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ArborizAo Manual Tcnico de

Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente

UrbAnA

ArborizAo Manual Tcnico de

UrbAnA

Os que o conheceram sabem o quanto ele era especial....

Apaixonado pelas rvores, exmio e amoroso plantador, dedicamos esse Manual ao Engenheiro Agrnomo Jos Augusto Guedes Candeloro (in memoriam).

suMrio

Apresentao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9

1 . introduo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

2 . Por que arborizar? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

3 . Planejamento da Arborizao Urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18

4 . Plantio de rvores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

5 . Tcnicas para o Manejo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

6 . Legislao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

7 . Glossrio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58

8 . bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62

Anexos

i . Lista de rvores - Espcies indicadas para Arborizao de Calada . . . . . . 65

ii . Lista de rvores - Espcies indicadas para a Arborizao de rea interna . . 77

iii . Lista de rvores - Espcies inadequadas na Arborizao Urbana . . . . . .119

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ApresenTAoSo Paulo, essa metrpole vibrante, intensa, imensa em sua extenso e complexidade est em contnuo desenvolvimento . A cada dia novos desafios surgem para melhoria da convivncia dos diversos elementos que a compem e so necessrios cidade e aos cidados .

A convivncia das rvores com a cidade no fcil . Elas enfrentam diariamente a competio por espao para o seu crescimento e tentam sobreviver diante dos maus tratos, da poluio, das alteraes climticas atpicas, da inadequao entre sua espcie e o local onde se encontram e da incompreenso de sua importncia .

nesse contexto que a terceira edio do Manual de Arborizao Urbana da Prefeitura de So Paulo se insere, tornando-se um impor-tante instrumento de difuso, orientao e sensibilizao para a importncia e o papel das rvores em nossa cidade, sobretudo como um dos componentes fundamentais na regulao do clima, na manuteno da qualidade do ar e na promoo da sade e do bem estar humano .

neste, so abordados os aspectos da arborizao urbana, os seus benefcios, as suas convenincias e as necessidades, descrevendo parmetros de planejamento urbano para os diversos tipos de reas que possam receber plantio de rvores . E, pela primeira vez, tambm apresenta tcnicas de manejo para rvores adultas, visando o prolongamento do tempo de vida destas .

A Prefeitura de So Paulo trabalha para tornar a cidade susten-tvel . investir na arborizao do municpio para que tenhamos uma floresta urbana, que oferea sombra agradvel, variedade de flores e frutos e garanta maior biodiversidade para a nossa cidade, funda-mental para melhorar a qualidade de vida da populao .

Wanderley Meira do Nascimento Secretrio Municipal do Verde e do Meio Ambiente

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So Paulo, considerada uma cidade global com seus quase 12 milhes de habitantes, tambm a sexta maior cidade do mundo .

no ano de 1 .825 teve seu primeiro logradouro pblico destinado contemplao, vivncia e lazer implantado, o Jardim da Luz, conhecido atualmente como Parque da Luz .

Atualmente a cidade de So Paulo conta com mais de 100 parques municipais, 8 parques urbanos estaduais, aproximadamente 5 mil praas, 2 reas de Proteo Ambiental (APA) Municipais, 3 APAs Estaduais e 2 reservas Particulares do Patrimnio natural (rPPn), que so Unidades de Conservao de Uso Sustentvel, 6 Parques naturais Municipais e 6 Parques Estaduais, todos Unidades de Conservao de Proteo integral, e 17 .800km de vias pblicas .

nesse contexto, cada vez mais, o trabalho de arborizao de vias pblicas e das denominadas reas verdes municipais focado no conceito de Florestas Urbanas surgido nos Estados Unidos e Canad, na dcada de 1 .960, onde so considerados elementos constitutivos da paisagem urbana .

Esse conceito abarca quaisquer formas de vegetao localizadas nos espaos livres urbanos que em algumas situaes se conectam com os fragmentos florestais prximos .

importante considerar, tambm, os efeitos das Florestas Urbanas nos aspectos ecossistmicos mais expressivos, quando as reas verdes e a arborizao urbana se interconectam com os outros espaos verdes da cidade numa verdadeira rede ecolgica .

Dentre outras funes a rede ecolgica incrementa a permeabilidade dos espaos urbanos fauna local, particularmente avifauna, que se beneficia do aumento dos recursos alimentares e dos locais para abrigo e nidificao, assim contribuindo para mitigar os impactos da expanso urbana sobre a biodiversidade, bem como a formao das conhecidas ilhas de calor .

Contudo, os espaos arborizados criados artificialmente e nas

inTroDuo1

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condies adversas nas cidades, demandam ateno e aes neces-srias de modo contnuo para o sucesso do plantio minimizando a ocorrncia de conflitos com a infraestrutura existente ou planejada . Como condies adversas, destacamos:

Falta de espaos para o desenvolvimento radicular, no caso de abertura de covas de dimenses reduzidas;

Solos compactados que dificultam a aerao e a infiltrao de gua;

Pouca disponibilidade de nutrientes no solo;

Fiao eltrica convencional de mdia e alta tenso no protegida e compactada;

Danos causados por veculos, como atrito, colises e emisses gasosas;

Falta de tutores e de protetores adequados;

Vandalismo .

Assim, a existncia dessas condies pouco favorveis ao desenvol-vimento das rvores, caractersticas do meio urbano, torna funda-mental a adoo de planejamento bem como acompanhamento permanente de boas tcnicas de manejo da vegetao .

Uma das ferramentas de grande importncia para essa finalidade tem sido a aplicao do Sistema de Gerenciamento de rvores Urbanas (SiSGAU), com o objetivo de promover a gesto da arborizao .

Dentro de novo foco ambiental com prazer que a prefeitura da Cidade de So Paulo, atravs da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSP), com respaldo na portaria intersecretarial n 001/2011/SVMA/SMSP, publica sua primeira reviso do Manual Tcnico de Arborizao Urbana, 2 edio, de 2 .005 .

boa Leitura!

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por que ArborizAr?

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As rvores urbanas desempenham funes importantes para os cidados e o meio ambiente, tais como benefcios estticos e funcionais que esto muito alm dos seus custos de implantao e manejo . Esses benefcios estendem-se desde o conforto trmico e bem estar psicolgico dos seres humanos at a prestao de servios ambientais indispensveis regulao do ecossistema, assim sendo:

Elevar a permeabilidade do solo e controlar a temperatura e a umidade do ar

Figura 01. Urbanizao e temperatura no municipio de So Paulo

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A impermeabilizao indiscriminada do solo urbano um dos agentes que aumentam o escoamento superficial e as enchentes . Alm disso, a ausncia de arborizao somada a outros fatores como poluio e elevada concentrao de asfalto e concreto produzem ilhas de calor, que so reas de baixa umidade relativa e alta tempe-ratura . As rvores so contribuintes chaves para a moderao dos extremos climticos dos grandes centros urbanos .

Interceptar a gua da chuva

As copas das rvores fracionam a gua das chuvas, o que diminui a energia do impacto da gota no solo minimizando o problema de eroso . As superfcies das folhas, frutos, galhos e demais estruturas areas promovem tambm a reteno de gua e constitui-se uma caixa de reteno hdrica natural diminuindo, consequentemente, o problema das enchentes .

Proporcionar sombra

Figura 02. Copa das arvores

Locais arborizados economizam recursos pblicos, por exemplo, na manuteno de reas pavimentadas . reas arbori-zadas quando comparadas quelas expostas diretamente ao sol sofrem menos com os fenmenos de contrao e dilatao, diminuindo seu desgaste .

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A copa das rvores filtra os raios solares diminuindo os efeitos da fotoexposio humana que, em excesso, pode causar doenas de pele e de viso .

Assim, por meio da arborizao, os rgos pblicos tendem a reduzir seus gastos na rea de infraestrutura e sade .

Funcionar como corredor ecolgico

A arborizao viabiliza a conexo entre as populaes de fauna de fragmentos maiores . Alm disso, as rvores abrigam uma infinidade de seres vivos, c