas

Mayena e Lu Ornelas, vocês foram o que a UESC me deu de melhor. Ao amigo Bicudo

(Alexandre) agradeço por ser um bom amigo, mesmo longe, beijo grande Bibi, e à tia Lu

Ramos agradeço por ser tia, amiga e pela positividade sempre. Agradeço muito à dona Eliecy

pela amizade e carinho durante essa caminhada, amo a senhora!

Agradeço também à Família Martins, especialmente à vó ‘Duvirges’, tia Ziza, tia Eni,

Tia Penha e todos os meus primos lindos por me acolherem tão bem e por tornarem a minha

estadia em São Paulo tão prazerosa apesar das circunstâncias, amo vocês família! O meu

muito obrigada ao tio Ângelo, tia Sueli, Juninho e Laila, pelo apoio e pelo amor demonstrado,

amo vocês demais!

A todos os docentes do curso de Medicina Veterinária da UESC minha gratidão

por todo aprendizado adquirido, especialmente à minha orientadora Profª Roueda Abou

Said agradeço pela paciência e por mostrar tanto amor à profissão, isso reflete em tudo que ela

faz e me serve de exemplo, e ao Prof. Dunezeu agradeço pela amizade e prontidão em ajudar.

Agradecimento especial à todas as clínicas que me deram a oportunidade de estágio.

À Dra. Gabriela Brandão agradeço pela amizade que construímos, companheirismo e

ensinamentos, ‘midja’ muito obrigada. À Dra. Ana Paula Calazans agradeço pelo

conhecimento compartilhado e disposição em ajudar.

A minha eterna gratidão a todos os animais que passaram pelo meu caminho,

especialmente aos meus dez cães e três gatos, que contribuíram e continuam a contribuir de

alguma forma para o meu crescimento profissional e pessoal, me mostrando a forma mais

pura de amor e lealdade.

Por último, mas não menos importante, agradeço muito aos meus médicos e amigos,

Dr. Ciro Falcone, Dr. Jair (in memoriam) e Dr. Wellington Caires, por respeitarem minhas

escolhas e por restabelecerem minha saúde, vocês são os melhores!

RESUMO

O Estágio Supervisionado é uma disciplina obrigatória do curso de Medicina Veterinária da

Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), que possibilita ao futuro médico veterinário

vivenciar a prática nas diversas áreas de atuação da profissão. Objetiva-se, no presente

relatório, descrever as atividades que foram acompanhadas e realizadas durante o estágio

supervisionado que ocorreu em uma clínica veterinária particular, localiza na cidade de Porto

Seguro, Bahia. O estágio teve início no dia 05 de outubro e término no dia 08 de dezembro de

2015, com carga horária de 40 horas semanais, totalizando 360 horas. As atividades do estágio

foram realizadas a partir do acompanhamento dos procedimentos realizados pela equipe

composta por 4 médicos veterinários. Os procedimentos envolveram o setor de Clínica

Médica de Pequenos Animais e Patologia Clínica, onde houve acompanhamento de consultas,

atividades ambulatoriais, procedimentos cirúrgicos, auxílio aos veterinários na contenção de

animais, coleta de material para exames laboratoriais, realização de exames radiográficos e

ultrassonográficos, além de análise de resultados, cuidados aos animais internados, elaboração

de receitas, preparação e cálculo de medicamentos. É cediço que o estágio supervisionado

realizado contribuiu significativamente para obtenção de conhecimento prático, preparando-

me melhor para atuação na profissão. A priori o presente trabalho analisará as instalações

onde o estágio foi realizado, dando ênfase à um relato de caso de uma cadela da raça labrador

diagnosticada com dirofilariose. Esta escolha decorreu do fato de que a dirofilariose

representa uma doença potencialmente fatal, contraída através da picada de mosquitos,

comprometendo sobretudo o sistema linfático de cães e gatos, além de também ser uma

zoonose.

Palavras Chave: Cadela. Clínica. Diagnóstico. Dirofilaria. Zoonose.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Imagem da recepção da clínica veterinária particular, situada no

município de Porto Seguro, Bahia.............................................................

10

Figura 2. Imagem representativa de um dos consutórios da clínica veterinária

particular, situada no município de Porto Seguro, Bahia...........................

11

Figura 3. Imagem do setor de internamento da clínica veterinária particular,

situada no município de Porto Seguro, Bahia.............................................

11

Figura 4. Imagem do laboratório de análises clínicas, que compõe a infraestrutura

da clínica veterinária particular, situada no município de Porto Seguro,

Bahia...........................................................................................................

12

Figura 5. Imagem da sala de diagnóstico por imagem, que compõe a infraestrutura

da clínica veterinária particular, situada no município de Porto Seguro,

Bahia. Destaque para os equipamentos radiográficos (seta vermelha),

ultrassonográficos (seta amarela) e negatoscópio (seta azul).....................

12

Figura 6. Representação esquemática do ciclo biológico da dirofilariose

canina..........................................................................................................

21

Figura 7. Resultado do exame de hemograma, realizado em 24 de novembro de

2015, na cadela labrador, de quatro anos de idade, revelando como

alterações leucocitose com linfocitose, trombocitopenia,

hiperproteinemia e a presença de microfilárias.......................................

24

Figura 8. Teste rápido de ELISA (SNAP® Test 4DX), realizado em amostra

sorológica de cão da raça Labrador, indicando reação positiva à

presença de antígenos contra E. canis e D. immitis, em 24 de novembro

de 2015...................................................................................................

25

Figura 9. Resultados do exame bioquímico (ureia, creatinina, alanina

aminotransferase e fosfatase alcalina) realizada na amostra sorológica da

cadela Labrador, em 25 de novembro de 2015.........................................

26

Figura 10. Radiografia torácica de cadela labrador, com diagnóstico de

dirofilariose. (A) Projeção Dorsoventral (B) Projeção Lateral. Observa-

se pronunciado aumento do tronco da artéria pulmonar e aumento do

átrio direito.......................................................................................... ....

26

Figura 11. Resultado do exame de hemograma, realizado em 08 de janeiro de 2016,

na cadela labrador, após o término 1º ciclo do tratamento com

administração de Doxiciclina, durante 21 dias. Evidencia-se como

alterações leucocitose com linfocitose, leve trombocitopenia e a

presença de microfilárias...........................................................................

27

LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS

Tabela 1. Procedimentos realizados na clínica veterinária particular, situada em

Porto Seguro, e que foram acompanhados pela estagiária durante o

período de 05 de outubro a 08 de dezembro de 2015............................

13

Gráfico 1. Número de atendimentos clínicos que foram acompanhados nas

espécies canina e felinas, distribuídas segundo o sexo, no estágio

supervisionado realizado na clínica veterinária, durante o período de 05

de outubro à 08 de dezembro de 2015...................................................

15

Tabela 2. Casuística dos atendimentos clínicos realizados em cães em gatos,

durante o estágio supervisionado realizado na clínica veterinária, no

período de 05 de outubro à 08 de dezembro de 2015...............................

16

SUMÁRIO

1. APRESENTAÇÃO................................................................................................... 09

2. DESCRIÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO E DOS SERVIÇOS

OFERECIDOS NO LOCAL ...................................................................................

10

3. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ACOMPANHADAS PELA

ESTAGIÁRIA....................................................................................................

13

4. DISCUSSÃO DO RELATÓRIO ......................................................................... 18

5. RELATO DE CASO ACOMPANHADO DURANTE ESTÁGIO 20

5.1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 20

5.2 RELATO DE CASO............................................................................................... 23

5.3 DISCUSSÃO........................................................................................................... 28

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................ 33

REFERÊNCIAS .................................................................................................... 35

9

1. APRESENTAÇÃO

O Estágio Supervisionado é uma disciplina obrigatória do Curso de Medicina

Veterinária da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Possui grande relevância para a

formação profissional, pois possibilita ao discente a convivência com profissionais de

distintas áreas e com diferentes condutas, além de inseri-lo no âmbito do mercado de trabalho.

Também oportuniza o convívio e o relacionamento com profissionais médicos veterinários,

pacientes e seus proprietários, o que torna o estágio uma experiência enriquecedora para o

futuro egresso.

O local para a realização do estágio supervisionado, bem como a área de atuação, é

definido pelo graduando, auxiliado por seu orientador. O estágio supervisionado foi realizado

na área de clínica de pequenos animais, em uma clínica veterinária particular, localizada no

município de Porto Seguro – BA. A escolha do estágio na área de clínica de pequenos

animais ocorreu em virtude do interesse em adquirir uma maior vivência, angariar maior

conhecimento e confiança nesse relevante setor da Medicina Veterinária.

Durante o período de 05 de outubro a 08 de dezembro de 2015, carga horária de 360

horas, acompanhou-se procedimentos como: consultas clínicas (anamnese, exame físico e

procedimentos terapêuticos); processamento dos exames de laboratoriais (hemogramas,

exames bioquímicos, micológico direto, pesquisa de hemoparasitas, citologia); e exames de

diagnóstico por imagem (ultrassonografia, radiografia e dermatoscópio para vídeo análise).

Foi permitido ao estagiário executar procedimentos de preenchimento de ficha clínica,

contenção dos animais, passagem de sonda uretral, administração medicamentosa nos

animais internados, cateterização venosa para fluidoterapia, cuidados nutricionais e de

higiene dos pacientes. Os procedimentos de coleta de material biológico (sangue, raspados de

pele, cerúmen etc) foram ora acompanhados pela estagiária, ora realizados por esta.

Objetiva-se, a partir desse relatório, pormenorizar as atividades acompanhadas no

decorrer do estágio supervisionado. Destarte, o trabalho dará ênfase a um relato de caso de

uma cadela labrador com dirofilariose. A dirofilariose, popularmente conhecida como

“verme do coração”, pode acometer diversas espécies de vertebrados, sendo o cão seu

principal hospedeiro. O ser humano pode se constituir como hospedeiro acidental da doença

e, por isso, ela é tida como uma relevante zoonose (BOCARDO et al., 2009). Serão abordados

e discutidos aspectos epidemiológicos, clínicos e de diagnóstico, que possibilitaram a

confirmação dessa enfermidade. Será dada ênfase às dificuldades para diagnosticar e

estabelecer um tratamento seguro e eficaz para o paciente acometido pela dirofilariose.

10

2. DESCRIÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO E DOS SERVIÇOS OFERECIDOS NO

LOCAL

O estágio foi realizado em uma clínica veterinária particular, localizada no município

de Porto Seguro, extremo sul do Estado da Bahia. A clínica presta atendimentos às espécies

canina e felina, oferecendo serviços de clínica médica e cirúrgica, patologia clínica e

diagnóstico por imagem (raio-x e ultrassom). Dispõe ainda de serviços de banho e tosa.

O funcionamento ocorre de segunda à sexta-feira no período de 8 às 18 horas; aos

sábados das 8 às 12 horas. Oferece ainda consulta à domicílio, serviços de internamento e

plantão 24 horas, todos os dias da semana, incluindo domingos e feriados.

O quadro de funcionários que participam da rotina do local é composto por: um

médico veterinário responsável pelos atendimentos clínicos e pelos procedimentos cirúrgicos;

uma médica veterinária responsável pelos atendimentos clínicos e plantões de emergência; um

médico veterinário responsável por atendimentos clínicos domiciliares e exames de

ultrassonografia; e uma medica veterinária responsável pelos serviços de patologia clínica.

Além desses profissionais, há uma recepcionista, um auxiliar de serviços gerais, uma

enfermeira veterinária e duas funcionárias do banho e tosa.

A infraestrutura do setor administrativo do centro veterinário é composta pela

recepção, onde os proprietários são atendidos por ordem de chegada, para coleta dos dados de

identificação do animal. Nesse local também é realizado o pagamento dos procedimentos

realizados (Figura 1).

Figura 1: Imagem da recepção da clínica veterinária particular, situada no município de Porto

Seguro, Bahia.

11

A clínica veterinária possui 2 consultórios para atendimento clínico dos cães e gatos

(Figura 2). Nestes locais, são realizados os exames físicos e a coleta de material biológico. Há

também um setor de internamento onde animais que necessitam de outros procedimentos,

como fluidoterapia ou monitoramento constante, permanecem abrigados (Figura 3).

Figura 2: Imagem representativa de um dos consutórios da clínica veterinária particular,

situada no município de Porto Seguro, Bahia.

Figura 3: Imagem do setor de internamento da clínica veterinária particular, situada no

município de Porto Seguro, Bahia.

O laboratório de análises clínicas conta com equipamentos como contador automático

de células (URIT-3000 Vet Plus®), capaz de analisar 60 amostras em uma hora, com

obtenção dos valores de leucócitos totais, números (relativo e absoluto) de linfócitos e

monócitos, além de determinar a concentração de hemácias, hemoglobina, volume

corpuscular médio e número de plaquetas. O laboratório possui ainda com uma centrífuga de

12

bancada (Coleman® 12 tubos), um aparelho para realização de exames bioquímicos (Bioclin

100®) e um microscópio óptico (Opton TIM®) (Figura 4).

Figura 4: Imagem do laboratório de análises clínicas, que compõe a infraestrutura da clínica

veterinária particular, situada no município de Porto Seguro, Bahia.

Os exames de diagnóstico por imagem são realizados no consultório 2. Esse

consultório, além de se destinar ao atendimento clínico, também aloja os equipamentos

ultrassonográfico (DP-3300vet Mindray), radiográfico (Raiespi, Mod. R50) e o negatoscópio,

aonde as radiografias são visualizadas (Figura 5). Ressalta-se que as paredes desse consultório

não são baritadas.

Figura 5: Imagem da sala de diagnóstico por imagem, que compõe a infraestrutura da clínica

veterinária particular, situada no município de Porto Seguro, Bahia. Destaque para os

equipamentos radiográficos (seta vermelha), ultrassonográficos (seta amarela) e negatoscópio

(seta azul).

O estabelecimento possui ainda, compondo a sua estrutura física, com uma sala de

preparo anestésico, um centro cirúrgico, um banheiro, um corredor onde ficam os armários

13

com material de uso diário (seringas, agulhas, soros, equipos, cateteres, etc), uma pequena

cozinha e um espaço aberto que funciona como parte da tosa para secagem dos animais e área

de secagem da lavanderia.

Em média, são atendidos no local de 8 a 10 animais por dia. Além de atender a essa

demanda interna, a clínica veterinária também recebe pacientes e material biológico

provenientes de outras clínicas da região para realização de exames laboratoriais, radiografias e

ultrassonografias.

3. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ACOMPANHADAS PELA ESTAGIÁRIA

As atividades desenvolvidas no estágio se iniciavam às 8:00 horas e perduravam até

às 18:00 horas, quando se encerravam os atendimentos regulares aos animais. Diversos

procedimentos puderam ser acompanhados/executados durante o período de estágio, que

ocorreu durante 05 de outubro de 2015 à 08 de dezembro de 2015, seja na clínica médica, na

patologia clínica e no diagnóstico por imagem (Tabela 1).

Tabela 1: Procedimentos realizados na clínica veterinária particular, situada em Porto

Seguro, e que foram acompanhados pela estagiária durante o período de 05 de outubro a 08

de dezembro de 2015.

PROCEDIMENTOS/ATIVIDADES

OUT NOV DEZ TOTAL

Consultas Clínicas 171 120 36 327

Eutanásia 2 1 0 3

Exame Creatinina 42 38 7 87

Exame Uréia 29 25 5 59

Exame Urina 5 3 1 9

Exame de Imagem 19 11 9 39

Hemograma 133 102 23 258

Internamentos 10 4 1 15

Raspado Cutâneo 12 15 3 30

Retornos 171 160 42 373

Sedação 2 3 1 6

Sorologias (4dx®) 21 18 4 43

Soroterapia 132 98 16 246

Vacinas 80 65 9 154

14

Os procedimentos da clínica médica incluíram o acompanhamento de: consultas

clínicas e exame físico, coleta de material biológico (sangue, raspados de pele, cerúmen etc),

procedimento de enfermagem e condutas terapêuticas. Os procedimentos da patologia clínica

incluíram o acompanhamento do processamento de hemogramas, exames bioquímicos,

micológico direto, pesquisa de hemoparasitas e de citologia. No diagnóstico por imagem

acompanhou-se exames radiográficos, ultrassográficos e dermatoscópio por vídeo análise.

Acompanhou-se um grande número de atendimentos na clínica médica. A rotina

desses atendimentos consistia na chegada do animal na recepção, onde eram preenchidos os

dados de identificação do animal. A mesma era colocada em envelope de papel identificado

com o nome, raça e sexo do animal, além do nome e telefone do proprietário. Em seguida, o

animal era encaminhado a um dos consultórios, onde a estagiária realizava o preenchimento

da ficha clínica, coletando informações sobre o histórico, que pudessem estar ligadas direta

ou indiretamente ao diagnóstico do animal.

Feito isso, o médico veterinário, responsável pelo caso, realizava o exame físico, que

consistia na aferição dos parâmetros: temperatura e pesagem; ausculta cardíaca e respiratória,

com medição das frequências; grau de hidratação (sob a responsabilidade do estagiário);

palpação abdominal e dos linfonodos; coloração das mucosas; avaliação de pele e pelos,

além da inspeção dos ouvidos (a cargo do veterinário, cabendo ao estagiário apenas

acompanhar). Após exame físico, eram discutidas as suspeitas de diagnóstico e quais exames

complementares que deveriam ser solicitados.

Por se tratar de um estabelecimento particular, não era permitido à estagiária realizar o

exame físico dos pacientes em consulta. No entanto, todos os procedimentos podiam ser

acompanhados e discutidos. Em alguns casos, era permitido à estagiária coletar material

para realização de exames complementares (hemograma, raspado cutâneo, etc), além de

colocar os animais que necessitavam de internamento no acesso venoso para administração de

soro e/ou medicamentos.

Foram também acompanhadas consultas pediátricas, que consistiam em instruir os

proprietários no que tange ao manejo, vacinação e cuidados necessários aos filhotes de cães e

gatos. As vacinações não representavam uma consulta clínica, por esse motivo, apenas eram

cobrados os valores das vacinas.

O protocolo adotado pela clínica para a imunização de cães filhotes consistia em três

doses. A primeira era feita quando o animal possuía 45 dias de vida, 21 dias depois era

realizada a segunda dose e 21 dias depois a terceira e última dose, sendo realizado o reforço

anual. Em raças que apresentam maior sensibilidade e, consequente, susceptibilidade à

15

determinadas doenças, era realizada também uma quarta dose da vacina. A partir dessas

vacinas, pretendia-se que os cães estivessem imunizados contra os seguintes doenças

(agentes): Cinomose (mobilivírus da Família Paramyxoviridae), Hepatite (adenovírus canino

tipo I, CAV-1 ), Adenovirose (adenovírus canino tipo II, CAV-2 ), vírus da Parainfluenza

Canina (CPIV), Parvovirose (Parvovírus canino2, CPV-2a e CPV-2b), Coronavirose

(Coronavírus canino, CCoV-II ), além de quatro cepas de Leptospira sp., sendo elas

Leptospira canicola, Leptospira icterohaemorrhagiae, Leptospira grippotyphosa e Leptospira

pomona .

A vacinação contra a traqueobronquite infecciosa canina, também conhecida como

tosse dos canis, e a vacina contra giardíase eram disponibilizadas a partir da segunda dose da

vacina múltipla, ou seja, quando o animal tinha por volta de dois meses de idade, com reforço

após de 21 dias. Tais vacinas não fazem parte do protocolo vacinal recomendando pela

clínica, sendo elas apresentadas aos proprietários como opcionais.

O esquema de imunização para gatos filhotes era realizado aos 45 dias de idade, sendo

aplicada a segunda dose 21 dias depois, com reforço anual. A vacina felina confere proteção

contra Rinotraqueíte (herpes vírus felino 1, HVF-1), Calicivirose (calicivírus, FCV) e

Panleucopenia felina (parvovírus felino, FPV).

A vacinação contra o vírus da raiva era aplicada aos quatro meses de idade, tanto para

o cão, como para o gato, tendo reforço anual.

Em relação aos atendimentos clínicos, que foram acompanhados durante o estágio,

observou-se maior casuística da espécie canina em relação à espécie felina (n=278 e n=49,

respectivamente), com maior acometimento de fêmeas, em ambas as espécies (Gráfico 1).

Gráfico 1. Número de atendimentos clínicos que foram acompanhados nas espécies canina e

felinas, distribuídas segundo o sexo, no estágio supervisionado realizado na clínica

veterinária, durante o período de 05 de outubro à 08 de dezembro de 2015.

0

50

100

150

200

Canina Felina

83

15

195

34

Machos Fêmeas

16

Diversas enfermidades puderam ser acompanhadas durante o estágio, com uma

casuística de 327 atendimentos clínicos. Em relação aos principais sistemas acometidos, teve-

se um maior predomínio de afecções no sistema tegumentar, seguido pelo reprodutivo (Tabela

2). Ressalta-se que em um caso, de um mesmo animal, poderia haver o acometimento de mais

de um sistema.

Tabela 2. Sistemas mais acometidos por enfermidades, em cães e gatos atendidos na Clínica

veterinária de Porto Seguro, no período entre 05 de outubro a 08 de dezembro de 2015 durante

estágio supervisionado.

Doenças % Casos

Tegumentares 30%

Reprodutivas 27%

Otológicas 16%

Infecciosas 9%

Oftálmicas 4%

Urinárias 3%

Digestórias 2%

Traumáticas 2%

Outras 7%

Dentre os casos dermatológicos que acometeram os cães, as dermatopatias de origem

parasitárias foram frequentes, sendo o diagnóstico firmado mediante a realização de raspado

cutâneo, com posterior visualização dos parasitas Demodex canis e Sarcoptes scabiei. Em

felinos, os principais casos foram de sarna Notoedres cati.

Como auxílio diagnóstico para as enfermidades dermatológicas e otológicas, o

equipamento dermatoscópio para vídeo análise despertou grande interesse. As afecções

otológicas representaram 16% dos casos atendidos no centro veterinário, destacando-se um

caso de otite externa em um felino da raça persa, com 2 anos de idade, macho. Esse animal

foi atendido em virtude de intenso prurido, balançar frequente da cabeça, eritema e

espessamento do epitélio do pavilhão auricular externo e conduto auditivo. Diante desses

sinais clínicos, foi realizada a vídeo análise por meio de dermatoscópio, sendo observada a

presença de grande quantidade do parasita Otodectes cynotis.

17

O ácaro O. cynotis é um agente infeccioso, que constitui-se como fator primário para a

otite externa em cães e gatos. Além da presença do agente no ambiente, sua ocorrência pode

estar associada a fatores predisponentes como alta umidade e temperaturas elevadas. E o

quadro pode ser prolongado e agravado por fatores perpetuantes, como processo inflamatório

e infecções bacterianas secundárias (URQUHART et. al., 1996). Portanto, o reconhecimento

desses fatores é importante para o sucesso do tratamento. Assim como recomendado pela

literatura (ROSYCHUK; LUTTGEN, 2004), a conduta terapêutica inicial para esse caso

consistiu na limpeza do canal auditivo externo, com agentes antissépticos, e no tratamento do

parasita (fator primário). Após oito dias do início do tratamento, o paciente já não apresentava

prurido nem lesões no conduto auditivo, não sendo mais observada a presença do parasita O.

cynotis, através do dermatoscópio. Ainda assim, foi recomendada a continuidade do

tratamento, até que fossem completados 21 dias, para o devido controle da infecção.

Em relação aos outros casos acompanhados no período do estágio, após a realização de

exames físicos e complementares, caso fosse identificada alguma alteração na qual o animal

necessitasse de observação, o veterinário responsável elucidava a situação ao proprietário e, ao

ser autorizado o internamento, o animal era encaminhado para o setor de internamento. O maior

fator causador de internamento de animais na clínica foi em decorrência de doenças infecciosas,

em que, por inúmeras vezes, os pacientes apresentavam sinais clínicos de diarreia com sangue,

vômito, apatia e desidratação, sendo realizados exames para confirmação do quadro infeccioso.

A funcionária técnica em veterinária e o veterinário de plantão eram os responsáveis pela

administração de medicamentos bem como pelo o monitoramento dos pacientes internados. À

estagiária deu-se a oportunidade de monitorar os animais internados através da aferição da

temperatura retal, verificar o grau de hidratação, auscultas cardíacas e respiratórias, sempre

sob supervisão da técnica ou do veterinário responsável.

Era também possibilitado à estagiária proceder com cateterização intravascular, para a

manutenção de uma via de infusão para soluções ou medicações. Cabia à estagiária separar os

materiais necessários, como: equipo, seringa, cateter, soro fisiológico, álcool e qualquer outro

material que por ventura se fizesse útil. O veterinário responsável fazia a contenção do animal

e instruía a estagiária quanto ao melhor modo de proceder. Foi possível ainda a preparação e

administração de medicamentos por vias endovenosa, intramuscular, oral e subcutânea, além

da realização do fornecimento da dieta dos animais internados, sendo tais procedimentos

verificados pelo plantonista veterinário responsável.

Para muitos casos, o estabelecimento do diagnóstico requeria a coleta de material

biológico para realização de exames complementares. Após a coleta, os materiais biológicos

18

eram destinados ao laboratório de análises clínicas. O hemograma era realizado diariamente,

sendo este o exame mais realizado na clínica médica de pequenos animais, tendo maior

demanda em cães. A leitura da lâmina e a contagem de células específicas (linfócitos,

monócitos, eosinófilos, etc) eram realizadas pela patologista clínica responsável e levava

cerca de 15 minutos, sendo o acesso aos equipamentos do laboratório restritos à mesma.

Coube ao estagiário apenas levar as amostras biológicas até o laboratório e observar como

os procedimentos eram realizados.

Os exames de imagem eram solicitados quando o veterinário concluía que o mesmo

era relevante para a elucidação do caso. Em cerca de 12% das consultas realizadas, eram

solicitados algum tipo de exame de imagem. No período de estágio foram realizados 26

exames radiográficos, serviço que não ficava a cargo de um médico veterinário em

específico, o veterinário responsável pela consulta era quem solicitava, realizava e revelava

as radiografias, e por meio do negatoscópio avaliava a condição do animal e as possíveis

alterações decorrentes de traumas ou patologias.

Os exames de ultrassonografia, 13 no total, eram realizados por um médico

veterinário especializado, que emitia os laudos impressos e via email para os proprietários.

Durante a realização dos exames por imagem, cabia ao estagiário observar, colaborar com a

contenção dos animais e agilizar o processo de secagem das radiografias. Tais exames

complementares, em associação com os exames físicos previamente realizados, contribuíam

significativamente para a determinação do diagnóstico definitivo, possibilitando ao veterinário

relacionar a condição física apresentada pelo animal com as alterações hematológicas.

4. DISCUSSÃO DO RELATÓRIO

O estágio supervisionado se mostrou uma experiência relevante e essencial para a

finalização da formação discente. O mercado de trabalho está cada vez mais exigente no que

tange à profissionais bem capacitados e atualizados. O estágio propiciou a observação de uma

gama de procedimentos realizados por profissionais com diferentes modos de conduta. Essa

diferença foi percebida desde procedimentos simples, como coleta de material para a

realização de urinálise, que variavam entre passar sonda uretral ou realizar cistocentese,

guiada por ultrassom; até a escolha de medicamentos, que variavam em sua base

farmacológica e na forma de administração, se aplicado diretamente no acesso venoso ou se

diluído no soro, para que a administração fosse realizada lentamente e ao longo do dia.

19

Também, verificou-se diferentes formas de proceder diante da presença do

proprietário. Alguns veterinários eram mais minuciosos e preocupavam-se mais em detalhar

as informações, enquanto outros forneciam apenas informações relevantes, sendo mais

concisos. Isto permitiu a reflexão sobre a melhor forma de realizar os procedimentos, levando-

se em conta o conhecimento teórico obtido na Universidade, no decorrer do curso, juntamente

com a experiência prática do aluno.

Os profissionais da Clínica Veterinária permitiam, em algumas situações, que o

estudante vivenciasse a rotina, consentindo a execução de alguns procedimentos, tais como:

quando o animal era encaminhado para o internamento, era permitido ao estagiário realizar os

procedimentos necessários no mesmo, como o cateterismo intravascular e a punção venosa

para a coleta de sangue. Os casos clínicos eram discutidos juntamente com o estagiário, o que

possibilitava o mesmo emitir opinião própria, sendo o conhecimento exposto respeitado,

corroborando com os atendimentos efetuados.

Nas situações em que o aluno não possuía conhecimento dos procedimentos a serem

realizados, o veterinário oferecia ao mesmo uma breve elucidação do caso em questão,

deixando assim um incentivo para que, em ocasiões mais oportunas, o próprio aluno buscasse,

por meio de pesquisa, obter maior instrução sobre o assunto. Essa prática possibilitou a

compreensão de que, todo profissional, independente do seu âmbito de atuação, deve ser

impelido para a constante busca de conhecimento, tendo por escopo chegar às conclusões

concretas e discernir sobre sua decisão.

A oportunidade da prática clínica oferecida no estágio foi de grande relevância para

angariar conhecimento a respeito dos procedimentos e auxiliou significativamente para o

discernimento sobre aptidões e sobre a necessidade de aprimorar técnicas, fato este que por

muitas vezes era impossibilitado na Instituição de Ensino devido às limitações, tais como

carga horária e limite de alunos por disciplina.

A conclusão desta etapa acadêmica é de grande importância para a formação

profissional, visto que permite ao estudante constatar que a área escolhida na Medicina

Veterinária condiz com suas habilidades, o que o incentiva à crescente busca de aprimorar

suas técnicas e adquirir cada vez mais conhecimento.

Além disso, a prática do estágio e a oportunidade de vivenciar relações com

profissionais, estagiários e com os proprietários, possibilitou desenvolver um ponto de vista

crítico do campo de atuação no mercado de trabalho que, diferentemente do que ocorre dentro

de uma universidade, o aluno pode conviver mais proximamente com profissionais, pacientes

20

e funcionários, sendo a mesma positiva e amigável, acrescentando muito na formação do

aluno.

Durante essa vivência, pode-se observar o quanto o mercado exige do profissional, não

só conhecimentos técnico-científicos, como também percepção psicológica e social para lidar

com pacientes, colegas de trabalho e proprietários. Observou-se também quão fundamental é

orientar e instruir corretamente os proprietários no que tange ao tratamento prescrito ao

paciente, sendo o mesmo por vezes vital para a recuperação e cura do animal.

5. RELATO DE CASO: DIROFILARIOSE CANINA

5.1. INTRODUÇÃO

A dirofilariose tem como agente etiológico o helminto Dirofilaria immitis, e é

popularmente conhecida como doença do verme do coração, em referência ao parasitismo que

ocorre nesse órgão (SILVA; LANGONI, 2009). Seu ciclo biológico envolve a participação do

hospedeiro intermediário, que são espécies de dípteros hematófagos (mosquitos), e do

hospedeiro definitivo, que são vertebrados. Diversas espécies de vertebrados podem ser

acometidas pela dirofilariose, sendo o cão aquele com maior incidência. O ser humano pode

se constituir como hospedeiro acidental da doença e, por isso, ela é tida como zoonose pela

Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o ano de 1979 (BARBOSA; ALVES, 2006).

Estudos epidemiológicos realizados em diferentes países revelaram que a dirofilariose

está distribuída mundialmente, tendo sido registrados casos na África, Europa, Ásia, América

do Norte e do Sul (SILVA; LANGONI, 2009). Sua ocorrência é maior em zonas tropicais,

subtropicais e zonas temperadas (MCCALL; GUERRERO, 2010).

No Brasil, a doença é considerada endêmica, com alta incidência de cães

microfilarêmicos (SILVA; LANGONI, 2009). A média nacional de prevalência de infecção é

de 10,17% (BARBOSA, 2006). Ao ser examinada apenas a região Nordeste, observa-se uma

menor incidência deste parasito, com valores de 0% em Alagoas, 4,3% na Bahia e 9,1% no

Ceará (LABARTHE et al., 2003). Na microrregião de Ilhéus-Itabuna, no extremo sul do

Estado da Bahia, registrou-se prevalência de 0% nas amostras dos cães analisados (CARLOS

et al., 2007).

O ciclo biológico da D; immitis se inicia quando o mosquito ingere a microfilária (larva de

primeiro estágio – L1), ao se alimentar do sangue de um hospedeiro vertebrado infectado

(microfilaremia). No mosquito, o parasita se desenvolve de L1 para L2, atingindo o estágio infectante

21

(L3), após 15 a 30 dias. Ao realizar o repasto sanguíneo, o mosquito infecta um novo hospedeiro

vertebrado, inoculando as L3 que migrarão por via subcutânea, até alcançarem a corrente sanguínea.

Após 9-12 dias, essas passarão para L4 e, enfim, chegarão ao estágio L5, deslocando-se até as

artérias pulmonares e se tornando adultas (NELSON; COUTO, 2010). Neste estágio, ocorre um

período pré-patente, com duração de 6 a 8 meses, e que antecede a liberação das microfilárias

pelas fêmeas larvíparas. Após esse período, as microfilárias (L1) são liberadas para a

circulação sanguínea, caracterizando a microfilaremia, que pode perdurar por até 2 anos

(ALMOSNY, 2002) (Figura 6).

Mais de 70 espécies de mosquitos dos gêneros Aedes, Anopheles e Culex constituem-

se como vetores das microfilárias (AHID; LOURENÇO-DE-OLIVEIRA, 1999). Os vetores

Stegomya (S). aegypti e Culex quinquefasciatus são considerados os principais transmissores

da D. immitis na região Nordeste do Brasil (BRITO et al., 2001).

Fonte: http://arquivo.fmu.br/prodisc/medvet/cci.pdf

Figura 6. Representação esquemática do ciclo biológico da dirofilariose canina

22

Ainda que os vertebrados (cão) estejam parasitados pela D. immitis, nem todos

manifestarão os sinais clínicos da doença (SEVIMLI et al.; 2007). Segundo Nelson e Couto

(2010) e Labarthe (2009), a maior parte dos animais não apresenta sinais clínicos, quando a

parasitose não se apresenta de forma maciça, ou seja, não são identificadas grandes

quantidades de parasitas adultos. Nesses casos, o diagnóstico ocorre acidentalmente, como

achado do hemograma de rotina.

De acordo com a apresentação clínica/gravidade, a dirofilariose por ser classificada da

seguinte forma:

• Classe I: a doença se apresenta assintomática, em que as condições físicas gerais do

paciente são ótimas/boas e os exames auxiliares de imagem e laboratoriais mostram

parâmetros normais. Prognóstico favorável (MATTOS JUNIOR, 2008).

• Classe II: a doença pode se manifestar também de forma assintomática, o animal pode

apresentar condições gerais boas ou discretas, todavia, com alguns sinais como espessamento

das artérias pulmonares, leve aumento da câmara cardíaca direita, além de aumento dos

glóbulos brancos e teste antigênico positivo. Prognóstico favorável/reservado (MATTOS

JUNIOR, 2008).

• Classe III: nesta classe a condição do animal se agrava e ocorre tosse persistente, dispnéia,

hemoptise, insuficiência cardíaca congestiva direita, perda de peso e tromboembolismo,

podendo este estar relacionado às complicações após tratamento adulticida. Prognóstico

desfavorável (MATTOS JUNIOR, 2008).

Os parasitas adultos são encontrados geralmente alojados no ventrículo direito do

coração e nas artérias pulmonares, e eventualmente na veia cava caudal, na veia hepática e nas

veias coronárias (ALMOSNY, 2002; HODGES; RISHNIM, 2008; MATTOS JUNIOR, 2008;

PAES-DE-ALMEIDA et al. 2003). Consequentemente, dentre as manifestações clínicas se

destaca a insuficiência cardiorrespiratória (BOWMAN; ATKINS, 2009; SEVIMLI et al.,

2007). O acúmulo de grande número de helmintos adultos no átrio direito do coração, na

válvula tricúspede e veia cava cranial e caudal levam o animal a desenvolver a síndrome da

veia cava (ALMOSNY, 2002; MATTOS JUNIOR, 2008), caracterizada por manifestações

como fraqueza, anorexia, depressão, tempo de preenchimento capilar aumentado, distensão da

veia jugular, dispnéia, hepatoesplenomegalia, hemoglobinemia, colapso e choque. A morte

pode ocorrer poucas horas após o aparecimento das manifestações clínicas (ALMOSNY,

2002; URQUHART et al., 1996;).

Também foram descritas alterações como epistaxe, coagulação intravascular

disseminada (CID), colapso, trombocitopenia e hemoglobinúria podem estar ligadas à doença

23

pulmonar grave e tromboembolismo (URQUHART et al., 1996; ALMOSNY, 2002).

Eventualmente, ocorrem migrações aberrantes, sendo mais frequentes nos gatos que nos cães

(BUNCH et al., 2001). Tais migrações anormais podem ser para o sistema nervoso central,

olhos, artéria femoral, subcutâneas, cavidade peritoneal e outras regiões, causando sinais

clínicos referentes a tais sistemas.

Além das alterações patológicas causadas pela D. immitis, há mais de três décadas,

bactérias do gênero Wolbachia foram identificadas como parte do corpo central das

microfilárias D. immitis (BENDAS apud KOZEK, 1967). A ligação de bactérias e filarídeos

tornou-se o centro de inúmeros estudos, desde 1995, e atualmente crê-se que essas bactérias

exerçam relevante papel no desenvolvimento, reprodução e sobrevivência do parasita D.

immitis (KOZEK, 2005). Após a morte dos nematódeos, grandes quantidades de bactérias são

liberadas, estimulando o sistema imune do hospedeiro, e colaborando para que mudanças

patológicas ocorram (KRAMER et. al., 2004;).

Considerando os aspectos mencionados, percebe-se que é de extrema importância o

reconhecimento da dirofilariose na população canina, em suas diferentes fases de

manifestação clínica. Tal reconhecimento possibilita que o tratamento seja instituído o quanto

antes, visando não só evitar as consequências patológicas da infecção pela D. immitis, como

também para impedir que a mesma seja transmitida a outros vertebrados. Nesse sentido, os

animais assintomáticos merecem especial destaque por serem focos “silenciosos” de

transmissão, constituindo como reservatórios das microfiláriais, durante o repasto dos

hospedeiros intermediários, e destes para outros vertebrados, como o ser humano

(BOCARDO et al., 2001).

Portanto, objetiva-se neste trabalho relatar um caso de dirofilariose em uma cadela,

cujo o diagnóstico ocorreu de forma acidental. Serão abordados e discutidos aspectos

epidemiológicos, clínicos, diagnósticos e terapêuticos, inerentes ao caso.

5.2. RELATO DE CASO

No dia 24 de novembro de 2015, foi atendida na Clínica Veterinária particular, um

animal da espécie Canis familiares, fêmea, da raça Labrador, com 4 anos de idade e

pesando 40 Kg, residente no município de Porto Seguro/Bahia.

Na anamnese, a proprietária relatou que havia levado o animal ao atendimento pois

este estava apresentando cansaço e tinha tido um episódio convulsivo, todavia, além

24

dessas queixas o animal apresentava-se bem, alimentando e ingerindo água normalmente,

não apresentando vômito, diarreia ou qualquer outra alteração.

Como informações sobre o manejo do animal, esse convive com outro animal da

mesma espécie e raça, que pertence a outro proprietário. O paciente tem acesso à rua sob

supervisão e habita local aberto com parte gramada e parte de piso. O calendário vacinal

estava atualizado, sendo confirmadas a aplicação das vacinas de viroses e a antirrábica. O

proprietário não sabia informar quanto a última everminação realizada.

Ao exame físico, observou-se mucosas normocoradas, linfonodos normais, tempo de

preenchimento capilar inferior a 3 segundos, boa hidratação e escore corporal. A temperatura

era de 39,2ºC, pele e pelos limpos, não sendo verificada a presença de parasitas. Na ausculta

pulmonar e cardíaca não foram detectadas alterações. O paciente se mostrou responsivo e

ativo ao ambiente e estímulos.

Tendo em vista as alterações reportadas pelo histórico da proprietária, procedeu-se

com a coleta de amostra de sangue, para a realização de hemograma, cujos resultados

encontram-se descritos na Figura 7.

*KIRK et al, 1999.

Figura 7. Resultado do exame de hemograma, realizado em 24 de novembro de 2015, na cadela

labrador, de quatro anos de idade, revelando como alterações leucocitose com

linfocitose, trombocitopenia, hiperproteinemia e a presença de microfilárias.

Foram constatadas as alterações de leucocitose linfocítica, trombocitopenia e

hiperproteinemia. No esfregaço sanguíneo, constatou-se a presença de microfilárias na

25

amostra. Destarte, a amostra de sangue foi centrifugada e usada para a detecção de

antígenos de Erlichia canis, Anaplasma phagocytophilum e/ou Anaplasma platys,

Dirofilaria immitis e Borrelia burgdorferi, por meio da técnica de ELISA, de acordo com as

recomendações do fabricante (SNAP® Test 4DX) (Figura 8), sendo confirmada a

positividade da reação. A partir da realização desse teste foi confirmada a positividade da

reação do antígeno de Dirofilaria immitis e Ehrlichia canis.

Figura 8. Teste rápido de ELISA (SNAP® Test 4DX), realizado em amostra sorológica de

cão da raça Labrador, indicando reação positiva à presença de antígenos contra D.

immitis (seta amarela) e Erlichia canis (seta vermelha) em 24 de novembro de 2015.

Diante desses resultados, foram realizados também exames complementares como

dosagem sérica de uréia, creatinina, alanina aminotransferase (ALT) e fosfatase alcalina (FA),

cujos valores estavam dentro dos parâmetros de normalidade para a espécie (Figura 9).

26

*KIRK et al, 1999.

Figura 9. Resultados do exame bioquímico (ureia, creatinina, alanina aminotransferase e

fosfatase alcalina) realizada na amostra sorológica da cadela Labrador, em 25 de

novembro de 2015.

Foram realizadas radiografias torácicas do animal, nas projeções dorsoventral e

laterolateral (Imagem 10A e B). Observou-se aumento do tronco da artéria pulmonar, e

aumento do átrio direito, conforme indicado pelas setas.

Figura 10. Radiografia torácica de cadela labrador, com diagnóstico de dirofilariose. (A)

Projeção Dorsoventral (B) Projeção Lateral. Observa-se pronunciado aumento do

tronco da artéria pulmonar e aumento do átrio direito.

Três dias após a primeira consulta, o proprietário retornou à clínica para que o

animal passasse por exames físicos. Nessa ocasião, a equipe veterinária apresentou os

27

resultados obtidos em todos os exames realizados esclarecendo assim o diagnóstico e

tratamento do paciente.

O tratamento instituído pelos médicos veterinários consistiu na administração de três

ciclos de um antibiótico da classe das tetraciclinas, denominado doxiciclina. Cada ciclo

deveria ser realizado durante 21 dias (10 mg/kg/SID/via oral), com intervalo de 3 meses

entre um ciclo e outro.

No dia 08 de janeiro de 2016 realizou-se novo hemograma (Figura 11). Os resultados

evidenciaram leucocitose com linfocitose. Houve leve aumento do número de plaquetas, em

relação ao exame anterior, assim como ligeira diminuição das proteínas totais. O

hemograma revelou ainda que o animal se encontrava com discreta anisocitose com

microcitose, sendo ainda observada a presença de microfilárias no mesmo.

Ainda restavam dois ciclos de administração de doxiciclina, para a conclusão do

tratamento instituído pelo veterinário responsável. Até o término da confecção desse relato,

o cão encontrava-se ativo, apresentando boa condição física e nutricional, assim como no

início do tratamento.

*KIRK et al, 1999.

Figura 11. Resultado do exame de hemograma, realizado em 24 de dezembro de 2015, na

cadela labrador, após o término 1º ciclo do tratamento com administração de

Doxiciclina, durante 21 dias. Evidencia-se como alterações leucocitose com linfocitose,

leve trombocitopenia e a presença de microfilárias.

28

5.3. DISCUSSÃO

A dirofilariose é um desafio para os médicos veterinários, visto que a doença é de

difícil diagnóstico clínico, pois pode ser assintomática ou apresentar sintomas comuns a outras

enfermidades. Descreveu-se, no presente relato, um caso de dirofilariose que acometeu um

cão fêmea, Labrador, com 4 anos de idade, residente na cidade de Porto-seguro/Bahia.

Comparando com os dados da literatura, cães com idade entre 4 e 8 anos são os mais

afetados pela doença (NELSON; COUTO, 2010). Embora não haja predisposição por raça,

cães de grande porte são comumente afetados, pois normalmente são mantidos em locais

abertos, tais como varandas ou quintais (NELSON; COUTO, 2010). Este fato está de acordo

com o manejo adotado para o animal do caso relatado, que vivia no quintal, estando mais

suscetível aos mosquitos hematófagos. Em relação ao sexo, há divergências nas informações.

Alguns autores afirmam não haver diferença significativa na incidência entre machos e fêmeas

(MARTIN; COLLINS, 1985); enquanto outros afirmam que cães do sexo masculino são

acometidos duas a quatro vezes mais que as fêmeas (NELSON; COUTO, 2010).

No histórico do animal havia o relato de cansaço e convulsão, não havia maiores detalhes

acerca desses episódios em relação à data em que os mesmos ocorreram. Clinicamente, o

processo parasitário da dirofilariose pode ser assintomático ou caracterizar-se pela presença de

fadiga, dispneia ou tosse crônica, podendo o animal manifestar cansaço, mesmo estano em

repouso (OLSON et al. , 1982). Quanto ao surgimento súbito de sinais neurológicos, a

literatura descreve que sinais como convulsão, cegueira aparente, andar em círculo, midríase e

hipersalivação estão muitas vezes associados à migração aberrante dos vermes (BUNCH et

al., 2001).

O diagnóstico do animal em estudo foi obtido mediante visualização das microfilárias

em esfregaço sanguíneo, visualização de movimento no tubo de hematócrito e teste sorológico

(ELISA). Foram identificadas a presença de microfilárias através do microscópio, utilizando-

se uma gota de sangue fresco para confecção de esfregaço sanguíneo em espesso, corados

com Giemsa em lâmina de vidro. As microfilárias não foram contabilizadas pela patologista

clínica do centro veterinário, contudo pode-se observar no esfregaço sanguíneo a presença de

parasitas em nível moderado, que segundo a literatura podem ser observadas em quantidade

variável (URQUHART et. al., 1996). A presença de microfiláras também pode ser verificada

por meio de análise do movimento por baixo da buffy coat (capa leucocitária) no tubo de

microhematócrito, sendo este um modo eficaz para detecção da D. immitis (ETTINGER;

FELDMAN, 2004). Segundo Nelson e Couto (2010) os testes sorológicos, para detecção de

29

antígenos, atualmente disponíveis são altamente sensíveis. As drogas de uso mensal para

prevenção da dirofilariose favorecem a ocorrência de infecções ocultas por eliminarem

virtualmente as microfilárias circulantes, contudo os testes antigênicos possuem alta

sensibilidade para diagnóstico da dirofilariose. O teste usado no relato, o SNAP test (IDEXX

Laboratories) detecta antígeno circulante do trato reprodutivo da fêmea e, segundo o

fabricante, apresenta uma boa sensibilidade (em torno de 99,2%), sendo capaz de detectar até

mesmo 1 ou 2 fêmeas de D. immitis. A desvantagem do SNAP test é a não identificação de

parasitas machos e, assim como a maioria dos testes, não detecta infecções com menos de 5

meses. Um grande número de animais infectados pode não apresentar a microfilaremia em

virtude da infecção estar no período de pré-patência, que baseia-se em nematoides unissex ou

quando ocorre a destruição dos parasitas por meio de fármacos (BOWMAN, 2009).

A literatura cita ainda que o diagnóstico da dirofilariose pode ser feito por meio de

testes moleculares e através do teste de Knott, sendo o teste de Knott modificado o teste de

maior sensibilidade (SILVA; LANGONI 2009), todavia o laboratório de análises clínicas da

clínica veterinária não realizou o mesmo, que segundo a patologista clínica, no período em

que se realizou o estágio, a instituição não dispunha desse serviço. Entretanto, no presente

caso, a observação das microfilárias no esfregaço sanguíneo e a positividade no teste

sorológico já confirma o diagnóstico de dirofilariose. A literatura mostra que apesar de o

esfregaço sanguíneo direto ser um teste de triagem, o mesmo não é recomendado como teste

de rotina, visto que para sua detecção é necessário que o animal esteja infectado com uma

grande quantidade de larvas (AHS, 2007), o que nos leva a pensar que o animal em estudo

pode se encontrar em um quadro grave de dirofilariose.

No primeiro hemograma realizado no dia 24 de novembro de 2015 foram observadas

leucocitose com linfocitose e hiperproteinemia como alterações hematológicas. Alterações

como leucocitose e linfocitose ocorrem em decorrência ao quadro inflamatório causado por

infecções (ROGERS, 2011), tal resposta imunitária pode resultar em trombocitopenia

imunomediada, sendo este mecanismo não esclarecido pela literatura, no entanto, considera-se

que a indução ou alteração de antígenos do hospedeiro possam causar essa resposta (DAY,

1999). Outros autores relatam que a trombocitopenia aparece em decorrência do consumo

plaquetário através do sistema arterial pulmonar (NELSON; COUTO, 2010). No paciente

estudado, observou-se a ocorrência de trombocitopenia nos hemogramas realizados nos dias

24 de novembro e 24 de dezembro de 2015, Atkins (2010) trata da mesma como alteração

comum em casos crônicos da enfermidade. Essa alteração também pode estar associada à

erliquiose, visto que o animal obteve resultado positivo para a Erlichia canis, onde a alteração

30

encontrada de forma recorrente nos hemogramas de animais acometidos pela erliquiose é a

trombocitopenia (ALMOSNY, 2002). De acordo com estudos realizados, a infecção por D.

immitis causa glomerulopatia em cerca de 43% dos animais acometidos pela doença, sendo

esta patologia renal associada aos achados de hiperproteinemia em animais positivos para

dirofilariose (AIKAWA et. al., 1981). Quanto à observação de hemácias em rouleaux, estas

são decorrentes ao aumento da concentração de proteínas no sangue (HENDRIX, 2002), como

se sabe que havia hiperproteinemia, tal alteração pode ser explicada por este achado.

Os exames bioquímicos foram realizados para avaliar se ocorreram alterações

hepáticas e/ou renal, no entanto, foi verificado que não houveram alterações. A literatura

relata que a grande maioria dos cães infectados por dirofilárias apresentam parâmetros das

enzimas hepáticas normais ou apenas com leve alteração (ETTINGER; FELDMAN, 2004).

Exames de imagem também são de grande auxílio, sendo que a radiografia

proporciona o meio mais efetivo para avaliação da gravidade da enfermidade cardiopulmonar

decorrente da infecção pela D. immitis, são considerados quase que patognomônicos os

sintomas de dilatação das artérias pulmonares, em particular a parte caudal dos lobos

diafragmáticos (AHS- Current Canine Guidelines, 2014). O raio-x de tórax é o exame que

proporciona maior número de dados no que tange à gravidade da doença (CALVERT;

RAWLINGS, 2002), e foi por meio deste recurso que foi possível visualizar que a artéria

pulmonar do paciente estudado apresentava-se dilatatada. Tal fato acontece em virtude da

presença do parasita nos ramos arteriais pulmonares, resultando em uma reação

granulomatosa (THEIS, 2005). Alho et. al., (2014) destacam que a dirofilariose canina é uma

doença de progressão crônica, que afeta inicialmente as artérias e posteriormente o

parênquima pulmonar e o coração. Entre 21 e 30 dias depois da chegada dos parasitas em

estágio adulto, sucedem proliferações vilosas da camada íntima, essas são as responsáveis

pela diminuição da complacência e do diâmetro da luz dos vasos. Essas modificações acabam

por levar a um dano adicional no endotélio, formando assim lesões proliferativas. As

alterações patológicas vasculares começam poucos dias depois das jovens dirofilárias terem

entrado nas artérias pulmonares (NELSON & COUTO, 2010). A presença de tais parasitas

que habitam no fluxo da saída pulmonar impedem a entrada de sangue para os pulmões, o que

pode explicar o cansaço do animal estudado. Através da avaliação radiográfica é possível

observar que em decorrência da proliferação das vilosidades, conforme descrito na literatura,

ocorre dilatação da artéria pulmonar, resultando em aparência tortuosa (ETTINGER;

FELDMAN, 2004).

31

Cães acometidos pela dirofilariose examinados pelo ecocardiograma podem apresentar

dilatação ventricular direita, hipertrofia de parede no ventrículo direito, átrio direito e artérias

pulmonares (TILLEY, 2008) todavia, visto que a clínica veterinária não possuía equipamentos

específicos para avaliação cardíaca (ecocardiograma/eletrocardiograma) pode-se observar

alterações no tamanho da artéria pulmonar e do átrio direito através da radiografia realizada.

Apesar de não ser confirmada uma enfermidade cardíaca decorrente da presença do parasita

devido à impossibilidade de realização dos exames, as alterações encontradas colaboraram

com o diagnóstico de dirofilariose. Tendo em vista o possível comprometimento cardíaco,

faz-se necessária que haja uma minuciosa avaliação acerca do quadro do paciente, visto que

sem o tratamento adequado a situação tende a agravar-se, colocando o bem-estar e a vida do

mesmo em risco.

Quanto ao animal contactante, a proprietária informou que ela não era a responsável

pelo mesmo, mas que ao ser levado à outra clínica veterinária, foram realizados exames de

sangue e sorológico no mesmo, que não apresentou nenhuma alteração. É aconselhado a

realização de exames para antígenos de parasitas adultos como principal teste de triagem

para detecção da dirofilariose em cães. As provas de antígeno que existem atualmente são

precisas, pois os kits comerciais de testes disponíveis se embasam em análises imunológicas

para detecção de antígenos circulantes no trato reprodutivo da fêmea adulta do parasita.

Visto que o animal acometido é portador e transmissor em potencial da doença, faz-se

necessária a realização de um novo teste sorológico no animal contactante, pois a eficácia de

tais testes na detecção da D. immitis só pode ser confirmada depois de 7 meses de infecção,

sendo este o tempo necessário para que o ciclo biológico do parasita se complete no

hospedeiro e, dessa forma, as fêmeas entrem na fase de reprodução (NELSON; COUTO,

2010).

Assim como no animal estudado, na maior parte dos casos em que é verificada a

presença da D. immitis os animais são identificados como positivos por meio de achado

laboratorial acidental em hemograma de rotina, visto que a grande maioria dos animais

acometidos pela dirofilariose se mostram assintomáticos. No caso de cães que vivem em áreas

endêmicas da D. immitis, faz-se necessária a realização de exames anuais, com o intuito de

detectar microfilárias (ETTINGER; FELDMAN, 2004). Esta é uma relevante informação que

deve ser transmitida à proprietária do animal, visto que o animal vive em uma área litorânea,

com clima úmido, temperatura alta e com grande presença de mata o que contribui para a

presença de mosquitos transmissores da dirofilariose (CIRIO, 2005). Os veterinários da

clínica relataram que este não foi o primeiro caso de diagnóstico de dirofilariose na

32

instituição, e que na região de Trancoso (distrito de Porto Seguro) frequentemente são

diagnosticados, pela veterinária do distrito, animais com dirofilariose. A coordenação da

vigilância sanitária e epidemiológica do município já foi comunicada quanto à incidência da

zoonose na região, porém, até o momento não foi tomada nenhuma providência. Os

proprietários de animais com diagnóstico de dirofilariose confirmado, não receberam

nenhuma visita por parte dos órgãos públicos de saúde. Em virtude da quantidade de casos

relatados pelos profissionais veterinários da região, é de grande relevância a realização de um

levantamento epidemiológico em Porto Seguro e seus distritos, com intuito não só da

identificação de animais positivos como também para diminuir/evitar a transmissão tanto para

animais como para o homem.

No caso relatado, o animal possuía 4 anos de idade, sendo esta compatível com a faixa

etária de maior acometimento da doença, visto que a presença do filarídeo é mais freqüente

em animais a partir de dois anos (MARTIN; COLLINS 1985).

O tratamento de infecções por D. immitis geralmente inclui três fases diferentes, onde

na primeira elimina-se os parasitas adultos, na segunda elimina-se as microfilárias da

circulação e por fim, na terceira as fêmeas do parasita são esterilizadas através de

antibioticoterapia (LABARTHE; ALVES; SERRÃO, 2002). A destruição dos vermes adultos

pode ser realizada através da administração de hidrocloridrato de melarsomina (Immiticide®),

intramuscular profunda, porém esse medicamento não é comercializado no Brasil. Uma

alternativa é usar a ivermectina associada ou não ao pamoato de pirantel, mensalmente e por

via oral, durante pelo menos 12 meses consecutivos. Tal tratamento apresenta grande eficácia

contra vermes em estágios larvais pré-cardíacos e jovens adultos (tempo inferior a 7 meses de

infecção) (MCCALL et. al., 1998; AHS, 2005), porém para obtenção de resultados eficazes

também no tratamento adulticida, faz-se necessário o uso mensal e contínuo da ivermectina

por dois anos ou mais (MCCALL et. al., 2004; NELSON et. al., 2005).

O efeito dos antibióticos tem ganhado notável consideração por parte de estudiosos,

tendo em vista que bactérias do gênero Wolbachia participam não só das reações negativas

que acontecem nos hospedeiros como também são responsáveis por manter as funções básicas

de algumas espécies de nematoides, dentre elas a D. immitis (CASIRAGHI et. al., 2002). A

doxicilina possui meia vida mais longa, podendo o tratamento ser realizado com intervalos de

24 horas, excelente penetração no sistema nervoso central e sua eliminação é por via não

biliar com baixa porcentagem renal, fazendo dessa a droga de escolha até mesmo para

pacientes azotêmicos (PLUMB, 2002). Diante da relevância das bactérias do gênero

Wolbachia para a manutenção das funções vitais de nematódeos como D. immitis

33

(CASIRAGHI et. al., 2002), visto que a mesma interage com o organismo do animal

acometido no decorrer das infecções caninas e participa não só do desenvolvimento da

doença, bem como atua na regulação da resposta imune do hospedeiro, o veterinário

responsável pelo caso optou pela administração de doxiciclina. Quando a bactéria é

combatida, isto afeta não só a fecundidade como também a sobrevivência das microfilárias.

Porém, faz-se necessário nesse ponto inferir que tal antibiótico é eficaz contra bactérias e

parasitas em estágio larval, assim, a utilização isolada da doxiciclina não garante grande

chance de cura, uma vez que o animal precisa também de terapia contra parasitas adultos.

Bendas et. al., (2008) analisaram o resultado da utilização do antibiótico doxiciclina

no tratamento de microfilaremia de cães naturalmente infectados por D. immitis, o estudo

revelou que o último dia de cada ciclo de antibiótico a contagem das microfilárias

demonstrava ser mais baixa, mostrando assim que este medicamento possui efeito lento,

porém se mostrou eficaz não só na redução do número de microfilárias como também evita a

transmissão destes parasitas a outros animais. Após o primeiro ciclo de doxiciclina do animal

estudado, pode-se observar a presença de microfilárias, porém não se pode informar se a

quantidade das mesmas diminuiu, visto que não foi realizada a contagem durante análise

laboratorial.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária permitiu vivenciar a

rotina de importantes instituições veterinárias, exercer na prática o conhecimento teórico

recebido durante as aulas, possibilitou também novas experiências e aprendizado visto que

houve a oportunidade de conviver com diferentes profissionais e vivenciar os diferentes casos

que a rotina da área escolhida nos proporciona, sendo esta a área da clínica médica de

pequenos animais. Este representou um importante meio de aprendizado de novas técnicas de

abordagem clínica, terapêutica e diagnóstica, o que nos torna melhor capacitados para o

mercado de trabalho.

Após concluir o estágio curricular supervisionado nossa faculdade perceptiva nos

mostra a relevância desse momento em nos tornar aptos para enfrentar uma nova etapa

repleta de incertezas e dificuldades, fatores esses que nos estimulam à constante busca pelo

conhecimento que precisa ser atualizado a todo momento.

O raciocínio clínico demanda conhecimento prévio para que haja subsídio às

dúvidas e principalmente, para melhor compreensão das condutas adotadas na rotina. No

34

decorrer da graduação objetivou-se melhor e maior aproveitamento das oportunidades que

apareceram. O estágio foi relevante, não só por possibilitar ao aluno angariar maior

conhecimento, como também permitiu que os percalços fossem superados e as habilidades

aprimoradas.

Posto isso, o relato de caso estudado e vivenciado possibilitou que fosse discernido

que o fator de maior relevância na luta contra a dirofilariose canina é tomar medidas

profiláticas, visto que ao contrário do tratamento, a prevenção se mostra simples e eficaz. Para

tal, é necessário que a classe médica veterinária se empenhe em fornecer informações sobre

esta zoonose à população, visto que a educação em saúde somada à pesquisa aprofundada atua

como atividade importante para prevenção da dirofilariose. Deve-se ressaltar também a

importância dos exames de rotina, visto que o mesmo possibilitou diagnosticar a doença,

mesmo o animal não manifestando sinais clínicos. Se não for tratada a tempo a dirofilariose

pode tornar-se fatal. Destarte, em regiões onde a dirofilariose é diagnosticada com frequência

faz-se necessário o acompanhamento preventivo de todos os cães, sendo a prevenção a forma

mais segura para proteger não só os cães, como também o homem.

35

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