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<ul><li> 1. A formao e a iniciao profissional do professore as implicaes sobre a qualidade do ensino Com a colaborao de Gisela Wajskop </li></ul><p> 2. A formao e a iniciao profissionaldo professore as implicaes sobrea qualidade do ensinoBrasil2009 idea Instituto de Evaluacin y Asesoramiento Educativo (Grupo SM, Espanha)digitao a tabulao de dados Synovate BrasilConsultoria Gisela Wajskop (Instituto Superior de Educao de So Paulo - Singularidades) So Paulo, 22 de outubro de 2009 3. SUMRIO 4. 4 Introduo 8 1. Objetivos e instrumentos de coleta de informaes13 2. A opinio dos docentes14 2.1 A formao inicial23 2.2 A competncia profissional30 2.3 As relaes com os pares32 2.4 As atitudes e os valores36 2.5 A integrao s escolas43 2.6 A recordao dos primeiros anos52 2.7 Fatores que influenciam na qualidade dos professores56 3. Concluses603.1 A iniciao dos professores na carreira docente62 3.2 Recomendaes64 Bibliografia 5. INTRODUO 6. A educao o campo de batalha sobre o qual os conflitos mais significativos ocorreram no sculo XX. Clarence J. Karier, apud David Hutchon. Educao Ecolgica, 2000. as duas ltimas dcadas tm testemunhado enormes in- vestimentos em reformas educacionais no Brasil e em vrias partes do mundo, de maneira a fazer frente aos desafios das sociedades atuais. Constatam-se grandes avanos na expan- so quantitativa em todos os nveis de ensino e na elaborao de polticas e aes pblicas que visam a uma educao equi- tativa e com qualidade para todos. No bojo dessas reformas, a promulgao da ldben1 no Bra- sil trouxe, tambm, a legitimao legal de uma nova concep- o de escola e educao, introduzindo mudanas importantes em nossos sistemas de ensino. Uma delas foi ter colocado a escola no centro do debate e das aes educativas, desmisti- ficando teorias e prticas vigentes que vinham responsabili- zando fatores extraescolares como os maiores responsveis pelo fracasso dos estudantes, tais como a condio das fam- lias e a origem sociocultural dos alunos, dentre outros. Outra mudana, uma das mais importantes, foi estabelecer a exign- cia de formao de todos os professores do ensino bsico no nvel superior. antes disso, os professores das primeiras sries (1 a 4 srie) do ensino Fundamental eram formados em n- vel mdio, nos cursos normais. Os professores de 5 a 8 sries eram formados em cursos de licenciaturas de curta durao, e nas creches, ento, no havia nenhum tipo de exigncia de formao qualificada.alm disso, a ldben definiu a ampliao da escolaridade bsica obrigatria de 8 para 9 anos e institucionalizou as cre- ches e pr-escolas, promovendo a educao infantil como pri- meira etapa da educao bsica.Com todas essas reformas, podem-se constatar, por meio de diversos balanos deste processo, mudanas:y Nas estruturas de organizao dos sistemas de ensino quepropiciam estilos diversificados de administrao; 1 Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional, promulgada em dezembro de 1996.5 7. y Na gesto escolar, que garante maior autonomiapara as escolas;y Na elaborao dos currculos, criando parmetrosnacionais para os diferentes nveis de ensino;y No acompanhamento das aprendizagens estudantis,por meio da elaborao de critrios e instrumentos deavaliao externos escola;y No controle de qualidade dos materiais e livros didticosdistribudos aos alunos;y No registro, controle e acompanhamento das matrculaspor meio da criao dos Censos escolares constantese especficos;y Na melhoria dos prdios, da merenda e dotransporte escolar;y Nos critrios e instrumentos para o financiamentopblico da educao.a maior parte desses avanos tem impactado no funcio- namento das escolas, por meio da entrada e permanncia de maior nmero de crianas, adolescentes e jovens nos espaos educacionais. Assim, a escola como instituio democrtica, plural e no excludente vem ganhando, gra- dativamente, espao na agenda nacional, e vem se consti- tuindo no foco das reformas. Ocorre, porm, que apesar de todos esses esforos, os resul- tados das aprendizagens estudantis, objetivo maior da esco- la, no tm sido satisfatrios e avanam muito lentamente! Vale ressaltar que o processo de democratizao trouxe para a escola parcelas da populao de menor renda, com bagagem cultural e valores diferentes daqueles transmitidos pelo curr- culo escolar, que colocam desafios extremamente difceis para o ensino. da mesma forma, democratizou-se o acesso carrei- ra do magistrio, ampliando a gama social e cultural dos que buscam esse trabalho e cuja formao pregressa antes de se tornar professor tambm precria.alm disso, os professores tm se defrontado com uma rea- lidade ainda incompreendida, fruto das mudanas cientficas, tecnolgicas, sociais e ticas, que no tm equivalncia na his- tria da humanidade. as novas formas de acesso informao e ao conhecimento, as mudanas nas famlias e nos prprios alunos, a modificao do mercado de trabalho, os valores so- 6 8. ciais emergentes, so algumas caractersticas da sociedade do sculo XXi que afetam, sem dvida, a atividade docente, tor- nando-a cada vez mais complexa e exigente!Como consequncia, questiona-se mais e mais o papel e a funo docente, buscando-se nos professores, diretores e espe- cialistas da educao um apoio efetivo para a realizao das reformas em sala de aula. Contraditoriamente, porm, os pro- fessores, que so personagens fundamentais desse cenrio, tm sido pouco ouvidos, sobretudo quanto s suas opinies sobre as condies de formao inicial e continuada que eles recebem de maneira a poder virar o jogo. Menos ainda se tem ouvido os novos ingressantes na carreira, cujas impres- ses sobre sua formao e sobre as primeiras experincias do- centes podem ser extremamente importantes na definio de polticas de mudanas.Os comentrios elaborados a partir da consulta de opinio realizada pela Fundao SM em colaborao com a Oei so mais uma contribuio para esse debate. a Fundao SM con- sultou diversos professores ingressantes a respeito de sua pr- pria formao, sobre como valorizam seus primeiros anos de ensino, como foram formados, o que evocam e necessitam. ao mesmo tempo, se tratou de completar esse quadro mediante a consulta da opinio dos professores com mais tempo de do- cncia: como valorizam as novas geraes de colegas e as lem- branas deles prprios quando comearam a dar aula.O foco na opinio sobre os ingressantes uma aposta de que suas ideias sobre a escola e sua prpria formao esto menos contaminadas pela resistncia construda ao longo de vrios anos pelos veteranos. a consulta buscou, tambm, cole- tar opinies sobre as condies institucionais e nas universi- dades, responsveis em grande medida pela formao inicial e pelo apoio aos professores durante seus primeiros anos de vida profissional.Por fim, o presente relatrio pretende estimular, com os comentrios sobre seus resultados, o conjunto dos professo- res a refletirem e tomarem conscincia da importncia das novas geraes docentes como esperana para o futuro de sua prpria profisso. 7 9. OBJETIVOS E INSTRUMENTOS DE C O L E TA D E I N F O R M A E S 8 10. este relatrio constitui-se de uma consulta de opinio, cuja amostra foi definida aleatoriamente e no respondeu a crit- rios estatsticos. Nessa medida, no visa representatividade de seus informantes, mas trazer tona questes relevantes da formao inicial e continuada dos professores ingressantes, as quais possam auxiliar na indicao de caminhos para o debate sobre essa formao, assim como das condies de adaptao dos professores ingressantes ao cotidiano escolar.Para tal consulta, a Fundao SM distribuiu 15 mil ques- tionrios a professores de educao Bsica em pleno exer- ccio da profisso, durante o primeiro semestre de 2009. O questionrio buscou dados sobre municpio e estado de ori- gem, nvel de formao, tipo de escola na qual trabalha e antiguidade na profisso.O questionrio se constitua de 17 perguntas fechadas, ela- boradas com a colaborao de especialistas do Ministrio da educao (mec), nas quais os docentes deveriam expressar seu grau de concordncia em relao a diversas afirmaes sobre a formao inicial e os currculos de Pedagogia e Licenciatura, em escalas do tipo Lickert, de cinco pontos. O ponto de partida para a elaborao dos questionrios foi a constatao dos dados do Censo escolar 2007, os mais recen- tes, analisados pelo mec, de que o tpico professor brasileiro do ensino Fundamental possui escolaridade de nvel superior (com licenciatura) e sua rea de formao Pedagogia ou Ci- ncia da educao (inep/mec, 2009, p. 48). assim, as expecta- tivas de aprendizagem dos egressos e as etapas de formao definidas pelas diretrizes Curriculares de Pedagogia2 consti- turam-se nos contedos investigados do estudo porque so os parmetros nacionais mais atualizados sobre esse grau de ensino Superior. Consultou-se a respeito das expectativas dos professores sobre a qualidade de sua formao, incluindo a competncias e contedos especficos para o exerccio docen- te, sobre as relaes entre teoria e prtica, sobre o tempo e as formas de estgio, dentre outros pressupostos para uma boa formao definidos pelas diretrizes de Pedagogia.essas diretrizes preveem mudanas importantes na for-2 As Diretizes Curriculares para os cursos de Pedagogia - Licenciatura foram institudas pela RESOLUO CNE/CP N 1, de 15 de maio de 2006.9 11. mao em Pedagogia, principalmente porque anteriormenteeste curso era responsvel pela formao do pedagogo gene-ralista, mais particularmente na formao dos profissionaisresponsveis pela direo, gesto e superviso escolares. apartir de 2006, porm, as novas diretrizes definiram que osCursos de Pedagogia formam os professores da escolaridadebsica, para a educao infantil e para as cinco primeiras s-ries do ensino Fundamental, visando, portanto, mais expe-rincias prticas relativas aos estgios supervisionados e regncia precoce em sala de aula. No obstante, so diretri-zes muito recentes e pouco implementadas na maioria doscursos em funcionamento no pas, como se constatou em es-tudo recente (Gatti, 2008). esse fato, portanto, dever apare-cer nas opinies dos professores respondentes. do total dos respondentes, houve um retorno de 4.266professores, dos quais 3.512 so professores do Ensino Funda-mental cujos questionrios foram considerados vlidos parafins de anlise. a maioria deles proveniente da regio Su-deste (57,1%), seguidos de Sul (20%), Nordeste (18,5%), Centro-Oeste (2,8%) e Norte (1,6%). Sua formao majoritariamentede nvel superior completo: 74,7% deles, dos quais 43,6% sopedagogos, quase 10% graduado no Curso Normal Superiore o restante est cursando especializao, mestrado e atdoutorado. dos respondentes, apenas 8,9% tem nvel mdiona modalidade Normal. Os 3.512 professores informantes foram categorizados portipo de escola em que trabalham (pblica ou privada) e comrelao ao tempo na profisso. Quanto ao tipo de escola, umaparcela de apenas 3,7% trabalha nas escolas privadas, en-quanto 96,3% trabalham nas escolas pblicas. as opiniesexpressas pelos professores, portanto, tm uma marca insti-tucional pblica, e assim devem ser pensadas.Quanto ao tempo de profisso, para fins da anlise, os pro-fessores ingressantes foram definidos pelo grupo que possuimenos de trs anos de docncia e representam apenas 12,2%da consulta, enquanto seus colegas veteranos, agrupadas asoutras categorias, somam 87,8% de presena na consulta. essedado fundamental para relativizar as respostas encontradas,considerando que os ingressantes esto representados mino-ritariamente no grupo de respondentes. Vale ressaltar, ainda,que a entrada recente desses professores na profisso coincide 10 12. com a existncia das diretrizes Curriculares para a Pedagogia, que tm apenas trs anos, ou seja, que as diretrizes ainda no tiveram impacto na formao destes respondentes.ainda que nossos respondentes no representem de ma- neira fiel a realidade brasileira, apresentamos breve carac- terizao dessa faixa docente, de forma a auxiliar o leitor quanto s opinies expressas. de acordo com estudo recente elaborado pelo mec, com base no Censo escolar de 2007, o professor tpico no Brasil do sexo feminino, de nacionalidade brasileira e tem 30 anos de idade. a raa/cor no-declarada, possui escolaridade de nvel superior (com licenciatura) e sua rea de formao Pedagogia ou Cincia da educao. Leciona, predominante- mente, a disciplina Lngua/Literatura Portuguesa, trabalha em apenas uma escola, de localizao urbana, e responsvel por uma turma com 35 alunos em mdia. No ensino Funda- mental, aparecem diferenas interessantes entre os profes- sores dos anos iniciais e os dos anos finais. Cerca de 70% dos professores dos anos iniciais atuam em apenas uma turma e so multidisciplinares (73%), enquanto 43% dos professores dos anos finais atuam em mais de cinco turmas, porm com uma nica disciplina (60%). Os docentes que trabalham em duas ou mais escolas s ultrapassam 10% do total nos anos finais do ensino Fundamental (15,3%) e no ensino Mdio (13,4%). do mesmo modo que na educao infantil, a maio- ria dos professores dos anos iniciais do ensino Fundamental apresenta formao adequada para o exerccio do magistrio (87%). Nos anos finais, o percentual de docentes com forma- o que atende aos requisitos da LdB ainda elevado, embo- ra menor do que na fase anterior (73,4%). a anlise realizada sobre a adequao do curso de graduao dos professores s disciplinas em que atuam, ainda que apenas exploratria, pode significar o primeiro passo rumo ao mapeamento mais efetivo das necessidades de formao docente, das discipli- nas em que h maior carncia de professores, das demandas e necessidades das redes de ensino e, ainda, pode embasar a discusso sobre propostas de formao inicial e continuada desses profissionais. Os dados evidenciam aspectos positivos, como o elevado nmero de professores com graduao e li- cenciatura em todas as etapas da educao bsica, ainda que haja descompasso entre a formao do docente e a disciplina11 13. com a qual trabalha, tanto nas sries finais do ensino Funda-mental quanto no ensino Mdio. entretanto, a persistnciada presena de professores leigos atuando nas escolas bra-sileiras, em propores que variam entre 10% e quase 30%,indica a necessidade de um olhar diferenciado para o temaespecfico da formao desses professores. (pp. 48-49) as opinies dos professores, ento, foram agrupadas em7 categorias de anlise, de maneira a possibilitar que a for-mao docente fosse revelada nos seus aspectos particulares,quais sejam: 1. a formao inicial; 2. as competncias profissionais; 3. as relaes com os pares; 4. as atitudes e os valores; 5. a integrao escola; 6. a recordao dos primeiros anos; 7. Os fatores que influenciam a qualidade do professorado. 12 14. 2 A OPINIO DOS DOCENTES13 15. 2.1 A formao inicial O primeiro interesse desse estudo foi o de conhecer aopinio dos professores sobre a formao inicial que rece-beram e a adaptao do currculo da mesma s necessida-des da profisso. Para isso formulou-se uma srie de afirmaes para asquais os professores deveriam dar seu grau de concordncia.duas destas afirmaes tinham a ver com a opinio geral so-bre sua formao inicial.a primeira delas lhes p...</p>