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Georges Hacquard

DICIONRIO DE MITOLOGIA GREGA E ROMANA

Digitalizao:

ngelo Miguel Abrantes

TRADUO

MARIA HELENA TRINDADE LOPES

Profiessora auxiliar de Civilizaes Pr-Clssicas, Histria Comparada das

Religies e Egpcio Hieroglfico da Universidade Nova de Lisboa

TITULO ORIGINAL GUIDE MYTHOLOGIQUE DE LA GRCiE ET DE ROME

(@) 1990, Hachette

DIRECO GRFICA DA COLECO

JOO MACHADO

Este livro foi composto em caracteres Helvtica por

Maria da Graa Manta, Lisboa

e impresso e acabado na

Diviso Grfica das Edies ASA Rua D. Afonso Henriques, 742 - 4435 Rio Tinto

1 .@ edio: Novembro de 1996

PREFCIO EDIO PORTUGUESA

O "Dicionrio de Mitologia Grega e Romana", da autoria de Georges Hacquard, constitui um marco importante neste tipo de produo literria destinada ao grande pblico.

O maior dos mritos do autor , sem dvida, ter conseguido apresentar snteses perfeitas de cada um dos heris, lugares ou deuses da mitologia, sem recorrer quilo que mais vulgar neste tipo de obras: a simplificao superficial que conduz confuso e mistura abusiva de tradies e de autores.

G. Hacquard demonstra, efectivamente, ter um conhecimento profundo das diferentes tradies relativas a cada um dos heris ou deuses da mitologia, alertando-nos constantemente para o autor ou fonte literria referida. Assim, as narrativas de Homero no so confundidas com as de Hesodo ou dos trgicos gregos ou ainda com as de autores posteriores como Calmaco ou Pausnias.

Por outro lado, o seu conhecimento das lnguas (grega e latina) permite-lhe explicitar, muitas vezes, a partir da raiz do nome dos heris ou deuses, a personalidade destes. Uma personalidade que veiculada pelo nome.

Importa, tambm, salientar a metodologia utilizada para a apresentao dos grandes heris da Antiguidade: Aquiles, Hrcules, Jaso e Teseu, por exemplo, nascem e morrem perante o nosso olhar. Tambm aqui o autor no optou pela simplificao superficial que leva, habitualmente, a apresentar uma sntese das caractersticas do heri e, eventualmente, a sua interveno num ou noutro acontecimento relevante. Hracies, por exemplo, desabrocha, cresce, avana, ama e morre e ns podemos sentir todo o seu percurso vivencial e individual, integrado numa determinada conjuntura. Podemos sentir a Histria. A Histria daquele tempo e a histria do heri individual.

Georges Hacquard , sem dvida, um "poeta" apaixonado pela mitologia que to bem conhece e apresenta. Essa paixo, essa preferncia individual, notada e sentida em algumas rubricas. O caso de Apolo bem paradigmtico desta situao. A escrita do autor complexifica-se, torna-se menos fluente, mais potica e, por isso, mais difcil de seguir e de acompanhar. Podemos, talvez, afirmar que a sensibilidade do autor e a sensibilidade da personagem contriburam, em unssono, para a criao de algumas das mais belas pginas desta obra.

O "Dicionrio de Mitologia Grega e Romana" , sem dvida, uma obra fundamental para todos aqueles que pretendem conhecer melhor a mitologia greco-romana e que pretendem faz-lo, com prazer, com rigor e com seriedade.

MARIA HELENA TRINDADE LopES

camas -,,

, camas era filho de Teseu, rei de Atenas, e de Fedra, sua mulher (ela prpria, filha do rei de Creta, Minos).

Quando Teseu partiu em campanha com o seu amigo Pirtoo (em primeiro lugar para raptar Helena, ainda uma menina, que ele entregou sua prpria me Etra, e depois Persfone, que ele tratou de arrancar aos Infernos), confiou o trono de Atenas aos seus filhos camas e Demofonte. Mas Castor e Plux, irmos de Helena, intervieram e, enquanto Teseu esteve prisioneiro nos Infernos, eles libertaram a sua irm, capturaram Etra, expulsaram os filhos de Teseu e substituram-nos no trono por Menesteu, descendente de Erecteu. camas e Demofonte retiraram-se, ento, para a ilha de Ciros. Foi l que seu pai, depois de libertado, os reencontrou e morreu.

Quando Helena, entretanto casada com Menelau, foi de novo raptada, mas desta vez por Pris, filho de Pramo, rei de Tria, foi a camas que Menelau apelou, no sentido de negociar com Tria o regresso de Helena, para junto de seu marido.

A presena de camas na corte de Tria no passou despercebida aos olhos de uma das jovens princesas, "a mais bela das filhas de Pramo e de Hcuba", Ladice. Esta, profundamente apaixonada por camas, confidencia os seus ardores mulher do rei de Drdano, em Trade. A Rainha ir, ento, sugerir ao seu marido convidar Acamas e Ladice para um banquete. A jovem, apresentada como uma cortes de Pramo, sentada ao lado do jovem grego e, ainda a noite no tinha terminado, j os dois se tinham unido, amorosamente. Desta unio ir nascer Mnito, que a me de Teseu, Etra - ela tinha acompanhado Helena corte de Pramo - ter por misso educar.

A embaixada de camas no teve outro sucesso seno este. E a guerra

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Adnis

de Tria comeou ento. camas participou nela, assim como o seu irmo Demofonte, na esperana de libertar a sua av. camas passa, mesmo, por ter sido um dos numerosos guerreiros que se esconderam no interior do cavalo de madeira.

Obtida a vitria, resgatadas Helena e Etra - esta ltima graas aos seus netos que a reconheceram no meio dos cativos dos Gregos - camas regressa tica. morte de Menesteu, ir recuperar o trono de Atenas, que ocupar com grande sabedoria. (As aventuras de camas so, por vezes, atribudas ao seu irmo, Demofonte.)

Adnis 1,

A lenda, de origem sria, conta que a rainha da Sria tinha uma filha, Mirra (ou Esmirna), que ela admirava tanto, a ponto de a proclamar superior em beleza prpria deusa da beleza. Afrodite no gostou e decide vingar-se, inspirando a Mirra um amor criminoso pelo seu prprio pai. Assim, a jovem, com a cumplicidade da sua ama, consegue introduzir-se, de noite, incgnita, no leito do rei e unir-se com ele.

Ter-se- este apercebido da burla, exprimindo ento a inteno de condenar a sua filha morte, ou ter sido Mirra, que fugiu, envergonhada, aps a consumao do incesto? Qualquer que seja a resposta, a verdade que os deuses tiveram piedade da jovem e decidiram transform-la numa rvore: a rvore da mirra, cujas gotas no so seno as lgrimas da prpria Mirra.

Nove meses mais tarde, a crosta da rvore estalou, e dela saiu uma criana de extraordinria beleza: quem a voltasse a nomear no deveria dar-lhe outro nome seno o de "belo Adnis". (De uma palavra semtica que significa "senhor".)

As ninfas adoptaram-no e educaram-no no meio da natureza. Um dia, Afrodite viu-o e - vingana justa de Mirra - experimentou por ele toda a violncia do desejo, imediatamente partilhado. O casal tornou-se, a partir de ento, inseparvel.

Ora Ares, que h muito tempo se encontrava apaixonado por Afrodite, irritou-se com a paixo que uni mortal despertara na deusa do amor. E a fim

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Adnis

de eliminar este rival demasiado ditoso, resolveu insuflar-lhe a sede da aventura, a procura do perigo.

Foi assim que um dia Adnis, de arco na mo, partiu sozinho para a caa, apesar das splicas da sua amante. A certa altura da caada surge-lhe um javali, que investe contra ele, derrubando-o e provocando-lhe uma ferida mortal. Alertada por Zfiro, a deusa precipita-se ao encontro do seu amado, ferindo os ps nas espinhas das rosas brancas que se tingem imediatamente de prpura. Mas chegou demasiado tarde, no assistindo ao ltimo suspiro do seu jovem amado. Perdida de dor, e para que a lembrana de Adnis e da sua beleza se perpetuassem sobre toda a terra, Afrodite transformou as gotas de sangue que se derramavam da sua ferida mortal, em anmonas.

Aps este incidente, a deusa criou em homenagem a Adnis uma festa fnebre, que as mulheres srias deviam celebrar, em cada Primavera. O rio da Fencia que banhava Biblos (e a que os Gregos iro chamar Adnis) tomou, a partir deste momento, a cor do sangue (este rio, chamado hoje Nahr-1brahim, recebe as chuvas de terras ferruginosas).

Entretanto, Adnis tinha descido aos Infernos. A sua deslumbrante beleza mantinha-se e a deusa Persfone, ao v-lo, apaixona-se imediatamente. Afrodite no consegue suportar esta nova e ainda mais pungente dor. Dirige-se a Zeus e suplica-lhe que intervenha a seu favor. Ento, o rei dos deuses decidiu que Adnis viveria um tero do ano nos Infernos, outro tero com Afrodite e que, durante o ltimo tero, seria livre de escolher o seu local de permanncia. Curiosamente, Adnis opta por passar mais este perodo de quatro meses junto de Afrodite.

Da Sria, o culto de Adnis ter-se- expandido para todo o Oriente, Grcia e bacia do Mediterrneo. Encarnando o cicio da vegetao, o filho de Mirra desce ao reino dos mortos nos quatro meses de Inverno, para renascer na Primavera. A sua fresca e virginal beleza, exposta hostilidade de um clima devorador, votada ano aps ano destruio.

Os "Jardins de Adnis" evocam, sua maneira, a vida brilhante e efmera do favorito de Afrodite (igualmente recordada por mais de uma obra-de-arte: telas de Ticiano, Rubens, Poussin, esculturas de Miguel-ngelo, Canova, etc.)

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Afrodite

Afrodite EMO

Afrodite uma divindade de caractersticas orientais, cujo culto foi provavelmente introduzido na Grcia pelos Fencios, a partir das suas feitorias, Uma delas estabelecera-se na ilha de Ctera, prxima do Peloponeso. Por estas razes, Afrodite muitas vezes assimilada deusa fencia Astarte.

A deusa da beleza Deixando trabalhar a sua imaginao sobre o nome, de origem asitica, da deusa, que para eles evocava a palavra aphros (espuma), os Gregos criaram a lenda de Afrodite nascida da espuma das ondas, depois da mutilao de rano. Zfiro, o vento fresco que sopra de oeste, avistou-a quando ela saa das ondas, no muito longe da Pale