Predadores Silvestres e Animais Domésticos: Guia Prático de Convivência

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Esse guia foi elaborado para ajudar proprietrios e criadores deanimais domsticos a entender e enfrentar melhor seus problemas com ospredadores silvestres. O livro uma adaptao do Guia de ConvivnciaGente e Onas, de Silvio Marchini e Ricardo Luciano. Como a ona-pintada ea ona-parda so os principais predadores silvestres envolvidos em conflitoscom os criadores de animais domsticos e ainda por cima despertam o medode ataques sobre seres humanos esse guia dedica uma ateno maior aelas. Porm, dada a necessidade de se elaborar um material que abordasseos conflitos com todos os predadores silvestres que causam problemas aoscriadores do pequeno furo s grandes onas o Centro Nacional dePesquisa e Conservao de Mamferos Carnvoros (CENAP) aproveitou oexcelente material produzido pelo Projeto Conviver Gente e Onas eadicionou a ele novas informaes, imagens e diagramas, para apresentarnas prximas pginas um guia prtico e completo para a convivncia entrepredadores silvestres, animais domsticos, e seus criadores.

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<p>Silvio Marchini Sandra Cavalcanti Rogrio Cunha de Paula</p> <p>Predadores Silvestrese Animais Domsticos Guia Prtico de Convivncia</p> <p>Predadores Silvestrese Animais DomsticosGuia Prtico de ConvivnciaTexto</p> <p>Silvio Marchini Sandra M. C. Cavalcanti Rogrio Cunha de Paula</p> <p>Ilustraes</p> <p>Ricardo Luciano, Rodrigo Cunha e Carolina Cintra</p> <p>Ministrio do Meio AmbienteInstituto Chico Mendes de Conservao da Biodiversidade Centro Nacional de Pesquisa e Conservao de Mamferos Carnvoros</p> <p>Atibaia, So Paulo, Brasil 2011</p> <p>Ministro do Meio Ambiente Izabella Monica Teixeira Vieira Presidente do Instituto Chico Mendes de Conservao da Biodiversidade Rmulo Jos Fernandes Barreto Mello Diretor de Conservao da Biodiversidade Marcelo Marcelino de Oliveira Coordenador Geral de Espcies Ameaadas Ugo Eichler Vercillo Chefe do CENAP Ronaldo Gonalves Morato</p> <p>Autores Silvio Marchini, Sandra M. C. Cavalcanti e Rogrio C. de Paula Ilustradores Ricardo Luciano, Rodrigo Cunha e Carolina Cintra Projeto grfico e diagramao Sandra M. C. Cavalcanti e Ricardo Luciano Pginas: 44 Impresso no Brasil Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou utilizada por qualquer meio, sem prvia autorizao por escrito da editora.</p> <p>21</p> <p>s crianas da Amrica Latina. Que um dia, no muito distante, elas possam viver em um mundo onde a convivncia entre mamferos carnvoros e o ser humano no seja uma preocupao.</p> <p>Predadores e Animais DomsticosEsse guia trata da convivncia entre predadores silvestres e animais domsticos. Predadores silvestres se alimentam de outros animais silvestres, mas alguns predadores eventualmente matam tambm animais domsticos ou de criao. Dessa maneira, alguns predadores silvestres podem se tornar um problema para os criadores de animais domsticos. Quando a onapintada ataca o gado, o lobinho invade o galinheiro ou a lontra rouba peixes do tanque de criao, a convivncia entre predador e animal domstico e por extenso, seu criador - se transforma em um conflito. Conflitos entre criadores de animais domsticos e predadores silvestres causam prejuzo para os dois lados: os criadores perdem seus animais e, em resposta, os predadores acabam sendo perseguidos. Como consequncia, algumas espcies de predadores silvestres correm o risco de desaparecer para sempre. Embora em alguns casos o conflito entre criadores e predadores seja inevitvel, quase sempre possvel diminuir a perda de animais domsticos sem a necessidade de se perseguir o predador. O primeiro passo na resoluo do problema entend-lo. Antes de pensar em eliminar o predador, preciso entender melhor a situao: identificar corretamente o predador responsvel pelas perdas, compreender a importncia de preserv-lo, conhecer os fatores que tornam os animais domsticos mais vulnerveis ao seu ataque, e saber das medidas alternativas que podem ser tomadas para minimizar o problema. Esse guia foi elaborado para ajudar proprietrios e criadores de animais domsticos a entender e enfrentar melhor seus problemas com os predadores silvestres. O livro uma adaptao do Guia de Convivncia Gente e Onas, de Silvio Marchini e Ricardo Luciano. Como a ona-pintada e a ona-parda so os principais predadores silvestres envolvidos em conflitos com os criadores de animais domsticos e ainda por cima despertam o medo de ataques sobre seres humanos esse guia dedica uma ateno maior a elas. Porm, dada a necessidade de se elaborar um material que abordasse os conflitos com todos os predadores silvestres que causam problemas aos criadores do pequeno furo s grandes onas o Centro Nacional de Pesquisa e Conservao de Mamferos Carnvoros (CENAP) aproveitou o excelente material produzido pelo Projeto Conviver Gente e Onas e adicionou a ele novas informaes, imagens e diagramas, para apresentar nas prximas pginas um guia prtico e completo para a convivncia entre predadores silvestres, animais domsticos, e seus criadores. Esperamos que este material cumpra seu objetivo de levar conhecimento e alternativas para solucionar os problemas com predadores que acometem tanta gente no campo. Esperamos tambm que ele mostre o quo importante so os predadores, seja na manuteno do equilbrio e da harmonia no pedao de terra que nos circunda e na natureza como um todo, seja como componentes muito especiais do valioso patrimnio natural do nosso pas.</p> <p>Predadores Silvestrese Animais Domsticos Guia Prtico de ConvivnciaSumrio</p> <p>08 09 10 12 14 23 34 36 40 45</p> <p>Quem soos predadores</p> <p>Conflitoscom predadores</p> <p>Por que se importarcom os predadores</p> <p>Predadoresde peixes</p> <p>Predadoresde aves domsticas</p> <p>Predadoresde animais domsticos de maior porte</p> <p>Co Domsticocomo predador</p> <p>Onas-pintadasSo um problema para ns?</p> <p>Curiosidades sobre as onas Outras pegadas</p> <p>Quem so os predadoresPredadores silvestres so os animais nativos da fauna brasileira que matam outros animais silvestres e deles se alimentam. Muitos predadores silvestres atacam tambm animais domsticos ou de criao. Esse livro, no entanto, tem o foco nos mamferos (animais de plo) carnvoros do meio terrestre que atacam animais domsticos ou de criao. Gambs, aves de rapina como as guias e os gavies, urubus e teis so exemplos de animais silvestres que podem atacar animais domsticos de pequeno porte. Ainda que algumas das recomendaes abaixo se apliquem aos problemas causados por esses predadores, eles no so tratados nesse livro. Lobos-marinhos e lees-marinhos, e botos e golfinhos, embora sejam mamferos que se alimentam de peixe e eventualmente entram em conflito com pescadores, capturam suas presas em guas abertas e, portanto, tambm no so tratados nesse livro. Alguns dos predadores tratados nesse livro so carnvoros especialistas, ou seja, se alimentam exclusivamente da carne de outros animais. No entanto, carnvoros podem ser tambm generalistas. Carnvoros generalistas comem tambm insetos, frutos, ovos e vegetais. Os hbitos alimentares dos carnvoros podem variar drasticamente de acordo com a poca do ano: j que vrios tipos de alimentos variam em abundncia e disponibilidade ao longo das estaes do ano, os carnvoros so obrigados a variar sua alimentao para satisfazer suas necessidades nutricionais. Os mamferos carnvoros descritos nesse livro esto divididos nos seguintes grupos: 1. Predadores de peixes: lontra e ariranha 2. Predadores de aves domsticas: mo-pelada, quati, furo, irara, lobo-guar, cachorros-do-mato, raposas, jaguatirica e gatos-do-mato. 3. Predadores de animais domsticos de maior porte: ona-pintada e ona-parda8</p> <p>Conflitoscom predadoresO ataque de um animal por outro um processo natural, fundamental para a manuteno da biodiversidade no planeta. Os predadores desempenham uma importante funo ecolgica, mantendo estveis e equilibrados os ecosssistemas em que vivem. No entanto, diversos fatores tm causado uma crescente aproximao entre os predadores silvestres e os animais domsticos e de criao. A expanso da fronteira agrcola, a formao de pastagens para o gado e o desmatamento reduzem os ambientes naturais e aumentam o contato entre predadores e animais domsticos. A caa ilegal de espcies que so presas naturais dos predadores, como tatus, pacas, cutias e capivaras, contribui para a diminuio na disponibilidade de alimento silvestre para os predadores, que se voltam para os animais domsticos.</p> <p>Esses fatores, aliados ao aumento na disponibilidade de animais domsticos em reas prximas aos poucos remanescentes de habitat, levam alguns predadores a atacar a criao domstica, colocando-os em srios conflitos com os criadores. Alm do problema econmico gerado pela predao de animais domsticos, os conflitos com predadores podem tambm ocorrer em decorrncia da proximidade dos predadores com o ser humano e dos riscos que isso pode representar para a segurana das pessoas.9</p> <p>Por que se importarcom os predadores</p> <p>Embora alguns predadores silvestres possam causar problemas para o homem, existem diversas razes para se conviver com eles. Razes Ecolgicas. Os predadores se alimentam de uma grande variedade de animais menores. Predadores grandes (ex. ona-pintada) se alimentam de predadores menores (ex. mo-pelada e quati) e tambm de animais que comem folhas, frutos e sementes (ex. veado, anta, paca e cutia). Dessa maneira, os predadores controlam direta e indiretamente as populaes desses animais e plantas, ou seja, impedem que elas cresam demais. Assim, os predadores acabam tendo uma influncia extensa sobre todo o ambiente natural em que vivem. Devido ao uso de frutos em sua alimentao, alguns predadores atuam como dispersores de sementes, ou seja, transportam as sementes em seu intestino e as defecam longe do local onde foram ingeridas, auxiliando assim na recomposio da vegetao de reas degradadas. o caso do lobo-guar. Por caarem mais facilmente presas fracas e doentes, alguns predadores ajudam a impedir a transmisso de doenas entre diferentes espcies de animais e tambm dessas espcies para o homem. Razes Econmicas. Os predadores silvestres esto entre os mais belos e fascinantes animais da nossa fauna. Algumas espcies tm sua imagem usada para fins comerciais, especialmente pelo setor turstico. No Estado de Mato Grosso por exemplo, a ona-pintada uma das espcies que mais aparecem em cartazes e folhetos de propaganda turstica. De fato, os predadores podem contribuir para o turismo. Um nmero cada vez maior de turistas est disposto a pagar mais pela chance de avistar ou ouvir uma ona ou um lobo-guar por exemplo, pela experincia de simplesmente estar no territrio de um deles, ou ainda pela oportunidade de contribuir para conservao dessas espcie por meio do ecoturismo.10</p> <p>Razes legais. Matar qualquer espcie de predador ilegal. Mais do que isso, um crime segundo a Lei de Crimes Ambientais. Segundo o Artigo 29 daquela lei, Matar, perseguir, caar, apanhar, utilizar espcimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratria, sem a devida permisso, licena ou autorizao da autoridade competente, ou em desacordo com a licena obtida: pena de deteno de seis meses a um ano, e multa. Razes culturais. Alguns predadores so cones da cultura latino americana, e simbolizam astcia, agilidade, vigor, velocidade e, sobretudo, o poder da natureza. Eles contribuem para a manifestao das mais variadas formas de expresso cultural, do folclore aos clssicos da literatura infantil, do artesanato s pinturas que retratam a histria do pas. Por capturar a ateno e o interesse tanto de adultos quanto de crianas, predadores so o tema ideal para atividades de educao e comunicao para a conservao da natureza. Razes emocionais. Os predadores exercem um fascnio especial sobre os seres humanos. Por seu tamanho e beleza excepcionais, lobos e onas despertam emoes que vo da admirao ao medo, do fascnio raiva. De fato, nenhum outro animal de nossa fauna desperta sentimentos to fortes e contrastantes quanto a ona-pintada. Os predadores de menor porte tambm so carismticos e despertam admirao. por razes emocionais que no queremos que os predadores desapaream para sempre. parte da natureza humana valorizar a diversidade em todas as suas dimenses, seja ela material, cultural ou natural. Pela mesma razo que tombamos edifcios histricos e abrigamos obras de arte em museus, nos sentimos apegados aos animais silvestres o suficiente para preferir que eles continuem existindo. Razes ticas. Matar predadores errado. Levar uma espcie extino imoral. nisso que acredita um nmero cada vez maior de pessoas, atravs da compreenso de que no so os predadores que invadem o espao das pessoas, mas sim as pessoas que invadem o espao dos predadores, e de que eles no causam prejuzo propositalmente ou por maldade, mas sim por seguirem seus instintos de caa. Alm disso, a noo de que os predadores, assim como as pessoas, tm o direito de existir e de manter seu modo de vida ancestral, torna imoral nossas aes que ameaam essas espcies de extino.</p> <p>11</p> <p>Predadoresde peixesLontras e ariranhas so os principais predadores de peixes em tanques de criao. Ataques de lontras a peixes em tanques de piscicultura, principalmente trutas, tm sido registrados nas regies Sul e Sudeste do pas. A lontra considerada uma competidora nas atividades pesqueiras e sua perseguio pelo homem uma ameaa importante s populaes da espcie. As ariranhas tambm causam problemas ao homem na regio CentroOeste do pas. De acordo com pescadores do Pantanal, a ariranha compete com eles pois no apenas come os peixes como tambm os espanta dos rios. Como conseqncia, muitos pescadores tm atitudes negativas em relao s ariranhas e as perseguem.</p> <p>12</p> <p>O uso de telas para a cobertura de tanques de piscicultura oferece uma boa alternativa na proteo contra o ataque por lontras, no entanto necessrio que a cobertura seja bem feita, utilizando-se tela de boa qualidade e malha adequada. As figuras ao lado ilustram um tanque para criao de trutas na regio sudeste do Brasil, cuja cobertura foi parcialmente danificada durante um ataque por lontra criao. Nesse caso, o predador causou danos s caudas de dois exemplares de trutas.</p> <p>Recomendaes para aconvivncia com os predadores de peixesEstudos sobre lontras e ariranhas e sobre os danos que essas espcies causam s criaes de peixes ainda esto em fase inicial no Brasil. No entanto, um estudo realizado em Minas Gerais e no Rio de Janeiro sugere que o ataque por lontras comum. Segundo esse estudo, os proprietrios na regio consideram as seguintes medidas como satisfatrias na deteno dos ataques: Uso de cercas</p> <p>Instalao de telas</p> <p>Emprego de ces de guarda</p> <p>13</p> <p>Predadores deaves domsticas (galinhas, patos, marrecos, gansos)Os predadores silvestres que causam problemas aos criadores de aves domsticas dividem-se basicamente em 4 grupos:</p> <p>Mo-pelada e quatiEsses predadores possuem grande habilidade com as patas anteriores, podendo manipular o alimento facilmente. Apesar de serem parecidos na alimentao, comendo basicamente frutos e insetos e s vezes pequenos animais (aves e roedores, por exemplo), as duas espcies possuem suas particularidades.</p> <p>Os mo-peladas se alimentam bastante de peixes e anfbios e em alguns locais atacam criaes de galinhas, principalmente para se alimentar de ovos e pintinhos. Os quatis tm mais predileo pelos ovos do que pelas aves em si e raramente atacam as criaes. Outra diferenas entre eles que o mopelada ativo durante a noite, enquanto o quati ativo durante o dia.</p> <p>Furo e iraraEmbora aparentados, o furo e a irara diferem entre si em vrios aspectos. Enquanto a irara possui hbitos diurnos, o furo sai para procurar comida tardezinha e noite. Enquanto a irara se alimenta basicamente de frutos, insetos, pequenos mamferos e mel, o furo um excelente predador, se alimentando principalmente de pequenos animais, s vezes at maiores que seu prprio tamanho: roedores, aves terrestres, lagartos, cobras, sapos e at peixes.14</p> <p>Dentre os predadores de aves domsticas, uma das espcies que provocam maior estrago nas criaes. Os fures atacam desde frangos a galinhas e patos de maior porte; existem registros de ataques at a gansos. J as iraras, a exemplo dos quatis...</p>