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    ROMANCES DE ALEXANDRE DUMAS

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    Volumes Publicados. SRIE DARTAGNAN 1 Os Trs Mosqueteiros 1 volume 2 Os Trs Mosqueteiros 2 volume 3 Vinte Anos Depois 1 volume 4 Vinte Anos Depois 2 volume 5 Vinte Anos Depois 3 volume 6 O Visconde de Bragelonne 1 volume 7 O Visconde de Bragelonne 2 volume 8 O Visconde de Bragelonne 3 volume 9 O Visconde de Bragelonne 4.9 volume 10 O Visconde de Bragelonne 5 volume 11 O Visconde de Bragelonne 6 volume SRIE ROBIN HOOD 12 Aventuras de Robin Hood 13 Robin Hood, o Proscrito SRIE MEMRIAS DE UM MDICO 14 Jos Blsamo 1 volume 15 Jos Blsamo 2 volume 16 Jos Blsamo 3 volume 17 Jos Blsamo 4 volume 18 O Colar da Rainha 1 volume 19 O Colar da Rainha 2 volume 20 ngelo Pitou 1 volume 21 ngelo Pitou 2 volume 22 A Condessa de Charny 1 volume 23 A Condessa de Charny 2 volume 24 A Condessa de Charny 3 volume 25 A Condessa de Charny 4 volume 26 O Cavaleiro da Casa Vermelha

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    Titulo original em francs LE PRINCE DOS VOLEURS Traduo de AUGUSTO SOUSA Ilustraes de NICO ROSSO 2 edio A propriedade literria desta traduo, realizada na ntegra do texto original francs, foi adquirida por SARAIVA S. A

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    PREFCIO A vida aventurosa do outlaw (fora da lei, proscrito) Robin Hood, transmitida de gerao em gerao, tornou-se um assunto popular na Inglaterra, e contudo o historiador muitas vezes carece de documentos para retraar a curiosa existncia do famoso salteador. Grande nmero de episdios relativos a Robin Hood apresentam caractersticas de verdade e lanam um brilho muito vivo sobre os costumes e hbitos do seu tempo. Os bigrafos de Robin Hood no esto de acordo sobre a origem do nosso heri. Uns atriburam-lhe nascimento ilustre, outros contestaram-lhe o ttulo de Conde de Huntingdon, mas o certo que Robin Hood foi o derradeiro saxo que tentou opor-se dominao normanda. Os sucessos integrantes da histria que pretendemos contar, por muito plausveis e admissveis que paream, no passam talvez, por fim, de um resultado da imaginao, pois a prova material da sua autenticidade realmente no existe. A universal popularidade de Robin Hood chegou at nossos dias com toda a frescura e brilho da poca em que nasceu. No h um autor ingls que no lhe consagre algumas palavras amveis. Cordum, escritor eclesistico do sculo quatorze, chama-lhe ille famosissimus sicarius (o celebrrimo bandido), Major qualifica-o de humanssimo prncipe dos ladres. O autor de um curiosssimo poema latino, datado de 1304, compara-o a William Wallace, o heri da Esccia. O clebre Gamden diz, falando dele: Robin Hood o mais galante dos bandidos. Enfim o grande Shakespeare, em Como quiser, desejando pintar o modo de viver do duque e aludir sua felicidade, assim se exprime: L est na floresta do Arden (das Arennes), com um bando de homens joviais, onde vive maneira do Velho Robin Hood de Inglaterra, deixando correr o tempo, livre de todo o cuidado como na poca feliz da idade de ouro. Se quisssemos enumerar aqui os nomes de todos os autores que fizeram o elogio de Robin Hood, cansaramos a pacincia do leitor; basta-nos dizer que em todas as lendas, canes, baladas e crnicas que dele falam, ele apresentado como homem de fino esprito, de incomparvel audcia e coragem. Generoso, paciente e bom, Robin Hood era adorado no apenas pelos seus companheiros (jamais foi trado ou abandonado por qualquer deles), mas tambm por todos os habitantes ao condado de Nottingham. Robin Hood oferece o singular exemplo de um homem que, sem ter sido canonizado, disps de um dia de festa. At ao fim do sculo XVI o povo, os reis, os prncipes e os magistrados, na Esccia e na Inglaterra, celebravam a festa do nosso heri por meio de jogos institudos em sua honra. A Biografia universal informa-nos ainda que o belo romance de Ivanho, de Sir Walter Scott, tornou Robin Hood conhecido na Frana. Mas, para apreciar a histria dessa quadrilha de bandoleiros necessrio recordar que, desde a conquista de Inglaterra por Guilherme, as leis normandas sobre a caa puniam os caadores furtivos com a perda dos olhos e a castrao. Este duplo suplcio, pior que a morte, obrigava os desgraados que haviam incorrido nele a refugiar-se nos bosques, e a exercerem, como nico recurso para viver, o prprio ofcio que os colocara fora da lei. A maior parte desses caadores furtivos pertencia raa saxnia, esbulhada pela conquista, de modo que assaltar um rico senhor normando equivalia quase a recuperar os bens paternos. Esta circunstncia, perfeitamente explicada no romance pico de Ivanho e no relato das aventuras de Robin Hood, no permite que se confundam os outlaws com os ladres comuns.

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    O PRNCIPE DOS LADRES

    I ESTAVA-SE no reinado de Henrique II e no ano da graa de 1162. Dois viajantes de roupas imundas por uma longa caminhada e de faces extenuadas por uma longa fadiga, trilhavam certa tarde os exguos atalhos da floresta do Sherwood, no condado de Nottingham. Fazia frio, as rvores, nas quais comeavam a despontar os dbeis rebentos de maro, tremiam ao sopro das ltimas rajadas do inverno, e um escuro nevoeiro alastrava sobre a terra medida que os raios do sol poente se apagavam entre as nuvens purpreas do horizonte. O cu no tardou a enegrecer, e o vento que agitava a floresta parecia pressagiar uma noite tempestuosa. Ritson disse o mais idoso dos viajantes envolvendo--se na sua capa, est aumentando- a violncia do vento; ser que a tempestade no nos vai surpreender antes da chegada, e estaremos realmente no caminho certo? Estamos no bom caminho, milorde respondeu Ritson, e se a memria no me falha, antes de uma hora bateremos porta do guarda florestal. Os dois desconhecidos caminharam em silncio durante trs quartos de hora, e o viajante a quem o companheiro dera o tratamento de milorde, perguntou impaciente: Tardaremos a chegar? Dentro de dez minutos, milorde. Bem e esse guarda florestal, esse homem a quem chamas Head, ser digno da minha confiana? Inteiramente digno, milorde; Head, meu cunhado, um homem rude, franco e honesto; ouvir com respeito a admirvel histria inventada por Vossa Senhoria, e acreditar nela; ele no sabe o que a mentira, nem sequer conhece a desconfiana. Repare, milorde! exclamou alegremente Ritson, interrompendo o elogio do guarda; repare naquela luz cujos reflexos douram as, rvores! Pois provm da casa de Gilberto Head. Quantas vezes na juventude saudei com alegria essa estrela do lar, quando noite regressvamos fatigados da caa! E Ritson parou um momento, sonhador e de olhos ternamente fixos naquela luz vacilante que lhe fazia evocar as recordaes do passado. O menino dorme? perguntou o fidalgo, pouco sensvel s emoes do servidor.

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    Est profundamente adormecido respondeu Ritson, cuja face imediatamente assumiu uma expresso de completa indiferena; e pela salvao da minha alma! No compreendo como Vossa Senhoria se d tantos trabalhos para conservar a vida de uma criaturinha to prejudicial aos seus interesses. Se quer desembaraar-se para sempre desse menino, porque no lhe enterrar duas polegadas de ao no corao? Estou s suas ordens, s falar. Prometa-me como recompensa acrescentar o meu nome no seu testamento, e o pequeno dorminhoco nunca mais acordar. Cala-te! atalhou bruscamente o fidalgo; eu no desejo a morte desta inocente criatura. Posso temer vir a ser descoberto no futuro, mas prefiro as angstias do temor aos remorsos de um crime. De resto, tenho motivos para esperar, e at para crer que o mistrio que envolve o nascimento desta criana no ser jamais revelado. Se suceder o contrrio s pode ser por traio tua, Ritson, e juro-te que todos os instantes da minha vida sero empregados numa rigorosa vigilncia dos teus atos e gestos. Educado como um campons, este menino no sofrer com a mediocridade da sua condio; criar-se- uma felicidade de acordo com as suas tendncias e os seus hbitos, sem nunca lamentar o nome e a fortuna que hoje perde sem os conhecer. Seja feita a sua vontade, milorde! volveu friamente Ritson; mas o fato que a vida deste menino no vale as canseiras de uma viagem de Huntingdonshire a Nottinghamshire. Enfim, os viajantes apearam-se diante de uma linda casinhola, escondida como um ninho de ave num macio da floresta. Ol, vizinho Head! gritou Ritson em voz alegre e potente; ol! abre depressa! Est chovendo a cntaros e vejo daqui arder o lume na tua lareira. Abre logo, amigo, um parente que te pede hospitalidade! Os cachorros rosnaram no interior da morada e o cauteloso guarda comeou por perguntar: Quem bate? Um amigo. Que amigo? . Rolando Ritson, teu cunhado. Abre logo, bom Gilberto. Rolando Ritson, de Mansfeld? Sim, sim, eu mesmo, o irmo de Margarida. Abre logo, com mil diabos! gritou Ritson impaciente; mesa nos explicaremos. A porta abriu-se por fim e os viajantes entraram. Gilberto Head apertou cordialmente a mo do cunhado. e disse ao fidalgo, saudando-o com urbanidade: Seja bem-vindo, senhor cavaleiro, e no me acuse de ter infringido as leis da hospitalidade, se por alguns instantes mantive fechada a minha porta entre Vossa Senhoria e o meu lar. O isolamento desta casa e a vagabundagem dos fora da lei da floresta obrigam-me a ter prudncia, pois no basta ser valente e forte para escapar ao perigo. Aceite portanto as minhas desculpas, nobre estrangeiro, e considere a minha casa como sua. Sentem-se ao lume e tratem de secar as roupas, pois vamos ocupar-nos das montarias. Ol, Lincoln! berrou Gilberto entreabrindo a porta de um quarto prximo; leva os cavalos destes viajantes para o telheiro, visto que a cocheira pequena demais para os acolher, e vigia para que nada lhes falte: manjedoura atulhada de feno e palha at ao ventre. Um robusto campons vestido moda florestal surgiu, logo em seguida, atravessou a sala e saiu sem mesmo relancear um olhar de curiosidade aos recm-chegados; uma linda mul