coral hoyle - adorvel libertino

Download Coral Hoyle - Adorvel libertino

Post on 09-Apr-2018

221 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • 8/8/2019 Coral Hoyle - Adorvel libertino

    1/51

    Ttulo: Adorvel libertinoAutor: Coral Hoyle

    Ttulo original: The Virgin's heartDados da Edio: Editora Nova Cultural 1991

    Publio original: 1989Gnero: Romance histrico

    Digitalizao e correo: NinaEstado da Obra: Corrigida

    Ao deparar com Alexander Monk, depois de quatro anos sem v-lo, o corao de Roxane disparou, emocionado. Como

    podia sentir-se to perturbada diante daquele libertino irresponsvel que matara seus sonhos de amor?Quando rompera o noivado com ele, jurara nunca mais amar. No entanto, Alexander tambm fizera um juramento:reconquistar o amor de Roxane, mesmo que para isso tivesse de enfrentar o ameaador fantasma da Abadia: o Monge

    Branco.

  • 8/8/2019 Coral Hoyle - Adorvel libertino

    2/51

    Prlogo

    Um vulto se destacou brevemente numa rea enluarada e, logo depois, um homem entrou na biblioteca deRammsford Abbey. O intruso deu alguns passos e observou o ambiente, fracamente iluminado pelas brasas na lareira. As-soviou de leve.

    Um grande dogue alemo enfiou a cabeorra pela porta de vidro entreaberta que levava ao jardim de inverno. Ficouparado como quem sabe que se encontra em territrio proibido.

    Aqui, Dolf!O dono enfiou a mo na coleira, puxou o animal e fechou a porta. Dolf entrou e, ainda relutando, seguiu o dono:

    passaram sobre o grande tapete de Axminster, ouviram passos se aproximando e pararam. Os passos se afastaram e restouapenas o burburinho de vozes vindo da sala de visitas.

    O dono e o co se aproximaram das prateleiras embutidas na parede mais afastada. O homem ergueu o brao epassou o dedo nas lombadas rachadas dos livros encadernados em couro vermelho da prateleira mais alta. Os dirios de sirJonathan, primeiro proprietrio da secular abadia, estavam preservados ali para seus descendentes. O intruso observou asdatas e apanhou o livro datado de 1665 e se aproximou da lareira.

    Agachado no cho, folheou as pginas amareladas luz fraca das brasas. Parou ao encontrar a passagem que ointeressava e leu a anotao de sir Jonathan:

    "Na antiga fundao do tempo Comea a busca com a rima.Se destemido fores, e leal, Teus passos no lamentars".

    Esta primeira indicao encabeava o relato da caa ao tesouro organizada por sir Jonathan. Havia uma generosarecompensa destinada a quem achasse o tesouro e o desenho de uma grande cruz cravejada de pedras preciosas, com aindicao de que era aquele O Corao da Virgem.

    O homem riu baixinho, e seus olhos brilharam. Esperei por isto durante toda a minha vida murmurou ao ouvido do cachorro, que lhe lambeu a mo. O

    homem esfregou a mo na manga oposta com uma careta de nojo. Pare, Dolf!Embora estivesse perto das brasas, o homem percebeu de repente que o ar na biblioteca se tornava gelado. Levantou

    os olhos, mas as portas continuavam fechadas. Aguou os ouvidos. As mesmas vozes continuavam a conversa na sala.Dolf arreganhou os dentes e comeou a rosnar. O homem apertou seu focinho. Quieto sussurrou.

    O rosnado se transformou em ganido, e o homem ps o livro no cho, para acalmar o co, que se encolhera todo. O que h, cachorro estpido? Quer que todos saibam que estamos aqui?

    o homem sussurrou.O dogue no lhe prestou qualquer ateno apenas olhava para o livro. De sbito, as pginas comearam a virar,

    como se agitadas pelo vento. Na biblioteca no havia qualquer corrente de ar. Dolf baixou a cabea sobre as patas, ganindo.O homem olhou para o livro e pensou ter vislumbrado uma luz branca passando sobre a pgina aberta. Quando se

    aproximou, sentiu um frio mais intenso, terrvel. Seus olhos caram sobre o nome Monge Branco. Que esquisito! murmurou, e fechou o livro com o p.

    Olhou ao redor e decidiu que a luminosidade fraca e bruxuleante das brasas que criava imagens estranhas.Ps o livro no lugar, verificou se no deixara vestgios de sua visita e dirigiu-se porta envidraada, para sair dali.

    Quando abriu, Dolf esperou seu sinal, passou rpido a seu lado e se enfiou no estreito jardim de inverno, o antigo claustroda abadia. Praguejando, agarrou a coleira do animal.

    Quieto, agora murmurou. Seguiram pelo jardim de inverno, entre grandes vasos com palmeiras. Dolf quis

    parar ao lado de uma planta e ganiu. Aqui no avisou o dono.Ao passar por uma das janelas da sala de visitas, o homem ouviu uma voz feminina e parou.Olhou atravs de uma fresta das cortinas. Na sala, uma senhora de ombros largos estava sentada, muito ereta, numa

    poltrona de encosto reto. O vestido juvenil, enfeitado com muitos laos, no realava a aparncia da mulher de meia-idade eexpresso severa. Dois cavalheiros pareciam no prestar ateno s palavras dela, enquanto um terceiro, parado atrs da

    poltrona, ouvia com exagerada ateno.O intruso pensou, sarcstico, que a famlia Monk era orgulhosa mas libertina. Merecia algum igual a lady Moyneton

    para dirigi-la. Sabia que ela os fustigava sempre com palavras e sorriu satisfeito. Afastou-se da janela. No podia demorar ali.Logo a casa seria trancada para a noite. Cuidadosamente, saiu do jardim de inverno e se dirigiu ala da administrao da

    propriedade e do gabinete de milorde.Lanou uma praga contra os Monk, que viviam no luxo. Era uma injustia do destino. Ele possua to pouco, e

    eles viviam na fartura.

    Capitulo I

    Lady Alfreda Moyneton, enquanto brincava com um dos numerosos laos de seu vestido, aspirou um bocado dear, preparando-se para mais uma declarao.

    Alex j teve mais amantes do que at mesmo o Regente sonharia ter! Observou com severidade osobrinho que segurava suas cartas do outro lado da mesa.

  • 8/8/2019 Coral Hoyle - Adorvel libertino

    3/51

    Madame, a senhora est exagerando. Os olhos escuros indicavam pacincia e tdio. Tolice! No estou! Milady jogou uma carta na mesa. Voc igualzinho a seu pai. Foi sorte sua

    me morrer to moa, caso contrrio ela... Mas isto no vem ao caso! Por outro lado, a famlia teria uma opiniomelhor de seu pai, se ele no tivesse desperdiado suas propriedades para financiar projetos nebulosos.

    Madame, tenha a bondade de evitar comentrios sobre assuntos que a senhora desconhece retorquiuAlex, inclinando-se um pouco para a frente, e jogou na mesa um valete, como isca. No se pode culpar um homem

    por tentar investir. Um homem como voc s pode pensar assim. Ela jogou um s.No tem escrpulos e se tornou

    um mercador! No vou pedir desculpas por me dedicar ao comrcio. Mas se a senhora insiste que no tenho escrpulos

    respondeu ele, arrastando as palavras , deve ser verdade. Afinal, todos sabem que a senhora est sempre certa...Descartou um dez, fazendo a tia ficar muda por instantes.

    Toda a cristandade sabe se intrometeu o capelo de milady, depois de pigarrear que nossacaridosa lady Moyneton um extraordinrio exemplo de...

    Pare com isto, Titler. Ela silenciou o clrigo com um gesto. Alexander, acho que voc deve ser admiradopor sua tentativa de refazer o patrimnio de seu pai... nem que seja mediante o comrcio. Mas houve aquele seu casoinconveniente com os investidores e o plano de financiar um garimpo de diamantes no Continente Negro. Explique-me isto!

    Os dedos que seguravam as cartas se afrouxaram um pouco, e ele deslizou para frente sobre a cadeira, para seaproximar mais da adversria.

    Como empresrio, preciso fazer uma distino entre um empreendimento honesto e uma quimera. Os diamantessero encontrados. Continuo acreditando firmemente em minha teoria, que se fundamenta no raciocnio.

    Com ar triunfante, colocou as suas cartas na mesa, todas figuras, exceto trs ases. A tia, derrotada, ficou rgidae deixou cair suas prprias cartas na mesa. O vencedor afastou a cadeira, esticou as pernas compridas e mostrou umsorriso encantador.

    Lady Moyneton fechou ruidosamente seu leque. Teoria? Bobagem! Olhou para seu filho que, em silncio, observava a noite. Falou muito pouco a

    respeito, lorde Moyneton! E continuou, sarcstica: Milorde, como quarto conde de Rammsford, conceda-nos seu ponto de vista, por favor.

    Lorde Moyneton afastou-se da janela para se juntar ao grupo perto da lareira. A senhora realmente deseja conhecer minha opinio, mame? perguntou, escolhendo uma poltrona

    bem longe dela. Quero conhec-la, sim.

    Muito bem... O lorde parecia determinado e continuou, escolhendo as palavras com cuidado: Acho que Alex, que afinal est com trinta e trs anos, tem o direito de escolher como deseja viver e no precisa deinterferncias. Seu comportamento assunto que apenas ele deve decidir.

    Alexander observou a tia, apesar de saber qual seria sua reao s ousadas palavras, e admirou o primo pelacoragem.

    Lady Moyneton olhou para o filho como se este no soubesse o que estava dizendo. John, voc sempre teve ideias que eu considerava bastante imprprias, alis como seu falecido pai, que

    foi um homem realmente irritante. Mas voc filho dele e, por direito de nascimento, agora o chefe da famlia.Assumiu seu ttulo mais de um ano atrs. Desde que cheguei para visit-lo, j repeti muitas vezes que sua obrigaoescolher uma esposa para continuar a linhagem dos Monk.

    No pretendo me casar com uma megera, nem por sua causa nem por causa do nome da famlia. A jovem no precisa ser uma megera ela retrucou. Como John pode saber que no se trata de uma megera? interferiu Alexander, em tom de desafio.

    As jovens da sociedade so muito espertas. Nunca revelam a verdadeira personalidade at depois do enlace. E aquelas senhoritas londrinas me entediam explicou lorde Moyneton torcendo os lbios. J percebi sua reticncia quando se encontra com jovens da sociedade. Voc tmido como eu, mas

    podemos encontrar uma maneira de contornar esta sua atitude. Aqui, nas redondezas, temos moas de procednciavigorosa e...

    Tia Alfreda, no me faa corar falou Alexander com um sorriso irnico. Todas estas aluses procriao no so